Terça-feira

DCE da UFRGS: um troféu para elite


Miguel Idiart Gomes

O resultado das eleições de 2009 para o DCE da Ufrgs gerou um troféu para elite. No movimento estudantil sempre houve o debate sobre a partidarização e o aparelhamento das entidades estundantis. Nesta discussão, muitas vezes hipócrita, desgastaram-se gestões e desmobilizou a base. É sabido que estamos vivenciando uma nova etapa de lutas e formas de organização, mas não podemos deixar de mencionar que a maioria da militância estudantil está ligada a partidos políticos e isso não é ruim, pelo contrário, demonstra a liberdade do pensamento e de posicionamento e fortalece a democracia.

A ideia de grupos conservadores como a RBS e partidos tradicionais de direita sustenta um discurso baseado na despolitização, ou seja, tenta desvincular o DCE das lutas gerais que estão permanentemente em disputa na sociedade.

É assustador presenciarmos numa universidade pública o crescimento do discurso da direita da ideologia do anti-esquerdismo, também trabalhado várias vezes pelo Psol, como anti-petismo.
O papel da zh neste episódio ficará registrado na história do movimento estudantil, pois sempre foi destacado pela colunista política somente os encontros das juventudes partidárias de direita, as novas composições e lançamento de candidaturas com direito a fotos.

Hoje a matéria da página 08 da zh estampava o título: Guinada à direita – Esquerda perde hegemonia no DCE. Em Cadernos do Cárcere, Gramsci coloca que as práticas de construção e manutenção da hegemonia das classes dominantes, a importância das questões ligadas à direção cultural e moral que essas classes imprimem ao todo social. Esse estudo engloba as estruturas do Estado, enriquecendo-se com um novo conceito: o de aparelhos de hegemonia.

Para conquistar a hegemonia é necessário que a classe fundamental se apresente às demais como aquela que representa e atende aos interesses e valores de toda sociedade, obtendo o consentimento voluntário e a anuência espontânea, garantindo assim, a unidade do bloco social que, embora não seja homogêneo, se mantém, predominantemente articulado e coeso. Significando que a classe hegemônica deve ser capaz de converter-se em classe nacional, no caso estudantil capaz de envolver todos os estudantes em um mesmo projeto histórico e, capaz de assumir, como suas, as reivindicações das classes aliadas, devendo ficar bem claro, a incompatibilidade existente entre hegemonia e corporativismo.

Nesse sentido, o desenvolvimento da contra-hegemonia será necessário para desenvolver uma nova cultura no movimento estudantil, representado por lideranças de esquerda, em oposição à hegemonia da direita. Para isso a conscientização de que a superestrutura, tanto no campo dos valores e normas, como na visão de mundo, é o terreno da disputa, pois é na "arena da consciência" que as elites utilizam os seus intelectuais orgânicos para manter a dominação.

*Direção da JPT, ex-presidente do grêmio estudantil do Julinho, ex-vice-sul da UBES e ex-presidente do CASTA PUCRS.

Sexta-feira

Os filhos ocultos de FHC


Essa semana venho a público, ainda que com descreta cobertura pela mídia empresarial, mais um filho de FHC. Com isso, já são dois os filhos não reconhecidos e acobertados por ele.
O blog Amigos do Presidente Lula traz uma série de post, reproduzidos abaixo, onde se desvelam a intricada trama que envolve FHC e seu ímpeto reprodutor. Possívelmente novas e estarrecedoras cenas envolvendo sexo, mentiras e dinheiro virão atona nos próximos dias. Engraçado nisso tudo é que os mesmos comentaristas e humoristas que se escandalizavam com o Lugo silenciem agora para o "faról de Alexandria".
Luciana Cardoso, filha de FHC, funcionária fantasma do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), quando foi descoberta disse que o "Senado é uma bagunça". Realmente. A coisa virou bagunça mesmo.Pelo visto, há mais dois funcionários fantasmas, pagos com dinheiro público


Claudio Humberto, o homem do bigodinho ridiculo, sempre soube que o chefe Fernando Henrique Cardoso era o pai do Thomas, com a jornalista da Globo, a Mirian Dutra. Ficou em silêncio por longos dezoito anos.

Eis que, no momento que a jornalista da Folha, Mônica Bergamo, saiu com a notícia de que, estaria nos planos de FHC reconhecer o filho com a ex global, o ex assessor,do ex presidente, torna público, mais um filho, o Leonardo, de 20, com a ex cozinheira, Maria Helena Pereira. Estranho, essa divulgação. Claudio Humberto, é tido nos meios políticos como o cachorrinho de FHC. Ou seja, o ex presidente puxa a coleira para onde quer

Sei lá,viu. Tem alguma coisa podre no ar! Com qual interesse o tucanato está soltando essas notas?... Uma coisa é certa. Entre uma privatização e outra, Fernando Henrique fazia um filho.Justiça seja feita, pelo menos, esse filho ele nunca escondeu. FHC, disse algumas vezes que era mulatinho e tinha um pé na cozinha.


Se FHC trata publicamente em seu instituto sobre seu perfil familiar, é porque ele mesmo considera relevante ao interesse público constar em sua biografia.

E quando publica, em qualquer circunstância, teria a obrigação moral perante à nação de publicar a verdade.

Omitir é uma coisa, mentir é outra coisa mais grave.


Da coluna de Claudio Humberto nesta sexta (20):

Dinheiro enviado por FHC


Dos R$ 250 mil prometidos pelo então senador Fernando Henrique Cardoso à ex-empregada Maria Helena Pereira, mãe do seu filho Leonardo, somente R$ 30 mil chegaram às mãos dela de uma vez e cerca de R$ 100 mil em parcelas mensais no valor médio de R$ 6 mil. O dinheiro foi repassado a Maria Helena pelo então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), transformado em fiel depositário do segredo.


Emprego no Senado


A pedido de FHC, Maria Helena foi nomeada auxiliar de copa no gabinete de Ney Suassuna, após ser demitida por d. Ruth Cardoso.


Coisa de ‘petista’


Ney Suassuna reagiu irritado, ontem. Diz não conhecer “essa mulher”, sua ex-copeira durante anos, e que nossa fonte “só pode ser petista”.


Conexão Paraíba


A copeira Maria Helena foi “herdada” pelo ex-senador José Maranhão, governador da Paraíba, e depois pelo suplente, Roberto Cavalcanti.


FHC escondendo


O resumo da vida do ex-presidente, no site do Instituto FHC, informa que ele teve três filhos com Ruth Cardoso. Omitiu pelo menos dois.

Quarta-feira

Nova campanha contra a maior Droga do RS


Sexta-feira

Copenhague: Seattle amadurece



Naomi Klein

Dias atrás recebi uma cópia pré-publicação do livro The Battle of the Story of the Battle of Seattle (A batalha da história da batalha de Seattle), de David Solnit e Rebecca Solnit.
O livro sai 10 anos depois que uma coalizão histórica de ativistas encerrou a reunião de cúpula da Organização Mundial de Comércio em Seattle, a faísca que iniciou um movimento global anticorporativo.
O livro é um relato fascinante do que realmente aconteceu em Seattle, mas quando falei com David Solnit, o guru da ação direta que ajudou a planejar a interrupção, descobri que ele estava menos interessado em relembrar 1999 do que em falar sobre a iminente reunião de cúpula da ONU sobre a mudança climática em Copenhague (de 7 a 18 de dezembro) e as ações da "justiça climática" que ele está ajudando a organizar por todos os Estados Unidos em 30 de novembro.
"Definitivamente, este é um momento como o de Seattle", disse Solnit. "As pessoas estão prontas para entrar em ação".
Há uma qualidade de Seattle na mobilização de Copenhague: a enorme gama de grupos, as diversas táticas expostas e os governos dos países em desenvolvimento prontos para trazer demandas ativistas para a reunião de cúpula.
Mas Copenhague não é apenas uma repetição de Seattle. É como se as placas tectônicas progressivas estivessem se movendo, criando um movimento que se baseia nas forças de uma era anterior, mas que também aprende com os seus erros.
A grande crítica do movimento que a mídia insistiu em chamar de "antiglobalização" sempre foi de que tinha uma lista de reclamações e poucas alternativas concretas.
Em contrapartida, o movimento que converge para Copenhague está ligado a uma única questão - mudança climática - mas ele reúne um relato coerente sobre a sua causa e suas curas que incorpora praticamente todas as questões sobre o planeta.
Neste relato, nosso clima está mudando não apenas por causa de práticas poluentes específicas, mas também por causa da lógica subjacente do capitalismo, que valoriza o lucro a curto prazo e o crescimento contínuo acima de tudo.
Nossos governos querem que acreditemos que a mesma lógica pode ser utilizada agora para resolver a crise climática - criando uma mercadoria comercializável chamada "carbono" e transformando florestas e terras cultiváveis em "bacias" que supostamente compensariam nossas emissões descontroladas.
Os ativistas da justiça climática em Copenhague argumentarão que, longe de solucionar a crise climática, o comércio de carbono representa uma privatização sem precedentes da atmosfera, e que aquelas compensações e bacias ameaçam se tornar um rapto de recursos de proporções coloniais.
Não apenas estas "soluções baseadas no mercado" falham em resolver a crise climática, como elas também aprofundarão a pobreza e a desigualdade de forma catastrófica - porque as pessoas mais vulneráveis e mais pobres são as primeiras vítimas da mudança climática, bem como as primeiras cobaias para estes planos de comércio de emissões.
Mas os ativistas em Copenhague não vão simplesmente dizer não a tudo isso. Eles promoverão soluções que, simultaneamente, reduzem as emissões e reduzem a desigualdade.
Ao contrário de reuniões de cúpula anteriores, onde as alternativas pareciam reflexões tardias, em Copenhague as alternativas assumirão uma posição de destaque.
Por exemplo, a coalizão de ação direta Climate Justice Action (Ação de Justiça Climática) convocou todos os ativistas a atacar o centro de convenções, no dia 16 de dezembro.
Muitos farão isto como parte do "bloco da bicicleta", pedalando juntos em uma ainda não revelada "irresistível nova máquina de resistência" feita de centenas de bicicletas velhas.
O objetivo da ação não é encerrar a cúpula, ao estilo de Seattle, mas abri-la, transformando-a em "um espaço para falar sobre a NOSSA pauta, uma pauta vinda da base, uma pauta de justiça climática, de soluções reais contra as suas soluções falsas.Este dia será nosso".
Algumas das soluções oferecidas pelo lado ativista são as mesmas que o movimento de justiça global defende há anos: agricultura local e sustentável; projetos de energia menores e descentralizados; respeito pelos direitos das terras indígenas; deixar os combustíveis fósseis no solo; aliviar a proteção à propriedade intelectual para tecnologia ecológica; e pagar por estas transformações taxando transações financeiras e cancelando dívidas externas.
Algumas soluções são novas, como a exigência crescente para que os países ricos paguem indenizações de "dívida climática" aos países pobres. Estas são exigências absurdas, mas todos nós acabamos de ver o tipo de recursos que nossos governos podem mobilizar para salvar as elites.
Como um slogan pré-Copenhague coloca: "Se o clima fosse um banco, teria sido salvo" - não deixado à mercê da brutalidade do mercado.
Além do relato coerente e do foco em alternativas, muitas outras mudanças estão por vir, incluindo uma abordagem mais ponderada à ação direta, uma que reconheça a urgência de fazer mais do que apenas falar, mas que esteja determinada em não fazer o jogo dos roteiros cansados de policiais-contra-manifestantes.
"Nossa ação é de desobediência civil", dizem os organizadores da ação de 16 de dezembro. "Superaremos quaisquer barreiras físicas que estiverem no nosso caminho - mas não responderemos com violência se a polícia (tentar) agravar a situação". (Dito isso, não há como a cúpula de duas semanas não incluir alguns tumultos entre policiais e garotos vestidos de preto; afinal de contas, esta é a Europa.)
Uma década atrás, em um editorial publicado pelo The New York Times depois que Seattle foi encerrada, escrevi que um novo movimento defendendo uma forma radicalmente diferente de globalização "acabava de ter sua festa de lançamento".
Qual será a importância de Copenhague? Coloquei esta questão para John Jordan, cuja previsão do que acabou acontecendo em Seattle citei em meu livro No Logo (Sem logo).
Ele respondeu: "se Seattle foi a festa de lançamento do movimento dos movimentos, então talvez Copenhague seja uma celebração do nosso amadurecimento".
No entanto, ele avisa que crescer não significa deixar de se arriscar, evitando a desobediência civil em favor de reuniões tranquilas.
"Espero que tenhamos nos tornado ainda mais desobedientes", disse Jordan, "pois a vida neste nosso mundo pode acabar sendo extinta por causa de muitos atos de obediência".

*Naomi Klein, colunista do The Nation e The Guardian em Londres, é autora de The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.

Esta coluna foi publicada originalmente no The Nation.

Quinta-feira

Caminhada contra o Ato Médico


Quarta-feira

O "apagão" da informação no Jornal da Globo


Quem teve a (in)felicidade de assistir ao Jornal da Globo de ontem a noite pode presenciar a um verdadeiro "apagão" jornalistico naquele programa.

Um blecaute que atingiu diversas regiões do país, devido a problemas na transmissão de energia de Itaipu que aconteceram no PR e em SP e que acabaram por afetar a 10 estados. Uma situação realmente inesperada e que causou transtornos e dificuldades imprevistas para muitos brasileiros. Foi tão imprevisto que acabou com o Jornal da Globo.

A dupla de ancoras do Jornal da Globo, Cristiane Pelajo e William Waack, se superaram na noite de ontem. Demonstrando que, na falta do telepronter a coisa complica muito para o lado deles.

Foram tantos erros e trapalhadas cometidos ao vivo, tanto pelos ancoras como pelos jornalistas que estavam cobrindo o “apagão”, que seria até um pouco pedante enumerar todos os erros, mas que vão desde derrapadas gramaticais até informações contraditórias dentro do mesmo jornal. Com o programa tendo a sua cobertura ao vivo, não houve o mínimo de sincronia entre os jornalistas da Globo. Os erros e informações desnecessárias foram abundantes. As imagens da escuridão de algumas regiões afetas foi algo de um "dinamismo" jornalistico impressionante.

Mas o que mais chamou a atenção foi o descontrole evidenciado nas entrevistas realizadas ao vivo com autoridades do governo. Tanto a Cristiane Pelajo quanto o William Waack a todo o instante tentavam achar algum elemento que pudesse emputar alguma responsabilização ao governo pelo incidente ocorrido. Chegando muitas vezes a serem agressivos e deselegantes com os entrevistados.

Para azar deles, não houve como jogar a culpa no Governo Federal, afinal, o controle climático ainda não está nas competências administrativas do Governo. Por tanto, não dará para colocar o Jabor dizendo que tudo é “culpa do PT” e que a melhor solução é entregar Itaiipu e Furnas para a iniciativa privada. Dessa vez não vai dar!

Segunda-feira

RBS assume o papel de partido da direita e lança Fogaça candidato


Na edição desta segunda-feira (09/11) o jornal Zero Hora resolveu “calçar as chuteiras e entrar em campo” na disputa sucessória ao governo do estado de 2010.

Assumiu para si o papel de definir quem será o candidato do PMDB, retirando desta legenda a função que deveria ser dela própria e lançou o Fogaça como candidato. A forma escolhida para fazer este “lançamento” do seu ex-funcionário e atual prefeito de Porto Alegre foi um encontro da Juventude do PMDB, onde durante o evento ocorreram manifestações do plenário “lançando o Fogaça” como candidato.

O destaque dado pelo jornal a este encontro da JPMDB(e ao Prefeito/candidato Fogaça) é no mínimo desproporcional e mostra um tratamento diferenciado deste veículo de comunicação com outras siglas. Não houve, nos últimos anos, uma cobertura tão ampla da ZH com relação a um encontro de juventudes partidárias. Foi destinada uma matéria de quase uma página com direito a chamada principal e foto de destaque (reproduzida acima) além de uma ampla repercussão na Página 10. Em geral, este veículo tradicionalmente não oferta espaço algum para encontros e atividades deste caráter. No máximo reserva uma notinha de canto de página. Se for de um partido de esquerda, nem isso.

Outro elemento que desvela a “malandragem” da ZH é que esse encontro, além de não ser o fórum que deliberaria sobre a candidatura do PMDB, o fato em si não foi o centro do encontro. Se alguém tem alguma dúvida, basta verificar os outros jornais diários de POA para verificar que nenhum faz menção ao “lançamento do Fogaça”.

O que demonstra cabalmente a manobra da RBS, que diante de um PMDB fragmentado entre as disputas do Padilha e Simon, sem política alguma para o RS e com dois candidatos (o que na prática é nenhum) resolveu “parir a fórceps” a candidatura do Fogaça.

Essa decisão se dá diante de uma conjuntura incerta, em que seus interesses estão em jogo. Com o fato dado de que a reeleição da Yeda não tem a menor viabilidade e que uma “terceira via” com o Beto Albuquerque possui chances reduzidas de emplacar, a opção por apoiar Fogaça não chega a ser surpreendente. O que surpreende (ou não) e merece uma analise mais crítica é a antecipação do “anúncio” desta opção.

O que realmente importa nestas matérias de hoje da ZH é que talvez estejamos presenciando o “tom” que se dará a cobertura da RBS nos próximos meses. Não se surpreendam com a freqüência com que matérias como esta irão pipocar. Como que em “passe de mágica”, um Prefeito apagado como o Fogaça irá freqüentar os noticiários com recorrentes aparições positivas, construindo uma imagem que o viabilize como candidato.

Isso só ocorre devido a própria RBS já se atentar para que sem a sua participação ativa na campanha, ela não conseguirá manter um candidato alinhado aos seus interesses, haja visto a desenvoltura e o crescimento que se verificam na candidatura de Tarso Genro. Os próximos meses, ao que tudo indica, deverão ser de uma cobertura cada vez mais parcial e distorcida da realidade gaúcha por parte do grupo RBS, o que não chega a ser uma novidade.

Sábado

Lula responde a FHC e Caetano

O Presidente participou na noite desta sexta-feira,do 12º Congresso do PCdoB. Lula usou parte do tempo de sua fala para rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).




Lula disse:"Nós não temos a sapiência dos sociólogos. Essa semana fui chamado de analfabeto, de ditador, e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Eu compreendo o ódio, o intelectual que está assistindo um operário que só tem o quarto ano primário - e não tenho vergonha de dizer - ganhar tudo o que ele imaginava que pudesse ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil. É muito engraçado, tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de estudo que você tem, não tem nada mais burro que isso", - Tem muita gente que acha que inteligência está ligada à universidade. Isso é burro. A universidade não dá nada disso. A política é uma ciência que exige muito mais inteligência. De qualquer forma, a vida é assim. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura - disse Lula, que em seguida ironizou quem o chamou de analfabeto.disse o Presidente, fazendo referência também a Caetano Veloso, que o chamou de "analfabeto" em uma entrevista.

O PSDB usa métodos semelhantes aos de Hitler no nazismo.

- Eu peguei duas manchetes de jornais hoje e não sei de qual jornal. Uma dizia: "Contra Lula, o PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste" (da "Folha de S. Paulo"). Ou seja, é um pouco o que o Hitler dizia para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam - afirmou Lula.

Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação. Vamos terminar nosso governo com 14 novas universidades federais. Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. Sei que isso é intragável. O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar - disse Lula.

Depois de voltar a repetir que "rei morto, rei posto", Lula disse que como vai deixar o governo em breve para Dilma Rousseff, "depois então talvez eu, que só tenho o quarto ano primário, quem sabe eu possa fazer o Pro-Une agora".

No início de seu discurso para os milhares de militantes do PCdoB reunidos no congresso nacional, o presidente brincou com a ministra Dilma, ao seu lado.

- A Dilma está doida para ficar no meu lugar - brincou Lula, mas depois falou sério.

- Dilma é quem vai poder conseguir dar continuidade ao nosso projeto - .

Repercutiu

"Achei realmente deselegante, para dizer o mínimo, o fato de o cantor ter chamado o presidente Lula de analfabeto, coisa que ele não é", afirmou o escritor Ricardo Lísias.

Além de sair em defesa de Lula, Ricardo Lísias criticou Fernando Henrique Cardoso. "Não concordo que ter FHC e depois Lula é algo bom. Eu acho FHC uma figura ornamental, um sujeito que se orgulha de falar inglês e francês, de ter doutorado, de ser professor da USP e que simplesmente fez um governo que só favoreceu a classe economicamente dominante. Tenho extrema antipatia por essa oligarquia de doutorado, que acha que sabe falar, o pessoal fino de Higienópolis."

"O leão(Caetano) está banguela, rugindo lugares comuns", opinou o ator Pascoal da Conceição.

Sexta-feira

Caetano destila preconceitos contra Lula em entrevista


Como esperado, houveram repercuções contrárias às declarações do cantor Caetano Veloso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicadas ontem pelo Estado.

Em entrevista à jornalista Sonia Racy, Caetano anunciou sua opção pela candidatura da ex-petista Marina Silva e ofendeu o presidente Lula classificando-o como "analfabeto", "cafona" e "grosseiro". Em Londres, a assessoria de Lula disse ontem que o governo não vai se pronunciar sobre as declarações de Caetano.
"Não posso deixar de votar nela", disse o cantor. "Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro", disse Caetano na entrevista.

Nessa entrevista, o Caetano deu mais uma prova de que não apenas o talento musical já o abandonou, mas também o senso de ridiculo! Em uma frase que combina preconceito com uma visão eminentemente elitista, não chega a ser uma novidade no repertório "frasistico" do cantor.

Já faz algum tempo que ele causa mais repercução pelas frases e declarações "polêmicas" do que pela sua música, que já há tempos passa por uma falta dae criatividade e talento de outros tempos.

O blog Amigos do Presidente Lula noticia uma informação que ajuda a explicar essa "indignação" do Caetano contra Lula, ao qual reproduzo abaixo:


Caetano Veloso, já era. Não vende mais CDs como antes, muito menos lota casas de shows onde tem se apresentado. Para repercutir na mídia a propaganda de seu show Zii e Zie, no Citibank Hall em São Paulo, Caetano partiu para o ataque a Lula. Sobre as mudanças propostas na Lei Rouanet, Caetano se esquiva: " Eu sou daquelas moças... não estudei direito", diz (Aqui)
Na verdade, ele está magoado com o ministro da cultura Juca Ferreira
"Sinceramente, nunca pensei a Lei Rouanet do ponto de vista da música popular. Sempre considerei o negócio da música muito bem-sucedido no Brasil. Não parecia precisar de incentivos maiores do que os que já tinha.."
As palavras são de Caetano Veloso, numa entrevista para uma revista, pouco antes de tentar mamar nas tetas do governo federal
Ele, no entanto, alguns meses depois, tentou se beneficiar da própria Lei Rouanet.Produtores do cantor apresentaram um projeto no ministério da Cultura, para captar dinheiro para o "Tour Caetano Veloso", no valor de R$ 2 milhões, para seus shows e gravação de CD "Zii e Zie", o mesmo nome do show que está hoje em cartaz em S.Paulo.
Na época, a comissão que analisa as propostas negou autorização para captação do dinheiro por entender que o projeto não precisa de incentivo por ser comercialmente viável.Ou seja, Caetano Veloso, está bravo. Não pode sugar as tetas do governo federal.

Humor

Autor: Santiago

Quinta-feira

América do Sul à beira do futuro


Depois de uma década à esquerda, a América do Sul está entrando numa zona de forte turbulência. Neste final de 2009, o Uruguai pode eleger para presidente da República, um homem do povo e ex-guerrilheiro tupamaro, e o Chile talvez eleja um bilionário arrogante e de direita, que lembra muito o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi. Estamos há menos de um ano da reeleição dos presidentes da Bolívia e do Equador que se propõem mudar radicalmente a estrutura do Estado e da propriedade dos seus países, com objetivos socialistas, mas sem ruptura revolucionária. Em 2010, haverá eleições na Colômbia e no Brasil, e em 2011, no Peru e na Argentina.

Durante esta primeira década do século, as mudanças no continente foram apoiadas pela expansão econômica mundial, que também estimulou o projeto de integração América do Sul. Mas a crise financeira de 2008 provocou uma desaceleração do crescimento e do próprio projeto de integração econômica. E o projeto de integração política foi atingido em cheio pelo novo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, que autoriza o uso do território colombiano por forças militares norte-americanas, de onde poderão controlar o espaço aéreo da Venezuela, e de toda a América do Sul. Por isso, não é exagero dizer que o futuro da América do Sul, na primeira metade do século XXI, pode estar sendo decidido nestes próximos dois anos. E já é possível mapear as grandes disjuntivas e escolhas que estão no horizonte do continente sul-americano.

Em primeiro lugar, do ponto de vista econômico, o que se deve esperar para depois da crise é um aumento da pressão dos mercados internacionais e o aprofundamento da condição periférica e primário-exportadora da maioria dos países sul-americanos. Mesmo com o alargamento e diversificação dos seus mercados compradores, na direção da Ásia, e da China, em particular. Nesta nova conjuntura, só uma vontade política coesa e continuada poderá manter de pé o projeto de integração sul-americano. Isto supõe uma decisão de Estado e uma capacidade coletiva de manter sob controle os conflitos locais, a despeito das mudanças de governo. E supõe também, uma política conjunta de fortalecimento do mercado interno da América do Sul, com a redução da dependência regional das crises e das flutuações dos preços internacionais.

Neste ponto, não existe meio termo, porque os países dependentes da exportação de produtos primários, mesmo no caso do petróleo, nunca conseguirão comandar sua própria política macro-econômica, e muito menos ainda, a sua inserção na economia mundial. Em segundo lugar, do ponto de vista político, a crise econômica explicitou ainda mais as assimetrias e desigualdades nacionais e sociais que estão por trás da heterogeneidade política regional e que explicam, em parte, a falta de interesse ou de entusiasmo de alguns países do continente, pelo projeto sul-americanista.

Por fim, do ponto de vista da segurança continental, o aumento da presença militar americana na Colômbia serve para relembrar que a América do Sul seguirá por um bom tempo – e mesmo que não queira - sob a “proteção” do poder espacial, aéreo e naval dos EUA. E terá que ter uma enorme persistência e tenacidade para construir um sistema autônomo de segurança regional, sem produzir uma corrida armamentista dentro da própria região.

De qualquer forma, uma coisa é certa: o futuro do projeto sul-americano dependerá cada vez mais das escolhas brasileiras e da forma que o Brasil desenvolva suas relações com os Estados Unidos. Do ponto de vista econômico, a pressão dos mercados internacionais e as novas descobertas do petróleo da camada do pré-sal, também estão oferecendo para o Brasil, a possibilidade de se transformar numa economia exportadora de alta intensidade, uma espécie de “periferia de luxo” dos grandes potências compradoras do mundo, como foram no seu devido tempo, a Austrália e a Argentina, entre outros. Mas existe a possibilidade do Brasil escolher um outro caminho que combine seu potencial exportador, como uma estrutura produtiva industrial associada e liderada por uma economia mais dinâmica, como é o caso contemporâneo do Canadá, por exemplo. E além disto, existe uma terceira alternativa, absolutamente nova para o país, e que aponta de certa forma, para o modelo da estrutura produtiva norte-americana: com uma indústria extensa e sólida, e uma enorme capacidade de produção e exportação de alimentos e outras commodities de alta produtividade, incluindo o petróleo, no caso brasileiro.

Por outro lado, no campo político, depois da hegemonia das idéias neoliberais e privatistas, e do “cosmopolitismo subserviente”, no campo internacional, está se consolidando no Brasil, um novo consenso desenvolvimentista, democrático e popular, mas que neste caso, não tem nada a ver com socialismo. As perspectivas futuras desta coalizão de poder, entretanto, dependerão, em grande medida, da estratégia internacional dos próximos governos brasileiros. O Brasil pode se transformar num “aliado estratégico” dos Estados Unidos, da Grã Bretanha e da França, com direito de acesso à uma parte de sua tecnologia de ponta, como no caso do Japão, ou mesmo de Israel, que acessou à tecnologia atômica militar, com a ajuda da França. Mas o Brasil também pode escolher um caminho próprio de afirmação soberana e de expansão do seu poder internacional. E neste caso, se o Brasil quiser mudar sua posição geopolítica, obedecendo as “regras de jogo’ do sistema mundial, terá que desenvolver um trabalho extremamente complexo de administração contínua das relações de competição, conflito e complementaridade com os Estados Unidos, e com as demais potências, tomando com norte os seus próprios interesses econômicos e geopolíticos.

Numa disputa prolongada pela hegemonia da América do Sul, como se fosse uma “luta oriental” com os Estados Unidos. Caminhando através de uma trilha muito estreita e durante um tempo que pode se prolongar por várias décadas. Além disto, se o Brasil quiser liderar a integração soberana da América do Sul no mundo, terá que inventar uma nova forma de expansão econômica e política continental e mundial, sem “destino manifesto” nem vocação missionária, e sem o imperialismo bélico das duas grandes potências anglo-saxônicas.

Terça-feira

Um réquiem para FHC


Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

Pescado na Carta Maior.

Quarta-feira

Em memória de Carlos Marighella


Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social.

Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo.

Decorridos quarenta anos, deixamos para trás o período do medo e do terror. A Constituição Cidadã de 1988 garantiu a plenitude do sistema representativo, concluindo uma longa luta de resistência ao regime ditatorial. Nesta caminhada histórica, os mais diferentes credos, partidos, movimentos e instituições somaram forças.

O Brasil rompeu o século 21 assumindo novos desafios. Prepara-se para realizar sua vocação histórica para a soberania, para a liberdade e para a superação das inúmeras iniqüidades ainda existentes. Por outros caminhos e novos calendários, abre-se a possibilidade real do nosso País realizar o sonho que custou a vida de Marighella e de inúmeros outros heróis da resistência. Garantida a nossa liberdade institucional, agora precisamos conquistar a igualdade econômica e social, verdadeiros pilares da democracia.

A América Latina está superando um longo e penoso ciclo histórico onde ocupou o lugar de quintal da superpotência imperial. Mais uma vez, estratégias distintas se combinam e se complementam para conquistar um mesmo anseio histórico: independência, soberania, distribuição das riquezas, crescimento econômico, respeito aos direitos indígenas, reforma agrária, ampla participação política da cidadania. Os velhos coronéis do mandonismo, responsáveis pelas chacinas e pelos massacres impunes em cada canto do nosso continente, estão sendo varridos pela história e seu lugar está sendo ocupado por representantes da liberdade, como Bolívar, Martí, Sandino, Guevara e Salvador Allende.

E o nome de Carlos Marighella está inscrito nessa honrosa galeria de libertadores. A passagem dos quarenta anos do seu assassinato coincide com um momento inteiramente novo da vida nacional. A secular submissão está sendo substituída pelos sentimentos revolucionários de esperança, confiança no futuro, determinação para enfrentar todos os privilégios e erradicar todas as formas de dominação.

O novo está emergindo, mas ainda enfrenta tenaz resistência das forças reacionárias e conservadoras que não se deixam alijar do poder. Presentes em todos os níveis dos três poderes da República, estas forças conspiram contra os avanços democráticos. Votam contra os direitos sociais. Criminalizam movimentos populares e garantem impunidade aos criminosos de colarinho branco. Continuam chacinando lideranças indígenas e militantes da luta pela terra. Desqualificam qualquer agenda ambiental. Atacam com virulência os programas de combate à fome. Proferem sentenças eivadas de preconceito contra segmentos sociais vulneráveis. Ressuscitam teses racistas para combater as ações afirmativas. Usam os seus jornais, televisões e rádios para pregar o enfraquecimento do Estado. Querem o retorno dos tempos em que o deus mercado era adorado como o organizador supremo da Nação.

Não admitimos retrocessos. Nem ao passado recente do neoliberalismo e do alinhamento com a política externa norte-americana, nem aos sombrios tempos da ditadura, que a duras penas conseguimos superar.

A homenagem que prestamos a Carlos Marighella soma-se à nossa reivindicação de que sejam apuradas, com rigor, todas as violações dos Direitos Humanos ocorridas nos vinte e um anos de ditadura. Já não é mais possível interditar o debate retardando o necessário ajuste dos brasileiros com a sua história. Exigimos a abertura de todos os arquivos e a divulgação pública de todas as informações sobre os crimes, bem como sobre a identidade dos torturadores e assassinos, seus mandantes e seus financiadores.

Precisamos enfrentar as forças reacionárias e conservadoras que defendem como legítima uma lei de auto-anistia que a ditadura impôs, em 1979, sob chantagens e ameaças. Sustentando a legalidade de leis que foram impostas pela força das baionetas, ignoram que um regime nascido da violação frontal da Constituição padece, desde o nascimento, de qualquer legitimidade. E procuram encobrir que eram ilegais todas as leis de um regime ilegal.

Sentindo-se ameaçadas, estas forças renegam as serenas formulações e sentenças da ONU e da OEA indicando que as torturas constituem crime contra a própria humanidade, não sendo passíveis de anistia, indulto ou prescrição. E se esforçam para encobrir que, no preâmbulo da Declaração Universal que a ONU formulou, em 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão.

Por tudo isso, celebrar a memória de Carlos Marighella, nestes quarenta anos que nos separam da sua covarde execução, é reafirmar o compromisso com a marcha do Brasil e da Nuestra America rumo à realização da nossa vocação histórica para a liberdade, para a igualdade social e para a solidariedade entre os povos.

Celebrando a memória de Carlos Marighella, abrimos o diálogo com as novas gerações garantindo-lhes o resgate da verdade histórica. Reverenciando seu nome e sua luta, afirmamos nosso desejo de que nunca mais a violência dos opressores possa se realimentar da impunidade. Carlos Marighella está vivo na nossa memória e nas nossas lutas.

Brasil, 4 de novembro de 2009.

Antonio Candido
Fabio Konder Comparato, jurista, USP
Fernando Morais, escritor
João Capibaribe, ex- governador do Amapá, e senador
Emir Sader, sociólogo, presidente da Clacso
João Pedro Stedile, ativista do MST
Patrus Ananias, ministro do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Frei Betto, escritor
Leonardo Boff, teólogo, escritor
Silvio Tendler, cineasta
Fabiana Ferreira, poeta
Ana De Holanda, cantora e compositora
Paulo Vanucchi, cientista político.
Eliana Rolemberg, socióloga
Sérgio Muniz - cineasta
Dilma Rousseff - economista
José Joffily. cineasta
Jorge Durán, cineasta
Manfredo Caldas - Documentarista
Marcio Curi - cineasta e produtor DF
Ronaldo Duque - cineasta
Maria Victoria Benevides, sociologa, professora da USP
Beth Carvalho, cantora e compositora
Paulo Betti, ator
Hildegard Angel, jornalista
Wagner Tiso, musico
Pedro Casaldaliga, bispo emerito, e poeta
Chico de Oliveira, sociologo
Antonio Cechin, irmão marista, catequista
Miriam Abramovay, socióloga
Jackson Lago , governador cassado do maranhao, e PDT-MA
Leandro Konder - filósofo

e muitos outros e outras, confira a lista completa e assine aqui: http://www.petitiononline.com/19692009/petition/html