Pochmann defende que excedente do pré-sal seja usado na área social

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu nesta quinta-feira (21) a aplicação de parte do excedente de petróleo que será gerado pela exploração da camada pré-sal em um fundo público voltado para o enfrentamento das mazelas nacionais.
“A própria Petrobras foi formada com patrimônio da nação e, no momento em que a empresa poderá ter um excedente gigantesco, é mais do que adequado que ele seja compartilhado no enfrentamento de problemas nacionais, como educação e saúde, tendo em vista que são áreas que demandam recursos significativos”, afirmou o economista.
Segundo Pochmann, o país tem a capacidade e os recursos necessários para explorar o petróleo descoberto e essa capacidade vai aumentar com o passar do tempo. “O debate é mesmo o que fazer com o excedente, desde a criação de outra empresa para dar conta dessa nova etapa da exploração do petróleo e do ponto de vista também da regulação dessas áreas.”
O economista manifestou-se a favor da criação de uma empresa para gerir a nova etapa, por entender que, dessa forma, separa-se a gestão da exploração do recurso. “Temos exemplos que talvez o Brasil não devesse repetir, como o de países que basicamente ficaram assentados na exploração do petróleo”, disse Pochmann, após participar, em São Paulo, de painel no 33º Congresso Nacional dos Jornalistas, na capital paulista.
De acordo com o economista, é preciso lembrar que o petróleo é um produto finito, que, no período de êxito da exploração, gera muita riqueza. Ele ressaltou que isso daria um surto de afluência ao país, que não seria mantido se o recurso não for melhor utilizado. “Não apenas do ponto de vista do enfrentamento das mazelas nacionais, mas também de constituir uma base produtiva que dê sustentabilidade à riqueza e ao emprego ao longo do tempo, para não ficarmos restritos e dependentes do petróleo”, concluiu Pochmann.

Agência Brasil

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