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A força da internet nas eleições


Por Altamiro Borges

Três pesquisas recentes confirmam que a internet, com seus sites, blogs e redes sociais, deverá jogar um papel decisivo nas eleições deste ano. O Instituto Reuters de Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford (Inglaterra), publicou no início de junho o seu terceiro relatório anual sobre notícias digitais (“Digital News Report-2014”). Feito a partir de entrevistas com 18 mil pessoas em dez países (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Finlândia, Espanha, Dinamarca, Itália, Japão e Brasil), ele revela que o nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial no uso dos meios digitais. Segundo a pesquisa, 87% dos brasileiros conectados à internet têm interesse por notícias de cunho jornalístico.

Outro estudo, divulgado em maio, aponta que os blogs brasileiros já ocupam o segundo lugar no ranking mundial de alcance, só perdendo para o Japão. A pesquisa da ComScore traz estatísticas atualizadas sobre a rede no Brasil, com dados comparativos para a América Latina e o mundo. Os números comprovam que o país é um dos mais entusiasmados com a internet. Entre outros dados, a pesquisa mostra que os brasileiros seguem liderando o engajamento online, com usuários que navegam 29,7 horas por mês, sete horas a mais do que a média mundial; que a audiência cresce em média 11% ao ano; e que uma parte da publicidade, mesmo que ainda pequena, passa a ser deslocar para os meios digitais.

Sobre a pesquisa da Secom e a blogosfera


Por Miguel do Rosário

A pesquisa que Secom encomendou ao Ibope sobre a mídia brasileira ainda está sendo digerida.

A mídia destacou a baixa confiança dos brasileiros em sites e blogs. Só que isso não é negativo. É natural. Qualquer maluco (aqui empregado no mau sentido) pode abrir um blog, portanto é saudável que as pessoas, se confrontadas com uma ideia generalizada de “sites e blogs”, expressem baixa confiança.

As pessoas confiam apenas em alguns blogs, num universo de milhares de páginas. Além disso, a relação entre o indivíduo e o blog é de uma qualidade diferente daquela tradicional entre o homer simpson e o seu sagrado jornal.

Editora quer processar blogueiro em US$ 1 bilhão



Jeffrey Beall, bibliotecário da Universidade do Colorado e dono do blog Schorlaly Open Access, onde mantém uma lista de publicações de acesso aberto e de editoras que ele considera como questionáveis ou predatórias, está sendo ameaçado de processo judicial por uma editora indiana presente na lista.
A editora, OMICS Publishing Group, quer 1 bilhão de dólares (o equivalente a R$ 2 bilhões) em indenização, além de ameaçar Beall com uma pena de três anos de prisão, de acordo com as leis indianas. O bibliotecário recebeu uma carta da IP Markets, firma que administra direitos autorais, no dia 14 de maio. “Achei a carta má escrita e pessoalmente ameaçadora”, disse Beall. “Eu acho a carta é uma tentativa de desviar atenção das práticas editoriais da OMICS”.

Processos da Globo calam o blog Viomundo



A censura contra o jornalista Luiz Carlos Azenha, é profundamente revoltante. Mostra os efeitos perversos da união do monopólio midiático com a judicialização da política. O efeito é esse: quem pensa e expressa opiniões e fatos divergentes é calado. Calado pelo poder econômico  calado pela aliança umbilical com as estruturas arcaicas de poder no Brasil que, infelizmente, seguem fortes e inabaláveis, mesmo com os 10 anos de governos do PT. Pelo contrário, a presença de governos de esquerda não alterou nenhum milimetro no poder da Globo e cia, que seguem recebendo volumosos recursos publicitários do governo federal.
Não iremos esmorecer e nos calar frente a esta decisão injusta e arbitrária, a blogosfera, que o Azenha foi um dos principais idealizadores e entusiasta, não calara até impedir que tal absurdo seja revertido. Não desistiremos!

PS: A Globo, Folha, Estadão e cia, recentemente incensaram a blogueira cubana Yoani Sánchez como baluarte da "liberdade de expressão" contra a "ditadura cubana" (Sic). Como eles justificam agora a censura ao blogueiro Luiz Carlos Azenha?

Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa


Por Luiz Carlos Azenha


Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.
 Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.
 Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.
Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.
Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.
Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.
Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.
Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.
Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.
Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.
No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.
Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.
Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.
Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.
Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.
Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.
Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.
O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.
Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.
Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?
O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.
Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.
Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.
Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.
Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.
E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.
Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.
Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.
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PSDB e PSOL se unem contra blogosfera
















Reproduzimos abaixo post do blog Cafezinho com uma importante denúncia de mais uma manipulação em curso. Triste ver setores da esquerda se aliando ao que tem de mais reacionário na sociedade apenas para tentar, de alguma forma, aparecer na mídia e fazer oposição ao governo.
Tenho total concordância com as críticas expostas no texto abaixo, recomendo a leitura:

Por Miguel do Rosário


Tucano cobra explicações sobre gasto oficial na internet
O Globo – 20/03/2013
BRASÍLIA O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), protocolou ontem pedido de informações para que o governo explique o aumento de gastos com publicidade na internet, de 483%, no período de 2000 a 2011, segundo o partido. De acordo com o líder tucano, os gastos informados pelo governo não permitem saber a razão do aumento dessas despesas, passando de R$ 15 milhões, em 2000, para R$ 90 milhões, em 2011.
Aloysio quer que a Secretaria de Comunicação da Presidência explique se há financiamento público dos chamados “blogs sujos”, que são, segundo ele, sites de jornalistas contratados para atacar opositores do governo.
- Muitos dados que temos não são suficientemente pormenorizados. É impossível saber o que é gasto com empresas que concorreram no mercado, e as que não são. É um exército, uma milícia no “cyberespaço”. Eu quero saber onde e como esse dinheiro está sendo gasto – disse Aloysio.
O líder do PSOL, senador Randolfe Rodrigues (AP), que disse que irá subscrever o requerimento do tucano, afirmou que um site que veicula publicidade de uma empresa estatal teria “massacrado” o senador Pedro Taques (PDT-MT), um dos mais críticos ao governo no Senado:
- Se recebe verbas públicas para isso, mais do que ameaça à liberdade de expressão, é uma ameaça à democracia. É o financiamento do achincalhamento de quem tem alguma divergência – disse Randolfe.
A “denúncia” de Aloysio Nunes é antes de tudo burrice. Em 2000, a internet quase não existia no Brasil. Eu, que fui um dos primeiros blogueiros do país, entrei por aqui em 2004. Essa é a explicação óbvia porque o aumento da publicidade estatal na internet cresceu 483%.
Mais grave que a burrice, porém, é que Nunes na verdade está tentando perseguir a blogosfera. O Cafezinho já identificou que mais de dois terços da publicidade federal vai para UOL, Globo, Abril. Até o site da Fox recebe dinheiro. A blogosfera não ganha nada. Alguns blogs de grande circulação recebem anúncios de estatais. É triste sobretudo ver um senador de esquerda, como Randolfe Rodrigues, adotar uma postura tão mesquinha, apenas porque viu ataques de um blog ao senador Pedro Tacques. E daí? A grande mídia não ataca diariamente políticos e instituições, e não é justamente por isso que é considerada “crítica” e “independente”? Quer dizer que o senhor Randolfe Rodrigues, que nunca abriu a boca para reclamar contra a concentração midiática no país, e contra uma lógica de direcionamento de verbas estatais que apenas beneficia os grandes, agora vai entrar na turma dos que querem asfixiar financeiramente os dois ou três blogs que receberam uns caraminguás? E por que? Porque um blog (deve ter sido o 247, que nem é blog exatamente, ou o Conversa Afiada) publicou uma denúncia feita por um jornalista que trabalha no mesmo estado que Pedro Tacques? Ora, se houvesse um blogueiro ou jornalista em Goiás que denunciasse Demóstenes Torres, o Brasil não teria sido pautado, por anos, por um cupincha de Carlinhos Cachoeira que fazia dobradinha com a revista Veja.
Na verdade, o ataque do senador Aloysio Nunes reflete o medo crescente que eles tem da blogosfera, uma vez que sabem que suas ideias apenas podem ganhar eleitores se estes se informarem exclusivamente pela grande mídia conservadora. Sabendo disso, eles querem não somente asfixiar financeiramente os dois ou três blogs que recebem alguma publicidade estatal, mas sobretudo:
  1. intimidar o governo, para que não se torne mais plural e democrático na distribuição da publicidade federal;
  2. constranger os próprios blogueiros a não lutar por seus direitos;
  3. atacar moralmente os blogueiros, que não escreveriam por ideal, mas por “dinheiro”.
Eu, como blogueiro, não quero nenhum recurso federal. Meu blog vive de assinaturas, não preciso de nenhuma publicidade estatal. Mas das duas, uma. Ou o governo não dá para ninguém, ou dá para todos. Não acho certo o governo, que tem compromissos com a disseminação de valores democráticos, ou seja, com o pluralismo e o debate, entregar tantos recursos para poucos grupos de comunicação, colaborando para a manutenção de uma lógica que já se mostrou terrivelmente nociva para a democracia brasileira.
A luta por uma comunicação social mais democrática e mais plural inscreve-se na luta pelos direitos humanos, pela cultura e pelo desenvolvimento, de maneira que os partidos políticos que, por medo da mídia corporativa, silenciam-se sobre um dos temas mais urgentes da pauta política nacional, são covardes e representam, mesmo que posem para as câmaras de progressistas e inovadores (como a rede marinista), a continuidade do atraso, com nova e engandora roupagem.
É um escárnio que os mesmos grupos que deram o golpe de Estado em 64, e apoiaram a ditadura, hoje recebam milhões de reais de publicidade estatal, e os setores que representam as ideias daqueles que lutaram contra a ditadura, desde o início, não apenas não recebam nada, como sejam alvos de ataque das mesmas mídias que recebem grandes somas de recursos públicos. O patrimônio financeiro dos donos da mídia foi construído, em boa parte, sobre os escombros da democracia.
O escárnio se torna insuportável quando eu vejo um senador acusando a blogosfera de receber um dinheiro que na verdade vai para os barões. E com apoio do senador do PSOL!
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A tentativa de sufocar a blogosfera




No mais recente atentado contra a liberdade de expressão no Brasil, o prefeito de Curitiba (PR) e candidato à reeleição Luciano Ducci processou o blogueiro Tarso Cabral Violin, apenas porque discordou de duas enquetes publicadas na página mantida pelo blogueiro. A Justiça Eleitoral, num gesto inexplicável, deu ganho de causa ao prefeito-censor e estipulou uma multa de R$ 106 mil, o que inviabiliza a continuidade do blog. No mesmo Paraná, o governador Beto Richa também persegue de forma implacável o blogueiro Esmael Morais, que já foi processado várias vezes e coleciona multas impagáveis.

Em outros cantos do país, a mesma tática, a da judicialização da censura, tem sido aplicada visando intimidar e inviabilizar financeiramente vários blogs. Alguns processos já são mais conhecidos, como os inúmeros que tentam calar os blogueiros Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. No fim de 2010 e início de 2011, o diretor de jornalismo da poderosa TV Globo, Ali Kamel, também ingressou na Justiça contra seis blogueiros – o que prova a falsidade dos discursos dos grupos de mídia que se dizem defensores da liberdade expressão. Criticado pelos blogueiros, pelo seu papel manipulador nas eleições de 2006 e 2010, Kamel parece ter escolhido a via judicial para se vingar dos críticos.
 
Se os juízes de primeira instância parecem pressionados diante de autoridades e empresas de Comunicação tão poderosas, é preciso garantir que os tribunais superiores mantenham-se atentos para garantir que a liberdade de expressão não se transforme num direito disponível apenas para meia dúzia de famílias que controlam jornais, TVs e rádios brasileiras.

Além da judicialização da censura, também está em curso no país uma ação ainda mais violenta contra os blogueiros – com ameaças de morte e até atentados. Em 2011, o blogueiro Ednaldo Filgueira, do município de Serra do Mel, no Rio Grande do Norte, foi barbaramente assassinado após questionar a prestação de contas da prefeitura. Outro blogueiro também foi morto no Maranhão. Há várias denúncias de tentativas de intimidação com o uso da violência, principalmente em cidades do interior onde a blogosfera é o único contraponto aos poderosos de plantão.
 
Como se não bastassem os processos e as ameaças físicas, alguns setores retrógrados da sociedade também tentam impedir a viabilização financeira da blogosfera através de anúncios publicitários. Recentemente, o PSDB ingressou com ação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) questionando os poucos anúncios do governo federal em blogs e sítios de reconhecida visibilidade. A ação foi rejeitada, o que não significa que não cumpriu seu objetivo político de intimidar os anunciantes. Até o ministro Gilmar Mendes, do STF, tem atacado a publicidade nos blogs.

Diante desses atentados à liberdade de expressão, o Centro de Estudos Barão de Itararé manifesta a sua total solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados. É preciso denunciar amplamente os que tentam silenciar esta nova forma de comunicação. 

É urgente acionar os poderes públicos – governo federal, Congresso Nacional e o próprio Supremo Tribunal Federal – em defesa da blogosfera. É o que faremos, em parceria com as demais entidades da sociedade civil, em especial com o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), requisitando audiências junto ao STF, STJ, TSE, Congresso Nacional e Ministério da Justiça.

Pedimos, ainda, a atenção da Secretaria Especial dos Direitos Humanos para o tema. Liberdade de expressão não é monopólio de meia dúzia de empresários. É um patrimônio do povo brasileiro, garantido na Constituição. A comunicação é um direito básico do ser humano, que precisa ser respeitado.

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

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Procuradoria manda arquivar ação do PSDB contra “blogs sujos”



O PSDB tenta, já há algum tempo, censurar a blogosfera. A sua última tentativa, felizmente, já fracassou. Certamente novas tentativas de censurar e impedir a livre manifestação política na rede deverão vir, afinal, a direita tem uma verdadeira fobia da internet (veja aqui.), principalmente José Serra.
Abaixo a matéria da da Folha de SP sobre o pedido de arquivamento da ação do PSDB.



Em parecer apresentado nesta terça-feira (31), a Procuradoria Geral Eleitoral pede o arquivamento da representação apresentada pelo PSDB na qual o partido levanta a suspeita sobre o financiamento com dinheiro público de sites e blogs políticos.
Segundo a representação tucana, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras e o Ministério da Saúde estariam entre os patrocinadores de páginas na internet caracterizadas “por elogios excessivos ao PT e ao governo federal e por ataques à oposição”.
O pedido para que a Procuradoria Eleitoral avaliasse suposta ilegalidade foi apresentado pela cúpula tucana na última segunda-feira (23). O parecer de hoje é de autoria do procurador regional da República Adjunto, José Jairo Gomes.
“A representação também não se fez acompanhar de começo de prova hábil a ensejar qualquer investigação de que houve desvio de recursos públicos em prol de blogueiros ou titulares de páginas na internet para que estes atuassem em prol ou contra candidaturas”, diz Gomes em trecho do parecer.
Segundo Gomes, o PSDB fundamentou o pedido de investigação apenas em notícias vinculadas em jornais e revistas que não chegaram nem a ser anexadas junto ao requerimento encaminhado à PGE.
“Sequer se fez acompanhar de cópia das citadas notícias ou mesmo de informações completas de suas fontes”, diz o procurador.

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2ª Encontro de Blogueiros do RS (03 e 04 de agosto)


Confira a programação completa do 2ª Encontro de Blogueiros do RS.



O encontro será nos dias 3 e 4 de agosto na Nós Coworking.
3 de agosto, sexta-feira, 19:30

Mesa 1: Nada além da Constituição

Debatedores:
Maria do Rosário, Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República;
Marcelo Danéris, Secretário Estadual do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social;
Altamiro Borges, Presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé;
Rosane Bertotti, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
4 de agosto, sábado, 10h

Mesa 2: Redes sociais como plataforma de ativismo político

Debatedores:
Enrico Canali, cicloativista, um dos organizadores do 1° Fórum Mundial da Bicicleta;
Igor Felippe, editor da página do MST;
Leandro Fortes, jornalista e autor do blog Brasília, eu vi;
Ney Hugo, do Fora do Eixo;
Rute Vera Maria Favero, autora do blog ONG da Rute.
4 de agosto, sábado, 14h

Mesa 3: Alternativas de organização da blogosfera

Debatedores:
André de Oliveira, jornalista do Coletivo Catarse;
Fernanda Quevedo, do Fora do Eixo;
Marco Weissheimer, editor do blog RS Urgente;
Renato Rovai, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom).
Baixe o flyer com a programação para divulgar o #2BlogProgRS!
blog_prog_2012
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A fobia de internet da direita brasileira


Por Erick da Silva

Cada vez mais se escancará a verdadeira fobia que a internet provoca na direita brasileira. A direita sempre gozou de um amplo apoio e amparo da grande mídia empresarial para lhe dar sustentação e garantir que suas opiniões fossem "vendidas" como "verdades hegemônicas", sem espaço para o contraditório e o livre debate democrático.
A crescente expansão e disseminação de conteúdos através das ferramentas na internet (blogs, redes sociais, etc) tem gradualmente rompido com este exclusivismo da velha mídia sobre a informação. Isto tem sido motivo de verdadeiro pânico para a direita brasileira, prova disto é a representação feita pelo PSDB nacional na Procuradoria Geral Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF) pela qual pede investigação sobre o patrocínio de empresas públicas (como a Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc) a sites e blogs progressistas e independentes.
A ação do PSDB é meramente intimidatória, tentando de alguma forma silenciar algumas vozes dissonantes, na vã tentativa de silenciar a rede. Não se trata de questionar o uso de recursos públicos federais em publicidade e propaganda. Se ela realmente buscasse isso seriamente, haveria de tratar do conjunto: quais são os gastos de governos federal, estaduais e municipais com propaganda? Quanto recebem a Globo, a Veja, a Folha e o Estadão proporcionalmente? Qual o motivo desta representação se destinar a apenas alguns blogs, esquecendo de outros que também recebem patrocínio publicitário? Os governos não poderiam reduzir estes custos investindo mais na internet, por exemplo, dada a crescente capacidade de disseminação de informações através das redes sociais? 
Serra reunido com o CEO do Twitter Shailesh Rao 
A "webfobia" da direita, comandada pelo PSDB, não se restringe apenas a blogosfera, José Serra se reuniu com o vice-presidente do Twitter Shailesh Rao. O conteúdo da reunião não foi divulgado, mas coincide com dois fatos recentes (a foto de Serra caindo de Skate e suas possíveis ligações com o esquema de Cachoeira) que podem revelar uma tentativa, desesperada, de Serra de tentar censurar a internet.
Nas eleições de 2010, Serra viu sua  farsa da bolinha de papel ser desmontada pela internet, impedindo sua tentativa de ganhar as eleições através de um golpe midiático. Naquela oportunidade, assim como em tantas outras, o que imperou não foi um "comando central" que determinou que miliares de internautas se manifestassem contrários a manipulação da "bolinha de papel", mas sim a própria dinâmica da internet. Como bem apontou Luiz Carlos Azenha, a dinâmica da rede é horizontal, "Não é estruturado hierarquicamente. Não obedece a comandos. O valor das opiniões não está na autoridade, nem no currículo, nem no status do autor: deriva da qualidade, da lógica, da originalidade da argumentação. Deriva da capacidade de apontar algo que outros não notaram. De desvendar conexões encobertas. De colocar fatos em perspectiva histórica. De ajudar a concatenar e, portanto, fixar ideias que circulavam desconexas no 'inconsciente coletivo digital'. Simplificando, quando a piada é boa ganha o mundo."
Exemplificando, não foi nenhum "blogueiro petista" que inventou o tombo de Serra. Podemos até acreditar que a foto foi feita em um momento autêntico de descontração, mas ela ganhou a repercussão que teve por  cristalizar a imagem de um candidato tentando parecer o que não é: jovem.
A rede não pode ser silenciada ou manipulada. Sua dinâmica própria e horizontal, com todas as suas limitações, não é passível de ser intimidada por Serra, PSDB e o conjunto da direita brasileira. O que fica evidente neste conjunto de fatos é que a direita não entende a internet, não compreende como se constitui a "esfera pública" da rede. As suas velhas maneiras de manipular a informação hoje encontram-se fragilizadas e com menor menor força. Enquanto a direita permanece presa a esta lógica superada, a rede, mais uma vez, deverá se impor. Para o pânico da direita brasileira.
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Gilmar Mendes desafia "blogs sujos"






Saiu agora quinta a noite (31/06) no blog de Jorge Bastos Moreno, hospedado no sítio do jornal O Globo:


Gilmar questiona uso do dinheiro público para atacar instituições


O ministro Gilmar Mendes acaba de informar à Rádio do Moreno que vai entrar com uma ação na Procuradoria Geral da República, solicitando o substrato das empresas estatais que usam o dinheiro público para o financiar blogs que atacam as instituições.


- É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.




( Eu sei bem de quem o ministro está falando, mas, como me disse Jobim sobre essa confusão toda, "eles que são branco é que se entendam" . Jobim, Heraldo, FH e eu vamos ficar na nossa. No caso, Heraldo, não é pra menos, quer distância desse blogueiro. Eu só não sabia que a Caixa Econômica patrocinava esse tipo de blog )


O ministro explicou que, nem de longe, sua decisão visa atingir a liberdade de expressão. Pelo contrário, é em defesa que se luta contra as pessoas que não se acostumaram a viver dentro de um regime democrático.


- O direito de crítica, de opinião, deve ser respeitado. Mas o ataque às instituições é intolerável - acrescentou o ministro Gilmar Mendes.

Ataque à liberdade de expressão

Desesperado, sem conseguir sustentar as suas acusações e difamações contra o ex-presidente Lula - até o amigão Nelson Jobim o abandonou nas suas bravatas sem provas -, o ministro Gilmar Mendes, que se acha o "Supremo", resolveu investir contra a liberdade de expressão e contra a blogosfera. Ele agora quer asfixiar financeiramente os "blogs sujos" - expressão usada primeiramente por seu outro amigão, o tucano Serra.

A coluna de Moreno insinua que o alvo principal de Gilmar Mendes é o jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada. Ao citar Heraldo Pereira, serviçal da TV Globo que processou o blogueiro, ela dá pistas sobre o blogueiro odiado pelo "jagunço midiático" Gilmar Mendes - a expressão jagunço, que adora os holofotes da mídia, foi usada por outro integrante do STF, o ministro Joaquim Barbosa.

Suspensão dos anúncios da Veja

A blogosfera realmente está incomodando as forças conservadoras deste país. Capas da Veja, editorias do jornal O Globo, ataques dos "calunistas" amestrados da mídia e, agora, a histeria do próprio Gilmar Mendes indicam que os tais "blogueiros sujos" crescem em influência no cenário político nacional. Apavoradas, estas forças investem novamente contra a liberdade de expressão - como já fizeram no golpe e na ditadura militar.

Já que pretende discutir o uso do dinheiro público na blogosfera, o "isento" ministro do STF deveria também questionar os anúncios publicitários na revista Veja. Afinal, ela foi acusada de envolvimento com o crime organizado, com a máfia do Carlinhos Cachoeira. Não seria o caso de Gilmar Mendes propor a suspensão da publicidade oficial até que a publicação de seu outro amigão, Bob Civita, seja investigada?

Toda solidariedade ao blogueiro Paulo Henrique Amorim, alvo de dezenas de processos de Daniel Dantas, de Ali Kamel e de outros fascistóides nativos! O momento é de forte unidade em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão! Os que defendem a democracia não podem se calar nesta hora!
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Veja está com medo da força da internet


Por Erick da Silva

A revista Veja abandonar os mínimos procedimentos éticos no seu “jornalismo”, infelizmente, não é uma novidade. O surgimento de gravações mostrando as relações da Veja com o bixeiro Carlinhos Cachoeira deram materialidade a um fato: a Veja ultrapassou a fronteira do jornalismo e ingressou no terreno da contravenção.
O silêncio dos veículos de comunicação de maior tiragem e da Rede Globo não foram o suficiente para abafar o estreito envolvimento da revista com o bixeiro. Silêncio este só quebrado pela Carta Capital, Record e pela força da internet. O silêncio mais notável foi o da própria revista Veja, que ficou três semanas sem se pronunciar a respeito, como se nada fosse com ela. Silêncio que foi quebrado nesta semana (edição de 16 de maio), onde adotou a linha de defender-se atacando.
Apelando para a velha manobra tergiversatória da “liberdade de imprensa” e recorrendo a requentada cortina de fumaça do mensalão, apressa-se em adjetivar a todos que exigem o aprofundamento das investigações como “defensores da censura”, mostrando que o pânico está batendo na porta da editora Abril.
Este medo que ronda a redação de Roberto Civita (dono da editora Abril) ficou explicito na matéria onde disfere ataques contra a internet. A grande mobilização na rede nas últimas semanas colocou a Veja na berlinda. Ao silenciar sobre as denúncias que pesam em seus ombros, motivaram a participação ativa de milhares de internautas.
Sem explicar-se, a revista partiu para uma tentativa de deslegitimar a mobilização, tentando taxá-la como uma “conspiração manipulatória do comunismo-petista”. Esbanjando desonestidade intelectual,  a Veja valeu-se de uma exótica combinação de argumentos que vão da defesa do capitalismo e do anticomunismo, a distorções e informações fragmentadas e desconexas (robôs, aranhas, Richard Dawkins, etc.)

A terrível ameça dos robôs!



A revista buscou, por um lado deslegitimar a critica, colocando-se acima do bem e do mal, e por outro  tentou delirantemente dizer que os milhares de internautas que tuitaram mensagens exigindo investigação das denúncias de práticas criminosas da Veja não existem! Seriam todos robôs ou insetos, que disparariam mensagens automáticas contra a revista no Twitter. Segundo eles, a hashtag #VejaBandida, só conseguiu ser um dos assuntos mais comentados no Brasil - e do mundo durante algumas horas - por força de uma “fraude petista”. Tentando “provar” sua tese a revista cometeu um dos maiores papelões de sua história. Afirmou que uma tuiteira carioca (de carne e osso), que usa o perfil @lucy_in_sky_, seria uma “robô”.
Absolutamente tudo o que diz a matéria da Veja sobre “táticas para fraudar redes sociais” é que é uma imensa fraude. Eles não entende como de fato funcionam as mobilizações na rede, ou talvez, o que é mais provável, de forma alarmada e atrapalhada, apela para argumentos distorcidos e tacanhos.

Veja quer censurar a Internet

A Veja critica os chamados tuitaços, que são mobilizações que envolvem milhares de internautas para pautas e campanhas específicas. Condenar e deslegitimar o direito a livre manifestação coletiva na rede é que é uma tentativa de censura.
Tuitaços, compartilhamento de conteúdos no Facebook, em blogs, etc. são manifestações legitimas e necessárias. Expressam novas formas de exercício da cidadania. A rede hoje é um instrumento efetivo de troca de informação, direito este a informação tantas vezes negado pela Veja/Editora Abril.
No mundo árabe, a utilização destas ferramentas foi de grande importância para impulsionar as mobilizações contra regimes ditatoriais. Será que este exemplo está amedrontando a Veja? Será o fato de perceber que o pouco que ainda lhe restava de credibilidade está sendo sepultado pela força da mobilização no território livre da internet? Estaríamos vendo uma espécie de “primavera” da democratização da comunicação? Sem dúvida isto é algo tão temido pela Veja, como a democracia para um ditador. Quando movimentos desta magnitude se consolidam, ninguém poderá freá-lo, nem o poder econômico ou tentativas de coerção. É isto que apavora Roberto Civita.
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Vem ai o 3º Encontro Nacional de Blogueiros em Salvador



Por Barão de Itararé:

Agora está confirmado: O III Encontro Nacional de Blogueir@s ocorrerá em Salvador, Bahia, nos dias 25, 26 e 27 de maio. A estrutura do evento, que deve reunir cerca de 500 ativistas digitais de todo o país, já está quase toda montada. A comissão nacional organizadora do BlogProg tem realizado os últimos esforços para garantir alojamento e refeição para todos os participantes. A inscrição para encontro vai até o dia 11 de maio. O valor é de R$ 60,00 para os ciberativistas e de R$ 30,00 para estudantes.

Para viabilizar a estrutura do evento, a comissão organizadora ficou responsável pelo contato com cerca de 40 entidades populares, sítios e publicações – os chamados “Amigos da Blogosfera”. A exemplo dos dois encontros anteriores, eles deverão contribuir financeiramente. Também estão sendo feitas articulações junto a instituições públicas e empresas para bancar o III BlogProg. Todos os apoiadores terão seus nomes divulgados na blogosfera e nas redes sociais, garantindo total transparência para o evento.

Quanto à programação, ela foi definida na reunião da comissão nacional no dia 24 de março. Os contatos já foram feitos, mas nem todos os convidados confirmaram a presença. O III BlogProg dará maior espaço para as oficinas autogestionadas – os interessados devem apresentar sugestões de temas e de debatedores até 4 de maio e ficam responsáveis pela iniciativa. Também haverá maior espaço para reuniões em grupo com o objetivo de intercambiar experiências, fazer o balanço das atividades no último período e traçar os próximos passos da blogosfera. Abaixo, a proposta de programação:

III Encontro Nacional de Blogueiros (BlogProg)

Salvador, Bahia – 25, 26 e 27 de maio de 2012

Programação

25 de maio, sexta-feira

15 horas – Início do credenciamento;

17 horas – Palestra inaugural: A luta de ideias no mundo contemporâneo

– Convidado: Michel Moore (diretor de cinema e escritor dos Estados Unidos)

19 horas – Ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão – Praça Castro Alves

- Convidados: Artistas, lideranças políticas e dos movimentos sociais;

26 de maio – sábado

9 horas – Nas redes e nas ruas pela liberdade de expressão e pela regulação da mídia

Convidados:

- Franklin Martins – ex-secretário da Secretária de Comunicação da Presidência da República;

- Emiliano José – integrante da Frente Parlamentar pelo Direito à Comunicação e pela Liberdade de Expressão;

- Gilberto Gil – ex-ministro da Cultura;

- Barbara Lopes – do movimento blogueiras feministas;

11 horas – A força das redes sociais no mundo

Convidados:

- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;

- Amy Goodman – fundadora do movimento Democracy Now e ativista do Ocupe Wall Street;

- Osvaldo Leon – Diretor da Agência Latino-Americana de Informação (Alai);

15 horas – Oficinas autogestionadas

(Os temas e conferencistas deverão ser propostos até 4 de maio; a organização das oficinas caberá exclusivamente aos seus proponentes);

17 horas – Apresentação e debate da proposta sobre a Associação de Apoio Jurídico à Blogosfera – Rodrigo Vianna e Rodrigo Sérvulo da Cunha;

19 horas – Lançamento oficial do Blogoosfero (plataforma livre e segura para a blogosfera e as redes sociais) - Fundação Blogoosfero, Colivre, TIE-Brasil e Paraná Blogs;

27 de maio – domingo

9 horas – Reuniões em grupo: balanço, troca de experiências e próximos passos da blogosfera;

12 horas – Plenária final: aprovação da Carta de Salvador, definição da sede do IV BlogProg e eleição da nova comissão nacional.

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Ataque a blogosfera: Ecad quer cobrar blogs por utilizar vídeos do YouTube


O Ecad, mais uma vez, mostra a sua sanha arrecadadora em suas cobranças inusitadas, agora, bola da vez é a blogosfera. O Ecad quer cobrar uma taxa de blogs que compartilhem vídeos do Youtube (mesmo que o próprio Youtube já pague direitos autorais para exibição dos vídeos).
O blog Caligraffiti recebeu na última terça-feira um email da entidade arrecadadora avisando que teriam de pagar direitos autorais pelos vídeos do YouTube e do Vimeo que apareciam no site. O Caligraffiti é um blog sobre design, arte, tecnologia e cultura. Tem uma boa visibilidade em um nicho específico, com mil a 1.500 acessos por dia, mas não rende lucro para nenhum de seus sete colaboradores. A chamada para anúncios no lado direito do blog é voltada apenas para troca de apoios, prática comum na blogosfera. Cada um dos blogueiros tem seu próprio emprego.
Para um blog sem fins lucrativos, o valor cobrado pelo Ecad não é pesado: R$ 352,59 mensais. O Caligraffiti foi classificado na categoria de webcasting, ou transmissão de programas originários da própria internet. Existem também as de podcasting (trechos de programas publicados na internet que podem ser baixados em mp3), simulcasting (transmissão simultânea inalterada) e ambientação de sites (uso de fundo musical no site). Essas informações foram enviadas pelo próprio Ecad por e-mail ao pessoal do blog, que pediram explicações sobre o motivo da cobrança.
A medida é mais uma afronta a liberdade de expressão na internet praticada pelo Ecad, que notoriamente tem um "modus operandi" nebuloso e cercado de denúncias e suspeitas de irregularidades quanto a cobrança, repasses irregulares e descriteriosos aos artistas, etc.
Neste episódio todo, o que mais chama a atenção é o total desproposito desta cobrança: como cobrar uma taxa a um blog, sendo que a imensa e esmagadora maioria dos blogs não possuem fonte de arrecadação alguma. A imensa maioria dos blogs são mantidos de forma voluntária, sem fins lucrativos e visam, fundamentalmente, a difusão e troca de opiniões, expressões culturais, etc.
Esta atitude do Ecad, ainda que possa ser legal, é claramente imoral e retrograda. Mostra que para o Ecad, o mais importante é arrecadar, não a divulgação e democratização do acesso a cultura e a informação.
Somos frontalmente contrários a esta atitude do Ecad. Já está mais do que na hora do Ecad passar por mudanças profundas, que o sintonize com as novas formas de expressão e difusão cultural. É hora de mudanças já! 
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Quem está por trás de Yoani Sánchez?


O respeitado jornal mexicano La Jornada publicou um texto do professor e jornalista francês Salim Lamrani, que demonstra a falsa liderança da blogueira Yoani Sánchez na rede social twitter, alcançado não por seguimento natural de audiência, mas pela intervenção de tecnologias e grandes somas de dinheiro.
Infelizmente, este é um tema que jamais veremos figurar nas páginas de nossa mídia nativa, sempre disposta a noticiar tudo que se relaciona a Cuba que, de alguma forma, possa atender aos interesses dos EUA em atacar o regime político cubano.
A tradução do artigo é do IHU On line.


Por Salim Lamrani


Yoani Sánchez, famosa blogueira cubana, é uma personagem peculiar no universo da dissidência cubana. Nenhum opositor foi beneficiado a exposição midiática tão massiva, nem de um reconhecimento internacional semelhante em tão pouco tempo. Após emigrar para a Suíça em 2002, ela decidiu retornar a Cuba dois anos depois, em 2004. Em 2007, integrou o universo de opositores a Cuba ao criar seu blog “Generación Y”, e se torna uma crítica feroz ao governo de Havana.

Nunca um dissidente cubano – muito menos no mundo – conseguiu tantos prêmios internacionais em tão pouco tempo e com uma característica particular: deram a Yoani Sánchez dinheiro suficiente para viver tranquilamente em Cuba até o resto de sua vida. Na realidade, a blogueira tem retribuído à altura os 250 mil euros que recebeu, o que equivale a mais de 20 anos do salário mínimo em um país como a França, a quinta potência mundial. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos, o equivalente a 18 dólares ou 14 euros. Isto é, Yoani Sánchez recebeu 1.488 anos de salários mínimos cubanos por sua atividade opositora.
Yoani Sánchez tem estreita relação com a diplomacia estadunidense em Cuba, como demonstra um documento “secreto”, por seu conteúdo sensível, emitido pela Seção de Interesses Norteamericanos (Sina). Michael Parmly, ex-chefe da Sina em Havana, que se reunia regularmente com Yoani Sánchez em sua residência diplomática pessoal como indicam os documentos confidenciais da Sina, manifestou a sua preocupação em relação à publicação dos documentos diplomáticos dos EUA pelo WikiLeaks: “Ficaria muito incomodado se as numerosas conversações que tive com Yoani Sánchez fossem publicadas. Ela poderia pagar as consequências por toda a sua vida”. A pergunta que vem imediatamente à mente é a seguinte: por quais razões Yoani Sánchez estaria em perigo se a sua atuação, como afirma, respeita o marco da legalidade?
Em 2009, a imprensa ocidental divulgou massivamente a entrevista que o presidente Barack Obama havia concedido à Yoani Sánchez, e que foi considerado um fato excepcional. Yoani também afirmou que enviou um questionário similar ao presidente cubano Raúl Castro e que o mesmo não se dignou a respondê-lo. No entanto, os documentos confidenciais da Sina, publicados por WikiLeaks contradizem essas declarações. Foi descoberto que foi um funcionário da representação diplomática estadunidense, em Havana, quem, de fato, redigiu as respostas à dissidente e não o presidente Obama.
Mais grave ainda, Wikileaks revelou que Yoani, diferente de suas afirmações, jamais enviou um questionário a Raúl Castro. O chefe da Sina, Jonathan D. Farrar, confirmou a informação através de um e-mail enviado ao Departamento de Estado: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou que nunca enviou (as perguntas) ao presidente cubano”.

A conta de Yoani Sánchez no twitter

Além do sítio Generación Y, Yoani Sánchez tem uma conta no twitter com mais de 214 mil seguidores (registrados até 12 de fevereiro de 2012). Somente 32 deles moram em Cuba. Por outro lado, a dissidente cubana segue a mais de 80 mil pessoas. Em seu perfil, Yoani se apresenta da seguinte maneira: “Blogger, moro em Havana e conto a minha realidade através de 140 caracteres. Tuito, via sms sem acesso à web”. No entanto, a versão de Yoani Sánchez merece pouco crédito. Na realidade é absolutamente impossível seguir mais de 80 mil pessoas apenas por sms, a partir de uma conexão semanal em um hotel. É indispensável um acesso diário para isso na rede.
A popularidade na rede social twitter depende do número de seguidores. Quanto mais numerosos, maior a exposição da conta. Da mesma maneira, existe uma correlação entre o número de pessoas seguidas e a visibilidade da própria conta. A técnica que consiste em seguir diversas contas é utilizada para fins comerciais, assim como para a política durante as campanhas eleitorais.
O sítio www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da comunidade do twitter. O estudo do caso Yoani Sánchez é revelador em vários aspectos. Uma análise dos dados da conta do twitter da blogueira cubana, realizada através de seu sítio, revela que a partir de 2010 houve uma atividade impressionante de sua conta. A partir de junho de 2010, ela se inscreveu em mais de 200 contas por dia, em uma velocidade que poderia alcançar até 700 contas em 24 horas. Isto é, passar 24 horas diretas fazendo isto – o que parece improvável. O resultado é que é impossível ter acesso a tantas contas em tão pouco tempo. Então, parece que isto só é possível através de um robô.
Da mesma maneira, descobrimos que cerca de 50 mil seguidores de Yoani são, na realidade, contas fantasmas ou inativas, que criam a ilusão de que a blogueira cubana goza de uma grande popularidade nas redes sociais. Na realidade, dos 214.062 perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são novos (e sem fotos) e 20.600 são de características de contas fantasmas com atividades inexistentes na rede (de 0 a 3 mensagens enviadas desde a criação da conta). Entre estes fantasmas que seguem Yoani no twitter, 3.363 não têm nenhum seguidor e 2.897 seguem somente a blogueira, assim como a uma ou duas contas. Algumas apresentam características bastante estranhas: não têm nenhum seguidor, seguem apenas Yoani e emitiram mais de duas mil mensagens.
Esta operação destinada a criar uma popularidade fictícia, via twitter, é impossível de ser realizada sem acesso à internet. Necessita de um apoio tecnológico e um orçamento consequente. Segundo uma investigação realizada pelo diário La Jornada, com o título “El ciberacarreo, la nueva estrategia de los políticos en Twitter”, sobre operações que envolviam os presidenciáveis mexicanos, diversas empresas dos Estados Unidos, Ásia e América Latina oferecem este serviço de popularidade fictícia (“ciberacarreo” ou em português ciber transporte) por elevados preços. “Por um exército de 25 mil seguidores inventados no twitter , escreveu o jornal, pagam até dois mil dólares, e por 500 perfis manejados para 50 pessoas é possível gastar entre 12 mil a 15 mil dólares”.
Yoani Sánchez emite, em média, 9,3 mensagens por dia. Em 2011, a blogueira publicou uma média de 400 mensagens por mês, O preço de uma mensagem em Cuba é de um peso convertido (CUC), o que representa um total de 400 CUC mensais. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos cubanos, ao redor de 16 CUC. Yoani Sánchez gasta, por mês, o equivalente a dois anos de salários mínimos em Cuba. Assim, a blogueira gasta em Cuba com o twitter, um valor correspondente, caso fosse francesa, a 25 mil euros mensais ou 300 mil euros por ano. Qual a procedência desses recursos para estas atividades?
Outras perguntas surgem de maneiras inevitáveis. Como Yoani Sánchez pode seguir a mais de 80 mil contas sem acesso permanente a internet? Como conseguiu se inscrever em 200 contas diferentes por dia, desde de junho de 2010, com índices que superam até 700 contas/dia? Quantas pessoas seguem realmente as atividades da opositora cubana na rede social? Quem financia a criação das contas fictícias? Qual o objetivo? Quais os interesses escusos detrás na figura de Yoani Sánchez?
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