Por Erick da Silva
Ler algum dos livros do filosofo esloveno Slavoj Žižek é sempre uma
experiência que nunca deixa de nos impressionar. O seu pensamento
radical, onde em sua crítica ao capitalismo se utiliza
principalmente da filosofia marxista hegeliana e da psicanálise
lacaniana, busca escrutinar as contradições do sistema para além
do aparente. A sua peculiar escrita, onde anedotas e passagens de
filmes Hollywoodianos são largamente utilizados para ilustrar suas
ideias, compõem um raciocínio original que muitas vezes não se
apresenta de forma linear ou evidente. Emoldurado em momentos de
brilhantismo, com afirmações polêmicas e polissêmicas, ler a
Žižek é sempre desafiador.
No
livro Violência – seis reflexões laterais, publicado pela
editora Boitempo, o filosofo esloveno aborda a questão de
como a violência, para além de suas manifestações socialmente
condenadas, é parte estrutural do próprio sistema capitalista.
Recordando a George Orwell quando este afirma que “As pessoas
dormem tranquilamente à noite porque existe homens brutos dispostos
a praticar violência em seu nome”, o autor desenvolve uma análise
que busca compreender o fenômeno da violência para além de suas
manifestações ostensíveis.

