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Com o terror racional podemos dialogar?
Por Reginaldo Nasser
Do alto de sua sabedoria e de seu “realismo humanista”, experientes jornalistas, analistas internacionais, professores e diplomatas brasileiros estão em estado de indignação após o discurso da presidenta Dilma Rousseff na ONU.
Tudo isso porque a presidenta condenou o uso da força por parte dos EUA como meio de resolução de conflitos armados que acontecem, atualmente, na Síria e no Iraque, ao mesmo tempo em que solicitou o diálogo com a comunidade internacional e apelou para o uso do direito e das instituições internacionais como instrumentos mais adequados para a paz. Os “indignados” dizem ser favoráveis ao diálogo e apoiam a utilização do direito internacional, mas ressalvam que isso não serve para esses “fanáticos islâmicos”. Segundo um experiente jornalista brasileiro, “nem à força esse tipo de fanáticos se dobra”. Se eu entendi corretamente, o jornalista quer dizer que eles não são passiveis de dissuasão. Bem, neste caso sou obrigado a concluir que é preciso eliminá-los. É isso mesmo?
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10/07/2014
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Noam Chomsky: Barbárie em Gaza
Por Noam Chomsky
Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calma, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas [o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo o Guardian] haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.
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7/14/2014
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Nigéria: como Ocidente alimenta os terroristas
Dois fatores favorecem ao grupo que sequestrou duzentas meninas: a pilhagem do país por transnacionais petroleiras e assassinatos praticados pelos EUA, por meio de drones. Estes dois fatores ajudam a entender o cenário que levam a grupos terroristas como o Boko Haram a terem suas forças ampliadas.
Por Lindsay German
É quase inacreditável que mais de duzentas garotas possam ter sido ser sequestradasde uma escola no norte da Nigéria — em ação realizada pelo grupo terrorista Boko Haram — e ameaçadas em um vídeo, exibido no mundo inteiro, sendo vendidas como escravas por seus capturadores. A descrença é ampliada pelas notícias de hoje de que, ao longo da noite, mais oito meninas foram sequestradas por homens armados, supostamente do Boko Haram, no nordeste da Nigéria. A tragédia toca o coração de todos, evocando um sentimento de asco não só pelo perigo e a perda da própria liberdade, mas pelo pressuposto de que para jovens garotas, seu destino deve ser o casamento forçado e a servidão, não a educação.
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5/09/2014
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Chomsky: Segurança - Conceito controverso
Por Noam Chomsky
Um princípio orientador da teoria das relações internacionais diz que a maior prioridade do Estado é garantir a segurança. Como estrategista da Guerra Fria, George F. Kennan formulou que os governos são criados “para garantir a ordem e a justiça internas e para assegurar a defesa comum.” A proposição parece plausível, quase evidente, até que um olhar mais atento pergunte: Segurança para quem? Para a população em geral? Para o próprio poder do Estado? Para os setores dominantes na sociedade?
Dependendo do que queremos dizer, a credibilidade do princípio varia de desprezível a muito alta. A segurança do poder do Estado é extremamente alta, como revelam os esforços que os Estados desenvolvem para não serem transparentes a suas próprias populações.
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3/26/2014
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O retrocesso democrático da lei antiterror
Uma articulação de senadores pressiona para que a chamada "lei antiterror" seja votada com urgência. Curiosamente esta mesma urgência não foi vista pelo senado para aprovar outros temas caros a população, como a reforma política. Como esta posta, a aprovação da lei antiterror pode colocar a própria democracia em risco.
Por Erick da Silva
Após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro, senadores tentam aprovar projeto para tipificar o crime de terrorismo no Brasil. O Projeto de Lei 499, de 2013 aponta como crime inafiançável “provocar ou infundir terror generalizado”, e estabelece penas de prisão de 30 anos para quem for enquadrado como "terrorista".
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2/12/2014
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A evolução contínua da Al-Qaeda 3.0
As organizações ligadas a Al-Qaeda e suas ideias estão prosperando em praticamente todo o mundo árabe como nunca antes, devido ao fracasso da Primavera Árabe em criar governos reformistas competentes. A contrarrevolução, seja mantendo velhos autocratas no poder ou colocando novos autocratas, já está criando a próxima geração da Al-Qaeda.
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ERick
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1/06/2014
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O caso das "abelhas muçulmanas"
Foi uma loucura. Uma loucura típica de uma sociedade neurótica.
E aconteceu no aeroporto de Bakersfield, que fica a 100 quilômetros ao norte de Los Angeles. Ele foi fechado, evacuado e os vôos desviados.
A razão?
Francisco Ramirez, um jardineiro de 31 anos de idade, que portava cinco garrafas de Gatorade com um líquido estranho. Imediatamente foi detido e levado para interrogatório. Ocorre que o líquido fez disparar os alarmes do aeroporto.
Agentes do FBI, cães farejadores de explosivos, bombeiros e membros de uma força-tarefa conjunta "contra o terrorismo", fecharam as entradas e saídas do aeroporto, talvez imaginando que Ramirez tivesse cúmplices.
Dois agentes de segurança queixaram-se de náuseas ao abrir os frascos e foram levados às pressas para o hospital.
A neurose diminuiu somente depois que Ramirez explicou que nos frascos havia apenas MEL e análises posteriores confirmaram.
Ao serem informados do conteúdo dos frascos, os agentes que haviam sentido náuseas receberam alta do hospital. Mas não descartaram a possibilidade desse mel ser produto de abelhas muçulmanas...
Fonte: Blog do Bourdoukan
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Quando panelas de pressão são mais poderosas que mísseis norte-coreanos

Por Erick da Silva
Ao longo das últimas semanas, os noticiários das agências de notícia internacionais noticiavam a exaustão a ameaça iminente de uma guerra,possivelmente de grandes proporções, entre as Coreias do Sul e do Norte.
Verborragias e exageros a parte, o conflito armado, concretamente, não deverá ocorrer, salvo alguma ação unilateral inesperada e, até o momento, não colocada no cenário.
A tônica na cobertura e análise presentes nos jornais "deste canto do mundo" não cansaram de apontar os riscos de uma ameaça nuclear vinda de Pyongyang. Esta "terrível e maligna" ameaça, no entanto, eis que de repente, praticamente desapareceu das manchetes dos jornais. Sumiu sem dar maiores explicações. O motivo? Duas panelas de pressão.
O trágico ataque terrorista na maratona de Boston, que deixou três mortos e pelo menos 176 feridos, assumiu praticamente a totalidade dos noticiários internacionais. Foi, sem dúvida, um injustificável e absurdo ataque, que causou sofrimento e dor a centenas de pessoas inocentes.
Para a Coreia do Norte tanto melhor, afinal, a pressão belicista, vinda principalmente dos EUA, temporariamente atenua-se.
No entanto, não deixa de ser curioso que duas panelas de pressão sejam hoje mais comentadas e temidas que os tão comentados "misseis nucleares" da Coreia do Norte.
Os EUA, sempre tão paranoicos com sua segurança interna - ao ponto de desenvolver a doutrina da "guerra preventiva" - viram duas panelas de pressão serem mais poderosas que os mísseis norte-coreanos.
Tempos estranhos esses!
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Globalizando a tortura: relatório revela a rede internacional comandada pela CIA
Relatório da Open Society Foundations, ligada ao arquimilionário George Soros, traz 216 páginas em que se reúnem casos de 136 “cidadãos do mundo” sequestrados a mando da CIA norte-americana, em diferentes países, levados para diferentes países, neles eventualmente torturados, alguns terminando a trajetória na infame Guantánamo. Para isso, 54 governos colaboraram com a CIA e os EUA. O artigo é de Flávio Aguiar, de Berlim, para a Carta Maior e reproduzido aqui no blog.
Por Flávio Aguiar
O relatório, divulgado esta semana, é devastador. São 216 páginas reunindo os casos de 136 “cidadãos do mundo” sequestrados a mando da CIA norte-americana, em diferentes países, levados para diferentes países, neles eventualmente torturados, alguns terminando a trajetória na infame Guantánamo, ainda não fechada. São 54 países nomeados, que colaboraram com a CIA e os EUA neste trajeto hediondo de crimes contra a humanidade e contra as normas dos direitos nacionais e do direito internacional. O relatório pode ser encontrado aqui:
http://www.opensocietyfoundations.org/reports/globalizing-torture-cia-secret-detention-and-extraordinary-rendition
Em tempo: a Open Society Foundations é uma rede de fundações de direito privado, fundada pelo arquimilionário George Soros. Sei que diante disso muitos torcerão o nariz – mas antes que virem o rosto para o outro lado, prestem atenção nas informações.
Muitas delas já circulavam na mídia e na internet. Mas é a primeira vez que aparecem em conjunto e sistematizadas dessa forma. Seu nome é “Open Society Justice Initiative – Globalizing Torture”, e sua operação conceitual é demonstrar que a luta antiterrorista, baseada na tortura e na violação do conceito mesmo de direito, iniciada pelom governo Bush é inócua, a não ser do ponto de vista de corroer instituições governamentais e a credibilidade dos Estados Unidos por onde passe.
O relatório abre com uma citação do então vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Chaney, feita em 2001:
“We also have to work, through, sort of the dark side, if you will.
We’ve got to spend time in the shadows in the intelligence world.
A lot of what needs to be done here will have to be done quietly, without any
discussion, using sources and methods that are available to our intelligence
agencies, if we’re going to be successful. That’s the world these folks operate
in, and so it’s going to be vital for us to use any means at
our disposal, basically, to achieve our objective.”
U .S. Vice President Dick Cheney, September 16, 2001.
Ou seja:
“Nós também temos de trabalhar através, digamos, desse lado trevoso, se vocês quiserem. Nós temos de passar algum tempo nas trevas do mundo dos serviços de inteligência. Muito do que deverá ser feito aqui deverá ser feito em silêncio, sem muita discussão, utilizando fontes e métodos que estão disponíveis para nossas agências de inteligência, se nós quisermos ter sucesso. Este é o mundo em que essa gente opera, e assim será vital para nós o uso de quaisquer meios ao nosso alcance para atingirmos nosso objetivo”.
Chaney está abrindo as portas – legalmente, porque antes elas já estavam abertas – do inferno, não para que as almas de lá saiam, como fez Cristo na História Sagrada, mas para que lá os suspeitos e acusados entrem, o inferno dos sequestros, das torturas clandestinas, novamente, como no tempo do nazismo, da “barbárie” descoberta no coração da “civilização”. Com base em documentos, o relatório afirma que 54 países colaboraram, de uma ou outra maneira, com as operações decorrentes, seja permitindo os sequestros, os executando, sendo cúmplices neles, permitndo o tráfego (tráfico?) oculto das vítimas, mantendo prisões clandestinas, praticando torturas, ou as estimulando através de auxílio nos interrogatórios:
Afeganistão, África do Sul, Albania, Argélia, Austrália, Áustria,
Alemanha, Arábia Saudita, Azerbaijão, Belgica, Bosnia-Herzegovina, Canadá, Croacia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Djibouti, Egito, Emirados Árabes, Espanha, Etiópia, Finlândia, Gâmbia, Georgia, Grécia, Hong Kong, Islândia, Indonésia, Irã, Irlanda, Itália, Jordânia, Kenya, Libia, Lituania, Macedonia, Malawi, Malasia, Mauritânia, Marrocos, Paquistão, Polônia, Portugal, Reino Unido, Romênia, Somália, Sri Lanka, Suécia, Síria, Tailândia, Turquia, Uzbequistão, Yemen, Zimbábue.
Algumas (várias) observações:
1) A esmagadora maioria das operações se refere ao governo de George Bush Filho.
2) Em muitos desses países os governos que colaboraram com a política dos EUA/CIA foram substituídos por outros.
3) Causa espanto ver alguns dos países listados. Por exemplo: a Líbia listada era a de Muammar Ghadaffi, depois deposto e assassinado – melhor, linchado, com a cooperação pró-ativa do Ocidente. A Síria listada é a Síria de Bashar al-Assad, hoje hostilizado por esse mesmo Ocidente e com o governo (não sei se a cabeça) posto a prêmio em nível internacional.
4) Que faz o Irã nesse meio?
5) Não há (felizmente) nenhum país latino-americano listado, nem mesmo aqueles que mais se alinhavam ou se alinham com a política norte-americana, como México, Colômbia, Chile, Peru.
6) O relatório critica o governo de Barack Obama por ter se limitado a exigir, por via diplomática, garantias de que os centros de tortura e prisão não estariam mais sendo utilizados. Diz o relatório que seria necessária uma atitude mais vigorosa, investigando se essas práticas deixaram de fato de acontecer e os centros foram fechados. Mas como, até agora, os EUA sequer fecharam Guantánamo, talvez seja demais pedir tanto...
7) O relatório aponta suspeitas de que a CIA (coibida por uma proibição do governo atual), ainda que diminuindo o ritmo de tais práticas, tornando-as ocasionais, continue a exercê-las secretamente na Somália, no Afeganistão e até a bordo de navios da Marinha Norte-Americana.
8) O relatório assinala alguns (poucos) pontos positivos. A) A Itália foi até agora o único país a condenar agentes por tais práticas. B) O Canadá foi o único país a pedir desculpas oficialmente a um detido nestas circunstâncias, no caso, Maher Arar. C) O Canadá, a Suécia, a Austrália e o Reino Unido foram os únicos países a dar compensações às vítimas, ainda que nos dois últimos casos mediante desistência de ações legais por parte delas. O relatório destaca o papel negativo do Judiciário norte-americano, dispensando o exame de casos que “poderiam prejudicar a segurança nacional”, e o papel positivo da Corte Européia de Direitos Humanos, que vem aceitando o exame de casos apresentados pelas vítimas.
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ERick
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2/07/2013
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Em filme sobre Bin Laden, Hollywood ajuda a 'normalizar' a tortura
Por Slavoj Zizek
Aqui está como, em uma carta ao jornal LA Times , a cineasta Kathryn Bigelow justificou a representação, no filme "A Hora Mais Escura" (o título em inglês é “Zero Dark Thirty”), de métodos de tortura usados pelos agentes do governo norte-americano para capturar e matar Osama Bin Laden:
"Aqueles de nós que trabalham com arte sabem que representação não é aprovação, elogio. Se o fosse, nenhum artista estaria apto a pintar atos desumanos, nenhum autor poderia escrever sobre eles, e nenhum diretor de cinema poderia se aprofundar em assuntos espinhosos de nosso tempo", escreveu ela ao jornal.
Sério? Ninguém precisa ser um moralista, ou ingênuo sobre as urgências da luta contra o ataques terroristas, para pensar que torturar um ser humano é, em si mesmo, algo tão destruidor que representá-lo de maneira neutra – isto é, neutralizar este caráter destruidor – é por si uma maneira de apoiá-lo.
Imagine um documentário que nos apresente o Holocausto de um jeito desinteressado e tranquilo, como uma enorme operação logística-industrial, focando nos problemas técnicos envolvidos (transporte, descarte de corpos, prevenção do pânico entre os prisioneiros que seriam postos nas salas de gás). Tal filme traria também consigo uma fascinação profundamente imoral com o assunto, ou estaria baseado numa neutralidade obscena em seu modo para gerar consternação e horror nos espectadores. Onde Bigelow se encaixa aqui?
Sem sombra de dúvida, ela está aliada a uma normalização da tortura. Quando Maya, a heroína do filme, presencia pela primeira vez uma simulação de afogamento, fica um pouco chocada, mas rapidamente aprende as artimanhas; mais adiante no filme ela chantageia friamente um prisioneiro árabe , "se você não cooperar, nós lhe mandaremos para Israel". Sua perseguição fanática atrás de Bin Laden ajuda a neutralizar escrúpulos morais comuns.
Ainda mais ameaçador é seu parceiro, um agente da CIA jovem e barbado que domina perfeitamente a arte de passar desembaraçosamente da tortura para a gentileza uma vez que a vítima está completamente desamparada (acendendo seu cigarro e lhe contando piadas).
Existe algo extremamente perturbador como, mais para frente, o este agente muda de um torturador vestindo jeans para um bem-vestido burocrata de Washington. Isto é normalização mais pura e eficiente – existe um pequeno mal-estar, mais pela sensação da tortura que pela ética, mas o trabalho tem de ser feito.
A consciência de que esta sensação ruim sofrida pelo torturador é o principal custo humano da tortura deixa claro de que não se trata de uma propaganda conservadora barata: a complexidade psicológica é representada para que liberais possam se divertir com o filme sem se sentirem culpados. É por isso que “A Hora Mais Escura” é bem pior que “24 Horas” (série de TV), em que Jack Bauer, pelo menos, rompe com o serviço secreto no último episódio.
O debate se simulação de afogamento é o ou não tortura deve ser vista como um explícito irracionalismo: por que, se não causa dor ou medo de morrer, este afogamento faz falar terroristas suspeitos resistentes? A recolocação da palavra "tortura" no campo da "técnica aprimorada de interrogação" é a extensão da lógica politicamente correta: violência brutal praticada pelo Estado é publicamente aceitável quando a linguagem muda.
A defesa mais obscena feita do filme é a alegação de que Bigelow rejeita o moralismo barato, e de maneira sóbria apresenta a realidade da luta contra o terrorismo, levantando questões difíceis e que, assim, nos fazem pensar (ainda, alguns críticos adicionam, a diretora "desconstrói" clichês femininos – Maya não mostra sentimentalismo, ela é dura e dedicada em sua tarefa, como um homem).
Mas, com a tortura, alguém pode não "pensar". Um paralelo com o estupro se faz, aqui, necessário por si mesmo: e se um filme mostrasse um estupro brutal neste mesmo jeito neutro, alegando que devemos evitar o moralismo barato e começarmos a pensar sobre o estupro em toda sua complexidade?
Em nossas entranhas, fica a mensagem de que existe algo terrivelmente errado nisto. Eu gostaria de viver numa sociedade onde o estupro seja simplesmente inaceitável e que aquele que o relativize seja visto como um babaca excêntrico, não em uma sociedade onde alguém precise argumentar contra isto. O mesmo serve para tortura: um sinal de progresso ético está no fato da tortura ser "dogmaticamente" rejeitada como repulsiva, sem nenhuma necessidade de argumentação.
Então o que dizer a respeito do argumento "realista": tortura sempre existiu, então não é melhor falar sobre isto publicamente? Este é, exatamente, o problema. Se a tortura sempre esteve aí, por que aqueles que estão no poder agora nos contam abertamente? Só há uma resposta: para normalizar, diminuir nossos padrões éticos.
Tortura salva vidas? Talvez, mas com certeza perdem-se almas – e a justificativa mais absurda é dizer que um verdadeiro herói está pronto para renunciar sua alma para salvar as vidas desta ou deste compatriota.
A normalização da tortura vista em "A Hora Mais Escura" é um sinal do vácuo moral de que estamos gradualmente nos aproximando. Se há alguma dúvida sobre isto, tente imaginar um grande filme de Hollywood representando a tortura de um jeito similar 20 anos atrás. É impensável.
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Hillary Clinton admite: Estados Unidos criaram a Al-Qaeda
Nós também temos uma história de, um tipo de movimento dentro e fora do Paquistão. Eu quero lembrar, que as pessoas com quem estamos lutando hoje em dia, nós criamos a 20 anos atrás, e nós fizemos isso porque nós estavamos travados em uma luta com a União Soviética, e eles invadiram o Afeganistão, e nós não queriamos ve-los controlando a Ásia Central, e começamos a trabalhar. E isso foi Pdt Reagan e a parceria com o Congresso, liderados por democratas que diziam « Você sabe que, isso me parece uma boa idéia ? Vamos fazer um acordo com ISI e com as tropas paquistanesas, e vamos recrutar esses mujahidin, e isso é bom, vamos enviar alguns a Arábia Saudita e outros lugares, levando a marca de sua seita islâmica, e assim nós conseguiremos atingir a União Soviética, e adivinhe, eles recuaram, eles perderam bilhões de dólares e isso levou ao colapso da União Soviética, mas, vamos ser cuidadosos com o que vimos, porque iremos colhe-lo » . Então nós deixamos o Paquistão, e dissemos » Tudo bem, vocês lidam com os Stingers que deixamos por todo o país, você lida com as minas que estão ao longo da fronteira, e pelo caminho, nós não queremos ter nada a ver com vocês, na verdade, nós estamos aprovando vocês. » Então, nós deixamos de lidar com as tropas paquistanesas e com o ISI, e agora nós estamos inventando um monte de tempo perdido.
Tradução AnonTranslator
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ERick
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5/14/2012
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Nazistas à brasileira
Segue abaixo uma impressionante matéria publicada no site da revista Carta Capital relatando sobre uma dupla de "nazistas à brasileira" que pretendiam cometer ataques contra estudantes e um deputado e que, felizmente foram presos antes de por em prática suas sinistras intenções."Nazistas" entre aspas, pois são desprovidos de uma "ideologia nazista" inspirada em Hittler ou melhor, uma ausência de qualquer ideologia mais organizada, mas sim a exasperação do pensamento conservador brasileiro.
Este episódio joga luzes sobre uma obscura extrema-direita brasileira, ainda desorganizada e residual (mas crescente), que representa a face brutal de um discurso intolerante que tem ganhado crescente espaço, de forma dispersa, porém perigosa.
Por Gianni Carta
Os dois potenciais terroristas presos na quinta-feira 22 pela Polícia Federal de Curitiba tinham planos, entre outros, de atacar estudantes do curso de Ciências Sociais da Universidade de Brasília. Isso porque aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias.
Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Vieira Mello (“ambos com mais de 30 anos”, segundo a assessoria da PF) pretendiam “atirar a esmo” também nos alunos a cursar faculdades de Direito e Comunicação. Os ataques se dariam em uma casa de eventos utilizada pelos alunos. Vieira Mello, diga-se, cursou Letras na UNB.
“As mensagens dizem que dariam um tratamento especial àquele ‘câncer’, fazendo referência aos estudantes, quando eles estivessem reunidos no local”, declarou o delegado Wagner Mesquita, da PF no Paraná, em entrevista ao portal Terra.
Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam um website hospedado na Malásia com conteúdo extremista. No silviokoerich.org faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores.
Como se dá com psicopatas, as ideias dois internautas extremistas são permeadas de contradições. Postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes, e, ao mesmo tempo, consideravam que os alunos de Ciências Sociais da UNB eram demasiado liberais no quesito sexualidade.
Rodrigues e Vieira Mello também não poupavam críticas a nordestinos.
Embora ofendessem a mineira Dilma, esse ranço contra o Nordeste é embasado no antigo preconceito contra Lula. Para conservadores, e por tabela extremistas, o sucesso do presidente mais popular do Brasil é certamente algo difícil de engolir. A Bolsa Família não passaria de uma ninharia para alimentar vagabundos. Houve, claro, o mensalão durante o primeiro mandato de Lula, e isso serve de munição para os conservadores e extremistas. Mas para entender governos anteriores aos de Lula seria recomendável ler A Privataria Tucana, de Amaury Jr.
De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Isso sem contar o inaudito reacionarismo. Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa nacionalista na “fascistosfera” e na mídia canarinho.
Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos, o conservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso neoconservador tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação. Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem à essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica, The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.
Qual a origem desse discurso nacionalista?
Em recente entrevista a CartaCapital, o historiador francês Nicolas Lebourg, da Universidade de Perpignan, disse que a atual narrativa de nacionalistas é uma reação à crise dupla que vivemos nesses tempos. A primeira foi aquela geopolítica de 11 de setembro de 2001. A segunda foi a econômica, iniciada em 2008.
A partir do 11 de Setembro, ideais neoconservadores (“neocons”) migraram para a Europa. “São baseados no seguinte quadro bastante simplista: o mundo livre seria o Ocidente, e do outro lado existe o Islã.” Essa narrativa substituiu aquela da Guerra Fria, quando o Ocidente lutava contra o totalitarismo soviético.
No Brasil, pelo menos por ora, extremistas como os dois detidos pela PF não parecem estar atrás de muçulmanos. A “luta” deles é contra os esquerdistas, e todos os outros males que a ideologia deles encapsula. Aqui os esquerdistas ainda são chamados de “comunistas”, termo anacrônico mundo afora mas, apesar da globalização, ainda bastante utilizado. Basta moderar comentários no website da CartaCapital para descobrir que colunistas a exprimir posições favoráveis à reforma da Lei da Anistia ou à descriminalização do aborto são catalogados como comunistas.
Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Vieira Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.
Colaborou Gabriel Bonis
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ERick
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3/22/2012
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Revelado: corpo de Bin Laden foi levado para os EUA
De acordo com os e-mails da empresa de inteligência Stratfor, revelados pelo grupo de hackers Anonymous e vazados pelo Wikileaks , o corpo do líder terrorista foi levado para Delaware, nos EUA.
Um ex-funcionário do Estado americano disse que o corpo de Osama Bin Laden não foi atirado ao mar, mas enviado ao Paquistão e de lá para uma base aérea militar em Delaware. Esta e outras revelações fazem parte dos e-mails da empresa de inteligência Stratfor, roubado pelo grupo de hackers Anonymous. Entre as pérolas dos e-mails publicados pelos jornais Página/12 (Argentina), Owni (França), La Jornada (México) e La Repubblica (Itália) e o jornal irlandês The Journal, filtraram os e-mails enviados pelo vice-presidente da Stratfor, Fred Burton e tornaram públicos uma série de importantes imformações.
Em um dos emails, com data e hora na beira do anúncio da morte de Bin Laden, dirigida para o presidente Barack Obama, o ex-funcionário do Departamento de Estado envolvido em contraterrorismo escreveu:
-Dizem que temos o corpo com a gente. Graças a Deus.
25 minutos depois, outro e-mail com o assunto "Corpo com destino Dover, DE em avião da CIA", acrescenta
-Eu me aproximo para o Instituto de Patologia das Forças Armadas, em Bethesda.
"Dover, DE" refere-se à cidade de Dover, no estado de Delaware, localização de uma importante base da Força Aérea, à 175 quilômetros de Washington. Bethesda é a localização. Em outro e-mail enviado uma hora depois, Burton, considerado um perito em terrorismo e segurança, e que foi o segundo da divisão de contraterrorismo do Departamento de Estado, acrescenta:
-Se o corpo foi atirado ao mar, o que duvido, teria muito um toque de Adolph Eichmann. A Tribu fez o mesmo com as cinzas do nazi. Gostaríamos de fotos, DNA, provas de impressão digital, e assim por diante. Seu corpo é uma cena de crime e não acho que o FBI irá permitir.
Adolph Eichmann foi um dos líderes do Holocausto, fugiu para a Argentina com um passaporte falso, até que ele foi capturado pelo Mossad e levado a julgamento em Israel. Em seguida, ele foi executado e suas cinzas espalhadas no mar, para que não houvesse um santuário para seu corpo. Em resposta a esse e-mail, o chefe da empresa, George Friedman (filho de sobreviventes do Holocausto), disse:
-Eichmann foi visto vivo por muitos meses durante o julgamento, antes de ser condenado à morte e executado. Ninguém queria fazer um monumento, por isso ele foi cremado. Não há comparação com o sepultamento no mar, de repente, sem qualquer chance de vê-lo, por isso duvido que isso tenha acontecido.
Sete horas depois, Burton voltou a ratificar:
-O corpo vai para Dover, você já deve ter chegado.
O Anonymous expôs para o mundo os e-mails internos da Stratfor, entre cujo assinantes pagantes se encontram empresas multinacionais como a Coca-Cola, Lockheed Martin e agências governamentais dos Estados Unidos, não tinham apenas relatórios de informe, mas também análises.
Entre as análises enviadas por Burton, temos opiniões para a América Latina. "No passado, deveriamos ter planejado um acidente de helicóptero", escreveu o ex-funcionário do Departamento de Estado, referindo-se a Hugo Chávez. Quanto a Evo Morales, escreveu que "a retórica anti-americana e anti-capitalista torna o favorito do ultra-esquerdistas e cidadãos Anti-EUA como Sean Penn, Danny Glover e Oliver Stone. Na Cúpula da Mãe Terra (na verdade, uma plataforma profundamente anti-EUA e pró-cocaína e narcotraficante) compareceram 22 000 anti-americanos e anarquistas. "
Outras informações importantes surgiram a tona nestes e-mails vazados, mas sem dúvida, a mais impactante é a revelação do sequestro do cadáver de Bin Laden para o território norte-americano. Aguardemos os desdobramentos que terá esta revelação.
Noam Chomsky e os dez anos do 11 de setembro
11 de setembro — havia uma alternativa?
Por Noam Chomsky
Estamos nos aproximando do 10° aniversário das horrendas atrocidades ocorridas em 11 de setembro de 2001, as quais, como frequentemente é sustentado, mudaram o mundo. No dia 1° de maio, o suposto mentor dos ataques, Osama bin Laden, foi assassinado no Paquistão por um time de elite dos Estados Unidos, o Navy SEALs, depois que foi capturado — desarmado e desprotegido — na Operação Gerônimo.
Alguns analistas observaram que, embora bin Laden estivesse finalmente morto, ele conseguiu algumas grandes vitórias na guerra contra os EUA: “Ele reiteradamente sustentava que o único modo de tirar os Estados Unidos do mundo islâmico e de derrotar seus tiranos era envolver os estadunidenses numa série de pequenas, porém caras guerras que iriam levá-los, enfim, à bancarrota”, escreveu Eric Margolis. “Sangrar os EUA”, em suas palavras. “Os Estados Unidos, primeiro sob o comando de George W. Bush e depois sob Barack Obama, caíram direto na armadilha de bin Laden… Grotescamente, orçamentos militares e ‘débitos viciados’ exagerados… devem ser o legado mais pernicioso do homem que pensou que poderia derrotar os EUA” — particularmente quando a dívida está sendo cinicamente explorada pela extrema direita, em conluio com o establishment democrata, para enfraquecer o que resta dos programas sociais, da educação pública, dos sindicatos e, em geral, das barreiras que ainda existem à tirania corporativa.
Que Washington estava inclinado a preencher os fervorosos desejos de bin Lade era evidente de primeira. Como discuti em meu livro 9-11, escrito logo após que os ataques ocorreram, qualquer um com conhecimento da região podia reconhecer “(…) que um ataque massivo a uma população muçulmana seria a resposta às orações de bin Laden e seus companheiros e que guiaria os EUA e seus aliados para uma ‘armadilha diabólica’, como ponderou o Ministro das Relações Exteriores francês”.
O analista sênior da CIA, Michael Scheuer, responsável pelo rastreamento de Osama bin Laden desde 1996, escreveu logo após o ataque que “bin Laden foi preciso em dizer aos EUA as razões pelas quais está nos atacando. [Ele] está agindo para alterar drasticamente as políticas dos Estados Unidos e do Ocidente em relação ao mundo islâmico”, e ele, em grande parte, conseguiu:“As tropas e as políticas norte-americanas estão completando a radicalização do mundo islâmico, algo que Osama bin Laden vem tentando fazer com substancial, mas incompleto sucesso desde os anos 1990. Em consequência, acho justo concluir que os Estados Unidos da América permanecem sendo o único aliado indispensável de bin Laden.” E sem dúvida continuam sendo, mesmo após a morte dele.
O primeiro 11 de setembro
Havia uma alternativa? Há toda probabilidade de que o movimento Jihadi, boa parte dele muitíssimo crítico à Bin Laden, pudesse ter sido dividido e enfraquecido após 11 de setembro. O “crime contra a humanidade”, como foi corretamente chamado, poderia ter sido encarado como um crime mesmo, com uma operação internacional para prender os possíveis suspeitos. Isso foi reconhecido à época, mas tal ideia nem mesmo foi considerada.
No livro 9-11, eu assinalei a conclusão de Robert Fisk de que o “horroroso crime” de 11 de setembro foi cometido com “maldade e crueldade incríveis”, uma avaliação acurada. É útil ter em mente que os crimes poderiam ter sido ainda piores. Suponha, por exemplo, que o ataque tivesse ido ao ponto de ter atingido a Casa Branca, matado o presidente, imposto uma brutal ditadura militar que matou milhares e torturou dezenas de milhares enquanto estabelecia um centro de terror internacional que ajudou a impor estados de tortura-e-terrorismo similares em outros lugares e levou a uma campanha internacional de assassinato; e como impulso extra, que tivesse trazido um time de economistas — chame-os de “os garotos de Kandahar”[1] — que rapidamente levou a economia a uma das piores depressões de sua história. Isso, claramente, teria sido bem pior do que o 11 de setembro.
Infelizmente, este não é uma pensamento hipotético. Aconteceu. A única imprecisão deste relato é que os números deveriam ser multiplicados por 25 para produzir equivalentes per capita, a medida adequada. Estou, claro, referindo-me ao que, na América Latina, é frequentemente chamado de “o primeiro 11 de setembro”: 11 de setembro de 1973, quando os Estados Unidos tiveram êxito em seus intensos esforços para derrubar o governo democrático de Salvador Allende no Chile com um golpe militar que colocou no poder o brutal regime do General Pinochet. O objetivo, nas palavras da administração Nixon, era matar o “vírus” que encorajaria todos aqueles “estrangeiros que estão nos apertando” para adquirir seus próprios recursos e de outras maneiras perseguir uma intolerável política de desenvolvimento independente. No pano de fundo estava a conclusão do Conselho Nacional de Segurança de que, se os EUA não podiam controlar a América Latina, não se poderia esperar “atingir uma ordem satisfatória em outros lugares do mundo”.
O primeiro 11 de setembro, diferente do segundo, não mudou o mundo. Foi “nada de grande importância”, como Henry Kissinger (Secretário de Estado à época) assegurou a seu chefe alguns dias depois.
Esses eventos com poucas consequências não se limitaram ao golpe militar que destruiu a democracia chilena e colocou em movimento a horrível história que adveio. O primeiro 11 de setembro foi apenas um ato num drama que começou em 1962, quando John F. Kennedy passou a missão do exército na América Latina de “defesa do hemisfério” — uma posição anacrônica da II Guerra Mundial — para a de “segurança interna”, uma concepção com uma arrepiante interpretação nos círculos latino-americanos dominados pelos EUA.
No recentemente publicado pela Universidade de Cambridge História da Guerra Fria [History of the Cold War], o estudioso de América Latina John Coatsworth escreve que daquele período até “o colapso soviético em 1990, o número de presos políticos, vítimas de tortura e execuções de dissidentes políticos não violentos, na América Latina, largamente excedeu aqueles [números] da União Soviética e dos satélites do Leste Europeu”, incluindo muitos mártires religiosos e massacres também, sempre apoiados por ou iniciados em Washington. O último grande ato violento foi a brutal morte de seis lideranças intelectuais latino-americanas, padres jesuítas, poucos dias depois da queda do Muro de Berlim. Os assassinos eram um batalhão de elite salvadorenho, que já havia deixado um chocante rastro de sangue, recém vindo de um renovado treinamento na Escola de Guerra Especial JFK, agindo com ordens diretas do alto comando do “país sustentado” [client state] pelos EUA.
As consequências desta praga hemisférica, é claro, ainda reverberam.
De sequestro e tortura à assassinato
Tudo isso, e muito mais parecido com isso, é descartado como sendo de pouca relevância, e então esquecido. Aqueles cuja missão é comandar o mundo apreciam uma visão um pouco mais confortável, articulada bem o suficiente no atual número do prestigioso (e valioso) jornal do Royal Institute of International Affairs em Londres. O artigo principal discute “a visionária ordem internacional” da “segunda metade do século vinte” marcado pela “universalização de uma visão americana da prosperidade comercial”. Há algo de verdade no texto, mas ele não chega a transmitir a percepção daqueles no lado errado das armas.
O mesmo é verdade para o assassinato de Osaba bin Laden, que coloca um fim, pelo menos, à“guerra ao terror” redeclarada pelo Presidente George W. Bush no segundo 11 de setembro. Deixe-me focar em alguns pensamentos sobre este evento e seu significado.
Em 1° de maio de 2011, Osama bin Laden foi morto em seu virtual e desprotegido complexo [de edificações] por uma missão de 79 Navy SEALs, que entraram no Paquistão de helicóptero. Depois que muitas histórias tétricas foram fornecidas pelo governo e, então, desmentidas, relatos oficiais tornaram cada vez mais claro que a operação foi um assassinato planejado, múltipla violação de normas elementares do direito internacional, a começar pela invasão em si.
Parece não ter havido tentativa de prender a vítima desarmada, como presumivelmente poderia ter sido feito por 79 soldados enfrentando nenhuma oposição — exceto, eles relatam, da esposa de bin Laden, também desarmada, em quem eles atiraram em autodefesa quando ela “foi para cima deles”, de acordo com a Casa Branca.
Uma reconstrução plausível dos eventos é fornecida pelo veterano correspondente do Oriente Médio Yochi Dreazen e seus colegas do Atlantic. Dreazen, formamelmente correspondente militar para o Wall Street Journal, é correspondente sênior do National Journal Group cobrindo assuntos militares e segurança nacional. De acordo com a investigação deles, o plano da Casa Branca não parece ter considerado a opção de capturar bin Laden vivo: “o governo deixou claro ao secreto Comando de Operações Especiais Conjuntas dos militares que queria bin Laden morto, de acordo com um funcionário público sênior dos EUA a par das discussões. Um militar de alta patente informado sobre a incursão afirmou que os SEALs sabiam que a missão deles não era trazê-lo vivo.”
Os autores acrescentam: “Para muitos no Pentágono e na Agência de Inteligência Central (CIA), que gastaram quase uma década caçando bin Laden, matá-lo era um ato necessário e justificado de vingança.” Mais que isso, “(…) capturar bin Laden vivo ainda colocaria ao governo uma gama de problemas legais e políticos espinhosos”. Melhor, então, assassiná-lo, jogar seu corpo no mar sem a autópsia considerada essencial após uma morte — um ato que previsivelmente provocou tanto raiva quanto ceticismo em boa parte do mundo muçulmano.
Como a investigação do Atlantic observa, “(…) a decisão de matar bin Laden sem delongas foi a ilustração mais nítida até agora de um aspecto pouco notado da política antiterrorismo da adiministração Obama. A de Bush capturou milhares de militantes suspeitos e os enviou para campos de detenção no Afeganistão, Iraque e na Baía de Guantânamo. A administração Obama, ao contrário, focou-se em eliminar terroristas em específico ao invés de tentar pegá-los vivos.” Essa é uma diferença significativa entre Bush e Obama. Os autores citam o então Chanceller Alemão Helmut Schmidt, que “disse à TV alemã que o ataque dos EUA era ‘muito claramente uma violação do direito internacional’ e que bin Laden deveria ter sido detido e processado”, contrastando-o com o Procurador-Geral dos Estados Unidos, Eric Holder, que defendeu a decisão de matar bin Laden ainda que ele não representasse uma ameaça imediata ao Navy SEALs, afirmando num painel na Casa Branca… que o ataque foi “legal, legítimo e apropriado de todos os modos”.
A eliminação do corpo sem autópsia também foi criticada por aliados. O largamente reconhecido jurista [barrister] britânico Geoffrey Robertson, que apoiou a intervenção, mas se opôs à execução essencialmente por questões pragmáticas, descreveu, entretanto, a declaração de Obama de que “(…) a justiça foi feita” como um “disparate” que deveria ser óbvio para um professor de direito constitucional. A lei paquistanesa “requer um inquérito para mortes violentas, e a lei internacional de direitos humanos insiste que o ‘direito à vida’ exige uma investigação sempre que uma morte violenta ocorrer por ação do governo ou ação policial. Os EUA estão, portanto, com a obrigação de realizar uma investigação que convencerá o mundo quanto às circunstâncias desta morte”.
Robertson utilmente nos lembra que:
“Nem sempre foi assim. Quando chegou a hora de considerar o destino de homens muito mais versados em crueldade do que Osama bin Laden — o líder nazista — o governo britânico queria-os mortos dentro de seis horas depois da captura. O Presidente Truman discordou, citando a conclusão do Juiz Robert Jackson de que execução sumária ‘não seria aceita facilmente pela consciência americana ou lembrada com orgulho pelas nossas crianças… o único caminho possível é determinar a inocência ou a culpa dos acusados depois de um julgamento tão imparcial quanto o tempo permitirá e com um relatório que deixará nossas razões e motivos claros”.
Eric Margolis comenta que “Washington nunca tornou pública a evidência de sua declaração de que Osama bin Laden estava por trás dos ataques de 11 de setembro”, presumivelmente uma razão por que pesquisas mostram que um terço dos estadunidenses respondentes acreditam que o governo dos EUA e/ou Israel estão por trás do 11 de setembro, enquanto no mundo muçulmano o ceticismo é muito maior. “Um julgamento aberto ou em Haia (Tribunal Penal Internacional) teria trazido tais declarações à luz do dia”, prossegue Margolis, uma razão prática do porquê Washington deveria ter seguido a lei.
Em sociedades que professam algum respeito pela lei, suspeitos são detidos e levados a julgamentos justos. Eu saliento “suspeitos”. Em junho de 2002, o diretor do FBI, Robert Mueller, no que o Washington Post descreveu como “dentre seus comentários públicos mais detalhados acerca das origens dos ataques”, podia dizer apenas que “(…) investigadores acreditam que a ideia dos ataques de 11 de setembro no World Trade Center e no Pentágono vieram de líderes da Al Qaeda no Afeganistão, a principal organização era feita na Alemanha e o financiamento vinha por meio dos Emirados Árabes de fontes no Afeganistão”.
No que o FBI acreditava e aquilo que sabiam em junho de 2002, eles não sabiam oito meses antes, quando Washington descartou ofertas vagas feitas pelo Talibã (quão sérias nós não sabemos) de permitir um julgamento de bin Laden se lhe fossem apresentadas as evidências. Assim, não é verdade, como o Presidente Obama declarou no comunicado na Casa Branca após a morte de bin Laden, que “(…) nós rapidamente aprendemos que os ataques de 11 de setembro foram planejados pela Al Qaeda”.
Nunca houve nenhuma razão para duvidar daquilo em que o FBI acreditava em meados de 2002, mas aquilo nos deixa longe da prova de culpa exigida em sociedades civilizadas — e fosse qual fosse a evidência, isso não autoriza a morte de um suspeito que poderia, é o que parece, ter sido facilmente preso e levado à julgamento. Quase o mesmo é verdade sobre as evidências fornecidas até agora. Deste modo, a Comissão do 11 de setembro forneceu vastas evidências circunstanciais acerca do papel de bin Laden no 11 de setembro, baseadas principalmente no que lhe foi dito sobre as confissões de prisioneiros em Guantânamo. É discutível se boa parte disso se sustentaria num tribunal independente, considerando-se os meios pelos quais as confissões foram extraídas. Mas em qualquer caso, as conclusões de uma investigação autorizada pelo Congresso, ainda que convençam aquele que a fez, claramente fica aquém de uma sentença dada por uma corte digna de confiança, cujo trabalho transfere a categoria do acusado de suspeito para condenado.
Há muita conversa sobre a “confissão” de bin Laden, mas aquilo foi uma “glorificação”, não uma confissão, com tanta credibilidade quanto a minha “confissão” de que ganhei a maratona de Boston. O fato de ele vangloriar-se diz muito sobre seu caráter, mas nada sobre sua responsabilidade por aquilo que ele reconheceu como uma grande realização, pela qual ele quis levar o crédito.
Novamente, tudo isso é, de modo transparente, completamente independente da opinião de alguém sobre a responsabilidade dele, que parecia clara imediatamente, mesmo antes do inquérito do FBI, e continua sendo.
Crimes de agressão
É válido mencionar que a responsabilidade de bin Laden foi reconhecida em boa parte do mundo muçulmano, e condenada. Um exemplo significativo é o notável clérigo libânes Sheikh Fadlallah, altamente respeitado pelo Hizbollah e por grupos Xiitas em geral, fora do Líbano também. Ele tem certa experiência com assassinatos. Ele foi alvo de um: por um caminhão bomba fora de uma mesquita, numa operação organizada pela CIA em 1985. Ele escapou, mas outras oitenta pessoas morreram, a maioria mulheres e meninas que deixavam a mesquisa — um destes inúmeros crimes que não entram nos anais do terrorismo por causa da falácia da “operação errada”. Sheikh Fadlallah condenou vigorosamente os ataques de 11 de setembro.
Um dos maiores especialistas no movimento Jihadi, Fawaz Gerges, sugere que o movimento poderia ter sido dividido àquela época se os EUA tivessem explorado a oportunidade ao invés de mobilizar o movimento, particularmente ao atacar o Iraque, um grande favor pra bin Laden, o que levou a um aumento acentuado do terrorismo como as agências de inteligência haviam antecipado. Nas audiências de Chilcot que investigaram o pano de fundo da invasão do Iraque, por exemplo, o antigo chefe da agência de inteligência interna britânica, o MI5, atestou que tanto a inteligência britânica quanto a estadunidense estavam cientes de que Saddam não representava nenhuma ameaça séria, que a invasão provavelmente aumentaria o terrorismo e que as invasões do Iraque e do Afeganistão radicalizaram partes de uma geração de muçulmanos que viram as ações militares como um “ataque ao Islã”. Como frequentemente é o caso, a segurança não era uma grande prioridade para a ação estatal.
Pode ser instrutivo nos questionarmos sobre como reagiríamos se agentes iraquianos tivessem pousado na casa de George W. Bush, assassinado-o e jogado seu corpo no Atlântico (após apropriados ritos funerários, é claro). Sem qualquer controvérsia, ele não foi um “suspeito”, mas sim o “comandante” que deu as ordens para invadir o Iraque — isto é, para cometer o “mais grave crime internacional diferindo de outros crimes de guerra apenas na medida em que contém em si mesmo todo o mal acumulado” pelo qual os criminosos nazistas foram enforcados: as centenas de milhares de mortes, milhões de refugiados, destruição de boa parte do país e de seu patrimônio nacional e o sanguinário conflito sectário que agora se espalhou para o resto da região. Igualmente incontroverso, tais crimes largamente excedem qualquer um atribuíduo a bin Laden.
Dizer que tudo isso é incontroverso, como é, não implica que não seja negado. A existência de defensores da “Terra plana” [flat earthers] não muda o fato de que, sem controvérsia, o planeta não é plano. De modo similar, é indiscutível que Stalin e Hitler foram responsáveis por crimes horríveis, ainda que legalistas neguem isso. Tudo isso deveria, novamente, ser óbvio demais para comentar, e seria, exceto numa atmosfera de histeria tão extrema que bloqueasse o pensamento racional.
Analogamente, é incontroverso que Bush e seus colaboradores cometeram o “mais grave crime internacional” — o crime de agressão. Tal crime foi definido de modo claro o suficiente pelo Magistrado Robert Jackson, Chefe do Conselho para as Nações Unidas em Nuremberg. Um“agressor”, Jackson propôs ao Tribunal em seu pronunciamento de abertura, é um Estado que é o primeiro a cometer ações tais como “invasão de suas forças armadas, com ou sem uma declaração de guerra, ao território de outro Estado…” Ninguém, nem mesmo o mais extremado defensor da agressão, nega que Bush e seus associados fizeram isso.
Faríamos igualmente bem em recordar as eloquentes palavras de Jackson, em Nuremberg, acerca do princípio da universalidade: “se certos atos que violam tratados são crimes, eles são crimes se os Estados Unidos os cometem ou se a Alemanha os comete, e não estamos preparados para estabelecer uma regulação de conduta criminosa contra os outros caso não estejamos dispostos a vê-la invocada contra nós.”
Também está claro que intenções anunciadas são irrelevantes, mesmo que sejam verdadeiramente reais. Registros internos revelam que os facistas japoneses aparentemente acreditavam mesmo que devastando a China, eles estavam trabalhando para torná-la um“paraíso terreno”. E embora seja difícil imaginar, é concebível que Bush e cia acreditassem que estavam protegendo o mundo da destruição pelas armas nucleares de Saddam. Tudo irrelevante, ainda que ardentes legalistas de todos os lados tentem se convencer do contrário.
Restam-nos duas alternativas: ou Bush e seus colaboradores são culpados do “mais grave crime internacional”, incluindo-se todos os males decorrentes, ou então nós declaramos que os procedimentos de Nuremberg foram uma farsa e que os Aliados foram culpados deassassinato judicial.
A mentalidade imperialista e o 11 de setembro
Alguns dias antes do assassinato de bin Laden, Orlando Bosch morreu tranquilamente na Flórida, onde residia junto com seu cúmplice Luis Posada Carriles e vários outros associados do terrorismo internacional. Após ter sido acusado de dezenas de crimes terroristas pelo FBI, Bosch recebeu um perdão presidencial do Bush Pai mesmo com as objeções do Departamento de Justiça, cuja conclusão foi de que era “inevitável que fosse prejudicial ao interesse público que os Estados Unidos fornecessem um refúgio seguro para Bosch”. A coincidência destas mortes imediatamente traz à mente a doutrina de Bush Filho — “já… uma norma de facto nas relações internacionais”, de acordo com o distinto especialista de Harvard em relações internacionais, Graham Allison — que revoga “a soberania dos países que oferecem guarida a terroristas”.
Allison refere-se ao pronunciamento de Bush Filho, direcionado ao Talibã, de que “aqueles que abrigam terroristas são tão culpados quanto os próprios terroristas”. Tais países, portanto, perderam a soberania e são alvos para bombardeiro e terrorismo — por exemplo, o Estado que abrigou Bosch e seu associado. Quando Bush declarou essa nova “norma de facto das relações internacionais”, ninguém pareceu notar que ele estava pedindo por invasão e destruição dos EUA e a morte de seus presidentes criminosos.
Nada disso é problemático, é claro, se rejeitamos o princípio da universalidade do Juiz Jackson, e adotamos, no lugar disso, o princípio de que os Estados Unidos são autoimunes contra leis e convenções internacionais — como, aliás, o governo tem frequentemente deixado bem claro.
Também é produtivo pensar sobre o nome dado à operação de captura de bin Laden: Operação Gerônimo. A mentalidade imperialista é tão profunda que poucos parecem capazes de perceber que a Casa Branca está glorificando bin Laden ao chamá-lo de “Gerônimo” — ochefe indígena Apache que liderou a corajosa resistência aos invasores das terras apaches.
A fortuita escolha deste nome é a reminescência da facilidade com que nomeamos nossas armas de assassinato com as vítimas de nossos crimes: Apache, Blackhawk… Reagiríamos de modo diferente se a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) nomeasse seus aviões de combate de“Judeu” e “Cigano”.
Os exemplos mencionados enquadrariam-se na categoria do “excepcionalismo dos EUA” se não fosse o fato de que a simples supressão dos crimes de alguém é virtualmente ubíqua entre os Estados poderosos, pelo menos entre aqueles que não são derrotados e forçados a reconhecer a realidade.
Talvez o assassinato tenha sido percebido pela administração central como um “ato de vingança”, como Robertson conclui. E talvez a rejeição à opção legal de um julgamento reflita a diferença entre a cultura moral de 1945 e a de hoje, como ele sugere. Seja qual for o motivo, dificilmente poderia ter sido a segurança. Como no caso do “maior crime internacional” no Iraque, o assassinato de bin Laden é outra ilustração do importante fato de que a segurança frequentemente não é uma alta prioridade para a ação do Estado, ao contrário do que propaga a doutrina.
Tradução: Luiz Henrique Coletto
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Postado por
ERick
em
9/11/2011
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