Ainda que pouco eficiente a esta altura, a tentativa do governo de São Paulo de circunscrever as causas da falta de água a fatores meteorológicos busca evitar o questionamento das políticas produtoras dessa crise, que vêm sendo concretizadas há décadas Por Delmar Matter, Renato Tagnin e José Prata
A atual situação extremamente crítica de escassez de água nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas foi prevista há pelo menos uma década por técnicos da área e nos planos elaborados para os recursos hídricos regionais, visto que o consumo superaria a água disponível. Na prática, suas consequências na redução do suprimento já eram sentidas há muito tempo, em vários municípios e áreas periféricas dessas regiões, condição que agora se estende para outros locais, com a persistência da estiagem. Era evidente a impossibilidade de manter o suprimento para quase a metade da metrópole de São Paulo, com a água retirada da região de Campinas, via transposição pelo Sistema Cantareira, considerando o aumento da demanda populacional, industrial e agrícola de todas essas regiões.
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (25) na sua conta no Twitter que o episódio de Pinheirinho não será esquecido. Ao assinar a ordem de serviço que autoriza a construção de 1.461 unidades habitacionais para famílias despejadas da comunidade de Pinheirinho, em 2012, a presidenta Dilma Rousseff disse que as novas residências são resultado da luta dos moradores. “Em 2012, tivemos esse terrível episódio que é um marco na luta de vocês. Mas hoje, apesar de aquele dia estar gravado na memória e no coração de vocês, tenho certeza de que hoje vai estar gravado como o dia em que a luta de vocês chegou ao bom resultado, que está em cada tijolo, em cada telha, no cimento, em cada pedaço da casa de vocês”, disse Dilma, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Com ampla divulgação na rede e contando com uma considerável repercussão nos dias que a antecederam, a Marcha da Família com Deus foi um grande fracasso. Realizada neste sábado (22/03) um grupo inferior a 500 pessoas se concentrou ao redor de um trio elétrico na Praça da República em São Paulo, portando cartazes pedindo a "volta da ditadura", ataques ao PT e ao seu governo "comunismo", o pequeno agrupamento propiciou um espetáculo patético.
Formado por um público bastante heterogênico, em sua maioria vestidos de branco, verde e amarelo e portando bandeiras do Brasil, o grupo tinha motivações distintas e confusas, mas em comum, um nacionalismo associado aos tempos ditatoriais pós-1964 e um discurso anticomunista vindo diretamente dos tempos da guerra fria. Em um dos momentos "altos" do ato, uma estátua de Nossa Senhora de Fátima foi erguida no trio elétrico, seguida por discursos de um grupo de maçons que prestavam seu apoio a marcha.
Nos dias que antecederam a marcha, alguns pessoas chegaram a esboçar alguma preocupação quanto a uma possível grande adesão a este movimento. Por estarmos em ano eleitoral, com uma provável vitória da presidenta Dilma - ainda no primeiro turno - associada aos 50 anos do golpe, parecia haver os elementos para aflorar um redivivo golpismo.
No entanto, o que se viu nas ruas foi o mais perfeito retrato da extrema-direita brasileira: muito barulhenta na mídia e nas redes, mas com uma capacidade residual de diálogo com a sociedade.
A revista Veja precisa tomar mais cuidado com seus heróis e ícones. Na semana passada, a sua edição paulista, a Vejinha, deu uma patética capa para Alexander de Almeida, o “Rei dos Camarotes” – uma figurinha que se jacta de torrar R$ 50 mil por baladas. Agora, o sítio G1 informa que o sujeito já espancou sua ex-mulher e sua filha. No passado, Veja elegeu o ex-senador Demóstenes Torres como “o cavaleiro da ética”. Depois, o ex-demo foi processado, preso e cassado devido às intimas ligações com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Mesmo assim, a revista não se cuida!
Documentos recebidos da Suíça pelo Ministério da Justiça comprovam a existência de uma conta bancária no país europeu para abastecer o propinoduto do governo do PSDB em São Paulo. Segundo reportagem publicada na edição desta semana da revista IstoÉ, a conta batizada de “Marília” movimentou o equivalente a R$ 64 milhões de reais (20 milhões de euros) entre 1998 e 2002, e garantiu o pagamento por lobistas a agentes públicos subornados para favorecer empresas envolvidas no esquema de cartel e corrupção no transporte público.
O comportamento cúmplice de setores da mídia com o tucanato paulista é assombroso. Se o esquema organizado de pilhagem do erário no metrô de São Paulo não tivesse o envolvimento direto do PSDB, mas de sim qualquer outro partido, qual seria a manchete do Estadão da última sexta (09/08), por exemplo? O compromisso com a informação fica escamoteado e esquecido frente a necessidade de tentar salvar a imagem do PSDB. Esta postura francamente partidária e conservadora de setores da mídia, com honrosas exceções na mídia impressa, como as revistas IstoÉ e Carta Capital, tem se mostrado cada vez mais inútil. O esforço de tentar manipular a realidade, como forma de garantir os seus interesses corporativos e políticos, tem acelerado um processo de perda do monopólio da informação. Não é a toa que a credibilidade do oligopólio midiático é cada vez menor. É por essa manipulação permanente da informação que hoje, 51% dos brasileiros se informam por meio de blogs e mídias sociais, como aponta a pesquisa do Reuters Institute da Universidade de Oxford, realizada este ano.
Se a velha mídia golpista seguir tentando encobrir e proteger o PSDB e suas principais figuras públicas envolvidas nestas denúncias de corrupção, poderá ver o que lhes resta de credibilidade naufragar definitivamente junto com o tucanato paulista.
Serra deu uma patada atômica nos paulistas Por Paulo Nogueira
Serra está, enfim, na manchete da Folha no caso das propinas do metrô.
O único problema é que é com cinco anos de atraso.
Em 2008, ele era governador quando as denúncias surgiram, trazidas do exterior. A Siemens recebera uma multa bilionária nos Estados Unidos por causa de subornos em vários países, incluído o Brasil.
Diz a Folha hoje: “Serra sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação do metrô, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época.”
Não eram apenas médicos e médicas que estavam "protestando contra o Governo Dilma". O blog do jornalista Renato Rovai traz uma importante revelação sobre o ato promovido pelo Conselho Regional de Medicina de SP (Cremesp) nesta quarta-feira (03/07) na Avenida Paulista: funcionários do Cremesp foram pagos para participar da passeata, onde usavam jalecos brancos, para simular que seriam médicos e dar volume para a passeata.
Possivelmente situações semelhantes devem ter ocorrido em outras cidades onde manifestações como essas aconteceram. O ataque contra a contratação de médicos estrangeiros foi a principal bandeira levantada nestas manifestações. A estratégia deles é tentar produzir uma imagem de "uniformidade", junto a opinião pública, de que toda a categoria estaria unida contra as propostas do Governo Dilma para área da saúde. Por isso a necessidade de mostrar uma força maior do que realmente tem. O discurso corporativista presente em muitas das falas dos médicos que foram reproduzidas pela grande mídia, aparentemente, não é uma realidade tão generalizada como eles tentam mostrar. Mais do que o discurso fortemente conservador e com "tintas" oposicionista dos médicos presentes nestas manifestações, o que realmente é revelador são as ausências. Quantos médicos não discordam desta linha política e se recusaram a comparecer nestes atos? Qual a razão de outras categorias ligadas a área da saúde não estarem se somando nestes atos? Esta são algumas questões para serem refletidas.
A manifestante na foto acima demonstra, em sua mensagem, como eles estão "preocupados" com os problemas que afetam a maioria do povo brasileiro no acesso a saúde.
Foi identificado um dos provocadores, suspeito de ser pago pela direita, para causar ações violentas de depredação e intimidação no protesto em São Paulo desta terça-feira (18/06). O sujeito acima nas fotos seria Tiago Ciro Tadeu Faria, sujeito que em seu currículo, praticou ações como rasgar os votos da apuração das escolas de samba no carnaval de SP em 2012.
As informações foram divulgadas nas redes sociais, através da grupo anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook.
Aproveitando-se da grande mobilização dos estudantes, reunindo mais de 50 mil pessoas, um pequeno grupo de provocadores, aproximadamente uns dez brutamontes, insuflaram alguns manifestantes mais afoitos e partiram em uma ação claramente orquestrada de tentativa de invasão do prédio da prefeitura de São Paulo.
A imensa e esmagadora maioria dos manifestantes repudiou a ação. Mais do que repudiar, foram os próprios manifestantes que impediram que uma invasão semelhante a que ocorreu ALERJ, na segunda-feira, ocorresse. Estranho, para dizer o mínimo, a atitude da PM do estado de SP. Completamente omissa, não fosse a atuação dos verdadeiros manifestantes, o prédio da prefeitura (patrimônio público) poderia ter sofrido ainda maiores depredações e prejuízo para o povo de São Paulo.
A pergunta que fica é: quem financiou e promoveu estas ações? Quais são as suas intenções?
Abaixo, segue mensagem a mensagem original do anarquista Black Bloc, em sua página do Facebook, denunciando o farsante e trazendo sua identificação.
Boa noite, Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012
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O vídeo acima ilustra a covardia da Polícia Militar de São Paulo durante os protestos contra o aumento das passagens nesta quinta-feira (13/06). Os manifestantes pedem não à violência e a resposta da PM é mais brutalidade e violência.
Uma ação inaceitável em uma democracia. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) deve ser responsabilizado pela brutalidade da ação da PM. A generalização da violência e da repressão policial deixa clara que houve uma orientação de governo pelo uso desproporcional da força, desmentindo qualquer tentativa de culpar os PMs de maneira isolada. Estes é que são os verdadeiros "vândalos"!
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O cidadão acima resolveu mostrar sua "revolta" para o mundo, certamente o sujeito deve ter lido sua Veja antes de sair de casa e foi protestar na Avenida Paulista nesta última terça-feira (11/06). Os objetivos desta manifestação e sua abrangência, a foto acima, é auto-explicativa.
Um belo exemplar do "idiota reacionário moderno", com objetivos difusos, muito preconceito e visão colonizada de mundo. A "frase" na bandeira do Brasil e a camiseta dos EUA evidenciam esta colonização cultural, comum a todo bom reaça deste canto do mundo.
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Nas eleições municipais de São Paulo vencidas ontem pelo PT, seu líder Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ser o único presidente latino-americano que mantem intacta sua influência e a capacidade de conduzir as linhas de um projeto de poder de longo prazo. Basta fazer uma comparação rápida pelo continente para demonstrar a tese. Há três meses, o presidente mexicano Felipe Calderón Hinojosa fracassou em sua tentativa de fazer com que sua agrupação, o direitista Partido Ação nacional, continuasse no poder no próximo mandato. Na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe viu seu projeto de poder belicista ser arquivado por seu sucessor, Juan Manuel Santos, um direitista envolvido hoje no diálogo de paz com a guerrilha das FARC.
A eleição de Fernando Haddad foi, sem dúvida, um triunfo da perspicácia política do ex-mandatário.
Comunicando-se por momentos com sinais devido a um tumor na laringe, Lula convenceu a cúpula do PT, há um ano, para que o até então pouco conhecido Fernando Haddad, fosse o candidato à prefeitura de São Paulo. Estava só. Os médicos tinham diagnosticado seu câncer no dia 28 de outubro de 2011. No dia 30 começou as sessões de quimioterapia e, na mesma semana, chamou seus companheiros para conversar sobre a ideia que vários viam como um capricho: a postulação desse graduado em Direito, Economia e Filosofia, autor de uma tese de doutorado sobre novas leituras de Marx, que nunca havia disputado um cargo majoritário. Finalmente, a direção petista acatou a candidatura do afilhado político de Lula em novembro do ano passado e a oposição ligada ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, líder do Partido da Socialdemocracia Brasileira (PSDB) comemorou antecipadamente o que imaginou seria uma derrota humilhante do PT nas eleições nesta cidade-estado de 11 milhões de habitantes que é São Paulo.
Dono se uma sensibilidade política impar, Lula se envolveu não só na defesa desse professor de 49 anos, que foi eleito ontem com mais de 56% dos votos, mas na nacionalização da eleição. Era praticamente o único petista convencido que seu partido era capaz de vencer em São Paulo e desferir assim um golpe no fígado da direita que havia feito da maior metrópole sulamericana uma trincheira ao projeto iniciado em 2003 com a chegada do maior partido da esquerda latino-americana ao Palácio do Planalto.
Essa obstinação colocou Lula a beira do ridículo midiático.
Desde o interior da empresa de entretenimento, notícias e desinformação Globo, o partido de fato cujo norte político tem sido atacar o governo petista da maneira que puder, surgiu a interpretação disseminada com força viral nos círculos políticos, de que o ex-torneiro mecânico estava debilitado por sua enfermidade e isso tinha feito feito com que ele perdesse o sentido da realidade ao pretender que o “poste” Haddad se tornasse um candidato viável.
A Globo baseava sua argumentação em um dado correto, o de que o postulante à prefeitura era um nada eleitoralmente, já que há 90 dias,
somente 3% dos paulistanos sabia de sua existência.
Ao longo da campanha, a Globo tratou Haddad com o mesmo script adotado em 2010 quando sua linha editorial foi mostrar a então candidata presidencial Dilma Rousseff como uma “ex-terrorista” sem luzes, tese urdida por Fernando Henrique Cardoso que a tratou como uma “marionete de Lula”. Cardoso e a Globo erraram o diagnóstico: Dilma demonstrou ter identidade própria e venceu as eleições presidenciais com 56 milhões de votos, derrotando Serra, do PSDB, o mesmo candidato que ontem foi derrotado por Fernando Haddad, em São Paulo.
Se a eleição de Dilma Rousseff há dois anos se deveu em grande parte ao ex-mandatário, a de Haddad foi uma obra que ele projetou e montou peça por peça desde o início, sem contar com a visibilidade que lhe dava o exercício da presidência.
Lula é um construtor obcecado e é o verdadeiro vencedor da eleição de ontem, a qual chegou a definir como uma “guerra” diante do bloco conservador que havia tomado como bandeira de campanha o escândalo de corrupção conhecido como “mensalão”, ocorrido durante seu governo entre 2003 e 2005.
A quimioterapia afetou o timbre de sua voz, mas isso não o impediu de participar como um militante de base em dezenas de atos em favor de Haddad e de dezenas de candidatos a prefeituras em todo o país antes do primeiro turno de 7 de outubro. Após um breve recesso em 17 de outubro quando viajou a Buenos Aires para reunir-se com a presidenta Cristina Fernández de Kirchner, no dia 19 Lula já estava animando outro comício em São Paulo na reta final do segundo turno realizado neste domingo.
A vigência política de Lula logo depois de deixar o governo é outro dado pouco usual na América Latina: nas recentes eleições presidenciais do México, o presidente Felipe Calderón foi derrotado pela oposição. Algo similar ocorre na Colômbia, onde o ex-presidente Álvaro Uribe viu seu projeto de guerra ser deixado de lado por seu sucessor Juan Manuel Santos em troca dos incipientes diálogos de paz com as FARC.
“Quero agradecer do fundo do meu coração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sou grato ao presidente Lula pela confiança e o apoio sem os quais teria sido impossível vencer essa eleição”, disse Haddad diante de seus correligionários que se preparavam para os festejos na Avenida Paulista.
Haddad também agradeceu à presidenta Dilma que, na sexta-feira, havia participado de uma festa privada por ocasião do aniversário de Lula que, no sábado, completou 67 anos.
O triunfo em São Paulo e o bom desempenho do partido governante nos 5.568 municípios que realizaram eleições em 7 de outubro, dos quais 50 tiveram segundo turno ontem, também foi uma vitória para Dilma, de 64 anos, ao cumprir a primeira metade de seu governo.
Haddad conquistou a confiança de Lula graças à sua gestão como ministro da Educação entre 2005 e 2012, quando implementou um programa de bolsas para estudantes pobres, o Prouni, que permitiu que cerca de um milhão de jovens chegassem à universidade. Agora deverá demonstrar que é competente para governar São Paulo e, se o fizer, confirmará seu nome como uma referência da nova geração petista, essa que Lula imagina, poderá governar o país na próxima década. Essa é a aposta de longo prazo do fundador do PT.
Em um ano, mesmo com a redução de 132 mil habitantes no estado de São Paulo -- que conta com 36% do total de presos no país -- o número de detentos aumentou em 9 mil; quarta maior população carcerária do mundo, Brasil concentra 515 mil detentos.
Entre brancos, indígenas e amarelos, os negros e pardos se concentram em maioria no sistema prisional do estado, chegando a quase 90 mil. Desses, a maior parte é de jovens de 18 a 24 anos.
Ainda de acordo com a pesquisa, em apenas um ano – entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011 – reduziu em 132 mil o número de habitantes em São Paulo - de 41,384 milhões para 41,252 milhões. Já o número de presidiários, no mesmo período, aumentou em 9 mil - de 171 para 180 mil.
Há, portanto, um aumento relativo entre 6 e 7% ao ano no número de presidiários no estado, levando em consideração que em 2009 eram 164 mil detentos e em 2008 pouco mais de 154 mil.
No Brasil
Somente atrás em número de presos para os Estados Unidos, China e Rússia, o Brasil concentra 515 mil detentos em seu sistema prisional. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), entre 1995 e 2005 a população carcerária do Brasil cresceu em 143,91% - de 148 para 361.402 presos.
Ainda de acordo com o Depen, entre dezembro de 2005 a dezembro de 2009 a população carcerária saltou para 473.626, o que representou um crescimento, em quatro anos, de 31,5%. Atédezembro de 2010, havia 496.251 detentos no país, ou seja, um aumento de 5% em um ano.
Qualquer semelhança com as táticas políticas de um certo candidato tucano para a Prefeitura de São Paulo, que concorreu e perdeu duas vezes para presidente da república, é apenas merca coincidência (ou não).
Se julgarmos pelo material flagrado acima, as eleições municipais deste ano em São Paulo começam a dar mostras de assumir um perigoso tom de intolerância.
Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores tem sido alvo de ataques constantes por ter defendido, na época que estava a frente do Ministério da Educação (MEC), políticas educacionais que visassem o combate a homofobia. A pressão da bancada evangélica fez o governo recuar e adotar uma política bastante tímida sobre o tema. Mesmo assim, para estes setores ultra-conservadores, o simples ato de propor algo que enfrente a questão do preconceito relacionado a opção sexual é considerado um "pecado". Para estes setores, a intolerância é a resposta. O caráter laico do estado brasileiro é soterrado pelo discurso religioso e moralista, interditando todo e qualquer debate mais abrangente.
O anúncio de que José Serra será o candidato tucano para a prefeitura apenas confirma a forte tendência a um rebaixamento do debate político para níveis rasteiros. Vale recordar a forma como Serra colocou debates morais e religiosos no centro do debate eleitoral para a presidência em 2010. Felizmente, a população brasileira não aceitou e Serra sofreu uma derrota acachapante.
A grande questão chave que fica, neste momento pré-eleitoral, é se a população da capital paulista aceitará que este discurso intolerante e moralista paute o debate político, relegando para um segundo plano o que deveria ser o debate central nesta eleição. A saber, os problemas atuais da cidade, os rumos que a cidade deverá tomar para um projeto de inclusão e democratização dos espaços públicos, entre outras questões realmente centrais que deveriam nortear estas eleições e que, certamente, deverá ser o centro do debate político assumido por Haddad.
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Que o jornal O Estado de S.Paulo é oligárquico, isto é fato desde a sua origem, quando publicava anúncios da venda de escravos. Que ele é golpista, isto está registrado na história com as suas conspirações contra Getúlio e Jango. Que ele é neoliberal, isto ficou patente no destrutivo reinado de FHC. Que ele gosta dos tucanos, em especial do Serra, isto ficou explícito na campanha de 2010. Agora, que o Estadão é um partido de direita, que funciona e age como tal, alguns ainda tinham dúvidas. No último domingo (29), porém, no editorial intitulado “Agora a capital, depois o Estado”, o jornal saiu do armário e se assumiu como ativa organização partidária. Ele conclama a sua militância – os seus fiéis leitores – a se mobilizarem para a batalha eleitoral de outubro próximo.
O medo das eleições municipais
Para o jornal/partido, as forças conservadoras correm sério risco nas eleições municipais na capital paulista, a principal cidade do país, o que torna inviável qualquer projeto de retomada do poder central em 2014. Na sua avaliação, o candidato “armado pelo lulopetismo”, o ex-ministro Fernando Haddad, será o principal adversário na contenda e precisa ser duramente combatido.
O Estadão tem visão estratégica. Teme que a derrota da direita na capital paulista seja “o trampolim [dos petistas] para conquista inédita” do governo do Estado. Neste sentido, o jornal oligárquico critica a divisão do bloco neoliberal-conservador e faz um chamamento à sua urgente unidade. Até parece um manifesto partidário (ou é?). Leia alguns trechos:
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“O maior adversário do PT em São Paulo, o PSDB, não apenas demonstra enorme dificuldade para articular uma candidatura competitiva, como enfrenta o problema adicional de permanecer numa posição ambígua, sem um discurso claro, em relação à prefeitura: não é exatamente situação nem oposição, embora tenha o rabo preso com a gestão Kassab”.
“Para embaralhar ainda mais o quadro, torna-se cada vez mais concreta a possibilidade de Gilberto Kassab fazer algum tipo de aliança do seu PSD com o PT – por paradoxal que isso seja. Segundo o prefeito tem confidenciado aos seus interlocutores, essa é uma opção a que ele está sendo praticamente impelido por aqueles que seriam seus aliados naturais”.
“O que importa é que na disputa pela Prefeitura de São Paulo está em jogo muito mais do que o poder municipal. Um dos fundamentos do regime democrático é a possibilidade de alternância no poder no âmbito federal, que está ameaçado pela perspectiva de o lulopetismo estender seus domínios ao que de mais politicamente significativo ainda lhe falta: a cidade e o Estado de São Paulo. Se existe uma oposição no País, está na hora de seus líderes pensarem seriamente nisso. E agir”.
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Estadão devia registrar o PIG
Tirando o cinismo da tese sobre “alternância no poder” – a não ser que o jornal considere os seus leitores idiotas, que não sabem que o PSDB comanda São Paulo há quase duas décadas –, o Estadão formula uma linha tática bem definida. Não é “ambíguo”. Caso os tucanos não sigam as suas orientações, a famiglia Mesquita até que podia registrar uma nova legenda – o PIG (Partido da Imprensa Golpista). .
Neste último dia 22/01 precensiamos uma mega-operação de reintegração de posse que envolveu a Polícia Militar do Estado de São Paulo e a Guarda Municipal de São José dos Campos que esbanja situações absurdas que depõem contra as mais elementares noções de cidadania e direitos humanos. Este episódio demonstra, de forma cabal, como um governo neoliberal, como o do PSDB em São Paulo, lida com as questões sociais.
Quem não está por dentro do ocorrido, recomendo assistir os dois vídeos abaixo:
Parecia piada pronta. Estudante, negro, espancado por um policial militar dentro da USP? Tudo isso em vídeo?
Ou é piada ou é boato.
Nem o mais troglodita dos carrascos seria capaz de assinar o recibo desta maneira.
Policial pode até ser rígido, mas não é burro.
“Querem fumar maconha sem ser incomodados”.Tem a seu favor a reitoria, o governador e a imensa maioria da opinião pública que vê na resistência dos estudantes ao policiamento ostensivo um sintoma de privilégio.
Do governador ao quatrocentão que nunca pisou na USP, todos estavam crentes de que, com a PM no campus, a segurança e a civilidade estariam instauradas de vez.
O resto era conversa, papo de intelectual.
Todo mundo sabe que polícia não agride, polícia protege.
Os argumentos em torno da ordem e da legalidade estavam tão consolidados que soaria como escárnio voltar à discussão a essa altura do campeonato: a PM sabe lidar com estudantes?
A resposta durou 1 minuto e 39 segundos, e é mais representativa que todos os calhamaços já publicados sobre o assunto. E levou a discussão para outro patamar: a polícia paulista sabe lidar com seres humanos?
Em 1 minuto e 39 segundos a resposta se torna evidente: no vídeo, um sargento, identificado como André Ferreira, avisa, educadamente, que o prédio sem uso há anos, ocupado pelos estudantes, precisa ser liberado. Os estudantes se negam a deixar o prédio. E questionam os motivos da ação (ao que parece, não está proibido ainda, num espaço estudantil, questionar determinada situação, ainda que o interlocutor seja um policial, um padre ou um professor).
A conversa é tensa, mas tudo parece estar sob controle. “Não gosto de você, e você não gosta de mim”. Ao que consta, num ambiente universitário, ninguém é obrigado a gostar de ninguém.
Até que um negro, o estudante de Ciências da Natureza Nicolas Barreto, entrou na conversa, da qual não foi chamado – como não foi chamado para aquela universidade, se dependesse de quem a financia.
E se tornou, naquele instante, a expressão mais exata da violência e do preconceito que a inteligência brasileira supunha enterrados.
O peso da mão policial é exatamente o peso de anos, séculos de rejeição ao acesso de negros a antigos círculos restritos. Como a universidade.
“Negro numa universidade? Não pode ser aluno. Se for, é baderneiro. Se apanhou, é bem feito. Se não amanha qualquer herdeiro da escravidão vai começar a dizer ao Estado o que deve ser feito”.
A reação policial, nesse contexto, é quase profilática.
Porque o sargento escalado para a agir naquele espaço é o Estado presente, o detentor do monopólio da violência autorizado a agir com os estudantes exatamente como age com o cidadão comum. E hoje a polícia militar, acusada tantas vezes de truculência, mostrou às câmeras o que sabe fazer de melhor, o que faz há anos nas casas, nas favelas, nas ruas – com ou sem mandado, com ou sem força excessiva.
O vídeo mostrou que o baderneiro, na verdade, vestia farda, e não chilenos. E perdia a razão, agindo como marginal. Mudou de lado?
Horas depois, foi anunciado o seu afastamento do meliante (ops, policial), junto com um comparsa (ops, colega). Mas a questão está em aberto. Só mudou de patamar. Vale insistir “A PM paulista sabe lidar com seres humanos?”
Parte das respostas pode estar incrustrada sob o velho argumento: foi caso isolado.
Não foi. A agressão ao estudante da USP, assim como as agressões diárias sofridas por quem não tem sequer carteira de estudante para se defender de bordoadas, é a crônica de uma guerra anunciada. A fórmula? Basta colocar policiais armados querendo mostrar serviço numa área pacificada.
O sargento Ferreira tinha autorização para cumprir sua função. É em agentes públicos como o sargento Ferreira (o mesmo sargento que estranha ao ver um negro se apresentar como estudante) que o governo do estado dá a incumbência de levar segurança e civilidade para as ruas e, agora, para o campus. Ele era o braço autorizado do estado para atuar naquele instante. Para isso foi treinado e orientado. E algo que militar sabe fazer é cumprir ordem e obedecer.
A manifestação gratuita, e gravada, de truculência e a covardia é um direito outorgado ao sargento Ferreira ao longo de mais de 181 anos de corporação que hoje envergonha seu próprio estado.