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Compartilhar conteúdo que você não gosta, mesmo que para criticar, legitima o veículo


Compartilhar para falar mal. Apenas parem

Por Lino Bocchini 

“Que capa absurda! Vou denunciar pra todo mundo que a revista X é mentirosa!”

“Ridícula essa reportagem da Tv Y, é muito tendenciosa! Vou descer o pau!”

“Esse colunista fulano é um imbecil! Vou acabar com ele no meu perfil!”

Pode apostar: a revista X, a Tv Y e o colunista fulano agradecem de coração a sua divulgação. Graças a atitudes assim eles seguem firmes no centro do debate. Tanto faz se quem divulgou os aprova ou critica. A cada clique no “compartilhar” do Facebook eles pautam mais gente, inclusive você e a sua rede de conhecidos.

A força da internet nas eleições


Por Altamiro Borges

Três pesquisas recentes confirmam que a internet, com seus sites, blogs e redes sociais, deverá jogar um papel decisivo nas eleições deste ano. O Instituto Reuters de Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford (Inglaterra), publicou no início de junho o seu terceiro relatório anual sobre notícias digitais (“Digital News Report-2014”). Feito a partir de entrevistas com 18 mil pessoas em dez países (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Finlândia, Espanha, Dinamarca, Itália, Japão e Brasil), ele revela que o nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial no uso dos meios digitais. Segundo a pesquisa, 87% dos brasileiros conectados à internet têm interesse por notícias de cunho jornalístico.

Outro estudo, divulgado em maio, aponta que os blogs brasileiros já ocupam o segundo lugar no ranking mundial de alcance, só perdendo para o Japão. A pesquisa da ComScore traz estatísticas atualizadas sobre a rede no Brasil, com dados comparativos para a América Latina e o mundo. Os números comprovam que o país é um dos mais entusiasmados com a internet. Entre outros dados, a pesquisa mostra que os brasileiros seguem liderando o engajamento online, com usuários que navegam 29,7 horas por mês, sete horas a mais do que a média mundial; que a audiência cresce em média 11% ao ano; e que uma parte da publicidade, mesmo que ainda pequena, passa a ser deslocar para os meios digitais.

O Facebook ensaia a manipulação de mentes


Sem consentimento dos usuários, rede testa meios de torná-los “felizes” ou “coléricos” e desencadeia onda de temor sobre controle social e político.

Por Robert Booth

Ele já sabe se você está solteiro ou em um relacionamento; a primeira escola onde estudou;  se ama ou odeia Justin Bieber. Mas agora o Facebook, a maior rede social do mundo, está enfrentando uma tempestade de protestos ao se revelar que descobriu como fazer usuários se sentirem mais tristes ou felizes, com apenas alguns toques no teclado.
O Facebook acaba de publicar detalhes de um amplo expermiento, no qual manipulou informações postadas nas páginas de 689 mil usuários, e descobriu que poderia fazê-los sentir-se mais positivos ou negativos, por meio de um processo de “contágio emocional”.

Uma lunática criatura do mundo virtual


Estranhas criaturas habitam os subterrâneos da internet. Criaturas que usam a internet como uma espécie de refúgio para dar vazão a todo o tipo de sociopatia e transtornos psíquicos. Muitos o fazem na esperança de encontrar audiência para as suas ideias e com isso difundir - ainda que residualmente - junto a outras pessoas suscetíveis a elas.

São "criaturas virtuais" porque seus discursos não guardam, necessariamente, nenhuma relação com o "mundo real" e tampouco conseguem influenciar qualquer coisa para além de um pequeno grupo de pessoas no ambiente virtual, sem consequência alguma no mundo real das pessoas.

No Facebook me deparei com uma dessas curiosas "criaturas virtuais". Através de um vídeo, buscava "alertar" os internautas para uma tentativa, em curso pelo PT, de "preparar um golpe comunista contra os brasileiros" (Sic).

No vídeo, os argumentos delirantes são enfileirados, sem nenhum dado concreto sobre o tal "golpe do PT", que segundo ele, acabaria com a democracia. A solução proposta é uma bela demonstração dessa esquizofrenia delirante presente em muitas destas "criaturas virtuais": para salvar a democracia, acaba-se com a democracia através de um golpe para "derrubar o PT"!

Numa tentativa de entender da onde partiu esse raciocínio e buscar alguma plausibilidade para seus argumentos, este blogueiro chegou a seguinte conclusão: o lunático deve ter encontrado o evento no Facebook "Golpe Comunista 2014 no Brasil! Os reaçinha Piram!", onde ao se deparar com as mais de 70 mil pessoas confirmadas no evento entrou em pânico!

Será que adiantaria avisar o sujeito que tudo não passa de uma bem bolada sátira? Tenho minhas dúvidas...


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Uma imagem mente mais do que mil palavras


Por Rafael Chacón



“Covardes! Por que não publicam isso?...e na continuação encontrávamos uma imagem de umas urnas de votação sendo queimadas que “comprovavam a fraude eleitoral na Venezuela” e que circularam à exaustão nas redes sociais. 

Dizem que uma imagem pode ser mais explícita que qualquer texto que se publique sobre um fato qualquer. Sim, é certo. Mas isso só vale se a imagem é verídica, se ela retrata um fato real.
Através de nossa página (da BBC) no Facebook , muitos de nossos seguidores compartilharam essas fotos e vídeos conosco, pedindo que os publicássemos para mostrar “a verdade” das eleições na Venezuela. O mesmo ocorreu no Twitter.

Inclusive, quando meu colega Alfredo Ochoa, neste mesmo espaço, escrevia sobre os desafios de cobrir eleições como as venezuelanas, onde a polarização é muito elevada, um dos comentários não só exigia que publicássemos tais fotos, como também nos acusava de receber dinheiro do governo da Venezuela por não fazê-lo.

Exemplo de imagem inverídica que circularam na rede sobre as eleições venezuelanas

No entanto, descobriu-se que essas fotos eram de processos eleitorais anteriores e não lançavam luz sobre um fato já por si bastante complicado e que ainda estava sob questionamento. A polêmica inclusive não terminou.

Mas o risco de “mentir mais do que mil palavras” vai mais além da Venezuela. Também tem a ver com o caso de Boston, onde a informação que circulou por redes sociais chegou inclusive a confundir as autoridades e os meios de comunicação.

Diante de fatos assim, totalmente inesperados, no passado nos encontrávamos ante um vazio de informação. Mas hoje em dia, graças à tecnologia e aos chamados telefones inteligentes, um caudal de relatos, fotos e vídeos se encontra potencialmente à mão de qualquer um. Especialmente depois da maratona de Boston.

Pensemos. Na linha de chegada havia milhares de espectadores com suas câmeras e celulares na mão, sem falar da quantidade de jornalistas que estavam ali cobrindo o evento desportivo. O que ocorreu na maratona de Boston pode ser considerado como um exemplo típico de como uma audiência massiva pode participar da cobertura jornalística por meio das redes sociais.

No entanto, na hora da investigação policial, o que poderia ser visto como uma vantagem, terminou sendo um obstáculo. Alguns sites de notícias, mesmo nos Estados Unidos, transmitiram informação que resultou ser falsa.

Recentemente escutei na rádio a Jamie Bartlett, encarregado de redes sociais da ONG Demos, do Reino unido. Em uma entrevista à BBC, ele dizia que na atualidade observar o que se compartilha nas redes sociais pode ser considerado como um novo ramo de inteligência, que as autoridades podem utilizar para obter informações valiosas. No entanto, Barlett esclarece que isso requer novas ferramentas, técnicas e sistemas para poder filtrar a informação que pode chegar a ser verdadeiramente útil. “Só porque algo foi retuitado um milhão de vezes, não significa que seja a verdade”, dizia o especialista no Today Programme, da Rádio 4.

O mesmo ocorre no jornalismo e esse é um desafio constante que temos, tanto na BBC Mundo, como no resto na BBC. Isso me assegurou Trushar Barot, editor de UGC (User Generated Content), o departamento central da BBC que trabalha verificando o conteúdo gerado por usuários. Ao conversar sobre este tema perguntei a ele como procedia. Seu conselho, depois de lidar durante anos com as imagens vindas de nossa audiência, é ser sempre cético. Sempre.

Há sinais para comprovar a autenticidade de uma imagem. O primeiro é estabelecer o que se conhece a respeito de um fato, a partir dos relatos de nossos correspondentes no terreno ou outras agências de notícias, e, sobre essa base, começar a julgar. Por exemplo, podemos verificar se o clima nessa parte do mundo corresponde ao que se vê na fotografia, ou se não há algum outro elemento na imagem que salte à vista. Ou, por meio de outros procedimentos técnicos sobre os quais não quero aborrecê-los, comprovar se essa imagem foi manipulada ou publicada previamente em outro contexto e qual é sua antiguidade. O importante aqui é reiterar a necessidade da cautela e verificar os fatos.

Há um risco muito grande em nosso trabalho: desinformar ao invés de informar, oferecendo dados errados. Um risco que se repete perante fatos noticiosos muito grandes, em relação aos quais, seja por engano ou por má fé, em muitos casos, as imagens compartilhadas em redes sociais pelo público em geral não correspondem à realidade.

Muitos acreditam que, no futuro, as redes sociais substituirão o trabalho jornalístico. Eu não estou muito seguro. De fato, não acredito nisso. O que vocês pensam?

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No Brasil, mulher é condenada por fingir orgasmos



O fato de uma mulher ser condenada, em primeira estância, por um comentário publicado em uma rede social, demonstra o quão setores do judiciário brasileiro estão descolados da realidade, produzindo situações que beiram o ridículo.
A publicitária Mara Rocha, de 23 anos, recebeu a condenação em primeira instância por simular orgasmos. O autor do processo disse que teve sua honra ferida após sua ex-mulher ter publicado em uma rede social o seguinte: "Fingir orgasmos... quem nunca?".
Depois da postagem, o caso repercutiu no círculo de amizades dos dois. Ao cobrar explicações de Mara, Carlos Cavalcanti, de 43 anos, recebeu a seguinte resposta: "Não citei nomes, mas se a carapuça serviu, fique à vontade". Após isso, a publicitária ainda provocou o ex-marido: "O infeliz ao invés de ficar tentando satisfazer seu ego deveria é aprender a satisfazer uma mulher na cama".
O juiz Antonio Ribeiro Rocha, do 2º Juizado Cível de Vitória, aceitou a denúncia por difamação e calúnia, condenando Mara a indenizar o ex-marido em dez salários mínimos.
"Ele é tão consciente de sua incapacidade que só me processou por injúria e difamação, porque calúnia ele sabe que não é", provocou a moça novamente.

O judiciário brasileiro dá mais um exemplo de seu machismo empedernido que assola muitas de suas decisões.

Com informações de: JusBrasil

A fobia de internet da direita brasileira


Por Erick da Silva

Cada vez mais se escancará a verdadeira fobia que a internet provoca na direita brasileira. A direita sempre gozou de um amplo apoio e amparo da grande mídia empresarial para lhe dar sustentação e garantir que suas opiniões fossem "vendidas" como "verdades hegemônicas", sem espaço para o contraditório e o livre debate democrático.
A crescente expansão e disseminação de conteúdos através das ferramentas na internet (blogs, redes sociais, etc) tem gradualmente rompido com este exclusivismo da velha mídia sobre a informação. Isto tem sido motivo de verdadeiro pânico para a direita brasileira, prova disto é a representação feita pelo PSDB nacional na Procuradoria Geral Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF) pela qual pede investigação sobre o patrocínio de empresas públicas (como a Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc) a sites e blogs progressistas e independentes.
A ação do PSDB é meramente intimidatória, tentando de alguma forma silenciar algumas vozes dissonantes, na vã tentativa de silenciar a rede. Não se trata de questionar o uso de recursos públicos federais em publicidade e propaganda. Se ela realmente buscasse isso seriamente, haveria de tratar do conjunto: quais são os gastos de governos federal, estaduais e municipais com propaganda? Quanto recebem a Globo, a Veja, a Folha e o Estadão proporcionalmente? Qual o motivo desta representação se destinar a apenas alguns blogs, esquecendo de outros que também recebem patrocínio publicitário? Os governos não poderiam reduzir estes custos investindo mais na internet, por exemplo, dada a crescente capacidade de disseminação de informações através das redes sociais? 
Serra reunido com o CEO do Twitter Shailesh Rao 
A "webfobia" da direita, comandada pelo PSDB, não se restringe apenas a blogosfera, José Serra se reuniu com o vice-presidente do Twitter Shailesh Rao. O conteúdo da reunião não foi divulgado, mas coincide com dois fatos recentes (a foto de Serra caindo de Skate e suas possíveis ligações com o esquema de Cachoeira) que podem revelar uma tentativa, desesperada, de Serra de tentar censurar a internet.
Nas eleições de 2010, Serra viu sua  farsa da bolinha de papel ser desmontada pela internet, impedindo sua tentativa de ganhar as eleições através de um golpe midiático. Naquela oportunidade, assim como em tantas outras, o que imperou não foi um "comando central" que determinou que miliares de internautas se manifestassem contrários a manipulação da "bolinha de papel", mas sim a própria dinâmica da internet. Como bem apontou Luiz Carlos Azenha, a dinâmica da rede é horizontal, "Não é estruturado hierarquicamente. Não obedece a comandos. O valor das opiniões não está na autoridade, nem no currículo, nem no status do autor: deriva da qualidade, da lógica, da originalidade da argumentação. Deriva da capacidade de apontar algo que outros não notaram. De desvendar conexões encobertas. De colocar fatos em perspectiva histórica. De ajudar a concatenar e, portanto, fixar ideias que circulavam desconexas no 'inconsciente coletivo digital'. Simplificando, quando a piada é boa ganha o mundo."
Exemplificando, não foi nenhum "blogueiro petista" que inventou o tombo de Serra. Podemos até acreditar que a foto foi feita em um momento autêntico de descontração, mas ela ganhou a repercussão que teve por  cristalizar a imagem de um candidato tentando parecer o que não é: jovem.
A rede não pode ser silenciada ou manipulada. Sua dinâmica própria e horizontal, com todas as suas limitações, não é passível de ser intimidada por Serra, PSDB e o conjunto da direita brasileira. O que fica evidente neste conjunto de fatos é que a direita não entende a internet, não compreende como se constitui a "esfera pública" da rede. As suas velhas maneiras de manipular a informação hoje encontram-se fragilizadas e com menor menor força. Enquanto a direita permanece presa a esta lógica superada, a rede, mais uma vez, deverá se impor. Para o pânico da direita brasileira.
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80% dos usuários do Facebook ignoram publicidade na rede social



Um estudo realizado pela Reuters/Ipsos, empresa global de pesquisas, indica que 4 em 5 usuários do Facebook não compram os produtos em anúncios ou comentários colocados na rede social.
Entre os 900 milhões de usuários identificados, 80% deles ignoram os anúncios publicitários e não aderem às sugestões que circulam na rede, aponta a pesquisa. A empresa fundada pelo americano Mark Zuckerberg sofreu uma queda de 29% na bolsa desde o mês passado.
44% dos usuários ainda afirmam ter uma opinião negativa sobre a empresa desde sua entrada nas Bolsas de Valores, e 34% dizem passar menos tempo agora na rede social. A pesquisa ainda reforça que publicidade via email é mais efetiva que no Facebook.
Uma possível comprovação destes dados constatados foi a notícia de que a General Motors, uma das maiores montadoras automobilísticas do mundo, iria retirar seus anúncios do Facebook, que custavam 10 milhões de dólares a empresa (aproximadamente R$ 20.300 milhões).
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Como seria o fim do Facebook?



O Facebook além de ser a maior rede social do mundo, paulatinamente tem absorvido cada vez mais tempo dos internautas na rede, tendo a sua própria privacidade cada vez mais dilatada e "invadida", e o que é mais paradoxal: de forma voluntária pelos usuários do Facebook.
Este vídeo faz uma ótima paródia para imaginarmos o impacto que teria sobre muitas pessoas o fim repentino do Facebook.
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Facebook rastreia usuários até quando estão fora da rede



A maior rede social do mundo liga mais de meio bilhão de pessoas. Isso permite comunicações e compartilhamentos em vários níveis, que vão desde pequenos arquivos até grandes obras, vídeos e outros materiais de interesse comum. Você já deve saber que essa rede é o Facebook, mas você acha que ele é tão seguro quanto imaginamos?

Nas últimas semanas, várias denúncias surgiram, todas afirmando que os dados pessoais armazenados nos servidores do Facebook vão muito além do que pode ser considerado respeitoso à privacidade dos usuários. Há informações, inclusive, que afirmam que mesmo depois de deletar a conta, os ex-cadastrados continuam tendo os movimentos registrados. Mas como o Facebook faz esse rastreio?

Assim como grande parte dos sites da internet, o Facebook instala cookies no seu computador. Eles são responsáveis pelo armazenamento de uma série de informações de navegação e, o principal, são utilizados para enviar estes mesmos dados até servidores remotos.

E é com base nesses cookies que as denúncias de que o Facebook estaria rastreando seus usuários surgiram. Segundo o USA Today, a rede social estaria quebrando as regras de privacidade em três níveis:

Conectado: assim que você se loga nos servidores, um cookie de sessão e um cookie de navegação são instalados no navegador. Eles são responsáveis pela medição de tempo de permanência na página, além de localizar IP, resolução e várias outras informações técnicas. Além disso, todas as vezes que você clicar em "Curtir", preferências de usuário serão salvas.

Desconectado: quando você está navegando em outras páginas ou se está visitando o Facebook, sem estar logado na rede social, apenas o cookie de navegação é instalado. Porém, todos os itens citados anteriormente continuam sendo informados ao servidor, incluindo seu IP e seu tempo de permanência.

Após encerrar as atividades do Facebook: denúncias de um grupo alemão apontam para o fato de que, até mesmo após deletar a conta na rede social, os usuários continuam sendo rastreados. Isso significa que dados de navegação continuam sendo recebidos pelos servidores de Zuckerberg.

De onde vêm as denúncias?

A fonte principal das acusações é a ACLU (União pela Liberdade Civil Americana, uma organização independente dos EUA), que afirma categoricamente: "A rede social está seguindo você". Foi ela que entrou em contato com o órgão governamental FTC (Comissão Federal do Comércio, também dos EUA), com as denúncias de que o Facebook estava roubando informações.

O que a ACLU pede é que uma ferramenta chamada Do not track (Não rastreie) seja instalada no Facebook. Com ela, os usuários poderiam decidir se desejam ter suas informações de navegação rastreadas e enviadas para a rede social e seus parceiros. O próximo passo, caso a FTC endosse as denúncias, será levar os pedidos até o congresso norte-americano.

O que isso significa? O Facebook está passando pelas mesmas denúncias que a Google passou algum tempo atrás. Provavelmente, o rastreamento de dados de navegação deve ser utilizado para personalização de oferta de conteúdo, segmentando com mais eficiência os anúncios exibidos.

Encarar esses fatos como invasão de privacidade depende de cada leitor. Mas é fato que, nem todos os usuários gostam de saber que estão tendo todos os passos vigiados. Ainda mais quando não se sabe quais são as reais intenções por trás da atitude.

* Fonte: Portal Terra.

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Ignacio Ramonet: "Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático"




"Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático. O jornalista não está sozinho. Antes, se tinha dois atores, um ativo e outro passivo. O emissor e o receptor. Hoje, o receptor é tanto ativo como o emissor. Eu o chamo de webator".
O comentário é do jornalista Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e doutor em Semiologia e História da Cultura. Ramonet acaba de escrever o livro A explosão do jornalismo.
O jornalista concedeu entrevista à Martín Granovsky do Página/12. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.


Por que a Internet é mais importante do que a imprensa?
Tem-se dito que a Internet é tão importante quanto à invenção de Gutenberg. Mas é mais importante do que a imprensa. Porque com a imprensa se tem apenas o livro, o escrito. Não o desenho ou as representações gráficas que mudaram o Ocidente quando nos séculos XIV e XV Filippo Brunelleschi inventou a perspectiva. A imprensa foi chave, sim. Não apenas mudou a maneira de fabricar textos como o número de universidades. Em 1440 havia quatro ou cinco. Com a extensão do livro se multiplicou e surgiu o humanismo, o Renascimento.
A edição da bíblia em línguas que não se resumiam ao latim.
Exato. Que foi um suporte do protestantismo. Cada um podia ter o seu livro, que antes valia o mesmo que um carro de hoje em dia. Desapareceram, ao poucos, os copiadores. O que eu quero dizer é que há transformações na política, na sociedade, na geopolítica... Aguerra dos Trinta Anos, de protestantes contra católicos era uma consequência, nesse sentido, da imprensa. Hoje a Internet e as redes sociais não geram por si só alguns fenômenos, mas os aceleram enormemente.
O uso massivo dos Black Berry nos recentes protestos de Londres?
Por exemplo. Esses protestos, em boa medida, são filhos da Internet.
Internet e as redes sociais produzem o fenômeno ou são ferramentas dos fenômenos?
As redes não são uma causa, mas um acelerador. As causas são sempre as condições sociais, econômicas, políticas... mas, a aceleração é importante. A globalização apenas adquire a intensidade atual quando se criam o que chamamos de autopistas da informação, por onde circulam por 24 horas as ordens de compra e venda nas bolsas que circulam velozmente graças ao que a Era digital permitiu. Internet é um ator do que ocorre e um vetor do que acontece, e em ambos os casos para além do campo da comunicação. O jornalista tinha até agora o monopólio da informação. A sociedade recebia a informação através dos jornalistas.
Agora já não é mais assim?
É um trabalho partilhado. Os cidadãos com seus blogs e a informação que eles mesmos difundem com os sítios de informação on-line, com a informação que se difunde peloTwitter.
Não é ruim essa nova situação ou é? Inclusive é interessante para os jornalistas, por um lado, se tem mais fontes de informação em mãos e, por outro lado, qualquer um pode corrigir o que fazemos.
Isso mesmo.
E se o jornalista é bom, mantém sua capacidade de edição, ainda que não seja monopolizada.
Claro. Eu diria que é o momento dos jornalistas demonstrarem para a sociedade que são necessários. A sociedade, em teoria, pela extensão dos intrumentos como a Internet, poderia se autoinformar. Naturalmente é um sonho que não se pode realizar. Como diz a psicoanálise, não basta que se tenham conhecimentos para se auto-analisar. Por definição, a auto-análise não existe. A sociedade não pode se “auto-informar”, mas ao menos em teoria seria possível. Daí que os jornalistas são mais exigidos do que antes. Antes tinham esse monopólio, certo prestígio social, exerciam certo “terrorismo” intelectual na sociedade... Esse estatuto um pouco privilegiado está bagunçado por inteiro e agora surgem novas vozes e jornalistas novos. Basta ver o êxito do The Huffington Post nos Estados Unidos.
Até chegou a se vender em poucos anos pelo sucesso que alcançou. Como se reconhece hoje e como se reconhecia anteriormente um bom jornalista? Mudou de verdade a profissão?
O que se pede de informação hoje? Que seja confiável. Muita informação que recebemos não é confiável e às vezes, inclusive, falsa. Nem falo da má intenção e da manipulação voluntária que exite. Apena refiro-me a que um programa de rádio ou um canal de televisão não podem garantir que a informação que transmitem seja verdadeira. O uso da condicional “ao que parece” ou “segundo fontes...” se tornou abusivo. Faz com que os jornalistas se limitem a transmitir uma informação mais rapidamente possível, porque sabem  que na rapidez está em parte a captação da audiência, não podem verificar a realidade da informação que estão transmitindo. Então, o cidadão quer confiabilidade. Que meios podem garantir isso? Indiscudivelmente não são os canais de informação urgente, imediata, constante.
O mundo que se escuta, vê e lê multimidiáticamente não tem até o momento uma palavra que o defina, correto?
Não, ainda não.
Essa pessoa para a qual não temos definição, espera ainda que de alguma maneira alguém lhe explique o que está acontecendo?
Você mesmo disse, de maneira nenhuma. A questão é que hoje a informação se dá de acordo com o emprego. Os meios dão a informação e dizem como interpretá-la. Muito rapidamente. Demasiado sumariamente. Quem sabe o cidadão está esperando que lhe coloquem a informação no contexto. Isso impede a urgência, pertuba a imediatez.
A audiência recebe fragmentos.
Efetivamente. Assim funciona a informação. Hoje um fragmento, amanhã outro... Mas o cidadão não vai conseguir realizar o trabalho de reunir o mosaico. Tem que se ter especialistas do geral. São os chamados generalistas.
Podemos chamá-los de “todólogos”.
Pode ser. Mas a cada dia está mais difícil encontrá-los. O mundo se faz muito complexo. Nem todo mundo sabe, se o tema é Fukushima que é a radiotividade, como funciona, o que é um terremoto e que consequência traz.
Bem, o que não sabe, e se é jornalista, pode perguntar.
Sim, mas quando um canal de televisão envia uma equipe porque acontece o acidente de Fukushima e isso assusta o mundo inteiro, e a equipe chega ao Japão, nem todo mundo fala japonês, nem todos os japoneses forçosamente falam inglês, inteiram-se de algumas coisas, como a energia nuclear no Japão, recém chegando, averiguam as autoridades responsáveis. Antes, nos anos 20 ou 30 um jornalista era enviado a um lugar por navio. Com o tempo de deslocamento se lia vários livros e se sabia algo do que lhe esperava. Hoje em dia, em poucas horas se está do outro lado do mundo e nem se teve tempo para se reunir com as pessoas que te possam explicar, nem de ler tudo o que deveria ler. Por isso, o proprio ofício não se faz com as garantias necessárias. Acrescente-se a isso que está se escrevendo e ao mesmo tempo sendo “vigiado” pelo que se escreve, por uma multidão de pessoas que tem a possibilidade de intervir no que você escreve, às vezes desde autoridades em sismologia ou japonologia. O teu trabalho já não vai ser julgado apenas pelos leitores habituais ou os colegas, mas sim por toda uma série de especialistas.
E isso é bom.
Claro que é bom. Alguns jornalistas, como disse, vêem seu estatuto posto em questão. Mas para a coletividade em seu conjunto é muito bom. Antes, na Era industrial, as coisas eram oferecidas prontas. A informação também saia e não era mais alterada. Era autônoma. Hoje não. Sai a informação e na maioria dos meios, on line, já se têm os comentários. A informação vai se transformando e ao final quase é preciso voltar a redigir o artigo em função dos aportes positivos, que obviamente é preciso verificar, que foram aparecendo no caminho. Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático. Evidentemente que também há rumores, falsa informação, “colagem”, prejuízos. Mas, o avanço é importante porque o jornalista não está sozinho. Antes, se tinha dois atores, um ativo e outro passivo. O emissor e o receptor. Hoje, o receptor é tanto ativo como o emissor. Eu o chamo de webator. Tem o seu proprio sistema de comunicação. Bem, primeiro é preciso aceitar esse diálogo porque faz parte da realidade de hoje e tem muitas coisas boas a recolher. O resultado pode ser muito mais interessante. Não se podem contar estórias. E não se podem contar estórias a todos permanente.
Ou seja, nem tudo está perdido.
Pelo contrário.
Salvo para os que querem se perder.
Para os que ficam parados. Para uma nova geração de jornalistas, ao contrário, nunca se teve tantas oportunidades como as que se apresentam hoje no mundo das comunicações. Um grupo de jornalistas recentemente formados pode criar um meio de comunicação de alcance nacional, continental ou planetário, com poucos recursos financeiros, coisa que era impossível para gerações anteriores.  Vejo as coisas de forma muito otimista. 
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Facebook dá cadeia em Londres, não em Cuba


Por Iroel Sánchez

O portal elmundo.es informa que entre os mais de 500 presos, desde o começo da violência no bairro londrino Tottenham, há uma criança de apenas 11 anos de idade e que quatro adolescentes também foram detidos por estimular as revoltas através do Facebook.

O sítio espanhol cita que "a polícia de Strathclyde, em Glasgow (Escócia), deteve um jovem de 16 anos de idade por enviar uma mensagem do Facebook em que supostamente incitava a cometer atos de desordem, informa a BBC. A polícia assegurou que vai vigiar de perto as redes sociais e que adotará o que denomina ‘ação decisiva’ para prevenir a violência na área de Strathclyde por parte dos seguidores".

"Está previsto que o responsável em promover o ‘Let’s start a riot in Glasgow’ [Vamos começar um tumulto em Glasgow], que não está mais disponível na mencionada rede social, compareça a um tribunal neste dia 10".

"Em Folkestone, no condado de Kent, onde está a famosa Universidade de Canterbury, dois jovens de 18 anos foram detidos por difundir mensagens qualificadas de incendiárias através do Facebook. Uma adolescente de 16 anos também está sendo interrogada em Glasgow pelo mesmo motivo, segundo a BBC".

"Por último, a polícia de Essex prendeu um jovem de 17 anos por incentivar outras pessoas através do Facebook a reunir-se no condado e participar das revoltas".

Pergunto-me se a polícia espanhola prenderá os que incitaram, através do Facebook, um "levante popular em Cuba" [*], em fevereiro passado, e que foi um fracasso. Podem começar pelo correspondente na Espanha da "Rádio Martí", emissora oficial do governo dos Estados Unidos contra Cuba. Ele se chama Joan Antoni Guerrero [**], vive na Catalunha e está longe de ser um adolescente.


* "Levante" convocado para o dia 21 de fevereiro, no Parque 13 de Marzo, em frente ao Museu da Revolução em Havana, com o apoio da CNN. A apresentadora Claudia Palacios não conseguiu esconder a frustração: "Será que não prepararam com tempo suficiente?". Apenas um manifestante compareceu.

** Além de trabalhar na Rádio Martí, ele tem o blog Punt de Vista sobre assuntos cubanos (http://joanantoniguerrero.blogspot.com).

* Tradução de Sandra Luiz Alves.
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Ato em apoio ao Tonho Crocco (22/08) #FreeTonhoCrocco


Tonho Crocco expressou através da música o sentimento de muitos (talvez da maioria da população gaucha) de indignação contra o aumento de 73% nos salários que os deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul concederam a si mesmos no final de 2010.

Agora ele está sendo processado por crime contra a honra, devido a uma representação ao Ministério Público, assinada por Giovani Cherini (PDT) quando este ainda era presidente da Assembleia.

A audiência preliminar acontece no dia 22 de agosto de 2011, segunda-feira, às 15h no Foro Central de Porto Alegre/RS.

Não podemos aceitar nenhuma forma de censura! Censurar a arte é uma ação que claramente agride a Liberdade de Expressão!!!
As redes sociais estão com força e esta é hora de mostramos mais uma vez ela nos manifestando e dando o nosso apoio ao Tonho Crocco, comparecendo em frente ao Foro Central, a partir das 14hs!

Traga seus instrumentos, cartazes, energia e criatividade para não deixarmos a censura prevalecer.

Repasse e divulgue nas redes sociais e vamos mostrar que liberdade não tem preço! #FreeTonhoCrocco


Ato em apoio ao Tonho Crocco!
Segunda (22/08) a partir das 14h no Foro Central de Porto Alegre/RS (Rua Márcio L Veras Vidor, 10 - Praia de Belas, Porto Alegre - RS)

Saiba mais aqui:

http://www.facebook.com/event.php?eid=254523307909035

http://www.aldeiagaulesa.net/2011/08/tonho-crocco-e-processado-por-rap.html

http://www.tonhocrocco.com/novo/index.php?main=blog_view&id=15



#FreeTonhoCrocco

A internet que conhecíamos morreu



A verdade está lá fora

Por Bruno Medina

O post de hoje começa com uma pergunta cuja resposta parece ser relativamente óbvia: ao utilizar a internet, você considera sofrer algum tipo de censura? A maioria dos leitores, suponho, diria que não. Baseariam suas argumentações no fato de vivermos num país regido pela democracia e pela liberdade de expressão, princípios que por si só asseguram aos seus cidadãos acesso pleno a qualquer tipo de informação disponível na web, certo?

Bom, era assim que eu pensava até muito pouco tempo, mais precisamente desde que fui convencido de que a Internet, como a conhecíamos, morreu. “Como assim, Bruno, tá louco? Hoje mesmo eu chequei meu e-mail várias vezes, conversei com meu primo via Skype, tweetei com amigos, publiquei umas fotos do fim de semana no Facebook, ou seja, passei o dia todo na web…”.

Uma pequena correção: o hipotético autor da afirmação passou o dia todo navegando através de aplicativos, os mesmos que estão progressivamente substituindo a internet aberta e irrestrita por plataformas de acesso controlado. A verdade é que, por mais que amássemos a sensação de liberdade propiciada pela “world wide web”, aceitamos trocá-la por serviços que simplificam o dia-a-dia, ou que apenas se adequam melhor às nossas necessidades triviais.

Tá, mas o que há de tão errado nisso?

Bom, aí depende, digamos, do seu apetite pela “verdadeira informação”; consideremos como exemplo o impressionante relato de um especialista no assunto, Eli Pariser, durante apresentação realizada no TED do ano passado: dizia ele que, ao acessar o Facebook, começou a notar que amigos de orientação política distinta da sua começaram a desaparecer do feed de notícias, sem qualquer explicação; mais tarde veio a descobrir que isso aconteceu porque o site conhecia a inclinação partidária de Eli e de alguns dos seus conhecidos, e que portanto decidiu de maneira arbitrária que pessoas de correntes políticas contrárias não deveriam receber informações constantes uma das outras.

Não satisfeito, Eli resolveu ir um pouco mais a fundo. Propôs a dois colegas que buscassem simultaneamente a palavra “Egito” no Google e que salvassem as telas que exibiam os achados das pesquisas para posterior comparação. Apesar de tratarem-se de homens com idades semelhantes, ambos residentes na cidade de Nova York, surpreendentemente, os resultados obtidos não poderiam ser mais discrepantes. Enquanto um recebeu dicas de restaurantes e passeios turísticos disponíveis no Cairo – nada muito relevante – o outro obteve diversos links de reportagens sobre os protestos que ano passado culminaram com a renúncia de Hosni Mubarak.

Ao buscar explicações para o estranho acontecimento, Eli soube por um técnico do Google que o site analisa nada menos do que 57 sinais, tais como modelo de computador, browser e localização geográfica para filtrar resultados das buscas que eu e você realizamos todos os dias. A conclusão aterradora é a de que não existe um resultado padrão do Google, mas sim um que varia de acordo com enigmáticas conjunturas.

Do jeito que a rede se estabeleceu atualmente, o universo do que enxergamos na internet é delimitado apenas pelo que esta acha que desejamos enxergar. É como se estivéssemos dentro de uma grande bolha, que utiliza nossos presumidos gostos para filtrar toda a informação do entorno, sem nos dizer como ou por que. Não é o caso de fazer apologia ao fim dos diversos filtros que incidem sobre nossa jornada pela web, afinal seria não só ingênuo como também impraticável conceber a ausência de qualquer tipo de controle. Talvez uma reivindicação mais plausível, e também mais realista, seria cobrar dos senhores que controlam as portas de entrada e de saída das informações que circulam na web a divulgação dos critérios que utilizam para tal.

Para terminar, proponho uma nova reflexão sobre a pergunta que abre este texto. Será que sua resposta ainda seria a mesma?


Bruno Medina é músico da banda Los Hermanos e escritor nas horas vagas.

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Os limites das redes sociais em debate


Inegavelmente a difusão das chamadas "redes sociais" tem ampliado o acesso e a troca de conteúdo de forma formidável. No entanto, como não poderia deixar de ser, todo o avanço "positivo" tem potencialmente seus efeitos reversos, e não é diferente nesta questão. Abaixo reproduzimos um interessante artigo que busca lançar luz sobre alguns dos limites das redes sociais. Como reflexão, nos coloca o desafio de nossa necessária vigilância e ação para compreender e superar os limites que se impõem.

Malefícios insidiosos da cultura “recomendar”

Por Neil Strauss

Em nossa era de contar visitas a um site e de retweets, o conformismo tornou-se uma norma. Caso você esteja lendo este artigo online, você notará que acima, à direita, há uma tecla chamada “recomendar” (ou “curtir” – “like”). Pare de ler, por favor, e clique agora a tecla “recomendar”. Obrigado, me sinto muito melhor. É bom saber que alguém gosta [na língua inglesa, a palavra like pode significar “gostar”] de mim.
Não esqueça de fazer seu comentário, de tuitar e blogar este artigo. E, caso você esteja na recentemente lançada rede social Google+, certifique-se que você clica “+1”. Na verdade, se você não quiser ler o resto deste artigo, fique na página pelo menos por alguns minutos, antes de clicar outro site. Assim, para os analistas do site, parecerá que você leu tudo.
Tempos atrás, existiu algo chamado ponto de vista. Mas, depois de muita discórdia e conflito, tornou-se senso comum em alguns lugares do mundo que as pessoas tinham direito a ter seus próprios pontos de vista. Essa ideia, entretanto, vem se tornando um anacronismo. Quando a internet ganhou uso público, foi saudada como uma libertação do conformismo, um mundo suspenso governado pela paixão, pela criatividade, pela inovação e pela liberdade de informação. Quando foi sequestrada – primeiro, pela publicidade e depois pelo comércio – parecia que fora totalmente cooptada e alinhada à ganância e ambição humanas.

“Formados” por nosso status

Mas havia outro elemento da natureza humana que a internet tinha que conquistar: a necessidade de pertencer. A tecla “like” começou no website FriendFeed em 2007, apareceu no Facebook em 2009, passou a se disseminar por toda parte, do YouTube e da Amazon a sites importantes no ano passado, e agora foi oficialmente adotada pelo Google como o agradável, o ponto de apoio e mais consciente de status “+1”. Em consequência, agora podemos buscar não apenas informação, mercadorias ou vídeos de gatinhos na internet, mas também por aprovação.
Assim como humoristas são treinados para serem engraçados ao observarem quais as piadas e expressões são saudadas com riso, também nossos pensamentos online são moldados para se conformarem à opinião popular por essas teclas. Uma situação de atualização sem “likes” (ou um tweet inteligente que não é retuitado) torna-se o equivalente a uma piada recebida pelo silêncio. Deve ser reavaliada a reescrita. Assim, não mostramos nossos verdadeiros “eus” online, e sim, uma máscara projetada para nos conformarmos com as opiniões de quem está ao nosso redor.
Por outro lado, quando visitamos o conteúdo de alguém – vídeo ou texto –, podemos ver, em primeiro lugar, quantas pessoas gostaram e, muitas vezes, se nossos amigos gostaram. Assim, somos incentivados não a formar nossa própria opinião, mas a procurar a dos outros como pista sobre como se sentir.
A cultura do “like” é antiética em relação ao conceito de autoestima, que um indivíduo saudável deveria desenvolver de dentro para fora, e não de fora para dentro. Ao invés disso, somos “formados” por nosso status, que não só inclui os “likes”, mas o número de comentários provocados em resposta àquilo que escrevemos e o número de amigos e seguidores com que contamos. Já presenciei estrelas do rock em desespero devido ao fato de que outro artista tem muito mais “likes” de seus fãs no Facebook e no Twitter do que eles.

A profecia de Erich Fromm

Por ser tão fácil medicar nossa autoestima fazendo concessões para ganhar seguidores, “likes” e visitas a um site, as redes sociais tornaram-se o objeto de escolha para muitas pessoas que, de outra maneira, poderiam canalizar suas energias para livros, música ou arte – ou mesmo para seus próprios empreendimentos na web.
O mesmo vale para a produtividade de escritores e artistas já conhecidos. Recentemente, estive num programa de rádio com outro escritor e o entrevistador disse que ele enviara tweets a cada 20 minutos, em média, nos últimos dois anos. No entanto, apesar de todo o tempo e esforço empenhados em reunir e agradar seguidores, assim que uma rede social sai da moda, como MySpace, todo esse trabalho despenca como um castelo de areia.
Profeticamente, o psicanalista Erich Fromm escreveu, há 60 anos, que o homem “construiu uma máquina social complicada para governar a máquina técnica que construiu... Quanto mais poderosas e gigantescas forem as forças que ele desencadeia, mais impotente ele se torna, enquanto ser humano. Passa a ser propriedade de suas criações e perde a posse de si mesmo.”

Comece a concentrar-se em suas paixões

Levantemo-nos, portanto, contra a tirania da tecla “like”. Partilhe com qualquer outra pessoa aquilo que o faz diferente, e não o que o faz exatamente igual. Escreva sobre o que é importante para você, e não sobre o que você acha que os outros querem ler. Forme suas próprias opiniões sobre o que você esteja lendo, e não procure na realimentação as pistas sobre o que pensar. E, a menos que ache que o Twitter é mesmo sua forma de arte, não perca tempo procurando um remédio rápido para a autoestima e comece a concentrar-se em suas verdadeiras paixões.
E, por favor, apesar do que eu disse acima, não faça um +1, não use o Twitter, não use a tecla “like” nem faça um comentário sobre este artigo. Você só o tornaria pior.

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[Neil Strauss é escritor. Seu último livro é Everyone Loves You When You´re Dead: Journeys Into Fame and Madness]. Reproduzido do Wall Street Journal, 2/7/2011; tradução de Jô Amado. Imagem por http://www.flickr.com/photos/birgerking/.

Da #democraciarealya à #WorldRevolution


Desde as revoltas democráticas no mundo árabe à luta pela ampliação da democracia participativa nos Estados democráticos, com destaque para as recentes mobilizações na Espanha, novas formas de participação e cidadania são gestadas. Reproduzimos abaixo um bom artigo que apresenta ricos elementos para compreendermos este novo processo.

Por Marcelo Branco

“A democracia não é algo estático e muito menos definido, mas um processo que deve estar em constante construção”[1]

Recentemente acompanhamos pela internet, e com grande cobertura pelos principais meios de comunicação de massa, as revoltas democratizantes no mundo árabe. Todos nós fascinados pelas possibilidades de mobilização a partir da apropriação cidadã das ferramentas da internet. Cidadãos cansados e sufocados por ditaduras, invadem a rede e tomam as ruas exigindo a mudança dos regimes e a saída dos ditadores.
Mas este processo detonou algo inesperado, talvez, também nos países desenvolvidos que convivem com a até então sólida democracia representativa: o questionamento do próprio sistema político na perspectiva de superação e ampliação para uma democracia participativa. Na Espanha os ingredientes da crise econômica e a aprovação de uma lei antipopular que limita as liberdades civis na Internet detonaram uma cadeia de mobilizações que agora é global.

Democracia Real Já

Em fevereiro, mesmo que muito tímida, começaram as mobilizações na internet de cidadãos em toda Espanha denunciando os limites da democracia participativa para construção de consensos que respeitassem a vontade popular. O estopim que detonou este processo foi a aprovação da Lei Sinde [2] num acordo entre os três maiores partidos espanhóis: PSOE, PP e CIU. A lei Sinde, nome da Ministra da Cultura da Espanha, foi o resultado de um poderoso lobby das indústrias do copyright do audiovisual que, para defender o seu modelo obsoleto de negócios que evapora com a internet, impôs restrições as liberdades civis na rede. O movimento evoluiu para o chamado #nolesvotes, propondo um boicote ao voto nos partidos que pactuaram a Lei Sinde para as eleições locais e que ocorreram neste domingo (22) e ampliou seus objetivos incorporando temas relativos ao sistema dos partidos políticos e a corrupção política. [3].

O movimento #nolesvotes, mutante como tudo construído colaborativo na rede, passou a ser agora também propositivo e ganhou dimensões populares no dia 15 de maio #15M quando sob o lema “Democracia Real Já” (#democraciarealya) invadiu as principais praças das cidades na Espanha. Não foi uma simples mudança de hashtag, mas o questionamento dos limites e legitimidade da democracia representativa na perspectiva de superação para uma democracia participativa nos tempos de Internet.

‘Os jovens saíram as ruas e subitamente todos os partidos envelheceram…!”


Este movimento, típico da era das sociedades em rede[6], é descentralizado, sem lideranças definidas, sem a participação dos partidos políticos, sindicatos ou associações tipicas da era industrial. Um cartaz nas ruas da Espanha sintetiza muito o momento que estamos vivendo: “os jovens saíram as ruas e subitamente todos os partidos envelheceram…!

Por outro lado a junta eleitoral de Madrid, proibiu a concentração do Acampamento del Sol , alegando que “pode afetar a campanha eleitoral e a liberdade dos cidadãos e direito ao voto”. Os manifestantes continuam lá acampados. Na noite de sexta-feira (20), em Barcelona, a #acampadabcn reunia 45 mil pessoas na Praça Catalunya para votar uma plataforma comum e, num ato desesperado e hilário dos Mossos d’Esquadra (polícia da Catalunya) estes exigiam a formação de filas para a identificação dos presentes. Apenas despertaram o riso dos cidadãos presentes.

Outra sacada interessante para nossa reflexão foi a frase do ex-presidente da Junta de Extremadura, Juan Carlos Rodrígues Ibarra [4] ao Presidente espanhol Rodrigo Zapatero[5] em Cáceres nesta semana ao comentar as manifestações: “os jovens não são anti sistema, é o sistema que é anti os jovens”.

#BrasilRevolução #BrazilRevolution

Sei que é cedo e apressado para tentarmos rotular ou definir os rumos destes movimentos que deixaram a esquerda e a direita perplexa e as empresas de comunicação de massa praticamente muda no Brasil. É cedo para percebermos o real impacto destas mobilizações no cenário político brasileiro, mas alguns ingredientes já estão na mesa. A luta por direitos civis na internet e a gestão do novo direito autoral assume dimensões políticas muito relevantes para serem relegadas a segundo plano.

Também não gosto de fazer previsões de futuro, pois em geral elas falham. Mas o certo é que exite, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante questionador dos limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Temos muito que aprender e valorizar neste rico processo para a construção, qualificação e aperfeiçoamento da democracia também aqui no Brasil.

*Marcelo Branco é Profissional de TI e ativista pela liberdade do conhecimento. Softwarelivre.org, Campus Party Brasil, FISL. Participou da campanha de Dilma Rousseff nas redes sociais. Marcelo mantém o blogue http://softwarelivre.org/branco


[1] Geraldine Juárez

[2] Lei Sinde (lei de endurecimento da leis de copyright na internet, que viola direitos civis e nome da Ministra da Cultura da Espanha)
[3] Manifesto #NolesVotes
[4] Juan Carlos Rodrígues Ibarra – ex Presidente da Junta de Extremadura
[5] Luiz Rodrigo Zapatero – Presidente do Governo da Espanha
[6] Sociedade em Rede – Manuel Castells –
[0] El Mundo: De #nolesvotes a ‘Democracia real ya’
[0] Blog de Enrique Dans Entendiendo la #spanishrevolution
[0] Alt1040, El guía del Geek: De cómo el copyright puso su grano de arena para que saliera el Sol by Geraldine Juárez -


#BlogProgRS - O vitorioso encontro dos blogueiros gaúchos




Porto Alegre foi sede no último final de semana de maio do seu primeiro Encontro de Blogueiros Progressistas (#BlogProgRS).  Realizado na Câmara de Vereadores da capital gaúcha, o evento pôde propiciar um momento ímpar de reflexão e organização da blogosfera.

O #BlogProgRS foi uma oportunidade de colocar, em um mesmo espaço, inúmeros ativistas digitais que, seja através de seus blogs ou nas redes sociais (Twitter, Facebook, etc), vem lutando pela consolidação de um espaço de comunicação novo e que têm colaborado para romper com o monopólio da informação. 

Somente por este esforço, de colocar em um mesmo espaço presencial, quase duas centenas de pessoas que estão fazendo da blogosfera uma realidade já seria louvável. Afinal, a mesma internet que aproxima indivíduos por vezes tão distintos e que talvez jamais viriam a ter contato, por outro, pode criar distanciamento e impessoalidade nas relações sociais. 

Mas, felizmente, o #BlogProgRS foi muito mais que um simples encontro presencial. Foi um espaço de ricos debates, onde a blogosfera pode debater sobre um conjunto de temas fundamentais sobre o papel da comunicação digital e suas potencialidades. Não tenho dúvida de que a blogosfera ainda crescerá muito e que espaços como este do #BlogProgRS serão ainda mais importantes e frequentes.

Não termina aí o #BlogProgRS, foi também palco para se estreitar relações entre diferentes blogueiros, onde as relações políticas se afirmam e os laços de amizade e solidariedade consolidam-se. Importantes desdobramentos virão deste espaço. Novidades deverão "invadir" a rede nos próximos meses, tornando-a ainda mais rica. Por isso, não me resta dúvidas de que o #BlogProgRS foi um encontro vitorioso!

Se é verdade que as mídias digitais, por si só, não são a solução final para democratizar a comunicação e a sociedade, por outro lado, fica cada vez mais evidente que não existe democracia plena se não incorporar esta nova dimensão digital. O Rio Grande do Sul tem dado importantes demonstrações de inovação nesse sentido.

Parabéns a toda a comissão organizadora, que com inigualável dedicação tornaram o #BlogProgRS uma realidade e um parabéns a todas e todos os participantes que viram, como eu, a blogosfera gaúcha sair ainda mais forte!

Antes de terminar o post, aproveito para convidar todas e todos para participarem do IIº Encontro dos Blogueiros Progressistas, em Brasília, nos dias 17, 18 e 19 de junho. Inscrições aqui.

Tarso lança o Gabinete Digital



Uma das marcas deste início do Governo Tarso Genro tem sido a busca por inovações. Nesta perspectiva, o governo do estado lançará uma nova ferramenta de informação, participação e democratização das decisões públicas do Estado - o Gabinete Digital (GD). A necessidade da abertura deste canal direto com a população partiu da constatação de que já se vive uma nova conjuntura: a sociedade em rede. Com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação, em especial a internet e as redes sociais, as informações e ideias podem ser divulgadas e debatidas em tempo real.

"O nosso Gabinete Digital é um espaço de acolhimento da tua opinião, da tua participação, do teu afeto, da tua crítica", disse o governador Tarso Genro no vídeo de divulgação do evento, destacando que o GD é também um "elemento de controle do comportamento político e administrativo do próprio governador".

O lançamento oficial do site do Gabinete Digital, assim como de ferramentas de interface de governança e cultura digital entre o Governo e a sociedade gaúcha, acontece no dia 24 de maio, às 17h, com transmissão ao vivo no endereço www.gabinetedigital.rs.gov.br.

Com informações da Assessoria do Palácio Piratini

1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS



O espaço livre da internet, ao qual todos têm acesso, independente de condição econômica ou poder político, possibilita que todos os setores da sociedade se manifestem, o que não acontece na grande mídia. Os blogs representam hoje uma forma de contraponto à imprensa tradicional.

Dentro desse contexto, nasce o 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS, com a proposta de promover a discussão sobre a internet no estado e no país e o papel dos blogs na tarefa de democratizar a comunicação. Os objetivos da blogosfera e seu potencial de ampliação estarão em pauta durante o evento.

O Encontro foi pensado a partir da necessidade de se reunir a blogosfera gaúcha em torno de um projeto de ampliação da sua abrangência. Uma grande oportunidade para reunir os ativistas da internet e promover o contato e a troca de informações entre @s participantes.

Datas: 27, 28 e 29 de maio
Local: Câmara Municipal de Porto Alegre
Endereço: Av. Loureiro da Silva, 255; Porto Alegre-RS
Taxa de inscrição: R$ 30

Após a inscrição, enviaremos informações por e-mail para que você efetue o pagamento da taxa.

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