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Documentário: Memória Para Uso Diário


Memória Para Uso Diário é um filme que documenta a luta do grupo Tortura Nunca Mais a partir de pessoas comuns que, apesar das memórias traumáticas, fazem questão de lembrar e de fazer com que suas histórias não sejam esquecidas.

Ivanilda, cuja história é acompanhada ao longo de todo o filme, busca evidências para a prisão de seu marido pelo governo brasileiro. Ele está desaparecido desde 1975.

Cidadão Boilesen


Documentário de 2009, dirigido por Chaim Litewski, Cidadão Boilesen, através de diversos depoimentos, o documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar. Seu apoio financeiro, assim como de muitos outros empresários, ao movimento de repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi. Expõe uma faceta, por vezes negligenciada, da brutal história recente brasileira.

Assista abaixo o documentário na íntegra:

Ditadura Militar e a questão indígena: cadeias com trabalhos forçados e torturas


Uma das faces esquecidas dos anos de ditadura civil-militar no Brasil pós-1964 foi a sistemática perseguição do regime aos povos indígenas. Acusações de vadiagem, consumo de álcool e pederastia eram usadas com pretexto para jogarem índios em prisões durante o regime militar; até mesmo cadeias para índios com trabalhos forçados foram criadas. Sem contar o treinamento de índios soldados para reprimir o seu próprio povo. Como pano de fundo, a disputa pela terra e uma visão de desenvolvimento nacional, onde não havia espaço para os índios. A Agência Pública nos traz no vídeo abaixo um importante registro destes crimes perpetrados pelo estado brasileiro durante o período ditatorial. Longe de serem fatos isolados, eram uma prática sistemática. É dever do estado e da sociedade reconhecê-los como presos políticos.

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Documentário: Mandela - o homem por trás da lenda



"Mandela - o homem por trás da lenda", documentário dirigido por Joël Calmattes, para o canal NatGeo, nos trás um bom apanhado sobre a história de Nelson Mandela.
Longe de ser um documentário que aprofunde sobre o significado, as contradições e a importância para a história da África do Sul de Mandela, é um bom registro sobre este grande líder e figura humana.
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GIAP – Memórias Centenárias da Resistência (Documentário de Silvio Tendler)



Ao maior general do século XX.

O general Vo Nguyen Giap, herói militar da independência  do Vietnã, derrotando os franceses e os americanos, morreu nesta sexta-feira aos 102 anos de idade.
O cineasta Silvio Tendler, neste filme, entrevista Giap em Hanói, Vietnã em 2003. Um importante registro que merece ser visto.

Ficha técnica:
Filme de Silvio Tendler
Fotografia:Paula Damasceno
Montagem: Felipe Vianna
Produção Executiva: Ana Rosa Tendler
Trilha Sonora Original: Henrique Peters e Vinícious Junqueira
Imagens de Arquivo : Estúdios Fílmicos de Hanói
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A Guerrilha de Caparaó


Não mais de vinte homens, quase todos ex-militares, formaram a Guerrilha de Caparaó, ocorrida entre fins de 1966 e início de 1967,  provavelmente o primeiro movimento no país de resistência armada à ditadura.
Dois anos depois do golpe de 1964, apoiados por Leonel Brizola, então exilado no Uruguai, tentaram estabelecer um foco na serra do Caparaó, na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais. Uma tentativa de recriar, no Brasil, uma Sierra Maestra, uma guerrilha como a cubana, que a partir de um pequeno grupo bem articulado promoveu uma revolução.

Caparaó seria a primeira guerrilha do Brasil, mas uma série de fatos transformou numa das mais frustrantes tentativas da nossa história.

Documentário : "O dinheiro que cura"


O dinheiro interage com quase todos os aspectos da vida moderna. A maioria de nós assume o sistema monetário imutável, mas ele tem uma influência profunda e amplamente mal compreendida em nossas vidas. O documentário "O dinheiro que cura" (The Money Fix) explora o relacionamento das nossas sociedades com o todo-poderoso Dinheiro. Mostra de maneira didática de onde vem o dinheiro, sua emissão e qual o truque usado há tantas gerações pelos bancos para criá-lo a partir do nada e endividar sociedades, criando nela o sentimento permanente de escassez – também mostra a implicação disso na mente das pessoas numa ótica filosófica e humana.
Examina os padrões econômicos tanto no mundo dos humanos como no mundo natural, e através dessa análise aprendemos como podemos fortalecer-nos por redesenhar a força motriz da economia ao nivel das comunidades locais. O filme documenta três tipos de sistemas monetários alternativos, todos os quais ajudam a resolver problemas econômicos nas comunidades onde operam.


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Documentário: O veneno nosso de cada dia


Você sabia que anualmente milhões de pessoas tem intoxicações agudas e que mais de 200 mil pessoas morrem anualmente devido ao uso de agrotóxicos em nossos alimentos? Os produtos químicos estão elencados como os principais causadores de doenças como Parkinson e Alzheimer, vários tipos de cãncer, assim como doenças do sistema nervoso, imunológico e reprodutivo.
O pior de tudo é que os estudos que definem quais os índices diários aceitáveis de agrotóxicos em nossa alimentação estão sob a influência de corporações que fabricam os mesmos.
Da mesma forma, outros produtos químicos, como o aspartame e o glutamato monossódico, colocados em nossos alimentos são aprovados, pondo em risco a saúde humana em nome dos enormes lucros das corporações, que possuem estreitas relações financeiras com os agentes públicos que deveria regulá-los.. 






Ficha técnica:
Gênero: Documentário
Data: 2011
País: França
Direção: Marie-Monique Robi
Duração:113 minutos

Legendas em Espanhol e a partir dos 35 min. em português
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A revolução não será televisionada – O golpe na Venezuela


Em abril de 2002, na Venezuela, após uma série de ataques da mídia local, o presidente Hugo Chávez sofre um golpe e é sequestrado. Uma equipe de TV da Irlanda estava no país desde setembro de 2001, para realizar um documentário sobre o presidente e sua administração popular.Kim Bartley Donnacha O’Briain, ao perceberem a movimentação política do país, registraram as manifestações, pró e contra, que culminaram no golpe. Esses registros, com imagens inclusive do interior do palácio, se tornaram o documentário “A Revolução não será televisionada”, lançado em 2003.




Ficha técnica
Gênero: Documentário
Data: 2003
País: Irlanda
Filmado e dirigido por: Kim Bartley e Donnacha O’Briain
Produzido por: Power Picture associada à Agencia de Cinema da Irlanda.
Edição: Angel H. Zoido
Produtor Executivo: Rod Stonemann
Produzido por: David Power
Duração:74 minutos

O Mundo Amanhã - Noam Chomsky e Tariq Ali



Assange recebe Noam Chomsky e Tariq Ali para conversar sobre as mudanças políticas recentes ao redor do globo. Os dois analisam: para onde será que o mundo caminha?

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Uma história Severina



Severina é uma mulher que teve a vida alterada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ela estava internada em um hospital do Recife com um feto sem cérebro dentro da barriga, em 20 de outubro de 2004. No dia seguinte, começaria o processo de interrupção da gestação. Nesta mesma data, os ministros derrubaram a liminar que permitia que mulheres como Severina antecipassem o parto quando o bebê fosse incompatível com a vida. Severina, mulher pobre do interior de Pernambuco, deixou o hospital com sua barriga e sua tragédia. E começou uma peregrinação por um Brasil que era feito terra estrangeira - o da Justiça para os analfabetos. Neste mundo de papéis indecifráveis, Severina e seu marido Rosivaldo, lavradores de brócolis em terra emprestada, passaram três meses de idas, vindas e desentendidos até conseguirem autorização judicial. Não era o fim. Severina precisou enfrentar então um outro mundo, não menos inóspito: o da Medicina para os pobres. Quando finalmente Severina venceu, por teimosia, vieram as dores de um parto sem sentido, vividas entre choros de bebês com futuro. E o reconhecimento de um filho que era dela, mas que já vinha morto. A história desta mãe severina termina não com o berço, mas em um minúsculo caixão branco. 
Direção e Roteiro Débora Diniz e Eliane Brum.
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Ilha das Flores


No ano de 1990, Jorge Furtado, diretor dos longas Houve uma vez dois verões (2002), O homem que copiava (2003), Meu tio matou um cara (2004) e Saneamento Básico (2007), levou o Urso de Prata de melhor curta no Festival de Berlim pelo aclamado Ilha das Flores, lançado um ano antes.
Estruturado como o mais básico dos telecursos, Ilha das Flores mapeia a trajetória de um tomate na sociedade de consumo, em uma amarga demonstração da lógica capitalista. Numa série de vinhetas secas e irônicas, nas quais a encenação de um registro documental é intercalada com animações e imagens, desde a plantação até ser jogado fora, percorre um longo caminho, expondo a "cadeia alimentar" que rege a nossa sociedade.
Concebido para "ser compreendido até por um marciano", o filme alia um competente roteiro, onde o texto, como de praxe nos filmes de Furtado, é o trunfo. Este é inequivocamente um dos melhores curtas já produzidos.
Confira abaixo o filme:


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Documentário - Catastroika




O documentário Castastroika faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás.
 Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy. 
De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.
As consequências mais devastadores registram-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de "resgate". Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objetivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro.
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Documentário: Che, um Homem Novo




Assassinado aos 39 anos, Ernesto Che Guevara tornou-se um verdadeiro ícone da nossa era. Sua imagem, seu trabalho e filosofia mantêm uma grande influência nos dias de hoje. O documentário busca explorar alguns fatos-chave de sua vida: a intimidade, a educação inacabada, os estudos e pensamentos a serviço da ação e construção de um novo mundo. Um retrato íntimo baseado em seus textos, gravações, narrações literárias e material de filmagem do tempo em que viveu.
Dirigido pelo  cineasta argentino Tristán Bauer, o filme  revela uma imagem pouco conhecida de Che e explora suas aspirações, que para o diretor seguem vigentes.
Che, um Homem Novo, produzido por Argentina, Cuba e Espanha, mostra o lado humano do guerrilheiro argentino-cubano para apresentar "o verdadeiro homem que existiu por trás do mito".O filme recebeu o reconhecimento do Festival de Cinema de Montreal, no qual ganhou o prêmio de melhor documentário.







Informações técnica:
2010 | color | 35mm | 129 min. | Documentário Argentina, Cuba, Espanha
Idioma: Espanhol | Legenda: Espanhol
Diretor  Tristán Bauer
Roteiro  Tristán Bauer, Carolina Scaglione
Fotografia  Javier Juliá
Montagem  José María del Peón, Carolina Scaglione, Gabriel Golzman
Produção  INCAA, Centro de Estudios Che Guevara, Golem Distribución
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Terra para Rose



Rose sonhou com a conquista da terra, com um futuro melhor para o seu filho. Como todas as outras mulheres das mil famílias que invadiram a Fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul, em 1985, Rose aprendeu a compartilhar seu destino com a mesma força com que sonhava. O desejo comum dos sem-terra era para ela mais do que apenas ser solidário na mesma luta. E Rose faltou de Reforma Agrária enquanto amamentava o filho, fazia comida ou ajudava no acampamento. Emoção de verdade é a tônica deste documentário que traz imagens fortes. Imagens das 8 mil pessoas enfrentaram o frio, a fome e as tropas militares enquanto lutavam por um pedaço de terra para plantar.
Um filme de Tetê Moraes.
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Glauber Rocha - Maranhão 66



Maranhão 66 é um documentário de curta-metragem brasileiro de 1966, dirigido por Glauber Rocha.

A pedido do então governador eleito e amigo José Sarney (então com 35 anos), Glauber Rocha produziu um documentário sobre a cerimônia da posse do político em ascensão da UDN/ARENA em 1966, dois anos depois do golpe militar de 1964. A posse de Sarney, em 1966, marcava o início da domínio político de sua família no Maranhão.

Ante o discurso de posse de Sarney e a celebração da multidão com o novo governo, o documentário expõe a miséria da população maranhense. Enquanto Sarney, em um exercício retórico, se comprometia solenemente a acabar com as mazelas do estado, o filme mostrava as mesmas: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose.

Glauber retirou dois planos dos negativos de Maranhão 66 para sobrepor em Terra em Transe. Foi utilizado para um comício do personagem Filipe Vieira (vivido por José Lewgoy), governador da província de Alecrim, no fictício país chamado Eldorado. Vieira era um político demagogo que se elegeu à custa do voto dos camponeses e operários e que, após assumir o governo, ordenou o fuzilamento dos líderes populares.

Foi também no set de Maranhão 66 que Eduardo Escorel, então técnico de som, leu pela primeira vez o roteiro de Terra em Transe, filme em que assinaria a montagem.

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Documentário: A Ordem Criminosa do Mundo



Documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha. A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo. O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.
Texto: Docverdade

A História da Água Engarrafada



Um esclarecedor vídeo que mostra a importância da água enquanto bem público. Como bem contextualiza Emir Sader: "Antes, quando dávamos exemplo de um bem que tem valor de uso e não valor de troca, usávamos a água. O neoliberalismo acabou com isso. Privatiza a água, que se tornou uma mercadoria como outra, apesar de ser bem essencial à sobrevivencia das pessoas."

O golpe na Venezuela: A revolução não será televisionada



A revolução não será televisionada, documentário de Kim Bartley e Donnacha O'Briainsobre sobre o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002.
O golpe foi consumado, pois não houve resistência de Chaves, que foi preso. Mas as manifestações populares e o apoio de militares fiéis ao país enfraqueceram os golpistas e Chaves retornou ao governo. Este documentário já se converteu em uma referência sobre a participação da mídia privada nos processos políticos latino-americanos.
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Cruzando as Crises norte-americanas


Na estrada da crise

Filme Cruzando as Crises norte-americanas traz a história de jovens que rodaram os EUA em meio às turbulências financeiras

Por Jefferson Pinheiro



 


Um filme de estrada, sobre um país que se despedaça. Com um carro emprestado, um casal de jovens (ele estadunidense, ela brasileira) percorreu 17 mil quilômetros pelos Estados Unidos, em duas viagens. A primeira, quando estourou a crise de 2008. A segunda, um ano após a eleição de Obama. Os dois se jogaram nas ruas para ouvir o que na rua estavam sentindo, pensando, dizendo e fazendo. Um filme de depoimentos impactantes de gente do povo. Com a palavra: latinos, negros, brancos pobres e indígenas. Um registro documental contundente que desmancha a ideia que temos (ou tínhamos) do país considerado a maior potência mundial. Um lugar que está se quebrando, onde a parte mais vulnerável da sociedade tenta juntar seus cacos. “Somos a cidade mais segregada, com a taxa de crimes mais alta. Detroit é o que é por causa da indústria, do capitalismo e da democracia. Somos o fracasso de tudo isto. É o que nos resta”, lamenta o jovem negro Jon Blount, no começo do filme, sob uma cidade desolada.

Cruzando as crises norte-americanas é uma colagem de rostos, falas, lugares e situações que dão uma ideia do panorama geral. Sob a aparente segurança da economia mais forte, o caos vai entrando na vida de muita gente. Na tela, a animação gráfica percorre o trajeto no mapa que os diretores fazem nas ruas. De Rosebud a Denver e, depois, a Salt Lake City. E, assim, o território vai sendo visitado, mostrado, escutado, auscultado. Se fundem o olhar de Mike, de dentro, com o olhar de Silvia, de fora.

O documentário também foi dividido em duas partes que se completam. Na primeira, Colapso, a pior crise financeira dos Estados Unidos desde a Grande Depressão é apresentada nas notícias das TVs, jornais e rádios que escancaram o caos e se misturam com as imagens da estrada, pulando de cidade em cidade, estado em estado. Muitas vezes, da janela do carro os olhos da câmera captam paisagens áridas, degradadas, desertas, fantasmagóricas. A crise é ouvida nas falas de desilusão e desesperança, de quem perdeu o trabalho e a crença nos governos.
Na segunda parte, Ação, acompanha o que associações, Ongs, cooperativas e pessoas estão tentando reconstruir, conquistar através de mobilizações, passeatas, manifestações, greves, embates, articulações. É nesta parte que a luta da população vai sendo apresentada pelo que assegura a Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas que não é cumprido: não há saúde, educação, moradia e vida com dignidade para todas, para todos. Cruzando as crises é, essencialmente, um documentário sobre pessoas. E elas estão o tempo todo se sucedendo na tela: trabalhadores, ativistas, desempregados, estudantes, moradores de rua, sindicalistas, professores.
Até onde se pode confundir um governo com seu povo, tanto lá quanto em qualquer lugar? Parece que os estadunidenses estão descobrindo na própria carne, parte da dor que sua pátria já distribuiu em tantas outras geografias. “Não temos uma cultura social, temos uma cultura econômica, que não é sustentável. Talvez, todo este país esteja bêbado, e estamos começando a acordar com as conseqüências. Se a economia entrar em colapso, quem sabe vamos descobrir o valor das relações humanas”, reflete Michael Combs, um senhor de barbas brancas e chapéu furado, cantor de rua, escorado na parede de uma calçada em Santa Fé, Novo México. Antes de tudo, o filme é sobre esta crise de valores alienante, acachapante, que agora sacode os cidadãos. Como em Baltimore, onde trabalhadores mobilizados estão tentando criar uma “zona de direitos humanos”, onde finalmente estes sejam respeitados.
Parece contraditório que o país imperialista, que há décadas liderava sozinho a economia mundial, deixe seus próprios filhos na mão? Não é. Michael Moore nos seus filmes já revelou estas contradições e injustiças, mostrando o quão ridícula é, muitas vezes, sua sociedade e perverso seu sistema econômico, a lógica desse mercado selvagem que move o Estado yankee em declínio.
Agora, que muitas mentiras que alienaram quase uma sociedade inteira desmoronam, vem este golpe na autoestima, na arrogância e na onipotência. Gente que se diz cansada de ser tratada como lixo. Mas refletem os norte-americanos à custa da opressão de quem e em quais lugares conseguiram viver durante tanto tempo em altos níveis econômicos? Para isso não há perguntas nem respostas claras no filme. No entanto, para recuperar sua condição econômica, os mais pobres não miram outras riquezas que não as do próprio país: 10% da população é dona de 70% da riqueza total. Reivindicam redistribuir.

Incluindo-se nos excluídos
Mesmo que não chegue a ser didático, é um fi lme informativo, militante. Um grito de parte dos estadunidenses se incluindo entre os excluídos do mundo. São 43 milhões de pobres e 47 milhões sem seguro médico, que provavelmente não receberão atendimento se adoecerem. Desde o início da crise, em 2008, oito milhões de pessoas já perderam suas casas, por conta das hipotecas. Atualmente, apenas 53% das crianças negras terminam a escola. Na Califórnia, nos últimos 20 anos foram abertas 24 novas prisões e apenas uma universidade. É uma fábrica de prisões privadas, que serve para ganhar dinheiro com as pessoas que o próprio sistema exclui. Um em cada nove negros está preso nos Estados Unidos. No estado de Nova Iorque, dos encarcerados em seus 70 presídios, 80% são negros e latinos. “Enquanto estão resgatando as instituições financeiras, seguem encerrando comunidades pobres e negras em celas exóticas.
Exigimos liberdade para respirar!”, se impõe uma garota num parque em Oakland, enquanto alguns estudos falam na volta da escravidão.
“Resgataram os bancos! E nos venderam!”, denunciam os cartazes numa manifestação. “Não podem usar nosso dinheiro para nos oprimir”, alguém fala ao microfone. Passadas a euforia e a esperança no governo de Obama, a população tem a sensação de “mais do mesmo”. Para o casal que dirigiu o filme, a classe trabalhadora, os pobres e as minorias estão piores do que nunca e a indignação diante da crise econômica desastrosa é resultado de um caos gerado por um sistema de desigualdades. “As soluções não vão vir desde cima. As soluções para cruzar as crises estadunidenses estão nas mãos do povo”, constatam Mike e Silvia, diante da própria câmera. É o que enxerga também o líder comunitário Manuel Criollo: “É o povo que sustenta esse sistema”, lembrando que as pessoas organizadas podem ser as protagonistas das mudanças.
Não é uma tarefa simples a de colocar tanta gente e tantas situações para compor este outro retrato dos Estados Unidos e seu povo, mas por fim, é mesmo esta diversidade fragmentada que nos dá a oportunidade de compreender parte do que se passa por lá. E pensar nos erros que outras nações podem cometer, quando têm este país como referência. Em Porto Alegre, quando a produção foi exibida em junho, Alexandro, um cubano que passava por intercâmbio na cidade, repetia após a sessão que o fi lme precisava ser visto em Cuba, por todos. Desfazer mitos. Colocar a verdade no seu lugar. Por aqui também.
Num viaduto da capital gaúcha, há muitos anos se renova uma inscrição lembrando um pensamento de Mao: “O imperialismo é um tigre de papel”. Sempre achei esta frase um tanto ingênua, muito mais um desejo do que realidade. Mas este filme nos mostra sua fragilidade latente. Neste momento em que há tantas revoltas populares em ebulição e o capitalismo parece entrar novamente numa encruzilhada, mesmo que não seja de papel, o império outra vez expõe seus rasgos, dá sinais de que um dia pode e deve se desmanchar.
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