
Luciana Ballestrin
A recente hostilidade coletiva em relação ao consumo do tabaco não vem apenas da consciência de seus danos à saúde, difundida pela comunidade científica e, agora, pelos laboratórios farmacêuticos que descobriram no seu rechaço um grande filão lucrativo. Vem também do senso comum e fundamental de que o direito de uma pessoa acaba quando começa o direito de outra. Fumar se tornou um ato simbolicamente ilícito por que polui o ambiente e prejudica passivamente aqueles que estão em volta de um fumante. Esse, por sua vez, tenta inutilmente argumentar que seu estranho “direito de fumar” está baseado na sua condição individual de liberdade republicana.
O regime de apartheid tabágico que vem sendo paulatinamente imposto aos fumantes de todo planeta procura segregar através da discriminação de determinados espaços para o consumo do cigarro as pessoas que por razões químicas e psicológicas permanecem fumando. Pressupõe-se, aqui, que o fumante exerce sua racionalidade e livre arbítrio para esta opção, e, esquece-se que razão e liberdade são antitéticas ao vício: o fumante é por definição um adicto. As empresas passaram então a perceber que os fumantes diminuem seus lucros porque saem em hora do expediente para fumar, revelando um descontrole inaceitável do ponto de vista da conduta social: a fraqueza é a antítese do sucesso, e portanto, da acumulação. O fumante por definição é também um looser na lógica da produção; ressalta-se, agora, sua irracionalidade e a anulação do seu poder de livre arbítrio.
A condição moderna dos fumantes, portanto, é excludente. A exclusão dessa minoria que outrora era incluída no paradigma do charmoso e do belo passou a ser mais perversa por que só encontra nas multinacionais produtoras de fumo sua defensoria. Fora o lucro e geração de empregos, o cigarro não tem mais raison d’être. E como comprovadamente causa males irreversíveis às pessoas e ao ambiente, não encontra argumentos defensáveis para seu consumo, nem pelos próprios viciados na nicotina e no mau hábito. O mundo pode até ser melhor sem o cigarro das quatro mil e tantas substâncias tóxicas. Mas, até lá, que os segregacionistas ponderem sua intolerância, ao saberem como Raul de Leoni que “todo prazer vicioso é triste e doente, porque o vício é a doença do prazer”. E, sobretudo, direcionem-se contra os exploradores da doença pelo lucro e da fraqueza pela discriminação.
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A recente hostilidade coletiva em relação ao consumo do tabaco não vem apenas da consciência de seus danos à saúde, difundida pela comunidade científica e, agora, pelos laboratórios farmacêuticos que descobriram no seu rechaço um grande filão lucrativo. Vem também do senso comum e fundamental de que o direito de uma pessoa acaba quando começa o direito de outra. Fumar se tornou um ato simbolicamente ilícito por que polui o ambiente e prejudica passivamente aqueles que estão em volta de um fumante. Esse, por sua vez, tenta inutilmente argumentar que seu estranho “direito de fumar” está baseado na sua condição individual de liberdade republicana.
O regime de apartheid tabágico que vem sendo paulatinamente imposto aos fumantes de todo planeta procura segregar através da discriminação de determinados espaços para o consumo do cigarro as pessoas que por razões químicas e psicológicas permanecem fumando. Pressupõe-se, aqui, que o fumante exerce sua racionalidade e livre arbítrio para esta opção, e, esquece-se que razão e liberdade são antitéticas ao vício: o fumante é por definição um adicto. As empresas passaram então a perceber que os fumantes diminuem seus lucros porque saem em hora do expediente para fumar, revelando um descontrole inaceitável do ponto de vista da conduta social: a fraqueza é a antítese do sucesso, e portanto, da acumulação. O fumante por definição é também um looser na lógica da produção; ressalta-se, agora, sua irracionalidade e a anulação do seu poder de livre arbítrio.
A condição moderna dos fumantes, portanto, é excludente. A exclusão dessa minoria que outrora era incluída no paradigma do charmoso e do belo passou a ser mais perversa por que só encontra nas multinacionais produtoras de fumo sua defensoria. Fora o lucro e geração de empregos, o cigarro não tem mais raison d’être. E como comprovadamente causa males irreversíveis às pessoas e ao ambiente, não encontra argumentos defensáveis para seu consumo, nem pelos próprios viciados na nicotina e no mau hábito. O mundo pode até ser melhor sem o cigarro das quatro mil e tantas substâncias tóxicas. Mas, até lá, que os segregacionistas ponderem sua intolerância, ao saberem como Raul de Leoni que “todo prazer vicioso é triste e doente, porque o vício é a doença do prazer”. E, sobretudo, direcionem-se contra os exploradores da doença pelo lucro e da fraqueza pela discriminação.
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