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A segunda-feira em que perdemos Eduardo Galeano


Por Erick da Silva

Segunda-feira é mundialmente conhecido como o pior dia da semana.

Não a toa que muitos se deprimem ao final de domingo, pois a segunda está se aproximando de maneira incontornável.

A segunda carrega consigo uma indelével ressaca moral. A fantasia e o ócio cedem lugar ao concreto dos compromissos e a alienação da rotina.

Para aqueles e aquelas que, de diferentes formas, se identificam com a esquerda, em seu sentido mais amplo do conceito, esta segunda, 13 de abril de 2015, foi ainda mais dolorosa que o habitual: perdemos Eduardo Galeano.

EUA e Cuba anunciam retomada das relações diplomáticas após 53 anos


2014 encerra-se com um momento de grande importância para o continente Americano: EUA e Cuba anunciaram nesta quarta-feira (17/12) a retomada de um diálogo histórico de aproximação diplomática.

O líder cubano Raúl Castro discursou ao mesmo tempo que Obama anunciando a retomada das relações entre os dois países.

A vitória da esquerda nas eleições do Uruguai


Os uruguaios elegeram nesse domingo (30) o sucessor do presidente José Pepe Mujica: no dia 1º de março, o médico socialista Tabaré Vázquez será reconduzido ao cargo, que ocupou de 2005 a 2010. Este vai ser o terceiro governo consecutivo da coligação de partidos de esquerda, Frente Ampla.

Esta vitória da esquerda nas eleições uruguaias carrega consigo a confirmação de um processo de hegemonia das forças progressistas na América do Sul.

A morte da Miss Honduras e o que restou do golpe de 2009


A jovem María José Alvarado tinha 19 anos e uma carreira que iniciava com grandes conquistas. Pode ter sido uma vítima incidental do caso, mas a violência em Honduras não é um mero acaso

Por Victor Farinelli 

Nesta quarta-feira (19/11), o Serviço Médico Legal de Honduras confirmou que os dois corpos encontrados parcialmente enterradas às margens de um rio, nos arredores da cidade de Santa Bárbara, eram da modelo María José Alvarado, recém eleita Miss Honduras, e sua irmã mais velha, Sofía. Elas estavam desaparecidas há sete dias. María José se preparava para uma viagem a Europa, em janeiro, onde iria, entre outras coisas, participar do concurso Miss Mundo, representando seu país.

Rafael Correa aponta a ameaça de restauração conservadora na América Latina


Para Rafael Correa, presidente do Equador, o aturdimento em que caíram as antigas direitas nacionais e internacionais depois da “débâcle” do neoliberalismo já foi superado; no momento, observa-se claramente uma coordenação das forças reacionárias mundiais, continentais e nacionais.

Em passagem recente pelo Brasil, o presidente do Equador, Rafael Correa, concedeu entrevista exclusiva ao Bra­sil de Fato. Além do jornalista Beto Al­meida, que representava o jornal e a TV Cidade Livre, de Brasília, também par­ticiparam dela o jornalista Valter Xéu, da página Pátria Latina, e o sociólogo Emir Sader.

Guatemala: O golpe que radicalizou Che Guevara


Por David T. Rowlands

Sessenta anos atrás, em junho de 1954, um golpe orquestrado pela CIA destituiu o governo reformista de Jacobo Arbenz Guzman na Guatemala. O golpe instalou um regime brutal de direita e décadas de repressão sangrenta.

Esse evento, tão notório nos anais do imperialismo norte-americano, foi chave para Guevara, pois foi nesse país da América Central, onde a viagem pela estrada dele terminou, que seus pensamentos iniciais sobre marxismo, anti-imperialismo e indígena, se fundiram em um dramático e galvanizador momento.

Uruguai: maconha estatal no país que não se rende ao narcotráfico


Uruguai: o país da maconha estatal não presenteia o narcotráfico

Por Aram Aharonian

O Uruguai, um pequeno país que quase não é visto no mapa, é o primeiro país do mundo a legalizar a maconha e a assumir o controle de todo o processo de produção e venda da erva. A regulamentação da produção da marijuana reforça a agenda progressista do governo de José Pepe Mujica, que recentemente também legalizou o aborto e a Lei do Matrimônio Igualitário, que permite a união de casais homossexuais 
 
O Uruguai já esteve sob forte pressão por parte dos vizinhos Brasil e Argentina para que se afastasse da legalização da marijuana, além da Junta Internacional de Controle de Narcóticos das Nações Unidas, que avalia este fato como uma violação às obrigações dos tratados internacionais. Internamente, os partidos tradicionais se opuseram tenazmente, sob o argumento de que essa lei dispararia o consumo de drogas mais pesadas. 
 

Gabriel García Márquez: A Solidão da América Latina


Gabriel García Márquez é um daqueles raros autores que conseguiram em sua obra sintetizar algo aparentemente simples, mas que na prática revelasse muito mais desafiador: captar o imaginário dos povos da América Latina. Foi através destes caminhos, de maneira lírica expondo luta e resistência dos povos do sul, que fizeram o itinerário de sua literatura e da qual ele, como intelectual e lutador pelo futuro, tinha tamanha consciência.

Para lhe prestar uma singela e necessária homenagem, reproduzimos abaixo o discurso que pronunciou na Academia Sueca de Letras, em 8 de dezembro de 1982, na ocasião em que recebeu o Prêmio Nobel da Literatura. As palavras que seguem sintetizam com maestria esta profunda identidade com seu povo e sua "utopia da esperança".

Obrigado Gabo!

Bolívar e Chávez: o espírito da determinação radical


Um ano após a morte de Hugo Chávez, como homenagem, reproduzimos aqui artigo de István Mészáros, publicado originalmente da edição de número 8 da revista semestral Margem esquerda: ensaios marxistas, que a editora Boitempo disponibilizou em seu Blog.
Por István Mészáros
“Penas levadas pelo vento”
No verão de 2005, a Venezuela comemorou o bicentenário do juramento de Simón Bolívar, feito na presença de seu grande professor, Simón Rodríguez, um homem que, bem antes de Marx, frequentou sociedades secretas socialistas em Paris e regressou à América do Sul apenas em 1823. O juramento de Bolívar ocorreu em 15 de agosto de 1895, nos arredores de Roma. O próprio local – a colina do Monte Sacro –, que foi escolhido em conjunto para a ocasião solene, já constituía uma indicação da natureza do compromisso histórico do jovem Bolívar. Pois foi precisamente na colina do Monte Sacro, vinte e três séculos antes, que consta ter ocorrido o protesto revoltoso dos plebeus contra os patrícios da Roma Antiga, sob a liderança de Sicínio. Diz-se que a rebelião da população romana daquele tempo foi apaziguada graças à retórica de um notório pilar da ordem estabelecida, o senador Menênio Agripa, que pregou a eterna visão familiar de que o povo “que não está destinado a governar” deveria aceitar de boa vontade “seu lugar na ordem natural da sociedade”. Num firme desafio à visão resignada que emana das iníquas relações de poder impostas com êxito por toda a parte, o jovem Bolívar exprimiu no Monte Sacro sua determinação em dedicar sua vida à luta, com vista a um final vitorioso contra o domínio colonial em sua parte do mundo. Foram estas as suas palavras:
“Juro diante de ti, juro pelo deus de meus pais, juro pelos meus antepassados, juro pela minha honra e juro pela minha pátria que não permitirei que nem o meu braço nem a minha alma descansem até termos rompido os grilhões que nos oprimem por vontade do poder espanhol.”1
Bolívar nunca vacilou em sua determinação radical, conforme expressa seu juramento, nem mesmo sob as circunstâncias mais adversas. Os anos seguintes fizeram-no perceber que era preciso haver mudanças fundamentais não só nas relações políticas e militares internacionais como, mais profundamente, na ordem social existente, se quisesse que o projeto de acabar com a dominação colonial tivesse êxito. As mudanças radicais incluíam a libertação dos escravos, ao que sua própria classe se opunha com veemência. Até sua querida irmã o considerou “louco”, em razão de sua inquebrantável insistência na igualdade.

Venezuela: a tentativa de um golpe de Estado 'suave'


Mais uma vez a elite venezuelana, apoiada e financiada por Washington, arremete contra um governo democraticamente eleito. As lideranças da trama na Venezuela são Henrique Capriles, Leopoldo López, María Corina e Antonio Ledezma. Três playboys e um representante do partido Ação Democrática. Seu cálculo fácil aponta que Maduro não teria a mesma capacidade de resistência que Chávez diante de um golpe.

Por Luciano Wexell Severo

A profunda crise dos últimos anos do século XX abriu o caminho para novas tentativas de projetos autônomos para a solução dos problemas nacionais na América Latina. Em um cenário de repúdio aos programas do FMI e do Banco Mundial, em dezembro de 1998 os venezuelanos apoiaram a candidatura de Hugo Chávez.

A eleição presidencial representou nada mais do que o resultado de um processo histórico, que desde a perfuração dos primeiros poços havia beneficiado as companhias petrolíferas e a uma reduzida elite local, em detrimento da imensa maioria da população. Ressurgiu, outra vez na Venezuela, um movimento continental em defesa da independência econômica, da soberania, da autodeterminação e da integração latino-americana.

Cuba e Brasil consolidam parceria com inauguração do Porto de Mariel


Por Erick da Silva

Em meio a tantas notícias e situações adversas que o mundo nos brinda cotidianamente, boas notícias por vezes nos passam batido. A inauguração do Porto de Mariel em Cuba, fruto de uma parceria entre os governos do Brasil e de Cuba, merece ser saudada.

Estratégica para o desenvolvimento e a integração latino americana, reforça a parceria economia entre o Brasil e Cuba e irá colaborar para superar alguns dos entraves impostos pelo imperialismo norte-americano a ilha. 

Existe uma “nova esquerda” em Cuba?


Neste texto, originalmente publicado em alemão no número de agosto da revista "Analyse und Kritik", Marie Laure Geoffray pergunta-se sobre as condições de emergência e os contornos de uma “nova esquerda” cubana, capaz de articular a rejeição de um processo de restauração capitalista com uma crítica do regime e uma estratégia política de emancipação.

Chavismo conquista maior parte das prefeituras na Venezuela


Na quarta eleição realizada na Venezuela em pouco mais de um ano, o governo de Nicolás Maduro conseguiu, nesse domingo (8), ampliar sua base de apoio no interior do país.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e seus aliados ganharam 13 prefeituras das capitais de estado, incluído o município Libertador (Caracas), de acordo com o primeiro boletim oficial emitido pelo CNE, anunciado por sua presidenta, Tibisay Lucena, na noite deste domingo.

Na disputa por prefeituras, o chavismo manteve a maioria dos municípios, com 196 dos 257 onde os resultados já eram considerados irreversíveis, e obteve a maioria dos votos. No total, obteve 5.111.336 votos, o que significa 49,24%, enquanto as organizações de direita somaram 4.435.097 votos, o que representa 42,72%.

Maduro comemorou o fato de o chavismo ter mantido a hegemonia das prefeituras do país e o maior número de votos totais. “Hoje, sem lugar a dúvidas, obtivemos uma grande vitória, o povo da Venezuela disse ao mundo que a Revolução Bolivariana continua com mais força que nunca”, declarou, em discurso a apoiadores, complementando: “Nem mesmo a guerra econômica que a direita armou, pode com a revolução”.

Fonte: EBC e Opera Mundi
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Evo Morales tem 60% de apoio a um ano das eleições na Bolívia


A um ano das eleições, a aprovação à gestão do presidente da Bolívia, Evo Morales, atingiu 60%. A análise da popularidade de Morales, que irá concorrer a um terceiro mandato, foi medida pela empresa Tal Cual em setembro e divulgada neste domingo (13/10) pelo jornal Página Siete.

Paraguai: A nova direita da América Latina


Por Oscar Laborde

No dia 15 de agosto, Horacio Cartes assumiu a presidência do Paraguai, como culminação de um processo que começou com um golpe de Estado institucional sobre Fernando Lugo, no qual o mandatário não teve respeitados o tempo e os mecanismos para um verdadeiro direito a um julgamento pelo Parlamento e que continuou com o governo de Federico Franco, cuja gestão terminou envolta em graves denúncias de corrupção.A imprensa em geral noticiou naqueles dias que o Partido Colorado voltava ao poder, fato que acabou sendo só parcialmente verdadeiro.

Devemos considerar que Horacio Cartes é a expressão de uma nova direita que está surgindo em nosso continente, onde novas figuras e formas, surgidas de setores conservadores, buscam se adequar aos novos tempos na região. Henrique Capriles, na República Bolivariana da Venezuela, parece ser um dos exemplos mais explícitos dessa situação.

Emir Sader: Todos contra a Dilma


Por Emir Sader

O fenômeno tem se repetido – na Bolívia, na Argentina, no Equador, no Brasil. Setores que saem dos governos – ou que sempre tinham se oposto – supostamente pela esquerda, percorrem uma trajetória que os leva a se situarem como oposições de direita.

Evo Morales, Rafael Correa, os Kirchner, Lula e Dilma – teriam “traído”. E seriam piores que outros contendores, porque seguiriam fingindo que defendem as mesmas posições que os projetaram como grandes líderes nacionais. Por isso tem que ser frontalmente combatidos, derrotados, destruídos, sem o que os processos políticos seguiriam retrocedendo e não poderia avançar.


O discurso de Mujica e a ofensiva norte-americana


Por Maria Luiza Franco Busse


28 de setembro de 2013. Deu na primeira página do jornal uruguaio La República:
Biden le aseguró a Mujica que visitará Uruguay – El vicepresidente norteamericano transmitió a Mujica que propondrá en las esferas diplomáticas un plan de apoyo para que Uruguay pase a ocupar una silla en el ámbito del Consejo de Seguridad de la ONU em el período 2015-2016.
A reação estadunidense ao discurso do presidente uruguaio pronunciado na 68ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas confirma a tese de que o sistema se apropria de tudo, com especial interesse no que o desnuda e sugere outra roupagem. Pois assim foi o pronunciamento de Pepe Mujica. Com o vigor das palavras, evocou a totalidade, conclamou o coletivo e celebrou a vida. (...) “devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento para que possam viver com decência de maneira autônoma. 

40 Anos do Golpe no Chile


Os Estados Unidos articularam a ascensão ao poder de uma das ditaduras mais cruéis, violentas e implacáveis da América Latina, comandada pelo General Augusto Pinochet.

Por Samuel Pinheiro Guimarães

Fora do contexto mais amplo da política dos Estados Unidos para a América Latina, é difícil compreender o golpe no Chile, 40 anos atrás.

Desde a Independência das colônias espanholas e portuguesa, no início do século XIX, e da proclamação da Doutrina Monroe, em 1823, os Estados Unidos consideram, e as potências europeias reconhecem (e muitos latino americanos aceitam), que a América Latina deve estar necessariamente na sua área de influência, isto é, sob a sua hegemonia.

Sobre a América Central e o Caribe os Estados Unidos estabeleceram o seu domínio com a conquista pela força armada de mais da metade do território do México, em 1848; com as seguidas intervenções e longas ocupações militares na Nicarágua, no Haiti, na República Dominicana e outros países; com a conquista de Cuba e de Porto Rico à Espanha; com a promoção da secessão do Panamá, em 1903, e a construção do Canal, com sua Zona de ocupação militar permanente, que perdurou até o ano 2000.

Estava criado o Mar Americano, do novo Povo Eleito.

Evo Morales: "Eu, sequestrado na Europa"


Neste artigo publicado no jornal francês Le Monde Diplomatique, Evo Morales narra a sua viagem de Moscou com destino à Bolívia, interrompida por ordem dos governos europeus submissos aos EUA. Para o presidente boliviano, os governos do Velho Continente traíram os valores democráticos que inspiraram gerações. Morales diz que os governos que não autorizaram a sua passagem "perderam até a capacidade de se reconhecer como colonizados".


Julian Assange: A América Latina na era das cyberguerras


"A luta pela autodeterminação latino-americana é importante para muito mais gente do que os que vivem na América Latina, porque mostra ao resto do mundo o que pode ser feito"

Por Julian Assange


Os cypherpunks originais eram, na maioria, californianos libertaristas*. Eu vim de tradição diferente, onde todos nós buscávamos proteger a liberdade individual contra a tirania do Estado. Nossa arma secreta era a criptografia. Já se esqueceu o quanto isso foi subversivo. A criptografia, então, era propriedade exclusiva dos Estados, para uso em suas muitas guerras. Ao escrever nossos próprios programas e distribuí-los o mais amplamente possível, liberamos a criptografia, a democratizamos e a espalhamos pelas fronteiras da nova internet.
A reação contra, sob várias leis “de tráfico de armas”, falhou. A criptografia se difundiu nos browsers da rede e em outros programas que, hoje, as pessoas usam diariamente. Criptografia forte é ferramenta vital na luta contra a opressão pelo Estado. Essa é a mensagem do meu livro Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet. Mas o movimento para disponibilizar universalmente uma criptografia forte tem de trabalhar para obter mais do que isso. Nosso futuro não está apenas na liberdade para os indivíduos.