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A quem a história não esqueceu: A Revolta da Chibata



Por Erick da Silva

Em 1910, no dia 22 de novembro daquele ano, após ser dado o toque de recolher, o ataque já estava pronto. Iniciava-se o movimento que entraria para a história como a “Revolta da Chibata”.
Os marinheiros tomaram naquela noite a então poderosa marinha de guerra brasileira e dirigiram os seus canhões contra a capital da república.
O movimento lutava por melhores condições de vida para a categoria. O soldo era muito baixo; as condições de trabalho eram precárias; recebiam alimentação de péssima qualidade, muitas vezes estragada; as mínimas faltas eram castigadas com surras, solitária, ginástica punitiva. Em plena República, 22 anos após a abolição da escravatura, a punição física pela chibata ainda era realidade. Práticas discriminatórias eram correntes, os oficiais orgulhavam-se de seus “sangues limpos” e desprezavam os marujos, que eram em sua quase totalidade formada por negros e mulatos.

Infância roubada: as crianças vitimas da ditadura brasileira


Uma das faces menos conhecidas na Ditadura instalada no Brasil pós-1964 é seus efeitos junto aos filhos de militantes de esquerda. O fato de serem crianças, para o regime, não lhes eximia de uma possível culpa ou "ameaça a segurança nacional". A foto acima vemos crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil fichadas pelo Dops.

Dandara, descrita como a heroína mulher de Zumbi, tem biografia cercada de incertezas


via IHU

No dia em que Zumbi teve a cabeça degolada num golpe à resistência negra, um ano e nove meses já teriam transcorrido desde a morte igualmente trágica da face feminina do Quilombo de Palmares, Dandara. Se o herói palmarino hoje é celebrado com o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, próxima quintafeira, a história da figura apontada como sua mulher permanece cercada de incertezas, com escassos registros historiográficos.

Relatos dão conta de que a vida de Dandara teve fim em fevereiro de 1694. Ela teria se jogado de uma pedreira ao abismo: uma decisão extrema para não se entregar às forças militares que subjugaram o quilombo, onde chegaram a viver 30 mil pessoas distribuídas em aldeias.

Jean Jaurés: um século de pensamento socialista


O centenário do assassinato do socialista francês Jean Juarés foi um episódio que simboliza a radicalização política européia do inicio do século XX. Naqueles sombrios anos que seguiram-se a sua morte, ao ter se colocado notadamente por uma oposição à Primeira Guerra mundial, algo raro entre social-democratas europeus, o tornaria amplamente reconhecido ao redor do mundo. O pacifismo de Juarés era mais amplo que a crítica ao belicismo imperialista. A sua concepção socialista, embora reconhecesse a Luta de Classes, propunha uma revolução social democrática e não violenta. O artigo de Eduardo Febbro resgata alguns elementos do pensamente e legado de Juarés.

Por Eduardo Febbro

Poucos defensores da humanidade contra o capitalismo foram tão expoliados como o líder socialista francês Jean Jaurés, cujo assassinato ocorrido em 31 de julho de 1914, no Café do Croissant, em Paris, completou um século. O Café Croissant segue existindo. Resistiu ao voraz apetite financeiro de um capitalismo que o fundador do socialismo francês considerava, no início do século XX, como um ente "contrário à ideia da justiça e, por princípio, da humanidade".

Seu pensamento hoje ecoa entre a direita, a extrema direita, o socialismo autoritário moderno e os românticos sem partido. Jaurés é um homem de uma modernidade surpreendente. Suas ideias definem com uma precisão cirúrgica o combate que a cínica avidez da oligarquia financeira reatualiza a cada semana.

O “grande pato amarelo” e os 25 anos do massacre na Praça da Paz Celestial


Por Erick da Silva

25 anos depois, os protestos que culminaram no que ficaria conhecido como o massacre da Praça da Paz Celestial ainda é uma ferida aberta na China. Mesmo passado mais de duas décadas, os acontecimentos ainda são tratados como um tabu, a data lembrada ao redor do mundo, na China, é alvo de censura e forte vigilância. Nem mesmo um inofensivo pato amarelo escapa a censura.


Salário mínimo na ditadura e hoje


Por João Sicsú

Ele é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social

O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas em 1940. A cada 1º de maio é comemorado o dia do trabalhador e também o dia do salário mínimo. Há 74 anos, em discurso na cidade do Rio de Janeiro, o presidente anunciou: “...assinamos hoje um ato de incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para todo o país”.

Desde a sua criação até o golpe de 1964, três presidentes defenderam o valor real do salário mínimo: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Neste período, Eurico Gaspar Dutra, que governou o Brasil de 1946 a 1951, foi o grande adversário do salário mínimo, deixando o seu valor ser corroído pela inflação. No governo de Gaspar Dutra, não foi concedido qualquer reajuste ao salário mínimo, que perdeu 40% do seu valor real.

25 de abril: A Revolução dos Cravos























No dia 25 de abril de 1974, caiu a ditadura fascista que dominou Portugal ao longo de 48 anos, Deflagrado pelas Forças Armadas, o movimento recebeu o apoio do povo, o que era para ser um levante militar tornou-se de fato uma revolução.
Os soldados se surpreenderam ao receber flores e uma ovação popular. O evento ficou conhecido como Revolução dos Cravos.

O dia entrou para a história por marcar a queda de um governo autoritário e corrupto.

Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares, apenas terminado com o 25 de Novembro de 1975.
Estabilizada a conjuntura política, prosseguiram os trabalhos da Assembleia Constituinte para a nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.
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20 anos do genocídio em Ruanda: o maior massacre da humanidade desde a 2ª Guerra Mundial


No dia 7 de abril de 1994, começaram os 100 dias mais ferozes da história da Ruanda, e talvez da humanidade inteira depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Por mais de três meses, perpetrou-se um massacre sistemático que o mundo não soube prever nem enfrentar, muito menos parar.

Emir Sader: A esquerda e a ditadura




Por Emir Sader

O golpe militar foi um choque muito maior do que o esperado, mesmo pelos que anunciavam que o governo do Jango seria interrompido por uma ação golpista dos militares. Era uma geração que não conhecia praticamente ditadura, salvo alguns comunistas remanescentes do período getulista, que mesmo assim teve um caráter diferente.

Ditadura: Teoria dos dois demônios é apenas farsa histórica



O cinquentenário do golpe militar traz à baila narrativa que a direita gloriosamente fabrica para enquadrar o episódio. Núcleo fundamental do teorema: os militares romperam a Constituição e tomaram o poder, com amplo apoio da burguesia brasileira, para se anteciparem a supostos planos golpistas de João Goulart e seus aliados.

Setores mais lúcidos e malandros do conservadorismo (entre os quais, obviamente, não estão correntes abertamente fascistas) até reconhecem crimes e atropelos da ditadura. Mas a alternativa fardada é apresentada como um demônio que a outro se contrapunha.

Cidadão Boilesen


Documentário de 2009, dirigido por Chaim Litewski, Cidadão Boilesen, através de diversos depoimentos, o documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar. Seu apoio financeiro, assim como de muitos outros empresários, ao movimento de repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi. Expõe uma faceta, por vezes negligenciada, da brutal história recente brasileira.

Assista abaixo o documentário na íntegra:

Lousa, giz e chumbo: O legado do golpe no conceito de ensino


Subfinanciamento da escola pública e privatização do setor estão entre os principais legados das políticas educacionais da ditadura.

Por Cida de Oliveira e Sarah Fernandes


Em meio a um emaranhado de fusões de escolas e concentração de conglomerados universitários, o ensino superior privado brasileiro segue de vento em popa. Um levantamento da consultoria Hoper Educação, com base em dados de 2013, constatou crescimento de faturamento de 30% entre 2011 e 2013, de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões. Conforme a consultoria, estão matriculados hoje no ensino superior privado 5 milhões de alunos.

Ditadura Militar e a questão indígena: cadeias com trabalhos forçados e torturas


Uma das faces esquecidas dos anos de ditadura civil-militar no Brasil pós-1964 foi a sistemática perseguição do regime aos povos indígenas. Acusações de vadiagem, consumo de álcool e pederastia eram usadas com pretexto para jogarem índios em prisões durante o regime militar; até mesmo cadeias para índios com trabalhos forçados foram criadas. Sem contar o treinamento de índios soldados para reprimir o seu próprio povo. Como pano de fundo, a disputa pela terra e uma visão de desenvolvimento nacional, onde não havia espaço para os índios. A Agência Pública nos traz no vídeo abaixo um importante registro destes crimes perpetrados pelo estado brasileiro durante o período ditatorial. Longe de serem fatos isolados, eram uma prática sistemática. É dever do estado e da sociedade reconhecê-los como presos políticos.

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Lenin: 90 anos do maior revolucionário do século XX


Este ano se completaram 90 anos da morte de Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido como Lenin. Apontado por muitos como o maior revolucionário do século XX, liderou o processo de construção da primeira experiência de um governo operário da história, na extinta União Soviética. É sabido a necessidade de avaliarmos criticamente a experiência russa e condenarmos muitos dos descaminhos que o comunismo soviético teve, após a morte de Lenin e a ascensão de Stalin.
No entanto, não podemos prescindir de reconhecer a importância histórica de Lenin e sua contribuição para a luta dos povos em todo o mundo. O artigo abaixo de Eduardo Mancuso traz uma série de importantes elementos, a partir da trajetória da vida de Lenin, que nos auxiliam a vislumbrar a sua atualidade.

Sete lições sobre o golpe de 1964 e sua ditadura


Por Antonio Lassance

Há 50 anos, o Brasil foi capturado pela mais longa, mais cruel e mais tacanha ditadura de sua história.

Meio século é mais que suficiente tanto para aprendermos quanto para esquecermos muitas coisas.

É preciso escolher de que lado estamos diante dessas duas opções.

Leonardo Boff: Hoje a revolução significa puxar os freios de emergência


Por Leonardo Boff


Atribui-se a Karl Marx esta frase pertinente: “só se fazem as revoluções que se fazem”. Quer dizer, a revolução não configura um ato subjetivo e voluntarista. Quando assim ocorre, é logo vencida por imatura e falta de consistênica.   A revolução acontece quando as condições da realidade estão objetivamente maduras e  simultaneamente existe nos grupos humanos a vontade subjetiva de querê-la. Então ela irrompe com chance, nem sempre garantida, de vencer e se consolidar.

Atualmente teríamos todas as condições objetivas para uma revolução. Revolução é aqui tomada no seu sentido clássico como a mudança dos fins gerais de uma sociedade que cria os meios adequados para alcançá-los, o que implica a mudança nas estruturas sociais, jurídicas, econômicas e espirituais desta sociedade.

Lula e os 30 anos da campanha das Diretas Já


Há 30 anos, dia 25 de janeiro de 1984, acontecia o que foi chamado de maior comício pelas Diretas Já, na histórica Praça da Sé e no dia do aniversário de São Paulo. Milhares de pessoas se juntaram ao ex-presidente Lula e a diversas personalidades da política e da classe artística para entoar o grito pelo direito ao voto.

Em vídeo, o ex-presidente rememora este dia e também os outros comícios que marcaram época no que ele chama de “o maior movimento cívico na história dos 500 anos do Brasil”. Lula lembra também que mesmo com a derrota no Congresso Nacional, o movimento das Diretas Já foi o que conseguiu acabar com o regime militar que comandava o país.

Emir Sader: A banalização da história


Por Emir Sader

Para Marx, a História é a única ciência social, não porque exclua as outras, mas porque as integra. A Historia não é historiografia, a visão redutiva dos fatos, das datas, dos personagens.

Historicizar um fenômeno é entender como ele foi gerado, em todos os seus aspectos - economico, social, politico, cultural -, como ele se reproduz – conforme suas dimensões objetivas e subjetivas -  e como ele foi ser transformado. Em suma, como se produz a historia humana e como os homens, que produziram, inconscientemente, suas condições de existência e sua própria consciência, podem transformá-la, transformando-se a si mesmos.

Guerra não é herança evolutiva dos humanos

A cena do “macaco assassino” no filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), não tem nenhuma base em fatos.

Pesquisadores concluem que a prática do confronto não é inata nem inevitável

Por John Horgan

Uma das mais insidiosas ideias modernas sustenta que a guerra é inata, uma adaptação criada em nossos ancestrais pela seleção natural. Essa hipótese – vamos chamá-la de “Teoria da Guerra com Raízes Profundas” – já foi promovida por intelectuais respeitáveis como Steven Pinker, Edward Wilson, Jared Diamond, Richard Wrangham, Francis Fukuyama e David Brooks.

A Teoria das Raízes Profundas aborda não apenas a agressão humana violenta em geral, mas uma manifestação específica dela, envolvendo ataques de um grupo contra o outro.

Os adeptos da teoria frequentemente argumentam que – por mais belicosos que sejamos atualmente – nós éramos ainda mais belicosos antes do advento da civilização.

A invenção de Zumbi



Sou de uma geração de crianças negras que cresceu ouvindo dizer que Zumbi era um fantasma sem beira nem eira, doido perambulando pelas encruzilhadas assombrando como alma penada. O nome de Zumbi sempre foi identificado, associado como negro à imagem do diabo, do pecado. Ao contrário da representação imagética ''dócil'' de Negrinho do Pastoreio ou mágico do mito mutilado (sem uma perna) Saci Pererê.

O Aurelião já registra o Zumbi, chefe do Quilombo dos Palmares, assim como acrescenta ao verbete a idéia ''de fantasma segundo a crença afro- brasileira, vaga pela noite morta''. O significado negativo se institucionalizou não apenas graças aos dicionários, mas, principalmente, aos instrumentos educativos e meios de comunicação.