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A quem a história não esqueceu: A Revolta da Chibata



Por Erick da Silva

Em 1910, no dia 22 de novembro daquele ano, após ser dado o toque de recolher, o ataque já estava pronto. Iniciava-se o movimento que entraria para a história como a “Revolta da Chibata”.
Os marinheiros tomaram naquela noite a então poderosa marinha de guerra brasileira e dirigiram os seus canhões contra a capital da república.
O movimento lutava por melhores condições de vida para a categoria. O soldo era muito baixo; as condições de trabalho eram precárias; recebiam alimentação de péssima qualidade, muitas vezes estragada; as mínimas faltas eram castigadas com surras, solitária, ginástica punitiva. Em plena República, 22 anos após a abolição da escravatura, a punição física pela chibata ainda era realidade. Práticas discriminatórias eram correntes, os oficiais orgulhavam-se de seus “sangues limpos” e desprezavam os marujos, que eram em sua quase totalidade formada por negros e mulatos.

A distopia reacionária da redução da maioridade penal


Por Erick da Silva

Um dos sonhos de todo reacionário brasileiro (mas não somente) é a redução da maioridade penal, que deverá em breve ser votada no congresso nacional comandado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Os argumentos favoráveis em torno desta proposta são, em geral, permeados por uma boa dose de preconceito social e ausência de dados empíricos.

Não importa se 10 em cada 10 especialistas afirmem que tal medida em nada melhoraria o quadro da segurança pública no país. Para estes "nobres" deputados e deputadas favoráveis a redução da maioridade penal dos atuais 18 anos para 16, o que importa é dar "uma resposta para a sociedade". Mesmo que ela não passe de um embuste.

O "distritão" de Cunha e PMDB é derrotado! Vitória da democracia!


A proposta do "distritão", apresentada a "forceps" pelo presidente da Câmara dos deputados Eduardo Cunha e apoiada pelo PMDB e sua coalizão do atraso foi derrotada nesta terça-feira!

A votação foi de  267 a 210.

Uma inegável vitória da democracia!

Esta é a primeira grande derrota do "centrão" de Cunha e cia desde o ascenso conservador.

Ainda que não tenhamos conseguido, neste momento aprovar alguma mudança no sistema eleitoral, permeado por problemas, como a força do poder econômico nas campanhas através do financiamento privado, aprovar o distritão seria um retrocesso sem precedentes.

Infelizmente, cabe registrar que o governo Dilma perdeu uma boa oportunidade de protagonizar uma disputa política sob uma perspectiva de uma agenda de esquerda. Preferiu acompanhar a distância, evitando um novo desgaste frente uma possível nova derrota.

São opções políticas, questionáveis, mas ainda sim...isso é um fato menor, as vezes, impedir um retrocesso de grandes proporções é tão importante quanto conquistar avanços. A derrota do distritão é um destes casos.
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Antonio Prata - O último a sair, acende um baseado


Por Antonio Prata

Desde os longínquos anos oitenta do século passado, quando perigava do Lula ganhar as eleições presidenciais, a direita brasileira ameaça deixar o país. Segundo apregoava o então presidente da Fiesp, Mario Amato, em caso de uma vitória petista, 800 mil empresários picariam a mula: "O último a sair, por favor, apague a luz do aeroporto", teria dito.
Neste segundo mandato de Dilma Rousseff, o projeto da diá$pora voltou com tudo. Pelo que leio e ouço por aí, tem mais rico brasileiro se mudando pra Miami, hoje, do que turista japonês tirando foto da Mona Lisa no Louvre.

Como diria Lenin, "Que fazer?"


Por Erick da Silva

Vivemos tempos defensivos e de resistência, onde a ofensiva conservadora mostra-se despudorada em atacar direitos trabalhistas; onde um juizinho irrelevante do Paraná converte-se em o novo "paladino da justiça e da moral" nacional (ao arrepio da constituição); onde reaças vão as ruas bradar apelos a golpes de estado e a supressão de direitos sem nenhum constrangimento; onde o nosso imperfeito sistema eleitoral poderá vir a se tornar ainda pior, caso a reforma do PMDB seja aprovada; entre tantas outras nuvens que pairam no céu com sua trovoada anti-popular.

Nestes tempos turvos, por ocasião do aniversário de nascimento do revolucionário russo V.I. Lenin neste último dia 22 de abril, de forma retórica, me ocorre a velha pergunta: que fazer?


Raul Pont: A terceirização do trabalho e a volta ao século XIX


Por Raul Pont
Sob o comando do deputado federal Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, o PMDB junto com o centrão e a direita neoliberal (PSDB, DEM, PPS, PP, PTB, PDT, PSD, SDD e outros) cometeram o maior ataque as conquistas históricas dos trabalhadores desde a criação da Consolidação das leis do Trabalho (CLT) dos anos 40.
O Projeto de Lei nº 4.330/04 circulava no congresso há uma década, portanto, não era nenhuma matéria urgente, que comprometesse pauta ou era exigida pelo governo. De origem neoliberal, seu autor foi Sandro Mabel (PMDB). Tinha agora como relator o deputado Arthur Maia (SDD/BA), partido do deputado Paulinho, da Força Sindical. O sindicalismo amarelo praticado por essa corrente é totalmente dependente do capital. Programática e ideologicamente, defendem os empresários mais que aos trabalhadores. Marcharam com os tucanos votando em Aécio Neves e votaram agora pela terceirização.

Trabalhadores agredidos em frente ao congresso em mais um capítulo da ofensiva conservadora de Eduardo Cunha


Por Erick da Silva

Esta terça-feira (07/04) marcou mais um capítulo da ofensiva conservadora capitaneada pelo presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Trabalhadores ligados a diversos sindicatos e movimentos protestavam pacificamente contra a aprovação do PL 4330, que trata da terceirização, foram impedidos de ingressar nas galerias da Câmara. Não bastasse a questionável e absurda decisão de impedir o ingresso de trabalhadores nas dependências de um espaço que supõe-se democrático - a casa dos representantes eleitos pelo povo brasileiro -  a Polícia Militar do Distrito Federal usou de violência desproporcional contra os sindicalistas.

Mãe, vem cá, por que eu sou de direita?


Uma amostragem sobre o perfil da turma que foi as ruas no dia 15 de março...

Os 10 melhores momentos da direita brasileira em 2014


A revista Fórum fez um ótimo compilado dos 10 melhores momentos da direita brasileira em 2014.
Foi uma tarefa difícil. Não pela escassez de material, mas por ter que eleger apenas dez momentos em que um setor indignado da população demonstrou todo seu conhecimento histórico (como reclamar do Brasil enviando dinheiro para a União Soviética em pleno século 21) ou toda sua coerência (como gritar a plenos pulmões, no Largo da Batata, em São Paulo, que não tinha liberdade de expressão).
Confira abaixo nossa seleção:

O que pode ser pior que o Bolsonaro?


Sempre me questionei qual o limite para o discurso de ódio que tem ganhado força neste último período. A fala do Deputado Bolsonaro evocando a prática do estupro demonstrou que não existe tal limite.

O fundo do poço sempre pode ser mais fundo!

A irracionalidade da extrema-direita está pronta para defender o indefensável para além do humanamente aceitável.

Lobão "Cadê o Aécio?" ou o retrato da direita delirante brasileira




Por Erick da Silva

O ex-cantor Lobão perguntando "Cadê o Aécio?", durante protesto contra a Dilma, é um dos momentos antológicos que retratam a atual direita delirante brasileira.

Para quem ainda não sabe, neste último sábado (06/12), foi convocado pela internet um protesto na Av.Paulista em defesa de um golpe contra a Dilma. Chamado por movimentos como Movimento Brasil Livre, Vem Para a Rua e Movimento Brasileiro de Resistência, a divulgação da manifestação contou com a participação de políticos de oposição como os senadores Aécio Neves
e José Serra, e do deputado José Aníbal. Este envolvimento, levava a crer que o PSDB estaria jogando toda sua força para impulsionar um movimento pela ruptura institucional do país e a derrubada da presidenta reeleita,

Thomas Piketty: O capital segundo Carlos Fuentes



Por Thomas Piketty

Em 1865, Karl Marx afirmou que foi com a leitura de Balzac que ele mais aprendeu sobre o capitalismo e o poder do dinheiro. Em 2014, tenderíamos a dizer o mesmo: basta substituir os autores e os países. Em A Vontade e a Fortuna, um magnífico afresco publicado em 2008, poucos anos antes de sua morte, Carlos Fuentes pinta um retrato edificante do capitalismo mexicano e das violências sociais e econômicas enfrentadas por seu país, a ponto de se tornar anarconação que hoje estampa as primeiras páginas dos jornais.
Também nos deparamos com personagens pitorescos, como um presidente que adota um estilo Coca-Cola de comunicação e que, afinal de contas, não é mais do que um patético inquilino do poder diante daquele, eterno, do capital, representado por um multimilionário todo-poderoso que se parece muito com o magnata das telecomunicações Carlos Slim, dono da maior fortuna do mundo. Os jovens do livro hesitam entre a resignação, o sexo e a revolução. Terminarão sendo assassinados por uma mulher bonita e ambiciosa que quer a herança deles e que não precisa da ajuda de um Vautrin para cometer seu crime, numa prova clara de que o nível de violência aumentou desde 1820. A transmissão patrimonial – objeto de desejo para todos os que estão à margem do círculo familiar privilegiado, e ao mesmo tempo uma força destrutiva da personalidade individual para todos os que pertencem a ele – se encontra no cerne da reflexão do romancista.

Dez anos sem Celso Furtado


A reformas estruturais e institucionais profundas que defendia o economista para que o País sustentasse o processo de desenvolvimento continuam bastante atuais, ainda que as conquistas sociais tenham avançado nos últimos anos

Por Fernanda Graziella Cardoso e Cristina Fróes de Borja Reis

Dia 20 de novembro de 2014 demarca uma década do falecimento de Celso Furtado. Nordestino, nascido na cidade paraibana de Pombal no ano de 1920, Furtado não foi apenas um economista teórico: participou ativa e diretamente na esfera pública.

Como mentor e superintendente da SUDENE (1958-1964), consubstanciou a preocupação específica que Furtado apresentava com relação à sua região de origem. Foi Ministro em duas ocasiões – Planejamento (1962-1963), quando elabora o Plano Trienal que previa algumas reformas de base (bancária, administrativa, fiscal e agrária, dentre outras), e Cultura (1986-1988) -, além de ter, ao lado de Raúl Prebisch, desempenhado papel central na Cepal, onde foi diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico (1949-1957).

Sua vasta obra – mais de 30 livros, publicados em mais de uma dezena de idiomas – contempla tanto temas gerais de caráter mais teórico-metodológico relativos ao desenvolvimento socioeconômico, quanto análises específicas sobre a trajetória de formação histórica e econômica das nações latino-americanas, com destaque para o Brasil.

Emir Sader: Cadê a análise autocrítica da esquerda?


Por Emir Sader

Em meio a sofrida vitória da Dilma, a esquerda sofreu duros reveses. A própria vitória apertada é um chamado de atenção, que tem que recair sobretudo na falta de democratização dos meios de comunicação, erro fundamental do governo, que quase leva ao fim do ciclo de governos progressistas no Brasil.

Mas a seu lado há outros reveses significativos, como o de um Congresso mais conservador, de diminuição das bancadas da esquerda – do PT mas, pior ainda, a queda de 50% da bancada do PCdoB -, com a derrota de muitos importantes parlamentares de esquerda. Por mais que o financiamento privado das campanhas pese, ele teve o mesmo efeito da eleição anterior, mas o resultado é claramente pior, revelando uma perda de representatividade dos parlamentares da esquerda, como resultado do desgaste das campanhas da mídia, mas também de um  desempenho pioro do que o que existia anteriormente na defesa das grandes causas populares.

Dandara, descrita como a heroína mulher de Zumbi, tem biografia cercada de incertezas


via IHU

No dia em que Zumbi teve a cabeça degolada num golpe à resistência negra, um ano e nove meses já teriam transcorrido desde a morte igualmente trágica da face feminina do Quilombo de Palmares, Dandara. Se o herói palmarino hoje é celebrado com o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, próxima quintafeira, a história da figura apontada como sua mulher permanece cercada de incertezas, com escassos registros historiográficos.

Relatos dão conta de que a vida de Dandara teve fim em fevereiro de 1694. Ela teria se jogado de uma pedreira ao abismo: uma decisão extrema para não se entregar às forças militares que subjugaram o quilombo, onde chegaram a viver 30 mil pessoas distribuídas em aldeias.

Do Batman do Leblon ao Estadão: golpistas mostram as suas armas


Por Erick da Silva

15 de novembro, dia da Proclamação da República, foi "simbolicamente" escolhido por grupos e setores contrários a reeleição de Dilma para irem as ruas pedirem, entre outras coisas, o impeachment da presidenta e uma "intervenção militar".

A toada destas manifestações seguiu-se muito similar as que ocorreram na semana seguinte ao segundo turno, com a sensível diferença de uma radicalização ainda maior dos participantes, seja pelo apelo mais explicito por um retorno a ditadura militar ou ainda pelos tristes incidentes de violência registrados contra pessoas que "ousaram" demonstrar sua contrariedade as proposições dos manifestantes.

País sofre déficit de democracia e de respeito a diversidade


Por Laurindo Leal Filho


A angústia que tomou conta dos eleitores de Dilma Rousseff ao final da tarde de domingo, 26 de outubro, poderia ter sido evitada. A margem tão estreita de votos obtida pela presidenta diante de um candidato fraco, dono de um currículo de realizações paupérrimo e com propostas voltadas para o retrocesso, só foi possível graças ao trabalho intenso desenvolvido pelos meios comunicação. Sem essa interferência, a disputa poderia ter sido decidida no primeiro turno. A escalada intensificou- -se às vésperas do segundo, e ganhou ares de guerra nos três dias que antecederam a eleição final, chegando ao ápice entre a noite de sábado e o domingo, depois da divulgação das últimas pesquisas. Assim se explica o estreitamento da margem de votos entre os dois candidatos verificado nas urnas em relação ao que anunciavam os institutos de pesquisa. Os quatro ou seis pontos previstos foram reduzidos ao final para 3,2.

PSDB estaria apoiando as marchas golpistas? Parece que sim...




Por Erick da Silva

Algumas centenas de pessoas protestaram nas ruas de cidades como São Paulo, Porto Alegre e Brasília neste último sábado (01/11) para pedir o impeachment da presidenta Dilma e combater a "ditadura do PT". Não faltaram nestes atos as chamadas "viúvas da ditadura" pedindo o retorno de uma ditadura militar.

Em 2013 tivemos tentativas similares, com resultados igualmente patéticos no que diz respeito a adesão popular a estas marchas em favor da ditadura.

A novidade é que estes protestos de extrema-direta foram inflados pelo arroubo tucano desta semana em questionar a legitimidade das últimas eleições. Em "defesa da democracia", estes proto-fascistas propõem qual solução? Uma ditadura militar!

Tarso Genro: Desprestígio da Política - A necessidade da Reforma Política


Por Tarso Genro

Este não é um texto de reflexão sobre as eleições no RS, que, como já afirmei  - mesmo com as imperfeições do sistema político atual -  teve resultados que dão legitimidade suficiente ao Governador eleito, para governar e aplicar suas propostas nos próximos quatro anos. Pretendo, com ele,  apenas adiantar alguns argumentos para motivar todos os  que, independentemente de partidos, querem algo mais da democracia brasileira, para dar qualidade à esfera da política e recuperar uma autenticidade mínima  das representações partidárias.

A Presidenta nem assumiu o seu segundo Governo e um dos principais partidos de sustentação do seu mandato, que tem   - nada mais menos do que o Vice-Presidente da República-   já se prepara para bloquear as iniciativas governamentais e promover disputa interna,  para colocar na Presidência da Câmara  -o terceiro posto na ordem da sucessão presidencial-  um líder  do Partido que é governo, mas que apoiou  -nas eleições presidenciais-  o candidato da oposição, Aécio Neves.

Contrário a qualquer mudança, Câmara derruba decreto de Participação Social


Por Erick da Silva

Mudança, como bem apontou a presidenta Dilma Rousseff, foi durante estas eleições "a palavra mais repetida, mais dita, mais falada, mais dominante foi mudança", no entanto, passadas pouco mais de 48hs do resultado do 2º turno, essa turma sorridente aí na foto aprovou por maioria a derrubada na Câmara do decreto presidencial de Participação Social.

Este episódio mostra mais uma vez que o atual - e provavelmente o futuro - Congresso são contrários a qualquer mudança política no país. Seguem a máxima de Lampedusa: mudanças somente se forem para continuar tudo exatamente como está.