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25 anos do assassinato de Chico Mendes


Por Erick da Silva

22 de dezembro de 1988, há 25 anos atrás, o seringueiro e líder ambientalista Chico Mendes era assassinado por pistoleiros contratados para silenciar sua voz e dar cabo de sua luta, que atingia diretamente interesses de fazendeiros sedentos por aumentar os seus lucros e impedir que seus privilégios fossem interrompidos. Mataram o homem, não sua luta e seu legado.

Seis empresas controlam mercado global de transgênicos


A concentração de mercado, por si só, já seria passível de críticas, mas ambientalistas, associações de defesa do consumidor e adversários dos transgênicos em geral também repudiam severamente os métodos utilizados ao longo dos anos pelas "Gene Giants" para consolidar seu monopólio.


Basta dar uma olhada na lista de cultivos geneticamente modificados já liberados para plantio comercial em território brasileiro pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) – cinco tipos de soja, 18 de milho e 12 de algodão, além de uma de feijão – para se ter a noção exata de que o clube dos transgênicos é para pouquíssimos sócios. Com exceção da nacional Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), todos os cultivos liberados até hoje no Brasil utilizam tecnologia transgênica e defensivos agrícolas produzidos pelas seis grandes empresas transnacionais que também lideram o setor de transgenia em nível global: Monsanto (Estados Unidos), Syngenta (Suíça), Dupont (EUA), Basf (Alemanha), Bayer (Alemanha) e Dow (EUA).
O monopólio praticado pelas transnacionais no mercado agrícola brasileiro se reproduz em todo o mundo. Um relatório divulgado em março pelo Grupo ETC, organização socioambientalista internacional que atua no setor de biotecnologia e monitora o mercado de transgênicos, revela que as seis maiores empresas, apelidadas de “Gene Giants” (Gigantes da Genética), controlam atualmente 59,8% do mercado mundial de sementes comerciais e 76,1% do mercado de agroquímicos, além de serem responsáveis por 76% de todo o investimento privado no setor.

Leonardo Boff: "O mundo em que vivemos é ecocida"


Por Leonardo Boff

No dia 27 de setembro, centenas de cientistas reunidos em Estocolmo para avaliar o nível de aquecimento global do planeta, o conhecido Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), nos transmitiram dados preocupantes: "Concentrações de dióxido de carbono (CO2), de metano (CH4) e de óxido nitroso (N2O), principais responsáveis pelo aquecimento global, agora excedem substancialmente as maiores concentrações registradas em núcleos de gelo durante os últimos 800 mil anos”.

Ruralista: você não nos alimenta e não nos representa!



Vídeo que explica o círculo vicioso do lucro ruralista, que gera pouco emprego, não nos alimenta e ainda escraviza pessoas e animais.

#baixaabolaruralista
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Carta aberta condena acordo nuclear Brasil e Japão



Hoje, 13 de setembro de 2013, completam-se 26 anos que aconteceu em Goiânia, capital do estado de Goiás, no Brasil, o maior acidente radioativo em área urbana; só perdendo da usina nuclear de Chernobyl, em razão da explosão de um dos reatores, no ano anterior, em 1986. Para marcar a data, 200 organizações sociais assinaram e divulgaram carta aberta contra o eventual acordo nuclear entre Brasil e Japão, uma vez que o reator Fukushima Daiichi (Japão) é uma ameaça ainda presente naquele país oriental.

O documento, intitulado "Somos contrários ao acordo de tecnologia nuclear entre o Japão e o Brasil", assinado por 114 organizações sociais japonesas e 107 brasileiras, será entregue hoje nas embaixadas e consulados brasileiros e japoneses, em diferentes países. Organizações civis brasileiras e japonesas e líderes sociais de todo o mundo, expressam na declaração sua rejeição a um acordo nuclear que estaria sendo preparado por ambos os governos. Haverá também manifestações de rua no Brasil e no Japão.

Sebastião Salgado: O drama silencioso da fotografia



O doutor em economia Sebastião Salgado somente assumiu a fotografia quando tinha uns 30 anos, mas a atividade tornou-se uma obsessão. Seus projetos de anos de duração capturam lindamente o lado humano de uma história global que muitas vezes envolve morte, destruição e ruína. Aqui, ele conta uma história profundamente pessoal da arte que quase o matou, e apresenta imagens espetaculares de seu trabalho mais recente, Gênesis, que documenta um mundo de pessoas e lugares esquecidos.
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Animação: "Man"



Animação de Steve Cutts, criada em Flash que traz um olhar crítico da relação do homem com o mundo natural.

www.stevecutts.com
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A História dos Eletrônicos


O projeto The Story of Stuff, de Annie Leonard, nos apresenta A História dos Eletrônicos.
O vídeo de aproximadamente 8 minutos mostra como funciona o modo de produção da indústria de alta tecnologia, abordando toda a questão dos materiais altamente tóxicos utilizados na composição dos eletrônicos e a contaminação generalizada que eles provocam. Além disso, Annie fala sobre o modo de produção dos eletrônicos, visto por ela como "feitos para se jogar fora". Isso mostra como a economia pode se tornar insustentável, seja do modo ecológico da palavra ou do sustento propriamente, pois não há riqueza natural que resista a tanta demanda.
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Cartum: O ciclo vicioso dos agrocombustíveis

Autor: Santiago
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Cartum: Aquecimento global


Coincidência? Empreiteira da obra da Av. Edvaldo doou R$ 221 mil à campanha de Fortunati


Mera coincidência?


Poucos dias depois do corte das árvores da Avenida Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre, o blog O Cético, publicou informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionando a obra de ampliação da via com uma possível ‘obrigação de campanha’.
Isso esclarece as reais motivações que podem estar por trás desta obra, tão controversa e despropositada. Uma centena de árvores foram derrubadas, sem que até o momento, nenhum estudo demonstrando a real necessidade desta obra fosse apresentado. As relações entre o prefeito Fortunati e as empreiteiras não se restringem apenas a este caso da Av. Edvaldo Pereira Paiva.

Fortunati e as árvores do Gasômetro: antes na defesa das árvores, hoje as cortando


O Prefeito Fortunati poderia ser classificado como uma metamorfose ambulante. É um caso exemplar de como alguém muda radicalmente sua posição. Na foto acima, há cerca de 25 anos, José Fortunati estava ao lado dos ambientalistas que protestavam no Gasômetro pela defesa das árvores.
Em 2013, as coisas mudaram: agora como prefeito da cidade, Fortunati promoveu uma das maiores derrubadas de árvores da história recente da cidade. Foram cortadas 57 árvores no Parque da Harmonia e na avenida Loureiro da Silva. O corte, promovido durante a madrugada, escancara a falta de apoio popular que a derrubada destas árvores tem junto a população. Fortunati, sabedor dos grandes protestos que certamente aconteceriam caso o corte das árvores ocorresse durante o dia, optou pela calada da noite, de forma sorrateira.


 É gritante a diferença na postura destes dois Fortunatis: um que 25 anos atrás estava ao lado dos ambientalistas. O atual, que se vira de costas para a população, e de maneira autoritária determina a derrubada das árvores. A desculpa da Copa do Mundo é bastante frágil, para dizer o mínimo.


Como a prefeitura opta por tomar decisões de cima para baixo, sem consultar a população, a legitimidade desta obra, e a própria necessidade dela, são amplamente questionáveis. 
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Ato pela "Defesa Pública das Árvores III" em fotos


Mais uma vez o povo de Porto Alegre foi as ruas para defender as árvores

O ato pela "Defesa Pública das Árvores III", que aconteceu nesta segunda (27/05) em Porto Alegre, registrado em fotos pela Cíntia Barenho/CEA .
Centenas foram as ruas contra o corte de árvores na região próxima a Usina do Gasômetro, o prefeito Fortunati anuncia que mais de uma centena  de árvores serão cortadas para obras de duplicação da Av. João Goulart, para supostamente atender a Copa do Mundo de 2014.
No entanto, até o momento não ficou claro a necessidade desta obra em um trecho da avenida que, apenas em momentos excepcionais tem algum transito mais intenso. A prefeitura, até o momento, tem optado pelo confronto, sem dialogar, democraticamente, com a população. Até quando?

Segunda-feira é dia de Marcha pelas Árvores em Porto Alegre



A Justiça liberou na última quinta-feira o corte, pela prefeitura de Porto Alegre, de 115 árvores localizadas ao lado da Usina do Gasômetro, para dar continuidade à obra de duplicação da Avenida Beira Rio. Mas os movimentos que barraram a derrubada das árvores não pretendem desistir tão facilmente da luta para preservá-las. Os Amigos da Gonçalo de Carvalho, o Centro de Estudos Ambientais, o Comitê Latino-Americano, a Defesa Pública da Alegria, o Coágulo Criações – Coletivo de Cultura, PoA em Movimento, Agapan, APEDeMA e o Ocupa Árvores – Acampamento de resistência estão convocando uma Marcha pelas Árvores para esta segunda-feira (20), uma Defesa Pública das Árvores. A manifestação está sendo convocada por uma página especial no Facebook e outras organizações podem se somar a ela ainda neste final de semana. A marcha deve iniciar às 18h, em frente à prefeitura da capital. O manifesto da Defesa Pública das Árvores afirma:
Em nome de interesses privados, a Prefeitura promete massacrar os 115 “vegetais”, substituindo-os por asfalto. A Prefeitura se recusa a apresentar alternativas ao projeto e promete recomeçar os cortes o quanto antes. Além da perda ambiental, a obra vem retirar da população um espaço de encontro e convivência, dificultando a circulação de pedestres.
Indo na contramão das novas políticas internacionais de mobilidade urbana, o poder municipal aposta na falsa sensação de que a duplicação de grandes vias é a solução para os problemas de congestionamento, o que muitas vezes pode confundir aqueles que enfrentam esta dificuldade diariamente. Frente aos inúmeros pareceres de urbanistas que afirmam o quanto a duplicação da via é uma estratégia equivocada, percebe-se que a obra é ligada diretamente aos interesses das construtoras e da indústria automobilística e não à vontade e necessidade popular.
Porto Alegre, nossa maltratada cidade, já teve que LUTAR muito para salvar o pouco do seu patrimônio histórico e ambiental que ainda está de pé. Em 1975, ousamos lutar e ousamos vencer na luta pelas árvores da Faculdade de Direito. Na mesma década a mobilização popular evitou a demolição do Mercado Público e da Usina do Gasômetro (que ocorreriam devido a outras obras estúpidas de incentivo ao uso do carro). Há pouco, tão pouco que esse sopro ainda nos enche os pulmões, a população foi às ruas em massa e barrou mais um aumento criminoso da passagem.
Seguiremos construindo a tradição libertária desta cidade, que luta por ser mais que um porto e quer ser um Porto Alegre. Nesta segunda-feira marcharemos com nossos tambores da Prefeitura ao Gasômetro, para que o poder público municipal saiba o que o povo quer. Este ato é aberto a todos os coletivos e movimentos que quiserem se somar! Esta luta não é de poucos, é de todo um povo. Ousando lutar, ousaremos vencer!

Leonardo Boff: Constitucionalismo ecológico na América Latina


Por Leonardo Boff

As modernas constituições se fundam sobre o contrato social de cunho antropocêntrico. Não incluem o contrato natural, que é o acordo e a reciprocidade que devem existir entre os seres humanos e a Terra viva, que tudo nos dá e que nós em retribuição cuidamos e preservamos. Em razão disso seria natural reconhecer que ela e os seres que a compõem seriam portadores de direitos. Os clássicos contratualistas como Kant e Hobbes restringiam, no entanto, a ética e o direito apenas às relações entre os humanos. Somente se admitiam obrigações humanas para com os demais seres, especialmente os animais, no sentido de não destruí-los ou submetê-los a sofrimentos e crueldades desnecessárias. 

A desconsideração de que cada ser possui valor intrínseco, independentemente de seu uso humano, uso racional, e que é portador de direito de existir dentro do mesmo habitat comum, o planeta Terra, abriu o caminho a que a natureza fosse tratada como mero objeto a ser explorado sem qualquer consideração, em alguns casos até a sua exaustão. 

Coube, entretanto, à América Latina, como o mostrou um notável criminalista e juiz da corte suprema da Argentina, Eugenio Raúl Zaffaroni (La Pachamama y el humano, Ediciones Colihue, 2012) desenvolver um pensamento constitucionalista de natureza ecológica, no qual a Terra e todos os seres da natureza, particularmente os vivos e os animais são titulares de direitos. Estes devem ser incluídos nas constituições modernas, que deixaram para trás o arraigado antropocentrismo e o paradigma do dominus, do ser humano como senhor e dominador da natureza e da Terra.

Os novos constitucionalistas latino-americanos ligam duas correntes: a mais ancestral, dos povos originários para os quais a Terra (Pacha) é mãe (Mama) — daí o nome de Pachamama — sendo titular de direitos porque é viva, nos dá tudo aquilo de que precisamos e, finalmente, pela razão de sermos parte dela e de pertencermos a ela. Bem como os animais, as florestas, as águas, as montanhas e as paisagens. Todos merecem existir e conviver conosco, constituindo a grande democracia comunitária e cósmica.

Aliam esta ancestral tradição, eficaz, da cultura andina que vai da Patagônia à América Central à nova compreensão derivada da cosmologia contemporânea, da biologia genética e molecular, da teoria dos sistemas que entende a Terra como um superorganismovivo que se autorregula (autopoiesis, de Maturana-Varela e Capra) de forma a sempre manter a vida e a capacidade de reproduzi-la e fazê-la coevoluir. Esta Terra, denominada de Gaia, engloba todos os seres, gera e sustenta a teia da vida em sua incomensurável biodiversidade. Ela, como Mãe generosa, deve ser respeitada, reconhecida em suas virtualidades e em seus limites e por isso acolhida como sujeito de direitos — a dignitas Terrae — base para possibilitar e sustentar todos os demais direitos pessoais e sociais.

Dois países latino-americanos, o Equador e a Bolívia, fundaram um verdadeiro constitucionalismo ecológico; por isso estão à frente de qualquer outro país dito “desenvolvido”.

A Constituição de Montecristi da República do Equador de 2008 diz explicitamente em seu preâmbulo: “Celebramos a natureza, a Pacha Mama, da qual somos parte e que é vital para nossa existência”. Em seguida enfatiza que a República se propõe construir “uma nova forma de convivência cidadã, em diversidade e em harmonia com a natureza, para alcançar o bien vivir, o sumac kawsay (o viver pleno). No artigo 71º do capítulo VII dispõe:”A natureza ou a Pachamama, donde se reproduz e se realiza a vida, tem direito a que se respeite integralmente sua existência, a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos; toda pessoa, comunidade, povo ou nacionalidade poderá exigir da autoridade pública o cumprimento dos direitos da natureza…o Estado incentivará as pessoas naturais e jurídicas, e aos coletivos para que protejam a natureza, e promoverá o respeito a todos os elementos que formam um ecossistema”.

Comovedoras são as palavras do preâmbulo da Consttuição Política do Estado Boliviano, aprovada em 2009: ”Cumprindo o mandato de nossos povos, com a fortaleza de nossa Pachamama e graças a Deus, refundamos a Bolívia”. O artigo 33º prescreve: ”As pessoas têm o direito a um meio ambiente saudável, protegido e equilibrado. O exercício deste direito deve permitir aos indivíduos e às coletividades das presentes e futuras gerações, incluídos outros seres vivos, a desenvolver-se de maneira normal e permanente”. O artigo 34º dispõe: ”Qualquer pessoa, a título individual ou em representação de uma coletividade, está apta a exercer ações legais em defesa do meio ambiente”.

Aqui temos um verdadeiro constitucionalismo ecológico que ganhou corpo e letra nas respectivas Constituições. Tais visões são antecipatórias daquilo que deverá ser para todas as constituições futuras da humanidade. Somente com tal mente e disposição garantiremos um destino feliz neste planeta.

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As raízes da corrupção na área ambiental do RS


Por Erick da Silva

Uma grande teia de corrupção na área ambiental foi desvelado pela Polícia Federal, na  Operação Concutare, levando a prisão 18 pessoas, em uma operação conduzida por 150 policiais federais. Entre os presos, os secretários de meio ambiente do estado Fernando Niedersberg (PCdoB) e de Porto Alegre, Luiz Fernando Záchia (PMDB), além do ex-titular da pasta no governo Yeda, o ex-deputado estadual Berfran Rosado (ex-PPS, atual MD).
Muitos detalhes do esquema ainda não foram tornados públicos, o inquérito ainda segue em sigilo da Polícia Federal, mas alguma conclusões já são possíveis de serem antecipadas.
Não é um fato novo o descalabro que ocorre nas liberações de licenças ambientais no RS e particularmente em Porto Alegre. O avanço do capital especulativo nos empreendimentos imobiliários tem forçado uma constante busca por novas áreas para a construção, principalmente áreas que apresentem um retorno financeiro rápido e livre de risco. Neste restrito e competitivo nicho de mercado, a necessidade de vencer eventuais concorrentes, é utilizado como subterfúgio para burlar lei e normas ambientais. A anuência e o envolvimento de servidores e/ou agentes políticos corruptíveis é parte essencial desta engrenagem.
Mesmo com a evidência que o tema do meio ambiente tem ganhado nos últimos anos na sociedade, está ainda é uma área com pouco prestígio político na composição dos governos. A prioridade tem sido muito mais um exercício retórico, do que uma ação política efetiva. Não é a toa que no Governo Tarso, por exemplo, com o anúncio da nomeação de Mari Peruso (PPL) a frente da pasta, estará assumindo a quarta pessoa diferente a frente da pasta (possivelmente um quinto nome virá assumir a secretaria, devendo voltar ao PCdoB o comando do área). Esta falta de prestígio casa-se com um menor investimento político e, portanto, relega a secretaria a um segundo plano. Esta posição é terreno fértil para possíveis descaminhos como os cometidos agora.
Outro elemento sempre constante em casos semelhantes é o financiamento privado das campanhas eleitorais. As campanhas eleitorais no Brasil tem notadamente se encarecido a cada pleito, a pressão para arrecadar recursos ainda maiores deixa o terreno livre para as empreiteiras e empresários corruptores agirem. Sendo este um setor que tem acumulado grandes lucros, muitos deles advindos desta relação promíscua entre o público-privado, não chega a surpreender mais este esquema de corrupção.
Ainda não sabemos quem foram os corruptores, qual a extensão dos crimes ambientais cometidos através destas liberações fraudulentas e se houveram mais agentes públicos envolvidos. O que podemos afirmar com toda a certeza é que permanece urgente uma reforma política que garanta financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, eliminando-se a necessidade de captação de recursos privados. Além disso, é urgente que as questões relacionadas ao meio ambiente deixem de ser secundarizadas ou apenas priorizadas nos discursos públicos, mas que passe, de fato a ser uma prioridade. Se não, fatos como estes tornarão a se repetir.
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Cartum: Projeto "Copa Verde" em POA


Autor: Eugênio Neves
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Polícia Federal sacode área ambiental no RS

Záchia e Berfran estão entre os presos pela Polícia Federal nesta madrugada


Por Marco Weissheimer


Ambientalistas não cansaram de denunciar nos últimos anos atropelos à legislação para acelerar a aprovação de obras e empreendimentos das mais variadas naturezas. Imaginava-se que a situação na gestão ambiental de Porto Alegre e do Estado estava cheia de problemas. Mas, se alguém dissesse que, numa determinada manha de segunda-feira, os secretários do Meio Ambiente da capital e do Estado seriam presos acusados de fraudar licenciamentos ambientais, provavelmente seria chamado de louco. Pois aconteceu. A notícia caiu como uma bomba na manhã desta segunda-feira chuvosa e cinzenta. Em uma ação conjunta com o Ministério Público Estadual, a Polícia Federal prendeu, na madrugada desta segunda (29), o secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Niedersberg, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, e o ex-secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado, entre outras pessoas (os nomes foram divulgados, inicialmente, pelo jornal Zero Hora, em sua edição on-line).
Em nota oficial, a Polícia Federal anunciou que deflagrou a Operação Concutare com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. A operação, diz ainda a PF, iniciou em junho de 2012 e identificou um “grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários”. Os investigados atuariam na “obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental”.
Ainda segundo a mesma nota, cerca de 150 policiais federais participam da operação para executar 29 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga e também em Florianópolis. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico e pela Unidade de Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.
A operação foi batizada de Concutare, numa referência ao termo latino que significa concussão (segundo o Código Penal brasileiro: ato de exigir para si ou para outrem dinheiro ou vantagem em razão da função, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Os investigados, anunciou ainda a Polícia Federal, serão indiciados por “corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual.”
As consequências políticas da Operação Concutare foram imediatas. De Tel Aviv, onde cumpre missão oficial, o governador do Estado, Tarso Genro, anunciou o afastamento de Carlos Niedersberg. O mesmo fez o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.
Operação Moeda Verde
A Operação Concutare lembra outra operação desencadeada pela Polícia Federal também na área ambiental. Em maio de 2007, a PF desencadeou em Florianópolis a Operação Moeda Verde, que teve como alvo um esquema de venda de leis e atos administrativos de conteúdo ambiental e urbanístico em favor da construção de grandes empreendimentos imobiliários na ilha de Santa Catarina. Naquela época, a Justiça Federal expediu 22 mandados de prisão temporária contra políticos, empresários e funcionários públicos de Florianópolis acusados de negociar licenças ambientais. A Operação Moeda Verde investigou a ocorrência de crimes contra a ordem tributária, falsificação de documentos, uso de documentos falsos, formação de quadrilha, corrupção e tráfico de influência.
O alvo inicial da Polícia Federal era um empreendimento em Jurerê Internacional, localizado no norte da ilha. A partir daí, as investigações conduziram os policiais para pelo menos outros três empreendimentos de grande porte construídos em áreas de marinha, mangues e restingas, o que é proibido pela legislação. Segundo a PF, todos tinham sido licenciados de forma irregular através de “vantagens devidas”, que incluíam o pagamento de valores em espécie, troca de favores entre órgãos públicos e uso de carros.
Seis anos depois, uma operação similar sacode agora a área ambiental no Rio Grande do Sul. Será uma ótima oportunidade não só de averiguar como anda a administração pública nesta área, mas também de conhecer quem são as empresas dispostas a corromper funcionários públicos para “agilizar” a concessão de licenciamentos ambientais. A explosão imobiliária nas grandes cidades brasileiras costuma ser marcada por uma falta de transparência quanto aos processos de licenciamento ambiental necessários para a autorização de obras. Em Porto Alegre, por exemplo, o aumento do número de condomínios de luxo na zona sul, em áreas próximas de morros (ou mesmo invadindo morros) e do Guaíba envolve a aprovação de muitas licenças ambientais. O mesmo se aplica à gestão ambiental nas áreas estadual e federal.
O que significa flexibilizar a legislação ambiental?
Será uma boa oportunidade também para testar os argumentos dos defensores da necessidade de flexibilizar a legislação ambiental e agilizar os processos de licenciamento. Debates recentes envolvendo mudanças no Código Florestal, liberação de transgênicos, de agrotóxicos e de grandes obras são marcados por uma lógica argumentativa que, espremida, revela-se impregnada de irracionalidade. Uma impregnação que se espraia por boa parte do espectro político, reunindo direita e esquerda em torno de muitas posições.
A argumentação utilizada por esses setores começa sempre afirmando, é claro, a importância de proteger o meio ambiente para, logo em seguida colocar um senão: não podemos ser radicais nesta questão, precisamos gerar renda e emprego, desenvolver o país, etc. e tal. É curioso e mesmo paradoxal que essa argumentação apele para um bom senso mítico que seria sempre o resultado de uma média matemática entre dois extremos. Você quer 2, ele quer 10, logo o bom senso nos diz para dar 6. Esse cálculo infantil pode funcionar para muitas coisas, mas certamente não serve para buscar respostas à destruição ambiental do planeta, que não cessa de aumentar.
É curioso também, mas não paradoxal neste caso, que a argumentação utilizada pelos defensores do “desenvolvimento” seja sempre a mesma, com algumas variações. Supostamente recoberta por um bom senso capaz de conciliar desenvolvimento com proteção do meio ambiente (combinação que até hoje tem sido usada para justificar toda sorte de crimes ambientais), essa argumentação, na verdade, é atravessada por falácias e por uma irracionalidade profunda, na medida em que, em última instância, volta-se contra o futuro da própria espécie humana.
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"Ocupa Praça do Aeromóvel": Ato contra o corte de árvores em POA nesta quinta (18/04)



O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) deferiu parcialmente o pedido de liminar do Ministério Público sobre o corte de árvores na obra de ampliação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva. Na área que estaria fora dos limites sugeridos na ação movida pelo MP para a instalação do Corredor Parque do Gasômetro, a justiça considerou que “não se justifica” a interrupção do corte.
A supressão das árvores nessa área será possível a partir desta quinta-feira (18/04). Caso o MP não recorra da decisão, somente a mobilização popular pode impedir que mais árvores sejam cortadas.
Por esse motivo está sendo chamado para esta quinta (18/04), a partir das 19h, um grande ato contra o corte de árvores, na praça do Aeromóvel, em frente a Usina do Gasômetro 


No Facebook, um evento foi criado para mobilizar o ato: https://www.facebook.com/events/446566312095476/?notif_t=plan_user_joined

Participe e ajude a divulgar! Só a manifestação e a participação popular podem impedir este verdadeiro crime contra a cidade promovido pelo governo Fortunati!
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