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Unicef: "Curtir no Facebook não salva vidas"


Todas e todos já devem ter recebidos mensagens de usuários compartilhando fotos e pedindo que as pessoas curtam uma publicação para apoiar uma causa de direitos humanos.


A Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância –, no entanto, lançou uma campanha ironizando o que muitos chamam de  ”ativismo de sofá” – o ato de demonstrar apoio a uma iniciativa apenas pela internet, sobretudo nas  redes sociais.
A regional sueca do órgão da ONU publicou um vídeo que conta a história de Raim, um garoto de dez anos que mora com seu irmão caçula. Ele diz temer ficar doente da mesma forma que sua mãe ficou – o que o impossibilitaria de cuidar do seu irmão.
Porém, o garoto afirma não se preocupar, uma vez que a página da Unicef sueca no Facebook tem 170 mil ‘curtir’ – podendo chegar a 200 mil em breve. “Então ficaremos bem”, diz o menino.
“Curtir não salva vidas; dinheiro salva”, mostra o letreiro do comercial. A seguir, a organização afirma que com 49 SEK (coroas suecas) – o equivalente a R$ 15 –, é possível vacinar 12 crianças contra a poliomelite, também conhecida como paralisia infantil. É possível fazer doações à campanha pela internet: http://unicef.se/poliovaccin
O site da regional brasileira aponta algumas formas de colaborar com a organização. Veja aqui.

Fonte: Link
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Infâncias opostas

Autor: Asaf Hanuka
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Geração ritalina



Por Roseli Fischmann

O aumento do consumo de ritalina e congêneres sinaliza como a medicalização de crianças e adolescentes, em substituição a processos educacionais mais plenos, tem sido um caminho “confortável” para famílias, escolas e sociedade, apesar de ser apenas aparente solução para situações vividas.

Em nada auxilia o trabalho educativo dos pais, o que se verifica nas estruturas domésticas, qual seja, a passagem dos sistemas tribais (em que todos são responsáveis por todas as crianças do clã, vivendo em amplos espaços compartilhados) para sistemas de unidades familiares (alojadas em imóveis urbanos exíguos). Mesmo se não pensarmos em clãs, há o fato de essas famílias nucleares serem cada vez menores, contrapondo-se ao tempo não tão remoto em que a família era maior, com ascendentes convivendo proximamente, assim como agregados diversos.

O aumento da expectativa de vida e a ampliação das possibilidades de participação socioeconômica trazem situações novas. Avôs e avós estão no mercado de trabalho, sendo muitas vezes responsáveis pelo sustento familiar. Não há mais a figura da vovó velhinha contando histórias e fazendo bolinhos de chuva para os netos, sendo assim um apoio afetivo e emocional à formação.

A criação e a educação dos filhos sobre os efeitos dos diversos tipos de pressão que vivem os pais, em ambientes cada vez mais competitivos, extrapolam o âmbito profissional. São pressões que se espraiam pela imagem propiciada por bens de consumo e usufruto de serviços, somadas ao ritmo acelerado pelo uso das tecnologias de informação, que também reformulam o conceito de tempo, agora composto com um espaço desdobrado em muitos (o presencial, o virtual instantâneo, o virtual latente, etc.).

Toda essa agitação em que vivem os adultos reposiciona as crianças na vida familiar. Espera-se que a criança seja responsável por resultados e por compor parte da imagem de perfeição. É quando se insinua a tentação de lidar de modo mais “eficaz” com a “indisciplina” da criança. Se a preciosa espontaneidade infantil traz situações de “bagunça” doméstica, e suas habilidades motoras, em desenvolvimento, pedem amplidão para exercitar-se e acabam por precisar se acomodar ao espaço disponível, não é o caso de imediatamente rotulá-las como “problemáticas” e “hiperativas”, buscando o médico e a prescrição de drogas que as “ajustem”.

Uma criança é uma vida em desenvolvimento, com necessidades diversas e ritmos próprios. Ela precisa da interação com adultos para conhecer limites e possibilidades - e não para receber a camisa de força de expectativas impróprias que apenas fazem transbordar as pressões vividas pelos pais. A individualidade de cada criança e adolescente não é indício de individualismo, mas de sinais que indicam direções necessárias para que possam se formar como seres íntegros, participativos na família e na sociedade, críticos e colaborativos, produtivos e felizes.

Para trazer um paralelo com as pressões sobre os adultos, no livro Por que a Psicanálise? a francesa Elizabeth Roudinesco, psicanalista lacaniana e historiadora da cultura, afirma que nosso tempo colocou a depressão no lugar que foi antes ocupado por outras doenças - como a tuberculose no século 19. Isto é, como mal do século, voltando-se para desenvolver drogas que propiciem lidar com a dor sem enfrentar o que a provoca.

Elizabeth Roudinesco aponta como essa eliminação medicamentosa da dor pode ser um modo de aumentar a alienação. Abrandar artificialmente a dor acomoda e conforma aqueles que, talvez exatamente pelo espírito crítico e inquieto, mais estejam propensos à depressão. E isso os anula. A autora ressalta: expressar-se, verbalizar a dor, debater até encontrar a fonte do incômodo, isso sim propiciaria o sentimento de “preciso fazer algo a respeito”, o que ajudaria a mudar as bases sociais que concorrem de modo tão intenso e extenso para a depressão. No caso das crianças que não se enquadram em casos clínicos, mas que vão de roldão, o uso de drogas é menos e pior que um paliativo. Porque caberia perguntar: paliativo para o quê?

A educação de crianças e adolescentes tem na autonomia um de seus fins mais inquestionáveis e decisivos, amparada em capacidade crítica e reflexiva, bem como na responsabilidade pelas escolhas que se faz. Autonomia não significa isolamento ou egoísmo. Ao contrário, exige a plena assunção da alteridade, da vida com os outros, que são a outra face que se impõe eticamente e nos indica até onde podemos ir, com o que podemos contar, o que devemos respeitar, concordando ou não, apreciando ou não.

Já a heteronomia, ou seja, a definição dos próprios atos e atitudes por outrem, está fora do horizonte educacional. Um dos maiores equívocos em relação à disciplina é supor que a determinação a partir de fora possa ser positiva para uma criança. Embora rotina e normas que se deve cumprir sejam parte indispensável da formação da criança, a autodisciplina tem valor insuperável. Por isso, educar é trabalhoso e exige disponibilidade, atenção e abertura para o ser da criança. Educar uma criança é também educar-se, porque gera oportunidades de desenvolvimento para o próprio adulto que não se apresentam em outras situações. O reconhecimento do ganho do processo educativo também para os pais, exatamente por todo o trabalho que exige, é o maior apoio que se pode ter.

Finalmente, mesmo para um mundo imerso nas expectativas do que se espera que um filho ou uma filha possa atingir, vale lembrar o pensamento do prêmio Nobel de Medicina e um dos criadores da etologia, o estudo do comportamento animal (o ser humano aí incluído), Konrad Lorenz, no livro A Demolição do Homem. Ao indicar que ética e amor devem ser os pilares para a criação de crianças desde a mais tenra idade, Lorenz traz o tema da curiosidade. Afirma que muito frequentemente famílias e escolas podam radicalmente a curiosidade das crianças, como se fosse inadequada. Até pelo modo de os pequenos muitas vezes, involuntariamente, saírem-se com perguntas que causam constrangimento. Lorenz afirma que a curiosidade é a base do amor e do pensamento científico. Sabe-se que, para a ciência, propor questões é fundamental, e para isso, há que se olhar o mundo com olhos sempre novos. E como se liga a curiosidade ao amor? Lorenz lembra que um dos mais claros indícios de interesse afetivo por alguém é a imensa vontade de saber mais sobre aquela pessoa, dos aspectos mais simples (residência, idade, lugares que frequenta, etc.) aos mais complexos (opiniões, histórias e vivências). Esse interesse é, de fato, curiosidade. E, sem poder expandir e expressar essa curiosidade, o amor não se apresenta, nem se desenvolve.

Assim, as crianças agitadas e tomadas como “impossíveis” podem ser exatamente as mensageiras das agitações e impossibilidades parentais, nela refletidas, que pedem atenção com os adultos. Como podem ser também mensageiras de toda curiosidade que têm e nelas se agita, enquanto traz consigo todas as possibilidades de amor e conhecimento que se concretizarão, bem encaminhadas a energia, a disposição e a curiosidade, em vez de sufocadas por um medicamento que as fará, sim, “obedientes”, mas ao custo de homogeneizar friamente o que apenas pede crescimento, luz e calor.

Crianças em conflitos armados ainda são realidade em 35 países, alerta a ONU


Mesmo com um protocolo internacional que impede que menores sejam alistados para fazer parte de grupos armados, em 35 países – entre eles a Colômbia, na América Latina – esta ainda é uma realidade. Segundo dados de Anistia Internacional, estima-se que em todo o mundo o número de crianças soldados esteja entre 300 e 500 mil – por falta de clareza nas informações sobre alguns conflitos, o número de países em que há crianças em luta armada pode ser maior.
O Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança direcionado, sobretudo, à utilização de crianças e adolescentes em situações armadas, entrou em vigor no dia 12 de fevereiro de 2002. Por isso, muitas instituições, organizações civis, entidades e militantes aproveitam a data para chamar a atenção de governos e grupos paramilitares para que repensem seus métodos e respeitem os direitos básicos dos menores que têm suas vidas roubadas e entregues aos riscos de conflitos armados internos.
A ferramenta, levada à frente pela ONU, é clara quando eleva a idade mínima para recrutamento para 18 anos. Mas, segundo a Coalizão Internacional para Acabar com a Utilização de Crianças Soldados, menores de 18 anos seguem fazendo parte das filas de soldados e não somente meninos, mas meninas também são inseridas e há, inclusive, denúncias de casos de violação sexual.
Estados Unidos, Grã Bretanha, Nova Zelândia e Áustria são alguns países ditos do "primeiro mundo” que também aparecem na lista dos que utilizam menores em exércitos. Além deles estão Filipinas, Sirilanka, Tailândia, Uganda, Congo, Somália, Índia, Iraque, Palestina, Afeganistão, Miamar, Chad e Colômbia.

Colômbia

Na América Latina, a Colômbia é o país com mais casos de presença de menores de 18 anos no conflito armado interno, envolvendo grupos das forças militares estatais e grupos insurgentes. Segundo a AI, cerca de 14 mil menores estão nessas condições.
No país, a Coalizão contra a Vinculação de Crianças, Adolescentes e Jovens em Conflito Armado (Colico) realizará desde a segunda-feira (11) uma série de ações e atividades que chamem a atenção da sociedade e para pedir que o Governo previna tais abusos.
Espaços públicos, colégios, cinematecas são alguns dos espaços que recebem interessados em saber mais sobre o problema e como fazer para ampliar o número de ativistas pela causa. A entidade mantém um endereço na internet com informações sobre como participar 

Mão Vermelha

Por uma iniciativa da Organização das Nações Unidas, o 12 de Fevereiro é também denominado de Dia da Mão Vermelha. Desde então, nas manifestações contra a inclusão de crianças e adolescentes em situações bélicas, as pessoas pintam as mãos de vermelho, simbolizando o pedido para que os Estados cumpram o protocolo e o fim dessa violação aos menores de 18 anos.
Para saber mais acesse também o endereço http://www.menoressoldados.org
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Fonte: Rede Brasil Atual

As crianças-soldados na Colômbia


No país, ao menos 18 mil menores de idade fazem parte de organizações armadas e cerca de 100 mil estão ligados indiretamente a elas

Por Página 12


Os números que dão conta dos jovens envolvidos no conflito bélico, vivido pela Colômbia, espantam. No país, ao menos 18 mil menores de idade fazem parte de organizações armadas e cerca de 100 mil estão ligados indiretamente a elas, segundo relatório oficial, que será publicado nesta semana, e que na segunda-feira (13) foi antecipado pela imprensa colombiana. Os menores são geralmente recrutados quando têm 12 anos e integram tanto os grupos guerrilheiros – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN) – como bandos paramilitares e do chamado crime organizado, sustenta a investigação. A maioria é constituída de meninos (57%), mas o recrutamento de meninas cresce em grande velocidade, sustenta o documento que inclui testemunhos de vários menores.
O relatório “Como cordeiros entre lobos” será apresentado, na quarta-feira (15), na sede do estatal Instituto Colombiano do Bem-estar Familiar (ICBF). No entanto, na segunda-feira, suas principais conclusões foram publicadas pelo jornal bogotano “El Tiempo”. Trata-se de uma investigação realizada por uma equipe de mais de oitenta pessoas, que trabalhou ao longo de quatro anos e que sistematizou, pela primeira vez, as circunstâncias do recrutamento de menores de idade por essas organizações. De acordo com o documento de cento e vinte páginas, todas as crianças recrutadas provêm do setor mais pobre da sociedade colombiana, que equivale a 12,6% da população total do país. Em 69% dos casos, sua origem é rural e seus pais são camponeses, embora o recrutamento em áreas urbanas cresça aceleradamente, sendo já dezessete vezes maior que há quatro anos, adverte o estudo.
Em média, também, a cada três anos esses menores haviam emigrado ou foram deslocados, forçadamente, antes de ingressar nos grupos armados. Por outra parte, a pesquisa destaca a extrema vulnerabilidade dos povos indígenas, cujas crianças possuem 674 vezes mais possibilidades do que outras crianças de ser diretamente atingidas pelo conflito armado ou de serem recrutadas.
O relatório assegura que ao lado dos “não menos de 18 mil” menores, que fazem parte dos grupos armados, “num sentido mais amplo” existem “umas 100 mil crianças e adolescentes” vinculadas com “setores da economia ilegal ou diretamente controlada por grupos armados ilegais e organizações criminosas”. Na escalada da violência que há anos açoita o país latino-americano, na segunda-feira, o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, de Cali começou a coordenar a resposta das forças públicas ao recente aumento dos ataques das FARC em uma área do sudoeste do país, seguindo ordens do presidente Juan Manuel Santos.
Nos últimos meses, as FARC vêm desenvolvendo uma ofensiva no departamento Vale de Cauca, que notavelmente foi aumentada no início de julho. Depois de dias de relativa calma, desde quinta-feira (09), os atentados com explosivos intensificaram-se, o que motivou Santos a instruir Pinzón e os comandantes de todas as forças militares para se deslocarem a Cali, capital do departamento Vale de Cauca, para coordenar as medidas de segurança.
Pinzón chegou nessa cidade depois que um policial foi morto e dois ficaram feridos devido à explosão de uma bomba escondida em uma moto, no município El Tambo, em Cauca. O ministro se reuniu com autoridades regionais e depois disse, em uma coletiva de imprensa, que as forças de segurança enfrentam “uma bárbara escalada terrorista e criminosa das FARC”, que busca “atingir civis por meio dos atentados com explosivos contra torres de condução de eletricidade”.
De sua parte, o comandante das forças militares, general Alejandro Navas, afirmou que entre quinta-feira e sábado (11) as FARC atacaram dezesseis torres, deixando milhares de habitantes, do Vale de Cauca e do vizinho departamento Nariño, sem energia elétrica. Segundo o ministro, a presença das forças de segurança colombianas, na área, possibilitou a apreensão de 150 granadas que pertenciam à sexta frente das FARC. Revelou ainda que, num combate, os militares mataram três membros da organização guerrilheira e capturaram seis, dois deles feridos, em uma área rural de Buenaventura, o principal porto colombiano no Oceano Pacífico, no Vale de Cauca. Pinzón comentou que os membros do grupo guerrilheiro foram responsáveis por alguns dos atentados cometidos, nas últimas horas, contra a infraestrutura elétrica. 
Tradução: Cepat
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A palmada demagócica da Zero Hora

O jornal Zero Hora, do oligopólio midiático RBS, não deixa nunca de se superar. Desta vez, demonstrando que escrúpulos e bom-senso é um artigo cada vez mais raro pelas redações dos Sirotskys. Na última sexta-feira (16/07) o tablóide resolveu atacar ao Governo Lula se utilizando de uma crítica ao projeto do governo contra o castigo infantil, por um suposto "intervencionismo de estado" na na educação das crianças. Engraçado vir a crítica, neste tom, de um grupo midiático-familiar que esta as volta de um escândalo de violência sexual envolvendo um dos herdeiros do clã.
Reproduzo abaixo dois posts que ilustram bem as incoerências e demagogias por traz da crítica estampada em Zero Hora.


Desde quando palmada é pedagócica?




Não cabe a RBS dizer como deve ser a educação dos nossos filhos



Cristóvão Feil registra hoje no Diário Gauche a mais recente manifestação deultraliberalismo da RBS que, ao criticar projeto do governo Lula contra a prática de castigos físicos contra crianças, volta a repetir a ladainha falaciosa do “viés autoritário e intervencionista do governo na vida das pessoas”. Cristóvão escreve:
“O editorialista de ZH talvez não saiba, ou esqueceu, que o Estado é a instituição responsável pela organização e pelo controle social. Max Weber, que frise-se, nunca foi marxista, vai mais além, ao garantir que o Estado detém, de forma soberana e irrenunciável, o monopólio da violência legítima e da coerção legal”.
Para a RBS, “não cabe ao governo dizer aos cidadãos como eles devem educar os seus filhos”. A afirmação beira a delinquência. Para quem não é contra a existência de tais instituições é óbvio que cabe ao Estado e aos governos dizerem algumas coisas básicas sobre como educar os filhos: além do currículo básico (para citar um exemplo mais primário), dizem que os nossos filhos não podem roubar, não podem agredir ou matar outras pessoas, não podem desviar dinheiro público, entre outras determinações que o Estado impõe a todos os que pretendam viver em sociedade.
O ultraliberalismo tosco e indigente expresso no editorial de Zero Hora expressa bem a mentalidade de um setor da elite gaúcha (e brasileira) que demoniza o Estado, os Governos e a Política de um modo geral, colocando-se acima do bem e do mal. O discurso raivoso e irracional contra o Estado é uma constante, menos, é claro, quando se trata de defender uma boa isenção fiscal ou de uma generosa operação de socorro a alguma empresa privada em dificuldade utilizando, para isso, recursos públicos. Pois bem, diante dessa barbárie argumentativa praticada diariamente pela RBS, por meio de seus múltiplos braços e vozes, cabe lembrar de algumas funções básicas do Estado. Cristóvão Feil ilustra bem esse ponto:
“Isso significa que a ninguém é dado – nem a jogador de futebol, nem a filinho de papai executivo de um grupo midiático – o direito de matar a namorada e jogar os restos mortais como repasto a cães famintos, ou de violentar menor usando o celular blueberry ao invés do flácido e inútil pênis. O jogar que alimenta os cães com a carne da namorada, o filho do executivo que – impotente – enfia gadgets sem consentimento na amiga pré-adolescente, o pai que espanca o filho, todos, sem exceção, devem ser punidos no modo previsto em lei e sob a custódia do Estado soberano e seus agentes”.
Já a RBS e seus donos acham que “não cabe ao governo dizer como devemos educar nossos filhos”. Essa tarefa é reivindicada pela própria RBS que tem a pretensão diária de dizer aos cidadãos e cidadãs como devem se comportar, como os filhos e filhas destes cidadãos devem entender as notícias, apresentando “dicas” para praticamente todas as esferas da vida humana. Já que os governos e o Estado não devem se meter na educação das crianças, que tal a própria RBS começar a definir os currículos e indicar os professores e diretores das escolas públicas?
A mentalidade autoritária, intervencionista e anti-republicana expressa neste editorial ajuda a entender um pouco o que vem acontecendo em algumas escolas de Porto Alegre. A ausência de Estado é ocupada pelo quê mesmo? Não por acaso, o noticiário da RBS sobre violência em escolas costuma se concentrar em problemas ocorridos em escolas públicas da periferia. Já em relação às escolas de classe média alta, reina o silêncio. E quando algo de muito grave vem a público sempre se poderá empurrar o menor infrator, livre do “viés autoritário do Estado”, para um distante parentesco familiar. Considerando o atual estado de coisas no Rio Grande do Sul, vale devolver as palavras contra o acusador e afirmar: “não cabe a RBS dizer como devemos educar nossos filhos”.

Uruguai: Parlamento aprova lei que proíbe o castigo aos menores

A câmara de Deputados uruguaia aprovou uma lei que proíbe o castigo físico aos menores por parte de adultos. Esta norma transforma o Uruguai no primeiro país da América Latina a incorporar a recomendação feita pelas Nações Unidas em 29 de agosto de 2006, na apresentação do Estudo Mundial de Violência contra as Crianças.
O texto recomenda aos países que modifiquem aquelas leis que outorgam poder corretivo aos pais sobre os filhos. Gimol Pintos é a oficial de Proteção da Unicef Argentina. Ao ser consultada por jornalistas do La Nación, celebrou a conquista, ainda que considere que, apesar de ser "bem-vinda", a lei não produzirá mudanças em matéria de violência contra a infância. "A recomendação das Nações Unidas é que se avance não só no normativo, mas também como política de Estado mais ampla para promover condições que protejam as crianças", disse. "Na realidade, a pior violência é invisível e isso não pode ser regulado por uma lei", explicou.
A lei, aprovada com os votos da governante Frente Ampla, de esquerda, e os opositores Partido Colorado, conservador, e Partido Independente, reforma artículos do Código Civil que até agora considerava que "os pais têm a faculdade de corrigir moderadamente seus filhos" e estendia esse direito aos tutores. O projeto, que deverá ser promulgado agora pelo Poder Executivo, impede "o castigo físico ou qualquer tipo de tratamento humilhante como forma de correção ou disciplina de meninos, meninas e adolescentes".
O opositor Partido Nacional votou no bloqueio contra a sua aprovação, por considerar "um catálogo de boas intenções" mas "impraticável".
Especialistas em infância, violência e leis, têm opiniões semelhantes. Ainda que ninguém esteja de acordo com a violência e os castigos humilhantes, duvidam que o Estado possa impor aos pais como criar seus filhos, e que se o fizer, teria alguma repercussão real. O tema dos limites, o "medo aos filhos", a ausência da autoridade materna e paterna muito cedo, entre outros itens, também entram em debate quando se trata de um tema tão sensível.

Fonte: ALC