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Amanhã há de ser outro dia
Por Lúcio Costa
A geração de meus pais teve o Maracanã e foi redimida pelo Tri Campeonato de 1970. Ontem, minha geração teve o Mineiraço e, há de reiniciar a busca do reencontro com a alegria do futebol.
Reencontrar o caminho da vitória certamente será uma longa caminhada. Nela, há de se dar as costas às engrenagens que fizeram da CBF uma capitania hereditária; ao dito Clube dos 13 e seu conluio com a Rede Globo que, com sua mescla de picaretagens e improvisações, levou ao que ontem assistimos: fiasco e vergonha.
Programa de Tiago Leifert derruba Globo para 3º lugar
A última Copa do Mundo, além do futebol burocrático da seleção brasileira comandada pelo Dunga, também nos "brindou" com a "humorização" do jornalismo esportivo da Globo. Comandado por Tiago Leifert no programa Central da Copa, a marca desta "mudança" eram as piadas fracas e a informação colocada em um segundo plano. Parecia que o jornalismo esportivo da emissora, que já era ruim, iria chegar definitivamente ao fundo do poço.
Com o fim da Copa e o fracasso da seleção, nos livramos de Dunga e parecia que também desta padronização de um "jornalismo de auditório" no esporte da Globo. Infelizmente foi um ledo engano.
Agora, com a Copa América, a Globo resolveu repetir a malfada fórmula e promoveram a reestreia do chatíssimo Central da Copa, no último domingo (3/7). Para minha grata surpresa, não sou o único a não aguentar este programa. Em seu retorno, acabou derrubando mais uma vez o ibope da TV Globo, deixando a emissora em terceiro lugar, atrás do SBT e da Record. Em diversos momentos o programa esportivo, comandado por Tiago Leifert, se viu ameaçado até pela RedeTV!, que acabou em quarto no ibope.
Entre 23h18 e 23h55, o Central marcou 10,9 pontos de audiência, ficando atrás do SBT (12,6 pontos) e da Record (11,4). Já a RedeTV! fechou com 7,5 pontos. Cada ponto equivale a cerca de 58 mil casas assistindo ao programa na Grande São Paulo.
O programa esportivo da Globo continua no ar enquanto durar a Copa América, que está sendo realizada na Argentina. Na semana anterior, no horário aproximado do bate-bola, a Globo liderou o ibope com 14,5 pontos de média, com o Domingo Maior.
Desta vez, o Central da Copa de Leifert conseguiu desabar tanto o ibope quanto o share, algo notável pelo fato de o Fantástico ter entregado na alta faixa dos 23 pontos (média de 21) e o jogo Brasil 0 x 0 Venezuela ter atraído grande interesse, com 32 pontos com bola rolando.
Em relação à participação entre as TVs ligadas (share), o Central da Copa perdeu por larga margem para o SBT (24%) e empatou com a Record em 20,8%. Logo após o Central, a Globo voltou a liderar a audiência da TV aberta, com o filme As Panteras. Ou seja, até o filme das Panteras, que deve ter sido reprisado pela Globo pelo menos umas trinta vezes, angariou maior atenção dos espectadores. Não deixa de ser um bom alento!
Pior que o Tiago Leifert só mesmo a narração do Galvão Bueno nos jogos da seleção, mas isso já é assunto para outro momento!
Com informações do Vermelho e Folha
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ERick
em
7/05/2011
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Folha de SP publica anúncio com a "eliminação da seleção brasileira"
As gafes e derrapadas da grande mídia empresarial não se restringem aos analistas políticos e as matérias editorializadas. O jornal da Folha de SP publicou hoje (29/06) anúncio da rede de supermercados Extra com uma mensagem onde lamenta a "eliminação" da seleção brasileira pelo Chile.
(clique na imagem para ampliar)
Jornalismo de esgoto: Zero Hora usa psicanalistas para dizer que Dunga é paranóico
Doideira é isso: diagnóstico à distância
por Germano Leite
A ZH [jornal gaúcho Zero Hora] acaba de criar, nos moldes do EAD, uma nova modalidade de consulta psicológica: a PAD (Psicologia a Distância).
A “cobaia” do jornal da rbs (afiliada da globo) foi o técnico (gaúcho) Dunga, rotulado como “neurótico” e “levemente paranóico” (entre outros), em uma consulta feita à distância (pela TV!).
Só esqueceram de dizer aos doutores que os diagnósticos dos pacientes estão protegidos por sigilo, e não podem ser distribuídos assim, através de um veículo de comunicação de massa.
Vejam a seguir [texto publicado no jornal gaúcho]:
Psicanalistas analisam destemperos do técnico Dunga
Treinador não sabe lidar com críticas, segundo especialistas
Itamar Melo
Faça um exercício de imaginação e tente se colocar por alguns momentos na pele de Dunga, o técnico da Seleção Brasileira.
Primeiro, você vai a uma Copa do Mundo como jogador, a Seleção faz fiasco e o Brasil inteiro põe a culpa sobre seus ombros. Mas não fica nisso. O fracasso passa a ser conhecido como “Era Você”. Então, na Copa seguinte, você está lá de novo e vira campeão. Não adianta.
O reconhecimento vai para outros, e você continua a ser visto como pouco mais do que um tosco. Mais de uma década depois, nova oportunidade. Você vira treinador da Seleção. Ganha a Copa América, conquista a Copa das Confederações, humilha a seleção argentina e dá show nas Eliminatórias.
Agora sim, pensa, virá a consagração. Mas pouco importam os resultados. Você continua levando paulada na imprensa. Quando chega a Copa, sabe que não tem saída. Não importa o que aconteça, nunca vai agradar. Se vencer, será apesar de você. Se perder, será por sua causa. Só por sua causa.
Isto é ser Dunga.
Agora pense no destempero de Dunga durante a sua já famosa entrevista do domingo. O Brasil havia vencido e nada indicava que algo pudesse azedar o clima festivo pós-jogo. Mas o tempo fechou. Aparentemente sem motivo, o treinador partiu para o confronto e desandou a murmurar impropérios contra um repórter. O exercício de se colocar no lugar do treinador talvez seja a melhor maneira de compreender o comportamento insólito, por mais que ele possa ser considerado injustificável. Dunga está tão acostumado a ser massacrado em entrevistas que basta ver diante de si um grupo de jornalistas para já ficar pronto para a briga.
— O Dunga é um traumatizado. Acostumado a levar bordoada, pensa que sempre vai ser atacado. Ele nem ouve mais. Criou um mecanismo automático de defesa. Já começa agredindo como forma de se defender. Está todo mundo tão contra o Dunga, que eu quase estou ficando do lado dele — observa o psicanalista Mário Corso.
Constatar isso não impede que Corso veja no treinador comportamentos “neuróticos” e “levemente paranoicos”, exemplificados pela entrevista do domingo e pelos mecanismos de defesa desenvolvidos pelo técnico. O psicólogo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, por sua vez, prefere diagnosticar o treinador como alguém com dificuldade de lidar com a rejeição. No fundo, acredita, tudo o que Dunga almeja é o amor dos brasileiros.
— Ele não superou 1990. Ainda traz a frustração de todos colocarem a culpa nele pela perda da Copa. O que ele deseja é ser aceito pela mídia e pelo país. Dunga acreditava que, com as vitórias, dariam-lhe razão. Não foi assim. Isso detona o comportamento agressivo — opina.
Um outro fator que poderia explicar a conflituosa relação do treinador com a imprensa, na interpretação do psicanalista Robson de Freitas Pereira, seria a insegurança. Por ter começado a carreira de técnico direto na Seleção, algo raro em se tratando do Brasil, Dunga pode estar se sentindo pressionado a confirmar sua capacidade.
— No fundo, do ponto de vista futebolístico, a Copa América e a classificação para a Copa são conquistas menores. As reações do Dunga podem ser porque ele ainda se sente inseguro como técnico – supõe Pereira.
Mas não é só Dunga quem deveria deitar no divã. Seria interessante que os brasileiros em geral e a imprensa em particular se apercebessem da desproporção de suas reações. Corso nota que os jornalistas não estão inocentes e que cometem uma distorção ao transformarem seu conflito com o técnico em notícia, quando sua missão seria a neutralidade. Também merece um exame psicanalítico o achincalhamento generalizado a que o técnico é submetido a cada derrota ou desempenho menos brilhante. Uma explicação possível para a rejeição seria o fato de Dunga representar, em termos de futebol, o oposto do que o brasileiro tem no seu imaginário.
— Um carioca ou um paulista olham para o Dunga e não se reconhecem. Para eles, não é o Brasil — diz Corso.
Mesmo que não gostem de Dunga, os torcedores têm uma razão de peso para tentar deixá-lo seguro e de bem com a vida. Cozac observa que o desequilíbrio emocional do comandante pode colocar em risco o sonho do Hexa.
Pescado em Vi o Mundo
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ERick
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6/24/2010
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Campanha #DiaSemGlobo agita o Twitter
A polêmica entre a Globo e o Dunga está longe de terminar e já está gerando alguns bons frutos. Se após a contenda do Dunga com o jornalista da Globo houve, de um lado, uma reação corporativa dos jornalistas dos grandes veículos de comunicação em sair em defesa do repórter da Globo, com a torcida a reação já foi bem diferente.
Após a grande repercussão que a campanha no Twitter do "Cala a Boca Galvão" teve, o jornalista escalado para defender a Globo contra Dunga, Tadeu Schimidt, recebeu o mesmo tratamento e teve uma onda de manifestações contrárias dos internautas.
Agora, em uma prova das potencialidades que a internet tem como um novo (e diferente) espaço de ativismo, se iniciou a campanha "Dia Sem Globo". Onde se está convocando um boicote a emissora Globo para sexta-feira (25/06) durante a transmissão do jogo da seleção.
A campanha tem tomado corpo e já está figurando, por dois dias seguidos, como um dos tópicos mais comentados da rede social no Brasil. Ainda que tenhamos de reconhecer os limites desta ação, afinal, sabemos do poder da Globo e da fragilidade que a sua concorrência tem, é uma importante iniciativa. Demonstra que, a contrário de outros tempos em que o poder da TV (e da Globo em particular) era monolítico, agora existe uma verdadeira potencialidade de resistência e de disseminação de informações alternativas (este blog é uma prova disso).
A "turma da mídia empresarial" já percebe o perigo que está colocado a sua hegêmonia, prova disso é a reação deles que, além da revista Veja que saiu em socorro, a Folha de SP em texto escrito por Fernando de Barros, em defesa da Rede Globo diz textualmente " (...) Na blogosfera, militantes do PT e da candidatura Dilma Rousseff transformaram o técnico em herói da resistência antiglobal. Espalhou-se na rede um subdunguismo eleitoral. Soa como um sintoma -como dizer?- de fascismo democrático..."
Demonstrando que, para além da paranóia do articulista da Folha, a resistência está surtindo efeitos e importantes mudanças poderão ocorrer desde baixo.
Na Internet, Dunga ganha apoio contra a Globo
Marco Aurélio Weissheimer
Jornalistas relatam que briga entre Dunga e Rede Globo deveu-se ao fato do treinador da seleção brasileira vetar o privilégio da concessão de entrevistas exclusivas de jogadores para a Globo. Entrevistas teriam sido negociadas pela Globo com presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. Repercussão do episódio indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. Cresce no twitter campanha de boicote à Globo na transmissão de Brasil e Portugal na próxima sexta-feira.
O jornalista Bob Fernandes relata, em matéria publicada no Terra, as causas da briga do técnico da seleção brasileira de futebol contra a rede Globo. Segundo esse relato, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção. Bob Fernandes conta o que presenciou logo após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim:
Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo.
Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul:
- Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é "a Globo", ele está falando para todo o país...
Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: - ...e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar 'conosco' e não mais 'com nós' como sempre fez...
A Globo reagiu com um texto em tom de editorial, cujo conteúdo acabou sendo reproduzido e apoiado pela maioria dos jornalistas e empresas de comunicação que cobrem a Copa. Outro jornalista, Maurício Stycer, afirma,no portal UOL, que as entrevistas foram negociadas diretamente pela Globo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou.
Aparentemente, os jornalistas de outras empresas consideram uma grosseria maior o fato de Dunga reagir contra esse tipo de privilégio a uma empresa do que a concessão do privilégio em si mesma. Mas, segundo a repercussão do episódio na internet indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo.
Uma enquete do Terra perguntava na manhã desta terça: você está com Dunga, com a Globo ou contra os dois? Com 163 votos, apenas 3,68% (6 votos) apoiavam a Globo. Dunga tinha 71,78% (117 votos) de apoio e a opção “contra os dois”, 24,54% (40 votos). Ontem, os comentários de leitores no site de O Globo também indicavam amplo apoio a Dunga.
Nas seções de comentários, leitores começaram a espalhar a idéia de um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira, data do próximo jogo do Brasil. A julgar pelo resultado do movimento desencadeado no twitter contra o locutor Galvão Bueno, a Globo pode estar entrando em rota de colisão não apenas com o temperamento de Dunga, mas com milhões de brasileiros e brasileiras.
Um outro forte indicador disso foi que, na madrugada desta terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo. Um pedido, aliás, não muito difícil de atender, dada a crescente antipatia do locutor Galvão Bueno.
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ERick
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6/22/2010
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Torcida "pé quente"
Presidente Lula e a primeira-dama Marisa Letícia comemoram o segundo gol da Seleção Brasileira contra a Coréia do Norte na Copa do Mundo da África do Sul.
Apesar de ter sido uma estréia bastante fraca da seleção, onde no final da partida chegou-se até mesmo esboçar uma reação da fraca Coréia do Norte, o presidente Lula pode tocar a "vuvuzela" e comemorar a sua torcida "pé quente", com a vitória do Brasil, por 2 x 1. Lula mostra que, apesar do técnico "brilhante" que está a frente da seleção (que gosta de aprontar as suas), ver o Brasil ganhar está acima disso.
Pelo que se viu aqui, a minha opinião é que não será nada fácil, com esse futebol medíocre do time do Dunga, sonhar com título. Passando da fase de grupos, o que vier já estamos no lucro.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR
Seleção brasileira: o "patriotismo de chuteiras"
Dunga apela e quem discorda é antipatriota
Luiz Felipe Albuquerque
Já em 1950, Nelson Rodrigues, inspirado pela derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo de futebol, profetizava a célebre frase em que resumia o senso de inferioridade da população brasileira: “o complexo de vira-lata”. No entanto, bastaram apenas oito anos – com a conquista do primeiro mundial pela seleção brasileira – para que tais aflições tivessem seu papel invertido, tornado-se hegemônico “o complexo de Pit Bull”.
Movido por um sentimento patriótico exacerbado pouco visto em outros momentos no Brasil, os períodos de Copa do Mundo evidenciam o forte sentimento criado sobre um imaginário que se estabelece, confundindo-se a seleção brasileira de futebol com a própria nação.
Com as identidades nacionais construídas a partir de processos históricos, como normalmente ocorre com grande parte dos outros países, no Brasil, a cristalização da identidade patriótica concentra-se, sobretudo, num outro aspecto: o futebol.
“O Brasil não tem um grande sentimento de nacionalismo a não ser em época de Copa do Mundo. A bandeira e o hino, que são dois símbolos maiores de um país, ficam meio esquecidos nos anos de intervalo entre as copas. Mas é nesta época que o sentimento de brasilidade aparece. Em outros países são exemplos da história do país (que formam a identidade nacional). Mas, para nós, são exemplos da história do futebol do país”, comenta o professor de história da Universidade de São Paulo, Hilário Franco Júnior, apontando para a confusão criada entre o que é a seleção e o que é a nação.
Numa necessidade intrínseca ao ser humano de se configurar como um indivíduo pertencente a uma comunidade de interesses, a um grupo de referência, o processo de construção e afirmação dessas identidades acaba se baseando em tradições capazes de reafirmarem um sentimento único de grupo social.
No caso brasileiro, por exemplo, nada mais propício do que apelar para o maior esporte do mundo, praticado e adorado em todos os continentes, e que, acima de tudo, somos considerados os melhores. No caso, o futebol.
Como salienta Hilário, “isso que acabamos chamando de patriotismo, me parece uma deturpação e uma deformação do que geralmente é em outras culturas, a relação do cidadão com seu país, tendo orgulho de feitos do país. Como nós não temos feitos nenhum, transferimos um pouco essa falta para onde somos positivos, o futebol”.
Na mesma linha de raciocínio, segue o professor de pós-graduação do curso de história sociocultural da USP, Flávio de Campos, que entende que, pelo fato da seleção ter “uma trajetória exitosa, gera uma espécie de compensação, de transferência. Nós projetamos para o campo de futebol um pouco de nossa ânsia e desejo de protagonismo internacional. Há uma série de frustrações coletivas que nós jogamos em cima da seleção brasileira”, acredita.
No entanto, como essa construção de identificação do brasileiro calcada no futebol se apóia em bases muito frágeis pela sua superficialidade, alguns perigos circundam o apelo a essa promoção artificial da nacionalidade.
Flávio questiona quando se fala “o brasileiro”. “Que brasileiro estamos falando? É o brasileiro do sudeste, os povos da floresta, o litorâneo, do Pantanal, o pobre, o multimilionário, o de classe média? Existe uma construção ideal do brasileiro que não resiste às diversidades sociais, regionais, culturais e étnicas. Então, na verdade não existe brasileiro, existem brasileiros. Há uma pluralidade no lugar da identidade”.
E o grande perigo dessa idealização é justamente o fato dessas diversidades serem suprimidas, o que aponta para mais um dos elementos contraditórios dessa construção. Bem como ele observa, mesmo nas propagandas mais apelativas, em que se coloca um monte de brasileiros juntos – brancos, negros, indígenas etc. –, não se visualiza a diversidade de orientação sexual, por exemplo. “Há uma absoluta exigência para que todos sejam heterossexuais”, conclui.
Caráter militar
Com o processo de justaposição entre a seleção e nação identificada desde a segunda metade do século 20, seria um absurdo chamar tal confusão de ordem natural, mesmo que tenha ocorrido uma naturalização desse processo, bem como aponta o professor com mestrado e doutorado sobre futebol, identidade e nação, Plínio Labrioli.
Contudo, este processo teve seu caráter acentuado com o passar dos anos, atingindo seu apogeu na época da ditadura civil-militar, quando o regime utilizou o tri campeonato de 19070 para associar o período político com a vitória, criando um elemento que se relacionasse, para os ditadores, com estabilidade interna, propagandeando o próprio governo e provando que o sistema autoritário dava certo. Época em que o ufanismo estava acima de tudo: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Passadas mais de duas décadas da redemocratização, este exacerbado nacionalismo parece ter sido resgatado por alguns. “Todos que estão na seleção brasileira estão preparados e prontos para se doar para o nosso país”; “fazer o melhor para a seleção brasileira. Vai doer, nós vamos sofrer, nós vamos sangrar”, comentava o técnico Dunga na coletiva após a convocação do time que disputará a copa. Ou ainda, “é importante para todos nós! Nós precisamos entender que isso é a seleção brasileira, é o nosso país, a nossa pátria!”, exaltava-se seu auxiliar técnico, Jorginho.
Plínio acredita que tal atitude por parte dos dois possa ter sido uma estratégia de defesa pela impopularidade do time de Dunga. Mas considera, acima de tudo, um recurso condenável. “Não pode caber em alguém que tenha o cargo dele, quase um cargo público. É uma postura primária. Não se pode utilizar de um sentimento desse quilate para se proteger”, acredita.
O que está em questão, todavia, é a representatividade que discursos como esses contêm. Emoções como essas que se sobrepõe a razões são vistas em períodos históricos extremistas, em que tudo se justifica em torno de um nome. “O que ele pretende levantar é o triunfo da vontade. Nacionalismo, disciplina e voluntarismo tremendo. São componentes fascistas. E é enxergar o futebol realmente como uma guerra. Cria-se um tipo de atmosfera que é ruim num tipo de confraternização que é a Copa do Mundo”, comenta Flávio.
Hilário ainda lembra o fato da palavra “convocação” conter certa conotação militar, em que não apenas os jogadores, mas também os torcedores são “convocados” a exercer esse tremendo patriotismo que é torcer pela seleção. “Portanto, você discordar da convocação, na leitura que eles fazem, é um ato antipatriótico. É o modo deles olharem o futebol. São simplesmente a expressão – chamando mais atenção por estarem no poder – dessa confusão entre a seleção e o país”, conclui.
“Cada um que está na seleção aqui, tem que demonstrar o patriotismo pelo Brasil; tem que torcer pelo Brasil. E peço ao torcedor brasileiro que nos apóie e que, mesmo se não gostarem de mim ou de uma ou outra escolha da seleção brasileira, que gostem do país; gostem do Brasil”, conclamou Dunga.
Meios de comunicação
Em meio a toda essa festa encabeçada pela Copa do Mundo em que a seleção brasileira passa-se pelo próprio Brasil, há outro protagonista proposital e fortemente responsável por essa confusão: a mídia.
“Há muita coisa criada pela mídia, especificamente para vender o produto ‘seleção brasileira’. E a pátria, como o símbolo da identidade do ser humano, tem muita validade para que as pessoas encarem a realidade de uma Copa do Mundo como a realidade delas”, acredita Sérgio Mendonça Costa, da Faculdade Metropolitana da Grande Recife, demonstrando o caráter apelativo dos meios de comunicação ao recorrer a um sentimento comum à maioria das pessoas.
E, numa Copa do Mundo, por ter o embate entre as nações para ver qual seleção é a melhor, naturalmente traz consigo o discurso do patriotismo, acredita Sérgio, o que torna algo natural a ligação entre o futebol e o país. Além de constantemente salientar “um jeito de jogar brasileiro, que é jogar bonito, superior a qualquer coisa e encantador. Por conta desse jeito, tenta-se embrenhar nele para vender os produtos”, diz.
Outro aspecto essencial na costumeira abordagem estereotipada realizada pelos meios de comunicação supervalorizando o futebol brasileiro é o tratamento designado a outras identidades nacionais. “Percebemos, sobretudo nas propagandas de TV, que estamos elegendo uma alteridade e esta alteridade são os argentinos. E de uma maneira muito desrespeitosa. Há um deboche em relação aos argentinos que está vinculado a um conjunto de estereótipos e a uma gravíssima agressão a eles. Essa agressão parte de um pressuposto que seja explicitado durante as partidas”, comenta Flávio, dizendo que, no meio do clima da disputa e da rivalidade, há uma consideração generalizante aos argentinos que se enquadra nessa alteridade. “Isso faz parte desse pacote ufanista que é projetado. É um repertório preconceituoso, desrespeitoso, com o qual temos que tomar cuidado”, explicita.
Contudo, ele acredita que todo esse ufanismo poderia ser “ambicioso para a construção de outra coisa, que é mais importante que o sucesso da seleção, como a construção de uma sociedade pluralista, democrática, na qual haja uma prática de cidadania crítica, intervenção política consciente. Esse é o pressuposto para que tenhamos um sociedade que possa enfrentar seus problemas sociais, regionais e econômicos”.
Mesmo com a cumplicidade dos meios de comunicação e da postura acrítica em relação a esses fatos, responsáveis pela capacidade de amplificar e difundir para um conjunto maior da sociedade certas discussões, assim como lembra Hilário, uma coisa é certa: “O futebol tem essa coisa extraordinária. De um lado ele camufla uma série de questões importantes, mas de outro ele é um dos poucos canais que permite discutir esses assuntos essenciais”.
Uma tremenda bola fora de Felipe Melo
Mensagem a todos os membros de Rede Social Lei Maria da Penha
A luta pela violência contra a mulher é constante. Ficamos horrorizadas com a infeliz declaração do Jogador Felipe Melo, um dos contratados por Dunga para a seleção brasileira, nesta copa do mundo.
Na coletiva, visivelmente irritado com a qualidade da "bola" que eles jogarão nesta copa, Felipe Melo fez uma
declaração absurda comparando a péssima bola à "mulher de malandro" e a boa "bola" à uma "mulher Patricinha", ao afirmar:
"...A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual Patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum – disse Melo". Veja a íntegra aqui.
Realmente não tem muito o que comentar a respeito. Um comentário extremamente infeliz, machista, primeiro pelas caracterizações dadas a mulher (mulher de malandro e mulher patrícia), e segundo pela referência a violência.
NÃO, Sr. Felipe Melo, nós MULHERES não queremos, não toleramos e não aceitamos sermos "CHUTADAS" em hipótese alguma. Inclusive, ser "chutada" caracteriza- se CRIME de violência fisica. A cada 15 minutos uma mulher é agredida covardemente no Brasil. Pessoas públicas como este senhor tem que analisar bem o que fala em entrevista.
Nós execramos com veemência tais palavras e estamos indignadas.
Exigimos RETRATAÇÃO. Citaçoes como estas estão estampadas todos os dias na mídia. Uma atitude totalmente misógena e de total apologia à violência contra as mulheres.
Solicitamos das AUTORIDADES que exijam Retratação. Já enviamos email com o mesmo teor para as assessorias da Confederação Brasileira de Futebol e aguardamos respostas.
Com muita indignação,
Equipe de Moderação e Apoio da Rede Social Lei Maria da Penha
www.leimariadapenha .com.br
Visite Rede Social Lei Maria da Penha em: http://leimariadape nha.ning. com/?xg_source= msg_mes_network
A luta pela violência contra a mulher é constante. Ficamos horrorizadas com a infeliz declaração do Jogador Felipe Melo, um dos contratados por Dunga para a seleção brasileira, nesta copa do mundo.
Na coletiva, visivelmente irritado com a qualidade da "bola" que eles jogarão nesta copa, Felipe Melo fez uma
declaração absurda comparando a péssima bola à "mulher de malandro" e a boa "bola" à uma "mulher Patricinha", ao afirmar:
"...A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual Patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum – disse Melo". Veja a íntegra aqui.
Realmente não tem muito o que comentar a respeito. Um comentário extremamente infeliz, machista, primeiro pelas caracterizações dadas a mulher (mulher de malandro e mulher patrícia), e segundo pela referência a violência.
NÃO, Sr. Felipe Melo, nós MULHERES não queremos, não toleramos e não aceitamos sermos "CHUTADAS" em hipótese alguma. Inclusive, ser "chutada" caracteriza- se CRIME de violência fisica. A cada 15 minutos uma mulher é agredida covardemente no Brasil. Pessoas públicas como este senhor tem que analisar bem o que fala em entrevista.
Nós execramos com veemência tais palavras e estamos indignadas.
Exigimos RETRATAÇÃO. Citaçoes como estas estão estampadas todos os dias na mídia. Uma atitude totalmente misógena e de total apologia à violência contra as mulheres.
Solicitamos das AUTORIDADES que exijam Retratação. Já enviamos email com o mesmo teor para as assessorias da Confederação Brasileira de Futebol e aguardamos respostas.
Com muita indignação,
Equipe de Moderação e Apoio da Rede Social Lei Maria da Penha
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Profa. Dra. Cecilia M. B. Sardenberg,
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM
Universidade Federal da Bahia - UFBA
Estrada de São Lázaro, 197 - Federação
Salvador, Bahia, BRASIL
Telefax: 55-71-3237-8239
ceciliasard@ yahoo.com. br cecisard@ufba. br
Pescado no Dialógico
A estupidez do Dunga
Depois do Dunga ter recebido críticas de, no mínimo, dois em cada três torcedores brasileiros com sua lista de jogadores convocados para a copa do mundo , tanto pelas ausências injustificadas como por alguns dos jogadores escolhidos, o nosso "glorioso" treinador, deu mais uma prova de que sua insensatez não se resume apenas a incapacidade de escalar bons times.
Na quarta-feira (26) ao ser recebido pelo Presidente Lula no Palácio da Alvorada na despedida da equipe para a África do Sul, o comportamento grosseiro de Dunga foi gritante. Os elogios públicos do presidente Lula à convocação do time que vai disputar a Copa não foram suficientes para que Dunga demonstrasse o mínimo de amabilidade e simpatia a Lula. Ao contrário. O comportamento do técnico da seleção brasileira, com cara de impaciência e mãos no bolso enquanto Lula cumprimentava efusivamente Robinho e Kaká, chamaram a atenção e causaram constrangimentos gerais. O treinador não sorriu e manteve a mão esquerda no bolso até no momento de cumprimentar Lula.
Independente do Dunga gostar ou não do Lula, não existem desculpas para a falta de compostura do treinador. Chega a ser irônico que logo o Dunga, que diz ser uma pessoa "educada" e que tem adotado um discurso com arroubos de um nacionalismo primário para defender a sua seleção na disputa da Copa tenha tido tal atitude. Afinal, ele estava sendo recebido pelo Presidente do seu país!
Mas se por um acaso você ainda tem alguma dúvida de que o Dunga é um verdadeiro "poço de estupidez", confira a "aula" de história dada pelo técnico durante a coletiva ocorrida após o anúncio da lista dos jogadores que ele escolheu para compor a sua seleção. É realmente impressionante tamanho brilhantismo intelectual!
Brasil vence nos pênaltis e vai para a final da Copa América
A seleção brasileira venceu ontem (10/07), a seleção do Uruguai nas semi-finais da Copa América nos pênaltis, em jogo que poderia ter sido fácil, mas que acabou tendo um final dramático.
O Brasil alternou bons momentos com situações de extrema dificuldade, o que tem sido uma tônica nessa seleção do Dunga. Quer dizer, acho que da cara do Dunga há evidentemente que muito nessa seleção, mas também algumas coisas meio “mal explicadas” nessa seleção. Ninguém me convence que o tal do Afonso seja um centro-avante com bagagem para estar jogando nessa Copa América. Esta é a típica convocação com ares de influência da cartolagem no meio, para valorizar o passe do atleta para alguma futura negociação com um grande clube. Opções não faltariam para o técnico convocar, com uma diversidade tão grande de atacantes brasileiros de qualidade jogando por aí, fica ainda mais descabida essa convocação. Sem falar no Vágner Love, que até agora não disse a que venho. Apenas Robinho tem dado uma boa resposta no ataque, jogando com maestria e objetividade.
Mas não é só isso, essa determinação da CBF em obrigar o Dunga a fazer uma renovação forçada da seleção está se mostrando, no mínimo questionável. É lógico que é importante começar algum processo de renovação do grupo principal de jogadores a vestirem a camisa amarelinha, principalmente após o desastre da Copa do Mundo. No entanto, não se renova o elenco sem haver um processo de transição, aliando o que vinha dando certo e tem perspectivas de evolução (como o meio-campo) com a busca de novos valores.
Acho que, se não houver uma mudança de rumos na seleção para a disputa das eliminatórias da Copa do Mundo, nós torcedores continuaremos a sofrer com a falta de um futebol a altura da seleção mais vencedora do mundo.
O Brasil alternou bons momentos com situações de extrema dificuldade, o que tem sido uma tônica nessa seleção do Dunga. Quer dizer, acho que da cara do Dunga há evidentemente que muito nessa seleção, mas também algumas coisas meio “mal explicadas” nessa seleção. Ninguém me convence que o tal do Afonso seja um centro-avante com bagagem para estar jogando nessa Copa América. Esta é a típica convocação com ares de influência da cartolagem no meio, para valorizar o passe do atleta para alguma futura negociação com um grande clube. Opções não faltariam para o técnico convocar, com uma diversidade tão grande de atacantes brasileiros de qualidade jogando por aí, fica ainda mais descabida essa convocação. Sem falar no Vágner Love, que até agora não disse a que venho. Apenas Robinho tem dado uma boa resposta no ataque, jogando com maestria e objetividade.
Mas não é só isso, essa determinação da CBF em obrigar o Dunga a fazer uma renovação forçada da seleção está se mostrando, no mínimo questionável. É lógico que é importante começar algum processo de renovação do grupo principal de jogadores a vestirem a camisa amarelinha, principalmente após o desastre da Copa do Mundo. No entanto, não se renova o elenco sem haver um processo de transição, aliando o que vinha dando certo e tem perspectivas de evolução (como o meio-campo) com a busca de novos valores.
Acho que, se não houver uma mudança de rumos na seleção para a disputa das eliminatórias da Copa do Mundo, nós torcedores continuaremos a sofrer com a falta de um futebol a altura da seleção mais vencedora do mundo.
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