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A moral de cuecas do PP contra as Putinhas Aborteiras


Por Erick da Silva

Seja pela estética musical ou pelo conteúdo das letras recheadas de críticas cruas e diretas ao machismo, à Igreja Católica e na defesa do direito ao aborto, a participação das Putinhas Aborteiras, grupo Anarcafunk de Porto Alegre, no programa Radar da TVE causou calorosos debate, além de algumas reações absurdas de intolerância.

 A bancada do Partido Progressista (PP) na Câmara de Vereadores de Porto Alegre resolveu entrar na polêmica. Protocolou requerimento de moção de repúdio à emissora por ter apresentado o grupo autointitulado "anarcafeminista" e divulgado uma música com palavrões.

Mario Bros em versão feminista


Triste ao ver a filha de três anos desapontada por não poder controlar Pauline, a namorada de Mario no seminal jogo da Nintendo “Donkey Kong” (1981), o pai resolveu agir. Mike Mika usou suas habilidades como desenvolvedor de software para hackear o game e inverter a trama: ao invés de Mario resgatar Pauline das mãos do gorila, é a menina que precisa salvar o encanador.

Para alterar o jogo, Mika passou a madrugada redesenhando os frames dos personagens em um emulador para jogos da Nintendo. Ele também se deu o trabalho de trocar a letra “M” por “P” no topo da tela.



À sua criação ele deu o nome de “Donkey Kong: Pauline Edition”, e compartilhou os detalhes sobre o jogo em vídeo no YouTube. Mika também disponibilizou sua versão para download neste link.
No fim do ano passado, outro pai já havia hackeado um jogo da Nintendo para satisfazer vontade semelhante da filha: ele alterou o sexo do heroi Link em “The Legend of Zelda: The Wind Wake”, transformando-o em uma menina.
— O passatempo favorito do pai dela não deveria tratar as garotas como cidadãs de segunda-classe — disse o pai, à época.

Fonte: Nerdices
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Por que ser contra o Estatuto do Nascituro


"Ser contra o Estatuto do Nascituro não é ser contra a vida."

Por Thaís de Souza Lapa


O tema aborto é complexo e permeado de conflitos: admitir a maternidade como uma opção e não uma obrigação é ainda imenso tabu e o controle social da função reprodutiva das mulheres é um dos pontos centrais de disputa em nossa sociedade. Neste contexto, grupos conservadores, sob o aparente interesse da proteção à vida, combatem qualquer medida que favoreça a escolha da mulher sobre sua reprodução, opondo-se inclusive a direitos já conquistados.

Uma estratégia recente destes grupos foi a proposta do Estatuto do Nascituro, que visa estabelecer direitos a embriões, com base na crença de que a vida tem início desde a concepção e na ideia equivocada de que o embrião é já uma pessoa. Tal projeto de lei (PL 478/2007) tramita na Comissão de Finanças e Tributação do Congresso Nacional, onde entrará provavelmente em pauta na próxima quarta-feira,05/06. Se aprovado, derrubará qualquer direito de a mulher decidir pela interrupção da gravidez, mesmo nas situações já garantidas por lei no país - casos que decorram de estupro, causem risco de vida da gestante ou quando os fetos têm anencefalia.

O topless imperialista do Femen não vai salvar a mulher árabe


Por José Antonio Lima

Não fosse o impressionante número de cliques gerados em cada álbum de fotos postado em sites do mundo inteiro, o Femen, grupo cujas integrantes protestam com os seios de fora, estaria relegado à total irrelevância. Não seria uma injustiça, tendo em vista a completa falta de conexão com a realidade das ideias vazias da maioria de suas integrantes.

A última polêmica envolvendo o Femen, fundado na Ucrânia em 2008, remete a um protesto feito por uma ativista ligada ao próprio grupo. No fim de março, a tunisiana Amina Tyler, de 19 anos, postou no Facebook fotos em que aparecia com os seios de fora e com as inscrições “F… sua moral” e “Meu corpo pertence a mim e não é fonte de honra para ninguém”. Era um protesto contra a precária situação da mulher no mundo árabe e as inúmeras violações às quais são submetidas.
As fotos de Amina trouxeram à tona o lado mais horrendo do fundamentalismo islâmico. Ao menos um líder salafista (ultraconservador) sugeriu que a garota deveria ser apedrejada até a morte. As ameaças fizeram Amina se esconder. Surgiu, então, o Femen, com seu feminismo “iluminista”. A ideia do grupo era mobilizar integrantes em diversas partes do mundo em solidariedade a Amina. A manifestação, no último dia 4, se tornou uma orgia de imperialismo e islamofobia. Os protestos foram realizados em frente a mesquitas, bandeiras com referências ao Islã foram queimadas e uma participante chegou a posar, com os seios de fora, com uma barba falsa e uma toalha na cabeça, uma referência a Maomé.
Não foi a primeira demonstração de falta de noção do Femen. Em janeiro, num protesto contra a prostituição na Alemanha, o Femen usou o slogan Arbeit macht frei (“o trabalho liberta”), estampado na porta do campo de concentração de Auschwitz. Usar o ponto mais sensível da história alemã no protesto causou indignação de feministas alemãs.
No caso dos protestos “em defesa” de Amina Tyler, houve reação. Diversas feministas árabes se incomodaram. As integrantes do grupo Mulheres Muçulmanas Contra o Femen publicaram uma carta aberta dizendo estar “cheias e cansadas de ouvir de mulheres privilegiadas a perpetuação do estereótipo de que a mulher muçulmana, a mulher de cor, a mulher do sul global é submissa, desamparada e precisa do ‘progresso’ ocidental”. Em entrevista a uma emissora de tevê francesa, Amina afirmou que apoia o Femen, pois o grupo é “verdadeiramente feminista”, mas se distanciou dos atos recentes. “Sou contra. Todos vão pensar que eu encorajei suas ações. Elas insultaram todos os muçulmanos em todos os lugares e isso não é aceitável”.
A tréplica do Femen mostrou uma face desconhecida do grupo. No site oficial, as mulheres muçulmanas foram retratadas como “vítimas de Síndrome de Estocolmo”, estado psicológico de quem passa a ter simpatia por seus sequestradores. Em tom condescendente, Inna Shevchenko, uma das líderes do Femen, afirmou que as mulheres muçulmanas dizem “não precisar de liberação, mas em seus olhos está escrito ‘me ajude’”. Em carta, Inna se dirige às mulheres, mas diz fazer isso “apesar de saber que por trás delas estão homens barbados com facas”.
Os atos e os comentários do Femen mostram quão raso é o tipo de pensamento norteador de suas ações. O Femen é incapaz de perceber que nem todo muçulmano, nem todo árabe, nem todo homem é machista.
O grupo não entende a existência de mulheres muçulmanas que realmente desejam usar véus e não reconhece os homens que lutam contra a cultura patriarcal dominante na região. Mais importante, o Femen não entende que, assim como fazer referências nazistas não avança causa alguma na Alemanha, a nudez ocidental não trará benefício à mulher árabe que batalha diariamente contra o sexismo. Ao contrário, ao atrelar a feminista árabe com a imagem de uma ocidental seminua fantasiada de Maomé, o Femen, como afirmou a pesquisadora australiana Susan Carland, as transforma automaticamente em “traidoras religiosas e culturais”. Desta forma, o único feito do Femen é isolar ainda mais essa causa na sociedade árabe e dificultar qualquer tipo de avanço.
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Nomes de mulheres lutadoras nas placas de ruas em Porto Alegre


Algumas ruas de Porto Alegre amanheceram nesta sexta-feira, 8 de março, com adesivos com nomes de mulheres lutadoras nas placas que nomeiam as vias. A rua dos Andradas na esquina com a Caldas Júnior, por exemplo, foi identificada como rua Olga Benário. Olga foi uma jovem militante comunista alemã, de origem judaica, deportada para a Alemanha durante o governo de Getúlio Vargas, onde veio a ser executada pelo regime nazista em campo de extermínio.´
Outros nomes como Maria da Penha também estamparam a sinalização de algumas ruas do Centro da Capital.
Uma bela e merecida homenagem, que resgata  a memória de importantes lutadoras que contribuíram para a conquista de direitos das mulheres.

Fonte: Correio do Povo

Mulheres em luta


A mulher no centro da imagem é a sindicalista socialista Rose Zehner, durante greve na Fábrica da Citroën, em defesa dos direitos adquiridos (França - 1938).

Fotógrafo: Willy Ronis
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Na Arábia Saudita, ativistas celebram um ano de luta contra a proibição de mulheres ao volante


Por Marina Mattar no Opera Múndi 
A campanha de um grupo de mulheres sauditas que lutam pelo direito de dirigir em seu país comemora nesta sexta-feira (29/06) um ano. O movimento #women2drive teve início em meio aos levantes populares da Primavera Árabe e, desde então, passou a receber crescente apoio internacional.
A jovem Manal al Sharif, uma das fundadoras do grupo, foi presa no ano passado após divulgar um vídeo nas redes sociais em que aparece no comando de um veículo nas ruas da Arábia Saudita. Contudo, as militantes do #women2drive se mobilizaram politicamente e conseguiram libertar a ativista. “Existe um ditado famoso em árabe que diz: Quando você oprime as pessoas, você as torna heróis”, disse Sharif ao jornal norte-americano LATimes. 
Faz parte das atividades do movimento a divulgação de fotos e vídeos de mulheres no volante em redes sociais. Ao redor do mundo, o grupo conta com o apoio de mais de 20 mil pessoas, que também compartilham imagens de mulheres ao volante. 
Nesta sexta-feira (29/06), as mulheres sauditas do Women2Drive prometeram dirigir como forma de celebração e protesto. Segundo a organização Anistia Internacional, que apoia a campanha, diversas militantes já foram presas e obrigadas a assinar compromissos de que não iriam dirigir nunca mais. Algumas chegaram a ser denunciadas judicialmente.
Isso não impediu que as motoristas continuassem a desafiar as regras sauditas. No final do ano passado, o grupo entrou com pedido judicial contra a decisão da Direção Geral de Trânsito de não providenciar uma carteira de motorista à líder Manal al Sharif.
A proibição, que completa 22 anos em 2012, foi uma iniciativa do Ministério do Interior saudita em reação a um protesto de dezenas de mulheres que dirigiam em comboio na capital Riade em 1990. Desde então, os órgãos que controlam o trânsito não providenciam as licenças necessárias para as mulheres.
Apesar disso, não existe nenhuma lei no país que impede as mulheres de dirigirem. A partir desta brecha legal, a campanha Women2Drive pede a mulheres que possuem habilitações internacionais que tomem as ruas do país com seus carros. “Se eles perderem o poder de controlar as mulheres, eles perdem o poder de controlar toda a sociedade. Nós acreditamos que estes pequenos temas são utilizados para as pessoas não discutirem a principal questão, que é o sistema de tutela masculina sob as mulheres”, explicou Sharif. “Tudo isso é apenas a ponta do iceberg”.
A campanha Women2Drive faz parte da iniciativa Right2Dignity que luta pelos direitos das mulheres e pela igualdade de gênero na Arábia Saudita.

Assista abaixo o vídeo de Aziza, uma das militantes que decidiram dirigir pelas ruas da Arábia Saudita em protesto contra a proibição de mulheres ao volante.


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Marcha das Vadias em Porto Alegre (27/05)



Vamos marchar pelo direito de sermos quem bem entendermos, de vestirmos o que quisermos, de sairmos com quem quisermos.

Vamos marchar para que as outras pessoas deixem de nos julgar pelo comprimento da saia, do cabelo, pela cor do batom, da calcinha.

Vamos marchar por todas nós e pelas outras que também são oprimidas diariamente e obrigadas das mais variadas maneiras a serem o que não querem.

Porque Marcha das Vadias? Em janeiro de 2011, ocorreram diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto. O policial Michael Sanguinetti fez uma observação para que "as mulheres evitassem se vestirem como putas, para não serem vítimas". É por isso que dizemos que se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias!

Texto: Natália Dória
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Mulheres em luta

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O DNA socialista e revolucionário do 8 de março


Por Vanessa Gil



Com a proximidade do Dia internacional da Mulher somos bombardeadas (os) com imagens  de mulheres reproduzindo os papéis que lhes foram impostos nos espaços privados: mãe, esposa e filha. Na mídia, as propagandas e anúncios dão a  impressão de que quase todos poderiam ser reaproveitados para as comemorações do Dia das Mães. No espaço público é valorizada pelas qualidades que adquiriu nos cuidados com a família:  a trabalhadora é sensível como as mães, organizada como as donas de casa e assim por diante. Mas esse ideal da mulher cuidadora em nada reflete os reais fatos que levaram ao oitavo dia de março  ser dedicado às mulheres. A data foi escolhida por ter sido nela em que as mulheres russas iniciaram aquela que seria, com seus equívocos e acertos, a maior revolução do século 20.

O papel das mulheres na Revolução 1917 foi apagado da história. Durante quase um século tivemos como referência, para o inicio das comemorações do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulheres, o incêndio ocorrido nos Estados Unidos onde trabalhadoras de uma indústria têxtil morreram queimadas. Tal fato realmente ocorreu, mas nada há de ligação entre esse triste dia e o início das comemorações.

A partir de novas pesquisas, sabemos que a criação de um Dia Internacional das Mulheres foi  proposto na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, em 1910. Ainda  sem dia definido, acontecia em diferentes datas ao redor do mundo. Foram as mulheres russas que fizeram do oito de março um dia tão marcante, conforme conta Trotsky:

O dia 23 de fevereiro (8 de março no calendário russo, orientado pelo calendário juliano) era o Dia Internacional da Mulher. Os círculos da social-democracia tencionavam festejá-lo segundo as normas tradicionais: reuniões, discursos, manifestos. Na véspera, ainda ninguém poderia supor que o Dia da Mulher pudesse inaugurar a Revolução. Nenhuma organização preconizara greves para aquele dia, tal foi a linha preconizada pelo Comitê na véspera do dia 23, e parecia ter sido aceita por todos. No dia seguinte, pela manhã apesar de todas as determinações, as operárias têxteis de diversas fábricas abandonaram o trabalho e enviaram delegadas aos metalúrgicos, solicitando-lhes que apoiassem a greve. Foi contra a vontade, escreve Kayurov, que os bolcheviques entraram na greve, secundados pelos operários mencheviques e  socialistas-revolucionários. Visto tratar-se de uma greve de massas, não havia outro remédio  senão fazer com que todos descessem rua e tomar a frente do movimento. Ninguém, absolutamente ninguém, supunha que o dia 23 de fevereiro marcaria o início de uma assalto decisivo contra o absolutismo.”(Gonzalez, 2010, p.55)

Ou seja, foi o protesto e a organização das mulheres contra a guerra que tirava a vida de seus filhos e maridos, aumentava a escassez de alimentos, a fome e o descaso do governo czarista, que levou em dois dias mais de 190 mil mulheres às ruas em Petrogrado. A partir das suas reivindicações, da força de seu protesto, surgiu vitoriosa a Revolução Russa. E como afirma a pesquisadora Ana Isabel Álvarez Gonzalez:

Foi para relembrar a ação das mulheres na história da Revolução Russa que o Dia Internacional das Mulheres passou a ser comemorado de forma unificada no dia 8 de março. A decisão de unificação da data foi tomada na Conferência de Mulheres Comunistas, coincidindo com o congresso da Terceira Internacional, realizado em Moscou em 1921...” (2010, p. 15)

Sendo a história escrita até hoje pelas mãos dos vencedores, a luta das mulheres nas trincheiras desapareceu. Pouco se fala sobre seu papel na Comuna de Paris, poucos sabem das Marianas, nome dado ao pelotão de mulheres que venceu ao lado de Che Guevara e Fidel Castro, em Cuba. A história apagou a luta feminina do cenário oficial. Mas ela existiu, existe e sempre existirá, uma vez que é improvável que, sendo metade da população mundial, não exista em parte alguma vozes e consciências femininas a reivindicar o reconhecimento de seu protagonismo, sua autonomia, sua liberdade, sua história. 

Inventar novas versões para a fatos históricos é, desde muito, umas das principais formas para perpetuar a dominação. Desvendá-los é a melhor forma de rompê-la.  Por isso devemos sempre voltar a falar das origens do oito de março. 



Vanessa Gil é socióloga, pós-graduada em Pensamento Marxista. 

Referência: As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres. Ana Isabel Álvarez González. São Paulo: Expressão Popular ‐ SOF ‐ Sempreviva Organização Feminista, 2010.
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Sem as mulheres não há revolução!


‎25/11 - Dia Internacional de Luta pelo #FimdaViolenciaContraMulher



25 de novembro: Dia Internacional pela não Violência Contra a Mulher. A data teve o reconhecimento oficial
da ONU em março de 1999. Porém, antes disso, o dia 25 de novembro já era lembrado pelo movimento internacional de mulheres. Durante o I Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, na Colômbia, o dia 25 de novembro foi designado como Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher em homenagem a três irmãs ativistas políticas latino-americanas: Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal. Elas foram brutalmente assassinadas pela ditadura de Leonidas Trujillo, na República Dominicana.
A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas. Dez mulheres são mortas por dia. Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. Diante dessas estatísticas é preciso reagir.
Basta de Violência contra as Mulheres!
De seu apoio e tuite com a HashTag  #FimdaViolenciaContraMulher
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A pornografia e a indústria do sexo



Por Jaskiran Chohan

Em suas raízes, a pornografia surge como uma revolta contra o puritanismo promovido pela direita e pela fé cristã. No entanto, este legado não é nada mais que história, pois hoje reforça a opressão sexual feminina em vez de desempenhar um papel de dissensão. A pornografia é parte da indústria do sexo, mas esse termo também inclui a prostituição, os clubes de striptease e o baile erótico. As duas últimas manifestações apresentam a face respeitável de um mundo baseado na coisificação do corpo da mulher, mas também mostram o vínculo mais destacado entre o sexo e o mercado.

É fato conhecido que a prostituição existia durante a época greco-romana e também na antiga Mesopotâmia. No entanto, em muitos aspectos, estas mulheres eram mais liberadas sexualmente, pois não sofriam a estigmatização social por ter filhos com vários homens, e também podiam buscar um companheiro, como por exemplo as mulheres astecas. O que deu início à mudança foi a introdução da propriedade privada e da ideia da família nuclear, como definiu muito bem o marxista Friedrich Engels. Ele explicou que nossas relações com o mercado definem as relações pessoais e sexuais.

Assim, a família nuclear e a necessidade de filhos legítimos eram motivadas pelo acúmulo da riqueza e pela competição que dominava o mercado. Isso não só confinava a mulher aos limites do lar, como também lhe atribuía papéis de dona de casa ou cuidadora, encarregada do trabalho reprodutivo.

Dessa forma, o prazer sexual era negado ao casal, e o sexo se firmava como função reprodutiva. Isso reforçou em grande medida a ideia de gozar do sexo fora do lar, habitualmente com prostitutas.

Alienação das emoções


Esse processo histórico tem muito a ver com o boom atual da indústria do sexo. De novo, as mudanças econômicas criaram uma indústria que oferece um acesso fácil à satisfação sexual. O desenvolvimento da tecnologia e o ritmo de vida que levamos nos transformaram em máquinas, completamente alienados de nossas próprias emoções, e a indústria do sexo respondeu a isso. Transformou o sexo e os desejos humanos em produtos vendáveis e apelos econômicos.

Não devemos esquecer que uma característica fundamental dos mercados é a de transformar as relações sociais. Estima-se que as receitas anuais da pornografia sejam maiores que as das indústrias do futebol americano, beisebol e basquete somadas. É tão rentável que, a cada ano, movimenta até sete bilhões de dólares, uma cifra que nem sequer inclui a prostituição.

A indústria do sexo não existe em sua própria bolha, e sim na rede do capitalismo global. No Estado espanhol, só duas em cada 100 trabalhadoras do sexo são autóctones, o que mostra claramente a influência das reestruturações econômicas encabeçadas pelo FMI, as quais agravaram a polarização e a pobreza mundial. Para muitas das imigrantes presas na indústria do sexo devido à falta de trabalho e de documentos, simplesmente não resta outra opção. Nesse aspecto, são fundamentais sindicatos e organizações que defendam os direitos das trabalhadoras do sexo, para evitar condições de trabalho ainda mais precárias.

Ao contrário do que dizem as pós-feministas, a indústria do sexo não é um exemplo da liberdade sexual da mulher, pois fortalece a superioridade masculina como parte do sistema capitalista que tenta dividir a classe trabalhadora sob falsos preceitos, como o das "raças" ou o do gênero.

O exemplo que ilustra isso mais claramente é o fato de que os clubes de baile erótico e striptease são freqüentados majoritariamente por banqueiros e homens de negócios do setor financeiro. Não surpreende que este setor continue sendo um dos mais sexistas, onde as mulheres ainda precisam enfrentar muita pressão na questão sexual.

Não se trata de entrar na discussão sobre a liberdade das mulheres de escolher se querem ingressar ou não nessa indústria, já que as próprias forças do mercado e a maneira como se forma a cultura põem em dúvida essas ideias de suposta liberdade. A maioria das mulheres sofre uma pressão diária para ter uma imagem coisificada que domina nossa cultura e apoia-se no mercado capitalista.

A única maneira de combater essa opressão é, além de uma luta feminista, uma luta anticapitalista. O sexismo não poderá ser erradicado enquanto o sistema que o produz continuar em vigor.
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ONU: “Discriminação de gênero continua a prevalecer no mundo”


A directora da agência da ONU para as Mulheres (UN Women), a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet, disse na apresentação do primeiro relatório da agência que “a igualdade total exige que as mulheres se tornem verdadeiramente iguais aos homens à luz da lei – nas suas casas, na sua vida laboral e na esfera pública”. O relatório salienta que “a discriminação e a injustiça de gênero continuam a prevalecer em todo o mundo”.

O relatório “Progressos para as Mulheres do Mundo: Em Busca de Justiça” conclui também que as mulheres ganham em média 30% menos do que os homens e maioritariamente têm empregos mais vulneráveis. A nível global a agência estima que 53% das mulheres, cerca de 600 milhões, estão em empregos vulneráveis, nomeadamente em situação de emprego autônomo, trabalho doméstico ou negócio familiar não remunerado, frequentemente fora do alcance de qualquer tipo de legislação laboral. “E as mulheres ainda realizam mais trabalhos não pagos domésticos e de prestação de cuidados que os homens, em todas as regiões do mundo”, refere o relatório.

A ONU Mulheres assinala que a violência doméstica é criminalizada em 125 países, mas 603 milhões de mulheres vivem em países em que a violência doméstica não é crime e, mesmo nos países onde é crime, estão mais expostas à violência. A ONU Mulheres salienta também que apenas em 52 países a violação conjugal está criminalizada.

A ONU Mulheres destaca também evoluções positivas, nomeadamente o aumento do número de países que garantem nas suas constituições a igualdade de gênero (139 países, atualmente) e o aumento de representação política feminina, destacando a agência os casos de Ruanda, Nepal e Espanha.

O relatório da ONU Mulheres refere também que, muitas vezes as leis não são cumpridas e o “estigma social e o fraco sistema de Justiça” levam as mulheres a não apresentarem queixa e sublinha: “Os custos e dificuldades práticas de procurar Justiça podem ser proibitivos – de viajar até um tribunal longínquo, ao elevado pagamento de aconselhamento jurídico. O resultado é uma grande quebra nos casos em que as mulheres procuram reparação, especialmente na violência de gênero”.

A ONU Mulheres vive também uma situação complicada. Criada em Janeiro deste ano, a partir da fusão de quatro pequenas entidades dedicadas à mulher, tinha uma previsão orçamental de 500 milhões de dólares, como orçamento anual. Porém, o total de fundos obtido até agora está entre 80 e 126 milhões de dólares. Stephen Lewis, ex-subdirector da UNICEF e que incentivou activamente a criação da ONU Mulheres, declarou à IPS que o total de fundos recolhido até agora “é desesperada e pateticamente inferior ao necessário e ao esperado”. Para Lewis, “a ONU Mulheres está a ser asfixiada ao nascer por uma coligação de ricos”.

Segundo Antonia Kirkland, assessora da organização Equality Now, sem um significativo aumento do financiamento a ONU Mulheres corre o risco de ficar relegada para um papel menor, como ocorreu com as quatro entidades que substituiu.
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Elis Regina e a defesa da legalização do aborto




Elis Regina fala em programa de TV, gravado em 1981, sobre a legalização do aborto e a relação da opressão da mulher no capitalismo. Importante lembrar que ela era kardecista, mas não hipócrita. Realmente não se fazem mais cantoras como antigamente.

Pescado no Bidê Brasil

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Documentário - Mulheres Invisíveis



Vídeo documentário produzido pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), “Mulheres Invisíveis” apresenta uma das questões mais importantes pra entender como se estrutura a desigualdade entre homens e mulheres: a divisão sexual do trabalho. A ideia é justamente ampliar esse debate, de uma forma que contribua para que o machismo não seja visto como construção puramente ideológica, mas que tem uma base material. Confira o documentário aqui.

O vídeo também traz algumas reflexões da economia feminista, que dá visibilidade pro trabalho não remunerado das mulheres na esfera da reprodução social como uma contribuição econômica que não é reconhecida socialmente. E, como não poderia deixar de ser, coloca a organização das mulheres no movimento feminista como o principal caminho para transformar essa realidade de desigualdade.

Orçamento Público com perspectiva de Gênero



Por Claudia Prates

Herança de opressão e desigualdades

As funções exercidas por mulheres e homens, e a relação entre uns e outros, não são iguais em todos os lugares nem permanecem as mesmas ao longo do tempo, mas são definidas por vários fatores: religiosos, culturais, étnicos, econômicos, ideológicos.  Falar destas relações entre pessoas do gênero masculino e pessoas do gênero feminino, e do papel que cada um assume na sociedade, é falar de relações de gênero. Quando se está atento à forma como são estabelecidas estas relações, pode-se reparar que em geral homens e mulheres não têm oportunidades iguais. Na maioria dos casos, as mulheres são as mais alijadas dos processos. Para se ter uma sociedade mais democrática, portanto, é preciso olhar para as relações de gênero e promover especialmente a participação das mulheres para que elas possam estar mais presentes nas decisões, protagonistas e demandantes de políticas públicas.

Um dos grandes desafios que temos que enfrentar consiste na construção de orçamentos públicos que contenham o recorte de gênero em suas formulações.
Os orçamentos são, em sua grande maioria, projetados de maneira uniforme para atender as demandas de toda a população. Deixam de ser consideradas as necessidades distintas de mulheres e homens. Historicamente sabemos que a sociedade dá papéis e funções diferentes a ambos. Tratar desiguais como iguais além de injusto parece discriminatório, pois aumenta ainda mais a distância entre um e outro.

Em todos os níveis de governo, as mulheres estão insuficientemente representadas. Somos minoria nos governos e na definição das políticas, nos partidos políticos, nos movimentos mistos, nos agentes econômicos, enfim, a concentração de poder unilateral, do ponto de vista feminista, influi em muitos âmbitos da vida pública e privada.

O que se verifica é que, quando esta dimensão está presente na administração pública, os/as responsáveis pela elaboração e implementação de políticas específicas, quase nunca têm estatus de secretaria, não participam das reuniões de secretariado e dependem de níveis hierárquicos superiores. E o que é ainda pior, quando são mulheres que não são sensíveis às políticas públicas com enfoque de gênero, não fazem a fala dos movimentos e tão pouco são reconhecidas como representantes da luta das mulheres. Reproduzem desigualdades, mas ocupam postos que poderiam ser de mulheres preocupadas em mudar este quadro de desigualdades e injustiças. Este é mais um desafio. Pressionar para que tenhamos, por exemplo, mulheres no 1º escalão em secretarias chaves, como fez a Presidenta Dilma.

Não está ao alcance do executivo definir novas relações de gênero, mas, ao desenhar as políticas públicas, é fundamental que se considere a herança de opressão, a divisão sexual do trabalho e as desigualdades nas  ações específicas, e que estas garantam a igualdade de acesso e de oportunidades para as mulheres, em diversos aspectos da vida.

A Ministra Iriny Lopes tem afirmado que o governo deve lutar pela autonomia econômica, social e política das mulheres, e um dos pontos que entrarão na discussão será o Plano Plurianual (PPA). "Temos que destinar mais recursos aos investimentos necessários para essa autonomia. Não adiantam boas intenções se não houver recursos para implantar bons projetos e bons programas”, diz a Ministra.

Visibilidade e mobilização

É necessário ter uma agenda de políticas públicas para mulheres, separada das políticas gerais. Precisamos dar visibilidade para as necessidades da população feminina, em função da discriminação que sofremos ao longo da história, que fez com que as mesmas fossem diluídas, afim, inclusive de ocultar as formas de opressão e discriminação. Existem especificidades nas políticas públicas para as mulheres, embora busquemos igualdades em termos de cidadania: saúde, educação, emprego, politicas de crédito, habitação ( aumenta o número de mulheres que cuidam sozinhas dos filhos...), acesso à terra, documentação, sofrem violência doméstica e profissional, assistência social (recai sobre as mulheres o atendimento aos filhos, idosos e doentes), cultura, lazer, etc.

A pobreza tem cara, sexo e cor - A pobreza é a cara das mulheres

Os desafios para alcançar a transformação da situação das mulheres chefes de familia, urbanas e rurais, aliviar a sobrecarga de trabalho, eliminar a feminização da pobreza e eliminar o machismo das políticas públicas é muito mais do que ter a política no papel.
Estas especificidades precisam ficar bem nítidas, afim não só de atendê-las, mas de romper com o nivelamento social que oculta as diferentes formas de discriminação.
Ter programas objetivos em todas as áreas, um órgão que as execute, com poderes para tal, garantindo a transversalidade e a integralidade na execução destas políticas, com orçamento assegurado para sua execução, definindo desde o início da gestão a existência das mesmas.

Controle Social

Os debates sobre orçamento público com a sociedade,  e a capacitação das mulheres para esses espaços faz parte de uma das tarefas também das gestoras dos organismos de políticas públicas para as mulheres. Para as mulheres, a participação direta através do Orçamento Participativo teria a garantia de que suas demandas seriam atendidas. Não de forma automática, mas com disputa de projetos e prioridades. O modelo de Consulta Popular limita muito este formato democrático, pois no OP as mulheres votam nos projetos que elas ajudaram a discutir, e já apontaram os recursos desde o PPA. Na consulta elas votariam em listas pré-ordenadas que não foram elas as demandantes.

O controle público se faz por meio de várias ações e é um instrumento político que pode favorecer a participação das mulheres, seja no orçamento participativo, seja em formas de pressão direta para efetivação das políticas públicas, e direito das mulheres através dos fóruns e conselhos de mulheres.

Nada virá de forma fácil. É na luta cotidiana nos espaços de participação popular, organizando assembléias de massa, garantindo a diversidade e pluralidade das mulheres, compartilhando o poder de decidir sobre as demandas com o executivo, com autonomia.
Disputar o modelo de participação popular, pode nos levar a enfrentar resistências, mas a luta pela igualdade de direitos passa por questionar toda uma realidade de dominação e de opressão. A sociedade que queremos construir não discrimina nem inferioriza as mulheres. Não impõe padrões de beleza, de comportamento, de idéias, de feminilidade. Não impõe a submissão, nem a maternidade. Tem que ser uma sociedade de iguais.
Tem que ser uma sociedade de mulheres e homens livres!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres.

Cláudia Prates
Militante Feminista da Marcha Mundial das Mulheres

Carta aberta para Sandy



Vou te dar um conselho… de mulher pra mulher: você não precisa ser santa, nem puta. Você pode ser livre.

Por Tica Moreno

Quando eu estava no ensino médio, você fez um desserviço pras meninas da minha idade, que é a mesma idade que a sua.

Foi a época da “garota sandy“: uma jovem, bonita, magra, de cabelo liso, a filha que todo pai e mãe queria ter, rica…. e virgem. E que afirmava que queria casar virgem.

A garota sandy era aquilo que nenhuma de nós éramos, mesmo que a gente tivesse uma ou outra característica dessas aí de cima. A verdade é que a gente nem queria ser daquele jeito.

Foi a primeira vez (que eu me lembre) que eu me vi sendo comparada com um modelo de mulher que eu não queria ser. E eram os outros que nos comparavam. Aí a gente foi se sentindo inadequada, umas mais, umas menos.

Qual era (qual é) o problema de não casar virgem? (Isso pra não perguntar qual é o problema de não querer casar…)

Você não acha um problema de fato, até porque há alguns anos você afirmou que não tinha casado virgem. Fico até aliviada por você, porque imagina se não fosse bom com seu marido? Ainda mais se a relação de vocês for monogâmica e conservadora… Não desejo uma vida sem orgasmo nem pro meu pior inimigo.

Mas voltando. O padrão “garota sandy” não foi uma reportagem qualquer que saiu na revista da folha. Reforçou um padrão que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres vivam sua sexualidade a vida inteira de forma passiva, em função do desejo e do prazer do cara, que faz as meninas e mulheres que são donas do seu desejo serem consideradas vadias, vagabundas, putas, devassas.

O machismo faz isso: separa as mulheres entre santas e putas, “valoriza” as santas e puras e desqualifica, discrimina, violenta as “putas”.

Deve ter algum motivo pra você se afirmar como santa, e não como puta, numa época da sua vida.

E daí eu vou te dizer, caso você ainda não tenha entendido o porquê dessa carta aberta, seu segundo desserviço pras mulheres. Ser a nova garota devassa.

Pra quê?? De dinheiro você não precisa.

Você não estudou psicologia? [Não, me disseram aí nos comentários que ela estudou Letras, mal aê - mas eu lancei um google e vi que na época do meu ensino médio, de onde eu tirei a memória pra escrever esse post (ano 2000), circulou ainformação da psicologia, rs.] Deveria ter aprendido alguma coisa sobre sexualidade teoricamente, além da prática (que, de novo, espero que seja boa pra você).

Nem as santas, nem as putas, são donas do seu desejo, do seu corpo, da sua sexualidade. O símbolo da devassa, e o imaginário que essa cerveja construiu – e que você vai propagandear – é o de uma mulher feita nos moldes do que a maioria dos homens tem tesão por. Importa o tesão deles, e não o nosso.

As revistas femininas (e as masculinas) fazem isso também. Sabe aquelas dicas da Nova pra fazer qualquer mulher deixar qualquer homem louco na cama? Então. É o mesmo machismo, a mesma submissão.

Você de alguma forma tá querendo apagar a imagem de santa, usando a idéia de que você pode ser devassa?

Vou te dar um conselho… de mulher pra mulher: você não precisa ser santa, nem puta. Você pode ser livre.