Mostrando postagens com marcador Ciberativismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciberativismo. Mostrar todas as postagens

Turquia bloqueia Twitter e ameaça ampliar a censura na rede


O Twitter teve seu acesso bloqueado pelo governo turco nesta semana. Erdogan ameaça ampliar a censura na rede e tenta colocar em cheque os protestos e a forte oposição que seu governo é alvo.

Por Erick da Silva

Já vimos isso no Egito durante a chamada "primavera árabe", agora é a vez da Turquia, do 
primeiro-ministro Erdogan apostar no bloqueio da rede para salvar sua própria pele. O Twitter teve seu acesso bloqueado pelo governo turco nesta semana. É uma tentativa de colocar em cheque os protestos e a forte oposição de que seu governo é alvo.

Por uma Constituição Mundial para a Internet


Na semana do 25º aniversário da www, seu criador sustenta: rede sofre múltiplas ameaças; só mobilização da sociedade pode defendê-la.

Por Jemima Kiss

Mais do que simplesmente assinalar um aniversário, o homem que tornou possível a criação de páginas na Internet e a navegação entre elas da forma como a conhecemos hoje – o britânico Tim Berners-Lee – quis aproveitar a atenção do mundo nesta terça-feira [11/3] para apelar aos cidadãos que lutem por manter a World Wide Web “aberta e neutra”, por meio da aprovação de uma espécie de Constituição universal que salvaguarde os direitos de todos os utilizadores.
“Precisamos de uma Constituição universal, de uma carta de direitos”, disse Berners-Lee ao jornal The Guardian, no dia em que se assinala o 25.º aniversário do acontecimento que é geralmente associado à invenção da World Wide Web – quando o britânico enviou aos seus colegas do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN, na sigla original) um documento com um título nada apelativo e pouco antecipador: Gestão de Informação – Uma Proposta.

Hackers divulgam dados de 50 mil PMs do RJ. Qual o limite ético do ativismo digital?


Por Erick da Silva

Na última quinta-feira (12), hackers invadiram o site da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) e divulgaram os dados pessoais de mais de 50 mil policiais.O arquivo foi disponibilizado para download e distribuídos em 8.900 páginas.

A PMERJ só conseguiu tirar do ar o link para download na tarde de sábado (14). Os que baixaram o arquivo possuem o e-mail, telefone, endereço e CPF dos policiais. Agora, a Delegacia de Repressão a Crimes por Informática quer saber quem foram os autores da divulgação destes dados.

A PM vem sendo criticada pela violência empregada durante as manifestações que ocorrem no RJ desde junho. Não são raros os casos de abuso de violência e detenções arbitrárias, entre outras infrações e crimes cometidos durante os protestos. O grupo que invadiu o site da PMERJ avisou que novas ações serão feitas. Diversos grupos de apoio as manifestações já reivindicaram a autoria do hackeamento.

Qual o limite ético?

No entanto, esta ação expõe um problema de natureza mais profunda: Qual o limite ético que separa um ativismo digital transformador de uma mera delinquência? É correto expor dados pessoais de 50 mil trabalhadores da segurança pública do RJ? Seriam todos estas 50 mil pessoas responsáveis, por exemplo, por ações de violação dos direitos humanos? Por eles trabalharem com a segurança pública, ao serem expostos dados como o endereço dos policiais, não poderiam estar sendo colocados em uma situação de risco?

A PM é uma estrutura extremamente hierarquizada, pouco democrática, onde as decisões são tomadas por uma cúpula de segurança que, via de regra, não conta com espaços de participação dos policiais da "ponta". Seguramente, não são todos os 50 mil PMs que tiveram os seus dados pessoais divulgados, defensores da política de segurança do governo Sérgio Cabral.

Uma ação como esta, que pouco ou nada afetará as decisões da cúpula da segurança, mas que pode afetar a vida de 50 mil pessoas é algo, no mínimo questionável. Os hacktivistas que divulgaram estes dados deveriam recordar o lema Cypherpunks: “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos.” Ativismo político sem estratégia, sem refletir sobre as consequências, leva a erros que podem ser fatais. Fica o convite a reflexão.
.

Julian Assange: A América Latina na era das cyberguerras


"A luta pela autodeterminação latino-americana é importante para muito mais gente do que os que vivem na América Latina, porque mostra ao resto do mundo o que pode ser feito"

Por Julian Assange


Os cypherpunks originais eram, na maioria, californianos libertaristas*. Eu vim de tradição diferente, onde todos nós buscávamos proteger a liberdade individual contra a tirania do Estado. Nossa arma secreta era a criptografia. Já se esqueceu o quanto isso foi subversivo. A criptografia, então, era propriedade exclusiva dos Estados, para uso em suas muitas guerras. Ao escrever nossos próprios programas e distribuí-los o mais amplamente possível, liberamos a criptografia, a democratizamos e a espalhamos pelas fronteiras da nova internet.
A reação contra, sob várias leis “de tráfico de armas”, falhou. A criptografia se difundiu nos browsers da rede e em outros programas que, hoje, as pessoas usam diariamente. Criptografia forte é ferramenta vital na luta contra a opressão pelo Estado. Essa é a mensagem do meu livro Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet. Mas o movimento para disponibilizar universalmente uma criptografia forte tem de trabalhar para obter mais do que isso. Nosso futuro não está apenas na liberdade para os indivíduos.

Anonymous Brasil prepara protestos em sedes da Globo pelo país



 Anonymous Brasil está convocando manifestações diante de sedes da Rede Globo em todo o país por meio de vídeos e páginas em redes sociais . Até o momento, pessoas de 73 cidades em 24 estados já aderiram e informam que irão realizar atos no próximo sábado (23). 
 Os protestos são contra a “manipulação descarada da Rede Globo”, segundo o vídeo convocatório. “Vamos dar um grito de basta não aceitaremos mais o lixo cultural que eles nos empurram, vamos questionar suas notícias, vamos cortar a alienação pela raiz”, segue o texto. “Essa gigante está sempre inundando a cabeça das pessoas com futilidades e coisas inúteis, agindo como um filtro entre os reais acontecimentos e o que é passado para a população, mostrando somente o que ela quer que o povo veja”. 
 O Anomymous, segundo sua própria definição, não é um grupo, mas uma ideia que se utiliza principalmente de conhecimentos hacker. Em janeiro de 2012, “a ideia” invadiu sites dos principais bancos do país, em outubro foi a vez de sites de tribunais regionais eleitorais, entre outras ações. 
“Acreditamos que cada geração encontra sua forma de lutar contra as injustiças que encontra. Temos em mãos pela primeira vez o poder de produzir, distribuir e trocar informações. Uma oportunidade nunca vista antes na história para colaboração e construção de um mundo onde a esperança, a dignidade e a justiça sejam princípios a serem respeitado”, esclarecem em seu site.





Fonte: Rede Brasil Atual
.

2ª Encontro de Blogueiros do RS (03 e 04 de agosto)


Confira a programação completa do 2ª Encontro de Blogueiros do RS.



O encontro será nos dias 3 e 4 de agosto na Nós Coworking.
3 de agosto, sexta-feira, 19:30

Mesa 1: Nada além da Constituição

Debatedores:
Maria do Rosário, Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República;
Marcelo Danéris, Secretário Estadual do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social;
Altamiro Borges, Presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé;
Rosane Bertotti, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
4 de agosto, sábado, 10h

Mesa 2: Redes sociais como plataforma de ativismo político

Debatedores:
Enrico Canali, cicloativista, um dos organizadores do 1° Fórum Mundial da Bicicleta;
Igor Felippe, editor da página do MST;
Leandro Fortes, jornalista e autor do blog Brasília, eu vi;
Ney Hugo, do Fora do Eixo;
Rute Vera Maria Favero, autora do blog ONG da Rute.
4 de agosto, sábado, 14h

Mesa 3: Alternativas de organização da blogosfera

Debatedores:
André de Oliveira, jornalista do Coletivo Catarse;
Fernanda Quevedo, do Fora do Eixo;
Marco Weissheimer, editor do blog RS Urgente;
Renato Rovai, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom).
Baixe o flyer com a programação para divulgar o #2BlogProgRS!
blog_prog_2012
.

Veja está com medo da força da internet


Por Erick da Silva

A revista Veja abandonar os mínimos procedimentos éticos no seu “jornalismo”, infelizmente, não é uma novidade. O surgimento de gravações mostrando as relações da Veja com o bixeiro Carlinhos Cachoeira deram materialidade a um fato: a Veja ultrapassou a fronteira do jornalismo e ingressou no terreno da contravenção.
O silêncio dos veículos de comunicação de maior tiragem e da Rede Globo não foram o suficiente para abafar o estreito envolvimento da revista com o bixeiro. Silêncio este só quebrado pela Carta Capital, Record e pela força da internet. O silêncio mais notável foi o da própria revista Veja, que ficou três semanas sem se pronunciar a respeito, como se nada fosse com ela. Silêncio que foi quebrado nesta semana (edição de 16 de maio), onde adotou a linha de defender-se atacando.
Apelando para a velha manobra tergiversatória da “liberdade de imprensa” e recorrendo a requentada cortina de fumaça do mensalão, apressa-se em adjetivar a todos que exigem o aprofundamento das investigações como “defensores da censura”, mostrando que o pânico está batendo na porta da editora Abril.
Este medo que ronda a redação de Roberto Civita (dono da editora Abril) ficou explicito na matéria onde disfere ataques contra a internet. A grande mobilização na rede nas últimas semanas colocou a Veja na berlinda. Ao silenciar sobre as denúncias que pesam em seus ombros, motivaram a participação ativa de milhares de internautas.
Sem explicar-se, a revista partiu para uma tentativa de deslegitimar a mobilização, tentando taxá-la como uma “conspiração manipulatória do comunismo-petista”. Esbanjando desonestidade intelectual,  a Veja valeu-se de uma exótica combinação de argumentos que vão da defesa do capitalismo e do anticomunismo, a distorções e informações fragmentadas e desconexas (robôs, aranhas, Richard Dawkins, etc.)

A terrível ameça dos robôs!



A revista buscou, por um lado deslegitimar a critica, colocando-se acima do bem e do mal, e por outro  tentou delirantemente dizer que os milhares de internautas que tuitaram mensagens exigindo investigação das denúncias de práticas criminosas da Veja não existem! Seriam todos robôs ou insetos, que disparariam mensagens automáticas contra a revista no Twitter. Segundo eles, a hashtag #VejaBandida, só conseguiu ser um dos assuntos mais comentados no Brasil - e do mundo durante algumas horas - por força de uma “fraude petista”. Tentando “provar” sua tese a revista cometeu um dos maiores papelões de sua história. Afirmou que uma tuiteira carioca (de carne e osso), que usa o perfil @lucy_in_sky_, seria uma “robô”.
Absolutamente tudo o que diz a matéria da Veja sobre “táticas para fraudar redes sociais” é que é uma imensa fraude. Eles não entende como de fato funcionam as mobilizações na rede, ou talvez, o que é mais provável, de forma alarmada e atrapalhada, apela para argumentos distorcidos e tacanhos.

Veja quer censurar a Internet

A Veja critica os chamados tuitaços, que são mobilizações que envolvem milhares de internautas para pautas e campanhas específicas. Condenar e deslegitimar o direito a livre manifestação coletiva na rede é que é uma tentativa de censura.
Tuitaços, compartilhamento de conteúdos no Facebook, em blogs, etc. são manifestações legitimas e necessárias. Expressam novas formas de exercício da cidadania. A rede hoje é um instrumento efetivo de troca de informação, direito este a informação tantas vezes negado pela Veja/Editora Abril.
No mundo árabe, a utilização destas ferramentas foi de grande importância para impulsionar as mobilizações contra regimes ditatoriais. Será que este exemplo está amedrontando a Veja? Será o fato de perceber que o pouco que ainda lhe restava de credibilidade está sendo sepultado pela força da mobilização no território livre da internet? Estaríamos vendo uma espécie de “primavera” da democratização da comunicação? Sem dúvida isto é algo tão temido pela Veja, como a democracia para um ditador. Quando movimentos desta magnitude se consolidam, ninguém poderá freá-lo, nem o poder econômico ou tentativas de coerção. É isto que apavora Roberto Civita.
.

Vem ai o 3º Encontro Nacional de Blogueiros em Salvador



Por Barão de Itararé:

Agora está confirmado: O III Encontro Nacional de Blogueir@s ocorrerá em Salvador, Bahia, nos dias 25, 26 e 27 de maio. A estrutura do evento, que deve reunir cerca de 500 ativistas digitais de todo o país, já está quase toda montada. A comissão nacional organizadora do BlogProg tem realizado os últimos esforços para garantir alojamento e refeição para todos os participantes. A inscrição para encontro vai até o dia 11 de maio. O valor é de R$ 60,00 para os ciberativistas e de R$ 30,00 para estudantes.

Para viabilizar a estrutura do evento, a comissão organizadora ficou responsável pelo contato com cerca de 40 entidades populares, sítios e publicações – os chamados “Amigos da Blogosfera”. A exemplo dos dois encontros anteriores, eles deverão contribuir financeiramente. Também estão sendo feitas articulações junto a instituições públicas e empresas para bancar o III BlogProg. Todos os apoiadores terão seus nomes divulgados na blogosfera e nas redes sociais, garantindo total transparência para o evento.

Quanto à programação, ela foi definida na reunião da comissão nacional no dia 24 de março. Os contatos já foram feitos, mas nem todos os convidados confirmaram a presença. O III BlogProg dará maior espaço para as oficinas autogestionadas – os interessados devem apresentar sugestões de temas e de debatedores até 4 de maio e ficam responsáveis pela iniciativa. Também haverá maior espaço para reuniões em grupo com o objetivo de intercambiar experiências, fazer o balanço das atividades no último período e traçar os próximos passos da blogosfera. Abaixo, a proposta de programação:

III Encontro Nacional de Blogueiros (BlogProg)

Salvador, Bahia – 25, 26 e 27 de maio de 2012

Programação

25 de maio, sexta-feira

15 horas – Início do credenciamento;

17 horas – Palestra inaugural: A luta de ideias no mundo contemporâneo

– Convidado: Michel Moore (diretor de cinema e escritor dos Estados Unidos)

19 horas – Ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão – Praça Castro Alves

- Convidados: Artistas, lideranças políticas e dos movimentos sociais;

26 de maio – sábado

9 horas – Nas redes e nas ruas pela liberdade de expressão e pela regulação da mídia

Convidados:

- Franklin Martins – ex-secretário da Secretária de Comunicação da Presidência da República;

- Emiliano José – integrante da Frente Parlamentar pelo Direito à Comunicação e pela Liberdade de Expressão;

- Gilberto Gil – ex-ministro da Cultura;

- Barbara Lopes – do movimento blogueiras feministas;

11 horas – A força das redes sociais no mundo

Convidados:

- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;

- Amy Goodman – fundadora do movimento Democracy Now e ativista do Ocupe Wall Street;

- Osvaldo Leon – Diretor da Agência Latino-Americana de Informação (Alai);

15 horas – Oficinas autogestionadas

(Os temas e conferencistas deverão ser propostos até 4 de maio; a organização das oficinas caberá exclusivamente aos seus proponentes);

17 horas – Apresentação e debate da proposta sobre a Associação de Apoio Jurídico à Blogosfera – Rodrigo Vianna e Rodrigo Sérvulo da Cunha;

19 horas – Lançamento oficial do Blogoosfero (plataforma livre e segura para a blogosfera e as redes sociais) - Fundação Blogoosfero, Colivre, TIE-Brasil e Paraná Blogs;

27 de maio – domingo

9 horas – Reuniões em grupo: balanço, troca de experiências e próximos passos da blogosfera;

12 horas – Plenária final: aprovação da Carta de Salvador, definição da sede do IV BlogProg e eleição da nova comissão nacional.

.

A guerra suja contra o Wikileaks


Por John Pilger


A guerra nos meios de comunicação, diz a atual doutrina militar, é tão importante quanto a do campo de batalha. Isto é assim porque o inimigo real é o público doméstico, cuja manipulação e engano é essencial para começar uma guerra colonial impopular. Como as invasões do Afeganistão e do Iraque, os ataques ao Irã e à Síria exigem um persistente conta-gotas na consciência dos leitores e dos espetadores. Isto é a essência de uma propaganda que raramente se assume como tal.
Para a tristeza de muitos representantes das autoridades e da mídia, o Wikileaks derrubou a fachada atrás da qual se escondia o conluio entre os rapinantes poderes ocidentais e o jornalismo. Com isto, expôs um tabu que persistia há muito; a BBC podia alegar imparcialidade e esperar que as pessoas acreditassem nela. Hoje, há uma crescente compreensão do público sobre o papel da mídia na guerra, compreensão que abrange também o julgamento da mídia promovido pelo fundador e editor da Wikileaks, Julian Assange.
Assange vai em breve saber se o Supremo Tribunal de Londres permitirá o seu recurso contra a extradição para a Suécia, onde enfrenta alegações de má conduta sexual, muita da qual foi desconsiderada por um procurador sénior de Estocolmo. Sob fiança há 16 meses, efetivamente sob prisão domiciliar, não foi acusado de nada. O seu “crime” foi uma forma épica de jornalismo investigativo: revelar a milhões de pessoas as mentiras e maquinações dos políticos e representantes, e o barbarismo da criminosa guerra promovida em seu nome.
Por isso, como aponta o historiador americano William Blunt, “dezenas de membros dos meios de comunicação americanos e funcionários do governo apelaram à [sua] execução e assassinato”. Se for transferido da Suécia para os EUA, esperam-no uma roupa de presidiário, umas algemas e uma acusação fabricada. E lá se vão todos os que se atrevem a desafiar os Estados Unidos.
Na Grã-Bretanha, o julgamento de Assange pela mídia foi uma campanha de assassinato de caráter, por vezes cobarde e desumana, cheirando a inveja do outsider corajoso, enquanto eram publicados livros de fofocas, fechados negócios de filmes, e carreiras nos média descolavam ou ressuscitavam na presunção de que Assange é demasiado pobre para poder processá-los. Na Suécia, este tribunal da mídia tornou-se, de acordo com um observador, “uma campanha de assédio moral em que a vítima viu negado o direito de se defender”. Por mais de 18 meses, o perverso Expressen, o equivalente sueco ao The Sun, foi alimentado pela polícia sueca dos ingredientes da calúnia.
Expressen é o megafone da direita sueca, incluindo o partido Conservador, que domina o governo de coligação. A sua última “denúncia” é uma história sem fundamento sobre a “grande guerra da Wikileaks contra a Suécia”. Em 6 de março, o Expressen afirmou, sem provas, que a Wikileaks estava envolvida numa conspiração contra a Suécia e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros Carl Bildt. O ressentimento político é compreensível. Num telegrama de 2009 obtido pela Wikileaks, a alardeada reputação de neutralidade da elite sueca é exposta como uma impostura. (Título do telegrama: “A Suécia deita a neutralidade para o caixote do lixo da História”). Outro telegrama diplomático dos EUA revela que “a extensão da cooperação [dos militares suecos e da espionagem com a Otan] não é amplamente conhecida”, e se não fosse mantida secreta “abriria o governo à crítica doméstica”.
A política externa sueca é largamente controlada por Bildt, cuja obediência aos EUA vem dos tempos da sua defesa da guerra do Vietnam e inclui um papel preponderante no comitê George W. Bush pela "libertação" do Iraque. Ele mantém ligações íntimas com figuras da extrema-direita do partido Republicano, como o assessor caído em desgraça de Bush, Karl Rove. Sabe-se que o seu governo discutiu “informalmente” o futuro de Assange com Washington, o que tornou clara a sua posição. Um documento secreto do Pentágono descreve os planos da espionagem dos EUA para destruir o “centro de gravidade” da Wikileaks com “ameaças de escândalo e de processo criminal”.
Em muitos meios de comunicação suecos, o correto ceticismo jornalístico em relação às alegações contra Assange é sufocado por slogans defensivos, como se a honra nacional fosse posta em causa pelas revelações sobre escândalos de corrupção e políticos, uma espécie universal. Na TV pública sueca, “especialistas” debatem não o aprofundamento do militarismo do Estado e o seu serviço à Otan e a Washington, mas o estado da mente de Assange e a sua “paranoia”. Um título do Aftonbladet de terça-feira declarava: “O colapso moral de Assange”. O artigo sugeria que Bradley Manning, a alegada fonte da Wikileaks, pode não estar no seu perfeito juízo, e ataca Assange por não proteger Manning dele mesmo. O que não é dito é que a fonte é anonima, e que não foi demonstrada qualquer ligação entre Assange e Manning, e que o Aftonbladet, o parceiro sueco da Wikileaks, publicara as mesmas fugas de informação.
Ironicamente, este circo atuou sob a cobertura de algumas das mais iluminadas leis mundiais de proteção aos jornalistas, que atraíram Assange à Suécia em 2010 para estabelecer lá uma base da Wikileaks. Se a sua extradição for permitida, e com a espada de Dámocles da maldade e da vingança de Washington pendurada sobre a sua cabeça, quem o vai proteger e promover a justiça à qual todos temos direito?
John Pilger é um famoso jornalista e premiado documentarista australiano
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

Sobre o Anonymous "Ataque, não: protesto!"


Por Richard Stallman


Os protestos online feitos pelo grupo Anonymous são equivalentes a uma manifestação na internet. É um erro classificá-los como atividade de grupos hackers (uso da astúcia brincalhona) ou de crackers (invasão de sistemas de segurança).

O programa que os manifestantes usam, chamado LOIC, já vem pré-configurado, de modo que nenhuma astúcia é necessária para rodá-lo, e ele não invade o sistema de segurança de nenhum computador.
Os manifestantes do Anonymous não tentaram assumir o controle do site da Amazon e nem roubar dados da MasterCard. Eles entram pela porta da frente de uma página, que simplesmente não é capaz de suportar tantos visitantes ao mesmo tempo.
Chamar os protestos organizados por eles de “ataques de negação de serviço” (DDoS) também está errado. Um ataque DDoS propriamente dito é feito por meio de milhares de computadores zumbis. Alguém invade o sistema de segurança destes computadores (com frequência recorrendo a um vírus) e assume remotamente o controle sobre eles, programando-os para formar uma botnet (rede de zumbis, que é um sistema em que computadores aliciados desempenham automaticamente a mesma função) que atende em uníssono às suas ordens (neste caso, a ordem é sobrecarregar um servidor). A diferença é que os manifestantes do Anonymous em geral fizeram eles mesmos que seus próprios computadores participassem do protesto.
A comparação mais adequada seria com as multidões que foram, em dezembro de 2010, protestar diantes das lojas da Topshop (cadeia de varejo de moda no Reino Unido). Aquelas pessoas não invadiram as lojas e nem subtraíram dali nenhuma mercadoria, mas certamente provocaram um grande inconveniente.
Eu não gostaria nem um pouco se minha loja (supondo que eu tivesse uma) fosse alvo de um protesto de grandes proporções. A Amazon e a MasterCard tiveram uma reação parecida, e seus clientes ficaram irritados. As pessoas que tinham a intenção de fazer uma compra na Topshop naquele dia também devem ter ficado incomodadas.
A internet não pode funcionar se os sites forem constantemente bloqueados por multidões, assim como uma cidade não funciona se suas ruas estiverem sempre tomadas por protestos. Mas, antes de declarar seu apoio à repressão dos protestos na internet, pense no motivo de tais protestos: na internet, os usuários não têm direitos.
Como ficou claramente demonstrado no caso do WikiLeaks, devemos suportar sozinhos as consequências daquilo que fazemos na rede.
No mundo físico, temos o direito de publicar e vender livros. Quem quiser impedir a publicação do livro tem de levar o caso a um tribunal. Para criar um site na rede, porém, precisamos da cooperação de uma empresa de concessão de domínios, de um provedor de acesso à internet (ISP) e, com frequência, de uma empresa de hospedagem, e cada um desses elos pode ser individualmente pressionado a cortar o nosso acesso.
Nos Estados Unidos, nenhuma lei exige explicitamente tal precariedade. Em vez disso, ela está encarnada nos contratos que essas empresas estabeleceram como normais, com o nosso consentimento. É como se todos nós morássemos em quartos alugados e os senhorios pudessem despejar qualquer um sem notificação prévia.
A leitura também é feita apesar das consequências. No mundo físico, podemos comprar um livro de maneira anônima, usando dinheiro. Uma vez que ele nos pertença, temos a liberdade de oferecê-lo como presente, emprestá-lo ou vendê-lo a outra pessoa. Temos também a liberdade de guardá-lo. Entretanto, no mundo virtual, os e-readers têm algemas travas digitais que impedem o usuário de oferecer como presente, emprestar ou vender um livro, além das licenças que proíbem tal prática. Em 2009, a Amazon usou as portas dos fundos de seu e-reader para apagar remotamente milhares de cópias de 1984, de George Orwell, de aparelhos Kindle. O Ministério da Verdade foi privatizado.
No mundo físico, temos o direito de pagar em dinheiro e receber em dinheiro – mesmo de modo anônimo. Na internet, só podemos receber dinheiro com a aprovação de organizações como PayPal e MasterCard, e o Estado de vigilância rastreia os pagamentos a todo instante. Leis como a Ata da Economia Digital, que castigam os acusados antes de serem confirmadas as suspeitas, estendem esse padrão de precariedade à conectividade com a internet.
Por meio dos softwares não livres, aquilo que você faz em seu próprio computador também é controlado pelos outros.
Os sistemas da Microsoft e da Apple contam com algemas digitais – recursos projetados especificamente para restringir a liberdade de ação dos usuários. O uso contínuo de um programa ou recurso também é precário: a Apple manteve uma porta dos fundos no iPhone para poder apagar remotamente aplicativos instalados. Uma porta dos fundos observada no Windows permite que a Microsoft instale alterações no software sem pedir permissão.
Dei início ao movimento do software livre com o objetivo de substituir o software proprietário que controla o usuário por programas livres que respeitem a liberdade. Com o software livre, podemos ao menos controlar aquilo que os programas fazem em nossos próprios computadores. O programa LOIC, usado pelos manifestantes do Anonymous, é um software livre; em particular, os usuários podem ler seu código fonte e alterá-lo, impossibilitando assim que ele imponha recursos maliciosos como fazem Windows e MacOS.
O Estado americano atual é um nexo de poder para os interesses corporativos. Como ele precisa fingir que serve ao povo, este Estado teme que a verdade seja revelada. Daí decorrem suas campanhas paralelas contra o WikiLeaks: as tentativas de esmagá-lo por meio da precariedade da internet e limitar formalmente a liberdade da imprensa.
Desconectar o WikiLeaks equivale a sitiar manifestantes em uma praça. Ataques preventivos da polícia provocam uma reação; então eles usam os pequenos delitos das pessoas enfurecidas para afastar a atenção dos grandes delitos do Estado. Assim, a Grã-Bretanha deteve o manifestante que se pendurou de uma bandeira, mas não o homem (supostamente um policial) que rachou o crânio de um estudante. Da mesma maneira, os Estados tentam aprisionar os manifestantes do Anonymous, e não os torturadores e assassinos que trabalham para o poder.
No dia em que nossos governos processarem os criminosos de guerra e nos contarem a verdade, o controle das multidões na internet será o mais urgente dos problemas que nos restarão. Será um regozijo se eu testemunhar a chegada deste dia.
Tradução de Augusto Calil
Richard Stallman: fundador da Free Software Foundation
.

2011: o ano da rebeldia global



Por Erick da Silva


Se pudéssemos resumir o ano de 2011 a uma única palavra, ela seria protesto. Não houve lugar no mundo que os protestos não se fizeram ecoar. As mobilizações foram uma resposta dos povos a crise econômica iniciada em 2008. Crise que prolonga-se com um final incerto.
A crise não foi um evento “inexplicável”, mas sim resultado do esgotamento do sistema econômico vigente. O neoliberalismo acelerou um processo de desregulamentação do sistema financeiro e de assombrosa concentração de riqueza. Hoje, os vinte maiores bancos do mundo entrelaçam o mercado global formando um poder financeiro superior ao de dezenas de países. As dez maiores empresas gestoras de fundos de investimentos controlam a assombrosa soma de US$ 17,4 trilhões, uma riqueza 20% superior ao PIB dos EUA e cerca de oito vezes a do Brasil.
O foco gerador da crise segue intocável até o momento, a incapacidade de respostas efetivas aos cruéis efeitos da crise tem colocado os países ricos em um verdadeiro “beco sem saída”. Os protestos ao redor de todo o mundo, tendo a juventude a frente, recolocaram a perspectiva de mudanças na agenda política, fugindo a simples "gestão da crise" que os governos dos países ricos tem adotado. O grito por mudanças coloca-se como um imperativo necessário.
A “Primavera Árabe”, derrubando as ditaduras de Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito, serviram como um vitorioso exemplo que espalhou-se por um conjunto de países do norte da África e do Oriente Médio. Em Madrid, uma multidão de “indignados” ocupou o centro da capital espanhola, a Porta do Sol, e rapidamente espalhou-se por outras cidades, causando um profundo impacto na conjuntura política da Espanha. 
A Europa, em profunda crise econômica, virou um grande turbilhão de manifestações de rua contra este estado coisas. A mobilização em rede, tendo o auxílio da internet (redes sociais, blogs, sites, etc.), como elemento de divulgação e organização das ações foram um elemento inovador. Não mudaram apenas a capacidade de comunicação entre os diferentes indignados de todos a Europa, mas foram uma resposta a crise da própria esquerda europeia. Partidos sociais-democratas e socialistas europeus, diretamente responsáveis pelo atual estado de coisas, encontram-se em um estado de esgotamento político.
Como bem apontou Vladimir Safatle, "em Túnis, Cairo, Tel Aviv, Santiago, Madri, Roma, Atenas, Londres e, agora, Nova York, eles foram às ruas levantar pautas extremamente precisas e conscientes: o esgotamento da democracia parlamentar e a necessidade de criar uma democracia real, a deterioração dos serviços públicos e a exigência de um Estado com forte poder de luta contra a fratura social, a submissão do sistema financeiro a um profundo controle capaz de nos tirar desse nosso "capitalismo de espoliação".
O caráter espontâneo, e muitas vezes contraditório, compõe a paisagem dos protestos globais e é, ao mesmo tempo, sua virtude e limite. Virtude por ter um caráter amplo, horizontal, com capacidade de ousadia que, em outra configuração talvez não fosse possível e que explica a capacidade de crescimento e adesão que os “indignados” e "acampados" tem angariado ao redor do mundo. Mas também se coloca como um limite, na medida que dificulta (em alguns casos até inviabiliza) a construção de alternativas e ações politicas imediatas, que interfiram e incidam na conjuntura. Exemplo disso, o anseio de mudanças e crítica ao sistema político espanhol dos indignados, ainda que tenha demonstrado uma força inédita viu a direita vencer as eleições.
Ainda não está claro quais serão os rumos que este movimento terá e nem a forma que ele deverá evoluir no médio prazo. O certo é que este "movimento" representou uma positiva mudança na conjuntura global. Ainda longe de ter força suficiente para promover profundas e necessárias mudanças, ele por si só já é vitorioso, ao romper com a apatia e falta de soluções para a crise global. Não há dúvidas que uma nova e importante perspectiva se abre e que ela poderá ser decisiva para as grandes transformações que o mundo necessita. Se o ano de 2011 foi o ano da rebeldia e do protesto em rede, que 2012 seja o inicio de uma nova fase destes protestos. 
.

WikiLeaks volta à ativa com publicação de "arquivos espiões"



O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, lançou nesta quinta-feira (1) um novo projeto em seu site com a publicação de centenas de documentos, que revelam uma indústria mundial que oferece a governos ferramentas para espionar seus cidadãos.


Os documentos expõem as atividades de cerca de 160 empresas de 25 países que desenvolvem tecnologias para rastrear e vigiar pessoas por meio de aparelhos de celular, contas de email e históricos de busca na internet.


"Hoje publicamos mais de 287 arquivos que documentam a realidade da indústria internacional de vigilância de massas, uma indústria que agora vende equipamentos tanto a ditadores como a democracias para vigiar populações inteiras", disse Assange em uma coletiva de imprensa em Londres.


O australiano, que está em prisão domiciliar no Reino Unido, disse que, nos últimos dez anos, ela converteu-se de uma indústria secreta que abastecia principalmente às agências de inteligência governamental a um grande negócio transnacional.


Os documentos compilados no site wikileaks.org/the-spyfiles incluem manuais de produtos de vigilância vendidos a regimes árabes repressivos. Muitos vieram de escritórios saqueados durante as revoltas em países como o Egito e a Líbia.


"Os sistemas revelados nestes documentos mostram exatamente o tipo de sistema que a Stasi [polícia política da extinta Alemanha Oriental] sonhou construir", disse Jacob Appelbaum, ex-porta-voz do WikiLeaks e especialista em informática da Universidade de Washington.


"Estes sistemas foram vendidos por empresas ocidentais a países como Síria, Líbia, Tunísia e Egito. Estão configurados para perseguir as pessoas e assassinar", declarou.


A publicação dos "arquivos espiões" marca a reativação do WikiLeaks, que anunciou, em outubro, a suspensão da divulgação de arquivos secretos por falta de fundos. O site enfrenta um bloqueio financeiro imposto por multinacionais americanas desde 2010.



Fonte: France Presse
.

Alan Moore fala sobre máscaras de V de Vingança em protestos pelo mundo

Um manifestante vestindo a' máscara em Madrid no 15 de Outubro. Fotografia: Action Press / Rex Features

Escritor discute sua criação que tornou-se como um emblema proeminente do ativismo moderno

De Wall Street a Atenas, nos movimentos "ocupem" em todo o mundo, manifestantes usando a máscara de Guy Fawkes - exatamente como criada por Alan Moore e David Lloyd em V de Vingança, clássica HQ de futuro distópico publicada nos anos 80. 
Ainda que a HQ tenha tido grande repercussão e seja quase uma unanimidade como um dos grandes momentos dos quadrinhos contemporâneos, foi após o lançamento da adaptação para o cinema, uma produção que Joel Silver fez (muito mal) em 2006, que o personagem, ou melhor a máscara inspirada em Guy Fawkes se popularizou. Inicialmente a réplica de plástico foi produzida como souvenir  pela Warner Bros para promover o filme e foram entregues em exibições. Nos últimos anos ativistas começaram a usar as máscaras em manifestações políticas. Seja para esconder sua identidade (caso do grupo Anonymous, que atua principalmente via internet). ou nas ruas, junto aos movimentos "Ocupar" deste ano - em Nova York, Moscou, Rio, Roma e em milhares de lugares - assim como nas repetidas ações contra o governo em Atenas e nos protestos realizados nos encontros e conferências do G20 e do G8.
A máscara tem estado sempre presenteJulian Assange recentemente saiu vestindo uma , e na semana passada houve uma espécie de embalsamamento oficial da máscara, como um símbolo do sentimento popular, quando Shepard Fairey alterou o seu famoso "Esperança (imagem famosa na para a campanha presidencial de Barack Obama) para retratar um manifestante vestindo uma, como forma de questionar o apoio do presidente ao Occupy.
Moore já havia se pronunciado que estava contente em ver o símbolo que ajudou a criar se espalhando pelo mundo, e com o propósito que tem. Mas o jornal The Guardian ligou para ele para saber mais do que ele pensa sobre a máscara hoje. 
Moore é conhecido por ser um homem reservado, com cabelos grisalhos e uma barba knotty, que prefere viver sem uma conexão à Internet e que quando está envolvido em algum trabalho não assiste televisão por meses em sua casa, "em um ponto obscuro" de sua cidade natal, Northampton. Ele ainda não havia comentado devidamente sobre o fenômeno da máscara do Vingança.
Diferente de Frank Miller, Moore sempre tendeu notoriamente para as políticas de esquerda. Explicando o seu processo criativo, comenta: "Acho que quando estava escrevendo V de Vingança, lá nas profundezas do meu eu, posso ter pensado: não seria ótimo se estas ideias tivessem algum impacto? Então quando você vê essa vã fantasia entrar no mundo real... É uma coisa peculiar. Parece que um personagem que criei há 30 anos deu um jeito de escapar da ficção."
"Aquele sorriso é tão assustador", diz Moore. "Eu tentei usar a natureza enigmática do mesmo para efeito dramático. Poderíamos mostrar uma imagem do personagem de pé ali, em silêncio, com uma expressão que poderia ter sido agradável, alegre ou mais sinistros." Bem como a máscara, os manifestantes do "Ocupar Wall Street" assumiram como slogan "Somos os 99%", como referência a insatisfação com o 1% mais rico da população dos EUA ter controle tão vasto sobre o país. "E quando você tem um mar de máscaras V, eu suponho que faz os manifestantes parecem ser quase um único organismo - este "99%" que tanto ouvimos sobre isso em si é formidável eu posso ver porque os manifestantes.. têm levado a ele. "
Moore disse que começou a ver a máscara sendo utilizada em protestos de rua em 2008, pelo grupo Anonymous. Na época, achou que ela era interessante para os manifestantes protegerem sua identidade contra a Igreja da Cientologia, "já que eles são conhecidos por processar todo mundo".
Mas com a crescente popularidade da máscara, Moore percebeu que a máscara tem seu um apelo maior do que a proteção da identidade: "Ela transforma os protestos em performances. A máscara é dramática; ela cria uma sensação de romance e drama. Manifestações, marchas, são coisas que podem ser bem cansativas, exaustivas. Desanimadoras, até. Precisam acontecer, mas isso não quer dizer que são divertidas - e deveriam ser. (...) [Com as máscaras,] parece que esse pessoal está se divertindo. E a mensagem que passam com isso é muito forte."

Quanto ao fato da máscara ser um produto licenciado da Warner Bros. - a corporação dona da DC Comics e que retém os direitos sobre V de Vingança, e que segundo o Guardian vendem mais de 100 mil máscaras por ano -, Moore diz adorar a ironia. "É meio vergonhoso para uma corporação tirar lucro de protestos anti-corporativos. Não é uma coisa à qual eles gostariam de ser associados. Mas eles não são do tipo que negam dinheiro - vai contra o instinto deles. Vejo mais graça do que aborrecimento nisso."

Enquanto David Lloyd já participou de uma manifestação em Nova York para ver as máscaras que desenhou em uso, Moore diz que seria "meio estranho, não?" ele vestir uma máscara de V. Mas apoia os movimentos: "Provavelmente seria melhor as autoridades aceitarem esta nova situação, que é a história acontecendo. A história acontece em ondas. Geralmente é melhor pegar a onda, não tentar fazer ela voltar. Espero que os líderes mundiais percebam." afirma em tom otimista.
Informações: Guardian, BBC, Wikipedia e Omelete

.