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Os 10 melhores momentos da direita brasileira em 2014


A revista Fórum fez um ótimo compilado dos 10 melhores momentos da direita brasileira em 2014.
Foi uma tarefa difícil. Não pela escassez de material, mas por ter que eleger apenas dez momentos em que um setor indignado da população demonstrou todo seu conhecimento histórico (como reclamar do Brasil enviando dinheiro para a União Soviética em pleno século 21) ou toda sua coerência (como gritar a plenos pulmões, no Largo da Batata, em São Paulo, que não tinha liberdade de expressão).
Confira abaixo nossa seleção:

Emir Sader: Cadê a análise autocrítica da esquerda?


Por Emir Sader

Em meio a sofrida vitória da Dilma, a esquerda sofreu duros reveses. A própria vitória apertada é um chamado de atenção, que tem que recair sobretudo na falta de democratização dos meios de comunicação, erro fundamental do governo, que quase leva ao fim do ciclo de governos progressistas no Brasil.

Mas a seu lado há outros reveses significativos, como o de um Congresso mais conservador, de diminuição das bancadas da esquerda – do PT mas, pior ainda, a queda de 50% da bancada do PCdoB -, com a derrota de muitos importantes parlamentares de esquerda. Por mais que o financiamento privado das campanhas pese, ele teve o mesmo efeito da eleição anterior, mas o resultado é claramente pior, revelando uma perda de representatividade dos parlamentares da esquerda, como resultado do desgaste das campanhas da mídia, mas também de um  desempenho pioro do que o que existia anteriormente na defesa das grandes causas populares.

Do Batman do Leblon ao Estadão: golpistas mostram as suas armas


Por Erick da Silva

15 de novembro, dia da Proclamação da República, foi "simbolicamente" escolhido por grupos e setores contrários a reeleição de Dilma para irem as ruas pedirem, entre outras coisas, o impeachment da presidenta e uma "intervenção militar".

A toada destas manifestações seguiu-se muito similar as que ocorreram na semana seguinte ao segundo turno, com a sensível diferença de uma radicalização ainda maior dos participantes, seja pelo apelo mais explicito por um retorno a ditadura militar ou ainda pelos tristes incidentes de violência registrados contra pessoas que "ousaram" demonstrar sua contrariedade as proposições dos manifestantes.

País sofre déficit de democracia e de respeito a diversidade


Por Laurindo Leal Filho


A angústia que tomou conta dos eleitores de Dilma Rousseff ao final da tarde de domingo, 26 de outubro, poderia ter sido evitada. A margem tão estreita de votos obtida pela presidenta diante de um candidato fraco, dono de um currículo de realizações paupérrimo e com propostas voltadas para o retrocesso, só foi possível graças ao trabalho intenso desenvolvido pelos meios comunicação. Sem essa interferência, a disputa poderia ter sido decidida no primeiro turno. A escalada intensificou- -se às vésperas do segundo, e ganhou ares de guerra nos três dias que antecederam a eleição final, chegando ao ápice entre a noite de sábado e o domingo, depois da divulgação das últimas pesquisas. Assim se explica o estreitamento da margem de votos entre os dois candidatos verificado nas urnas em relação ao que anunciavam os institutos de pesquisa. Os quatro ou seis pontos previstos foram reduzidos ao final para 3,2.

PSDB estaria apoiando as marchas golpistas? Parece que sim...




Por Erick da Silva

Algumas centenas de pessoas protestaram nas ruas de cidades como São Paulo, Porto Alegre e Brasília neste último sábado (01/11) para pedir o impeachment da presidenta Dilma e combater a "ditadura do PT". Não faltaram nestes atos as chamadas "viúvas da ditadura" pedindo o retorno de uma ditadura militar.

Em 2013 tivemos tentativas similares, com resultados igualmente patéticos no que diz respeito a adesão popular a estas marchas em favor da ditadura.

A novidade é que estes protestos de extrema-direta foram inflados pelo arroubo tucano desta semana em questionar a legitimidade das últimas eleições. Em "defesa da democracia", estes proto-fascistas propõem qual solução? Uma ditadura militar!

Tarso Genro: Desprestígio da Política - A necessidade da Reforma Política


Por Tarso Genro

Este não é um texto de reflexão sobre as eleições no RS, que, como já afirmei  - mesmo com as imperfeições do sistema político atual -  teve resultados que dão legitimidade suficiente ao Governador eleito, para governar e aplicar suas propostas nos próximos quatro anos. Pretendo, com ele,  apenas adiantar alguns argumentos para motivar todos os  que, independentemente de partidos, querem algo mais da democracia brasileira, para dar qualidade à esfera da política e recuperar uma autenticidade mínima  das representações partidárias.

A Presidenta nem assumiu o seu segundo Governo e um dos principais partidos de sustentação do seu mandato, que tem   - nada mais menos do que o Vice-Presidente da República-   já se prepara para bloquear as iniciativas governamentais e promover disputa interna,  para colocar na Presidência da Câmara  -o terceiro posto na ordem da sucessão presidencial-  um líder  do Partido que é governo, mas que apoiou  -nas eleições presidenciais-  o candidato da oposição, Aécio Neves.

Lobão, Marina, Sensus, Aécio, Veja e Globo: os grandes micos da eleição


Passada a eleição, é  hora de selecionar os grandes “micos” dessa campanha eleitoral que mobilizou ódio e preconceito – por fim, derrotados na urna.
Faço aqui uma breve lista, mas gostaria que os internautas ajudassem a completá-la.

Dilma Rousseff enfrenta e volta a vencer golpistas


Por Rede Brasil Atual

Foi uma vitória maiúscula. A reeleição de Dilma Vana Rousseff (PT) escreve muitos capítulos inéditos e carrega uma força simbólica que, se não é maior que a das demais disputas vencidas pelo PT no plano federal, é única. A mulher nascida em Belo Horizonte em 1947 mais uma vez deixa de joelhos, boquiaberta, a repressão que lhe tentou cassar os direitos políticos.

Se havia alguma dúvida de que esta era uma eleição do candidato do sistema patriarcal brasileiro contra todo o resto, a edição do Jornal Nacional na véspera eliminou qualquer margem de ingenuidade. Jornalismo mandou lembrança, William Bonner. Dividida entre interesses públicos e privados, a emissora dos Marinho atendeu novamente a seu chamado de classe ao exibir reportagem sobre supostas denúncias de que Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva teriam ciência de um esquema de pagamento de propinas utilizando verbas da Petrobras.

Tentou um desfecho sujo para uma temporada eleitoral suja. Sob o pretexto de um “ataque” à sede do Grupo Abril, o Jornal Nacional dedicou seis minutos a narrar a “denúncia” da revista Veja, uma publicação que nunca esteve tão à altura da alcunha de “mídia golpista”. Lá pelas tantas aparecia a figura de Aécio Neves, candidato do PSDB dado a vitórias no tapetão. Fosse tão ético quanto jura ser, o tucano teria se recusado a ecoar uma reportagem feita com base num depoimento inventado – seu suposto autor, o doleiro Alberto Youssef, desmentiu que tenha feito as declarações difundidas pela publicação semanal.

No discurso da vitória, Dilma promete priorizar reforma política


Por Carta Capital

Em seu primeiro discurso após o anúncio da vitória do segundo turno neste domingo 26, a presidenta Dilma Rousseff (PT) prometeu executar com prioridade a reforma política, alvo de um plebiscito informal antes do primeiro turno.
“A palavra mais repetida, mais dita, mais falada, mais dominante foi mudança. O tema mais amplamente invocado foi reforma. Sei que estou sendo reconduzida à Presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Dentre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política”, afirmou Dilma, ao lado de aliados políticos como o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

TSE obriga “Veja” a dar direito de resposta a Dilma


O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral, concedeu, agora há pouco, uma liminar que obriga o site da revista Veja, da Editora Abril, a publicar direito de resposta à candidata Dilma Rousseff. A presidenta, assim, terá o mesmo espaço para refutar as informações caluniosas publicadas pela Veja com base em supostos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, sobre denúncias de corrupção na Petrobras.

Na decisão, Gonzaga determina a inserção imediata da resposta da candidata do PT na página eletrônica da Veja, “no mesmo lugar e tamanho em que exibida a capa do periódico, bem como com a utilização de caracteres que permitam a ocupação de todo o espaço indicado”.
Por ordem do ministro, a Editora Abril deverá, ainda, juntar aos autos comprovação do cumprimento da decisão.

Abaixo a íntegra do texto do direito de resposta:

A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.
A Coligação “Com a Força do Povo” vem a público condenar essa atitude e reiterar que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas.
A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes.
Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Youssef foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.
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Golpe midiático em marcha: Globo entra hoje no “escândalo” da “Veja”


A Justiça reconheceu o caráter eleitoreiro da última edição de “Veja” – e proibiu que seja feita publicidade da revista (leia aqui). Reparem: não se impede a circulação da revista, mas se proíbe que a edição cumpra seu papel nefasto de propaganda mentirosa a serviço do PSDB – às vésperas da eleição.
A decisão judicial traz alento. Mas não interrompe o golpe midiático.
Reparem também que a Globo, na sexta-feira, não deu qualquer repercussão à “denúncia” desesperada de “Veja”.
O JN fugiu desse terreno pantanoso. Por um motivo muito claro: Dilma, com seu duro pronunciamento contra o golpismo da Editora Abril, mandou um recado para Ali Kamel. A presidenta avisou que, se a Globo entrasse na aventura, teria resposta no mesmo tom.
Imaginem a seguinte situação: o JN embarca na aventura golpista de “Veja”, promovendo a leitura da edição impressa em rede nacional, por volta de 20h de sexta-feira. Menos de duas horas depois, Dilma abre o debate da Globo denunciando a própria Globo por golpismo.
Por isso, o JN fugiu do pau.
E, também, porque a revista da marginal não traz qualquer prova, nada. O texto da revista mesmo diz que os “fatos” narrados pelo doleiro não servem para comprometer Lula e Dilma (isso está lá no texto da revista – que me recuso a linkar). Ou seja, o texto faz a ressalva, mas a capa da revista da marginal serve como panfleto tucano.
Pois bem, esse era o quadro na sexta-feira…

26 de outubro: É a hora…


Por Flávio Aguiar

Tem vários “É a hora” na minha vida.
Minha avó tinha um ditado, para quando as coisas ficavam feias para a gente pobre: “esta é a hora em que o patrão ri e o peão chora”.
Depois tem a do Fernando Pessoa: “Portugal, hoje és nevoeiro. É a hora”, ao final da Mensagem. (Estou citando de memória, não garanto o 100% de fidelidade).
Meu amigo Cardoso Pires, infelizmente já partido para os eternos campos de caça, contando do sargento que lhe entrou casa a dentro no 25 de abril de 1974, em Lisboa: “Camarada, chegou a hora!”.
E assim por diante.
E o diante tem o 26 de outubro por diante.
Não adianta fechar os olhos com a venda (aliás o termo é bom) do voto nulo, do voto em branco, da abstenção. As escolhas são cristalinas. Vou dar alguns exemplos.

Roberto Amaral: Deter o conservadorismo


O suicídio histórico está à mão de todos, inclusive dos partidos. Quantas organizações já floresceram em nosso solo e nele encontraram seu féretro? Na Europa de hoje vive-se a agonia dos antigos partidos socialdemocratas (como o Partido Trabalhista inglês) e socialistas, como o lamentável Partido Socialista francês ou o Partido Socialista Operário espanhol. Antes, se haviam desnaturado os partidos comunistas ortodoxos, de especial o esperançoso Partido Comunista Italiano de Gramsci e Togliatti. Uns e outros, e nós aqui, a esquerda de um modo geral, não conseguimos nos desfazer, racionalmente, dos escombros do Muro de Berlim.  Mirando sem olhos para ver, sem engenho e arte (ou coragem), renunciamos à missão de construir, ou pelo menos projetar, o socialismo do século XXI. O passado nos prende e o futuro assusta.

Lula chama Aécio de "filhinho de papai"


Em um discurso histórico em Belo Horizonte, na reta final para o segundo turno das eleições, Lula parte para a ofensiva e ataca aos banqueiros que querem definir o resultado das eleições sem o povo e desabafa, ao atacar a falta de postura e compromisso com a verdade de Aécio, chamando o candidato tucano de "filhinho de papai".

Confira no vídeo abaixo:

Sartori: Seria patético, não fosse um escárnio


Por 

A candidatura de José Ivo Sartori (PMDB) ao governo gaúcho seria somente patética não fosse, antes disso, um escárnio com a política e com o processo democrático.

Nada contra a pessoa do José Ivo Sartori, que se dá a conhecer na propaganda eleitoral como um homem simples, orgulhoso da origem italiana, dedicado à família e cultuador de hábitos singelos como, por exemplo, pedir a benção da mãe.

A campanha do Sartori é o coroamento da estratégia que combina esperteza, diversionismo e oportunismo eleitoral com um assustador vazio programático. No lugar de propostas concretas para melhorar a vida das pessoas, trucagem publicitária com clichês, bordões e frases de efeito. Chega ao segundo turno incrivelmente sem apresentar uma única proposta com “início, meio e fim”. Ridiculariza, assim, o processo de deliberação pública que, na democracia, deveria ser pautado pelo debate racional e confrontativo entre idéias e projetos.

A vitória da 'nova política'


Sim, todos sabem que a candidata que empunhava a bandeira retórica da “nova política” protagonizou um notável vexame no recente primeiro turno das eleições. Marina Silva, que tinha disparado nas projeções de intenção de voto um mês antes, desabou para o modesto desenlace de 21% dos votos válidos (19% do total de votantes; apenas coisa de 2 milhões de votos a mais que os 20 milhões obtidos quatro anos antes; e cerca de 5,5 milhões a menos que o impressionante número de eleitores que se abstiveram). No entanto, a vacuidade da sua palavra de ordem retórica e o favor que ela prestou às forças conservadoras alcançaram uma considerável vitória.

O debate no SBT e o uso político do mal-estar de Dilma


Por Erick da Silva

Todas e todos que assistiram nesta última quinta-feira (16/10) no SBT o debate presidencial constataram que este foi o mais agressivo embate entre os candidatos até o momento neste pleito. Alguns lamentaram o tom áspero que o mesmo assumiu, por não ter aprofundado-se em "propostas para o Brasil". Sem dúvida, seria desejável que houvesse uma confrontação de ideias onde os projetos de país fossem aprofundados, deixando ainda mais explícito as diferenças políticas entre as duas candidaturas. Ainda temos uma parcela razoável de eleitores que não tem essa compreensão e seguem flutuando sem saber em quem votarão ou mesmo se irão votar.

Mas também houveram aqueles que regozijaram-se com o enfrentamento aberto, por entender ser este o momento para o embate frontal e direto. Pois esta seria a hora de não mais confrontar as generalidades de propostas (em geral apresentadas de maneira vazia e superficial pelos marqueteiros), mas sim as diferenças entre as trajetórias de cada candidato e explorar os seus "telhados de vidro".

São duas avaliações opostas que não iremos adentrar, mas que possuem certa lógica e razão de ser.

Agora, o que mais chamou a atenção foram algumas reações grotescas que seguiram-se a repercussão do debate, principalmente sobre o mal-estar sofrido pela Presidenta Dilma na entrevista a uma repórter do SBT ao final do programa. 

Michael Löwy: 10 boas razões para votar em Aécio


Por Michael Löwy


  1.  você acha que o que é bom para os bancos é bom para o Brasil, vote em Aécio.
  2. Se você acha que o que é bom para Exxon, Texaco, Goldmann & Sachs e J.P. Morgan (o banco do Armínio Fraga) é bom para o Brasil, seu candidato é o Aécio.
  3. Se você pensa que os Estados Unidos são os protetores da paz no mundo e que o Brasil deve se alinhar à política norte-americana, tem mesmo de votar em Aécio.
  4. Se você acha que a educação e a saúde estariam em bem melhor situação se fossem privatizadas, apoie Aécio.
  5. Se você acha que o salário mínimo está alto demais, agravando o “custo Brasil”, vote sempre em Aécio.
  6. Se você acha que o lugar de criança delinquente é no Carandiru, não deixe de votar em Aécio.
  7. Se você acha que os ricos, os fazendeiros, os empresários e os donos de supermercados pagam impostos demais, Aécio é seu candidato.
  8. Se você acha que o neoliberalismo demonstrou, na Europa, sua eficácia para enfrentar a crise econômica e o desemprego, Aécio é seu homem.
  9. Se você acha que a taxa de juros esta baixa demais, prejudicando os detentores da dívida pública, seu candidato é mesmo Aécio.
  10. Se você acha que a Reforma Agrária é coisa do passado e que o futuro de um Brasil moderno é o agronegócio produtor de commodities, por favor, vote em Aécio.
Se entretanto, por alguma razão obscura – ignorância, preconceito anticapitalista, esquerdismo, falta de confiança em nossas elites – você não acredita em nada disso, provavelmente votará na Dilma…

Boaventura: O Brasil na hora das decisões



Em 2015, o Brasil comemora o mais longo ciclo de vida democrática da sua história: trinta anos. Isso é em si um fato importante num momento em que o Brasil emerge como uma potência mundial e em que, por isso, o que se passa no país interessa não só aos brasileiros como ao mundo no seu conjunto. São trinta anos de progressos extraordinários na construção de uma institucionalidade democrática que ousou ir para além da matriz eurocêntrica, combinando democracia representativa com democracia participativa; na configuração de um sistema judicial independente; na adoção de políticas públicas que permitiram níveis de redistribuição social nunca antes alcançados; no enfrentamento da injustiça histórica de longa duração com concessões de terras e territórios aos povos indígenas e quilombolas, e com políticas de ação afirmativa no sistema educativo e potencialmente no sistema de emprego; na tentativa de superar os limites da transição democrática pactuada no que diz respeito à injustiça histórica de mais curta duração – os crimes da ditadura militar; na criação de um sistema de educação superior e de pesquisa científica dinâmico e socialmente responsável; na configuração de uma política econômica que garantiu estabilidade e níveis elevados de crescimento; enfim, no desenho de uma postura nas relações internacionais centrada numa nova concepção dos interesses do país e da região relativamente autônoma diante dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos na região e mesmo no mundo. O conjunto dessas políticas foi mudando a tal ponto a imagem internacional do Brasil que, enquanto em 1985, um país em processo de “brasilianização” era um país condenado, hoje seria certamente um país resgatado.

Tarso Genro: esse ataque já foi feito contra Getúlio, Jango e Lula


Por Tarso Genro

Eu gravei um vídeo na última sexta-feira (10) que circulou fartamente pelo país, com repercussão inclusive no exterior, e que teve mais de 3 milhões de visualizações. Quero me manifestar de novo sobre aqueles temas para que a gente possa dialogar sobre as grandes questões políticas que o nosso país está atravessando hoje. A minha formulação anterior, que quero consolidar com essa fala, é que está em curso uma grande conspiração política contra a democracia, um golpismo político.

Não se trata de um golpe militar de velho tipo, de um golpe tradicional implementado por setores da política e do Estado contra um governo.  Trata-se de tirar a eficácia democrática do processo eleitoral, que é a principal joia da Constituição de 1988. Para entendermos a natureza desse golpe, devemos voltar aos movimentos de junho de 2013 quando a grande mídia, capitaneada pela Globo, glamourizou aqueles protestos e lançou uma palavra de ordem: O Gigante Acordou, o Brasil Acordou, como se, em todo o período anterior, nada tivesse sido feito de positivo no Brasil. Arquivaram a Revolução de 30, os governos progressistas, a democracia e os próprios partidos. O Brasil teria acordado de um longo sono. Um movimento que acabou sendo instrumentalizado contra o governo da presidenta Dilma.