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Bancos lucram e fazem chantagem
Por Altamiro Borges
O Itaú-Unibanco divulgou na sexta-feira que teve um lucro líquido de R$ 3,622 bilhões no segundo trimestre deste ano – alta de 1,03% em relação ao mesmo período de 2012 e de 3,13% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Já o Bradesco anunciou na semana retrasada que o seu lucro líquido no mesmo período foi de R$ 2,949. Mesmo assim, segundo reportagem de Karin Sato e Karla Spotorno, no jornal Valor, os banqueiros estão indignados e exigem mudanças na política macroeconômica do governo Dilma. Eles reclamam que os seus lucros poderiam ser bem maiores e voltam a chantagear pela alta das taxas de juros. A desculpa, lógico, é o fantasma da inflação.
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8/05/2013
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O que há de escandaloso no escândalo Libor?
Por Immanuel Wallerstein
Desde 4 de julho, lemos nos maiores jornais do mundo e nas declarações de deputados, dirigentes de bancos centrais e autoridades judiciais que há um “escândalo” a envolver uma coisa chamada Libor. Antes disso, poucas pessoas, para além do grupo que se interessa por bancos, tinham ouvido falar da Libor. Subitamente, disseram-nos que os maiores bancos da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, da Suíça, da Alemanha, de França, e provavelmente de um grande número de outros países, estavam envolvidos em ações supostamente “fraudulentas”.
Além disso, explicaram-nos que não se tratava de uma questão de centavos. Derivados financeiros de centenas de trilhões de dólares baseiam-se na taxa Libor. A acusação era de que os bancos “manipulavam” esta taxa, obtendo não só lucros astronómicos; só que, por outro lado, as pessoas que estavam pagando hipotecas e empréstimos, ou os estudantes que estavam pagando empréstimos, pagaram mais do que deveriam. Resumindo: os bancos obtiveram, de fato, lucros enormes à custa de outros, que tiveram perdas pesadas.
Tudo isso suscitou muitas questões. (1) Como isso foi possível? (2) Por que as autoridades reguladoras não interromperam uma prática que agora dizem ser tão fraudulenta; ou seja: quem sabia o quê e quando? E (3) alguma coisa pode ser feita para garantir que isto não aconteça novamente?
Vamos começar com a definição da taxa Libor. É uma abreviação de London Interbank Offered Rate (Taxa Interbancária Praticada em Londres). Não é muito antiga: a versão definitiva é de 1986. Na época, a British Bankers Association (Associação dos Banqueiros Britânicos) pediu que os “maiores bancos” compartilhassem informação diária sobre as taxas de juros que pagariam, se tomassem empréstimos de outros bancos. Depois de eliminados os valores extremos, determinava-se uma taxa média, modificada diariamente. A ideia era que, se os bancos se sentissem confiantes sobre o estado da economia, a taxa seria mais baixa; se estivessem inseguros, a taxa seria mais alta.
Quando a imprensa mundial usou a palavra “escândalo” para falar sobre a Libor, ficou claro que o tema tinha sido debatido muito antes, em ambientes menos visíveis. Parece que o Wall Street Journal tinha divulgado um estudo, em 29 de maio de 2008 (sim, em 2008!), sugerindo que alguns bancos estavam subestimando os custos dos empréstimos. Outros imediatamente disseram que o estudo era impreciso ou, se correto, que os bancos tinham agido de forma inadvertida. Análises acadêmicas subsequentes sugeriram, contudo, que a acusação de subestimação dos custos era de fato verdadeira.
A questão é que quando um banco está a lidar com 50 trilhões de dólares em valores teóricos, uma pequena subestimação de taxas gera imediatamente um aumento significativo dos lucros. Assim, a tentação era óbvia. Acontece que, já no início de 2007, tanto o Federal Reserve quanto o Banco da Inglaterra suspeitaram dessa subnotificação. Nenhum fez muita coisa.
Agora dizem-nos que essas taxas, longe de serem confiáveis ou estáveis, são na verdade meras “suposições”. Desde que o Lehman Brothers entrou em colapso, os bancos em todo o mundo deixaram de realizar empréstimos entre si. Como disse o New York Times, num artigo de 19 de julho de 2012: “As taxas precisas têm pouca base real”. Em 2011, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou uma investigação criminal. Graças a fugas de informação, sabemos agora que houve trocas de e-mails entre banqueiros que falavam alegremente da subestimação das taxas, e encorajavam a fazê-lo. Por que não? Estavam a ganhar muito dinheiro.
No meio disto tudo, o Independent publicou uma reportagem de duas páginas sobre os paraísos fiscais, e a quantidade incrível de dinheiro que sai dos países do Sul global para esses lugares, privando-os assim de valores que provavelmente seriam mais que suficientes para financiar as transformações econômicas e a redistribuição de rendimentos que estes países afirmam querer pôr em prática. Ao contrário das manipulações da Libor, os paraísos fiscais são perfeitamente legais.
Então, onde está o escândalo? As duas práticas – manipulação da Libor e transferência de dinheiro para os paraísos fiscais – são absolutamente normais numa economia-mundo capitalista. A finalidade do capitalismo, afinal de contas, é a acumulação de capital – quanto mais, melhor. Um capitalista que não maximiza os ganhos, de uma forma ou de outra, será mais tarde ou mais cedo eliminado do jogo.
O papel dos Estados nunca foi controlar ou limitar estas práticas, mas fazer vista grossa pelo máximo de tempo possível. Uma vez ou outra, as práticas – dos capitalistas e dos Estados – são momentaneamente expostas. Algumas pessoas vão para a cadeia, ou são forçadas a devolver os lucros tecnicamente ilegais. E os políticos falam de reformas – procurando adotar, com grande alarde, o nível mais baixo de “reforma” que puderem.
Mas isto não é um escândalo, porque o que se chama de “escândalo” é, na verdade, o coração do sistema. Algum dia vai isto mudar? Sim, claro. Um dia, o sistema deixará de existir. Claro que isso abre outra questão. O próximo sistema será melhor? É possível, mas não é certo.
Enquanto isso, chamar a manipulação da Libor de escândalo é desviar as atenções do fato de que se trata de mais uma forma normal de acumular capital. Em 1992, James Carville, estrategista da campanha do então candidato Bill Clinton à Presidência dos EUA, saiu-se com um dito que ficou famoso: “É a economia, estúpido”. Frente aos chamados escândalos, deveríamos dizer “É o sistema, estúpido”.
(*) Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net
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8/11/2012
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Vladimir Safatle - Pobres bancos
Por Vladimir Safatle
Quando o governo resolveu, enfim, denunciar a “lógica perversa” que guia o sistema financeiro brasileiro, era de esperar que os consultores e economistas regiamente recompensados pelos bancos aparecessem para contemporizar. Como em uma peça de teatro na qual as máscaras acabam por cair, foi isto o que ocorreu.
Há algo de cômico em ver adeptos do livre mercado e da concorrência procurando argumentos para defender uma banca de oligopólio especializada em espoliar os brasileiros com “spreads” capazes de deixar qualquer banco mundial corado de vergonha.
Se os bancos brasileiros estão entre os que mais lucram no Universo, é porque nunca precisaram, de fato, viver em um sistema no qual o poder estatal impediria a extorsão institucionalizada à qual ainda estamos submetidos.
No mundo inteiro, o sistema bancário faz jus à frase do dramaturgo Bertolt Brecht: “O que é roubar um banco se você imaginar o que significa fundar um banco?”.
Nos últimos anos, vimos associações bancárias com comportamentos dignos da máfia, pois são especializadas em maquiar dados e balanços, criar fraudes, ajudar a evasão fiscal, operar em alto risco e passar a conta para a frente, além de corromper entes públicos.
Mas a maior astúcia do vício é travestir-se de virtude. Assim, o sistema financeiro criou a palavra “austeridade” a fim de designar o processo de assalto dos recursos públicos para pagamento de rombos bancários e “stock-options” de executivos criminosos, com a consequente descapitalização dos países mais frágeis.
Se não tivemos algo da mesma intensidade no Brasil, vemos agora um processo semelhante do ponto de vista retórico. Assim, os “spreads” bancários seriam o resultado indigesto do risco alto de inadimplência, já que a população brasileira teria o hábito pouco salutar de não pagar suas dívidas e se deixar endividar além da conta.
Neste sentido, os lucros bancários seriam (vejam só vocês) o remédio amargo, porém necessário, até que a população brasileira aprenda a viver com o que tem e assuma gastos de maneira responsável. O mais impressionante é encontrar pessoas que se acham capazes de nos fazer acreditar nessa piada de mau gosto.
A verdade é que quanto menos poder e margem de manobra o sistema financeiro tiver, melhor é a sociedade. Há sempre aqueles “consultores” que dirão: “É fácil falar mal dos bancos”, apresentando o espantalho do populismo. A estas pessoas devemos dizer: “Sim, é fácil. Ainda mais quando não se está na folha de pagamento de um”. Já sobre o “risco” do populismo, pobres são aqueles para os quais a defesa dos interesses econômicos da população sempre é sinal de irracionalidade.
* Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, em 08/05/2012.
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Twittaço em apoio a greve dos bancários
O Sindicato dos Bancários está em greve. Greve que entre as principais reivindicações, está o aumento salarial de 5% mais inflação do período, valorização do piso, PLR maior, fim da rotatividade, mais contratações, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, regulamentação do sistema financeiro nacional, mais segurança, igualdade de oportunidades entre outras reivindicações.
O lucro dos bancos cresceu 20,11% no primeiro semestre deste ano, um avanço de R$ 4,3 bilhões em relação ao mesmo período de 2010. Ostentando lucros astronômicos desta magnitude, não é razoável que os trabalhadores não recebam um aumento real e condições dignas de trabalho.
A ganância dos banqueiros não tem limites e como tentativa de enfraquecer a greve, contando com uma de suas principais aliadas, a mídia golpista, que em Porto Alegre tem a RBS a frente, não tem poupado esforços para deslegitimar a greve e enfraquecer o movimento.
As direções das instituições financeiras lançam uma série de rumores entre os trabalhadores. São diz-que-diz tentando enfraquecer a greve tendo por eco a mídia golpista.
O Sindicato alerta: toda informação confiável sobre a greve está nos veículos de comunicação da entidade, "O Bancário", o site http://www.sindbancarios.org.br, Twitter (@sindbancarios), facebook (/sindbancarios). Em caso de dúvida, ligue 3433-1200 ou fale com um dirigente sindical.
Como forma de ampliar a rede de apoio e solidariedade ao movimento, esta sendo organizando um twitaço nesta terça feira (04/10), às 21h, para mostrar que somos bancários e estamos em greve, lutando por melhores salários e por melhores condições de trabalho. Vamos dizer BASTA (!) também para todas as manobras midiáticas que se coloquem contra a luta dos trabalhadores.
Terça-feira (04/10), às 21h, twitaço com a tag #alorbssoubancarioestouemgreve
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10/02/2011
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Os Roberto Marinho eram sócios de Kadafi
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| João Roberto Marinho, o falecido patriarca, Roberto Irineu Marinho e José Roberto Marinho: sócios de Kadafi no Banco ABC-Roma |
Uma bomba, como aquelas da OTAN jogadas nas cabeças dos líbios, acaba de atingir em cheio o QG da TV Globo.
O blog Os Amigos do Presidente Lula traz a notícia de que Roberto Marinho e seus filhos foram sócios de Muamar Kadafi nos anos 80/90, no banco ABC-ROMA (RO-MA são iniciais de Roberto Marinho, e ABC as iniciais do Arab Banking Corporation).
O Arab Banking Corporation tinha e tem o Banco Central da Líbia (estatal, sob comando do governo Kadafi) como principal acionista desde sua criação em 1980.
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| Tradução do texto marcado: CBL (Banco Central da Líbia) tem sido principal acionista do Banco (ABC) desde sua criação em 1980. |
A sociedade entre os Marinho e o governo de Kadafi foi criada em 1989, como expansão dos negócios financeiros da família Marinho, que já detinha a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários ROMA desde os anos 70, e durou até o ano de 1997.
Curioso observar que a sociedade Marinho-Kadafi começou logo após o governo Líbio ser acusado de envolvimento no atentado terrorista que derrubou um avião na Escócia (dezembro/1988). Durante todo o tempo em que durou a sociedade com os donos da TV Globo, a Líbia foi alvo de sanções da ONU, embargos e congelamento de dinheiro no exterior. Kadafi só começou a se reaproximar dos países da Europa Ocidental em 1999 e só reconciliou com a Europa e EUA em 2004.
Até o momento as organizações Globo não comentaram o assunto.
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Eric Cantona convoca boicote aos bancos
Estudantes e funcionários públicos em toda a Europa que se preparam para um longo inverno de protestos e manifestações acabam de receber ajuda de peso de Eric Cantona, jogador de futebol afamado e modelo arquetípico de rebelde.
Aos 44 anos, o ex-jogador recomendou corrida massiva aos bancos mundiais, em entrevista a um jornal, filmada também para ser exibida pela televisão. A entrevista virou sucesso imediato no YouTube e já desencadeou vasto movimento político (em http://www.youtube.com/watch?v=-Uop5R7E314).
Cantona começou por intervenções de ação direta dentro e fora das quatro linhas. Em 1995, foi punido com nove meses de suspensão, quanto atacou com um golpe de caratê, no Crystal Palace, um espectador que gritou slogans racistas contra um jogador, depois de ter sido expulso (no detalhe da foto ao lado). Agora, solidário ao protesto dos franceses, o já aposentado Cantona prega abordagem mais radical e mais sofisticada para forçar melhores condições de negociação.
O jornal regional Presse Océan em Nantes perguntou a Cantona sobre seu trabalho social com a Fundação Abbé Pierre, que faz campanha por moradia para os pobres e para a qual produziu um livro de fotografias no ano passado. A discussão rapidamente tomou outro rumo e o entrevistador comentou as manifestações de rua na França e em toda a Europa contra os cortes nos investimentos governamentais na melhoria da assistência aos cidadãos, na atual 'nova era de austeridade'.
Cantona, usando uma brilhante jaqueta vermelha, disse que os protestos, como estão sendo feitos, jamais trarão qualquer resultado. Cartazes e palavras de ordem já não mudam nada. Em vez disso, os manifestantes poderiam provocar verdadeira revolução social e econômica, se sacassem todo o dinheiro que todos têm depositado nos bancos.
Disse Cantona: "Não acho que alguém possa sentir-se completamente feliz, vendo a horrível miséria que nos cerca. A não ser que você viva numa redoma. Sempre há alguma coisa que qualquer um pode fazer. De qualquer modo, sair às ruas já não resolve problema algum. Há outros meios para fazer as coisas andarem melhor.
"Tampouco acredito em pegar em armas e sair matando gente, para iniciar a revolução. De fato, a coisa hoje ficou até muito mais fácil do que antes. Qual é a base sobre a qual todo o sistema foi construído? Todo o sistema está hoje construído sobre o poder dos bancos. Portanto, o sistema só pode ser modificado ou destruído se modificarmos ou detruirmos os bancos.
"Se as três milhões de pessoas que levaram seus cartazes para as manifestações de rua fossem ao banco e sacassem todo o dinheiro que têm depositado lá, os bancos entrariam em colapso. 3 milhões, 10 milhões de pessoas sacando todo o dinheiro que têm depositado em bancos é movimento civil, de que qualquer um pode participar sem medo de represálias. E começaríamos uma revolução.
"Bastaria que cada um fosse ao banco e sacasse todo o próprio dinheiro. Não é difícil. Em vez de ir para as ruas, ou de dirigir quilômetros para participar das manifestações na capital, cada um vai ao próprio banco, na cidade e no país em que estiver, e saca o próprio dinheiro. O dinheiro fica na mão do seu legítimo proprietário e os bancos desmoronam. Serviço limpo. Sem armas, sem violência, sem sangue."
E concluiu: "Nada de complicado. E, imediatamente, os bancos passariam a ouvir de outro modo os cidadãos. Sindicatos? Quem pode reivindicar alguma coisa, com medo de ser demitido? Os sindicatos precisam entender melhor o mundo."
A ideia de Cantona parece ter tocado ponto sensível em muitas cabeças e gerou resposta imediata. Mais de 40 mil visitas imediatas ao filme no YouTube e um movimento francês (StopBanque) imediatamente começou a divulgar campanha para saques massivos, coordenados, de vários bancos, todos no dia 7/12 próximo. Até agora, mais de 14 mil pessoas já se comprometeram a sacar. O movimento agora começa a ser divulgado na Grã-Bretanha.
O trio de usuários do Facebook que agora organizam a campanha em toda a Europa, já convocaram o saque geral. "Nós controlamos os bancos, não o contrário", escreveram.
O documento-manifesto do movimento, pode ser lido na página Bankrun2010.com , onde se lê:
"Nosso movimento pode ser mais bem-sucedido do que podemos imaginar. É movimento popular (...) e não atacamos nada e ninguém em particular, além do sistema criminoso, corrupto, moribundo ao qual decidimos resistir pelos meios que temos, dentro da lei."
O documento é assinado por Géraldine Feuillien, 41, cineasta belga, e Yann Sarfati, 24, francês, ator e diretor de cinema.
Sarfati e Feuillien disseram que só pensaram em divulgar o clip de Cantona, mas, de repente, viram-se no meio de um moviemtno global de cidadãos". (...) "Não somos anarquistas nem ligados a partido político ou sindicado. Apenas entendemos que é outro modo de protestar."
Sarfati acrescentou: "Entre duas gravações de anúncios para a L'Oréal, Cantona achou jeito de deixar falar seu lado revolucionário. O sujeito vive bem, mas evidentemente tem consciência social. Pareceu-me sincero."
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11/22/2010
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Estudo do Ipea mostra que bancos brasileiros promovem exclusão social
O Brasil tem um sistema bancário incompleto, que contribui para a concentração de riqueza e aumento da exclusão social. É o que mostra o estudo do Ipea divulgado por meio do Comunicado nº 20 da presidência do instituto apresentado pelo presidente Marcio Pochmann. Denominado "Transformações na indústria bancária brasileira e o cenário de crise". O estudo mostra que o esvaziamento do Estado no mercado financeiro brasileiro em nada beneficiou a inclusão social e a popularização bancária.Com números do BC e de outras fontes, o estudo mostra ainda o aumento da concentração bancária. Entre 1996 e 2006, a participação dos 20 maiores bancos nos ativos totais do sistema financeiro nacional saiu de 72% para 86%. Segundo o levantamento, a decisão da autoridade monetária de privatizar boa parte do sistema bancário oficial, na década de 1990, deu resultado.
O número de bancos estatais foi reduzido em 59,4%, no período de 1996 a 2007, com a arrecadação de US$ 6,5 bilhões. E a participação dos públicos no total de ativos do sistema caiu de 52% para 30%, no mesmo intervalo, representando 8,3% do total de bancos. O Ipea mostra ainda que houve um encolhimento de 32,2% na quantidade de bancos em geral, também no período de 1996 a 2007. A consequência foi o aumento na presença dos bancos estrangeiros, que passaram a representar 36,6% do total atuando no país.
Outro ponto destacado no estudo é a concentração geográfica do crédito bancário, onde as regiões Sul e Sudeste respondiam por 84% do crédito ofertado em todo o país. O juro elevado praticado no Brasil, destaca o Ipea, gera para os bancos estrangeiros um ganho "quase 10 vezes mais elevado" nos empréstimos a pessoas físicas. E "quatro vezes maior" no crédito a empresas, em relação ao lucro que os estrangeiros obtém com as mesmas operações em outros países.
Desigualdade regional
O Ipea destaca as dificuldades que ainda persistem para ampliar o acesso ao atendimento bancário. O estudo conclui afirmando que "a qualidade do sistema bancário brasileiro e seus mecanismos de regulação" são fortes elementos do país contra efeitos mais severos da crise financeira internacional. "De fato, quando são comparados os resultados obtidos no Brasil com os países da América do Norte, Europa Ocidental e Japão, no momento atual, essa constatação é de difícil refutação", diz o Ipea.
A redução da quantidade de bancos em operação nos últimos onze anos contribuiu ainda para promover mais desigualdade regional. "Nos últimos dez anos, houve uma transferência de recursos que serviam de crédito para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil para uma maior concentração na região Sudeste", apontou Pochmann. Segundo o estudo, "ao contrário dos Estados Unidos, que combinou a redução na quantidade de bancos com ampliação do número de agências bancárias, o Brasil apresentou diminuição na quantidade tanto de bancos como no número de agências."
Em 2007, por exemplo, o país possuía somente 156 instituições bancárias, enquanto a Alemanha registrou 2.130 bancos e os Estados Unidos 7.282 bancos. A principal fase de redução da presença dos bancos públicos no Brasil ocorreu entre 1995 e 2001, com uma breve interrupção entre 2001 e 2003, quando voltou novamente a perder importância relativa no total de ativos bancários. Em 2007, o Brasil tinha menos agência por brasileiro do que na década de 80, quando havia, para cada agência, cerca de 8 mil brasileiros.
Popularização de serviços
A diferença regional indicada no estudo é alarmante quando se pensa em desenvolvimento de médio e longo prazo no país. "Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, a relação da população por agência chega a ser quase três vezes maior do que nas regiões Sul e Sudeste", diz o Ipea. Entre 1996 e 2006 as três regiões acumulam uma perda de 41,4% na participação relativa no total de crédito.
O estudo observa que houve avanço da experiência brasileira de popularização de serviços bancários por intermédio das operações de correspondentes não bancários. "No ano de 2008, por exemplo, o Brasil registrou a presença de 84,3 mil correspondentes bancários operados em locais não bancários como padarias, postos lotéricos, correios, farmácias, entre outros", afirma.Esses avanços, no entanto, não são ideais. "O Brasil precisa avançar rapidamente do ponto de vista da popularização dos bancos", defendeu Pochmann. Ele considera que a constituição de novos bancos, "bancos comunitários como existem nos Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, ajudaria não apenas a difundir o crédito, mas torná-lo mais acessível à população que se encontra fora do sistema bancário".
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