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A distopia reacionária da redução da maioridade penal


Por Erick da Silva

Um dos sonhos de todo reacionário brasileiro (mas não somente) é a redução da maioridade penal, que deverá em breve ser votada no congresso nacional comandado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Os argumentos favoráveis em torno desta proposta são, em geral, permeados por uma boa dose de preconceito social e ausência de dados empíricos.

Não importa se 10 em cada 10 especialistas afirmem que tal medida em nada melhoraria o quadro da segurança pública no país. Para estes "nobres" deputados e deputadas favoráveis a redução da maioridade penal dos atuais 18 anos para 16, o que importa é dar "uma resposta para a sociedade". Mesmo que ela não passe de um embuste.

Herança da ditadura: 80% dos brasileiros têm medo de sofrer tortura em prisão



Diversos especialistas de diferentes áreas apontam como uma das principais heranças do período da ditadura no Brasil, a prática de torturas no sistema prisional.

A percepção de que a tortura é quase uma prática "institucionalizada" no país é compartilhada pela maioria dos brasileiros.

Oito em cada dez brasileiros temem ser vítimas de tortura em caso de detenção por autoridades policiais, apontou estudo da Anistia Internacional (AI). 

A pesquisa entrevistou 21 mil pessoas de 21 países de todos os continentes e concluiu que o medo de tortura existe em todos eles, mas o Brasil é o que é mais atingido por esse temor. Em nível global, 44% das pessoas entrevistadas revelam discordar da frase: “Se eu fosse detido pelas autoridades no meu país, estou confiante de que estaria a salvo da tortura”. No Brasil, o percentual é de 80%.

É apenas mais uma Silva? A falência de uma polícia militarizada


Por Erick da Silva

Cláudia Silva Ferreira saiu pela manhã de casa para comprar pão. Mãe de quarto filhos e
responsável pelos cuidados de outros quatros sobrinhos, pretendia apenas fazer a rotineira tarefa de alimentar sua família. Moradora do morro da Congonha, em Madureira no Rio de Janeiro, jamais poderia imaginar que sua vida seria ceifada de uma maneira brutal naquele dia.

Durante seu trajeto, Cláudia foi surpreendida por uma troca de tiros entre três policiais do PM com supostos criminosos na favela. No incidente, acabou sendo ferida à bala no pescoço e nas costas. A história, no entanto, não se encerraria aqui. Cláudia não iria integrar a extensa lista das pessoas vitimas de balas perdidas. A tragédia ainda iria se estender de uma maneira ainda mais cruel.

“Veja” é a barbárie: jornalismo justiceiro



O artigo do jornalista Rodrigo Vianna sintetiza com maestria o que representa a revista Veja, da editora Abril. Um verdadeiro "jornalixo" que presta um desserviço ao Brasil.  Como aponta Vianna: " A “Veja” – se pudesse – prenderia o pescoço do povo brasileiro no poste. Mas não vai conseguir. Vai perder – de novo."
Recomendo a leitura!

Por Rodrigo Vianna

Nas redes sociais, tarde da noite de sexta-feira, jornalistas afinados com o tucanato e militantes da esquerda extremada se esparramavam em elogios à capa da “Veja”. Eu, que procuro manter distância sanitária da revista, aproximei-me da capa. E só consegui enxergar um gesto de oportunismo barato.
A “Veja” expõe a imagem – chocante, lamentável, triste – do rapaz preso pelo pescoço num poste na zona sul carioca, e aproveita a cena não para refletir sobre a tradição oligárquica brasileira, não para pensar sobre nossa história de 300 anos de escravidão, ou sobre nossa elite que reclama de pobres nos aviões e clama sempre pela resposta fácil do liberalismo de araque e da violência de capatazes. Não. “Veja” usa a foto terrível em mais uma tentativa para desgastar a imagem do Brasil; e também – que surpresa – para culpar o “governo”. Que governo? Ah, não é preciso ser muito esperto pra descobrir…

Campanha na internet pede Chaves no lugar da apresentadora Rachel Sheherazade no SBT


Os absurdos comentários no jornal SBT Brasil da apresentadora Rachel Sheherazade na noite da ultima terça-feira (04/02) que saiu em defesa dos jovens da Zona Sul do Rio que espancaram, mutilaram e prenderam num poste, pelo pescoço, com uma trava de bicicleta, um adolescente suspeito de crimes na região, geraram forte reação na sociedade.

Para quem não viu o comentário da Sheherazade, e tiver estomago, clique aqui.

Nas redes o debate foi intenso, com um claro repúdio aos comentários de Sheherazade. Uma das ações, que o blog Aldeia Gaulesa está se somando na divulgação é a campanha pedindo "Chaves no lugar da apresentadora Rachel Sheherazade no SBT." Afinal, como afirma os organizadores, "o Seu Madruga e o pobre menino do barril tem muito mais a nos ensinar sobre tolerância e igualdade... "

Matamos Amarildo



Por Matheus Pichonelli

Quando o Capitão Nascimento, com o coturno na garganta do traficante “Baiano”, entregou a escopeta nas mãos do Soldado Mathias e determinou a execução do bandido com um balaço no rosto, as salas de cinema do Brasil vibraram como torcida em final de campeonato. Como em uma arquibancada, houve quem se levantasse e aplaudisse a cena de pé, algo inusitado para uma sessão de cinema. O Brasil que pedia direitos humanos para humanos direitos estava vingado.

'PM é herança da ditadura', afirmam movimentos pela desmilitarização da polícia


Violência indiscriminada usada pelas forças policiais nas manifestações de junho trouxe à tona a antiga reivindicação de movimentos sociais

Desde a Constituição de 1988, grupos que atuam em defesa dos Direitos Humanos lutam pela desmilitarização da polícia. Em 2002, a Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou a Brasil que extinguisse a Polícia Militar (PM). A violência indiscriminada empregada pela instituição nas manifestações de junho deste ano deu visibilidade à antiga reivindicação de movimentos sociais pela desmilitarização.

“Eu sou Chelsea Manning”, diz soldado dos EUA responsável por vazar documentos



Um dia depois de ser condenado a passar 35 anos na prisão, o soldado norte-americano até então conhecido como Bradley Manning anunciou nesta quinta-feira (22) que pretende passar por tratamento hormonal e pediu para ser reconhecido como mulher. Em um comunicado, Manning disse que gostaria de ser chamada de Chelsea e de ser tratada por pronomes femininos.
“Agora que eu transito pra essa nova fase da minha vida, eu quero que todos conheçam quem eu sou de verdade. Eu sou Chelsea Manning. Eu sou uma mulher. Levando em conta a maneira como eu me sinto, e tenho sentido desde a minha infância, eu quero começar tratamento com hormônios assim que possível. Eu espero que vocês me apoiem durante essa transição”, escreveu ela, assinando como Chelsea E. Manning.

PJ Harvey: Shaker Aamer (um apelo à libertação de prisioneiro em Guantánamo)


A cantora PJ Harvey gravou uma canção dedicada a Shaker Aamer, o único britânico detido em Guantánamo, onde está há 11 anos, sem ter nenhuma acusação e impedido de se defender. 

Os abusos sofridos por Shaker Aamer na detenção incluem, mas não estão limitados a: espancamentos, longos interrogatórios, a exposição ao frio extremo, privação sensorial, posições de stress, o ruído branco, privação de sono, o isolamento a longo prazo e de alimentação forçada.

Aamer, de origem saudita, corre ainda o risco de, ao ser libertado pelos EUA o expatriarem para a Arábia Saudita.

Enquanto isso, a esposa britânica de Shaker espera pacientemente pelo seu retorno, e seus quatro filhos britânicos - o mais novo de quem nunca sequer conheceu - estão crescendo sem ele.
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Manning, condenado; criminosos de guerra, à solta


Manning traiu os "Senhores Imperiais do Universo" e, dado que não se trata de um filme arrasa-quarteirões dos Clássicos Marvel, Manning teria de ser detonado.

Por Pepe Escobar

Em tribunal espetaculoso, julgamento-show com pitadinha de EUA, digno da Revolução Cultural da China nos anos 1960s, Bradley Manning foi declarado culpado, como já se previa, de inúmeras violações da Lei Antiespionagem [orig. Espionage Act].
Se, pelo menos, Walter Benjamin estivesse vivo para ver o Anjo da História, mais uma vez, lançar outro de seus raios marca-registrada de ironia: Manning foi declarado culpado em crime de espionagem – por juiz do Pentágono –, na porta ao lado da Central de Espionagem, o quartel general da Agência Nacional de Segurança dos EUA, em Fort Meade, Maryland.

Como digerir Guantánamo?


"Mais quantos anos até Guantánamo fechar?"

Ativistas protestam em metrôs norte-americanos contra as graves violações aos direitos humanos praticadas pelo governo dos EUA na prisão de Guantánamo em Cuba.
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L.F. Veríssimo: Os cães de guerra


Por L.F. Veríssimo

A Convenção de Genebra pode ser vista como um monumento à hipocrisia. Ela propõe regras para a barbárie e infere que o que Shakespeare chamou de “os cães da guerra”, uma vez soltos, podem ser controlados.

E que guerras podem ser cavalheirescas, desde que regulamentadas. Um conceito que por pouco não morreu na II Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, as convenções de Genebra, desde a primeira, no século 19, tentam preservar o que, numa guerra, nos distingue de cachorros raivosos. No caso, a hipocrisia é necessária. É outro nome para civilização.

Uma das regras explícitas na atual Convenção de Genebra diz respeito ao tratamento de prisioneiros. O argumento principal de quem defende a repressão e seus excessos durante a ditadura militar no Brasil é que se tratava de uma guerra aberta entre o regime e seus contestadores armados, que sabiam no que estavam se metendo.

Só aos poucos estamos conhecendo as atrocidades cometidas na luta contra a guerrilha no Araguaia, da qual a maioria não sobreviveu e nem seus corpos foram encontrados. Mas, quanto ao que aconteceu nas salas de tortura da repressão, não existem dúvidas ou apenas suposições, está vivo na memória dos torturados e suas famílias.

Foi quando os cães sem controle da guerra estraçalharam o que poderia haver de simples humanidade no tratamento de prisioneiros, ou o simples respeito a regras convencionadas por um Estado civilizado.

Se a discussão entre os que sustentam que salvaram o Brasil com seus excessos e os que querem que o Brasil conheça a verdade enterrada sem lápide daqueles tempos parece um diálogo de surdos, o grande mudo desta história toda é a instituição militar, que nunca fez uma autocrítica consequente, nunca desarquivou voluntariamente seus arquivos ou colaborou nas investigações sobre o passado, o dela e o nosso, para evitar a cobrança atual.

E o que foi feito não era inevitável. Na Itália, por exemplo, na mesma época, o governo enfrentou uma violenta contestação armada sem sacrificar um direito civil, ameaçar uma instituição democrática ou recorrer ao seu próprio terror. Sem, enfim, soltar os cachorros.

A diferença, claro, é que lá era um governo legítimo.

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Vídeo mostra a covardia da PM de SP contra manifestantes



O vídeo acima ilustra a covardia da Polícia Militar de São Paulo durante os protestos contra o aumento das passagens nesta quinta-feira (13/06). Os manifestantes pedem não à violência e a resposta da PM é mais brutalidade e violência.
Uma ação inaceitável em uma democracia. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) deve ser responsabilizado pela brutalidade da ação da PM. A generalização da violência e da repressão policial deixa clara que houve uma orientação de governo pelo uso desproporcional da força, desmentindo qualquer tentativa de culpar os PMs de maneira isolada. Estes é que são os verdadeiros "vândalos"!
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Estatuto do embrião e bolsa estupro: razões para dizer não


Por Lúcio Costa

Em 05 de junho, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 478/2007 que estabelece o Estatuto do Nascituro. Nos termos da proposta é estabelecido que o embrião, chamado na proposta de lei de nascituro, é um ser humano concebido, mas ainda não nascido, aplicando este conceito inclusive a “seres humanos concebidos in vitro”, produzidos por meio de clonagem. Consoante a proposta de lei, todo aquele que causar, culposamente, morte ao embrião/nascituro, poderá ser condenado a pena de um a três anos de prisão.

O projeto proíbe o congelamento, a manipulação ou o uso do nascituro com experimento, com pena de um a três ano de prisão, mais o pagamento de multa. Também poderá ser preso pelo período de um a seis meses aquele que referir-se ao nascituro com palavras ou expressões depreciativas.

Ao partir de uma de compreensão não unânime tanto, nas ciências da saúde quanto, nos terrenos filosófico e religioso, de que o embrião possui status ético, moral e jurídico idêntico ao de ser humano a proposta de lei em questão afronta profundamente o ordenamento jurídico vigente e, particularmente, os direitos garantidos pela Constituição Federal.


Marina Silva sai em defesa de Marcos Feliciano


Por Erick da Silva

O Deputado Marcos Feliciano (PSC), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, uma das figuras que melhor simbolizam o obscurantismo e a imbecilização da política brasileira, recebeu um novo apoio em sua "cruzada": a ex-senadora Marina Silva.

Marina Silva afirmou que " “Não gosto como este debate [sobre legalização do aborto e casamento gay] vem sendo conduzido. Hoje, se tenta eliminar o preconceito contra gays substituindo por um preconceito contra religiosos”, disse a senadora na noite desta terça-feira 14, segundo informações do site do jornal Diário de Pernambuco. “Feliciano está sendo mais hostilizado por ser evangélico que por sua declarações equivocadas.”

Ainda segundo o site do jornal, Marina disse que Feliciano entra neste “jogo de injustiças” e pode se tornar uma das vítimas nesta "inversão de valores". Ela também disse que gostaria de ver um ateu ser julgado pelo que disse e não pelo fato de ser ateu.
Feliciano entra neste “jogo de injustiças” e pode se tornar uma das vítimas nesta inversão de valores, diz Maria Silva em Pernambuco
As declarações de apoio foram feitas durante uma palestra na Universidade Católica de Pernambuco. Atualmente, Marina tem viajado pelo Brasil buscando apoio para formar seu novo partido: a Rede, partido que deve abrigar sua candidatura à Presidência da República em 2014.
Marina Silva defender Marcos Feliciano não me surpreende. Me surpreende é quantidade de pessoas que acreditavam que a Marina não era obscurantista!
O Deputado Marcos Feliciano e Marina Silva, ambos pertencem a mesma igreja evangélica: Assembleia de Deus. Repedidas vezes, Marina Silva declarou ser contrária a temas "polêmicos" como o casamento gay e o aborto, dependendo do publico interlocutor, apelava para subterfúgios de que tais temas deveriam ser colocados em plebiscito. Em essência, guardado os exageros oratórios de Feliciano, a mais semelhanças do que divergências na concepção de mundo de ambos.
Não deixa de ser lamentável, afinal, Marina Silva ao classificar o debate sobre as críticas a Marcos Feliciano como objetos de "preconceito religioso", ao invés de colaborar para uma qualificação do debate sobre os direitos humanos no país, colabora para tornar ainda mais difícil e problemático este debate no Brasil. 
Os representantes da idade média agradecem!

Unicef: "Curtir no Facebook não salva vidas"


Todas e todos já devem ter recebidos mensagens de usuários compartilhando fotos e pedindo que as pessoas curtam uma publicação para apoiar uma causa de direitos humanos.


A Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância –, no entanto, lançou uma campanha ironizando o que muitos chamam de  ”ativismo de sofá” – o ato de demonstrar apoio a uma iniciativa apenas pela internet, sobretudo nas  redes sociais.
A regional sueca do órgão da ONU publicou um vídeo que conta a história de Raim, um garoto de dez anos que mora com seu irmão caçula. Ele diz temer ficar doente da mesma forma que sua mãe ficou – o que o impossibilitaria de cuidar do seu irmão.
Porém, o garoto afirma não se preocupar, uma vez que a página da Unicef sueca no Facebook tem 170 mil ‘curtir’ – podendo chegar a 200 mil em breve. “Então ficaremos bem”, diz o menino.
“Curtir não salva vidas; dinheiro salva”, mostra o letreiro do comercial. A seguir, a organização afirma que com 49 SEK (coroas suecas) – o equivalente a R$ 15 –, é possível vacinar 12 crianças contra a poliomelite, também conhecida como paralisia infantil. É possível fazer doações à campanha pela internet: http://unicef.se/poliovaccin
O site da regional brasileira aponta algumas formas de colaborar com a organização. Veja aqui.

Fonte: Link
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O primeiro embate



Os embates em torno da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara talvez sejam o primeiro capítulo de um novo eixo na política brasileira.

A maneira aguerrida com que o deputado Marco Feliciano e seus correligionários ocupam espaço em uma comissão criada exatamente para nos defender de pessoas como eles mostra a importância que dão para a possibilidade de bloquear os debates a respeito da modernização dos costumes na sociedade brasileira. Pois, tal como seus congêneres norte-americanos, apoiados pelo mesmo círculo de igrejas pentecostais, eles apostam na transformação dos conflitos sobre costumes na pauta política central. Uma aposta assumida como missão.

Durante os últimos anos, o conservadorismo nacional organizou-se politicamente sob a égide do consórcio PSDB-DEM. Havia, no entanto, um problema de base. O eleitor tucano orgânico é alguém conservador na economia, conservador na política, mas que gosta de se ver como liberal nos costumes. Quando o consórcio tentou absorver a pauta do conservadorismo dos costumes (por meio das campanhas de José Serra), a quantidade de curtos-circuitos foi tão grande que o projeto foi abortado. Mesmo lideranças como FHC se mostraram desconfortáveis nesse cenário.

Porém ficava claro, desde então, que havia espaço para uma agremiação triplamente conservadora na política brasileira. Ela teria como alicerce os setores mais reacionários das igrejas, com suas bases populares, podendo se aliar aos interesses do agronegócio, contrariados pelo discurso ecológico das "elites liberais". Tal agremiação irá se formar, cedo ou tarde.

Nesse sentido, o conflito em torno dos direitos dos homossexuais deixou, há muito, de ser algo de interesse restrito. Ele se tornou a ponta de lança de uma profunda discussão a respeito do modelo de sociedade que queremos.

A luta dos homossexuais por respeito e reconhecimento institucional pleno é, atualmente, o setor mais avançado da defesa por uma sociedade radicalmente igualitária e livre da colonização teológica de suas estruturas sociais. Por isso, ela tem a capacidade de recolocar em cena as clivagens que sempre foram o motor dos embates políticos.

A história tem um peculiar jogo por meio do qual ela encarna os processos de transformação global em lutas que, aparentemente, visam apenas a defesa de interesses particulares.

Ao exigir respeito e reconhecimento, os homossexuais fazem mais do que defender seus interesses. Eles confrontam a sociedade com seu núcleo duro de desigualdade e exclusão. Por isso, sua luta pode ter um forte poder indutor de transformações globais.
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Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina


Anunciado hoje (13) como novo papa em uma votação tida como surpreendente, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é investigado dentro de seu país pela colaboração com a ditadura. Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do último regime militar (1976-83).
A participação de Bergoglio no governo responsável pela morte de 30 mil pessoas é antiga e famosa, mas os sinais mais claros surgiram ao longo da última década, quando, após a derrubada de leis que protegiam os repressores do passado, foi possível dar início a julgamentos. O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.
Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida. A causa Esma é uma das principais iniciadas nos últimos anos, e tem resultado em desdobramentos que alcançaram Bergoglio.
Ciente disso, e ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzigner, Bento XVI, Bergoglio encomendou em 2010 uma operação de "limpeza" de seu nome. Segundo reportagem do jornal argentino Página12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979.
Em 2010, juízes do Tribunal Oral Federal número 5 foram até a sede do arcebispado de Buenos Aires tomar o depoimento do cardeal, acusado de trabalhar pelo sequestro e pela tortura de dois jesuítas em 1976. Naquele momento, Bergoglio comandava a Companhia de Jesus em San Miguel, e uma série de testemunhos o conectam ao crime. 
Francisco Jalics e Orlando Yorio, as próprias vítimas do sequestro, acusam Bergoglio de havê-los denunciado, em uma operação policial na qual desapareceram Mónica Candelaria Mignone,María Marta Vázquez Ocampo e Martha Ocampo de Vázquez. Em 2011, o jornalista Horacio Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que corrobora a suspeita. Naquele momento, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de seu passaporte. O informe da chancelaria aponta que Bergoglio apontou que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.
Em 2010, o médico Lorenzo Riquelme, então com 58 anos, declarou que o grupo que o sequestrou e torturou saiu da sede da Companhia de Jesus. Militante da Juventude Peronista e do movimento cristão, Riquelme deu a declaração com base no que foi dito a sua mulher, também raptada. Ela trabalhava no Observatório de Física Cósmica de San Miguel, que passou de um reduto peronista a um lugar de atuação de homens infiltrados da Marinha e sob controle de Bergoglio. 
Mom Debussy, um jesuíta que tinha a confiança de Bergoglio, afirmou que algumas vezes o cardeal lhe contou sobre os projetos de Massera, sempre demonstrando simpatia pelo regime, e que pretendia vender à Marinha o Observatório de Física. Debussy disse ainda que os trabalhadores do Observatório eram demitidos pelo religioso depois de voltar das sessões de tortura.
Outro documento oficial, datado de 1976, narra o que o líder religioso defendeu a comandantes militares. Advogou esclarecer a posição da Igreja Católica, de suporte ao regime, afirmando que “de nenhuma maneira pretendemos formular uma posição de crítica ao governo”, dado que um fracasso “levaria, com muita probabilidade, ao marxismo”. 
Em 2011, veio à tona a possível participação de Bergoglio em um caso de sequestro de bebês, uma prática adotada pelo regime, que executou várias mulheres grávidas ou com filhos pequenos. O Tribunal Oral Federal número 6 convocou o cardeal a depor no processo de Estela de la Cuadra, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio. Segundo Estela, o agora papa tem relevantes informações sobre o desaparecimento de sua sobrinha, Ana, roubada dos braços da mãe em uma delegacia de La Plata, cidade vizinha a Buenos Aires. 
No mesmo ano, a Justiça francesa determinou que o Judiciário argentino tomasse o depoimento de Bergoglio pela suspeita de participação no desaparecimento de um padre francês que morou na Companhia de Jesus. O testemunho de uma monja em 1984 já indicava a relação do então chefe da congregação com o sequestro que resultou nas mortes de Gabriel Longueville e do sacerdote Carlos de Dios Murias.
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10 fatos que todos devem saber sobre a fome



As Nações Unidas publicaram uma lista sobre as 10 coisas que todos devem saber a respeito da fome neste novo ano. Confira abaixo os tópicos compilados pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA):
1. O mundo tem cerca de 870 milhões de pessoas que não têm o necessário para comer para levar uma vida saúdável. Isto significa que uma em cada oito habitantes do globo vai para a cama, todos os dias, passando fome. (Fonte: FAO, 2012)
2. O número de pessoas vivendo com fome crônica baixou para 130 milhões nas últimas duas décadas. Nos países em desenvolvimento, a prevalência da má nutrição caiu de 23,2% para 14,9% no período de 1990-2010. (Fonte: FAO, 2012)
3. A maioria do progresso contra a fome foi alcançado antes de 2007/2008, quando ocorreu a crise econômica global. Desde então, os avanços na redução do problema foram desacelerados e estagnados. (Fonte: FAO, 2012)
4. A fome é o problema número 1 na lista dos 10 maiores riscos de saúde. Ela mata mais pessoas todos os anos que doenças como Aids, malária e tuberculose combinadas. (Fonte: Unaids, 2010. OMS, 2011)
5. A má nutrição está ligada a um terço da morte de crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento. (Fonte: Igme, 2011).
6. Os primeiros mil dias da vida de uma criança, da gravidez aos dois anos de idade, são fundamentais para o combate à má nutrição. Uma dieta apropriada, nesta época da vida, protege os menores de nanismos físico e mental, que podem resultar da má nutrição. (Fonte: Igme, 2011).
7. Custa apenas 25 centavos de dólar americano, por dia, para garantir que uma criança tenha acesso a todos os nutrientes e vitaminas necessários ao crescimento saudável. (Fonte: Igme, 2011)
8. Se mulheres, nas áreas rurais, tiverem o mesmo acesso à terra, à tecnologia, à educação, ao mercado e aos serviços financeiros que os homens têm, o número de pessoas com fome poderia diminuir entre 100 e 150 milhões. (Fonte: FAO, 2011)
9. Até 2050, as mudanças climáticas e os padrões irregulares da temperatura terão colocado mais 24 milhões de pessoas em situação de fome. Quase metade destas crianças estarão vivendo na África Subsaariana. (Fonte: PMA, 2009)
10. A fome é o maior problema solucionável do mundo.
Fonte: Rádio ONU
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