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Privacidade na internet: Seus dados pessoais são meus!


Por Rogério Christofolett

Num passado não tão longínquo, uma pessoa qualquer poderia não autorizar que seu nome e número constassem do catálogo telefônico. Ela se manteria anônima, oculta. Não se esconderia por completo, é verdade, já que seu aparelho poderia tocar a qualquer momento, mas evitaria ligações indesejadas de quem a localizasse na lista. Àquele tempo, não estar nas páginas amarelas não significava propriamente censura de informação, mas proteção de dados pessoais. Ok, agora, salte alguns anos, e altere um pouco a paisagem. Imagine que outra pessoa igualmente reservada decida não figurar na principal “lista telefônica” do mundo, o Google. Ela não quer ser encontrada, e deseja simplesmente que o buscador ignore os endereços na internet que trazem informações sobre ela. Estará a nossa personagem protegendo a sua privacidade ou atentando contra o direito de outras pessoas de acessar informações que lhe convenham?

Software livre é a saída para fugir da espionagem oficial


Os documentos revelados por Edward Snowden confirmam as suspeitas de longa data de que as agências conspiram secretamente com empresas de tecnologia para irem diretamente aos arquivos que eles querem bisbilhotar. Mas os mortais comuns, que precisam usar a internet rotineiramente, têm como fugir dos olhos do "Grande Irmão"? Artigo publicado no site Inovação Tecnológica

Google admite que usuários do Gmail não têm privacidade


O Google admitiu, por meio de um documento apresentado por seus advogados em uma ação judicial nos Estados Unidos, que os usuários do Gmail não podem ter uma expectativa razoável de que a confidencialidade de seus e-mails seja respeitada, segundo o jornal britânico The Guardian.

Internautas estão vulneráveis e não querem ser seguidos pela publicidade, diz professor

Joseph Turow, professor de comunicação da Universidade de Pensilvânia
Joseph Turow, professor de comunicação da Universidade de Pensilvânia

Cada vez mais incomodados com uma publicidade digital que invade a privacidade, os consumidores não têm quem os defenda, diz Joseph Turow, uma das mais fortes vozes sobre internet nos EUA.

Professor de comunicação da Universidade da Pensilvânia, o acadêmico é autor de pesquisas sobre o assunto e lançou em 2012 "The Daily You" [o você diário], com o sugestivo subtítulo "como a nova indústria da publicidade está definindo sua identidade e seu valor".

Para Turow, os internautas nunca estiveram tão vulneráveis --e não apenas pela privacidade escancarada das redes sociais. A seguir, trechos de sua conversa com a Folha, por telefone, da Filadélfia.
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Regras de conduta
Jornais e revistas historicamente criaram muros entre a Igreja e o Estado, o conteúdo jornalístico e a publicidade, com regras muito claras para diferenciar a propaganda. No mundo on-line, essas regras estão desmoronando. Tanto no Huffington Post como no Gawker [sites jornalísticos e agregadores de blogs], há anúncios com a mesma cara de reportagens.
Mimetizar conteúdo
A maior e mais proeminente mudança é dos anúncios que se querem fazer passar por conteúdo editorial. O Facebook tem links que mimetizam os posts de seus amigos, o Twitter tem tuítes que são anúncios, tudo desenhado para parecer um "artigo" verdadeiro, não propaganda. Querem que o internauta não perceba que é publicidade, porque já admitem que a publicidade se tornou um fator de irritação na internet.
Competição feroz
A competição por anúncios é muito mais feroz, então se faz de tudo para agradar o anunciante ou a agência. No mundo off-line é difícil, mas na internet, em que o valor por leitor é muito menor, as regras desaparecem.
Qualidade jornalística
A publicidade sempre quis se associar ao conteúdo de alguma forma. Um certo tipo de elite lê os jornais de maior qualidade, e era isso que a publicidade queria, ser ligada a essa qualidade jornalística. Hoje em dia, o público se pulverizou e pode estar em qualquer lugar, no site de fofocas. Então o anunciante quer estar em todo lugar, contanto que não seja de pornografia.
Menos de 1%
O Twitter é um dos mais bem-sucedidos nessa operação, pela própria natureza do veículo, de pílulas de 140 caracteres. Menos de 1% dos anúncios no Facebook, no Google e no Bing são clicados pelos internautas. É normal, são bem mais eficientes que mala direta, que ninguém abre.
Se os anúncios em revistas e jornais tivessem que ser clicados, não seriam muito mais acessados. Nas revistas, o anúncio precisa ser olhado de qualquer maneira, entre as reportagens.
Cegueira ao anúncio
Acontece cada vez mais a "banner blindness" (cegueira ao anúncio). As pessoas ignoram automaticamente o anúncio. O Google não faz dinheiro com cliques, mas ao oferecer as bilhões de vezes que os usuários o acessam diariamente. É audiência.
A publicidade que tem funcionado mais é a que oferece algo novo. Um game, um vídeo -mas, depois que a ideia aparece mil vezes, o apelo diminui. Não há receita infalível. A porcentagem de gente clicando em anúncios se mantém baixa e é estável.
Apreço à privacidade
Em pesquisas recentes, 86% dos americanos se disseram contrariados com propaganda exibida a partir do histórico de cliques e interesses. Internautas não gostam de se sentir seguidos ou monitorados.
Mesmo os jovens adultos, de 18 a 24 anos, que podem expor toda a sua vida no Facebook, posar de biquíni e falar coisas impróprias, respondem de forma muito parecida aos mais adultos sobre o direito à privacidade. Muitos se sentem incomodados com o excesso de propaganda que os persegue, graças a algum clique que deram ou a alguma pesquisa que fizeram.
O sucesso da Amazon
A Amazon é um caso raro de uso de um mecanismo de recomendação baseado em compras anteriores -o que deixa claro que eles monitoram nossas compras e nossas pesquisas- que não parece incomodar os usuários. O sucesso deles, acho, depende de diversos outros fatores, dos preços baixíssimos, às vezes abaixo do custo, de não pagar certos impostos, da eficiência da entrega, é uma máquina de varejo eficiente.
Exemplo europeu
Na Europa, o debate cada vez mais forte é de que o mercado deveria respeitar o direito à privacidade dos indivíduos e ao controle de seu dados. Nos EUA, estamos longe disso.


Fonte: Folha de SP
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Como o Google nos domina



"Anúncios no gmail mostram quanto o Google sabe sobre você"



Por James Gleick


O negócio do Google não é pesquisa, mas publicidade. Mais de 96 por cento de seus 29 bilhões de dólares em receita no ano passado vieram diretamente de publicidade, e a maior parte do resto veio de serviços relacionados a publicidade. O Google recebe mais com publicidade do que todos os jornais do país [Estados Unidos] juntos.  Vale a pena entender como isso funciona. Levy relata o desenvolvimento dessa máquina de publicidade: uma “fantástica conquista na construção de uma máquina de fazer dinheiro através de truques virtuais (8), a partir da Internet.” Em The Googlization of Everything (and Why Should Worry), livro que pode ser lido como uma referência sóbria e admonitória, Siva Vaidhyanathan, um estudioso da mídia na Universidade da Virginia, coloca a questão da seguinte maneira: “Nós não somos clientes do Google: nós somos o seu produto. Nós, nossas fantasias, fetiches, predileções e preferências, somos o que o Google vende para os anunciantes.”
A evolução desta incomparável máquina de fazer dinheiro produziu uma rápida sequência de inovações brilhantes:
1. No início de 2000, o Google vendeu “premium sponsored links”: anúncios de texto simples associados a certos termos de pesquisa. Uma fornecedora de bolas de golfe poderia ter seu anúncio mostrado a todos que buscassem por “golfe” ou, melhor ainda, “bolas de golfe.” Outros mecanismos de busca na internet já faziam isso. Seguindo a tradição, eles cobravam de acordo com o número de pessoas que viam cada anúncio. Os anúncios eram vendidos para grandes clientes, um a um.
2. Mais tarde, naquele ano, engenheiros desenvolveram um sistema de auto-atendimento, chamado AdWords. O ponta-pé inicial foi: “Você tem em 5 minutos e um cartão de crédito? Obtenha seu anúncio no Google hoje”, e de repente milhares de pequenas empresas estavam comprando seus primeiros anúncios na internet.
3. A partir de uma outra iniciativa, que teve curta duração, chamada GoTo (até 2003 Google era sua proprietária) vieram duas novas ideias. Uma delas foi a cobrar por clique, ao invés de visualização. Pessoas que clicam em um anúncio de bolas de golfe são mais propensas a comprá-las do que aqueles que simplesmente vêem um anúncio no site do Google. A outra idéia era deixar os anunciantes darem lances uns contra os outros por palavras-chave – como “bola de golfe” – em rápidos leilões online. Leilões de pay-per-click [‘pague-por-clique’] abriram uma torneira de dinheiro. Um clique significava um anúncio bem sucedido, e alguns anunciantes estão dispostos a pagar mais por isso do que um vendedor humano poderia imaginar. Advogados especializados em compensações buscando clientes fariam lances tão altos quanto 50 dólares por um único clique na palavra-chave “mesotelioma”, uma forma rara de câncer causada pelo amianto.
4. O Google – monitorando sistematicamente o comportamento de seus usuários – tinha conhecimento instantâneo de quais anúncios eram bem sucedidos, e quais não. Era possível usar o click-through rate [‘proporção de cliques’] como uma medida de qualidade dos anúncios. E para determinar quem seriam os vencedores dos leilões, começou-se a considerar não apenas o dinheiro oferecido, mas o apelo do anúncio: um anúncio mais eficaz, recebendo muitos cliques, iria receber uma vantagem na disputa.
Agora, o Google tinha um sistema de ciclos lucrativos em ação, um feedback positivo por incentivar anunciantes a fazer anúncios publicitários mais eficazes (oferecendo dados para ajudá-los nessa tarefa), e por aumentar a satisfação dos usuários em clicar em anúncios, por evitar ruídos e spam. “O sistema reforçou a insistência do Google de que a publicidade não deveria ser uma transação entre um publicitário e um anunciante, mas uma relação de três vias que também incluía o usuário”, escreve Levy. No entanto, dificilmente esta é uma relação de igualdade. Vaidhyanathan vê aí uma relação de exploração: “A Googlização de tudo abrange a coleta, cópia, adição, e classificação de informações e contribuições feitas por cada um de nós.”
Em 2003, o AdWords Select estava servindo centenas de milhares de anunciantes e fazendo tanto dinheiro que o Google estava deliberadamente escondendo seu sucesso da imprensa e dos concorrentes. Mas este foi apenas o trampolim para o que estava por vir.
5. Até o momento, os anúncios eram exibidos em páginas de busca do Google, com tamanho discreto, com limites claros, no topo ou no lado direito das páginas. Agora, a empresa ampliou sua plataforma. O objetivo era desenvolver uma forma de inteligência artificial que poderia analisar pedaços de texto – websites, blogs, e-mail, livros – e combiná-los com palavras-chave. Com dois bilhões de páginas-web já indexadas, e com o seu sistema de rastreamento do comportamento de usuários, o Google tinha, na palma da mão, todas as informações necessárias para resolver este problema. Dado um site (ou um blog, ou um e-mail), ele poderia prever que anúncios seriam eficazes.
Esta era a “publicidade voltada ao conteúdo”, para usar o jargão. O Google chamou seu programa de AdSense. Para qualquer um que esperasse “rentabilizar” o seu conteúdo, ele era o Santo Graal. As maiores publicações digitais, tais como The New York Times, rapidamente aderiram ao AdSense, deixando o Google lidar com parcelas crescentes de seus contratos de publicidade. E assim o fizeram as menores publicações, aos milhões – fazendo crescer a “cauda longa” (9) de possíveis anunciantes até blogueiros individuais. Todos eles aderiram porque os anúncios eram extremamente produtivos e mensuráveis. “O Google conquistou o mundo da publicidade com nada mais do que matemática aplicada”, escreveu Chris Anderson, editor da Wired. “Ele não fingiu saber coisa alguma a respeito da cultura e das convenções da publicidade – apenas assumiu que dados melhores, com melhores ferramentas analíticas, iriam prevalecer. E o Google estava certo.” Jornais e outras mídias tradicionais têm reclamado de tempos em tempos sobre a apropriação do seu conteúdo, mas é através da absorção de publicidade mundial que o Google tornou-se seu concorrente mais destrutivo.
Como todas as formas de inteligência artificial, a publicidade voltada ao conteúdo produz erros e acertos. Levy cita um erro clássico: a sangrenta história publicada no site do New York Post – sobre um corpo que foi desmembrado e colocado em um saco de lixo – que foi acompanhada por um anúncio do Google sobre sacos de plástico. No entanto, agora qualquer um pode adicionar algumas linhas de código ao seu site, exibir automaticamente os anúncios do Google e começar a descontar cheques mensais, ainda que pequenos. Vastas extensões da Web que até agora estavam livres de publicidade tornaram-se parceiros do Google. Hoje, os anúncios do Google não estão apenas em sua página de busca, mas toda a Web e, além disso, em grandes volumes de e-mail e, potencialmente, em todos os livros do mundo.

Pesquisa e publicidade tornam-se assim os dois gumes de uma espada afiada. O motor de busca perfeito, como Sergey e Larry imaginam, lê sua mente e produz a resposta que você quer. O motor de publicidade perfeito faz o mesmo: mostra os anúncios que você deseja. Qualquer coisa além disso desperdiça sua atenção, o dinheiro do anunciante e a largura de banda da internet mundial. Sonha-se com uma publicidade virtuosa, unindo compradores e vendedores para o benefício de todos. Mas a publicidade virtuosa neste sentido é uma contradição em termos. O anunciante está pagando por uma fatia da nossa atenção, que é limitada: nossas mentes poderiam estar em outro lugar. Se os nossos interesses estivessem perfeitamente alinhados aos dos anunciantes, não seria necessário pagar. Não existe uma utopia da informação. Os usuários do Google são partes de uma transação complexa, e se há uma lição a ser tirada de todos esses livros é que nem sempre somos partes conscientes.
Os anúncios ao lado do seu e-mail (se você usa o serviço de e-mail gratuito do Google) podem servir como lembretes, às vezes surpreendentes, do quanto esta empresa sabe coisas que dizem respeito à sua vida privada. Mesmo sem o seu e-mail, seu histórico de pesquisa por si só já revela muita coisa, como diz Levy, “seus problemas de saúde, seus interesses comerciais, seus hobbies, e seus sonhos.” Sua resposta à publicidade revela ainda mais, e com seus programas de publicidade, o Google passou a rastrear o comportamento de usuários individuais de um site da Internet para outro. Eles observam cada um dos nossos cliques (onde possam) e medem quanto tempo levamos para tomar nossas decisões, em milisegundos. Se não fosse assim, os resultados não seriam tão assustadoramente eficazes. Eles não têm rival na profundidade e amplitude de sua mineração de dados. Eles fazem modelos estatísticos para tudo o que sabem, conectando pequenas e grandes escalas, desde o resultado de consultas e cliques, até informações relativas a moda, à estação, ao clima e a doenças.
É para seu próprio bem – esta é a crença que Google nutre. Se queremos os melhores resultados possíveis para nossas buscas, e se queremos anúncios adequados às nossas necessidades e desejos, temos que deixá-lo entrar em nossas almas.

Tradução de Pedro Germano Leal

* Este texto foi publicado originalmente como uma análise das seguintes publicações:
In the Plex: How Google Thinks, Works, and Shapes Our Lives
por Steven Levy
Simon and Schuster, 424 p.
I’m Feeling Lucky: The Confessions of Google Employee Number 59
por Douglas Edwards
Houghton Mifflin Harcourt, 416 p.
The Googlization of Everything (and Why We Should Worry)
por Siva Vaidhyanathan
University of California Press, 265 p.
Search & Destroy: Why You Can’t Trust Google Inc.
por Scott Cleland, com Ira Brodsky
Telescope, 329 p.
Notas da tradução:
(8) No original, “virtual smoke and mirrors”.
(9) No original, “long tail”. É uma configuração estatística na qual maior parte da população concentra-se na cauda de uma distribuição de probabilidade.




Marco civil da internet deve ser votado hoje, com garantias de proteção ao usuário



A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o projeto de lei que estabelece o marco civil da internet deverá votar hoje (11) o substitutivo apresentado pelo relator da matéria, deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Segundo ele, as principais mudanças de redação feitas no projeto têm como objetivo aumentar a proteção aos usuários.
“Estamos modificando a redação de alguns artigos, deixando mais clara a proteção à privacidade do usuário”, explicou Molon. O novo marco civil estabelece os princípios que devem nortear o uso da rede no Brasil, além dos direitos dos usuários, das obrigações dos provedores do serviço e das responsabilidades do Poder Público.
Outra mudança refere-se à atuação do Comitê Gestor da Internet (CGI) sobre a definição da neutralidade de rede, que é a  garantia de tratamento igualitário dos dados que trafegam na internet. “O CGI vai continuar a ser decisivo sobre a definição de neutralidade, sem ser o órgão regulador. Não propomos em momento nenhum que ele regulasse essa questão, mas o governo entendeu que, do jeito que estava escrito, o CGI regulamentaria, que não é o papel dele, de fato”.
A proposta deveria ter sido votada ontem (10) pela comissão, mas Molon pediu mais tempo para analisar as propostas que foram encaminhadas por meio do portal e-democracia, da Câmara dos Deputados. Segundo ele, entre quarta-feira (4) e sexta-feira (6) da semana passada, o portal recebeu mais de 14 mil visitas, com 109 contribuições ao projeto.
Fonte: Agência Brasil
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Ocidente equipa serviços de espionagem de países que condena



Por Eduardo Febbro


As democracias ocidentais têm grandes dificuldades para esconder o rabo do diabo. As potências que no interior do Conselho de Segurança da ONU promovem resoluções em defesa dos Direitos Humanos ou para condenar o regime sírio, egípcio, líbio ou iraniano são as mesmas que venderam a esses regimes - e a outros - o material tecnológico necessário para vigiar e reprimir a oposição. A hipocrisia é uma regra de ouro: a comunidade internacional invoca os valores por um lado e, pelo outro, entrega com chaves nas mãos os instrumentos tecnológicos usados para submeter os povos. 

Narus – uma filial da Boeing - no Egito, Nokia-Siemens no Irã e Bahrein, a francesa Bull, a chinesa ZTE Corp e a sul-africana VASTech na Líbia, as norte-americanas Cisco e Nortel na China, a lista e a relação das multinacionais tecnológicas com os governos que infringem as liberdades ou condenados pela ONU é extensa. E como nunca falta uma nova oportunidade de fazer suculentos negócios, a essa lista se agrega agora a Síria. 

A comunidade internacional adotou um pacote de medidas contra Damasco onde figura a proibição da venda de armas, mas esse pacote exclui as tecnologias de ponta que permitem, entre outras violações, controlar a Internet ou vigiar os telefones móveis. A empresa italiana Area SPA vendeu à Síria um conjunto de programas de origem norte-americana, francesa e alemã para realizar um scanner, tanto das atividades dos usuários da Internet como de suas comunicações telefônicas. O contrato, por um montante de 13 milhões de euros, contou com a participação da empresa Californiana NetApp, a alemã Ultimaco Safeware AG e, segundo o portal de investigações econômicas Bloomberg, até a Hewlett-Packard entrou na entrega de componentes. O quarto participante nesta estrutura é Qosmos, uma empresa com sede em Paris e cuja tecnologia permite analisar as comunicações através das redes móveis por meio da inspeção de pacotes (DPI, Deep Packet Inspection). Trata-se do mesmo dispositivo que a empresa norte-americana Narus havia vendido ao derrubado Hosny Mubarak, no Egito. 

A democracia empresarial não tem fronteiras. As ONGs defensoras dos direitos humanos e das liberdades ligam, com justa razão, essas tecnologias à “cumplicidade com crimes de guerra” porque, através delas é que se espiona a dissidência, se perseguem e se localizam indivíduos, possibilita-se sua prisão, ou mesmo sua morte e se limita toda forma de liberdade. A Qosmos detalha com rigorosa concisão a capacidade de seus produtos. Em sua página web pode ser lido esta apresentação: “A Qosmos fornece uma tecnologia de inteligência de rede que identifica e analisa em tempo real os dados que transitam na rede”. No concreto, é perfeitamente possível “reconstruir” tudo o que acontece pela tela de um computador. Os correios eletrônicos ou Skype deixam de ser lugares de privacidade. Assim, as companhias ocidentais colaboram estreitamente com os governos autoritários. 

Dupla linguagem, duplo jogo: acusadora na ONU por um lado, fornecedora de tecnologia avançada pelo outro. No caso sírio, a astúcia consistiu em vender o material para Itália e não diretamente à Síria. A Area SPA fez-se assim de intermediário entre Damasco e o resto do mundo. O material de vigilância foi instalado no bairro Mouhajireen, onde uma sala especialmente preparada para isso controlava as comunicações através de 40 terminais. A operação é conhecida com o nome código de “Asfador”. Em um comunicado emitido no final de 2001, a Qosmos explicou que seu “negócio não é a venda de material de vigilância”. Segundo a Qosmos, “a sociedade vende a empresas ou associados que integram nossos componentes às suas próprias aplicações e assumem a comercialização. Isso é o que aconteceu com o projeto sírio”. 

O exemplo da Síria não é mais que o último de uma interminável série de colaborações entre as empresas que manejam tecnologia de ponta e as autocracias ou regimes autoritários que fazem da espionagem dos cidadãos a melhor arma de repressão. A Nokia-Siemens se notabilizou a partir de 2007 com a venda ao regime iraniano de um sofisticado dispositivo de espionagem global: Internet, emails, VoIP, Twitter, MySpace, Facebook, comunicações por móveis, SMS, nada escapava à joia vendida pela multinacional finlandesa. A Líbia do falecido Coronel Khadafi foi outro campo semeado com as sementes tecnológicas de ocidente, desta vez, paradoxalmente, oriundas da França. 

O presidente Nicolas Sarkozy foi o principal promotor da resolução das Nações Unidas que autorizou o uso da força na Líbia. Os primeiros aviões que bombardearam o território líbio foram também franceses. Paris foi também o primeiro país que reconheceu o Conselho Nacional de Transição líbio – a oposição - como o “interlocutor legítimo do povo líbio”. Entretanto, Khadafi espionava, perseguia e prendia os opositores que a França apoiava com tecnologia vendida pela empresa francesa i2e/Amesys, uma filial da Bull. O principio é o mesmo: o famoso e temível Deep Packet Inspection, por meio do qual tudo o que atravesse uma tela deixa de ser segredo. O DPI é a arma mais eficaz para esmagar qualquer resistência. Quando o bunker onde Khadafi havia montado o sistema de vigilância foi bombardeado, os opositores encontraram entre os escombros cópias das mensagens que os ativistas enviavam entre si. Mais ilustrativo ainda, na porta do Bunker estava colado o logo de Amesys. 

Narus, a filial da Boeing que vendeu a Hosny Mubarak o mesmo produto, fecha este cínico capítulo de dois gumes: em 2011, enquanto as bombas caíam sobre a Líbia e neutralizavam parte do material que o Ocidente havia vendido a Khadafi, a Narus negociava em segredo, em Barcelona, com o regime do coronel, novos contratos tecnológicos para aperfeiçoar seu próprio sistema, complementar ao da Amesys. O diabo sacode o rabo por baixo do manto da democracia ocidental.

Tradução: Libório Junior

Ministério da Justiça pede explicações ao Google sobre privacidade dos usuários

O Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), notificou hoje o Google para que informe detalhes sobre as mudanças nas possibilidades de utilização dos dados pessoais de seus usuários. Segundo nota do DPDC, o pedido de esclarecimento foi feito com base na legislação de defesa do consumidor e no direito constitucional à privacidade. 

A empresa terá prazo de dez dias para prestar os esclarecimentos, a contar da data do recebimento da notificação.

O Google deverá informar como se deu o processo de revisão da política de privacidade e de que forma a sociedade e os consumidores puderam se manifestar sobre as mudanças. Também foi questionado se há uma alternativa para aqueles que desejam utilizar os diversos produtos, sem que haja uma interconexão de seus dados pessoais entre os diferentes produtos (Gmail, Google +, YouTube etc).

O DPDC também quer saber como se dará a autorização do consumidor para a combinação de suas informações pessoais com os produtos, serviços e conteúdos acessados. O órgão questionou ainda se o conteúdo privado dos e-mails poderá ser acessado pelo Google para fins de publicidade customizada. 

De acordo com o ministério, o não cumprimento da notificação pode implicar em instauração de processo administrativo.

O Google anunciou em janeiro que estava “simplificando” sua política de privacidade, consolidando 60 diretrizes em uma única que se aplica para todos os seus serviços, incluindo YouTube, Gmail e a rede social Google+. No começo deste mês, lembra a Reuters, agências de proteção da informação de países europeus concluíram que a nova política de privacidade viola a lei europeia, de acordo com a comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding.

Informações: Agência Brasil e Cidade Biz.

Facebook rastreia usuários até quando estão fora da rede



A maior rede social do mundo liga mais de meio bilhão de pessoas. Isso permite comunicações e compartilhamentos em vários níveis, que vão desde pequenos arquivos até grandes obras, vídeos e outros materiais de interesse comum. Você já deve saber que essa rede é o Facebook, mas você acha que ele é tão seguro quanto imaginamos?

Nas últimas semanas, várias denúncias surgiram, todas afirmando que os dados pessoais armazenados nos servidores do Facebook vão muito além do que pode ser considerado respeitoso à privacidade dos usuários. Há informações, inclusive, que afirmam que mesmo depois de deletar a conta, os ex-cadastrados continuam tendo os movimentos registrados. Mas como o Facebook faz esse rastreio?

Assim como grande parte dos sites da internet, o Facebook instala cookies no seu computador. Eles são responsáveis pelo armazenamento de uma série de informações de navegação e, o principal, são utilizados para enviar estes mesmos dados até servidores remotos.

E é com base nesses cookies que as denúncias de que o Facebook estaria rastreando seus usuários surgiram. Segundo o USA Today, a rede social estaria quebrando as regras de privacidade em três níveis:

Conectado: assim que você se loga nos servidores, um cookie de sessão e um cookie de navegação são instalados no navegador. Eles são responsáveis pela medição de tempo de permanência na página, além de localizar IP, resolução e várias outras informações técnicas. Além disso, todas as vezes que você clicar em "Curtir", preferências de usuário serão salvas.

Desconectado: quando você está navegando em outras páginas ou se está visitando o Facebook, sem estar logado na rede social, apenas o cookie de navegação é instalado. Porém, todos os itens citados anteriormente continuam sendo informados ao servidor, incluindo seu IP e seu tempo de permanência.

Após encerrar as atividades do Facebook: denúncias de um grupo alemão apontam para o fato de que, até mesmo após deletar a conta na rede social, os usuários continuam sendo rastreados. Isso significa que dados de navegação continuam sendo recebidos pelos servidores de Zuckerberg.

De onde vêm as denúncias?

A fonte principal das acusações é a ACLU (União pela Liberdade Civil Americana, uma organização independente dos EUA), que afirma categoricamente: "A rede social está seguindo você". Foi ela que entrou em contato com o órgão governamental FTC (Comissão Federal do Comércio, também dos EUA), com as denúncias de que o Facebook estava roubando informações.

O que a ACLU pede é que uma ferramenta chamada Do not track (Não rastreie) seja instalada no Facebook. Com ela, os usuários poderiam decidir se desejam ter suas informações de navegação rastreadas e enviadas para a rede social e seus parceiros. O próximo passo, caso a FTC endosse as denúncias, será levar os pedidos até o congresso norte-americano.

O que isso significa? O Facebook está passando pelas mesmas denúncias que a Google passou algum tempo atrás. Provavelmente, o rastreamento de dados de navegação deve ser utilizado para personalização de oferta de conteúdo, segmentando com mais eficiência os anúncios exibidos.

Encarar esses fatos como invasão de privacidade depende de cada leitor. Mas é fato que, nem todos os usuários gostam de saber que estão tendo todos os passos vigiados. Ainda mais quando não se sabe quais são as reais intenções por trás da atitude.

* Fonte: Portal Terra.

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