Secretário de Aécio Neves é investigado pela Operação Navalha

As investigações da Operação Navalha no Maranhão apontam indícios de participação na máfia das obras de Simão Cirineu Dias, atual secretário de Fazenda do Governo de Minas. Segundo a Polícia Federal, ele seria um dos elos entre a Construtora Gautama e a Secretaria do Tesouro Nacional.

Citado sete vezes no inquérito, Simão foi secretário de Planejamento no governo de José Reinaldo Tavares (PSB), época em que Roberto Figueiredo Guimarães - ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) - atuou como consultor da Casa Civil maranhense. Antes, ambos já tinham trabalhado juntos no Tesouro.

Para a PF, a Gautama tinha facilidade de liberação de verba no Tesouro em razão da ligação entre os dois. A investigação incluiu Simão entre os ex-servidores que, por terem ocupado cargos no governo federal, poderiam ter atuado em favor da máfia.

Interceptações telefônicas da PF ligam o secretário de Minas a outros integrantes da organização. Em nota, Simão disse que não tem “qualquer relacionamento” com os fatos e, ´coincidentemente´, era secretário no período que Roberto Figueiredo atuava como consultor no Maranhão.

O governador Aécio Neves não comentou o caso, pois, segundo sua assessoria, o assunto não é de sua gestão.

Agência Estado

O caso RCTV: mais manipulação da informação

Nos últimos dias, temos visto a grande imprensa monopolista fazer uma cobertura sobre o recente final das transmissões do canal de TV RCTV da Venezuela como sendo um ato ditatorial do Presidente venezuelano Hugo Chávez.
Em momento algum, principalmente na Globo, vemos serem expostos os motivos que levaram a essa situação. Na verdade, nem se fala em “não renovação da concessão”, mas sim em “fechamento” do canal. Outra sutileza lingüística ocorre quando esses grupos falam, sempre de modo lateral, sobre a “suposta” participação da RCTV na tentativa de golpe de Estado contra Chávez, em abril de 2002. O uso da palavra “suposta”, neste caso, pode significar duas coisas: desinformação ou má fé. Considerando a quantidade de material disponível sobre a participação da RCTV no golpe, a primeira alternativa deve ser logo descartada.
Não chega a causar surpresa, afinal este tem sido o comportamento padrão da midia conservadora sobre qualquer tema que represente qualquer possibilidade de reversão do atual estado de coisas em que o nosso continente se viu mergulhado nos últimos anos, e que apenas nos últimos anos o povo latino-americano tem buscado a reversão deste processo. Em uma matéria bastante esclarecedora sobre este tema, o jornalista Marco Aurélio Weissheimer da Agência Carta Maior, coloca que "A total ausência de contra-ponto no caso da não renovação da concessão da RCTV é mais do que sintomática. Revela uma cumplicidade explícita e recheada de má-fé em relação a uma elite que tem Miami como sua capital e inspiração de vida." A integra da matéria pode ser acessada aqui.
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Monocultura de eucalipto: Crimes ambientais, pobreza e desemprego

Esta em debate a expanção cada vez maior da monocultura de eucalipto. A monocultura é vista pelos ambientalistas como uma das principais causas da destruição do meio ambiente. No caso do eucalipto, muitos produtos químicos são utilizados para acelerar o crescimento e as árvores sugam uma quantidade enorme de água do solo. Isso enfraquece a terra e acaba com a biodiversidade local. Grandes empresas de celulose, como por exemplo a multinacional Aracruz, além de cometerem crimes ambientais, geram pobreza e desemprego, e são responsáveis pelo aumento do êxodo rural em muitos estados.

No caso da região de Eunápolis (BA), onde a Aracruz e suas acionistas têm mais de 43 mil hectares de terras, 60% dos agricultores já deixaram a área rural. No estado, a empresa também já foi multada em quase R$ 1 milhão por plantio ilegal. Já no Espírito Santo, a empresa está sendo acusada na Justiça de invadir 11 mil hectares de terras dos povos indígenas Tupinkim e Guarani. Mas mesmo assim, a Aracruz recebe financiamento público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em entrevista à Radioâgencia NP, o coordenador da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Marcelo Calazans nos fala sobre os riscos dessa cultura e as estratégias das empresas. A entrevista pode aqui ser acessada.

Ex-secretário pego com carteira falsificada

O ex-secretário de Obras do governo Yeda Crusius (PSDB), Rogério Santiago, foi detido nesta terça-feira dirigindo com uma carteira de habilitação falsificada, informou a rádio Gaúcha. Santiago ocupou a Secretaria de Obras do Estado no período de transição entre Paulo Azeredo (PDT) e Coffy Rodrigues (PDT, em processo de expulsão do partido). Antes de assumir, ele era secretário adjunto e diretor geral de Obras Públicas do Estado, cargo que voltou a assumir após a nomeação de Rodrigues, segundo informa o site da Secretaria de Obras Públicas. Ele conduzia um Renault Mégane, quando foi parado por uma blitz da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) na Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre. O veículo foi apreendido e o ex-secretário conduzido para o Palácio do Polícia para os devidos encaminhamentos.

No início de 2007, Rogério Santiago deixou a coordenação da Secretaria de Planejamento e Habitação do município de Alvorada para ser o secretário adjunto e diretor geral da Secretaria Estadual das Obras Públicas.

Fonte: RS Urgente

Estudantes da USP mantêm ocupação a reitoria

A luta prossegue. Duas reuniões ocorridas na segunda-feira (21), uma com a reitora Suely Vilela e outra com o comandante da Tropa de Choque, coronel Joviano Lima, não foram suficientes para mudar a opinião dos cerca de 300 estudantes que ocupam há vinte dias a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Mesmo com um ultimato dado por Suely durante a reunião, uma assembléia estudantil com cerca de 800 pessoas, ocorrida na madrugada de segunda-feira, decidiu não dar fim à ocupação.
Em nota divulgada no blog dos estudantes acampados na Reitoria (http://ocupacaousp.blog.terra.com.br) diz que a reunião de segunda contou com o vice-reitor Franco Maria Lajolo, a própria reitora, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e uma comissão de cerca de trinta estudantes. Suely Vilela reapresentou sua proposta anterior, que havia sido retirada com a divulgação da ordem de despejo enviada pela Justiça.
O movimento além da pressão do Governo Serra, da reitoria e da PM, tem também de enfrentar o cerco da mídia conservadora, que em todas as coberturas tem tentado desviar o foco da resistência e pintar o movimento com cores de "baderna" de "desordeiros", tentando deslegitimar assim o movimento estudantil.
Não é novidade, afinal, a mídia até hoje poucas vezes teve uma cobertura imparcial ou minimamente favoravel a luta dos movimentos. Agora não seria diferente. Este blog regitra aqui o seu apoio a esta importante luta dos estudantes da USP pela manutenção e ampliação de suas conquistas.

Humor


Autor: Kayser

Movimentos convocam para Jornada de Lutas em 23 de Maio

No próximo dia (23), trabalhadores, estudantes, mulheres, negros, índios e toda a população mobilizada vão participar de atividades como marchas, paralisações, panfletagens e atos públicos em todo o país.
Abaixo segue a integra da convocação dos movimentos sociais:

O movimento sindical, popular e estudantil convoca trabalhadores e o povo a lutar: contra a reforma da previdência, contra toda reforma que retire direitos (Não à Emenda 3), por emprego, salário digno, reforma agrária e moradia, contra a política econômica e o pagamento das dívidas interna/externa, em defesa do direito de greve e contra a criminalização dos movimentos sociais.

Nós, lutadores e lutadoras do movimento popular, convocamos toda a sociedade para uma grande jornada de lutas, no dia 23 de maio de 2007, contra essa política econômica e o superávit primário, pelo não pagamento das dívidas externa/interna e por uma auditoria dessas dívidas, bem como contra qualquer tipo de reforma que traga prejuízos à classe trabalhadora e à soberania do país.

Vamos nos manifestar contra a política econômica do governo federal, que enriquece banqueiros e grandes empresários, estrangula qualquer possibilidade de investimentos em políticas sociais, mantendo a perversa concentração de renda.

Vamos nos manifestar contra a retirada de direitos trabalhistas e contra a reforma previdenciária apresentada, pois é inadmissível reduzir nossas conquistas históricas.

Lutamos para libertar o Brasil do domínio imperialista, que impõe o agronegócio, que destrói a natureza e compromete a capacidade de produção de alimentos para o povo.

Nos irmanamos a todos os povos latino-americanos em defesa da independência e da soberania de nossos países. Nos manifestamos pela retirada das tropas do Haiti e contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Estamos nas ruas por mais direitos para o povo:

- Reforma Agrária.

- Emprego para todos, redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

- Em defesa do direito irrestrito de greve, contra a criminalização dos movimentos sociais.

- Em defesa do serviço público: educação e saúde pública, gratuita e de qualidade para todos.

- Direito de moradia digna para todos.

- Em defesa do meio ambiente, contra a destruição da Amazônia.

-Valorização do salário mínimo e das aposentadorias.

- Contra a autonomia do Banco Central.

- Contra todas as formas de discriminação e opressão racial, homofóbica e sexista.

- Pela anulação do leilão da privatização da Vale do Rio Doce.

- Energia com tarifa social.

- Pela democratização dos meios de comunicação.

- Em defesa dos lutadores e lutadoras do movimento sindical e popular, pela reintegração imediata de todos dirigente sindicais, a exemplo dos companheiros do Metrô de São Paulo, e pela imediata libertação dos presos políticos.

CUT - Central Única dos Trabalhadores
CONLUTAS - Coordenação Nacional de Lutas
INTERSINDICAL
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Via Campesina
UNE - União Nacional dos Estudantes
CMS - Coordenação dos Movimentos Sociais
Assembléia Popular
UBES União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
Marcha Mundial das Mulheres
Pastorais Sociais
CONAM - Confederação Nacional das Associações de Moradores
ANPG - Associação Nacional de Pós-Graduandos


Nova investida militarista dos EUA no Leste Europeu

Os EUA planejam instalar inicialmente dez mísseis na Polônia e um radar antimíssies na República Tcheca alegando "defender" a Europa — e a si próprios — de uma "possível" ameaça de países como República Popular Democrática da Coréia e Irã. O problema é que esses países não possuem mísseis capazes de atingir o solo europeu nem tecnologia capaz de fabricá-los em menos de 10 anos. O Irã sequer possui tecnologia para fabricar armas atômicas, embora a administração americana insista em que o país procura fabricá-las.

"Os Estados Unidos precisam seguir adiante e usar tecnologia para se defender e faremos isso", disse Condoleezza a repórteres após uma reunião com o presidente russo, Vladímir Putin.

Condoleezza é formada pela Universidade de Stanford, da Califórnia, e sua tese de mestrado foi centrada na extinta União Soviética. A administração Bush apostou que Condoleezza era a figura certa para dissolver a crescente insatisfação da Rússa, que se vê cada vez mais cercada pelo imperialismo americano ao perder importantes aliados na Europa Oriental, como Ucrânia, Polônia, República Tcheca, Moldávia e Geórgia.


A atual administração Bush vai elevar o orçamento militar do país, em 2008, para mais de 600 bilhões de dólares, algo apontado por analistas americanos como o argumento real para instalar os mísseis na Europa, atendendo demandas do Complexo Militar Industrial americano, que percebe a derrota militar no Iraque como iminente. O orçamento é o maior da história americana desde a administração Reagan.


Ele foi aprovado recentemente pelo Congresso americano e seu valor ultrapassa os US$ 646 bilhões para o ano de 2008. Isso inclui US$ 503 bilhões para o Orçamento básico do Departamento de Defesa (Pentágono) e mais US$ 141,8 bilhões para as ocupações do Iraque e do Afeganistão.


A "dama de rapina" do presidente Bush afirmou em Moscou na terça-feira que não acredita "que ninguém espere que os EUA permitirão um veto de alguma forma aos interesses de segurança americanos", rebatendo as ameaças de Moscou em vetar a instalação do sistema de mísseis.


Kosovo é outra bofetada

Ainda na terça-feira, a secretária também afirmou que é "impossível" que Kosovo continue sendo parte de Sérvia, em clara oposição ao que defende a Rússia. Os dois países não conseguiram entrar em acordo a respeito do futuro da região sérvia nos encontros de Condoleezza com Serguei Lavrov — ministro das Relações Exteriores — e o presidente Putin.


Kosovo "não será mais parte da Sérvia, é impossível", disse Condoleeza em entrevista à rádio moscovita Eco. A afirmação colide com o que ela disse um dia antes, ao desembarcar no aeroporto de Cheremetievo, em Moscou: "Não há razão para se falar de nova guerra fria entre Washington e Moscou. Como alguém que vem deste período, como uma especialista, penso, sinceramente, que os paralelismos não têm base alguma”, disse.


Resistência européia é grande


A instalação de mísseis americanos na Europa Oriental é também criticada no resto da Europa. A resistência na Alemanha é grande, tanto dentro da coalizão de governo como nos três grandes partidos de oposição.


"Isto se deve ao fato de que os sistemas de armas iranianos, contra os quais se estaria supostamente defendendo, não existem, em absoluto. E a probabilidade de que existirão é mínima", sintetiza a vice-líder de bancada do Partido Social Democrata (SPD), Angelica Schwall-Düren.


Em sua opinião, na qualidade de presidente do G8 e do Conselho da União Européia, a Alemanha deveria se empenhar para que a cooperação com a Rússia não se torne mais difícil.


Outros países da União Européia estão igualmente irritados pelo fato de a Polônia e a República Tcheca aceitarem a presença de armas americanas sem qualquer comunicação prévia.


No mês de março, o ministro luxemburguês das Relações Exteriores, Jean Asselborn, classificou os planos de "incompreensíveis". Na mesma época, o então presidente da França, Jacques Chirac, advertiu para uma "cisão da Europa".


Em pesquisa realizada na última semana na República Tcheca, 68% dos entrevistados afirmaram que não desejam que o país seja a sede de qualquer sistema de "defesa" americano que venha a colocar a região em risco de guerra nuclear.


Putin: os EUA como Terceiro Reich


Nos últimos meses, Putin fez discursos contundentes em relação ao governo de Washington, denunciando a tentativa americana de desestabilizar o mundo com uma visão unipolar, e de querer reativar a corrida armamentista com o projeto.


Para o professor do Departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Nottingham (Reino Unido) Matthew Rendall, "especialista" em União Soviética e em "ética da dissuasão nuclear", as críticas russas não são infundadas, como querem fazer crer as mídias pró-EUA. "O sistema de defesa que os americanos querem implementar na Europa pode ser desenvolvido no futuro para ser capaz de derrubar mísseis da Rússia", afirmou ele à Folha Online.


Tratado rasgado e atirado ao lixo


A instalação de mísseis na Polônia e de um radar na República Tcheca, segundo a Rússia, quebra o Tratado sobre as Forças Convencionais na Europa, um dos textos mais importantes para garantir a segurança no continente europeu assinados entre os dois países neste século. A Rússia declarou que não se sentirá mais obrigada a obedecer o texto do acordo caso seja implantado o projeto.


Putin estabeleceu também indiretamente um paralelo entre a política externa de George W. Bush e a de Adolf Hitler, em um discurso na semana passada para comemorar a vitória sobre a Alemanha nazista na Grande Guerra Patriótica.


Em relação aos discursos de Putin e após as reuniões destes dois dias, a Rússia sentiu o golpe: o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou a repórteres que Putin era favorável "à sugestão americana sobre ser necessário diminuir o tom das declarações nos comunicados públicos e dar mais atenção a questões concretas".


Mas não houve sinais de que os principais pontos de desavença entre os EUA e a Rússia tenham sido amenizados.

Fonte http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=17990

Sonic Youth - Incinerate

Sonzera da banda Sonic Youth ao vivo no Coachella 2007, tocando Incinerate, música que está no último e excelente disco desta legendária banda de rock norte-americana.

Discurso do Papa pode afastar comunidade católica, dizem feministas

Bia Barbosa – Carta Maior

Papa Bento XVI voltou a Roma na noite deste domingo (13) deixando aceso no Brasil o já histórico debate sobre a descriminalização e legalização do aborto. Antes de pisar em solo brasileiro, Joseph Ratzinger já havia defendido a excomunhão de políticos não contrários à prática, considerada fruto “do egoísmo e do medo”. Apoiou os bispos mexicanos que recentemente excomungaram deputados da Cidade do México pró-aborto. Disse que deputados e senadores que votam a favor de uma proposta de lei como a aprovada no país vizinho se auto-excluem da comunidade católica, e defendeu a promoção do "respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio".

Do outro lado da polêmica esteve o ministro José Gomes Temporão, que afirmou que o debate deve ser feito a partir de uma perspectiva da saúde pública. Anualmente, 250 mil mulheres são atendidas no sistema de saúde em decorrência de complicações em abortos clandestinos. As declarações de Temporão vieram depois de uma manifestação na esplanada dos ministérios, em Brasília, contra a legalização da prática. Na opinião do ministro, poucas vozes femininas foram ouvidas no debate. De fato, tanto as organizações do movimento feminista como mulheres que, individualmente, são favoráveis à legalização do aborto, tiveram pouco espaço garantido na discussão.

Na última sexta, as principais organizações do setor divulgaram uma nota pública pela garantia de serviços de saúde que assegurem os direitos reprodutivos da população. Reafirmaram seu compromisso com a defesa do princípio constitucional do Estado laico, o qual, na sua opinião, tem o dever e a responsabilidade de “garantir às mulheres que precisam recorrer ao aborto que possam fazê-lo em condições adequadas à preservação da sua saúde e de sua vida”.

O texto defende a postura do governo e a atuação da equipe da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, em especial a Área Técnica de Saúde da Mulher, que tem trabalhado pelo aprimoramento do SUS e dos direitos das mulheres. “A ampliação da oferta e da qualidade dos serviços que garantam os direitos reprodutivos da população é uma necessidade urgente”, diz a nota.

'Reafirmamos ainda nossa solidariedade com todas as mulheres que viveram ou estão vivendo a situação de aborto clandestino, principalmente com as mulheres pobres, que o fazem em condições precárias, com riscos à saúde e à própria vida. É importante que a sociedade brasileira reconheça a capacidade das mulheres de se confrontarem com a ordem patriarcal, que insiste, a qualquer preço, na criminalização desta prática. Negar às mulheres o direito ao aborto, tratando-o como crime, é negar a elas o direito de pensar e de existir como sujeitos responsáveis”, conclui o texto.


Limite à influência da igreja


Na opinião das organizações feministas, o contraponto lançado pelo governo às declarações de Bento XVI pode delimitar até onde a visita do Papa pode influenciar em ações do Estado brasileiro. “Pro movimento, é importante ver que há um limite na influência da igreja na elaboração de políticas públicas”, explica Carla Batista, da Articulação de Mulheres Brasileiras, uma das propositoras da nota. “Neste primeiro momento, a visita do pontífice e suas declarações, por um lado, fortalecem os setores conservadores da igreja, mas podem criar um afastamento ainda maior dos católicos em geral no que diz respeito a este tipo de posicionamento”, acrescenta.

Em fevereiro de 2005, uma pesquisa do Ibope revelou que 85% dos católicos defendem que as decisões do Legislativo e do Judiciário devem ser baseadas na diversidade de opiniões, e não em idéias religiosas. O mesmo levantamento mostrou que 93% dos católicos acham que o serviço de saúde deve atender às mulheres que têm problemas acarretados por aborto. 97% defendem que o governo promova o uso de preservativos para combater a Aids e 86% são favoráveis ao uso de contraceptivos. De lá pra cá, o resultado não se alterou. Ou seja, de alguma forma, os católicos brasileiros não têm considerado o posicionamento do líder central de sua igreja no que diz respeito às práticas de sua vida cotidiana.

“Há muito tempo se detectou a distância entre os dogmas da igreja e o que seus segdores fazem na vida privada. Mas a rejeição ao aborto não é defendida só pela igreja. Na sociedade moderna, houve outras forças que se somaram a este processo de construção do padrão de feminilidade, com a imagem da maternidade introjetada para muitas como obrigação e sentido da vida. A religião é só um dos vários fatores que a constrói; a filosofia e a ciência são outros, por exemplo”, analisa Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.

“Mas como a religião trabalha com elementos muito fundamentalistas, na lógica do sacrifício e da culpa, sua rejeição, por parte dos católicos, é mais fácil que a rejeição ao discurso sofisticado da filosofia e da ciência, que hoje discute, por exemplo, onde começa a vida”, acredita Nalu.

Na opinião da entidade feminista Católicas Pelo Direito de Decidir, que defende a legalização da prática, a igreja continua proibindo o uso da camisinha e escondendo mulheres que praticam o aborto. Mas os católicos usam camisinha, as católicas fazem aborto e a comunidade não condena nem criminaliza quem faz. Na última quinta-feira (10), a organização promoveu, em doze cidades em todo o país, manifestações para dar este recado ao papa, da distância entre seu pontificado e a prática dos fiéis católicos.

“A igreja condena o aborto defendendo a vida a partir de princípios absolutos e abstratos. Nossa postura é defender a vida a partir da realidade concreta das mulheres, que leve em conta todos os aspectos da vida, não só o biológico, mas outros fundamentais para o seu desenvolvimento. Como o desejo de uma pessoa querer gerar uma nova vida, as condições econômicas e sociais para isso, o amor e o carinho que essa pessoa está disposta a dar, uma comunidade que queira acolher esta vida. Quando se fala de vida, tudo isso tem que ser considerado”, afirma a teóloga Yury Orozco, integrante da coordenação da Católicas Pelo Direito de Decidir.

As manifestações da semana passada também tinham o objetivo de denunciar a ausência de diálogo por parte do pontificado e seu conseqüente distanciamento do espírito evangélico da escuta. Para o movimento feminista, a sociedade reivindica cada vez mais sua autonomia e sua liberdade de decidir, direitos que a igreja contraria.

“Em sua visita, o pontificado quis se consolidar como único portador da verdade, e isso deve ter um efeito contrário e aprofundar a distância da população brasileira em relação a estes princípios. Os efeitos serão contrários ao que eles esperam”, acredita Yury.

No próximo dia 17, a reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher vai tratar o tema das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, como forma de intensificar a luta pró-aborto de forma processual, permanente, e não apenas como conseqüência da findada visita de Bento XVI ao Brasil.

Michael Moore reage diante de pressão dos EUA

O cineasta Michael Moore disse em seu país que está "disposto a lutar" contra um procedimento do governo dos Estados Unidos que pretende acusa-lo por violar o bloqueio que Washington aplica a Cuba desde há quase 50 anos e que inclui proibições aos estadunidenses de viajar a Ilha sem uma autorização oficial e de fazer outras atividades no país caribenho.

"Os esforços do governo Bush em dirigir uma investigação politicamente motivada contra Michael Moore e "Sicko" não nos deterá na hora de assegurarmo-nos de que o povo estadunidense veja o filme", disse um porta-voz da equipe do documentarista em uma declaração emitida em Nova York e publicada pela imprensa local e que relaciona a mais recente obra de Moore com a ação oficial da Casa Branca.

O autor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 9/11" enfrenta uma ação do Departamento de Tesouro, que enviou uma carta a Moore, no último 2 de maio, na qual informa que o governo estadunidense nunca lhe deu permissão para "ignorar" o bloqueio contra Cuba. O documento foi assinado por Dale Thompson, chefe do Escritório de Controle de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro.

Na carta, pede-se que Moore entregue uma série de dados sobre a viagem que fez a Cuba em fevereiro de 2007 e lhe lembra que as violações são possíveis de penalização "civil e/ou criminal". "Esse escritório não tem dados de que se tenha emitido uma licença específica que lhe autorize estabelecer relações de viagem relacionadas com Cuba", disse o comunicado.

Em uma resposta do cineasta publicada por Meghan O`Hara, produtora de seu mais recente documentário "Sicko", Moore disse que "o presidente (George W.) Bush e seu governo deveriam gastar seu tempo tentando ajudar a esses heróis para que recebam a assistência sanitária que necessitam, ao invés de abusar de seu poder legal para em prol de sua agenda política". Sicko aborda precisamente o tema do abandono sanitário nos Estados Unidos.

O jornal nova-iorquino El Diario/La Prensa explicou a seus leitores que os heróis mencionados nessa resposta são dez trabalhadores que participaram dos trabalhos de resgate após os ataques, de 11 de setembro de 2001, em Nova York e que viajaram a Cuba junto com Moore para receber tratamento médico.

"O novo filme de Michael Moore arrancará máscara da indústria sanitária estadunidense", disse O`Hara em seu comunicado sobre o documentário que estreará nos Estados Unidos no próximo dia 29 de junho. Moore tem 20 dias para entregar os materiais solicitados pela investigação.

Fonte: World Data Service

Lei Seca: a nova solução mágica para a segurança pública gaúcha

O novo comandante da Brigada Militar, coronel Nilson Nobre Bueno, sugeriu nesta sexta-feira a implantação de uma lei seca no Rio Grande do Sul para diminuir os índices de homicídios. A sugestão foi feita durante reunião com o secretário estadual de Segurança, José Francisco Mallmann, e prefeitos de dez municípios da Região Metropolitana e de Caxias do Sul. O coronel propôs que os municípios aprovem legislações específicas para proibir a venda de bebidas alcoólicas em determinados horários. Segundo ele, essa proposta seria inspirada em um projeto implantado na cidade de Diadema (SP). O novo comandante assume o cargo oficialmente na semana que vem. Ele prometeu priorizar a repressão ao roubo e furto de veículos. Conhecido como linha-dura dentro da corporação, o coronel Bueno prometeu também transparência nas ações da polícia.

E por falar em roubo e furto de carros, Porto Alegre foi o município que registrou o maior aumento na freqüência desse tipo de crime entre roubos ou furtos de carros no período de agosto de 2006 a janeiro 2007, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais. Foram 21,1 veículos para cada mil, contra 18,2 entre agosto de 2005 e janeiro de 2006 - um crescimento de 16%. Com esse aumento, a capital gaúcha superou São Paulo (18,4 para cada mil) e assumiu a segunda posição do ranking. O primeiro segue sendo do Rio de Janeiro, que registrou 28,7 veículos roubados ou furtados em cada grupo de mil. O aumento desse tipo de ocorrência em Porto Alegre terá reflexo direto no bolso dos proprietários de veículos. Em breve o valor do seguro na capital gaúcha será equivalente ao do Rio, o maior do país (entre 10% e 15% mais alto do que em São Paulo). A sensação de segurança não pára de crescer...


Fonte: RS Urgente

Humor


Autor: Angeli

A Teologia da Libertação vive. Por isso, Ratzinger vem ao Brasil

Pergunte a um católico comum por que o papa vem ao Brasil, e a ladainha será a mesma: “Bento XVI vem canonizar frei Galvão, o primeiro santo genuinamente brasileiro”. Tente perguntar a um leigo, e a sua resposta virá acrescida de uma sigla enigmática para os que não acompanham a história da Igreja: “Ele vem para a abertura da 5ª Conferência do Celam”. Agora, pergunte a representantes da Teologia da Libertação, e a jovial visita de Ratzinger transmuta-se em recado claro no qual frei Galvão é apenas o coadjuvante popular de um plano para conter o êxodo católico; e a Conferência, o palco principal para atacar os que vivem sob o prisma da “opção preferencial pelos pobres” – opção aliás germinada em Medellín (Colômbia), em 1968, durante a 2ª edição do encontro, e regada na reunião seguinte em Puebla (México), em 1979.

Bento XVI não escolheu o Brasil por acaso para sua primeira viagem ao continente americano como papa. Sua estadia, mesmo que curta, pode traçar os rumos da Igreja na América Latina para os próximos dez anos. Isso porque tradicionalmente a fala inaugural da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam) – que será feita por Ratzinger no mesmo dia em que deixa o país, dia 13 de maio – serve para demarcar o terreno das discussões, que desta vez serão travadas por 280 bispos que permanecerão reunidos em Aparecida até o dia 31 de maio.

E é justamente aí que entra a preocupação de Ratzinger, que pisará em território brasileiro pela terceira vez no dia 9 de maio – a primeira foi em 1985, logo após o processo contra o teólogo brasileiro Leonardo Boff, e a segunda, em 1990, para ministrar um curso a bispos brasileiros no Rio de Janeiro. Quase metade dos católicos existentes no planeta mora na América Latina. São 480 milhões de fiéis que pouco a pouco estão abandonado a Igreja Católica – de acordo com teólogos da libertação ouvidos pelo Brasil de Fato, por sua inteira culpa. E Ratzinger espera que sua fala tenha influência direta nas linhas de ação pastoral tiradas pelos bispos ao final do encontro.

Como curiosidade dessa batalha entre a Igreja Católica e as igrejas neo-pentecostais, basta dizer que a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, acaba de anunciar a distribuição de camisinhas para seus fiéis, seguindo o exemplo do que já tem sido feito pela própria Universal na África do Sul.


Tira-gosto

Essa linha de argumentação sustenta em parte a opinião do padre João Pedro Baresi, comboniano alinhado à Teologia da Libertação. “A vinda de Ratzinger faz parte de um plano em que a maior preocupação é com o êxodo dos católicos”, mas não só isso. Para Baresi, o papa também vai aproveitar a viagem para tentar “dar um basta à Teologia da Libertação” - já que Ratzinger credita à Teologia da Libertação a responsabilidade pela perda crescente de fiéis desde sua afirmação na década de 1960 enquanto teologia.

“O que o recém-empossado arcebispo de São Paulo dom Odilo Scherer disse dias atrás, de que o tempo dessa teologia passou, pode ser um tira-gosto disso”, acredita Baresi. E nesse contexto, a fala inaugural da Conferência do Celam é importantíssima para que o papa dê o seu recado. “A canonização de frei Glavão complementa o plano: “é a religiosidade popular católica usada para segurar o povo em êxodo.”

Ainda sobre dom Odilo, Baresi complementa:“Que ele documente a sua declaração. Segunda coisa, o que importa não é a Teologia da Libertação, mas a libertação, como sempre fala Gustavo Gutierrez. Se alguém tiver algo melhor que contribua para o compromisso da libertação à luz da da fé, que indique”.

Mas a declaração de Scherer não é a única pista deixada pelo papa atual no meio de seu trajeto à América Latina. A recente advertência do Vaticano ao jesuíta alinhado à Teologia da Libertação Jon Sobrino, que vive em El Salvador, soa como uma nova condenação de Ratzinger a essa chave de interpretação do Evangelho.


Teologia da Libertação vive

O monge beneditino Marcelo Barros defende que a Teologia da Libertação só estaria superada se as condições e motivos pelos quais ela nasceu tivessem passado. “Ora, todos sabemos que, ao contrário, a pobreza injusta e a desigualdade social aumentaram muito, como também se pode dizer que está mais organizada a ressurgência de movimentos populares, indígenas e camponeses, assim como, no mundo todo, cresce o número dos que se organizam para que um mundo diferente seja possível. Como muitas dessas pessoas são crentes, cristãos ou de outras religiões, não somente a Teologia da Libertação continua válida, como ela deixou de ser só latino-americana para ser mundial.”

Barros, que pertence à Comissão Teológica da Associação Ecumênica dos Teólogos do Terceiro Mundo, diz que tem ocorrido uma aproximação entre a Teologia da Libertação e a Teologia do Pluralismo Cultural e Religioso. “Isso significa que existe hoje uma Teologia da Libertação inter-religiosa e não somente cristã. Com uma ampla literatura não existente antes sobre Teologia Negra, Teologia Indígena, Teologia Feminista... Eco-teologia... que passam a ser considerados ramos novos da Teologia da Libertação.”

O dominicano Frei Betto também foi contactado pela reportagem, mas foi informada por sua assessora que Betto estava em Cuba, e em virtude do acesso à internet ser dificultado pelo bloqueio dos Estados Unidos, ele não poderia responder.


Por Marcelo Netto Rodrigues do Jornal Brasil de Fato.

Cat Power - Lived In Bars

Este video da Cat Power é de uma música chamada Lived In Bars. Ests música faz parte do seu ultimo albúm, chamado 'The Greatest', que vale a pena ser escutado.

A conjuntura pós-Sarkozy

Estamos vivendo um período onde grandes definições políticas sobre o futuro da humanidade estão em permanente disputa. Ao contrário de outros períodos, nunca vivemos tamanha falta de nitidez e unidade quanto aos principais objetivos em disputa.
Digo isso principalmente à luz dos fatos ocorridos na eleição presidencial na França. Acho que este é um bom exemplo das dificuldades que se apresentam no próximo período no cenário internacional. Do ponto de vista das forças conservadoras, há diferenças em disputa sobre quais os rumos que o capitalismo deve seguir, a vertente neoliberal, em sua versão militarista está em crise nos EUA e Inglaterra, havendo forte pressão popular (ainda que insuficiente para mudar o curso da política) deslegitimando a credibilidade e a força internacional que já teve a pouco tempo atrás tal ideário.
Agora, essa linha política ganha uma importante sobrevida, com a vitória de Nicolás Sarkozy nas eleições francesas. A direita apresentou outras candidaturas neste pleito, desde alternativas mais moderadas até posições ainda mais extremadas que a de Sarkozy. Mas o contexto de sua vitória exige que a esquerda repense a forma como tem atuado no velho continente.
Houve uma pulverização de candidaturas de caráter progressista no primeiro turno que, ainda que não tenham impedido a ida da candidatura socialista para o segundo turno como ocorreu na eleição anterior, demonstra a total incapacidade da esquerda francesa em constituir um ponto mínimo de unidade que permitisse que se freasse a ascensão de Sarkozy a presidência da França. O que não é um problema exclusivamente francês, vemos a mesmas cenas ocorrerem em outros países da Europa com resultados semelhantes.
A um histórico de traições políticas, de conversão de militantes e partidos históricos da esquerda européia para a defesa da ordem, dificuldades de mobilização social, sectarismo exacerbado e uma série de outros fatores que colaboram para que a Europa esteja hoje em um momento de dificuldades de crescimento da esquerda em seu sentido mais amplo, com algumas exceções. Esta constatação não se baseia apenas do ponto de vista eleitoral, mas no sentido mais amplo da disputa política.
Este cenário Europeu prejudica a construção de alternativas em escala global, pois temos uma conjuntura de mudanças políticas em curso na América Latina, de possibilidades na Ásia e de grave crise social na África, que uma Europa à direita e subserviente aos interesses imperialista dos EUA prejudicam muito a construção de uma contra-hegemonia. Se não bastasse tudo isso, há as dificuldades inerentes a disputa política que sempre se fizeram presentes e que agora apenas se acentuam, como por exemplo, a dificuldade de se constituir uma tática mínima e comum das esquerdas para frear estes movimentos conservadores. O processo dos Fóruns Sociais Mundiais, atualmente, não dá conta deste desafio.
É uma conjuntura curioso (para não dizer trágica), a França que no passado foi palco de dois importantes símbolos que marcaram a consciência coletiva no sentido da possibilidade de emancipação humana, que foram a Revolução Francesa e a Comuna de Paris. Hoje, por ironia da história, a França é palco da afirmação de uma guinada conservadora na Europa.
Mas este é um cenário ainda em aberto, que longe de termos conclusões definitivas, devemos construir pontes que possibilitem uma mudança favorável na Europa, o que corrobora para o restante do mundo. O central é construirmos a consciência do que está em jogo e para onde queremos ir, do contrário, as perspectivas não serão muito otimistas.

Por Erick da Silva

Brasil e mais cinco países acertam criação do Banco do Sul

A integração da América do Sul e o desenvolvimento dos países da região, objetivos políticos do governo Lula vistos com interesse por vizinhos como Venezuela e Argentina, devem ganhar um instrumento capaz de impulsioná-los no futuro. É o Banco do Sul, como está sendo chamada uma instituição planejada para financiar o desenvolvimento econômico dos sócios e projetos de integração física entre eles. O compromisso de criá-lo foi assumido por Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia e Paraguai nesta quinta-feira (3), durante uma reunião dos ministros da Fazenda em Quito (Equador).

No encontro, ficou definido ainda que os governos continuarão conversando sobre a criação de uma outra instituição financeira sul-americana, um fundo para socorrer países em crise que precisassem de dinheiro. Algo como uma versão miniatura e regional do FMI. Mas, ao contrário da idéia do banco, ainda não há acordo sobre o formato do Fundo do Sul.

O consenso sobre o apoio conjunto ao desenvolvimento regional levou os ministros a esboçar um calendário de negociações técnicas necessárias à constituição do banco que, se cumprido, permitirá aos presidentes dos países-sócios lançar em junho o manifesto de sua criação. O anúncio ocorreria dia 22, durante uma reunião do Mercosul em Assunção (Paraguai), ou dia 26, em Caracas (Venezuela), na abertura da Copa América de Futebol 2007.

“Se as coisas forem bem, se a vontade política se mantiver como expressada pelos ministros nesta reunião, esperamos que em junho possamos anunciar o manifesto de fundação do Banco do Sul”, disse o ministro da Economia do Equador, Ricardo Patiño, que, na condição de anfitrião do encontro, também foi o porta-voz do resultado.

Otimista, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, acredita que a concretização do Banco do Sul pode facilitar a formação de um forte e coeso bloco geopolítico na América do Sul. “Agora podemos dar um passo adiante nesse processo de integração que tem como objetivo único a criação de um bloco econômico, social e político como é a União Européia”, disse.

O Banco do Sul pode ser ainda o embrião de uma outra idéia discutida na reunião de Quito que, ao menos em tese, teve o apoio de todos os participantes: a criação de uma moeda única para ser usada nas transações comerciais entre os países. “Queremos dar os primeiros passos para a implantação de uma moeda única, e assim realizar todas as transações entre os países, e o primeiro passo nos estamos dando”, afirmou Mantega.

A idéia do Banco do Sul foi lançada pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, em fevereiro. Os dois sonhavam, contudo, com uma instituição de caráter mais político. Um banco que, ao mesmo tempo, financiasse o desenvolvimento e socorresse países em crise. Algo como um FMI sul-americano.

A pretensão esbarrou no Brasil. Não só por razões políticas – evitar um gesto que poderia ser encarado como “de confronto” pela comunidade financeira internacional e pelos países ricos. Mas também porque Venezuela, Argentina e depois Equador chegaram a dizer que o banco deveria ser o cofre das reservas de dólares de cada sócio. E o Brasil tem mais da metade das reservas conjuntas dos seis países dispostos a criar o Banco do Sul. Ou seja, poderia acabar sendo pressionado a usá-las em favor dos parceiros.

Nos próximos dias, os seis países vão procurar os governos dos quatro sul-americanos ausentes da reunião – Chile, Uruguai, Colômbia e Peru – para convidá-los a se associar ao Banco. Até agora, nenhum dos quatro havia demonstrado interesse em aderir.

*Com informações da imprensa oficial da Presidência do Equador

Fonte: www.cartamaior.com.br

Humor

Autor: Kayser

Yeda para Presidente ou “a volta dos que não foram”

Na última sexta-feira, dia 27 de abril, a Governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius (PSDB), afirmou a possibilidade de vir a ser candidata a presidente da República. "Não descarto de jeito nenhum", afirmou ao responder a indagação da jornalista do portal G1, da Globo.
Para quem acompanha o cotidiano da política no Estado, chega a soar quase como uma brincadeira a afirmação da Governadora. Visto que, em apenas pouco mais de quatro meses de gestão, a governadora já tem acumulado um bom número de crises e erros políticos e administrativos que tem abalado profundamente a sua credibilidade no conjunto da população.
Logo nas primeiras semanas ocorreu o problema do transporte escolar e da falta de professores e funcionários, o que gerou um início conturbado (e ainda não resolvido) do ano letivo nas escolas. Em seguida venho a crise provocada pelo aumento dos impostos, distanciando Yeda de setores do empresariado que haviam apoiado a sua candidatura por assumir um discurso de campanha contrário a medidas deste tipo. Após a vitória nas urnas, o discurso e a prática mudaram.
Logo em seguida já estourou uma nova crise, desta vez na área da segurança pública, que culminou com a demissão do Secretário de Segurança Enio Bacci, em circunstâncias até agora não esclarecidas. Pairando muitas dúvidas sobre o envolvimento do governo neste episódio. Como conseqüência desta crise, o PDT saiu do governo.
Mas os problemas da Governadora não terminaram por aí, as divergências com o Vice-Governador Feijó (DEM, Ex-PFL) que já haviam se tornadas públicas durante o episódio do tarifaço, se acentuaram com o tema do Banrisul. Ainda que ambos tenham acordo na idéia de privatizar o banco, acusações graves levantadas por Feijó contra o atual presidente do Banrisul, indicam haver algo no mínimo estranho ocorrendo. As acusações de ambas as partes tem subido de tom, e não nos surpreendemos se logo mais adiante, não venhamos a presenciar uma crise institucional no atual governo de grande repercussão.
Não bastasse tudo isso, ainda há a volta da dengue no estado (não sabemos dizer ainda se esta crise é "herança" do Rigotto, visto que o Secretário de Saúde é o mesmo), o que há muito tempo os gaúchos não conviviam com este tipo de problema. Não esquecendo também dos atrasos na folha de pagamentos dos Servidores do Estado, dando continuidade também neste quesito com o governo anterior.
Parece que agora a Governadora pretende seguir mais uma das lições do ex-governador Rigotto, que no final de sua gestão, se lançou como "candidato a candidato" a Presidência pelo PMDB. O que nunca de fato foi uma pretensão real, servindo muito mais como subterfúgio para desviar os olhares da opinião pública quanto à má gestão do Estado e tentar se fortalecer politicamente.
Agora, Yeda, imersa em uma crise permanente em sua gestão (e pela mostra que tivemos, outras crises deverão surgir nos próximos meses) tenta repetir a estratégia frustrada de Rigotto ao se colocar como possível nome para a sucessão presidencial. Tentando assim uma forma de se legitimar através de um suposto "reconhecimento nacional" as suas qualidades como administradora. Ao contrário do Rigotto, que se lançou ao final de sua gestão como uma maneira de dar um novo fôlego a sua reeleição a governador, Yeda não esperou nem concluir o seu primeiro ano de gestão para adotar a mesma estratégia.
O povo gaúcho já está "escaldado" de governantes que se utilizam do espaço público apenas como local para alimentar suas vaidades pessoais ou para "joguetes" políticos. O resultado desta vez não deverá ser diferente do que ocorreu antes, quando o povo gaúcho mostrou seus descontentamento com essas práticas e deu o seu recado nas urnas, deixando Rigotto de fora até do segundo turno da disputa eleitoral.
O futuro de Yeda não deverá ser diferente, se não pior. Olhando com algum distanciamento esses fatos todos elencados poderiam muito bem servir de inspiração para enredo de algum filme tragicômico de segunda categoria, cujo titulo poderia muito bem ser "A volta dos que não foram" ou algo do gênero. E no final deste filme, como estamos vendo, quem perde é o conjunto do povo.

Erick da Silva – Secretário da JPT POA