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As crianças-soldados na Colômbia


No país, ao menos 18 mil menores de idade fazem parte de organizações armadas e cerca de 100 mil estão ligados indiretamente a elas

Por Página 12


Os números que dão conta dos jovens envolvidos no conflito bélico, vivido pela Colômbia, espantam. No país, ao menos 18 mil menores de idade fazem parte de organizações armadas e cerca de 100 mil estão ligados indiretamente a elas, segundo relatório oficial, que será publicado nesta semana, e que na segunda-feira (13) foi antecipado pela imprensa colombiana. Os menores são geralmente recrutados quando têm 12 anos e integram tanto os grupos guerrilheiros – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN) – como bandos paramilitares e do chamado crime organizado, sustenta a investigação. A maioria é constituída de meninos (57%), mas o recrutamento de meninas cresce em grande velocidade, sustenta o documento que inclui testemunhos de vários menores.
O relatório “Como cordeiros entre lobos” será apresentado, na quarta-feira (15), na sede do estatal Instituto Colombiano do Bem-estar Familiar (ICBF). No entanto, na segunda-feira, suas principais conclusões foram publicadas pelo jornal bogotano “El Tiempo”. Trata-se de uma investigação realizada por uma equipe de mais de oitenta pessoas, que trabalhou ao longo de quatro anos e que sistematizou, pela primeira vez, as circunstâncias do recrutamento de menores de idade por essas organizações. De acordo com o documento de cento e vinte páginas, todas as crianças recrutadas provêm do setor mais pobre da sociedade colombiana, que equivale a 12,6% da população total do país. Em 69% dos casos, sua origem é rural e seus pais são camponeses, embora o recrutamento em áreas urbanas cresça aceleradamente, sendo já dezessete vezes maior que há quatro anos, adverte o estudo.
Em média, também, a cada três anos esses menores haviam emigrado ou foram deslocados, forçadamente, antes de ingressar nos grupos armados. Por outra parte, a pesquisa destaca a extrema vulnerabilidade dos povos indígenas, cujas crianças possuem 674 vezes mais possibilidades do que outras crianças de ser diretamente atingidas pelo conflito armado ou de serem recrutadas.
O relatório assegura que ao lado dos “não menos de 18 mil” menores, que fazem parte dos grupos armados, “num sentido mais amplo” existem “umas 100 mil crianças e adolescentes” vinculadas com “setores da economia ilegal ou diretamente controlada por grupos armados ilegais e organizações criminosas”. Na escalada da violência que há anos açoita o país latino-americano, na segunda-feira, o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, de Cali começou a coordenar a resposta das forças públicas ao recente aumento dos ataques das FARC em uma área do sudoeste do país, seguindo ordens do presidente Juan Manuel Santos.
Nos últimos meses, as FARC vêm desenvolvendo uma ofensiva no departamento Vale de Cauca, que notavelmente foi aumentada no início de julho. Depois de dias de relativa calma, desde quinta-feira (09), os atentados com explosivos intensificaram-se, o que motivou Santos a instruir Pinzón e os comandantes de todas as forças militares para se deslocarem a Cali, capital do departamento Vale de Cauca, para coordenar as medidas de segurança.
Pinzón chegou nessa cidade depois que um policial foi morto e dois ficaram feridos devido à explosão de uma bomba escondida em uma moto, no município El Tambo, em Cauca. O ministro se reuniu com autoridades regionais e depois disse, em uma coletiva de imprensa, que as forças de segurança enfrentam “uma bárbara escalada terrorista e criminosa das FARC”, que busca “atingir civis por meio dos atentados com explosivos contra torres de condução de eletricidade”.
De sua parte, o comandante das forças militares, general Alejandro Navas, afirmou que entre quinta-feira e sábado (11) as FARC atacaram dezesseis torres, deixando milhares de habitantes, do Vale de Cauca e do vizinho departamento Nariño, sem energia elétrica. Segundo o ministro, a presença das forças de segurança colombianas, na área, possibilitou a apreensão de 150 granadas que pertenciam à sexta frente das FARC. Revelou ainda que, num combate, os militares mataram três membros da organização guerrilheira e capturaram seis, dois deles feridos, em uma área rural de Buenaventura, o principal porto colombiano no Oceano Pacífico, no Vale de Cauca. Pinzón comentou que os membros do grupo guerrilheiro foram responsáveis por alguns dos atentados cometidos, nas últimas horas, contra a infraestrutura elétrica. 
Tradução: Cepat
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Uribe usou arquivos das FARC para incriminar Chávez e Correa, revela Wikileaks


O governo do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-2010) manipulou informações contidas nos computadores de "Raúl Reyes" -- codinome de um dos líderes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assassinado em 2008 --, para vincular o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o equatoriano, Rafael Correa, à guerrilha, de acordo com despachos vazados pelo Wikileaks.

Uma série de despachos publicados pelo jornal colombiano El Espectador informou que a administração Uribe utilizou "estrategicamente" o material que foi entregue a vários países e "que inclusive conseguiu fundos privados para que um organismo estrangeiro direcionasse às conclusões”. O trecho se refere ao relatório do Instituto de Estudos Estratégicos (IISS) "Dossiê das FARC: os arquivos secretos de Venezuela, Equador e Raúl Reyes", publicado este mês.

Um dos documentos – datado apenas um mês após a operação militar colombiana que matou o guerrilheiro, no Equador – revela que o então ministro da Defesa, Juan Manuel Santos [atual presidente], como o vice-ministro Sergio Jaramillo, haviam confirmado que se planejava utilizar o material apreendido para provar conexões dos presidentes da Venezuela e do Equador com as FARC.

Jaramillo foi designado por Uribe para "desenvolver a estratégia de utilização dos conteúdos do computador de Reyes". Número dois das FARC, o guerrilheiro foi abatido em um acampamento localizado em território equatoriano, a 1.800 metros da fronteira com a Colômbia, em março de 2008.

A operação causou um desentendimento entre Quito e Bogotá e provocou a ruptura das já desgastadas relações diplomáticas entre o governo Uribe e Chávez. No ataque, morreram 26 pessoas, entre elas Reyes, o equatoriano Franklin Aisalla e quatro estudantes universitários mexicanos. Os três países renovaram as relações diplomáticas no ano passado, após Santos assumir a presidência.

O documento diplomático mostra ainda que o governo colombiano esperou que a Interpol (polícia internacional) verificasse a informação dos computadores de Reyes para depois entregar o material a uma organização independente, que não fosse ligada nem a Bogotá, nem a Washington.

O então ministro Santos entregou toda a informação aos Estados Unidos, mas deixou claro ao embaixador norte-americano William Brownfield que fazia a entrega daquele material mediante a condição de que seu conteúdo não fosse divulgado sem antes consultar previamente a Colômbia.

Paralelamente, Jaramillo viajava a cada semana para mostrar informação dos computadores de Reyes a distintos governos, entre eles do México, Brasil, Chile, Reino Unido e França. Na semana passada, a Corte Suprema de Justiça concluiu que o conteúdo dos e-mails de Raúl Reyes não poderia constituir prova judicial.

Na última sexta-feira (20/05), Santos assegurou que o procedimento realizado com os computadores foi correto. No dia 10 de maio, o governo colombiano havia dito que não faria comentários acerca da pesquisa do IISS. O estudo se baseou na informação contida nos computadores do guerrilheiro número dois.

Por sua vez, o ministro de Defesa de Equador, Javier Ponce, respondeu também na sexta-feira que "ficam desvirtuadas" as acusações de apoio das FARC à campanha presidencial do presidente Correa, quando a Corte de Justiça colombiana invalidou como provas os e-mails de Reyes.

Fonte: Opera Mundi

Higuita anuncia candidatura à prefeitura de cidade colombiana


O ex-goleiro da seleção colombiana René Higuita vai se candidatar à prefeitura da cidade de Guarne, nas imediações de Medellín, onde vive há 14 anos, segundo informou a imprensa colombiana.

O ex-atleta explicou para o site do jornal El Tiempo, de Bogotá, que sua candidatura não é vinculada a nenhum partido e que, portanto, vai recorrer a uma coleta de assinaturas que apoiem sua iniciativa.

"Minha família e mesmo alguns líderes comunitários me animaram e já nos reunimos com assessores para formalizar a proposta", declarou o jogador, famoso por eternizar a "defesa escorpião".




Ele disse que pretende financiar sua campanha por meio de rifas e até mesmo de um possível "espetáculo" desportivo -- que deve contar com a participação de amigos -- que o permita angariar fundos.

A respeito de seu alinhamento político, Higuita afirmou que sua "proposta surgirá do diálogo com as comunidades" e que deve "escutar suas necessidades e depois priorizá-las".

O ex-goleiro declarou que a ideia de candidatar-se surgiu após ter enfrentado problemas de atendimento com uma de suas filhas em um dos hospitais da região.

Fonte: Opera Mundi

Venezuela rompe relações com a Colômbia



No vídeo acima, da Telesur, o momento em que Chávez, ao lado de Diego Maradona, anuncia o rompimento (em espanhol) e explica as suas razões.

Por que Chávez rompeu relações com a Colômbia

Breno Altman

Nas últimas semanas, o presidente venezuelano Hugo Chávez passou diversos sinais conciliadores para o mandatário eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que tomará posse dia 7 de agosto. O retorno também foi promissor: o novo chefe de Estado colombiano revelou-se disposto a construir uma agenda positiva, que permitisse o pleno reatamento entre os dois países.

Mas a aproximação foi fulminada pela ação de Álvaro Uribe, desconfortável com a autonomia de seu sucessor e o risco de perder espaço na vida política do país. Mesmo sem qualquer incidente que servisse de pretexto, jogou-se nos últimos dias a reativar denúncias sobre supostos vínculos entre as Farc e a administração chavista.

O ápice da performance uribista foi a atual reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), que se realiza em Washington. Bogotá apresentou provas para lá de duvidosas, que sequer foram corroboradas por seus aliados tradicionais, de que a Venezuela estaria protegendo e acobertando atividades guerrilheiras. A reação de Caracas foi dura e imediata.

A decisão pela ruptura de relações diplomáticas, no entanto, pode ser provisória. O próprio presidente Chávez, nas primeiras declarações a respeito dessa atitude, reafirmou a esperança de que Santos arrume a bagunça armada pelo atual ocupante do Palácio de Nariño. Mas reiterou sua disposição de enfrentar e desqualificar a estratégia de Uribe.

O presidente colombiano parece mirar dois objetivos. O primeiro deles é interno: a reiteração da “linha dura” como política interna facilita sua aposta de manter hegemonia sobre os setores militares e sociais que conseguiu agregar durante seu governo. O segundo, porém, tem alcance internacional. O uribismo é parte da política norte-americana para combater Chávez e outro governos progressistas; mesmo fora do poder, o líder ultradireitista não quer perder protagonismo e se apresenta como avalista para manter Santos na mesma conduta.

Fontes do Palácio de Miraflores não hesitam em afirmar que as provocações de Uribe, além de fixar seu alvo no presidente venezuelano, seriam estranhamente coincidentes com o discurso de José Serra e Indio da Costa no Brasil, retomando a pauta de eventuais relações entre o PT e a guerrilha colombiana. Esses analistas afirmam que o governante de Bogotá deu um lance para se manter em evidência na disputa regional entre os blocos de esquerda e direita.

Autoridades venezuelanas, nos bastidores, se empenham para que haja uma condenação generelizada, dos países latino-americanos, à conduta de Bogotá e ao cúmplice silêncio norte-americano. Não desejam que outras nações sigam o caminho da ruptura, mas Chávez parece convencido que seu colega colombiano não poderá ser detido com meias-palavras ou atos de conciliação.


*Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi

Oportunismo na libertação de Ingrid Betancourt

A notícia da libertação de Ingrid Betancourt, refém há 6 anos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) virou manchete em todos os cantos. E o que mais incomoda a qualquer leitor/telespectador com um pouco de senso crítico é a forma instrumental com que tem se dado esta cobertura.
Um exemplo grotesco disto foi a cobertura do Jornal da Globo ontem a noite. Era explicito a tentativa de utilizar este fato como forma de generalizar um ataque as esquerdas como um todo. Não sobrou nem para Marx, que foi objeto de chacotas pelo sempre "brilhante" Arnaldo Jabor.
A agência Adial, nos traz elementos que ajudam a encontrar elementos encobertos por esta cobertura sensacionalista dos grandes meios de comunicação.
"Há fatos dando conta de que o mérito não é somente do governo colombiano, contrariamente ao que afirma o ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. O ministro chamou o resgate de uma brilhante operação de inteligência militar. De acordo com reportagens da imprensa mundial, dois delegados europeus estiveram envolvidos nas negociações com as Farcs, o francês Noel Sáez e o suíço Jean Pierre Gontard.
Segundo as informações, as Farcs já haviam expressado a intenção de libertar os reféns e o governo colombiano havia autorizado os contatos. O jornal francês Le Figaro divulgou que os emissários europeus haviam se reunido no domingo ou na segunda dessa semana na selva colombiana com uma pessoa próxima ao novo chefe da guerrilha, Alfonso Cano.
Segundo fontes do governo colombiano, o resgate foi realizado em uma zona de florestas do departamento de Guaviere, no sudoeste da Colômbia. Para a Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL), muitas sombras ainda rodeiam a explicação de como tudo aconteceu. A Agência ressalta que nenhum comunicado oficial foi enviado pelas Farcs.
"É necessário nesses momentos convocar a oligarquia colombiana a não se embriagar falsamente com um ‘triunfo’ que em nenhum momento é deles e a não acreditar que podem impor o que querem ao povo colombiano. Não. Agora mais do que nunca nossa convocação a partir de ANNCOL é a de ter os pés sobre a terra e pensar com cabeça fria", afirma um comunicado da Agência, que com freqüência repassa os informes e comunicados oficiais do grupo insurgente.
A Agencia pede que governo e guerrilha não joguem fora uma oportunidade histórica: "A uns que não se fechem à eventualidade de mudanças que cedo ou tarde terão que ser realizadas - que sabemos que em seu maior desejo e na eventualidade que o ‘outro’ assim o queira-, e aos outros a não impossibilitar as mudanças na vida nacional que nos levem a uma saída política ao conflito social e armado interno que sofremos, apesar de que na administração de Bogotá não de pode confiar".

O analista internacional e ex-professor da London School of Economics (LSE), Isaac Bigio, em análise realizada especialmente para Analisis Global/BR Press, afirmou que o resgate pode beneficiar o presidente colombiano Álvaro Uribe nos problemas que enfrenta com a Corte Suprema do país. A Corte questiona a "ilegalidade" da eleição de Uribe pelo fato de 20% de seus congressistas estarem ligados ao paramilitarismo." A íntegra da matéria pode ser conferida aqui

Veremos como se desenrolaram os fatos na conturbada conjuntura política colombiana, mas fato é que, a imprensa e a direita internacional tentarão fazer o uso mais oportunista possível neste fato. O nosso dever será o de não aceitar as "falsas verdades" que se vincularão.

O mandato de sangue de Uribe

Emir Sader

A libertação dos quatro parlamentares colombianos confirma qual é a via da pacificação da Colômbia: a negociação política, com a participação de mediadores internacionais. O sucesso do presidente venezuelano Hugo Chávez e da senadora colombiana Piedad Córdoba é a única tentativa de sucesso de abrir canais para levar a paz à Colômbia.

A posição dos quatro parlamentares, além do reconhecimento do papel de Hugo Chávez e de Piedad, é a de acusar o presidente da Colômbia Alvaro Uribe de ser o obstáculo hoje para a troca pacífica de prisioneiros, ao insistir em não aceitar a liberação temporária de um território para que se efetuem as trocas. Um deles pergunta a Uribe se lhe parece que sua política de pacificação tenha tanto sucesso como ele anuncia, se não consegue ceder por um tempo determinado um território para salvar vidas humanas? Pergunta também se vidas humanas não valem mais do que uma cessão temporária de territórios.

Os familiares dos que ainda permanecem prisioneiros insistem nessa direção, reiterando que ofensivas militares só levam a colocar em risco aos reféns, além de não haver solução militar, só solução política para a Colômbia.Existe a proposta da formação de um Grupos de Amigos da Colômbia, para tentar intermediar a troca humanitária dos reféns pelos presos que tem o governo colombiano, de que participariam governos como os do Brasil, da Argentina, da Nicarágua, da França, entre outros.

O presidente colombiano demonstra toda sua inflexibilidade e reitera sua linha de ação militar – a mesma da “guerra infinita “ de Bush -, recusando os termos da negociação e retomando ofensivas militares. Numa delas foi morto o segundo dirigente das Farc, Raul Reyes, que atuava também como porta-voz da organização. O temor é que as Farc tomem represálias e aí o processo possível de negociações para a troca de prisioneiros se torne completamente inviável.

É a linha dura de Uribe, que precisa dos enfrentamentos militares para manter sua popularidade interna e conseguir reformar de novo a Constituição e poder obter um terceiro mandato. Ele perdeu as eleições municipais internas nas principais cidades do país, como Bogotá, Medellin, Cali, por isso precisa desviar a atenção dos colombianos para que não avaliem seu governo, mas se mantenham sob a chantagem da guerra, com ele supostamente representando a paz. Quando na realidade Uribe representa e precisa da continuidade da guerra.

Esse o jogo de Uribe, o de produzir mais sangue, como combustível para um terceiro mandato, às custas da paz e da solução política para a já tão sofrida Colômbia. Resta que os governos dos países preocupados com a paz e próprio povo colombiano, na manifestação convocada pelo fim de todo tipo de violência, atuem para obrigar o governo colombiano a parar com as ações militares e aceitar os únicos termos possíveis para que a Colômbia possa voltar a viver em paz.