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Amanhã há de ser outro dia


Por Lúcio Costa

A geração de meus pais teve o Maracanã e foi redimida pelo Tri Campeonato de 1970. Ontem, minha geração teve o Mineiraço e, há de reiniciar a busca do reencontro com a alegria do futebol.

Reencontrar o caminho da vitória certamente será uma longa caminhada. Nela, há de se dar as costas às engrenagens que fizeram da CBF uma capitania hereditária; ao dito Clube dos 13 e seu conluio com a Rede Globo que, com sua mescla de picaretagens e improvisações, levou ao que ontem assistimos: fiasco e vergonha.

O gol contra de Vladimir Safatle


Por Erick da Silva

Houve um tempo em que a figura política do "intelectual" exercia um importante papel na sociedade. Os franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir seguramente foram os mais influentes e significativos exemplos no século XX deste perfil de intelectual que não restringe sua atuação aos "muros da universidade". Com o fim do comunismo soviético e a vitória relativa do neoliberalismo este perfil de intelectual foi modificado, perdendo muito de sua relevância pública, não raro voltando-se quase que exclusivamente para dentro da vida acadêmica, alheios ao mundo que os cerca.

Felizmente nem todas e todos seguiram esse roteiro e trilharam caminhos buscando combinar o esforço reflexivo com uma atuação militante. Intelectuais que se dispõem a disputar publicamente suas posições é algo que devemos louvar, principalmente, tratando-se de um intelectual de esquerda, figura sempre "maldita" pelos grandes meios e cujo espaços são duramente conquistados. Furar o bloqueio é uma tarefa difícil e Vladimir Safatle é um destes raros casos. Professor livre-docente da USP, tornou-se conhecido por um público maior sobretudo por sua atividade como colunista no jornal Folha de S. Paulo. Ainda que não necessariamente concordando com todas suas colocações, seus artigos eram elementos de rara crítica em uma mídia dominada pelo culto ao "deus mercado".

No entanto, o Safatle que anteriormente buscava articular importantes reflexões críticas sobre a sociedade, tendo alguns momentos de brilhantismo e inspiração, teve suas análises afetadas após as "jornadas de junho". Ao final de 2013, quando se filia ao Psol com a perspectiva de ser candidato pela sigla ao governo de São Paulo, colocou-se claramente em um outro lugar, isto é, o da disputa institucional e partidária - o que obviamente não deve ser objeto de crítica. O grande problema parece ter vindo depois da não confirmação da sua candidatura, visivelmente expressado em dois artigos anti-copa.

FIFA, Governança Global e a Copa do Mundo no Brasil


Por Luciana Ballestrin
A realização da Copa do Mundo no Brasil é uma das muitas comprovações das teses críticas e céticas sobre o poderoso – e simpático! – conceito de Governança Global, elaborado nos anos 1990. Basicamente, a ideia era a de sustentar e legitimar a horizontalidade de arranjos e multiplicidade de atores globais na condução de uma “governança sem governo”, isto é, demonstrar que a nova ordem mundial multipolarizada caminhava para uma concertação de interesses cada vez mais convergentes e distantes de um mundo maniqueísta, autoritário e bélico. Governo? Uma palavra muito dura e até ultrapassada, com autoridade vinculante a um determinado território… No mundo político, a palavra Governança veio a captar um estágio bastante particular do sistema-mundo capitalista.

O oportunismo delirante da Veja


O oportunismo delirante da Veja é algo que dispensa maiores comentários, as capas acima falam por si.

Veja abdicou de ser uma publicação que pratique algo próximo ao jornalismo faz muito tempo. Funciona muito mais como um polo irradiador do "pensamento" (sic) da extrema-direita e neoliberais (de todas as plumagens).

A Copa do Mundo no Brasil é um inegável sucesso e todo o catastrofismo da turma do "imagina na Copa" se espatifou. Como bem apontou o jornalista Ricardo Kotscho, "Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera."

Será que veremos, após o final da Copa, algum pedido de desculpas da Veja aos seus leitores pelos descalabros publicados na véspera do inicio do mundial?
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A esquizofrenia da mídia diante da Copa


Ao voltar ao Brasil depois de 64 anos a Copa do Mundo revelou diferenças no mínimo curiosas no comportamento da mídia em relação às Copas passadas, jogadas no exterior.
Nelas o foco estava na seleção brasileira, coberta em todos os detalhes.
Eventos paralelos ligados à organização do evento aos problemas existentes no pais sede, quando mencionados, ficavam num plano bem secundário.
Aqui isso se inverteu, pelo menos até os dias que antecederam os jogos. Notícias sobre obras em atraso, por exemplo, tinham muito mais destaque do que as informações sobre a competição e os seus participantes.

A geopolítica da Copa do Mundo



Por Pepe Escobar

Numa das imagens que, até aqui, definem a Copa do Mundo, vê-se a Mannschaft alemã – a seleção alemã de futebol – confraternizando com índios pataxó, a poucas centenas de metros de distância de onde o Brasil foi “descoberto”, em 1500. Praticamente, um redescobrimento dos trópicos exóticos.
E há também a seleção inglesa, deitando e rolando à beira-mar, numa base militar, com o Pão de Açúcar como deslumbrante pano de fundo, sob uma parafernália de equipamentos e respectivo especialista científico em umidade e ventiladores industriais (afinal, haverá o “Duelo na Selva” contra a Itália, no próximo sábado, “nas profundezas da Floresta Tropical Amazônica”, como dizem tabloides britânicos.)

Cartum: As torcidas da Copa


Autor: Kayser
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A Copa e o paternalismo tosco da esquerda arcaica

Moradores da favela do Moinho comemoram a  vitória da seleção brasileira contra a Croácia Foto: Folhapress

Por José Antonio Lima

Não é de hoje que parte da esquerda brasileira vive uma realidade completamente diversa daquela experimentada pelo povo. A tentativa de lançar, contra a ditadura, uma revolução campesina no momento em que o País se urbanizava de forma frenética, entrou para a história como um erro grosseiro. Em 2014, ações deslocadas do mundo real persistem, e o alvo é a Copa do Mundo.

Nesta sexta-feira 13, a Folha de S.Paulo traz uma reportagem simples e genial, assinada por Patrícia Campos Mello. O texto mostra como, na favela do Moinho, no centro de São Paulo, ativistas não moradores da comunidade foram até o local para torcer pela Croácia contra o Brasil. Era uma concessão, revela a jornalista, uma vez que o plano inicial era ignorar a partida de abertura da Copa. O ato dos ativistas contrastava, conta a reportagem, com o dos moradores, que exigiram a transmissão do jogo nos locais públicos e torceram pelo Brasil.

Quanto mais ricos, maior a rejeição à Copa do Mundo no Brasil



Desde os protestos de junho do ano passado já era possível afirmar que a opinião da população brasileira quanto à realização da Copa do Mundo no Brasil não era uma unanimidade. A demora com que as ruas começaram a ganhar as cores da Seleção, o descontentamento com os bilhões de reais gastos em estádios e os movimentos sociais paralisando as ruas com alta frequência foram fatores importantes para se medir a temperatura dos ânimos com o Mundial.

Uma pesquisa realizada pelo Data Popular porém, revelou que na briga entre a torcida contra e a favor da realização da Copa no Brasil, a classe social pode ser um fator determinante: entre as pessoas com renda superior a dez salários mínimos (724 reais), 52% se opõem ao Mundial. E, à medida que a renda diminui, cai também a oposição à celebração do evento no país: entre a população que ganha de um a dois salários mínimos, 38% eram contra.

Coisas estranhas no Brasil


Por Eric Nepomuceno

As eleições acontecerão em outubro, a campanha oficial começa no rádio e na televisão em agosto, mas as pesquisas saltitam a cada quinzena, ou quase. Se o eleitorado parece desinteressado, o empresariado parece, mais que interessado, ansioso, inquieto.

As pesquisas mais recentes, do Datafolha, indicam que Dilma Rousseff retomou seu viés de queda. Isso, claro, é destacado no noticiário. O que ninguém parece lembrar é que seus dois principais adversários, o tucano Aécio Neves e Eduardo Campos, do PSB, também caíram.

Dilma havia recuperado terreno em pesquisas anteriores, e agora tornou a cair. Uma questão nebulosa: se ela retrocede e os outros não avançam – pior: também recuam –, onde foram parar os votos perdidos? Por que nenhum dos dois netos, cujos avôs são a principal garantia de suas trajetórias, é beneficiado?

Dilma rejeita "padrão Fifa" e defende "padrão Brasil"


Por Erick da Silva

Virou lugar comum, ao escutarmos críticas cobrando melhorias nos serviços públicos ou questionando a própria Copa do Mundo, pelos mais diversos motivos, usarem a expressão "padrão Fifa"., expressão que ganhou as ruas nos protestos de junho e que ainda embala parcelas das manifestações anti-copa, especialmente junto a classe média anti-petista .

Cartum: a torcida das elites na Copa


As manifestações de alguns representantes da elite econômica brasileira (o famoso 1% do topo da piramide)  não são uma novidade, repete uma lógica que sempre imperou entre eles, remetendo a uma máxima de Nelson Rodrigues: "O grã-fino não quer nada com o Brasil".

Cartum: Kayser

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Pichação na sede do PT de Porto Alegre escancara sequestro dos protestos pela direita


Por Erick da Silva

Algumas vezes, um aparente pequeno e isolado ato pode ser emblemático para nos ajudar a compreender um processo conjuntural mais amplo e complexo.

Desde as chamadas "jornadas de junho", o rumo das manifestações passaram por inúmeras transformações e neste inicio de 2014, avizinha-se uma migração definitiva para um outro caráter político, bastante distinto de uma perspectivava de esquerda. Não pretendemos aqui uma analise conclusiva e definitiva, mas as ações dizem muito.

Stédile: "É erro político fazer mobilização durante a Copa"


Em entrevista a Rede Brasil Atual, um  dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile afirma que os protestos são justos e vão continuar, mas a competição faz parte da cultura brasileira e é 'bobeira politizar certos períodos'.

Não vai ter Copa? Vai ter eleição!


Janeiro se encerra tendo a Copa do Mundo assumido destaque no debate político e nas mobilizações sociais no país. Seja nas ruas, como no protesto em São Paulo, ou na rede, o difuso "movimento"do "Não vai ter Copa" teve, até então, o seu momento de maior visibilidade. O "tom" das críticas é variado, cobrindo boa parte do espectro político, indo da extrema-esquerda "Black Block", chegando a setores da mídia conservadora e aos partidos da direita (PSDB, DEM, etc.). Nesta entoada, tem lugar para tudo e para todos, afinal, quem não quer uma "educação padrão Fifa", seja lá o que isso signifique?

No meio disto, 2014 não terá apenas a Copa do Mundo, há uma eleição presidencial e setores conservadores mal conseguem disfarçar a intenção de capitalizar este "movimento" Anti-Copa para provocar a derrota da presidenta Dilma e a condução de algum de seus candidatos preferenciais ao Palácio do Planalto, como Aécio Neves ou Eduardo Campos. 

O desafio de buscar compreender toda a complexidade do atual momento político do Brasil, não é uma tarefa fácil, mas necessária e urgente. O artigo do jornalista Marco Aurélio Weissheimer aponta pistas valiosas sobre a atual conjuntura política. É neste cenário que teremos que atuar nos próximos meses e "calibrar" a nossa compreensão deste processo político.


Vai ter eleição!

Por Marco Aurélio Weissheimer

Vai ter Copa. Não vai ter Copa. Anti-Copa. Como era previsível, o ano começa com a Copa do Mundo ocupando lugar destacado no debate público e midiático. Mais midiático do que público, no momento. É importante lembrar que a Copa do Mundo não é o acontecimento mais importante de 2014. Há quem ache que não vai ter Copa. Mas não há dúvida sobre outro fato: vai ter eleição. E os movimentos políticos em torno da Copa Mundial de Futebol estão todos subordinados, goste-se ou não, à eleição presidencial. Não é uma eleição presidencial qualquer. Ela define o futuro do maior país da América Latina e, de modo indireto, de todo o continente. Com o passar dos meses, essa agenda vai se impor ao debate político do país exigindo escolhas e definição de posicionamentos.

Copa do mundo no Qatar em 2022 deverá ser regada a sol e sangue


O calor extremo não é único problema em realizar a Copa do Mundo de 2022 no Qatar. A Confederação Sindical Internacional (CSI) estimou que o auge da construção precedendo o Mundial de 2022 no Qatar possa levar à morte de 4000 ou mais trabalhadores migrantes.

Campanha busca eleger a FIFA como a pior empresa do mundo


Campanha denuncia entidade que reduz futebol a mercadoria, elitiza estádios e impõe obrigações exorbitantes a sociedades e países. 
A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), rede que reúne 12 comitês em todas as cidades que terão jogos, lançou nesta semana a campanha “FIFA, aqui você não apita!”. O objetivo é eleger a FIFA como a pior corporação do ano de 2013, através do Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial.
Nos materiais da campanha são apresentados motivos para votar na FIFA: como a entidade põe governos e parlamentares de joelhos, viola direitos, explora nossa força de trabalho, desrespeita nossa cultura. Depois vai embora, com lucros bilionários para si e seus patrocinadores, ignorando todos os prejuízos deixados para a população dos países-sede. Mas no Brasil, algo novo aconteceu: durante a Copa das Confederações, a população se levantou contra uma série de absurdos, e um dos motivos foi justamente a atuação da FIFA em conluio com governos e empresas. Ainda assim, a federação continua tentando vender uma imagem de melhorias para os países-sede.
Para votar, leva só um minuto: Acesse http://publiceye.ch/pt-pt/case/fifa/
 
Veja o TUMBLR da campanha para eleger a FIFA como PIOR corporação do mundo! http://votefifa.tumblr.com/