O aumento das aposentadorias e o “rombo previdenciário”



Erick da Silva


O reajuste de 7,72% para os aposentados do INSS, sancionado pelo presidente Lula, deve ser comemorado por todos, afinal, uma maior valorização da remuneração das aposentadorias é uma medida socialmente importante. Segundo estimativas do governo federal, cerca de 8,3 milhões de pessoas serão beneficiadas com o aumento.
A importância é evidente e deve ser encarada como investimento público, afinal, como disse Lula, com o aumento do consumo e maior arrecadação de impostos, terá que como recuperar o dinheiro gasto pelo governo no aumento. Propiciando um fortalecimento da economia interna importante em tempos de crise mundial.
A reivindicação de reajuste teve uma mobilização setorizada e contou com apoio de entidades com representação social, como a CUT e outras centrais sindicais, que ajudaram a ampliar a adesão no congresso, aprovando o aumento. Nessa luta, o senador Paulo Paim (PT/RS) teve um papel destacado. Importante registrar que a atuação firme do Paim em defesa dos aposentados tem sido permanente. Não podemos dizer o mesmo de muitos parlamentares que saíram em defesa do aumento, que miraram muito mais as urnas no dia 3 de outubro do que uma real preocupação socioeconômica com o tema.
Isso sem falar na oposição, que esperava criar artificialmente um fator de desgaste do presidente Lula com um eventual veto. Com isso tentavam frear a onda de crescimento nas pesquisas de intenção de votos da candidata Dilma. A estratégia deu errada e o aumento foi aprovado.
Para além do “jogo político” que envolveu a aprovação, tem uma disputa política maior que permeia esta questão. Sempre que há um reajuste que proporcione aumento de rendimento aos aposentados, é acompanhada de uma crítica, indireta e revestida com ares de tecnicidade, do efeito que terá sobre as contas públicas.
Dessa vez não foi diferente. Todos os grandes jornais da mídia empresarial noticiaram, com destaque, que o impacto sobre os cofres públicos deverá ser da ordem de R$ 1,6 bilhão de reais em 2010. Sem dúvida é uma grande cifra que pode impressionar alguns. Ainda mais se for agregado os dados do chamado “rombo previdenciário”, que com este aumento estaria chegando a R$ 50 bilhões de reais.
No entanto, o que esta mesma mídia empresarial não notícia é a sua própria responsabilidade com o aumento do “rombo”. Só para ilustrar, no início do ano, algumas das empresas mais “caloteiras” com a previdência, eram:

- Infoglobo (das Organizações Globo) com dívidas de R$ 17.664.500,51

– Folha da Manhã S.A. (Folha de São Paulo): R$ 3.740.776,10

- Editora Globo S.A.: R$ 2.078.955,87

- Editora Abril: R$ 1.169.560,41

- Rádio e Televisão Bandeirantes: R$ 2.646.664,15

– O Estado de São Paulo (Estadão): R$ 2.078.955,87

Assumir isto é algo que, infelizmente, nunca veremos figurar nas manchetes destes “jornalões” da velha mídia. Isso sem contar outros setores “dinâmicos e modernos” da nossa economia que tem uma prática corriqueira de sonegação fiscal sistemática. O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, comentando sobre o reajuste nas aposentadorias, informa que tem R$ 400 bilhões em dívidas que podem ser cobradas. Demonstrando que o verdadeiro problema não está no aumento dos aposentados, mas sim na sonegação fiscal dos grandes.
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