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Movimentos nas ruas contra o genocídio do povo negro


Por Oro Mendes

No início do mês de novembro, a Anistia Internacional divulgou um estudo que apresentava dados alarmantes sobre a situação da população jovem e negra no Brasil: segundo o relatório intitulado Mapa da Violência, 83 pessoas negras são assassinadas por dia. Este número representa 2.500 mortes por mês e chega a 30 mil homicídios por ano, configurando um verdadeiro genocídio da população negra, na opinião da própria organização e de diversos setores dos movimentos sociais.

Para denunciar este genocídio, diversas cidades brasileiras organizaram-se e saíram em marcha pelas ruas no dia 20 de novembro, o chamado dia da Consciência Negra, em que se faz referência a um dos heróis da luta e da resistência negra: Zumbi dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695.

Neste contexto, em Porto Alegre foi organizada a I Marcha Zumbi dos Palmares Independente, Classista e de Luta: Contra o Racismo e pela Reparação. A atividade foi convocada por diversas organizações, coletivos, sindicatos e movimentos sociais da cidade e foi articulada através do Comitê de Porto Alegre Contra o Genocídio da População Negra.

Dandara, descrita como a heroína mulher de Zumbi, tem biografia cercada de incertezas


via IHU

No dia em que Zumbi teve a cabeça degolada num golpe à resistência negra, um ano e nove meses já teriam transcorrido desde a morte igualmente trágica da face feminina do Quilombo de Palmares, Dandara. Se o herói palmarino hoje é celebrado com o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, próxima quintafeira, a história da figura apontada como sua mulher permanece cercada de incertezas, com escassos registros historiográficos.

Relatos dão conta de que a vida de Dandara teve fim em fevereiro de 1694. Ela teria se jogado de uma pedreira ao abismo: uma decisão extrema para não se entregar às forças militares que subjugaram o quilombo, onde chegaram a viver 30 mil pessoas distribuídas em aldeias.

A invenção de Zumbi



Sou de uma geração de crianças negras que cresceu ouvindo dizer que Zumbi era um fantasma sem beira nem eira, doido perambulando pelas encruzilhadas assombrando como alma penada. O nome de Zumbi sempre foi identificado, associado como negro à imagem do diabo, do pecado. Ao contrário da representação imagética ''dócil'' de Negrinho do Pastoreio ou mágico do mito mutilado (sem uma perna) Saci Pererê.

O Aurelião já registra o Zumbi, chefe do Quilombo dos Palmares, assim como acrescenta ao verbete a idéia ''de fantasma segundo a crença afro- brasileira, vaga pela noite morta''. O significado negativo se institucionalizou não apenas graças aos dicionários, mas, principalmente, aos instrumentos educativos e meios de comunicação.