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Movimentos nas ruas contra o genocídio do povo negro
Por Oro Mendes
No início do mês de novembro, a Anistia Internacional divulgou um estudo que apresentava dados alarmantes sobre a situação da população jovem e negra no Brasil: segundo o relatório intitulado Mapa da Violência, 83 pessoas negras são assassinadas por dia. Este número representa 2.500 mortes por mês e chega a 30 mil homicídios por ano, configurando um verdadeiro genocídio da população negra, na opinião da própria organização e de diversos setores dos movimentos sociais.
Para denunciar este genocídio, diversas cidades brasileiras organizaram-se e saíram em marcha pelas ruas no dia 20 de novembro, o chamado dia da Consciência Negra, em que se faz referência a um dos heróis da luta e da resistência negra: Zumbi dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695.
Neste contexto, em Porto Alegre foi organizada a I Marcha Zumbi dos Palmares Independente, Classista e de Luta: Contra o Racismo e pela Reparação. A atividade foi convocada por diversas organizações, coletivos, sindicatos e movimentos sociais da cidade e foi articulada através do Comitê de Porto Alegre Contra o Genocídio da População Negra.
Campanha busca eleger a FIFA como a pior empresa do mundo
Campanha denuncia entidade que reduz futebol a mercadoria, elitiza estádios e impõe obrigações exorbitantes a sociedades e países.
A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), rede que reúne 12 comitês em todas as cidades que terão jogos, lançou nesta semana a campanha “FIFA, aqui você não apita!”. O objetivo é eleger a FIFA como a pior corporação do ano de 2013, através do Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial.
Nos materiais da campanha são apresentados motivos para votar na FIFA: como a entidade põe governos e parlamentares de joelhos, viola direitos, explora nossa força de trabalho, desrespeita nossa cultura. Depois vai embora, com lucros bilionários para si e seus patrocinadores, ignorando todos os prejuízos deixados para a população dos países-sede. Mas no Brasil, algo novo aconteceu: durante a Copa das Confederações, a população se levantou contra uma série de absurdos, e um dos motivos foi justamente a atuação da FIFA em conluio com governos e empresas. Ainda assim, a federação continua tentando vender uma imagem de melhorias para os países-sede.
Para votar, leva só um minuto: Acesse http://publiceye.ch/pt-pt/case/fifa/
Veja o TUMBLR da campanha para eleger a FIFA como PIOR corporação do mundo! http://votefifa.tumblr.com/
Veja o TUMBLR da campanha para eleger a FIFA como PIOR corporação do mundo! http://votefifa.tumblr.com/
Passe Livre: "um passinho a frente, por favor"
Por Miguel Idiart
O dia 25 de setembro de 2013 entrará para a história, com a sanção do governador Tarso Genro ao projeto de lei 197/2013 que instituiu o Fundo Estadual e o Programa do Passe Livre Estudantil, aprovado por unanimidade pelos deputados na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no último dia 17 de setembro.
O passe livre estudantil vai além do debate do transporte público: é uma política estratégica para educação, pois ajuda e estimula os estudantes de baixa renda a permanecerem na instituição de ensino, diminuindo a evasão escolar e aumentando a qualidade no aprendizado. Quem passou pela universidade sabe o custo que tem para manter em dia as fotocópias dos textos trabalhados em sala de aula, o preço da alimentação no campus, a moradia e o caro transporte público e privado.
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9/24/2013
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CUT lança gibi sobre formação de redes sindicais
A CUT lançou, em parceria com instituto da central alemã DGB, publicação em formato de história em quadrinhos sobre a importância da formação de redes sindicais.
As redes sindicais são organizações que reúnem dirigentes sindicais de empresas multinacionais com origem em países e regiões distintas, para trocar informações, experiências e reivindicar a uniformização dos direitos dos trabalhadores.
Wallerstein: Levantes aqui, ali e em toda parte
O sociólogo Immanuel Wallerstein descreve cinco traços comuns aos movimentos políticos que tomam as ruas do mundo. Ele aponta que eles se inserem em um cenário de uma transição estrutural: de uma economia mundial capitalista que está se esgotando para um novo tipo de sistema. Este novo sistema pode ser melhor ou pior. Essa seria a batalha real.
Por Immanuel Wallerstein
O levante, agora persistente, na Turquia foi seguido por uma revolta ainda maior no Brasil, que por sua vez foi acompanhada por manifestações menos noticiadas, mas não menos reais, na Bulgária. Obviamente, esses protestos não foram os primeiros, e muito menos os últimos de uma série realmente mundial de revoltas nos últimos anos. Há muitas maneiras de analisar este fenômeno. Eu o vejo como um processo contínuo de algo que começou com a revolução mundial de 1968.
É claro que todas as revoltas são particulares em seus detalhes e na correlação de forças interna em cada país. Mas existem certas similaridades que devem ser notadas, se quisermos dar sentido ao que está acontecendo e decidir o que todos nós, como indivíduos e como grupos, deveríamos fazer.
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7/21/2013
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A vitoriosa ocupação da Câmara de Porto Alegre
Por Erick da Silva
Quando dezenas de jovens integrantes do Bloco de Lutas pelo Transporte Público iniciaram a ocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre na noite de quarta-feira (10/07), poucos poderiam arriscar com exatidão o desenrolar que o movimento assumiria e seu desfecho.
Tendo o Passe Livre e a transparência nas contas das empresas de transporte público como principais reivindicações, a ocupação rapidamente ganhou força.
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7/20/2013
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A novíssima consciência individual foi às ruas
Por Luiz Marques
Muito ainda vai se falar sobre as manifestações do Junho de 2013, no Brasil. Nelas, as redes sociais tiveram um importante papel na mobilização para as celebrações políticas da livre cidadania. Um vasto segmento populacional disse, alto e bom som, que não se sentia representado no Executivo, no Legislativo, no Judiciário ou na mídia nas três esferas federadas (municipal, estadual e federal). Tinha início a crise do Estado, que cobra uma reforma política através de um plebiscito.
Obviamente que a mídia, maior partido de oposição, aproveitou-se da situação para ressignificar os protestos e canalizá-los contra o governo central e o PT. Pesquisas mostraram que o intento foi em parte bem sucedido. Mas nenhum expoente contrário ao projeto em curso alçou-se como candidato favorito nas próximas eleições presidenciais. Dilma segue no páreo, com reais chances de emplacar a reeleição, exceto se a economia desandar, a inflação fugir ao controle e o desemprego aumentar tornando dramática a sobrevivência de famílias já bastante endividadas.
Aqui, no entanto, gostaria de chamar a atenção, não para o sentido político geral das manifestações, o que tentei em outro momento (“Desafios da conjuntura”), mas para um elemento que está a configurar o que se pode denominar de novíssima consciência individual. Esse texto busca uma aproximação inicial com o tema, abordado sobretudo pelos teóricos pós-modernos.
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7/09/2013
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Marilena Chauí: As manifestações de junho de 2013 na cidade de São Paulo
Por Marilena Chauí
O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenham sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada), bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”), permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação específica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos. Conseguiu a redução da tarifa e definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos, e portanto afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) dos conflitos sociais e políticos.
O "Zeitgeist" no Brasil
Por Luciana Ballestrin
O Brasil está vivendo um momento histórico de efervescência política. Ao mesmo tempo em que as análises definitivas e os diagnósticos acertados devem ser afastados, as interrogações assumem a velocidade dos acontecimentos: afinal, o que está se passando no país? Até agora todos buscam sem êxito explicações; exatamente por isso, as linhas de ação futura para a esquerda se projetam titubeantes e confusas sem saber ao certo os efeitos que irão surtir. Por esquerda a entendemos (ainda) como um campo de teoria e ação política para o qual converge àqueles que lutam pela ampliação da cidadania, democracia e justiça, em todos os campos da vida pessoal, coletiva e ambiental, desde o âmbito local até o global.
No reino deste mundo, um Zeitgeist de protesto. Os movimentos atuais desde 2011 compartilham de algumas características comuns: o não alinhamento com as noções oitocentistas de esquerda e direita; a fragmentação das identidades políticas; o protagonismo de uma soma de indivíduos (indignados, insatisfeitos) em detrimento da soma de organizações tradicionais como partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos; a opção pela não verticalização e liderança do movimento; a utilização em larga escala das redes sociais do mundo virtual para mobilização; a ocupação da rua, espaço público e democrático por excelência; a descrença no sistema político tal como hoje se apresenta nas democracias representativas do mundo ocidental; a denúncia da promiscuidade das relações entre Estado e Mercado (incluindo aqui a mídia hegemônica); o aparecimento de um novo sujeito, um sujeito em marcha, seja individual ou coletivo.
Raul Pont: Ouvir a voz das ruas é aprofundar a democracia
Por Raul Pont
A leitura dos últimos acontecimentos pode permitir várias abordagens, diversos vieses. Do nosso ponto de vista, essa ampla mobilização da juventude e de outros setores sociais que ocorre em nosso País não é motivo de temor ou preocupação, pois quanto mais a cidadania assumir diretamente a sua participação, mais estamos caminhando na construção de uma sociedade profundamente democrática.
Os governos têm a obrigação de tratar esses movimentos como movimentos sociais e, portanto, como expressão da soberania popular. Não é possível tratá-los como caso de polícia, com aparatos policiais na repressão aos movimentos. São expressões legítimas, e o papel dos governos e dos partidos é fazer a leitura correta do que ocasiona essas mobilizações. São muito difusas, diversas e não cabem nesse figurino simplista que certos partidos tentam dar, de oposição ao governo A ou B.
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6/20/2013
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Boaventura de Sousa Santos: O preço do progresso
Por Boaventura de Sousa Santos
Com a eleição da Presidente Dilma Rousseff, o Brasil quis acelerar o passo para se tornar uma potência global. Muitas das iniciativas nesse sentido vinham de trás mas tiveram um novo impulso: Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, Rio +20, em 2012, Campeonato do Mundo de Futebol em 2014, Jogos Olímpicos em 2016, luta por lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, papel ativo no crescente protagonismo das "economias emergentes", os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), nomeação de José Graziano da Silva para Diretor-Geral da Organização da Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 2012, e de Roberto Azevedo para Diretor-Geral Organização Mundial de Comércio, a partir de 2013, uma política agressiva de exploração dos recursos naturais, tanto no Brasil como em África, nomeadamente em Moçambique, favorecimento da grande agricultura industrial sobretudo para a produção de soja, agro-combustíveis e a criação de gado.
Beneficiando-se de uma boa imagem pública internacional granjeada pelo Presidente Lula e as suas políticas de inclusão social, este Brasil desenvolvimentista impôs-se ao mundo como uma potência de tipo novo, benévola e inclusiva. Não podia, pois, ser maior a surpresa internacional perante as manifestações que na última semana levaram para a rua centenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país. Enquanto perante as recentes manifestações na Turquia foi imediata a leitura sobre as "duas Turquias", no caso do Brasil foi mais difícil reconhecer a existência de "dois Brasis". Mas ela aí está aos olhos de todos. A dificuldade em reconhecê-la reside na própria natureza do "outro Brasil", um Brasil furtivo a análises simplistas. Esse Brasil é feito de três narrativas e temporalidades.
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6/20/2013
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Identificado provocador pago pela direita no protesto de São Paulo
Foi identificado um dos provocadores, suspeito de ser pago pela direita, para causar ações violentas de depredação e intimidação no protesto em São Paulo desta terça-feira (18/06). O sujeito acima nas fotos seria Tiago Ciro Tadeu Faria, sujeito que em seu currículo, praticou ações como rasgar os votos da apuração das escolas de samba no carnaval de SP em 2012.
As informações foram divulgadas nas redes sociais, através da grupo anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook.
Aproveitando-se da grande mobilização dos estudantes, reunindo mais de 50 mil pessoas, um pequeno grupo de provocadores, aproximadamente uns dez brutamontes, insuflaram alguns manifestantes mais afoitos e partiram em uma ação claramente orquestrada de tentativa de invasão do prédio da prefeitura de São Paulo.
A imensa e esmagadora maioria dos manifestantes repudiou a ação. Mais do que repudiar, foram os próprios manifestantes que impediram que uma invasão semelhante a que ocorreu ALERJ, na segunda-feira, ocorresse. Estranho, para dizer o mínimo, a atitude da PM do estado de SP. Completamente omissa, não fosse a atuação dos verdadeiros manifestantes, o prédio da prefeitura (patrimônio público) poderia ter sofrido ainda maiores depredações e prejuízo para o povo de São Paulo.
A pergunta que fica é: quem financiou e promoveu estas ações? Quais são as suas intenções?
Abaixo, segue mensagem a mensagem original do anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook, denunciando o farsante e trazendo sua identificação.
Boa noite,
Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012
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As informações foram divulgadas nas redes sociais, através da grupo anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook.
Aproveitando-se da grande mobilização dos estudantes, reunindo mais de 50 mil pessoas, um pequeno grupo de provocadores, aproximadamente uns dez brutamontes, insuflaram alguns manifestantes mais afoitos e partiram em uma ação claramente orquestrada de tentativa de invasão do prédio da prefeitura de São Paulo.
A imensa e esmagadora maioria dos manifestantes repudiou a ação. Mais do que repudiar, foram os próprios manifestantes que impediram que uma invasão semelhante a que ocorreu ALERJ, na segunda-feira, ocorresse. Estranho, para dizer o mínimo, a atitude da PM do estado de SP. Completamente omissa, não fosse a atuação dos verdadeiros manifestantes, o prédio da prefeitura (patrimônio público) poderia ter sofrido ainda maiores depredações e prejuízo para o povo de São Paulo.
A pergunta que fica é: quem financiou e promoveu estas ações? Quais são as suas intenções?
Abaixo, segue mensagem a mensagem original do anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook, denunciando o farsante e trazendo sua identificação.
Boa noite,
Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012
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Safatle: "PT ouve das ruas a radicalidade de propostas que construiu, mas que não tem mais coragem de assumir"
Proposta concreta
Por Vladimir Safatle
Há várias maneiras de esconder uma grande manifestação. Você pode fazer como a Rede Globo e esconder uma passeata a favor das Diretas-Já, afirmando que a população nas ruas está lá para, na verdade, comemorar o aniversário da cidade de São Paulo.
Mas você pode transformar manifestações em uma sucessão de belas fotos de jovens que querem simplesmente o "direito de se manifestar". Dessa forma, o caráter concreto e preciso de suas demandas será paulatinamente calado.
O que impressiona nas manifestações contra o aumento do preço das passagens de ônibus e contra a imposição de uma lógica que transforma um transporte público de péssima qualidade em terceiro gasto das famílias é sua precisão.
Como as cidades brasileiras transformaram-se em catástrofes urbanas, moldadas pela especulação imobiliária e pelas máfias de transportes, nada mais justo do que problematizar a ausência de uma política pública eficiente.
Mas, em uma cidade onde o metrô é alvo de acusações de corrupção que pararam até em tribunais suíços e onde a passagem de ônibus é uma das mais caras do mundo, manifestantes eram, até a semana passada, tratados ou como jovens com ideias delirantes ou como simples vândalos que mereciam uma Polícia Militar que age como manada enfurecida de porcos.
Vários deleitaram-se em ridicularizar a proposta de tarifa zero. No entanto, a ideia original não nasceu da cabeça de "grupelhos protorrevolucionários". Ela foi resultado de grupos de trabalho da própria Prefeitura de São Paulo, quando comandada pelo mesmo partido que agora está no poder.
Em uma ironia maior da história, o PT ouve das ruas a radicalidade de propostas que ele construiu, mas que não tem mais coragem de assumir.
A proposta original previa financiar subsídios ao transporte por meio do aumento progressivo do IPTU. Ela poderia ainda apelar a um imposto sobre o segundo carro das famílias, estimulando as classes média e alta a entrar no ônibus e a descongestionar as ruas.
Apenas nos EUA, ao menos 35 cidades, todas com mais de 200 mil habitantes, adotaram o transporte totalmente subsidiado. Da mesma forma, Hasselt, na Bélgica, e Tallinn, na Estônia. Mas, em vez de discussão concreta sobre o tema, a população de São Paulo só ouviu, até agora, ironias contra os manifestantes.
Ao menos, parece que ninguém defende mais uma concepção bisonha de democracia, que valia na semana passada e compreendia manifestações públicas como atentados contra o "direito de ir e vir". Segundo essa concepção, manifestações só no pico do Jaraguá. Contra ela, lembremos: democracia é barulho.
Quem gosta de silêncio prefere ditaduras.
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Dilma sobre manifestações: "O Brasil acordou mais forte"
A presidenta Dilma Rousseff falou nesta terça-feira (18), pela primeira vez publicamente sobre os protestos que estão ocorrendo nas principais cidades do país. Segundo Dilma, foi bom ver tantos jovens e adultos defendendo um país melhor.
“O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprovam a energia da nossa democracia. A força da voz da rua e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos, (…) juntos com a bandeira do Brasil, cantando o hino nacional e dizendo com ‘orgulho sou brasileiro’ e defendendo um país melhor”, disse.
A presidenta afirmou que seu governo está empenhado e comprometido com a transformação social. Ela citou como exemplo a elevação de 40 milhões de pessoas à classe média. Segundo Dilma, as pessoas mudam porque o Brasil mudou, com mais inclusão, elevação de renda, acesso ao emprego e à educação.
“Surgiram cidadãos que querem mais e que tem direito a mais. Sim, todos nós estamos diante de novos desafios. Quem foi ontem às ruas querem mais. As vozes das ruas querem mais cidadania, mais saúde, mais educação, mais transporte, mais oportunidades. Eu quero aqui garantir a vocês que o meu governo também quer mais, e que nós vamos conseguir mais para o nosso país e para o nosso povo”, afirmou.
"A minha geração sabe o quanto isso nos custou, eu vi ontem um cartaz muito interessante que dizia 'desculpem o transtorno, estamos mudando o País'. Quero dizer que meu governo está atento a essas vozes pela mudança, está empenhado e comprometido pela pressão social", ressaltou a presidenta.
Fonte: Blog do Planalto e Terra
Lula lança nota de apoio aos protestos
O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta segunda-feira (17), por meio de seu perfil no Facebook, que ninguém “pode ser contrário às manifestações da sociedade civil”.
Abaixo segue a íntegra da nota.
Ninguém em sã consciência pode ser contra manifestações da sociedade civil porque a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim a sociedade em movimentação em busca de novas conquistas.
Não existe problema que não tenha solução. A única certeza é que o movimento social e as reivindicações não são coisa de polícia, mas sim de mesa de negociação.
Estou seguro, se bem conheço o prefeito Fernando Haddad, que ele é um homem de negociação. Tenho certeza que dentre os manifestantes, a maioria tem disposição de ajudar a construir uma solução para o transporte urbano.
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Agenda de protestos contra aumento da passagem no Brasil e no exterior
Por Erick da Silva
Como um rastilho de pólvora aceso, os movimentos contra o aumento das passagens de ônibus se ampliam e se espalham pelo Brasil e no exterior.
Semana passada, inúmeras cidades já vinham realizando passeatas e mobilizações contra o aumento das passagens, como no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Santos, etc. É visível e inquestionável a força que o movimento tem tido. Prova de como tem ampliado a sua força é a sua nacionalização.
Após a a violenta repressão da PM de SP na última quinta-feira (13/06) não só o movimento na capital paulista tende a aumentar, como tem provocado um rápido e forte movimento de solidariedade e apoio por todo o país e no exterior.
Brasileiros residindo fora do país, contando com apoio de estrangeiros solidários a luta dos estudantes brasileiros, estão realizando atos por todo o mundo. Neste final de semana, mais de 2 mil pessoas foram às ruas da Alemanha, Irlanda e EUA.
O perfil das manifestações que estão sendo chamadas pelo Facebook e outras redes sociais é bastante diverso. Desde grupos com um maior grau de organização e mobilização, até pequenos coletivos e indivíduos que buscam, de alguma forma manifestar sua indignação e apoio a luta dos estudantes, mesmo que de uma maneira bastante difusa e, até mesmo contraditória.
Abaixo segue um calendário dos protestos que estão sendo chamadas no Brasil e no exterior.
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6/16/2013
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Vídeo mostra a covardia da PM de SP contra manifestantes
O vídeo acima ilustra a covardia da Polícia Militar de São Paulo durante os protestos contra o aumento das passagens nesta quinta-feira (13/06). Os manifestantes pedem não à violência e a resposta da PM é mais brutalidade e violência.
Uma ação inaceitável em uma democracia. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) deve ser responsabilizado pela brutalidade da ação da PM. A generalização da violência e da repressão policial deixa clara que houve uma orientação de governo pelo uso desproporcional da força, desmentindo qualquer tentativa de culpar os PMs de maneira isolada. Estes é que são os verdadeiros "vândalos"!
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Não é a toa que os jovens vão as ruas
Por Erick da Silva
Quando grandes mobilizações e revoltas ganham as ruas, há sempre aqueles que são surpreendidos, se espantam, não entendendo a razão que levaram o povo a protestar. Governantes respondem tardiamente e a repressão, invariavelmente, é a primeira resposta. Tratando-se de governos autoritários, a repressão e a "criminalização" do movimento é a única resposta.
Quando estudantes e a juventude tomam as ruas protestando contra o aumento das passagens de ônibus, o espanto pode ser ainda maior. Afinal, com uma perturbadora frequência, alguns céticos afirmam, em tom categórico, que “a juventude de hoje é alienada”, “o jovem não está mais interessado em transformações na sociedade” a ideia de “revolução” está morta e etc
Felizmente, as ruas provam o contrário. Contando com o auxílio das redes sociais, a juventude está conseguindo mostrar mais uma vez sua força e sua voz nas ruas.
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6/13/2013
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Um relato sobre os protestos na Turquia
O que acontece em Istambul?
Por İnsanlik Hali
Para meus amigos que moram fora da Turquia:
Escrevo para que você saiba o que aconteceu em Istambul nos últimos cinco dias. Eu, pessoalmente, tenho que escrever isso, porque grande parte da mídia está sob controle do governo e o boca a boca e a internet são as únicas maneiras possíveis para nos explicar e pedir apoio.
Quatro dias atrás, um grupo de pessoas, a maioria sem representa nenhuma organização ou ideologia específica, se reuniu no parque Gezi , em Istambul. Entre eles, havia muitos dos meus amigos e alunos. A razão era simples: protestar contra a iminente demolição do parque por causa da construção de mais um shopping no centro da cidade. Existem inúmeros shoppings centers em Istambul, pelo menos um em cada bairro! A demolição das árvores deveria começar no início da manhã de quinta-feira. As pessoas foram para o parque com seus cobertores, livros e crianças. Fincaram suas tendas e passaram a noite sob as árvores. No início da manhã, quando os tratores começaram a derrubar as árvores centenárias, eles se levantaram para interromper a operação.
Ato pela "Defesa Pública das Árvores III" em fotos
Mais uma vez o povo de Porto Alegre foi as ruas para defender as árvores
O ato pela "Defesa Pública das Árvores III", que aconteceu nesta segunda (27/05) em Porto Alegre, registrado em fotos pela Cíntia Barenho/CEA .
Centenas foram as ruas contra o corte de árvores na região próxima a Usina do Gasômetro, o prefeito Fortunati anuncia que mais de uma centena de árvores serão cortadas para obras de duplicação da Av. João Goulart, para supostamente atender a Copa do Mundo de 2014.
No entanto, até o momento não ficou claro a necessidade desta obra em um trecho da avenida que, apenas em momentos excepcionais tem algum transito mais intenso. A prefeitura, até o momento, tem optado pelo confronto, sem dialogar, democraticamente, com a população. Até quando?
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5/27/2013
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