15 de Outubro em Porto Alegre: uma mobilização por mudanças globais




O sábado, 15 de outubro, foi marcado por um grande protesto global contra a crise e por mudanças no sistema. O grito dos “indignados” por uma democracia real ecuou por todo o mundo. Foram 1000 cidades em 92 países espalhados por todos os continentes.
Em um conjuntura em que a crise econômica, iniciada em 2008, atinge situações alarmantes, golpeando duramente os países europeus, tendo o seu prolongamento nos EUA e atingindo ao restante do mundo, uma mudança no cenário começa a se gestar. Com os efeitos da “primavera árabe”, as grandes mobilizações de massa na Europa (Espanha, Grécia, Portugal, Itália, Inglaterra, etc.), as mobilizações estudantis no Chile e nos EUA com a Ocupação de Wall Street, este ano de 2011 está sendo marcado pelo desencadear de uma nova fase das mobilizações sociais. A saída da crise passa a ser buscada não mais pelos desacreditados governos dos países ricos ou pelas instituições financeiras, mas sim a partir do próprio povo, ou como dizem na Ocupação de Wall Street, somos os 99% da população buscando alternativas que o 1% mais rico as negaram .
Porto Alegre, cidade que protagonizou experiências ricas e inovadoras para a esquerda mundial, somou-se ao grito dos indignados por mudanças globais. Mais de 2 mil pessoas marcharam do Parque da Redenção até a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini (sede do governo estadual).  




A composição do ato contou com uma grande diversidade de opiniões e posições políticas que mobilizaram as pessoas para o ato.  Movimentos sociais, militantes de partidos de esquerda, grupos autônomos, indivíduos indignados, tendo espaço até para alguns conservadores que tentaram se associar ao ato, atendendo aos malfadados apelos midiáticos. É importante frisar que, inquestionavelmente a imensa maioria estava lá conectada ao movimento por mudanças globais. Neste sentido, qualquer semelhança com o Fórum Social Mundial não é mera coincidência. 
Muitos manifestantes aproveitaram o espaço para resgatar as bandeiras de "um outro mundo possível" como alternativa a crise do capitalismo. Vozes estas que defenderam a volta do Fórum Social Mundial para Porto Alegre.
A tomada da Praça da Matriz, o acampamento instalado, os debates e as atividades culturais que ocorreram, fizeram o ato simbolicamente vitorioso. Pessoas que nunca haviam participado de nenhuma organização social encontraram neste espaço um canal para se engajar e expressar seu desejo por mudanças.
Os jovens indignados tem se utilizado da internet (e das redes sociais em especial) como elemento de organização e mobilização. A amplitude destes protestos só é compreendida a partir da velocidade na troca de informações, nos efeitos simbólicos que estes protestos tem produzido ao redor do mundo e na capacidade de aglutinar uma diversidade de indivíduos e coletivos críticos com os rumos da sociedade. Esta diversidade tem conseguido atuar de forma minimamente convergente nestes protestos.
A conjuntura do Brasil, e da América Latina, guarda particularidades e diferenças com relação a Europa, os EUA e com os países Árabes.  Mas está sintonizada por mudanças qualitativas na política. “Democracia real já”, como gritaram os jovens acampados na Espanha, talvez seja o que melhor sintetiza o clamor da juventude brasileira por mais participação direta e transparência na política.
Inegavelmente é um “movimento” ainda bastante difuso, com seu desenvolvimento incerto, mas que carrega grandes potencialidades. Muitos já percebem que, não temos apenas uma crise econômica, mas sim uma crise do próprio capitalismo. Adquirir um caráter antissistêmico, aprofundando a visão anticapitalista deste movimento é um desafio colocado. Mas uma certeza já se coloca: as respostas para a crise mundial só serão possíveis se emergirem das ruas!



Foto: Dj Vivi Reis
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4 comentários:

Bust Noris disse...

Fico apavorado como a esquerda (brasileira principalmente) se apropria de termos e movimentos de forma q acaba segregando e se afastando das pessoas que não compactuam com toda sua ideologia.
Conforme citado, o movimento Espanhol gritava claramente: No les Votes, No nos Representam. Os espanhóis (que são governados pelo partido de esquerda e enfrenta hoje uma de suas maiores crises com 30% de desemprego) clamavam que os políticos não os representavam de verdade.
Democracia Real, este clamor é exclusivo de esquerda? Os ditos "conservadores" não podem pedir democracia? O evento era exclusivo para esquerdistas?
Pois só em Porto Alegre mesmo aconteceu desta forma. Veja as fotos pelo mundo, as milhares de pessoas na Espanha, veja se acha alguma bandeira partidária nos movimentos.
Era possível ver pessoas constrangidas com a situação, pessoas de bem, sem bandeira de partido, que querem um país melhor, mas que gostaria de ter participado de um evento plural apartidário e democrático.
Não foi o que se viu, o evento virou palanque eleitoral para o Psol e seu grupo jovem Juntos, com participação inclusive de Pedro Ruas. Sem contar os militantes do PT e PSTU.
Esperava ver a sociedade civil organizada clamando por mudanças. Não um evento esquerdista e partidarista. Uma pena, fiquei decepcionado.

ERick disse...

A democracia é uma via de mão dupla. Ela deve incluir tanto quem tem uma opção partidária, quanto quem não tem alguma.
No caso Espanhol, é um mito dizer que não havia a presença de partidos. Havia sim, mas não do Partido Socialista, desacreditado e um dos responsáveis (junto com a direita de Aznar e cia.). O problema não se resume a ter ou não partido, mas sim na forma como se estabelece a relação.
Com relação ao de POA, houve uma presença grande de militantes de esquerda (PT, PSTU, PSol...) mas tb havia militantes da direita (OAB, tucanos...), na real, não dá para reduzir o #15-O POA a um ato com uma visão autoritária de democracia excludente.
Vamos debatendo...

ERick disse...

O que é certo é que este movimento ainda irá sacudir muitas estruturas!!!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Em Barcelona as manifestações são convocadas e potencializadas pelo anarco sindicalismo. Um grupo de meia dúzia.