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A distopia reacionária da redução da maioridade penal
Por Erick da Silva
Um dos sonhos de todo reacionário brasileiro (mas não somente) é a redução da maioridade penal, que deverá em breve ser votada no congresso nacional comandado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Os argumentos favoráveis em torno desta proposta são, em geral, permeados por uma boa dose de preconceito social e ausência de dados empíricos.
Não importa se 10 em cada 10 especialistas afirmem que tal medida em nada melhoraria o quadro da segurança pública no país. Para estes "nobres" deputados e deputadas favoráveis a redução da maioridade penal dos atuais 18 anos para 16, o que importa é dar "uma resposta para a sociedade". Mesmo que ela não passe de um embuste.
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6/01/2015
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Jovem negro tem 3,7 vezes mais chances de ser morto no Brasil
Segundo o Ipea, os dados mostram que, ao nascer no Brasil, o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida por causa da violência, enquanto que para o branco esse número cai para 0,71.
A reportagem é da Agência Estado.
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10/18/2013
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A vitoriosa ocupação da Câmara de Porto Alegre
Por Erick da Silva
Quando dezenas de jovens integrantes do Bloco de Lutas pelo Transporte Público iniciaram a ocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre na noite de quarta-feira (10/07), poucos poderiam arriscar com exatidão o desenrolar que o movimento assumiria e seu desfecho.
Tendo o Passe Livre e a transparência nas contas das empresas de transporte público como principais reivindicações, a ocupação rapidamente ganhou força.
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7/20/2013
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Raul Pont: Ouvir a voz das ruas é aprofundar a democracia
Por Raul Pont
A leitura dos últimos acontecimentos pode permitir várias abordagens, diversos vieses. Do nosso ponto de vista, essa ampla mobilização da juventude e de outros setores sociais que ocorre em nosso País não é motivo de temor ou preocupação, pois quanto mais a cidadania assumir diretamente a sua participação, mais estamos caminhando na construção de uma sociedade profundamente democrática.
Os governos têm a obrigação de tratar esses movimentos como movimentos sociais e, portanto, como expressão da soberania popular. Não é possível tratá-los como caso de polícia, com aparatos policiais na repressão aos movimentos. São expressões legítimas, e o papel dos governos e dos partidos é fazer a leitura correta do que ocasiona essas mobilizações. São muito difusas, diversas e não cabem nesse figurino simplista que certos partidos tentam dar, de oposição ao governo A ou B.
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6/20/2013
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Agenda de protestos contra aumento da passagem no Brasil e no exterior
Por Erick da Silva
Como um rastilho de pólvora aceso, os movimentos contra o aumento das passagens de ônibus se ampliam e se espalham pelo Brasil e no exterior.
Semana passada, inúmeras cidades já vinham realizando passeatas e mobilizações contra o aumento das passagens, como no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Santos, etc. É visível e inquestionável a força que o movimento tem tido. Prova de como tem ampliado a sua força é a sua nacionalização.
Após a a violenta repressão da PM de SP na última quinta-feira (13/06) não só o movimento na capital paulista tende a aumentar, como tem provocado um rápido e forte movimento de solidariedade e apoio por todo o país e no exterior.
Brasileiros residindo fora do país, contando com apoio de estrangeiros solidários a luta dos estudantes brasileiros, estão realizando atos por todo o mundo. Neste final de semana, mais de 2 mil pessoas foram às ruas da Alemanha, Irlanda e EUA.
O perfil das manifestações que estão sendo chamadas pelo Facebook e outras redes sociais é bastante diverso. Desde grupos com um maior grau de organização e mobilização, até pequenos coletivos e indivíduos que buscam, de alguma forma manifestar sua indignação e apoio a luta dos estudantes, mesmo que de uma maneira bastante difusa e, até mesmo contraditória.
Abaixo segue um calendário dos protestos que estão sendo chamadas no Brasil e no exterior.
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6/16/2013
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Não é a toa que os jovens vão as ruas
Por Erick da Silva
Quando grandes mobilizações e revoltas ganham as ruas, há sempre aqueles que são surpreendidos, se espantam, não entendendo a razão que levaram o povo a protestar. Governantes respondem tardiamente e a repressão, invariavelmente, é a primeira resposta. Tratando-se de governos autoritários, a repressão e a "criminalização" do movimento é a única resposta.
Quando estudantes e a juventude tomam as ruas protestando contra o aumento das passagens de ônibus, o espanto pode ser ainda maior. Afinal, com uma perturbadora frequência, alguns céticos afirmam, em tom categórico, que “a juventude de hoje é alienada”, “o jovem não está mais interessado em transformações na sociedade” a ideia de “revolução” está morta e etc
Felizmente, as ruas provam o contrário. Contando com o auxílio das redes sociais, a juventude está conseguindo mostrar mais uma vez sua força e sua voz nas ruas.
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6/13/2013
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A grande vitória dos estudantes de Porto Alegre
Por Erick da Silva
Os estudantes de Porto Alegre venceram. A luta dos estudantes e da juventude mostrou sua força .
No final da tarde desta quinta-feira (04/04), mesmo com a forte chuva que caia na cidade, cerca de 3 mil pessoas compareceram no protesto pela redução das tarifas de transporte público na capital. Animados pela vitória alcançada no final da tarde, quando a Justiça determinou a redução do valor da passagem dos ônibus de R$ 3,05 para R$ 2,85 e de R$ 4,50 para R$ 4,25 na lotação. A tarifa passará a vigorar a partir do momento da intimação da prefeitura de Porto Alegre. A bancada do PSol havia protocolado ação cautelar na Justiça ontem.
A prefeitura já reconhece a derrota e possivelmente não irá recorrer da decisão, temerosos de que novos e maiores protestos tomem as ruas da cidade. A derrota política da prefeitura é um fato incontornável, prosseguir na defesa do aumento das tarifas já não é mais possível.
Duas lições importantes devem ser tiradas: a primeira, que sem mobilização social, como a história sempre nos mostrou, jamais as mudanças ocorrem. O uso das mobilizações virtuais é importante e representa uma dimensão nova na luta social, no entanto, sem ir para as ruas, essa mobilização se enfraquece. Quando as duas formas andam juntas, a força é formidável.
A segunda, é que somente através da união do conjunto dos setores de esquerda é que as vitórias maiores são alcançadas. Sem a presença de militantes vinculados aos diferentes partidos de esquerda, provavelmente o movimento não teria toda a força que teve, da mesma forma, que é verdadeiro que foi a horizontalidade da organização das mobilizações, utilizando-se das redes sociais e sem um comando rigidamente centralizado, é que foi possível agregar um conjunto mais amplo de pessoas e coletivos.
Portanto, a dicotomia entre "movimento vs partidos", muitas vezes presente de forma hostil nas manifestações, deve ser refutada. Provou-se equivocada e falsa. Não fosse a grande mobilização, a vitória na justiça e o provável recuo da prefeitura não seriam possíveis da mesma forma, foi um partido (Psol) que entrou na justiça e ganhou a liminar.
Respeitando as diferenças, somando esforços e reinventando-se, o movimento sempre será vencedor!
Fotos: CP/ZH
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4/04/2013
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A manifestação contra o aumento das passagens de POA em fotos
A grande manifestação contra o aumento das passagens em POA, 01/04/2013, em fotos de autoria de Carlos Hilgert Ferrari.
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Juventude toma as ruas de POA contra o aumento do transporte público
Este 1º de abril de 2013 foi muito mais feliz que o de 1964.
Porto Alegre presenciou a maior manifestação estudantil de sua história recente. Organizado pelas redes sociais, o ato de hoje reuniu aproximadamente 5 mil pessoas. Alguns especulam números maiores ou talvez um pouco menores, mas o fato é que, pelo menos desde o "Fora Collor", não víamos tantos jovens tomando as ruas em um protesto.
Elevada de R$ 2,85 para R$ 3,05 no último dia 25, a tarifa do transporte coletivo de Porto Alegre é a causa principal deste e de uma série de protestos de estudantes na capital (veja mais aqui).
Com uma grande heterogeneidade, haviam jovens de diferentes partidos de esquerda, anarquistas, autonomistas e jovens de movimento político algum, apenas indignados com a situação do transporte público na capital e, principalmente, revoltados com o discurso beligerante do prefeito Fortunati. Este que chegou até mesmo a classificar a todos os estudantes participantes dos protestos como "baderneiros".
Quinta-feira, 03/04, já está sendo chamado um novo grande ato contra o aumento. Todos falavam, durante o protesto, em aumentar ainda mais a próxima manifestação.
Até quando o Fortunati manterá este discurso intransigente e aceitará discutir a redução no valor da tarifa?
Fotos: Carlos Hilgert Ferrari (via Facebook)
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4/01/2013
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O Ato contra aumento da passagem em Porto Alegre (Visto por dentro)
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3/28/2013
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Seis crianças entre 10 e 11 anos são presas por dia na Inglaterra
Essa notícia da Inglaterra deve servir de "inspiração" para todos os defensores da redução da maioridade penal. Um bom exemplo de como este tipo de política pode gerar situações absurdas que em nada resolvem o tema da segurança, pelo contrário, tendem a agravar no médio prazo.
Abaixo segue a notícia publicada no Globo:
Mais de 2 mil crianças com idades para estar no ensino primário foram presas no ano passado na Inglaterra e no País de Gales, uma média de seis por dia.
Do total de 209.450 menores de 18 anos detidos em 2011 - contra 315.923 em 2008 -, 2.117 tinham 10 e 11 anos de idade, de acordo com a Liga Howard para a Reforma Penal. Cerca de 20% eram meninas.
A liga fez campanha para reduzir o número de prisões de crianças que poderiam receber um registo criminal por serem apenas “malvadas”, segundo seu seu diretor-executivo, Frances Crook.
- As crianças que arrumam problemas são mais frequentes do que os “adolescentes desafiadores” e como nós respondemos a esse comportamento incômodo poderia fazer a diferença para o resto de suas vidas. Uma prisão e um registo criminal por serem apenas travessos podem levá-las à vida criminosa. E a diminuição do policiamento para crianças pode liberar recursos para lidar com crimes reais.
De acordo com Crook, apenas um pequeno número de crianças estão envolvidas em incidentes mais graves e geralmente sofrem de abuso, negligência ou problemas mentais.
- Um compromisso com a segurança pública significa tratá-los como crianças vulneráveis e garantir que eles consigam a ajuda que precisam para amadurecer como cidadãos cumpridores da lei - afirmou Crook.
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12/04/2012
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Mapa da Violência 2012: a Cor dos Homicídios no Brasil
No âmbito das atividades do Mês da Consciência Negra e do Plano de Enfrentamento à Violência contra a Juventude Negra – Juventude Viva, o Centro Brasileiro de Estados Latino-Americanos - CEBELA e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais - FLACSO em conjunto com a SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República, divulgam o Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil, de autoria de Julio Jacobo Waiselfisz.
O estudo focaliza a incidência da questão racial na violência letal do Brasil, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde entre os anos de 2002 e 2010. Verifica-se nesse período uma queda de 25,5% nos números e taxas de homicídios entre brancos, enquanto os homicídios de negros aumentaram 29,8%, ampliando ainda mais a brecha existente em 2002. O estudo analisa a incidência da vitimização da pessoa negra nos Estados, municípios e capitais brasileiras, tentando identificar os focos e os determinantes dessa violência.
Para fazer o download do Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil, e de outras edições do estudo, entre no sitehttp://www.mapadaviolencia.org.br/
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Jovens e autoritários
"Bandido não merece carinho nem dó, merece ser torturado”. As pessoas que falam frases como essa não estão isoladas. Pelo contrário: a tortura é cada vez mais tolerada no país.
A quantidade de brasileiros que desaprovam a tortura diminuiu nos últimos 11 anos, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) divulgada nesta terça-feira 5. O estudo foi realizado em 11 capitais com 4.025 pessoas e mostrou um quadro desalentador sobre valores da população em relação à violência e aos direitos humanos.
O estudo perguntou se “os tribunais podem aceitar provas obtidas através de tortura”. Em 1999, 71,2% das pessoas discordavam da frase. O número caiu para 52,5% em 2010. Ou seja: metade dos entrevistados assume tolerar a prática. Mais: segundo a pesquisa, “quanto mais jovem o entrevistado maior parece ser a tendência a apoiar o uso de práticas de tortura”.
A ala do “bandido bom é bandido morto” também é grande. Quase 40% dos entrevistados acham que estupradores deveriam receber pena de morte; outros 34,26% acham que eles merecem a prisão perpétua. A justiça pelas próprias mãos também é desejada quando se fala de estupro. Um quarto dos entrevistados diz que uma pessoa deveria poder matar o estuprador da sua filha.
Um grupo menor é o das pessoas que compartilham correntes no Facebook como “na China, político que rouba é morto, por que não é assim no Brasil?”. Quase 10% dos entrevistados acham que corruptos merecem a pena de morte.
Um alento da pesquisa é o fato de a maioria das pessoas achar que a polícia deve “interrogar sem violência”. Ainda sim, 32,3% dos entrevistados concordam que a polícia poderia “bater”, “dar choques ou queimar com ponta de cigarro”, “ameaçar membros da família” ou “deixar sem água ou comida” os suspeitos de uso de drogas.
Atira, mas não mata
Segundo 5,4% dos entrevistados, a polícia deve “atirar e matar” em caso de uma rebelião em presídio. Outros 27,98% acham que a polícia deve atirar, mas não matar.
O número daqueles que acham que sem-terra deveriam ser mortos é menor: 1,1% da população acha que polícias devem atirar e matar em ocupações do MST.
Fonte: Carta Capital
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Educação para uma nova sociedade
Por Márcio Pochmann
Da implantação da República, em 1889, até a Constituição Federal, em 1988, o avanço da escola pública no Brasil não foi contínuo, pois esteve marcado pelo fardo da escravidão e pelos traços de uma sociedade patrimonialista. Assim, em quase cem anos de República, a educação permaneceu prisioneira das condições de produção e reprodução do subdesenvolvimento nacional.
Da implantação da República, em 1889, até a Constituição Federal, em 1988, o avanço da escola pública no Brasil não foi contínuo, pois esteve marcado pelo fardo da escravidão e pelos traços de uma sociedade patrimonialista. Assim, em quase cem anos de República, a educação permaneceu prisioneira das condições de produção e reprodução do subdesenvolvimento nacional.
Até a década de 1940, por exemplo, as possibilidades de inclusão dos filhos de negros na escola pública eram quase nulas, tanto assim que a parcela significativa dos analfabetos do país do início do século XXI possui mais de 55 anos de idade e não são brancos. Ao mesmo tempo, a apropriação patrimonialista do Estado por estritos segmentos sociais transformou a boa escola pública em quase exclusividade de reprodução de uma elite branca, sem conceder possibilidades para a universalização do acesso a toda população.
Com a aprovação da Constituição Federal após a transição da ditadura militar (1964 – 1985) para o atual regime democrático, a educação pública ganhou relevância. Mas isso se deu associado à necessária garantia de recursos orçamentários, o que permitiu rapidamente ao país alcançar a universalização do acesso ao ensino fundamental.
Neste novo contexto constitucional de estruturação do Estado de bem-estar social no Brasil, assistiu-se ao avanço da cobertura social para praticamente todos os segmentos vulneráveis da população, como crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e Adolescente – ECA), idosos e portadores de necessidades especiais (reconfiguração do sistema de aposentarias e pensão), pobres (programas de transferências de renda, como o Bolsa Família), desempregados (seguro desemprego), entre outros. Com isso, os indicadores sociais passaram a apontar melhoras inegáveis, não obstante os enormes constrangimentos impostos pelo predomínio das políticas neoliberais desde o final da década de 1980.
Os avanços sociais não foram, contudo, plenos. O segmento juvenil, por exemplo, permaneceu à margem, sendo somente mais tardiamente objeto de maior intervenção de políticas públicas. Mesmo assim, de forma parcial e incompleta, a começar pelo programa Agente Jovem do final dos anos 1990, passando pelo fracasso do programa Primeiro Emprego do início da década de 2000, até chegar ao mais estruturado programa governamental Pró-Jovem.
Tendo em vista o enorme desafio atual de conceder maior atenção à problemática da inclusão juvenil no Brasil, torna-se fundamental a temática educacional, especialmente aquela atinente às condicionalidades que afetam a trajetória das condições de vida do segmento social de 16 aos 24 anos de idade. Inicialmente, percebe-se que, dos 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, somente 32,4% mantinham-se afastados do mercado de trabalho no ano de 2008. Deste universo de 9,5 milhões de jovens inativos, 59% somente estudavam, enquanto 41% não estudavam, não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões).
A maior parte dos jovens de 16 a 24 anos encontrava-se ativa no interior do mercado de trabalho (19,7 milhões), sendo 16,7 milhões ocupados e 3 milhões na condição desempregados (15,2%). Dos que trabalhavam, somente 31,7% estudavam (5,3 milhões), indicando que a maior parte que se encontra ocupado não consegue estudar (11,4 milhões). No caso dos desempregados, 40% frequentavam escola (1,2 milhão) e 60% não estudavam (1,8 milhão).
Resumidamente, constata-se que, da população de 16 a 24 anos de idade, somente 11,8 milhões (40,2%) estudavam em 2008. Deste universo, 47,5% (5,6 milhões) não trabalhavam nem procuravam trabalho (inativos), 44,9% (5,3 milhões) estavam ocupados e 10,2% (1,2 milhão), desempregados. Em relação aos jovens que não frequentavam escola (17,5 milhões), 65,1% trabalhavam (11,4 milhões), 22,2% não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões) e 10,3% estavam desempregados (1,8 milhão). Para os 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, a renda média familiar per capita era de R$ 512,70 ao mês em 2008.
Mas para os jovens inativos que só estudavam, a renda média familiar per capita era de R$ 633,20 ao mês (23,5% superior à renda média). Já para os jovens inativos que não estudavam, a renda média familiar per capita era de somente R$ 309,60 ao mês em 2008 (39,6% inferior à renda média). No caso dos jovens ocupados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 648,70 ao mês em 2008 (26,5% superior à renda média). Os jovens ocupados que não estudavam registraram renda média familiar per capita era de R$ 492,20 ao mês em 2008 (4% inferior à renda média).
Por fim, entre os jovens desempregados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 486,80 ao mês em 2008 (5,1% inferior à renda média), enquanto para os jovens desempregados que não estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 320,20 ao mês em 2008 (37,6% inferior à renda média). Neste quadro, parece não haver dúvidas que a trajetória educacional do segmento de 16 a 24 anos de idade encontra-se diretamente vinculada ao nível de renda.
Quanto menor a renda per capita familiar, maior a dificuldade de continuar ativo na educação. Não obstante os avanços necessários em termos de universalização do acesso educacional relativo ao ensino médio e superior, bem como a elevação da qualidade do ensino, há o tema estruturante da desigualdade de renda. Sem resolver isso, os discursos em favor da educação podem continuar sendo apenas retórica, sem efetividade para a totalidade dos jovens brasileiros.
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3/26/2012
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Mapa da Violência 2011: Os jovens do Brasil, o vídeo
Como a violência tem levado à morte os jovens brasileiros nas capitais, Estados, grandes conglomerados urbanos e municípios?
Ajudar a encontrar resposta a essa pergunta é uma das propostas do Mapa da Violência 2011 -- Os Jovens do Brasil, lançamento conjunto do Ministério da Justiça e do Instituto Sangari.
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ERick
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11/04/2011
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Juventude Indignada: "Eles sabem o que fazem"
Por Vladimir Safatle
Um dos mantras preferidos daqueles que chegam aos 40 anos é: os jovens de hoje não têm grandes ideais, eles não sabem o que fazem.
Há algo cômico em comentários dessa natureza, pois os que tinham 18 anos no início dos anos 90 sabem muito bem como nossas maiores preocupações eram: encontrar uma boa rave em Maresias (SP), aprender a comer sushi e empregar-se em uma agência de publicidade. Ou seja, esses que falam dos jovens atuais foram, na maioria das vezes, jovens que não tiveram muito o que colocar na balança.
Por isso, devemos olhar com admiração o que jovens de todo o mundo fizeram em 2011.
Em Túnis, Cairo, Tel Aviv, Santiago, Madri, Roma, Atenas, Londres e, agora, Nova York, eles foram às ruas levantar pautas extremamente precisas e conscientes: o esgotamento da democracia parlamentar e a necessidade de criar uma democracia real, a deterioração dos serviços públicos e a exigência de um Estado com forte poder de luta contra a fratura social, a submissão do sistema financeiro a um profundo controle capaz de nos tirar desse nosso "capitalismo de espoliação".
Mas, mesmo assim, boa parte da imprensa mundial gosta de transformá-los em caricaturas, em sonhadores vazios sem a dimensão concreta dos problemas. Como se esses arautos da ordem tivessem alguma ideia realmente sensata de como sair da crise atual.
Na verdade, eles nem sequer têm ideia de quais são os verdadeiros problemas, já que preferem, por exemplo, nos levar a crer que a crise grega não seria o resultado da desregulamentação do sistema financeiro e de seus ataques especulativos, mas da corrupção e da "gastança" pública.
Nesse sentido, nada mais inteligente do que uma das pautas-chave do movimento "Ocupe Wall Street". Ao serem questionado sobre o que querem, muito jovens respondem: "Queremos discutir".
Pois trata-se de dizer que, após décadas da repetição compulsiva de esquemas liberais de análise socioeconômica, não sabemos mais pensar e usar a radicalidade do pensamento para questionar pressupostos, reconstruir problemas, recolocar hipóteses na mesa. O que esses jovens entenderam é: para encontrar uma verdadeira saída, devemos primeiro destruir as pseudocertezas que limitam a produtividade do pensamento. Quem não pensa contra si nunca ultrapassará os problemas nos quais se enredou.
Isso é o que alguns realmente temem: que os jovens aprendam a força da crítica. Quando perguntam "Afinal, o que vocês querem?", é só para dizer, após ouvir a resposta: "Mas vocês estão loucos".
Porém toda grande ideia apareceu, aos que temem o futuro, como loucura. Por isso, deixemos os jovens pensarem. Eles sabem o que fazem.
*Artigo publicado originalmente na Folha de SP.
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10/26/2011
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15 de Outubro em Porto Alegre: uma mobilização por mudanças globais
O sábado, 15 de outubro, foi marcado por um grande protesto global contra a crise e por mudanças no sistema. O grito dos “indignados” por uma democracia real ecuou por todo o mundo. Foram 1000 cidades em 92 países espalhados por todos os continentes.
Em um conjuntura em que a crise econômica, iniciada em 2008, atinge situações alarmantes, golpeando duramente os países europeus, tendo o seu prolongamento nos EUA e atingindo ao restante do mundo, uma mudança no cenário começa a se gestar. Com os efeitos da “primavera árabe”, as grandes mobilizações de massa na Europa (Espanha, Grécia, Portugal, Itália, Inglaterra, etc.), as mobilizações estudantis no Chile e nos EUA com a Ocupação de Wall Street, este ano de 2011 está sendo marcado pelo desencadear de uma nova fase das mobilizações sociais. A saída da crise passa a ser buscada não mais pelos desacreditados governos dos países ricos ou pelas instituições financeiras, mas sim a partir do próprio povo, ou como dizem na Ocupação de Wall Street, somos os 99% da população buscando alternativas que o 1% mais rico as negaram .
Porto Alegre, cidade que protagonizou experiências ricas e inovadoras para a esquerda mundial, somou-se ao grito dos indignados por mudanças globais. Mais de 2 mil pessoas marcharam do Parque da Redenção até a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini (sede do governo estadual).
A composição do ato contou com uma grande diversidade de opiniões e posições políticas que mobilizaram as pessoas para o ato. Movimentos sociais, militantes de partidos de esquerda, grupos autônomos, indivíduos indignados, tendo espaço até para alguns conservadores que tentaram se associar ao ato, atendendo aos malfadados apelos midiáticos. É importante frisar que, inquestionavelmente a imensa maioria estava lá conectada ao movimento por mudanças globais. Neste sentido, qualquer semelhança com o Fórum Social Mundial não é mera coincidência.
Muitos manifestantes aproveitaram o espaço para resgatar as bandeiras de "um outro mundo possível" como alternativa a crise do capitalismo. Vozes estas que defenderam a volta do Fórum Social Mundial para Porto Alegre.
A tomada da Praça da Matriz, o acampamento instalado, os debates e as atividades culturais que ocorreram, fizeram o ato simbolicamente vitorioso. Pessoas que nunca haviam participado de nenhuma organização social encontraram neste espaço um canal para se engajar e expressar seu desejo por mudanças.
Os jovens indignados tem se utilizado da internet (e das redes sociais em especial) como elemento de organização e mobilização. A amplitude destes protestos só é compreendida a partir da velocidade na troca de informações, nos efeitos simbólicos que estes protestos tem produzido ao redor do mundo e na capacidade de aglutinar uma diversidade de indivíduos e coletivos críticos com os rumos da sociedade. Esta diversidade tem conseguido atuar de forma minimamente convergente nestes protestos.
A conjuntura do Brasil, e da América Latina, guarda particularidades e diferenças com relação a Europa, os EUA e com os países Árabes. Mas está sintonizada por mudanças qualitativas na política. “Democracia real já”, como gritaram os jovens acampados na Espanha, talvez seja o que melhor sintetiza o clamor da juventude brasileira por mais participação direta e transparência na política.
Inegavelmente é um “movimento” ainda bastante difuso, com seu desenvolvimento incerto, mas que carrega grandes potencialidades. Muitos já percebem que, não temos apenas uma crise econômica, mas sim uma crise do próprio capitalismo. Adquirir um caráter antissistêmico, aprofundando a visão anticapitalista deste movimento é um desafio colocado. Mas uma certeza já se coloca: as respostas para a crise mundial só serão possíveis se emergirem das ruas!
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10/17/2011
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Estatuto da Juventude aprovado na Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (5) o Estatuto da Juventude, que define um conjunto de direitos específicos para jovens entre 15 e 29 anos. Entre as medidas, o texto garante a jovens estudantes o direito à meia-entrada em eventos artísticos e de entretenimento e lazer em todo o território nacional. Hoje, a meia-entrada é regulamentada por legislações estaduais.
O projeto deveria ser votado na noite desta terça (4), mas por pressão da bancada evangélica, foi aprovado somente nesta tarde após acordo com a relatora, Manuela d’Ávila (PC do B-RS), para modificar o texto. Para virar lei, o estatuto ainda depende de aprovação do Senado.
A bancada evangélica posicionou-se contra a parte do texto que trata dos direitos relacionados à igualdade na orientação sexual e da inclusão de temas relacionados à sexualidade nos currículos escolares. Sempre contrária a tudo que represente avanços no que tange este tema, para garantir a aprovação, forçou-se um recuo no texto.
Sobre a capacitação dos professores dos ensinos fundamental e médio para tratar de questões sobre o enfrentamento à discriminação de gênero e de opção sexual, o texto tornou-se mais genérico, ao determinar “o enfrentamento de todas as formas de discriminação”.
Como forma de obter o apoio da bancada evangélica, a deputada Manuela d’Ávila acrescentou no texto que a inclusão de temas relacionados à sexualidade nos conteúdos curriculares deve respeitar “a diversidade de valores e crenças”.
Com informações G1 e Agência Câmara
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ERick
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10/05/2011
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Aprovada Política Estadual de Primeiro Emprego para Juventude no RS
A Assembleia Legislativa do RS aprovou na tarde desta terça-feira (4/10) no plenário, por unanimidade, o projeto de lei que institui a Política Estadual do Primeiro Emprego para a Juventude, de autoria do deputado estadual Raul Pont (PT).
A juventude é um dos setores que encontra grandes dificuldades no mundo do trabalho. Os jovens entre 16 e 24 anos representam uma grande parcela dos desempregados do país. O índice de desemprego entre jovens nesta faixa etária é quase o dobro da taxa de desemprego em geral.
Neste sentido, a importância de estabelecer políticas que orientem as ações públicas e da sociedade através de diretrizes e objetivos que enfrentem este problema. Como afirmou Raul Pont, "Estamos propondo uma política de emprego para a juventude pautada na inserção do jovem no mercado de trabalho e sua escolarização. Que garanta ao jovem acesso ao trabalho decente." No projeto aprovado, está estabelecido uma política que assegure aos jovens a proteção da legislação trabalhista e previdenciária, não se limitando ao sistema de estágios precários.
O projeto estabelece que as ações da Política Estadual de Primeiro Emprego deverão direcionar esforços para o estímulo às cooperativas de produção, empresas de autogestão e das micro e pequenas e médias empresas. Aos participantes do programa serão garantidos os direitos sociais aplicáveis à categoria profissional a qual estiverem vinculados e jornada compatível com horário de ensino. Além disso, a proposta assegura oportunidades a portadores de deficiência, portadores de altas habilidades, egressos do sistema prisional e vinculados a programas de inserção social.
“O intuito aqui é o de estabelecer essa política, que seja bastante ampla. Não é esse o foco do projeto, mas seria importante que o Estado retomasse, por exemplo, políticas já praticadas aqui nesse sentido, por meio das quais o Estado estimula empresários a assumirem o compromisso de um ano de carteira assinada com os jovens, e o próprio Estado garante a remuneração parcial desse salário como um estímulo às empresas”, disse Pont.
O deputado acredita, ainda, que o projeto se alinha com preocupações que já existem dentro da Secretaria Estadual de Educação, que está planejando uma reformulação no ensino médio, para que os estudantes tenham uma formação mais focada. “É uma reformulação profunda para dar-lhe um caráter de politecnia e, ao mesmo tempo, de desenvolver um número maior de escolas profissionais, que permitam ao jovem ter uma formação mais dirigida no momento em que ele vai buscar o seu primeiro emprego”, explicou. Pont acrescenta ainda que esse processo pode se desenvolver por meio de cooperativas, do estímulo à organização de pequenos empreendedores. “Estes são sempre grandes estimuladores da primeira atividade profissional que um jovem e uma jovem venham a exercer.”
O projeto irá agora aguardar a sanção do Governador Tarso Genro para se transformar em lei.
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Postado por
ERick
em
10/04/2011
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Juventude,
Políticas Públicas,
Raul Pont,
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