Stela cobra da base governista convocação de Martini e Culau

A deputada Stela Farias (PT) cobrou da base governista nesta terça-feira (29), na tribuna da Assembléia Legislativa, a aprovação dos requerimentos para convocar membros do governo do Estado para depor na CPI do Detran. A petista insiste para que o ex-secretário de Planejamento, Ariosto Culau, e o secretário de governo, Delson Martini, compareçam à comissão de inquérito para esclarecer “situações , no mínimo, suspeitas. “As investigações chegam a pessoas muito próximas à governadora, como seus coordenadores de campanha Lair Ferst e Chico Fraga e o secretário-geral do governo, Delson Martini. Ao mesmo tempo em que o cerco se fecha, a base aliada reorganiza a tropa de choque para blindar o Executivo. Precisamos romper o bloqueio e esclarecer as denúncias”, defendeu a parlamentar.

Ao apresentar um balanço da comissão de inquérito, Stela descreveu as quatro fases distintas que, segundo ela, marcam a estratégia dos que não querem aprofundar as investigações. “Primeiro, foi o período da cera, com os governistas trabalhando para protelar o início das investigações. Depois, foi a disputa sobre o plano de trabalho, em que a base aliada queria investigar tudo, menos a corrupção. Em seguida, veio a fase dos eloquentes silêncios. E, agora, temos o momento da solidariedade do governo com os envolvidos na fraude”, analisou.

Segundo a deputada, há uma completa inversão de valores expressa no fato da governadora Yeda Crusius manifestar solidariedade com indiciados, como Lair Ferst e Flávio Vaz Neto, e tentar intimidar o presidente da CPI, Fabiano Pereira, e deputados da oposição. “O Palácio Piratini teme a CPI e, por isso, se deixa chantagear. Ao permitir que um conjunto de fatos permaneçam sem explicação,o governo perde legitimidade e corre o risco de se tornar inviável.”

Armação

Sobre a polêmica em torno da compra de um imóvel por Yeda Crusius depois da campanha eleitoral de 2006, Stela afirmou que seria “mais elegante e correto se a governadora apresentasse toda a movimentação financeira que deu origem à aquisição. A simples afirmação de que se trata de um assunto privado não permite dissipar as suspeitas, não esclarece e não faz bem ao governo.”

Por fim, a deputada disse que o episódio que redundou na queda do secretário de Planejamento pode ter sido uma armação de Lair Ferst para mostrar força ao governo e cobrar “os créditos” que ele (Lair) diz ter junto ao Executivo. “Lair Ferst é uma pedra no sapato da governadora, das fundações e do Detran”, disparou.

A natureza não é muda

Eduardo Galeano

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam- se as flores e a comida, e o céu e a terra ficam completamente loucos.
E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.
A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas instruções que nos deu lá do monte Sinai: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".


Um objeto que quer ser sujeito


Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.
Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.
E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de propriedade, e nunca como sujeito de direito.
Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.
Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos... Uma loucura. Como se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas: direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo. Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros

Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.
Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.
Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem vida própria, e valores próprios, para além de nós.
Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro futuro possível.
Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.
Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Ariosto entrega o cargo

O secretário estadual do Planejamento e Gestão, Ariosto Culau, não resistiu à repercussão negativa de seu encontro com o empresário Lair Ferst, flagrado por Zero Hora na quinta-feira. Ariosto entregou o cargo agora há pouco.

Ferst é um dos indiciados pela Operação Rodin por suspeita de participação na fraude do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Às 19h20 de domingo, Ariosto entregou uma carta de duas páginas na qual explica as razões de seu pedido de exoneração. Disse que o encontro com Ferst teve caráter estritamente pessoal. Mostrou-se constrangido e pediu desculpas a Yeda pelo transtorno. No texto, relatou que sempre se pautou pela ética. A governadora, que se encontrou com Ariosto domingo à noite em local não revelado, aceitando o pedido de exoneração.

Obs: Assim como a governadora aceitou o pedido de exoneção do seu secretário, deveria aceitar também explicar como comprou sua manção logo após a eleição, pois isso é tão curioso quanto seu secretário tomar chope com o quadrilheiro do Detran

Recorde:Emprego com carteira assinada é o maior em seis anos, aponta IBGE

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado manteve-se estável em relação a fevereiro e cresceu 8,7% (mais 749 mil postos de trabalho com carteira assinada) em relação a março de 2007, mostra pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de desocupados (2,0 milhões) manteve-se estável frente a fevereiro, mas reduziu-se em 14,1% (menos 328 mil pessoas) em relação a março de 2007.

O porcentual de trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados nas seis regiões do Brasil, no entanto, chegou a 43,9% em março de 2008, segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo. A taxa é superior à registrada em março do ano passado, quando ficou em 41,8%, e ainda maior que a do início da série, em março de 2002, de 40,8%.

Segundo Azeredo, somando também os militares e os funcionários públicos ao contingente de trabalhadores com carteira, ou seja, reunindo todos os trabalhadores considerados formais entre os ocupados nas seis regiões, o porcentual chegou a 51,6% em março de 2008, o maior porcentual da série histórica. "Em termos de trabalho registrado, formal, é o maior porcentual até hoje", disse. Em março de 2002, esse porcentual era de 48,1%.

De acordo com Azeredo, a formalidade maior no mercado de trabalho responde a um processo gradativo de recuperação. "É uma evolução, uma recuperação sustentada do mercado de trabalho, que vem ocorrendo gradativamente. Ainda que o Brasil tenha taxas de desemprego ainda elevadas, há um processo de recuperação que vem se sustentando desde 2005, com uma mudança na estrutura do mercado, resultando da queda no número de desocupados, aumento da ocupação, maior fiscalização", disse.

Os homens representavam, em março de 2008, 55,9% da população ocupada, enquanto as mulheres, 44,1%. A população de 25 a 49 anos representava 63,3% do total de ocupados. O percentual de pessoas ocupadas com 11 anos ou mais de estudo era de 55,3%.

PT e PSDB de mãos dadas

Frei Betto

Nunca vi cabeça de bacalhau, mendigo careca, santo de óculos, ex-corrupto, nem filho de prostituta chamado Júnior. Nunca imaginei que, fora dos grotões, onde o compadrio prevalece sobre princípios ideológicos, veria uma aliança entre PT e PSDB. Mas o impossível acontece em Belo Horizonte, com ampla aprovação das bases petistas.


Mudei eu ou mudou o Natal? Sim, sei que Minas, onde nasci, é terra estranha, o inusitado campeia à solta: mula-sem-cabeça, lobisomem, chupa-cabra, discos voadores... Criança, vi na Praça Sete, na capital mineira, uma enorme baleia exposta à visitação pública na carroceria de uma jamanta. A Moby Dicky embalsamada exalava um forte mau cheiro que obrigou as esculturas indígenas do Edifício Acaiaca a tapar o nariz.


O que foi feito da grita do PT belo-horizontino sob oito anos de governo FHC? Em que bases programáticas a aliança se estabeleceu? Quem cedeu a quem? Quem traiu seus princípios políticos e históricos?
Lembro dos anos 50/60, quando o conservador PSD, de JK, fez aliança com o progressista PTB, de Jango. O primeiro neutralizou o segundo. E o sindicalismo, até então combativo, ingressou na era do peleguismo. No cenário internacional, o Partido Trabalhista inglês aceitou aliar-se ao Partido Republicano dos EUA. Nunca mais o inglês foi o mesmo, a ponto de apoiar a invasão do Iraque.
Só uma razão é capaz de explicar essa aproximação de pólos opostos: a lógica do poder pelo poder. Quando um partido decide que sua prioridade é assegurar a seus quadros funções de poder, e não mais representar os anseios dos pobres e promover mudanças num país de estruturas arcaicas como o Brasil, é sinal de que se deixou vencer pelas forças conservadoras. E não me surpreende que nisso conte com amplo apoio das bases, sobretudo quando se observa que a antiga militância, impregnada de utopia, cede lugar a filiados obcecados por cargos públicos.
Tenho visto, em cinco décadas de militância, como a síndrome de Jó ameaça certos políticos de esquerda. Enquanto estão fora do poder e são oposição, nutrem-se de uma coerência capaz de fazer corar são Francisco de Assis. Alçados ao poder, inicia-se o lento processo de metamorfose ambulante: princípios cedem lugar a interesses; companheiros a aliados; lutas por ideais a vitórias eleitorais.
Jó, submetido às mais duras provas, perdeu tudo, exceto a fé, suas convicções. Tais políticos, diante de um fracasso eleitoral ou perda de função pública, esquecem os princípios e valores em que acreditaram, defenderam, discursaram, escreveram e assinaram, para salvar a própria pele. Horroriza-os a perspectiva de voltarem a ser cidadãos comuns, desprovidos de mordomias e olhares bajuladores. Ainda vão à periferia, desde que como autoridades, jamais como militantes.


Talvez eu tenha ficado antigo, dinossáurico, incapaz de entender como um partido que sempre se aliou ao PFL, agora DEM, pode, de repente, sentir-se à vontade de mãos dadas com o PT. Não que tenha preconceito a peessedebistas. Sou amigo de muitos, incluído o governador José Serra. Mas quem viver verá: se o candidato da aliança PT-PSDB for eleito prefeito de Belo Horizonte, o palanque de Minas, nas eleições presidenciais de 2010, vai ser aquela saia-justa.


Minas é uma terra de mistérios: tem ouro preto, dores de indaiá, mar de Espanha, juiz de fora, rio acima e lagoa santa. E fora de Minas tenho visto coisas que já nem me espantam: Sarney e Delfim Netto apóiam Lula; o governo do PT aprova os transgênicos e a transposição do rio São Francisco; o Planalto petista revela gastos da gestão FHC e esconde os seus...

Os tempos e os costumes mudam, já diziam os latinos; as pessoas e os partidos também. Eu é que deveria ficar mudo, já que teimo em acreditar que fora da ética e dos pobres a política não tem salvação. Deve ser culpa de minha dificuldade de entender por que às vésperas de eleições todos debatem nomes de candidatos. E não propostas, programas e prioridades de governo.

Fernando Lugo vence eleições no Paraguai com 40,8% dos votos

Fernando Lugo foi oficialmente declarado vencedor das eleições paraguaias deste domingo, com 40,8% dos votos, contra 30,8% para a candidata do governo, Blanca Ovelar, informou o Tribunal Eleitoral do país.
O general reformado Lino Oviedo ficou na terceira posição, com 22%, informou o vice-presidente do Tribunal Eleitoral, Juan Manuel Morales, após a apuração de 92% das urnas.
O índice de participação foi de 65% dos quase 2,9 milhões de paraguaios aptos a votar, destacou Morales.
Antes mesmo do resultado final ser anunciado, Blanca Ovelar, candidata presidencial do Partido Colorado do Paraguai, no poder há 61 anos, reconheceu sua derrota perante Lugo.
Lugo nasceu em 30 de maio de 1951, em San Solano, no distrito de San Pedro del Paraná, Departamento (Estado) de Itapúa, a 400 quilômetros ao sul de Assunção.
Filho de Guillermo Lugo e Maximina Mendez Fleitas, teve parte de sua família vítima da repressão durante a ditadura de Alfredo Stroessner, que durou de 1954 a 1989.
Em março de 1970, ingressou no Noviciado dos Missionários do Verbo Divino. Em setembro de 1972, professou seus votos na congregação missionária, em Assunção. Três anos depois, fez votos perpétuos.
Paralelamente, formou-se em Ciência Religiosa na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, na capital paraguaia.
Ordenou-se sacerdote em 15 de agosto de 1977 e, posteriormente, seguiu para o Equador para trabalhar como missionário na diocese da província de Bolívar, onde foi professor e pároco das localidades de Guaranda e Echeandía.
No Equador, trabalhou com o monsenhor Leonidas Proaño, um dos expoentes dessa corrente religiosa, que tem ainda como um de seus líderes o brasileiro Leonardo Boff. Proaño era conhecido na região como "o bispo dos pobres".
Em meados de 1982, retornou ao Paraguai, e no ano seguinte viajou para Roma para realizar estudos de espiritualidade e sociologia, graduando-se em Doutrina Social da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana.
Foi membro da Comissão Doutrinal da Conferência Episcopal Paraguaia e da equipe de Reflexão Teológica do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano).
Foi ordenado bispo em 1994. No final do mesmo ano, passou a ser bispo emérito, e em menos de um ano surgiu como uma figura política por suas críticas ao governo do presidente Nicanor Duarte.
Em março de 2006, Lugo liderou o movimento Resistência Cidadã, que reunia os principais partidos políticos da oposição, cinco centrais sindicais e mais de cem associações e movimentos civis.
No mesmo mês tornou-se o principal orador de uma manifestação convocada pela Resistência Cidadã que reuniu mais de 30 mil pessoas em frente à sede do Congresso, em protesto contra o Governo.
No final de 2007, Lugo oficializou sua candidatura presidencial para as eleições deste domingo, encabeçando a lista da Aliança Patriótica para a Mudança.

A direita hoje

Emir Sader

As vitórias eleitorais de Angela Merkel na Alemanha, de Sarkozy na França e de Berlusconi na Itália, servem para lembrar-nos da força da direita hoje no mundo. Na Europa ocidental, com as exceções da Espanha e da Noruega, a direita está no governo. Aqui mesmo, na América Latina, os governos do PAN no México, de Uribe na Colombia, são representantes indiscutíveis da direita latino-americana. No Brasil, a direita está representada politicamente pelo bloco tucano-pefelista e ideologicamente pelas grandes empresas mercantis da mídia.

O que pensa e proclama a direita hoje, aqui e nos outros lugares do mundo? Seu grau de homogeneidade é relativamente grande, inclusive porque foi ela que formulou o Consenso de Washington, que justamente propõe um único esquema mundial para todos os governos, independentemente do lugar que ocupem no sistema mundial.

O primeiro dos seus pontos programáticos é o privilégio do mercado em relação ao Estado e, em particular, a qualquer tipo de regulação estatal, favorecendo a livre circulação do capital. O que significa o privilégio do dinheiro em relação aos direitos, do consumidor em relação ao cidadão, dos interesses privados em relação aos interesses públicos. Um de seus corolários mais importantes é o papel estratégico que atribuem às grandes empresas privadas, identificadas com o dinamismo e a eficiência econômica, em contraposição ao Estado, desqualificado como ineficiente, burocrático, corrupto.

Como contraponto, a direita execra os gastos públicos e os impostos para financiá-los. Não importa quem perde, de quem se dessolidarizam, prega sempre menos impostos, mais isenções fiscais, créditos estatais e subvenções para eles, porém menos funcionários públicos, menos gastos nos seus salários, recursos sempre menores para políticas sociais. Em outras palavras, pregam acentuar o caráter de classe, de privilégio do Estado para a acumulação privada do grande capital e menos ou nada para atender aos direitos da grande massa popular de cada país.

A direita está pelas alianças – sempre subordinadas, pela força que tem esses possíveis – com as grandes potências do centro do capitalismo, às expensas das alianças latino-americanas e no Sul do mundo. São adeptos da grande imprensa privada – isto é, não pública, da imprensa mercantil - e contrários à mídia pública, democrática.

A direita está a favor do impulso geral às exportações, favorecendo atualmente em particular as de soja, com transgênicos, em detrimento da economia familiar, da expansão do mercado interno, preferindo sempre que esta se dê na direção do consumo suntuário e não do consumo popular. Por isso detesta as políticas de distribuição de renda, os aumentos de salários, a elevação do nível de emprego, os contratos formais de trabalho, o fortalecimento e extensão da educação e da saúde pública – privilegiando sempre a educação e a saúde privadas -, dos programas de habitação popular, de saneamento básico, de cultura popular, de democratização do acesso às universidades – como as políticas de cotas -, de rádios comunitárias, entre outras.

Odeia os movimentos sociais, a reforma agrária, a demarcação de terras indígenas, a sindicalização dos trabalhadores, os programas de alfabetização popular, a politização como forma de acesso à consciência social do que passa no país e no mundo. São conservadores, gostam do mundo tal qual eles mesmos o produziram ao longo de toda a história, com todas suas iniqüidades, e lutam ferozmente contra qualquer mudança nas relações de poder que afete seus interesses.

A direita não gosta da América Latina, do movimento popular, não gosta de falar do imperialismo, das guerras que ele promove, da exploração, da discriminação, da alienação, da opressão, do capitalismo. Não gosta do Brasil, execra o país fazendo sempre comparações depreciativas do país – arte em que Fernando Collor e FHC foram exímios.Em suma, a direita é de direita – se me permitem a tautologia. Resta que a esquerda seja de esquerda, para combatê-la e fazer avançar a democracia política, a justiça social, a soberania nacional e a integração regional.

Humor


Autor: Dóro

Esquerda ocupa Congresso mexicano contra privatização do petróleo

Um protesto organizado por parlamentares de esquerda contra reformas no setor energético obrigou o Congresso mexicano a se relocar pela primeira vez em quase 20 anos.
Congressistas do Partido da Revolução Democrática e outros dois partidos de esquerda estão "acampados" desde quinta-feira passada nas tribunas das duas câmaras do Congresso.
Eles protestam contra planos para permitir o envolvimento da iniciativa privada na gigante estatal de energia Pemex.
Por isso, na terça-feira, os outros parlamentares tiveram de se espremer em salas de conferência para realizar reuniões.
Os integrantes do Partido da Ação Nacional, do presidente Felipe Calderon, e do Partido Revolucionário Institucional propuseram realizar um debate de 50 dias sobre os planos, mas os manifestantes querem que o debate dure 120 dias.
O Congresso passou por situação semelhante poucas vezes na história do país - a última foi em 1989 quando a câmara baixa teve de ser esvaziada por causa de um incêndio.
Reações
O governo diz que a Pemex precisa do investimento privado para aumentar a produção, mas a oposição diz que a medida pode prejudicar a soberania nacional.
"Nós temos de deixar claro que, para a Pemex, essa reforma é uma questão de sobrevivência", disse o diretor da empresa, Jesus Reyes Heroles.
Os opositores acreditam que empresas estrangeiras passarão a ter participação nos lucros que o país tem com o petróleo, mas o governo insiste que as empresas só receberão pagamentos de incentivo.
A Constituição mexicana estabelece que a indústria petroleira é controlada pelo Estado. Planos de permitir maior envolvimento da iniciativa privada têm provocado reações fortes entre alguns grupos.

Protestos
A resistência, até então pacifica, dos movimentos sociais contra a reforma constitucional que permitirá a privatização da Pemex, ganha força com as brigadas em defesa do petróleo.

Com informações do site da Revista Fórum.

Escândalo à moda gaúcha

A edição deste final de semana da revista Carta Capital destaca o escândalo político em torno da fraude no Detran (escândalo ignorado pela imprensa do Sudeste, conforme destaca Maurício Dias, autor do texto). Ele escreve:
"Embora seja ignorado pela imprensa do Sudeste, o vento político provocado no Rio Grande do Sul pela CPI do Detran, instalada na Assembléia Legislativa de Porto Alegre a partir das ações da Polícia Federal, sopra tão forte quanto o minuano pelo Pampa gaúcho. O “silêncio retumbante” no Sudeste talvez se explique pelo fato de o escândalo, um desvio de dinheiro público calculado em quase 45 milhões de reais, em um período de cinco anos, ter como causa mais provável a formação de caixa 2 de campanhas eleitorais, notadamente do PSDB.

Eventualmente pode ter propiciado o enriquecimento ilícito de alguns dos atores. Em frase que junta práticas políticas do século XXI com ensinamentos do Padre Vieira (século XVII), o “dinheiro não contabilizado” nem sempre passa das mãos por onde passa.

O esquema foi iniciado em 2003 e desmontado pela Polícia Federal em novembro de 2007. Segundo o Inquérito da PF, o Departamento de Trânsito contratou, sem licitação, uma fundação, a Fatec, ligada à Universidade Federal de Santa Maria para aplicar as provas teóricas e práticas da carteira de habilitação.
Quem mais lucrou com o contrato foram as empresas ligadas à família de Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha da atual governadora do estado, a tucana Yeda Crusius. Duas empresas da família Ferst receberam, juntas, mais de 23 milhões de reais. Lair Ferst integrou a direção da vitoriosa campanha do PSDB para o governo do estado, em 2006. Em dezembro de 2007 estava entre os 13 presos apanhados no arrastão da Polícia Federal. Clique AQUI para ler mais.

Fonte: RS Urgente

Prefeitura quer abrir rua sobre quilombo na Capital

Por Paula Cassandra

Moradores do Quilombo da Família Silva, em Porto Alegre, reclamam da proposta da prefeitura municipal em ampliar a rua João Caetano, no bairro Petrópolis. A obra consta no Plano Diretor da cidade e, se for efetuada, irá dividir a área, de pouco mais de meio hectare.
O advogado da Família Silva, Onir de Araújo, diz que a comunidade quilombola exige a anulação da ampliação da rua há dois anos. "Desde 2006 e se consolidou em 2007, através de uma assembléia, onde foram convocados, inclusive, vários órgãos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, foi em maio do ano passado, é uma posição que é a exigência da desafetação da rua João Caetano. A comunidade se encontra lá há mais de 60, 70 anos, quer dizer, não havia traçados de rua ainda, não havia urbanização no local", diz.

A Prefeitura declara que ampliação da rua está prevista no Plano Diretor. Já Onir argumenta que a prefeitura sabia de todos os prazos do processo da regularização do quilombo e, mesmo assim, não reivindicou a obra. Ele também relata que a comunidade ficou surpresa com a posição da Prefeitura, que foi parceira no convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com a Fundação Palmares para fazer o estudo sócio-antropoló gico da área quilombola.

"A área foi gravada em 2006 como área especial de interesse cultural, toda a área, inclusive, não houve nenhuma distinção em relação a qualquer ponto. Além disso, essa área do quilombo, como um todo, em relação a todo o processo de regularização, a própria Prefeitura tomou conhecimento dos prazos legais da publicação do RTDI, que é o Relatório Técnico Descritivo feito pelo Incra em 2005 e 2006, e no pelo prazo legal, de 90 dias para se manifestar, impugnar, a área demarcada, a Prefeitura ficou inerte em relação a isso", diz.

Na segunda-feira (07/04), representantes da prefeitura e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se reuniram para discutir a abertura da rua João Caetano. O representante do Incra, Rui Tagliapietra, defende a não abertura da rua. "A Prefeitura deve proceder o que está determinado na legislação, não abrir a rua e entregar o título de propriedade para a comunidade", avalia.

Os moradores do Quilombo da Família Silva ingressaram nos Ministérios Público Federal e Estadual em caráter de denúncia contra a Prefeitura de Porto Alegre. A administração deve entrar em contato com os quilombolas para avaliar a situação. Na área, vivem atualmente cerca de 70 descendentes de escravos.

É hora de mudanças no Grêmio

Tem derrotas que a gente demora a acreditar. No futebol, quando o teu time luta bravamente, tem um equilíbrio técnico entre as equipes, a derrota acaba pesando menos. Agora, este time do Grêmio nesta temporada poderíamos definir como, fazendo uma paródia, como "As crônicas de uma morte anunciada". Este fiasco do Grêmio não pode ser entendido apenas apartir das três últimas derrotas, mas sim desde o inicio de 2008, quando praticamente todo o elenco de jogadores da boa temporada de 2007 saíram do estádio olímpico e os "reforços" que chegaram por aqui estavam longe de ser algo que encoraja-se a torcida.
Jogadores foram vendidos, e o dinheiro para onde foi? Enquanto a diretoria contratava "craques" do nipe de um Peter, Vítor e cia. Usava a "Arena" para tirar o foco das cobranças da torcida sobre reforços de qualidade para o time.
Se a diretoria gremista que tirou Vágner Mancini tivesse o mínimo de vergonha na cara, pediria demissão imediatamente. Como esse tipo de atitude é utópica no futebol brasileiro, resta aos incompetentes dirigentes buscar um novo treinador (Roth não tem mais clima com a torcida) o mais rapidamente possível para que este possa ter tempo para preparar o time para o Brasileirão.
Se não teremos que amargar mais um campeonato em que o Grêmio tem de se contentar em não cair e, no máximo disputar uma vaga para a sul-americana. Realmente, é muita mediocridade. Acerta a torcida quando pede a saída de Pelaipe e cia. Espero que quem tenha poder de decisão no Grêmio entenda o recado.

O modelo comunitário e os desafios do ME

Por Rafael Oliveira

As IES comunitárias surgem a partir da década de 1960, sobretudo no sul do Brasil. Dentro do quadro de governo autoritário instalado no país em 1964 tratava-se de uma nova estratégia de relacionamento do estado brasileiro com elites regionais. A consolidação do modelo se dá nas décadas de 80 e 90, com o predomínio do neoliberalismo e o fluxo cada vez maior de recursos públicos para estas instituições.
Hoje elas estão articuladas em nível nacional na Associação Brasileira de Universidades Comunitárias (ABRUC), que reúne 52 instituições, incluindo aí as comunitárias em ‘sentido estrito’ e em ‘sentido amplo’, isto é, as confessionais. No Rio Grande do Sul o modelo comunitário se constitui no maior sistema de educação superior em atuação, congregando mais de 40 campi universitários, com 250 mil estudantes matriculados¹ . Aqui no estado elas estão organizadas no COMUNG – Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas. No país o ensino superior comunitário atingiu em 2006 o número de 1.543.176 estudantes matriculados, o que significa 33% das matrículas de graduação. Trata-se portanto de um segmento com ampla inserção e forte capacidade de organização.

Isto posto torna-se necessário para o movimento estudantil aprofundar o debate sobre as especificidades destas instituições, bem como do papel por elas jogado na disputa que envolve as alterações em curso no ensino superior. A ausência de uma elaboração programática capaz de dar conta das especificidades destas IES em um momento que cresce o lobby do setor junto ao governo federal pode nos conduzir a duas posturas igualmente danosas; ou adotamos o discurso homogeneizador, que tratando todas as instituições pagas do mesmo modo perde capacidade de intervenção, ou caímos no oposto, que é assumir o discurso das mantenedoras destas IES e passar a tratar o ‘modelo comunitário’ como uma alternativa viável de democratização do ensino superior no país.

Leia a íntegra deste artigo acessando aqui

Paraguai: Fernando Lugo amplia vantagem sobre concorrentes

O ex-bispo Fernando Lugo tem dez pontos de vantagem sobre a candidata Blanca Ovelar, do Partido Colorado, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira (3) pelo jornal La Nación, a 17 dias das eleições presidenciais do Paraguai.

A pesquisa realizada pela empresa Ati Snead diz que, se as eleições fossem realizadas hoje, Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), venceria com 36,8% dos votos, contra 26,4% de Ovelar.

O general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) aparece em terceiro, com 24,3% das intenções de voto, seguido pelo empresário Pedro Fadul, do partido Pátria Querida (MPQ, na sigla em espanhol), com apenas 2,8%.

Lugo teve um aumento de 5,9 pontos em relação à última pesquisa, realizada na primeira semana de março.

No entanto, 6,3% dos entrevistados afirmaram que estão indecisos, ao tempo que 1,7% disseram que votariam em branco e 1,8% não opinaram. A pesquisa foi realizada entre os dias 29 de março e 1º de abril, e ouviu 1.536 eleitores.

Já a pesquisa do Gabinete de Estudo de Opinião (GEO) coloca Lugo em primeiro lugar, com 39,5% das intenções de voto, seguido por Ovelar, com 27,9%; Oviedo, com 24%, e Fadul, com 2%.

A pesquisa do Instituto de Ciência e Arte (ICA) é a única que aponta um empate técnico entre Lugo e Ovelar. Segundo a enquete, o ex-bispo teria apenas 0,8% de vantagem sobre a candidata do Partido Colorado.

O diário ABC Color aponta uma vitória do Partido Colorado, há 61 anos na Presidência, nas eleições para governos regionais e para a Câmara dos Deputados.

O Colorado leva vantagem em 11 dos 12 estados em que o diário realizou a pesquisa. Já o Partido Liberal Radical Autêntico (PRLA) leva a melhor apenas em Concepción, no nordeste do país.

Vermelho (www.vermelho.org.br)

Aprovação de Lula sobe para 73% e governo tem a melhor avaliação em 5 anos

A aprovação dos brasileiros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu 18 pontos percentuais em um ano e alcançou a marca de 73%, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (27).
Em março do ano passado, a aprovação estava em 55%, índice que já era considerado alto. Os 73% alcançados agora são inferiores apenas à pesquisa feita no início do primeiro mandato, quando Lula tinha 75% de aprovação. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa.
A avaliação positiva do governo federal também é a melhor desde a primeira posse. Hoje, de acordo com a pesquisa, 58% dos entrevistados acham a administração federal boa ou ótima, contra apenas 11% que a consideram ruim/péssima. Para outros 30%, o governo é regular.
Em dezembro de 2007, na edição anterior da pesquisa, a avaliação do governo foi de 51% - índice igual ao de março de 2003.
Na mesma linha, a confiança no presidente foi a 68%, enquanto apenas 28% dos entrevistados afirmaram não confiar em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança era de 60%.
Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula. Dos entrevistados, 42% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro.
O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro para 16%.
Para 81% dos entrevistados, 2008 será um ano bom ou muito bom; 42% acreditam em aumento da renda pessoale 54% acham que o desemprego vai diminuir ou permanecer na faixa atual.
Categorias
A aprovação do presidente Lula e avaliação do governo são positivas em todas as faixas das categorias discriminadas na pesquisa: faixa etária, renda, grau de instrução, região e porte do município.
Na aprovação, os destaques são: Nordeste (85%), estudo até o Ensino Médio (média de 75%), até 1 salário mínimo (84%), até 10 mínimos (média de 75%) e interior (75%).
Na avaliação do governo, destacam-se: Nordeste (70%), estudo até 8ª Série (média de 62,5%), até 5 salários mínimos (média de 64%) e interior (61%).
A nota média atribuída ao presidente Lula também é recorde dos 5 anos de governo: 7,1.
Ações
As ações do governo mais bem avaliadas pela população, de acordo com a pesquisa, estão no combate à pobreza (62% aprovam), nos programas sociais de saúde e educação (60%), no combate ao desemprego (55%), no cuidado com o meio ambiente (60%) e no combate à inflação (51%).
O Ibope ouviu 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios.

Clique aqui para ver a íntegra da pesquisa.