Segunda-feira

Tarso rebate FHC e diz que PT só tem a ganhar na comparação entre governos



Agência Estado

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem legitimidade para participar do debate político em torno da sucessão presidencial e também para fazer comparações entre o governo dele e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É bom para nós que ele (FHC) compare as duas administrações. Esse debate nos interessa", disse Tarso, convicto de que a gestão petista foi infinitamente superior a dos tucanos.


Em artigo publicado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, Fernando Henrique criticou a estratégia adotada pelo governo Lula para vencer as eleições de outubro, segundo ele, de criar inimigos a enunciar inverdades. "Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa", afirmou o ex-presidente, no texto.



Tarso participou hoje de assinatura de convênio com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para incluir a segurança pública no programa de cursos superiores de tecnologia do Ministério da Educação (MEC). O objetivo, de acordo com Tarso, é qualificar os profissionais de segurança pública de todo o País.


O ministro da Justiça deixará o cargo na quarta-feira para se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul. Ele disse que deixa como marca da sua administração o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) que, segundo Tarso, "mudou o paradigma da segurança no Brasil".

EUA lêem erroneamente a política externa do Brasil

Um belo artigo do Immanuel Wallerstein analisa de forma correta a reiteração dos equivocos estadunidenses face a uma conjuntura dinâmica a qual não sabem como se posicionar, em particular em sua relação com o Brasil, cada vez mais um país que se coloca de forma ativa no cenário mundial.
Abaixo segue a íntegra do artigo publicado originalmente na Carta Maior.


Quando, por volta de 1970, os Estados Unidos se deram conta pela primeira vez que sua dominação hegemônica era ameaçada pela crescente força econômica (e, por conseqüência, geopolítica) da Europa Ocidental e do Japão, trataram de mudar sua postura, buscando evitar que assumissem uma posição demasiado independente nos assuntos mundiais.

Os EUA enviaram a seguinte mensagem, ainda que não com palavras: até agora temos tratado vocês como satélites e exigido que nos sigam sem questionamento algum na cena mundial. Mas agora vocês estão mais fortes. Assim, os convidamos para ser sócios, sócios menores, que tomarão parte conosco na tomada de decisões coletivas, sempre e quando não se afastem demasiado por conta própria. Esta nova política estadunidense foi institucionalizada de diferentes maneiras – especialmente com a criação do G-7, o estabelecimento da Comissão Trilateral e a invenção do Fórum Econômico Mundial de Davos como espaço de encontro da “amigável” elite mundial.

O objetivo principal dos EUA era desacelerar a decadência de seu poder geopolítico. A nova política funcionou durante cerca de 20 anos. Dois eventos sucessivos causaram o seu fim. O primeiro foi a desintegração da União Soviética (1989-1991), que desmantelou o argumento principal que os EUA tinham usado com seus “sócios”, a saber, que não deviam ser demasiado “independentes” no cenário mundial. O segundo evento foi o militarismo “macho” unilateral e auto-derrotado do regime de Bush. Em vez de restaurar a hegemonia estadunidense resultou no devastador fracasso dos EUA em 2003, quando não conseguiu obter o respaldo do Conselho de Segurança da ONU para a invasão do Iraque.

As políticas neoconservadoras de Bush foram um absoluto tiro pela culatra e converteram o lento declínio do poder geopolítico estadunidense em uma queda precipitada. Hoje, quase todos reconhecem que os EUA não têm a influência que já tiveram uma vez.

Poderia se pensar que os EUA teriam aprendido algumas lições com os erros do governo Bush. Mas parece que hoje está tentando repetir o mesmo cenário com o Brasil. Desta vez, não passarão 20 anos para que esse intento se mostre fracassado. A principal jogada geopolítica de Obama até aqui foi converter a reunião do G-8 em uma reunião de um G-20. O grupo crucial que foi adicionado à reunião é o formado pelos chamados países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). O que os EUA oferecem ao Brasil é “associar-se”. Isso fica muito claro em um informe recente do grupo de trabalho do Conselho de Relações Exteriores chamado de “US-Latin America Relations: A New Direction for a New Reality” (As relações Estados Unidos-América Latina:uma nova direção para uma nova realidade). O Conselho de Relações Exteriores é a voz do establishment e este informe, provavelmente, reflete o pensamento da Casa Branca.

Há duas frases cruciais neste informe relacionadas ao Brasil. A primeira diz: “o Grupo de Trabalho considera que aprofundar as relações estratégicas com Brasil e México e reformular os esforços diplomáticos com Venezuela e Cuba não só estabelecerão uma maior interação frutífera com estes países, como também transformarão positivamente as relações Estados Unidos-América latina. A segunda frase do documento refere-se diretamente ao Brasil: “O Grupo de Trabalho recomenda que os EUA construam sua colaboração existente com o Brasil no que diz respeito ao etanol para desenvolver uma sociedade mais consistente, coordenada e ampla que incorpore um amplo leque de assuntos bilaterais, regionais e globais”.

Este informe foi publicado em 2009. Em dezembro, o Centro de Relações Exteriores organizou com a Fundação Getúlio Vargas um seminário sobre o “Brasil emergente”. Coincidentemente, o seminário foi realizado justamente no momento em que ocorriam a crise política hondurenha e a visita do presidente Mahmud Ahmadinejad ao Brasil. Os participantes estadunidenses no seminário não falavam a mesma linguagem que os brasileiros. Eles defendiam que o Brasil deveria atuar como uma potência regional, ou seja, como um poder subimperial. Não conseguiam entender a desaprovação do Brasil frente aos acordos militares e econômicos da Colômbia com os EUA. Pensavam que o Brasil deveria assumir algumas responsabilidades para a manutenção da “ordem mundial”, o que significava unir-se aos EUA em sua pressão sobre as políticas nucleares do Irã, enquanto os brasileiros achavam que a posição dos EUA sobre o Irã era “hipócrita”. Finalmente, enquanto os participantes dos EUA olhavam a Venezuela de Chávez como “longe de ser democrática”, os brasileiros faziam eco à caracterização da Venezuela feita pelo presidente Lula: a de que o país sofre de “um excesso de democracia”.

Em janeiro de 2010, Susan Purcell, uma analista estadunidense conservadora, publicou no jornal Miami Herald uma crítica à política de seu país sobre o Brasil, a qual denominou de “pensamento ilusório”. Ela pode ter razão. Desde seu ponto de vista, “Washington precisa repensar suas suposições acerca do grau em que pode depender do Brasil para lidar com problemas políticos e de segurança na América Latina, de um modo que seja compatível com os interesses estadunidenses”. Também em janeiro, Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT, o partido de Lula, disse que a intenção estadunidense de constituir um G-20 era “uma tentativa de absorver e controlar os pólos alternativos de poder...uma tentativa de manter a multipolaridade sob controle”. Ele insistiu que, diante do conflito entre respaldar os interesses capitalistas no mundo como poder subimperial e apoiar “os interesses democrático-populares”, o Brasil terminaria assumindo esta segunda postura.

Dada a maior força da Europa Ocidental e do Japão, no início dos anos 70, os EUA lhes ofereceram o status de sócios menores. A França e a Alemanha optaram, em 2003, por prosseguir na direção de um papel mais independente no mundo. O Japão, em suas eleições nacionais de 2009 e na eleição municipal de 2010 na ilha de Okinawa (que teve a vitória de um político que se opõe à instalação de uma base norte-americana), parece optar pelo mesmo caminho. Dado o crescimento de sua força, ofereceram ao Brasil, em 2009, a condição de “sócio menor”. Parece que o país insistirá, quase de imediato, em manter um papel independente no mundo.

Tradução: Katarina Peixoto

Sábado

Que tal o primeiro ano do governo Obama?

The Nation, a principal publicação progressista norteamericana, submeteu o tema a várias pessoas. A pergunta era: Olhando para o primeiro ano do governo Obama, qual você considera que foi seu ponto mais alto? E qual seu momento de maior desapontamento?

Reproduzimos aqui duas dessas respostas, uma de Eduardo Galeano, outra do grande historiador norteamericano Howard Zinn, falecido há alguns dias, autor da principal história do povo dos EUA.

Galeano: “O mais poderoso prisioneiro do mundo”

O ponto mais alto foi a encarnação da luta contra o racismo, ainda vivo depois da longa luta pelos direitos civis e seu plano de reforma do sistema de saúde.

As maiores decepções:

- Guantanamo, uma desgraça universal.

- Afeganistão, um cálice envenenado, aceito e celebrado.

- Sua elevação do orçamento de guerra, ainda chamado, não se sabe por que, orçamento de defesa.

- Sua falta de resposta para a questão do clima e sua resposta subserviente para Wall Street, uma contradição capturada perfeitamente por um cartaz em manifestação popular na Conferência de Copenhagen: “Se o clima fosse um banco, já teria sido salvo”.

- Sua luz verde para os autores do golpe em Honduras, traindo as esperanças latinoamericanas por mudanças depois de um século e meio de golpes fabricados pelos norteamericanos contra a democracia em nome da democracia.

- Seus discursos recentes pregando a guerra, hinos dos futuros massacres pelo petróleo ou pela causa sagrada de governos extorsionistas, completamente divorciados dos discursos que o colocaram onde ele está agora.

Eu não sei. Talvez Barack Obama seja um prisioneiro. O mais poderoso prisioneiro do mundo. E talvez ele não se dê conta. Tanta gente está nas prisões.


Howard Zinn:

Eu estive procurando com dificuldade por algum momento alto. A única coisa que se parece um pouco a isso é sua retórica; eu não vejo nenhum momento alto nas suas ações e nas suas políticas.

Para falar de desapontamento, eu não fiquei terrivelmente desapontado porque eu não tinha muitas expectativas. Eu esperava que ele fosse um presidente democrata tradicional. Na política externa, isso é pouco diferente de um republicano – nacionalista, expansionista, imperial e belicista um tanto quanto o outro. Nesse sentido, não houve expectativa e não há desapontamento. Na política interna, os presidentes democratas tradicionalmente são mais reformistas, mais próximos dos sindicatos, mais dispostos a fazer aprovar leis favoráveis aos mais pobres – e isto é verdade para Obama. Mas as reformas democratas também sempre foram limitadas, cautas. E Obama não é exceção. Sobre o sistema de saúde, por exemplo, ele começou com um compromisso e quando você começa com um compromisso, termina com um compromisso do compromisso, que é onde estamos agora.

Eu considero que na área dos direitos constitucionais ele poderia er atuado melhor do que atuou. Esse é o maior desapontamento, porque Obama foi para a Faculdade de Direito de Harvard e é, supostamente, especialista em direitos constitucionais. Mas ele se tornou presidente e não está fazendo nenhum avanço significativo para além das políticas de Bush. Claro, ele continua falando de fechar Guantanamo, mas ele ainda trata os presos lá como “suspeitos de ser terroristas”. Eles não foram julgados e, portanto, não foram condenados. Então, quando o Obama se propõe a tirar gente de Guantánamo e colocá-los em outras prisões, ele não está avançando muito na causa dos direitos constitucional. E ele foi à Corte argumentando a favor das detenções preventivas ele está continuando a política de mandar suspeitos para países onde eles podem perfeitamente ser torturados.

Eu considero que o povo está fascinado pela retórica de Obama e que o povo precisa começar a entender que ele está se encaminhando para ser um presidente medíocre – o que significa, no nosso tempo, um presidente perigoso -, a menos que surja algum movimento nacional para pressioná-lo para uma direção melhor.

Pescado no Blog do Emir

Sexta-feira

Gauchão 40ºC

Que o futebol brasileiro foi submetido aos interesses da Rede Globo e suas afiliadas é uma triste realidade que a tempos todos os torcedores tem de conviver.Este ano o campeonato gaúcho, popularmente chamado de Gauchão, tem sentido na pele as dificuldades impostas pela sanha desenfreada das emissoras em ajustar o futebol aos seus interesses, independente da qualidade do "espetáculo" a ser exibido ou aos apelos dos torcedores.
O Rio Grande do Sul nas últimas semanas tem registrado ondas de calor que "nunca antes na história desse estado" havia ocorrido. Independente disso, a RBS, detentora dos direitos de transmissão das partidas, e mais preocupada em ajustar a exibição dos jogos a grade da programação, tem marcado os jogos em horários exdrúxulos: 11h, 16h30m, 17h.
Na última quarta-feira, quando o Grêmio entrou em campo no estádio Olímpico para uma partida contra o São Luiz de Ijuí, o calor chegou a impressionante marca de 41ºc. Clima impraticável para uma boa partida de futebol e pior ainda para o torcedor.
A coisa está tão absurda que nem mesmo os funcionários da RBS tem se safado, como mostra o vídeo abaixo onde o comentarista Batista sofre um desmaio ao vivo durante a exibição de uma partida na TVCom.






O Correio do Povo de hoje noticia que o Sindicato dos Atletas Profissionais do RS entrou com uma ação contra a Federação Gaúcha de Futebol com a intenção de alterar os horários das partidas. A resposta do presidente da Federação, Francisco Noveletto, foi bastante elucidativa sobre quem realmente está mandando no futebol gaúcho "A FGF não determina o horário dos jogos. Isso quem faz é a emissora de TV detentora dos direitos de transmissão. Todos os clubes assinaram contrato com a TV".
Desta forma, pelo visto, teremos que suportar partidas com estádios vazios, onde o torcedor foge do calor e partidas com baixo nível técnico, por conta exclusivamente dos interesses imediatistas da RBS.

Quarta-feira

Memorial do FSM: entre a demagogia e o descaso

Após um breve mas necessário descanso, voltamos a postar aqui no blog. Sem dúvida nestes últimos dias o grande fato relevante (sem alusão aos factóides da Yeda) aqui na aldeia foi o Fórum Social Mundial da grande Porto Alegre.
Foram muita atividades que ocorreram de forma descentralizada e que envolveram um bom número de participantes. Mas não pretendo aqui fazer uma analise pormenorizada deste FSM, ou ainda do processo como um todo, tarefa que posteriormente comentaremos por aqui, mas sim uma notícia correlata que me chamou muito a atenção: o anúncio feito pelo prefeito-preguiça Fogaça de que iriam construir um Memorial do Fórum Social Mundial na capital.
O "cheiro" de oportunismo político que exala deste anúncio é inquestionável. Primeiro, é bom lembrar que Porto Alegre já teve um Memorial do Fórum Social Mundial, criado pelo governo Olívio Dutra (PT) e que estava montado nas dependências do Memorial do Rio Grande do Sul, na antiga sede central dos Correio, no centro de Porto Alegre. E que foi desmontado de forma arbitrária pelo ex-governador Rigotto (PMDB).
No memorial constava um valioso acervo histórico, com mais de 80 horas de gravações em vídeo das diversas atividades e conferências como as do Augusto Boal, José Lutzemberger, Frei Beto, Daniella Miterrand e etc. Além de testemunhos de personagens marcantes do FSM como João Pedro Stédile e José Bové e uma ampla documentação.
Mas o descaso com o FSM não acaba por aí, como pode ser testemunhado no Parque Marinha do Brasil, onde o mosaico de pedras (um dos símbolos do FSM) está totalmente depredado e sem cuidados.
Como bem colocou o deputado Raul Pont (PT) “O FSM é um só. Aqueles documentos que estavam lá, da prefeitura e do governo estadual, precisam ser recuperados. Um Memorial é feito exatamente para que as pessoas não percam a memória. Antes de fazer proselitismo, o prefeito deveria procurar explicações no seu próprio partido sobre a liquidação do Memorial que já existia e não se fazer de esquecido”.
Parece evidente que o prefeito/candidato não fará qualquer espécie de autocrítica sobre o que o seu governo municipal e o de seu partido no estado fizeram ou deixaram de fazer com o legado do FSM. Ficando o registro de mais uma demagogia desta direita pseudo-centrista que tenta, de todas as formas possíveis, se instalar novamente no Palácio Piratini, inclusive reconhecer publicamente valor  ao FSM, quando na prática o atacam cotidianamente.

PF faz operação contra fraudes envolvendo área da saúde na Prefeitura de Porto Alegre






O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quarta-feira, 20 de janeiro, a Operação Pathos.

Em 2007, o Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre fez uma representação ao MPF apontando irregularidades na terceirização de serviços de saúde da prefeitura gaúcha, governada por José Fogaça (PMDB/RS).


Segundo o MPF, embora as verbas repassadas a uma OSIP (organização da sociedade civil de interesse público) destinadas ao Programa Saúde da Família – grande parte delas oriundas do Fundo Nacional da Saúde – devessem ser empregadas exclusivamente em ações voltadas para a qualificação da atenção primária à saúde, os investigados teriam se apropriado de parcela considerável dos recursos.

O desvio, em geral, era feito por meio de prestações fictícias de serviços, a maioria deles estranhos à área da saúde e não comprovados por documentos. Entre eles, estão trabalhos de advocacia, consultoria, planejamento, auditoria, assessoria, marketing, propaganda, palestras e materiais para escritório, inclusive com emissão de notas fiscais falsas.

Há indícios de prejuízo superior a R$ 9 milhões aos cofres públicos municipal e federal.

De acordo com as investigações realizadas até o momento, a organização criminosa seria composta por empresários e agentes públicos associados para praticar crimes contra a administração pública, como peculato doloso e culposo, emprego irregular de verbas públicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Neste contexto, acolhendo representação do MPF, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região expediu 30 mandados de busca e apreensão contra 25 alvos situados em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Sorocaba (SP), Santo André (SP), Tatuí (SP), Votorantim (SP) e Recife (PE). O objetivo principal é colher provas que confirmem os indícios já apurados.

Pathos - A operação ganhou o nome de Pathos porque, em concepção moderna e simplificada, a palavra significa doença. Paralelamente, na filosofia grega, Pathos é sinônimo de espanto, passividade e sofrimento, conceitos que descrevem fielmente o sentimento da sociedade perante crimes que lesam de forma repetitiva uma de suas faces mais frágeis, a saúde pública. Leia mais aqui.

O homem da Operação Condor



PF detém coronel ativo na Operação Condor

Da Folha



Por ordem do STF, uruguaio deve ser extraditado à Argentina, onde responderá por crime cometido durante ditadura do país vizinho

Transferência de militar, no entanto, foi suspensa por razões médicas; Manuel Cordero trabalhou em centro de detenção clandestino

GRACILIANO ROCHA

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

A Polícia Federal deteve ontem no Rio Grande do Sul o coronel reformado uruguaio Manuel Cordero, 71, para cumprir ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) de extraditá-lo para a Argentina, onde ele responderá a acusações de crimes cometidos durante a ditadura do país vizinho (1976-1983).

A transferência de Cordero para a Argentina, entretanto, foi suspensa por razões médicas. Após a detenção, ele foi hospitalizado alegando problemas cardíacos em Santana do Livramento (489 km de Porto Alegre), onde vive desde 2004.

A operação montada pela PF coincide com a elevação da temperatura do debate sobre a apuração de crimes praticados durante a ditadura brasileira.

O STF acolheu o pedido de extradição de Cordero em agosto de 2009, mas o acórdão só foi publicado em dezembro.

Cordero deverá responder criminalmente pelo sequestro de um bebê com 20 dias de vida, filho de uma militante detida ilegalmente durante a ditadura. Ele também é suspeito de participação no desaparecimento de 11 esquerdistas em 1976.

Ex-integrante do Ocoa (Organismo Coordenador de Operações Antissubversivas, equivalente uruguaio do DOI-Codi brasileiro), Cordero trabalhou na Automotores Orletti, um centro de detenção clandestina em Buenos Aires nos anos 70.

O local, conhecido pela prática de tortura e assassinato de uruguaios exilados, é um símbolo da Operação Condor, parceria entre os órgãos de repressão das ditaduras do Cone Sul.

A estratégia da defesa é evitar que ele deixe o Brasil. “Quando pediram sua extradição em 2005, ele era beneficiado por um indulto concedido em 1989 pelo [ex-presidente argentino Carlos] Menem. Além disso, a Lei da Anistia brasileira também o beneficia”, disse o advogado Julio Martin Favero.

Organizações comemoraram a detenção. “Com a extradição, o Brasil diz que esses crimes são abomináveis e devem ser punidos”, disse Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Terça-feira

Ronaldinho Gaúcho é o Muhammad Ali do futebol

Recomendo a leitura deste bom texto do Carpinejar sobre a volta do bom futebol do Ronaldinho Gaúcho e, principalmente, a urgência do Dunga chamar ele de volta para a seleção, afinal antes um Ronaldinho reencontrando o bom futebol do que um Robinho que está a quase um ano sem marcar um golzinho sequer pelo seu clube. Afinal, como bem lembra Carpinejar citando o indefectível Analista de Bagé 'Más vale ser um touro broxa que um boi tesudo'.




Fabrício Carpinejar


Não vi Garrincha jogar, o máximo que vi foi Maradona.

Não sofro de nostalgia por que existe Ronaldinho Gaúcho.

Não tenho nenhum receio de percorrer os dentes tortos do terço: rezo para que seja chamado para a Seleção.

Copa do Mundo sem ele é Copa das Confederações.

Mauricio de Sousa concordará comigo. Já tem um título mundial (2002), merece confiança, um time que o respeite e que não solte muxoxos no primeiro passe errado.

É um desperdício deixá-lo fora. Um atentado à plasticidade poética do esporte. Não é um jogador comum, é sobrenatural no lançamento. O mais perfeito driblador que surgiu nas últimas duas décadas. É desconcertante com seu elástico, com uma ambivalência esquisita e carismática. Propõe arrancadas febris, tabelas fulminantes e faltas espíritas. Torna o feio bonito, torna o desvio exultante, torna uma entrada dura em salto de balé.

Um cabeleireiro do abismo. Um Edward pés de tesoura. Corta os cabelos da bola enquanto outros cortam somente a grama. Transforma o difícil em fácil e o fácil em difícil.

Ronaldinho não é veterano, tem somente 29 anos, e parece tão antigo.

Seu ostracismo começou com a derrota brasileira na Copa de 2006. Era a estrela indiscutível, o melhor do mundo nos dois anos anteriores (2004 e 2005), o astro de uma equipe de veteranos. Sentiu o fracasso na mandíbula diante da França de Zidane. É como retornar de uma tragédia aérea, de um navio afundado.

Não foi a musculação que apagou seu futebol, não foi a boemia, só uma coisa o atingiu: trauma.

Desde então, não recuperou seus melhores momentos do Barcelona. Perdeu a desenvoltura. Ficou inseguro, com passes curtos, querendo logo se livrar da responsabilidade. Brigou com técnico. Assistiu a ascensão de Messi. Saiu do time. Partiu para o Milan. Foram quatro anos de desterro. A Copa que o matou é a única capaz de ressuscitá-lo. Qualquer filme B conhece esse roteiro. Dunga não pode desprezar os sinais. Lembra Romário na Copa de 94? Pois ele foi convocado na última hora e deu o que deu.

Analista de Bagé deveria pegar o caso. Colocaria o guri no pelego e avisaria: "Más vale ser um touro broxa que boi tesudo". E estaria resolvido.

Ronaldinho é selecionável de qualquer jeito. Não porque recuperou a forma e marcou três gols no domingo (17/1) na partida do Milan contra o Siena, não porque é o vice-artilheiro do Italiano, não porque voltou a jogar caindo pela esquerda por lucidez do treinador Leonardo. É obrigatória sua convocação simplesmente porque é Ronaldinho Gaúcho. Pode ser imitado pela bandana, mas é impossível um copista de sua arte.

O sublime é a insistência do dom. Ele tem a centelha perturbadora da vocação. O desequilíbrio da movimentação, talvez porque ele drible a si mesmo antes do oponente. Sei lá direito o que significa e como acontece. Alguns jogadores provocam admiração, ele produz o calafrio. Um suspiro emendado, interminável. O goleiro inglês Seaman da Inglaterra entende disso. Algo que supera a compreensão, que não é aplicável como regra.

Ele tem que ir para a África mesmo que fique no banco. É o Muhammad Ali do futebol. "Ronaldinho, bomaye!". Ninguém acredita que ele pode ressurgir, então ele exuberará seu talento, não terá aquela pressão asfixiante do Galvão Bueno dizendo que ele é o máximo.

O craque está de novo na periferia, do mesmo jeito discreto que começou com a camisa amarela, numa jogada espetacular contra a Venezuela aos 19 anos quando o público havia esquecido o que era toque de gênio (completou um chapéu no zagueiro e arrematou forte no canto).

Faltam menos de um mês para a convocação. Ronaldinho é o único nome certo que vejo na lista.

Segunda-feira

A ultima escrotice de Lasier Martins

Até quando essa gente medíocre, burra e reacionária vai continuar posando de porta-voz “dos interesses da população gaúcha”? A impostura é generalizada, aliando ignorância e má fé. Nos últimos anos, o sr. Lasier Martins transformou-se num dos principais ícones desta impostura. No dia 14 de janeiro, em seu comentário no Jornal do Almoço, a voz da RBS se superou: criticou a ajuda humanitária do governo brasileiro ao Haiti e inventou uma fala de Lula que nunca existiu (o presidente teria proposto vistas grossas para as obras da Copa; veja aqui o que, de fato, Lula disse). E tudo fica por isso mesmo. É o mesmo jornalista que minutos depois estará fazendo eloqüentes discursos contra a impunidade no Brasil, eloqüência esta que não se repete quando se trata dos escândalos de corrupção no Rio Grande do Sul. E a impunidade deste tipo de impostura, quem combate?





Texto: RS Urgente

Sexta-feira

Bêbada, Lucia Hippolito tenta criticar Lula ao vivo na rádio CBN

A comentarista de política da CBN, Lucia Hippolito,tentou fazer criticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), durante o programa de quarta-feira, 13, teve de ser interrompida pelo apresentador Roberto Nonato, por, segundo ela, seu telefone estava "piscando".A voz parece de uma pessoa bêbada.Veja o vídeo


EUA já têm 13 bases militares em torno da Venezuela




A Venezuela e sua Revolução Bolivariana estão rodeadas hoje por nada menos do que 13 bases estadunidenses na Colômbia, Panamá, Aruba e Curazao, assim como pelos porta-aviões e navios de guerra da IV Frota. Em outubro, o presidente conservador do Panamá, Ricardo Martinelli, admite que cedeu aos EUA o uso de quatro novas bases militares. O presidente Barack Obama parece ter deixado o Pentágono de mãos livres neste tema. E o presidente venezuelano Hugo Chávez denuncia que está sendo tramada uma agressão contra o país.
Artigo de Ignacio Ramonet que pode ser conferido na íntegra acessando aqui

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Foto: Cartier-Bresson