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João Sicsú: PT, um partido sem projeto de desenvolvimento



Por  João Sicsú

Está chegando a hora da verdade. As previsões sobre as consequências da política de aperto (fiscal e monetário) do governo se transformaram em números oficiais. O desemprego não para de crescer, a formalização do trabalho diminuiu, o crescimento econômico ficou negativo e os investimentos públicos e privados desabaram.

Os quatro governos do PT sempre mostraram a sua cara logo no início de cada gestão – ou até mesmo antes da posse. Em 2003, iniciou com uma política de aperto fiscal e monetário. A despeito da opção errada, fez um governo regular graças ao cenário internacional favorável e à pressão das centrais sindicais pela ampliação do crédito e a valorização do salário mínimo. Em 2007, iniciou lançando o PAC. Foi uma positiva e extraordinária mudança em relação ao pensamento que havia predominado de 2003 a 2005. Resultado: apesar de grandes dificuldades no quadro internacional (a crise financeira de 2008-2009), foi um governo que obteve excelentes resultados econômicos e números muito bons na área social.

Dez anos sem Celso Furtado


A reformas estruturais e institucionais profundas que defendia o economista para que o País sustentasse o processo de desenvolvimento continuam bastante atuais, ainda que as conquistas sociais tenham avançado nos últimos anos

Por Fernanda Graziella Cardoso e Cristina Fróes de Borja Reis

Dia 20 de novembro de 2014 demarca uma década do falecimento de Celso Furtado. Nordestino, nascido na cidade paraibana de Pombal no ano de 1920, Furtado não foi apenas um economista teórico: participou ativa e diretamente na esfera pública.

Como mentor e superintendente da SUDENE (1958-1964), consubstanciou a preocupação específica que Furtado apresentava com relação à sua região de origem. Foi Ministro em duas ocasiões – Planejamento (1962-1963), quando elabora o Plano Trienal que previa algumas reformas de base (bancária, administrativa, fiscal e agrária, dentre outras), e Cultura (1986-1988) -, além de ter, ao lado de Raúl Prebisch, desempenhado papel central na Cepal, onde foi diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico (1949-1957).

Sua vasta obra – mais de 30 livros, publicados em mais de uma dezena de idiomas – contempla tanto temas gerais de caráter mais teórico-metodológico relativos ao desenvolvimento socioeconômico, quanto análises específicas sobre a trajetória de formação histórica e econômica das nações latino-americanas, com destaque para o Brasil.

A esperança de Celso Furtado nas eleições de 2014


Ao debater a cantilena dos economistas neoliberais que agora atacam o legado de Celso Furtado, Juarez Guimarães aponta que nestas eleições, a consciência do povo brasileiro está sendo desafiada a conjugar como nunca a defesa de seus direitos públicos e os valores da democracia.

Por Juarez Guimarães

Em seu blog inteligente, musical e bem informado, Luís Nassif escreveu por todos nós ao responder a mais uma provocação dos economistas neoliberais saídos da toca em nome de Marina Silva. Depois de Eduardo Gianetti dizer que a tradição da economia crítica da Unicamp era filhote da ditadura, agora vem um certo Alexandre Rands, em palestra sempre para mais banqueiros, afirmar que a “as propostas de Celso Furtado para o país não fazem mais sentido se é que já fizeram algum dia”. “Este um quem?”, perguntou ironicamente Luís Nassif, que faz esse juízo tão mal informado sobre o economista brasileiro mais reconhecido da nossa história, no Brasil e no mundo.

Marcio Pochmann: A política externa e a nova partilha do mundo


Por Marcio Pochmann

Com 7,2 bilhões de habitantes e mais de 200 países, o planeta Terra contabiliza Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 75 trilhões. Se repartido equivalentemente, cada habitante receberia US$ 10,5 mil em 2013 (R$ 23,6 mil). Infelizmente, a repartição da renda no mundo não é bem assim. Como diria G. Shaw: “A estatística é uma ciência que demonstra que se meu vizinho tem dois carros e eu nenhum, nós dois temos um, em média”.


Atualmente, o PIB global encontra-se repartido em quatro grandes blocos de países. De um lado, as economias ricas que se associam à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),­ operando em dois grandes blocos distintos de economias. Um na América do Norte, outro sob o comando da União Europeia. De outro lado, a parte restante dos países fica com 49% do PIB, dividindo-se também em dois grandes blocos de economias.  O primeiro atende pelo nome de Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o segundo bloco compreende os demais países restantes.

Terrorismo econômico


Por Cornelius Buarque

Diversos analistas “independentes” tem praticado diversos atos de terrorismo econômico. Usam expressões como bomba-relógio, passivo estrutural e alguns mais assanhados usam os termos "fim do Brasil".

Analisando friamente os diversos fundamentos das teses apresentadas, vemos que o único consenso entre os diversos “analistas” é a existência de uma inflação represada de mais ou menos 2% para 2015.

Os brasileiros pagam muitos impostos?



Depende de qual brasileiro se está falando. O brasileiro pobre paga, sim, muitos impostos. O rico? Não. Explica-se. Há diversos tipos de impostos, mas pode-se resumi-los em dois grupos: impostos indiretos, cobrados sobre mercadorias e serviços, e impostos diretos, cobrados sobre a renda e patrimônio.

Marcio Pochmann: Seu país, as eleições e os rumos da economia



Por Marcio Pochmann

No Brasil, as eleições presidenciais tiveram impacto contido nos rumos da economia nacional até 1930, quando prevaleceu o regime da democracia censitária herdado do Império (1822-1889). Isso porque as eleições eram, em geral, assunto dos ricos, uma vez que os participantes do processo eleitoral se resumiam a apenas homens alfabetizados e detentores de renda, o que compreendia menos de 5% dos brasileiros.

David Harvey: leia Piketty, mas não se esqueça de Marx


Reflexões sobre desigualdade do economista francês são brilhantes e oportuníssimas. Porém não conte com ele para compreender dinâmica central do sistema.

Por David Harvey

Thomas Piketty escreveu um livro chamado Capital que causou uma tremenda comoção. Ele defende a taxação progressiva e a tributação da riqueza global como único caminho para deter a tendência à criação de uma forma “patrimonial” de capitalismo, marcada pelo que chama de uma desigualdade “apavorante” de riqueza e renda. Também documenta com detalhes excruciantes, e difíceis de rebater, como a desigualdade social de ambos, riqueza e renda, evoluíram nos últimos dois séculos, com ênfase particular no papel da riqueza. Ele aniquila a visão, amplamente aceita, de que o capitalismo de livre mercado distribui riqueza e é o grande baluarte para a defesa das liberdades individuais. Piketty demonstra que o capitalismo de livre mercado, na ausência de uma grande intervenção redistributiva por parte do Estado, produz oligarquias antidemocráticas. Essa demonstração deu base à indignação liberal e levou o Wall Street Journal à apoplexia.

Qual é o pior lugar para se trabalhar? A maior parte do mundo


O Índice de Direitos Global, Global Rights Index, da Confederação Sindical Internacional, publicado pela primeira vez, apresenta uma imagem desoladora do estado de proteção dos direitos laborais, e mostra como os países que mais violam estes direitos são os mais desiguais. No mapa acima, a intensidade da cor assinala a falta de respeito pelos direitos laborais.

Por David Wearing


O Índice de Direitos Global, Global Rights Index da Confederação Sindical Internacional (International Trade Union Confederation – ITUC), que classifica os diferentes países em função de como protegem os direitos laborais, direitos como a liberdade de associação, de negociação coletiva e o direito à greve, foi publicado pela primeira vez esta semana. A imagem que resulta dele é desoladora.

Salário mínimo na ditadura e hoje


Por João Sicsú

Ele é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social

O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas em 1940. A cada 1º de maio é comemorado o dia do trabalhador e também o dia do salário mínimo. Há 74 anos, em discurso na cidade do Rio de Janeiro, o presidente anunciou: “...assinamos hoje um ato de incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para todo o país”.

Desde a sua criação até o golpe de 1964, três presidentes defenderam o valor real do salário mínimo: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Neste período, Eurico Gaspar Dutra, que governou o Brasil de 1946 a 1951, foi o grande adversário do salário mínimo, deixando o seu valor ser corroído pela inflação. No governo de Gaspar Dutra, não foi concedido qualquer reajuste ao salário mínimo, que perdeu 40% do seu valor real.

A estratégia tucana para privatizar a Petrobras


Por Cláudio Puty

Os tucanos passaram oito anos no poder tentando, de todas as formas, privatizar a nossa maior empresa, a Petrobras, criada em 1953 na esteira da campanha nacionalista ‘O petróleo é nosso.’

Agora, a pretexto de investigar supostas irregularidades na compra, pela estatal, de uma refinaria em Pasadena (Texas) em 2006, a oposição procura enfraquecer a imagem da empresa, uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Essa é a principal função da CPI pedida no Senado. A estratégia antinacional traçada pelo Estado-Maior da oposição conservadora e levada a cabo pelo ‘general’ Aécio Neves é mostrar que os governos Lula e Dilma levaram a empresa à bancarrota. Entretanto, se nos dermos ao trabalho de comparar a desastrosa gestão da Petrobras durante a gestão FHC com os resultados obtidos por ela desde 2003, constataremos que a atual campanha da oposição não passa de cortina de fumaça para uma nova investida para a privatização da estatal. Tanto que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender essa medida, numa afronta à memória de seu tio, o general Felicíssimo Cardoso, um dos líderes da campanha pela criação da Petrobras.

Armínio Fraga: política fiscal e desconhecimento


Por Cornélius B.

O jornal “O Estado de São Paulo” tem feito entrevistas com economistas de diversos matizes para saber deles sobre o que o próximo governo deve fazer. Melhor dizendo, economistas de diversos matizes tucanos,:uns com a pelagem mais azul, outros com  a pelagem mais amarela, mas todos tucanos.

O momento alto destas reportagens do Estadão foi a entrevista de 13/04 com Armínio Fraga, um  legítimo“George Soros Boy”. Com a chamada “Gasto público deveria ser limitado por uma lei”, mostra o desconhecimento do cidadão sobre política orçamentária.

A Lei nº 4.320/1964, em seus artigos 2º a 7º fala claramente algo chamado Lei Orçamentária. O Orçamento Geral da União (OGU) e os orçamentos dos entes  subnacionais são leis, estimando a receita e fixando a despesa. Para quem duvida, abaixo os artigos da Lei nº 4.320/1964 que dispõem sobre o tema, disponíveis na página do Senado Federal http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4320.htm

E o cidadão ainda quer ser Ministro da Fazenda. Seria melhor voltar para a faculdade.

A atualidade de Rosa Luxemburgo: uma economista política



Por Michael Krätke

Assim vocês a conhecem! Foi uma grande oradora, intervinha com discursos e discussões nas campanhas políticas do movimento social-democrata. Foi uma célebre e temida polemista. E foi uma jornalista tão famosa quanto formidável.  

O crescimento do PIB brasileiro ou quando todos os analistas da grande mídia erraram


Esse insuspeito blog vinha alertando aos "analistas econômicos" de que os resultados do PIB de 2013 não seriam a tragédia na terra. O blog optou por manter o silêncio, ciente de que os números ao final do período nos dariam razão. Não deu outra!

Infelizmente, não nos deram ouvidos e seguiram a cantilena de previsões catastróficas para a nossa economia. O resultado divulgado em 27/02, dando conta de um crescimento de 2,3% em 2013, não se aproxima daquele número superior a 7% de 2010. Mas é um belo resultado, mais do que o dobro de 2012, quando o indicador atingiu 1% e próximo da previsão de 2,9% de crescimento para a economia mundial feita pelo FMI (veja aqui).

Wallerstein: Crise dos “emergentes” ou do Sistema?


Wallerstein aponta: "Novas turbulências sugerem: vivemos época de bifurcação. Em declínio, capitalismo será superado – por algo bem melhor ou bem pior que ele..."

Por Immanuel Wallerstein

Não faz muito tempo, os “especialistas” e os investidores viam os “mercados emergentes” – um eufemismo para China, Índia, Brasil e alguns outros – como salvadores da economia-mundo. Eram eles que iriam sustentar o crescimento e, portanto, a acumulação de capitais, quando os EUA, a União Europeia e o Japão declinavam, em seu papel tradicional de pilastras do sistema capitalista global.

Por isso, é chocante que, nas duas últimas semanas de janeiro, o Wall Street Journal (WSJ), o Financial Times (FT), o Main Street, a agência Bloomberg, o New York Times (NYT) e o Fundo Monetário Internacional tenham, todos, soado o alarme sobre o “colapso” destes mesmos mercados emergentes; e que tenham advertido, em especial, sobre a deflação, que poderia ser “contagiosa”. Tive a impressão de que estão em pânico, quase indisfarçável.

Cuba e Brasil consolidam parceria com inauguração do Porto de Mariel


Por Erick da Silva

Em meio a tantas notícias e situações adversas que o mundo nos brinda cotidianamente, boas notícias por vezes nos passam batido. A inauguração do Porto de Mariel em Cuba, fruto de uma parceria entre os governos do Brasil e de Cuba, merece ser saudada.

Estratégica para o desenvolvimento e a integração latino americana, reforça a parceria economia entre o Brasil e Cuba e irá colaborar para superar alguns dos entraves impostos pelo imperialismo norte-americano a ilha. 

Paul Singer: Luta de classes


"Reconhecer a pancadaria ao redor de nossa política econômica como luta de classes é necessário para que o público que vai decidir essa parada nas urnas não seja levado a pensar que se trata de uma contenda entre peritos e jovens ingênuos" Confira abaixo o artigo completo de Paul Singer.

Cavalos de Tróia


Por Jeferson Miola

A cantilena é por demais conhecida.
Independentemente da realidade objetiva e da situação concreta da economia, os ventríloquos do capital financeiro repetem sempre a mesma receita que, a juízo deles, o governo deveria seguir: [i] cuidar mais da inflação do que do desenvolvimento, [ii] ampliar o superávit fiscal e [iii] aumentar os juros.
Faça chuva, faça sol, a receita é sempre a mesma. E exatamente nessa ordem: [1º] compensar o aumento dos preços via contenção dos salários, para aumentar a concentração da renda e a lucratividade do capital; [2º] reduzir investimentos estatais, dilapidar a máquina pública e desfinanciar as políticas públicas para “economizar” e, assim, ampliar o “dinheiro livre” para alimentar o apetite insaciável do capital financeiro; e [3º] aumentar a taxa de juros para canalizar maior parcela da renda pública ao capital financeiro especulativo - nacional e internacional.

MST sobre o pré-sal: Nem paraíso do governo, nem inferno dos que se opõem


Qual será o resultado da renda petroleira da exploração do pré-sal?

da Secretaria Geral do MST



Tem saído muitos artigos e comentários a respeito dos resultados da exploração do Pré-sal.
Cada setor social ou corrente ideológica coloca as lentes de seus interesses para analisar a realidade e procura puxar a brasa para sua sardinha.

Os dilemas do neodesenvolvimentismo


Por Ricardo Musse

A economia brasileira vive atualmente um paradoxo. Os dados indicam que a renda e o consumo não cessam de crescer, com seus valores atingindo picos históricos, enquanto a indústria local, principal fornecedora do mercado interno, patina.
A adoção, pelo governo, de medidas vigorosas para atender às principais reivindicações desse setor – sintetizadas na expressão “redução do custo Brasil”, popularizada pela grande mídia – ainda não conseguiu conectar o ritmo da produção com o aumento da demanda. A desvalorização cambial, a desoneração da folha de pagamentos, a diminuição dos impostos, o incremento de tarifas e taxas de importação, o investimento em logística e mesmo os incentivos concedidos a setores mais fragilizados não foram suficientes. Tudo isso num novo cenário econômico no qual se destaca, após décadas de reclamações, a redução da taxa de juros para patamares próximos dos países desenvolvidos.