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Violência de Slavoj Zizek



Por Erick da Silva

Ler algum dos livros do filosofo esloveno Slavoj Žižek é sempre uma experiência que nunca deixa de nos impressionar. O seu pensamento radical, onde em sua crítica ao capitalismo se utiliza principalmente da filosofia marxista hegeliana e da psicanálise lacaniana, busca escrutinar as contradições do sistema para além do aparente. A sua peculiar escrita, onde anedotas e passagens de filmes Hollywoodianos são largamente utilizados para ilustrar suas ideias, compõem um raciocínio original que muitas vezes não se apresenta de forma linear ou evidente. Emoldurado em momentos de brilhantismo, com afirmações polêmicas e polissêmicas, ler a Žižek é sempre desafiador.

No livro Violência – seis reflexões laterais, publicado pela editora Boitempo, o filosofo esloveno aborda a questão de como a violência, para além de suas manifestações socialmente condenadas, é parte estrutural do próprio sistema capitalista. Recordando a George Orwell quando este afirma que “As pessoas dormem tranquilamente à noite porque existe homens brutos dispostos a praticar violência em seu nome”, o autor desenvolve uma análise que busca compreender o fenômeno da violência para além de suas manifestações ostensíveis. 

Infância roubada: as crianças vitimas da ditadura brasileira


Uma das faces menos conhecidas na Ditadura instalada no Brasil pós-1964 é seus efeitos junto aos filhos de militantes de esquerda. O fato de serem crianças, para o regime, não lhes eximia de uma possível culpa ou "ameaça a segurança nacional". A foto acima vemos crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil fichadas pelo Dops.

"Comunismo, Hipnotismo e os Beatles."


O chamado "anti-comunismo" teve seu auge principalmente no período da chamada "Guerra Fria", onde a disputa entre os EUA e a URSS não se restringiam apenas ao terreno geopolítico, mas possuía uma importante disputa cultural entre os defensores do "capitalismo" e do "comunismo".

Não apenas de renomados acadêmicos e políticos se deram este embates. Nos subterrâneos desta disputa, se produziram algumas bizarrice notáveis. Um exemplo disso é o livro de 1965 intitulado "Comunismo, Hipnotismo e os Beatles."

Com a autoria do líder religioso e escritor norte-americano David A. Noebel, ele denunciou em seu livro que o surgimento da "Beatlemania" era o resultado de um plano de doutrinação comunista via hipnose!!!

Mesmo os Beatles sendo britânicos (país aliado dos EUA) e pouco afeitos a manifestações políticas naquele momento, para o reverendo Noebel, o rock, a música popular entre a juventude, não passava de uma conspiração soviética para a lavagem cerebral da juventude americana.

Para provar sua teoria, são arrolados argumentos conspiratórios delirantes. Por exemplo, ele afirmou que as gravadoras comunistas invadiam as ondas de rádio, através de suborno, e com isso conseguiam infectar os jovens com música "não-cristã" (Sic)!

Apesar de toda a excentricidade desvairada dos argumentos anti-comunistas do reverendo Noebel, sua obra acabou ganhando relativa popularidade e teve influencia em alguns críticos conservadores do rock.

Emir Sader: A banalização da história


Por Emir Sader

Para Marx, a História é a única ciência social, não porque exclua as outras, mas porque as integra. A Historia não é historiografia, a visão redutiva dos fatos, das datas, dos personagens.

Historicizar um fenômeno é entender como ele foi gerado, em todos os seus aspectos - economico, social, politico, cultural -, como ele se reproduz – conforme suas dimensões objetivas e subjetivas -  e como ele foi ser transformado. Em suma, como se produz a historia humana e como os homens, que produziram, inconscientemente, suas condições de existência e sua própria consciência, podem transformá-la, transformando-se a si mesmos.

Neil Gaiman: Nosso futuro depende de bibliotecas, leitura e de sonhar acordado


“Temos a obrigação de imaginar…” sentenciou Neil Gaiman, explicando porque usar nossas imaginações e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos, durante palestra promovida pela Reading Agency sobre o futuro da leitura e das bibliotecas, publicada.pelo The Guardian, e traduzido pelo blog Index-a-Dora
O inglês Neil Gaiman começou a carreira como jornalista. A amizade com Alan Moore o levou a escrever quadrinhos profissionalmente. Seu trabalho mais conhecido mundialmente é a série Sandman, mas o autor tem em seu currículo obras como Orquídea NegraLivros da Magia e Stardust (adaptado para o cinema em 2007). Gaiman também publicou vários romances em prosa, como Deuses AmericanosBelas MaldiçõesOs Filhos de Anansi e Coraline.

Confira abaixo a íntegra da palestra de Neil Gaiman:

Uma história do homem: do neandertal ao neoliberal


Uma análise da evolução do planeta observa que as decisões políticas em benefício de uma elite não são inexoráveis. Sempre há, como agora, possibilidades que levem em conta a vida das maiorias

Por Renato Pompeu

Até hoje, apesar de a globalização e de o entrelaçamento de todos os povos do mundo numa interdependência recíproca já datarem de décadas, a história do mundo, ou história geral, na maioria das escolas e universidades e na quase totalidade dos livros, é narrada e interpretada como se a Europa Ocidental tivesse sido sempre o centro mais importante do mundo, com destaque para Grécia, Roma, a Idade Média e a Revolução Industrial. Só nos últimos poucos anos é que têm surgido no Ocidente livros de história de um ponto de vista mais global, que mostram notadamente que, diante de impérios como a China, a Índia e a Pérsia e da expansão do Islã, a Europa Ocidental foi na maior parte dos séculos e milênios uma península isolada e atrasada.

Livro-bomba revela como FHC comprou sua reeleição


Um livro bombástico chega, neste fim de semana, às livrarias de todo o País. Trata-se de "O Príncipe da Privataria", lançado pelo jornalista Palmério Doria, autor do best-seller Honoráveis Bandidos, sobre o poder da família Sarney.Desta vez, o foco de Doria é lançado sobre um dos homens mais poderosos e cultuados do Brasil: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No livro, o autor aborda as contradições do personagem e algumas manchas de sua biografia, como a compra da emenda da reeleição e a operação pesada para blindá-lo na imprensa sobre o filho fora do casamento com uma jornalista da Globo, que, no fim da história, não era seu filho legítimo.

Antonio Cândido indica 10 livros para conhecer o Brasil



Por Antonio Cândido
Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.
Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.


Editora quer processar blogueiro em US$ 1 bilhão



Jeffrey Beall, bibliotecário da Universidade do Colorado e dono do blog Schorlaly Open Access, onde mantém uma lista de publicações de acesso aberto e de editoras que ele considera como questionáveis ou predatórias, está sendo ameaçado de processo judicial por uma editora indiana presente na lista.
A editora, OMICS Publishing Group, quer 1 bilhão de dólares (o equivalente a R$ 2 bilhões) em indenização, além de ameaçar Beall com uma pena de três anos de prisão, de acordo com as leis indianas. O bibliotecário recebeu uma carta da IP Markets, firma que administra direitos autorais, no dia 14 de maio. “Achei a carta má escrita e pessoalmente ameaçadora”, disse Beall. “Eu acho a carta é uma tentativa de desviar atenção das práticas editoriais da OMICS”.

Mia Couto: "Não há outro caminho que não seja a insubordinação"


O escritor moçambicano venceu a 25ª edição do Prêmio Camões e voltou a defender a urgência de uma insubordinação que questione o atual sistema mundial e abra o caminho para alternativas.

Vida, o reality show


Por Isleide Fontenelle


O que você faria se soubesse o que fazer? É mais ou menos com essas palavras que se compõe parte da música tema de um dos reality shows mais famosos do Brasil. O que você faria? também é o título, em português, do filme espanhol El método, que se desenrola a partir de um processo seletivo para o cargo de executivo de uma grande empresa, no qual os candidatos não conhecem as regras e precisam mostrar o que, de fato, são capazes de fazer para conseguir a vaga. Até onde você chegaria se não soubesse o que fazer? Porque, nesses dois exemplos, o que está em questão é, justamente, a capacidade de vencer uma competição na qual as regras mudam ao sabor do vento, ou melhor, da necessidade de se acirrar a competição a fim de se saber o quanto cada um suporta.
Um dos motes centrais do livro Rituais de sofrimento é comparar o formato dosreality shows com o dos modelos de gestão do capitalismo flexível. E, ao longo do livro, a autora não poupa exemplos que tornam, de fato, essa comparação possível. Em alguns casos, inclusive, os formatos se sobrepõem, como no reality show O Aprendiz, conduzido por um empresário, e que tem como enredo a luta dos participantes por uma vaga como executivo em uma grande corporação. Para isso, eles se submetem aos mais diferentes tipos de provas, rituais de sofrimento defendidos como necessários para que provem serem dignos do cargo.

A outra história do mensalão


Por Willian Novaes

Neste livro corajoso, A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político (R$ 34,90, pag. 352), independente e honesto, o jornalista Paulo Moreira Leite, que foi diretor de Época e redator-chefe de Veja, entre outras publicações, ousa afirmar que o julgamento do chamado mensalão foi contraditório, político e injusto, por ter feito condenações sem provas consistentes e sem obedecer a regra elementar do Direito segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário.
Os acusados estavam condenados – por aquilo que Moreira Leite chama de opinião publicada, que expressa a visão de quem tem acesso aos meios de comunicação, para distinguir de opinião pública, que pertence a todos – antes do julgamento começar. Naquele que foi o mais midiático julgamento da história brasileira e, possivelmente, do mundo, os juízes foram vigiados pelo acompanhamento diário, online, de todos os seus atos no tribunal. Na sociedade do espetáculo, os juízes eles se digladiaram, se agrediram, se irritaram e até cochilaram aos olhos da multidão, como num reality show.
Este livro contém os 37 capítulos publicados pelo autor em blog que mantinha em site da revista Época, durante os quatro meses e 53 sessões no STF. A estes artigos Moreira Leite acrescentou uma apresentação e um epílogo, procurando dar uma visão de conjunto dos debates do passado e traçar alguma perspectiva para o futuro. O prefácio é do reconhecido e premiado jornalista Janio de Freitas, atualmente colunista da Folha de S. Paulo. Esse é o 7° titulo da coleção Historia Agora, lançada pela Geração Editorial, entre os livros desta coleção está o best seller, A Privataria Tucana.
Ler esses textos agora, terminado o julgamento, nos causa uma pavorosa sensação. O Supremo Tribunal Federal Justiça, guardião das leis e da Constituição, cometeu injustiças e este é sem dúvida um fato, mais do que incômodo, aterrador.
Como no inquietante Processo, romance de Franz Kafka, no limite podemos acreditar na possibilidade de sermos acusados e condenados por algo que não fizemos, ou pelo menos não fizemos na forma pela qual somos acusados.
Num gesto impensável num país que em 1988 aprovou uma Constituição chamada cidadã, o STF chegou a ignorar definições explícitas da Lei Maior, como o artigo que assegura ao Congresso a prerrogativa de definir o mandato de parlamentares eleitos.
As acusações, sustenta o autor, foram mais numerosas e mais audaciosas que as provas, que muitas vezes se limitaram a suspeitas e indícios sem apoio em fatos.
A denúncia do “maior escândalo de corrupção da história” relatou desvios de dinheiro público mas não conseguiu encontrar dados oficiais para demonstrar a origem dos recursos. Transformou em crime eleitoral empréstimos bancários que o PT ao fim e ao cabo pagou. Culpou um acusado porque ele teria obrigação de saber o que seus ex-comandados faziam (fosse o que fosse) e embora tipificasse tais atos como de “corrupção”, ignorou os possíveis corruptores, empresários que, afinal, sempre financiaram campanhas eleitorais de todos, acusados e acusadores.
Afinal, de que os condenados haviam sido acusados? De comprar votos no Congresso com dinheiro público, pagando quantias mensais aos que deveriam votar, políticos do próprio PT – o partido do governo! – e de outros partidos. Em 1997 um deputado confessou em gravação publicada pelo jornal Folha de S. Paulo que recebera R$ 200 mil para votar em emenda constitucional que daria a possibilidade de o presidente FHC ser reeleito. Mas – ao contrário do que aconteceu agora – o fato foi considerado pouco relevante e não mereceu nenhuma investigação oficial.
Dois pesos, duas medidas. Independentemente do que possamos aceitar, nos limites da lei e de nossa moral, o fato é que, se crimes foram cometidos, os criminosos deveriam ter sido, sim, investigados, identificados, julgados e, se culpados, condenados na forma da lei. Que se repita: na forma da lei.
É ler, refletir e julgar. Há dúvidas – infelizmente muitas – sobre se foi isso o que de fato aconteceu.
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O amor impiedoso de Slavoj Žižek


Por Erick da Silva

O filósofo esloveno Slavoj Žižek em seu livro O amor impiedoso (ou: Sobre a crença), lançado no Brasil pela Autêntica Editora, analisa a crença em nossa sociedade. Publicado simultaneamente na Alemanha e na Inglaterra como Die gnadenlose Liebe (O amor impiedoso) e como On belief (Sobre a crença), respectivamente, é uma instigante abordagem sobre os mecanismos do credo.
Valendo-se de múltiplas referências (uma marca da obra de Žižek), o autor traça relações que compõe sua analise sobre os aspectos abordados. Žižek busca demonstrar como permanece enraizada o fenômeno da crença em nossa sociedade supostamente sem Deus, ainda que tal premissa ("sociedade sem Deus") já seja ela própria questionável e fragilmente amparada, o que se explicita facilmente. Ele aborda diversas formas de crença, desde a religião cristã e o judaísmo até o hedonismo místico new-age. A forma e os mecanismos que a estruturam e se conectam com o próprio capitalismo contemporâneo.
O amor impiedoso é a própria crença. A própria religiosidade que se manifesta em sacrifícios desprovidos de qualquer lógica aparente. Como a do próprio Deus do cristianismo, que exige o sacrifício de seu próprio filho (Jesus), para redimir a humanidade perante a si mesmo, Deus!
Contrariando o prognóstico freudiano de que a ilusão religiosa sucumbiria diante do progresso da razão tecno-científica, Žižek, valendo-se nesta empreitada do instrumental  teórico fornecido por Lacan,  mostra que a estrutura da crença é enraizada em nossas práticas sociais mais insuspeitas e aparentemente inocentes, desde a maneira como lidamos com nossos corpos no contexto da razão cibernética até o comprometimento de nossa forma de vida com o capital.
Como bem apontou Vladimir Safatle, "Žižek mostra sua capacidade de partir de premissas aparentemente não problemáticas, disposições arraigadas de conduta, assim como mitos intelectuais que não são vistos como tais, a fim de mostrar como a estrutura da crença é muito mais arraigada do que gostaríamos de imaginar. Dessa forma, essa ampliação da crença não funciona como um convite à simples defesa de sua racionalidade, mas à consciência clara dos desafios que um pensamento realmente crítico deve saber superar."
Neste sentido, o esforço de Žižek em atualizar o pensamento da esquerda, que nesta obra direciona-se principalmente no campo da psicanálise, buscando vincular a psicanálise e anticapitalismo, tentando superar simplificações freudo-marxistas, Žižek aproxima Marx, Lacan e todo um importante referencial crítico nesta empreitada.
Retomando Lenin, Žižek afirma: "A escolha verdadeiramente livre é aquela na qual eu não simplesmente escolho entre duas ou mais opções no interior de um conjunto prévio de coordenadas, mas escolho mudar esse próprio conjunto de coordenadas". Nesta direção que se aponta a urgência e a necessidade de uma reflexão crítica radical anticapitalista.
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Occupy as ruas e as praças do mundo



Por Erick da Silva

O ano de 2011 foi um divisor de águas: se após a crise de 2008 parecia que o mundo estava em um beco sem saída, onde o esgotamento do ideário neoliberal se escancarou sem encontrar uma efetiva e imediata resposta alternativa, veio das ruas um novo ativismo disposto a encontrar estas respostas.
Acampamento na Praça Tahrir no Egito.
Este novo ativismo surgiu do lugar menos provável: a chamada “Primavera Árabe” veio a sacudir e derrubar regimes ditatoriais que há décadas oprimiam seus povos. Eclodido primeiramente na Tunísia e rapidamente espalhando-se pelo norte da África e pelo Oriente Médio, este movimento foi caracterizado pela pluralidade, descentralização e a ausência de lideranças de atores políticos tradicionais. Promovendo formas alternativas de organização, duas características foram marcantes nestas manifestações: o uso da internet e das redes sociais como forma de comunicação e mobilização; e a ocupação de praças e espaços públicos. Estas mesmas características veríamos depois no movimento dos “Indignados” na Espanha, que colocou milhares de pessoas na Puerta del Sol em Madrid e por todo o país, servindo de inspiração para outros indignados pela Europa. Os protestos denunciaram os efeitos da crise econômica sobre o cotidiano da população e a cumplicidade da democracia representativa tradicional diante os mesmos.
Quando surgiu o movimento “Occupy Wall Street” nos EUA, país que há décadas não vivenciava grandes manifestações populares, o impacto foi ainda maior. A escolha do parque Zuccotti, em Nova York, como espaço de ocupação pelos ativistas foi emblemática. Localizada próxima ao coração financeiro de Wall Street e do “ground zero” (local do antigo World Trade Center), o parque foi em 2006 privatizado e renomeado - antes se chamava Liberdade. A ocupação do parque significou justamente o resgate desta noção de liberdade e reapropriação do espaço público.
Manifestante do Occupy Wall Street
Este simbolismo causou grande efeito e rapidamente deu uma dimensão nacional ao Occupy: “Quem poderia prever o Occupy Wall Street e a sua repentina proliferação, ao estilo de uma planta selvagem, em cidades grandes e pequenas?” aponta Mike Davis na coletânea Occupy, lançado pela editora Boitempo em parceria com Carta Maior. Reunindo artigos de autores como Slavoj Zizek, Immanuel Wallerstein, David Harvey, Mike Davis, Tariq Ali, Emir Sader, Vladimir Safatle, entre outros, o livro traz um importante apanhado do que foi e representou este conjunto de movimentos de protesto que tomaram as ruas em todo o mundo.
Da leitura de grande parte dos artigos, depreende-se que não podemos esperar encontrar nestes novos movimentos um programa e uma tática política muito nítida e definida. Talvez o que seja mais marcante é a negação do que está posto, juntamente com a crítica contra a esquerda social-democrata europeia - que executou a mesma política econômica da direita em suas experiências de governo, como o caso do PSOE na Espanha ou do PASOK na Grécia. Este dilema entre os novos movimentos e a democracia liberal ainda é problemática, sendo o caso espanhol exemplar neste sentido. Milhares de indignados tomaram as ruas e não tiveram capacidade ou possibilidade de impedir que o candidato da direita Mariano Rajoy ganhasse as eleições presidenciais e colocasse em prática políticas ainda mais regressivas e antipopulares.
Vladimir Safatle, afirma: "Talvez os manifestantes tenham entendido que a democracia parlamentar é incapaz de impor limites e resistir aos interesses do sistema financeiro". Esse cansaço em relação aos partidos convencionais "não é sinal do esgotamento da política", mas de "uma demanda de politização da economia". Quando o Occupy Wall Street proclama “somos os 99%” da população, enquanto apenas o “1%” tem ditado os rumos da economia global, é justamente isto que estão fazendo. Um libelo contra aquilo que Zizek apontou, citando Badiou, que são os riscos da “ilusão democrática”, qual seja, “a aceitação dos mecanismos democráticos como a moldura fundamental de toda mudança, que evita a transformação radical das relações capitalistas.”
As práticas democráticas estabelecidas de forma horizontal pelos movimentos de ocupações que varreram o mundo demonstra que outras formas de aprofundamento das relações democráticas não só são possíveis como necessárias. Quais os caminhos e formas de organização que darão conta destes impasses é uma questão em aberto. Equivocam-se aqueles que afirmam que os partidos políticos e os sindicatos estão superados como formas de organização. A questão colocada se trata do abismo entre representados e representantes; mais especificamente, da representação que privilegia os interesses do capital em detrimento dos interesses populares. Um exemplo da possibilidade de síntese entre os “novos” e os “velhos” movimentos de esquerda se deu nos EUA, onde uma ação conjunta entre o Occupy e os sindicatos paralisou o porto de Oakland (Califórnia).
O mais importante deste novo ativismo é a sua capacidade de convergir movimentos, organizações e indivíduos distintos, em suas trajetórias e propostas. Esta é a riqueza fundamental destes novos movimentos que ao mesmo tempo dificulta o “passo seguinte. É somente na síntese e superação das divergências momentâneas que poderá se dar novas perspectivas para a esquerda. Como apropriadamente aponta Wallerstein, sem este esforço de síntese é pouco provável “que a esquerda mundial possa ganhar, nos próximos vinte ou quarenta anos, a batalha fundamental. E nela se definirá que tipo de sistema sucederá o capitalismo quando este entrar definitivamente em colapso.” É exatamente este o desafio que está colocado.
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Neil Gaiman fala sobre o acesso livre aos livros na rede



Em coletiva durante a FLIP 2008 o escritor e roteirista Neil Gaiman  falou um pouco de suas opiniões sobre livros e quadrinhos disponibilizados gratuitamente na internet.
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Os homens que não amavam as mulheres



Quem era e o que fazia Stieg Larsson, o homem do Millennium, autor da ácida crítica contra o capitalismo moderno e uma de suas pátrias, a Suécia.

Por Ruy Braga

Em 2008, a trilogia de ficção policial intitulada Millennium (Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar) vendeu cerca de 21 milhões de exemplares em mais de quarenta países, alavancando seu autor, o jornalista sueco Stieg Larsson, à condição de segundo best-seller mundial. 

Infelizmente, Larsson não viveu para conhecer sua inesperada fama: morreu de um ataque cardíaco fulminante aos 50 anos, em 2004, pouco depois de entregar os originais para seu editor.

Desde então, muito tem sido debatido a respeito da áspera violência, especialmente sexual, contida em seus livros. Os debates apontam para uma anomalia: como explicar que a Suécia, um país conhecido por ser uma espécie de paraíso na terra, onde supostamente imperariam a paz social e a tolerância racial, pudesse servir como pano de fundo para tanta sordidez praticada contra mulheres por indivíduos poderosos que, pra piorar, são acobertados por autoridades governamentais corruptas? Uma mirada no homem por detrás da trilogia insinua uma resposta.

Antes de Millennium, Stieg Larsson notabilizou-se como o principal especialista nos grupos neonazistas suecos. Tendo sido criado por um avô comunista que durante a Segunda Guerra Mundial foi aprisionado devido a seu ativismo, não causou surpresa que o jovem Larsson tivesse decidido juntar-se às manifestações estudantis contra a Guerra do Vietnã durante o final dos anos 1960 e início dos anos 1970. A relação do jornalista com a luta política evoluiu na direção da fundação da Liga Comunista dos Trabalhadores, uma organização que durante décadas atuou sob a bandeira da IV Internacional Comunista. 

Militando na Liga, Larsson desenvolveu uma forte intervenção nas lutas antirracistas e antifascistas de sua terra natal. Quando a extrema direita sueca começou a crescer no início dos anos 1980, Larsson ajudou a fundar aStoppa Rasismen (“Parem com o racismo”), uma organização política de combate conhecida por enfrentar fisicamente as manifestações neonazis. Em 1991, no mesmo ano em que os partidos ultranacionalistas suecos que albergavam grupos neonazis alcançavam inéditos resultados eleitorais (desde 1928, ao menos), Larsson publicava seu primeiro livro, Os extremistas da direita. Em resposta, um jornal neonazista publicou um artigo onde constava o nome completo de Stieg Larsson, sua foto e uma pergunta: “Devemos permitir que este homem continue fazendo seu trabalho ou devemos fazer algo a respeito?”






Stieg Larsson

Apenas quatro anos depois de terem pintado um alvo em suas costas, oito de seus camaradas foram assassinados pelos neonazis. Larsson decidiu então fundar a revista Expo a fim de expor as atividades dos extremistas de direita e denunciar a complacência com que as autoridades governamentais tratavam o crescimento do neonazismo sueco. Desde então, Larsson investiu todas as suas energias para transformar o jornalismo investigativo em uma ferramenta de luta contra o ultranacionalismo de direita. Apesar deste trabalho absorvê-lo completamente, afastando-o da militância cotidiana na Liga Comunista, ele nunca abandonou o programa marxista revolucionário: em seu testamento, deixou todos seus bens para o partido que ajudou a fundar.

Por meio de seu trabalho, Larsson revelou o avesso do modelo sueco. Seus livros desafiaram a visão de um país pacífico e tolerante, estimulando inúmeros debates a respeito das raízes sociais da violência política em uma sociedade altamente desenvolvida, mas que, contraditoriamente, apresenta um longo histórico de simpatias nazistas e onde as estatísticas de violência contra as mulheres são incrivelmente altas. Este foi o ponto de vista privilegiado em sua afamada trilogia: a opressão e a violência contra as mulheres. A protagonista dos livros, Lisbeth Salander, uma personagem a um só tempo vítima e heroína das histórias, resolve as tramas com a ajuda de Mikael Blomkvist, um jornalista de meia-idade comprometido em denunciar, por meio da revista Millennium, os capitalistas suecos e a corrupção governamental que os acoberta.

Salander representa o arquétipo do oprimido que sabe que não pode confiar no Estado em sua luta por justiça. Conta apenas com suas próprias forças e com a ajuda de um jornalista esquerdista. Na verdade, Blomkvist representa a transposição literária do próprio Larsson para as páginas da trilogia. Não por acaso, como lembra Barry Forshaw em The Man Who Left Too Soon: the Biography of Stieg Larsson (O homem que nos deixou muito cedo: a biografia de Stieg Larsson -Londres, John Blake, 2010), o jornalista trabalhava o dia todo na Expo, dedicando- se aos livros durante suas noites de insônia. Ou seja, a literatura foi a continuação de sua luta política por outros meios. Seus personagens revelam uma realidade social enrijecida e opressora, produto da violência política contra os oprimidos, especialmente imigrantes e mulheres. Uma violência que ele conhecia bem de perto…

De Silvio Berlusconi a Nicolas Sarkozy, já nos acostumamos a assistir altas lideranças europeias contemporizando com partidos ou grupamentos ultranacionalistas, na tentativa de angariar votos à direita. Além disso, políticas de criminalização dos imigrantes somadas a leis cada dia mais restritivas dos direitos sociais dos trabalhadores europeus prepararam o terreno para a escalada da intolerância racial num continente aterrorizado pelo aprofundamento da crise econômica. Como resultado, líderes ultranacionalistas ameaçam ganhar eleições majoritárias em países tão importantes como a França. Aparentemente, Itália, Holanda, Hungria e Polônia seguem o mesmo caminho. Em poucas palavras: o continente está brincando com fogo.

Ao contrário do establishment europeu, cada dia mais inclinado a ceder à direita, Stieg Larsson decidiu levar até as últimas consequências a lição do velho bolchevique que inspirou a criação de seu partido: “Não se discute com o fascismo. Combate-se!” (Leon Trotsky).


Fonte: Blog da Boitempo, com o título “O continente que brincava com fogo”

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“Diário de um combatente” de Che Guevara chega ao Brasil



Está sendo lançado no Brasil o livro “Diário de um combatente”, que traz impressões inéditas escritas por Che Guevara entre os anos de 1956 e 1958.
Publicado pela primeira vez em 2011, na Espanha, o diário de Che abrange os fatos desde a chegada do iate Granma, em 2 de dezembro de 1956, a Cuba até a vitória da revolução, em 1 de janeiro de 1959. 
Inédito, recheado de fotos do arquivo pessoal de Che e cartas nunca antes publicadas – incluindo a correspondência entre ele e Fidel Castro -, o livro compila anotações ao longo de doze cadernos de notas, durante três anos, até poucos dias antes da revolução em Cuba, em 1958.
O livro foi preparado pelo Centro de Estudos Che Guevara. A pesquisadora María del Carmen Ariet explicou que Guevara foi um forte crítico dos países do bloco soviético, conforme o refletido no livro "Apuntes Críticos a la economía política", publicado em 2006.


Serviço:
“Diário de um combatente”
336 pp.
R$ 44,90
Editora Planeta

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“Memórias de uma guerra suja”: revelações de um agente da ditadura



Por Tales Farias


Ele lançou bombas por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury nas forças de resistência violenta à redemocratização do Brasil.


Apesar disso, o nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos direitos humanos. Mas com o lançamento do livro Memórias de uma guerra suja, que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas de direita que já existiu no país.

Mais do que esse novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 1970 e 1980.

Revelações sobre o próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre von Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se estabeleceu naquele período.

O ex-delegado dá os nomes dos comandantes da operação, “os mesmos de sempre”:

A reportagem do iG teve acesso ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da Verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).

Cláudio Guerra conta ainda como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina de açúcar do norte estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram torturados barbaramente.

“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes.”

Os dez presos incinerados

- João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;

- Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”;

- David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”), João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;

- Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML).

O delegado lembrou do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta, “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”.

Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar).

Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:

“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano.”

“A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.”

Fleury 

Guerra revela ainda que o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo e  símbolo da linha-dura do regime militar – foi assassinado por ordem de um grupo de militares e de policiais rebelados contra o processo de abertura política iniciado pelo ex-presidente Ernesto Geisel. 

Ele afirma ter sido o autor da ideia de fazer a morte de Fleury  parecer um acidente. Acabou sendo enviado para liquidar o colega. Mas, por problemas operacionais, a execução teria ficado para um grupo de militares do Cenimar, o Centro de Informações da Marinha.

O delegado confessa ter sido um dos principais encarregados pelo regime militar de matar adversários da ditadura entre os anos 1970 e 1980.

Ele conta ter executado pessoalmente militantes de esquerda como Nestor Veras, do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), após uma sessão de tortura da qual afirma não ter participado:

“(Veras) tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”

Além do assassinato de Veras, Guerra conta como matou, a mando de seus superiores, outros militantes contra o regime, como: Ronaldo Mouth Queiroz (estudante universitário e membro da Aliança Libertadora Nacional – ALN); Emanuel Bezerra Santos, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Aleixo da Silva (os três, do Partido Comunista Revolucionário – PCR).

Queima de arquivo

“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef”, afirma Cláudio Guerra. Além dele, segundo conta, estavam sentados à mesa e participaram da votação o coronel do Exército Ênio Pimentel da Silveira (conhecido como “Doutor Ney”); o coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva (Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça); o delegado da Polícia Civil de São Paulo Aparecido Laertes Calandra; o coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi), que abriu a reunião.

“Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. (...) Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver.”

Guerra conta que chegou a fazer campana para a execução, mas o colega andava sempre cercado de muita gente. “Dias depois os planos mudaram, porque Fleury comprou uma lancha. Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo essa sua nova aquisição – um ‘acidente’ com o barco facilitaria muito o planejamento.” 

A história oficial é, de fato, que o delegado paulista morreu acidentalmente em Ilhabela, ao tombar da lancha. Mas Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça antes de cair no mar.

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