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Raul Pont: Cai a máscara do trabalhista Lasier Martins


Por Raul Pont


A filiação de Lasier Martins no PDT ocorreu na última hora do prazo legal para poder disputar as eleições de 2014. Apesar de nenhuma ligação ideológica e programática com o trabalhismo, filiou-se para disputar uma vaga no Senado depois de décadas como apresentador de programas no Grupo RBS, aproveitando a exposição pública diária nesses veículos. Como prêmio dos bons serviços prestados no Grupo, Lasier ganhou nos últimos anos o reforço dos “Debates do Rio Grande”, onde ancorava o levantamento dos problemas do Estado, identificava-se com as reivindicações, tudo edulcorado pela “neutralidade jornalística” da RBS. 

Apesar da distância ideológica com o PDT, seu cacife era alto a ponto de condicionar seu ingresso à neutralidade do candidato Vieira em relação à candidatura de Dilma, apesar da decisão nacional favorável do partido à reeleição do projeto no qual participam.

Ana Amélia foi CC do marido no Senado enquanto era diretora da RBS


A senadora do PP, candidata ao governo do RS, tem como principal bandeira na eleição a diminuição dos cargos comissionados, como o que ocupou no década de 1980 no gabinete do seu ex-marido.
Candidata ao governo do Rio Grande do Sul, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) tem como sua principal proposta diminuir o número de cargos comissionados no estado, aqueles que são fruto de indicação política. A intenção de Ana Amélia parece contraditória tendo em vista a sua história profissional.

Marco Civil da Internet é aprovado no Senado


Um passo fundamental para garantir a liberdade e a privacidade na internet brasileira foi assegurado. O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (23), por votação simbólica, o Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. Após momentos de embate entre a base do governo e a oposição, a redação final da matéria foi aprovada sem alterações pela unanimidade dos senadores presentes. O texto segue agora para sanção da presidenta Dilma Rousseff.

De olho nas eleições, PSOL e PSB se unem ao PSDB para criar CPI da Petrobras

Da esquerda para a direita: senadores Randolfe Rodrigues (PSOL), Aécio Neves (PSDB), Álvaro Dias (PSDB) e Agripino Maia (DEM) comemoram obtenção de assinaturas no Senado para criar a CPI (Foto: Agência Senado).

Por Marco Weissheimer


A decisão do PSOL e do PSB em favor da instalação da CPI da Petrobras, o novo carro-chefe do principal partido de oposição ao governo federal, foi decisiva para a obtenção das 27 assinaturas requeridas para a criação da comissão. Os dois partidos, juntos, contribuíram com cinco das 28 assinaturas apresentadas pela oposição: Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), João Capiberibe (PSB-AP), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Lídice da Mata (PSB-BA).
Segundo a Agência Senado, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) esperam que o pedido de criação da CPI da Petrobras seja lido pela Mesa do Senado na sessão deliberativa da próxima terça-feira. Randolfe e Aécio criticaram a possibilidade de o governo tentar convencer senadores a retirar assinaturas do requerimento. Os dois senadores consideram a instalação da CPI “inevitável” e “um desejo da sociedade brasileira”. Eles defenderam ainda a possibilidade de uma CPI mista. A oposição tenta obter 171 assinaturas na Câmara para que isso ocorra.

O retrocesso democrático da lei antiterror


Uma articulação de senadores pressiona para que a chamada "lei antiterror" seja votada com urgência. Curiosamente esta mesma urgência não foi vista pelo senado para aprovar outros temas caros a população, como a reforma política. Como esta posta, a aprovação da lei antiterror pode colocar a própria democracia em risco.

Por Erick da Silva

Após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro, senadores tentam aprovar projeto para tipificar o crime de terrorismo no Brasil. O Projeto de Lei 499, de 2013 aponta como crime inafiançável “provocar ou infundir terror generalizado”, e estabelece penas de prisão de 30 anos para quem for enquadrado como "terrorista".

Passe livre e a malandragem de Renan Calheiros


Por Erick da Silva

O presidente do senado Renan Calheiros (PMDB) resolveu repentinamente, "ouvir as vozes das ruas" e comunicou, nesta terça-feira (25/06) o seu repentino "pacote de boas intenções". Mas, como diria a sabedoria popular, de "boas intenções o inferno está cheio", é bom olharmos com atenção o conteúdo do que ele está propondo e quais são as suas reais intenções com este gesto político.

A principal proposta ventilada pelo senador Renan é apresentar o passe livre para todos os estudantes do país. Os recursos para pagar pela tarifa zero viria, segundo ele, dos recursos obtidos com o pagamento de royalties do petróleo, cuja arrecadação a Câmara aprovou que 75% se destinará a educação.

Senador Paim faz alerta: Governo vai propor flexibilizar a CLT



Há pouco tempo, o senador Paulo Paim (PT-RS), na tribuna da casa legislativa de que faz parte, alertou: “Estou sabendo que o Poder Executivo pretende enviar ao Congresso Nacional proposta para mudar a legislação trabalhista e criar duas novas formas de contratação, a eventual e por hora trabalhada. Na prática, nós sabemos muito bem o que isso representa: a perda de direitos sociais para os trabalhadores”.
O alerta do senador Paim não é um delírio, ao contrário. No início deste mês, o jornal Valor Econômico veiculou notícia que a presidenta Dilma Rousseff “prepara para depois das eleições municipais a negociação com o Congresso de duas reformas: a da previdência, em troca do fim do fator previdenciário, e a que flexibiliza a legislação trabalhista, cujo anteprojeto está na Casa Civil e que deverá dar primazia ao que for negociado entre as partes sobre o legislado, ampliando a autonomia de empresas e sindicatos”.
“Tenho o dever e a obrigação de, a partir desta tribuna e utilizando os meios de comunicação desta Casa, fazer um alerta ao nosso país e à nossa gente. Está em plena gestação um processo para flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a maior conquista social dos trabalhadores brasileiros. Da nossa parte, não aceitaremos, em hipótese alguma, a retirada ou a redução de direitos e de conquistas da classe trabalhadora, forjados na luta cotidiana!”, disse o senador em discurso.
E anunciou que fará mobilização “a fim de chamar a atenção de todos para o perigo que se avizinha. Não somos profetas do pessimismo e nem temos bola de cristal para prever o futuro. Porém, a história tem nos mostrado que devemos sempre vigiar”.
“O Ano da CLT”
O senador encerrou sua fala anunciando que apresentará proposta para que 2013 seja considerado “O Ano da CLT”. Paim afirmou que “não podemos fechar os olhos para a ideia que estão tentando vender para a sociedade e que eu considero um engodo. As possíveis mudanças na CLT não representam modernidade. Ao contrário, elas pretendem desmontar a CLT e acabar com direitos e conquistas dos trabalhadores”.
A CLT foi criada em 1º de maio de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas e, em novembro, começou a vigorar. Em 2013, completará 70 anos. Ela surgiu de novas demandas do país, que a partir de 1930 deixava de ter uma economia exclusivamente agrícola e passava a se tornar cada vez mais industrial.
“A mobilização popular e a contribuição de vários intelectuais brasileiros foram fundamentais em todo este processo de progresso social e de proteção ao trabalhador”, destacou Paim.
Tentativas anteriores
Na época em que o governo de Fernando Henrique Cardoso pressionava o Congresso para modificar o artigo 618 da CLT, o advogado Benedito Calheiros Bomfim escreveu um artigo sobre o assunto. Na ocasião, ele disse que, em poucas palavras, a proposta era transformar a lei em letra morta, permitindo que uma falsa “livre negociação” fosse superior a ela – o que é totalmente inconstitucional, por razões óbvias.
“De que vale uma lei que, além de permitir transgressões a si mesma (não como exceção, mas como regra), também permite transgressões ao artigo 7º da própria Constituição? Imaginemos se a Lei Áurea ‘permitisse’ aos escravos ‘negociar’ sua continuação como escravos.”
O ex-presidente Lula, logo após assumir a Presidência da República, em 2003, mandou retirar do Congresso o projeto de Fernando Henrique.

Fonte: Vermelho
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Fim da linha para Demóstenes Torres



Demóstenes é cassado. Falta a Veja!


Por Altamiro Borges


Numa sessão histórica do Senado Federal, o ex-demo Demóstenes Torres teve seu mandato cassado hoje por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções. O placar foi arrasador e enterra de vez o falso moralista e um dos políticos mais direitistas do período recente, que se projetou graças ao apoio da mídia "privada". É a segunda vez na história que o Senado cassa um mandato parlamentar - o primeiro punido foi outro famoso conservador, o senador Luiz Estevão, também muito chegado aos veículos de comunicação.

"O senhor feriu de morte a dignidade do mandato", disse o senador Pedro Taques (PDT-MT), que relatou o processo na Comissão de Constituição e Justiça. "Quem lhe condena é o seu passado", afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), que relatou o processo no Conselho de Ética. Demóstenes Torres, o assassino de reputações, o paladino da ética e o líder da oposição de direita, não teve como justificar as suas íntimas e milionárias ligações com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.


Tendo enviado ao inferno o ex-demo, cabe agora à CPMI do Cachoeira aprofundar as investigações sobre as relações do ex-demo com outros setores empresariais e midiáticos. Demóstenes Torres só se projetou na política graças ao apoio da mídia demotucana. A revista Veja chegou a chamá-lo de "mosqueteiro da ética" e produziu várias capas a partir desta fonte criminosa. O que ela ganhou nesta relação promíscua? Quais foram seus objetivos comerciais e políticos? Demóstenes já vai tarde! Mas e os outros cupinchas?
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Senador foi abduzido por extraterrestre?




O senador Alvaro Dias (PSDB), tentando fazer graça (e ganhar seus preciosos 15 minutos de fama) durante a CPI do Cachoeira, partiu para o besteirol e tentou desqualificar a palavra do depoente, Luiz Carlos Bordoni. Quem acabou se desqualificando, e mostrando seu total descompromisso com as investigações da CPI do Cachoeira foi justamente o senador Alvaro Dias. 
Não teria sido ele o "abduzido por extraterrestre"?
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Diretores do Ecad serão indiciados por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita



Por Izabelle Torres, da ISTOÉ:
No fim de abril, a CPI do Senado que investiga a atuação do Escritório Central de Direitos Autorais (Ecad) concluirá seus trabalhos, com acusações pesadas contra o órgão privado responsável por arrecadar recursos que deveriam ser repassados aos artistas. Em quase 100 páginas, o esboço do relatório obtido por ISTOÉ aponta irregularidades graves na conduta do Ecad e pedirá o indiciamento de pelo menos quatro dos seus diretores por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita.
Senadores que investigam atuação do Ecad já redigiram relatório preliminar da CPI
Além disso, os senadores vão sugerir a criação de um ente público com autonomia para fiscalizar e punir o Ecad, que atualmente dispõe de ampla soberania para agir. Entre os fatos encontrados pela CPI estão excessos cometidos por fiscais – que chegaram a interromper casamentos para cobrar as taxas –, a não distribuição de cerca de R$ 90 milhões aos compositores em 2010 e o pagamento de pró-labores milionários para seus diretores.
Para o presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), a principal constatação dos parlamentares é o acúmulo de prejuízos aos artistas ao longo dos anos. Livre para decidir preços cobrados para cada execução e os percentuais repassados aos compositores, a diretoria do Ecad passou os últimos anos nadando num mar de impunidade e independência, diz a CPI. “Foi uma brecha aberta pelo País e que propiciou a formação dessa caixa-preta que é o Escritório Central.
Ele não conta com nenhum órgão que o fiscalize”, avalia Rodrigues. O preço da liberdade do Ecad foi pago pelos artistas, como ficou demonstrado no processo movido no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade), no qual o órgão já foi condenado em primeira instância.
As associações que compõem o órgão de arrecadação estariam combinando os preços cobrados para a execução das obras musicais e de fonogramas, o que configura formação de cartel. Além disso, pesa contra o Ecad a acusação de descumprimento da lei segundo a qual o órgão não teria finalidade de obtenção de lucro. Contrariando a lei, em 2010, o Ecad arrecadou R$ 430 milhões e distribuiu apenas R$ 340 milhões. O restante foi parar em sua conwta.
Além disso, os documentos da CPI mostram que a diretoria do Ecad utiliza créditos retidos arrecadados de autores desconhecidos. Em tese, o dinheiro deveria ficar numa conta separada à espera da manifestação dos respectivos artistas. As conclusões dos trabalhos da CPI certamente vão exigir mudanças profundas no atual modelo de arrecadação de direitos autorais. O fim da CPI do Senado marcará o início de uma ofensiva a um órgão privado que abusa de suas prerrogativas e faz o que bem entende com o dinheiro que deveria chegar às mãos dos artistas do País.

Jader Barbalho: caretas simbolizam o (des)respeito a opinião pública




Daniel, 9 anos, filho do senador Jader Barbalho (PMDB), protagonizou um espetáculo de caretas durante a entrevista que o pai concedeu após ter sido empossado senador na tarde desta quarta (28).
Em outubro do ano passado, o STF havia decidido que o registro de candidato de Barbalho deveria ser negado com base na Lei da Ficha Limpa. Mas depois que o Supremo derrubou a validade da Ficha Limpa para 2010, a defesa de Barbalho recorreu para que ele pudesse assumir o mandato.
Embora barrado pela Ficha Limpa, Barbalho recebeu na eleição do ano passado 1,8 milhão de votos, quantidade suficiente para ocupar uma das vagas de senador pelo Pará. Impedido de assumir, foi substituído por Marinor Britto (PSOL-PA), que obteve 727,5 mil votos.
A atitude do garoto foi da mais pura e despretensiosa molecagem. Mas não deixa de guardar certo simbolismo com o momento político que representa a volta de Jader Barbalho ao Senado. Senador com uma trajetória nebulosa, permeada por graves denúncias, mas sempre contando com bons advogados, conseguiu invariavelmente safar-se. Agora, com o apoio do Supremo, volta ao Senado. Opinião pública, para eles, nada vale!
O gesto do menino pode ser um contundente exemplo de sinceridade infantil ao conseguir expressar a vontade do pai naquele momento!


Fotos: Beto Barata (Agência Estado)

O silêncio de Pedro Simon


O Senador Pedro Simon, do PMDB, sempre buscou se notabilizar pelos discursos exaltados em defesa de uma suposta "ética" na política. Sempre tentou destacar que ele é do "PMDB Gaúcho" ou do "velho MDB'', tentando desvincular a sua imagem da sua sigla nacional, que invariavelmente, de tempos em tempos, esta vinculada a algum escândalo.
Agora que o Rio Grande do Sul está envolto no maior escândalo politico de sua história, onde evidências inequívocas de corrupção assolam o Palácio Piratini, qual tem sido o comportamento do nosso sempre vigilante Senador?
Um gritante silêncio assola ao Senador Pedro Simon.
Nenhuma discurso inflamado e verborrágico na tribuna do Senado para exigir qualquer tipo de investigação, providências, etc. envolvendo os sucessivos escândalos no Governo Yeda. E já se vão alguns meses desde que as primeiras denúncias vieram a público. Falta de tempo para analisar as acusações ou ausência de "fatos novos'' ele não pode alegar. Se há uma coisa que o governo da Yeda se expecializou até agora é em produzir escândalos quase que diariamente, ainda que muitos sejam gentilmente abafados pela sempre generosa mídia local.
Quanto ao seu partido, o comportamento dos Deputados do PMDB gaúcho na Assembleia Legislativa não poderia ser mais sintomático da falta de rumos e coerência que assolam a sigla. Desde o inicio, tentaram de todas as formas boicotar a CPI, depois que já havia assinaturas suficientes para sua instalação, correram para assinar.
Mal tinham assinado a CPI, já saíram reclamando do teor do requerimento, muito amplo, na avaliação deles. Traduzindo: queriam que a Operação Solidária fosse varrida do
requerimento. Para quem não sabe, esta é uma operação da Polícia Federal que tem alguns dos principais caciques do PMDB gaúcho envolvidos em um esquema que pode tornar o escândalo do Detran "troco", comparando-se o volume de dinheiro público desviado.
E agora eles partem para uma tentativa aberta de boicote ao funcionamento da CPI, vale lembrar que no inicio das denúncias, a Governadora Yeda deu um recado para todos os seus aliados "não cairei sozinha!". Parece que a chantagem funcionou e a base do governo segue alinhada e perfilada em uma aberta operação de esvaziamento da CPI.
Contraditoriamente, o Senador Simon segue silenciando sobre todos esses acontecimentos.
No máximo se limita a atacar ao Sarney (importante lembrar que também é do PMDB) e lançar alguma crítica descontextualizada ao governo federal.
Quanto ao que está acontecendo na política local, do estado que o elegeu Senador, o silêncio permanece. Quando o Senador Pedro Simon irá romper o silêncio sobre a corrupção no Governo Yeda? Será que só falará a respeito no ano que vêm, quando Simon deverá tentar mais uma reeleição ao Senado, esperando contar com o "esquecimento" das pessoas quanto ao seu apoio desde a primeira hora para a Yeda? Se for essa a aposta do Senador, é possível que venha a ter uma surpresa desagradável nas urnas.

Crédito da foto Daniel de Andrade-Gaia

PMDB é responsável por Sarney, afirma Pont


O deputado Raul Pont declarou que a bancada do PMDB deveria exigir de sua direção partidária o afastamento ou expulsão do presidente do senado José Sarney. A manifestação do parlamentar foi realizada nesta terça (4), durante sessão plenária, em repúdio à nota da bancada do PMDB na Assembléia Legislativa que se diz perplexa com a blindagem do governo petista ao senador.
"Os partidos têm responsabilidade sob as ações seus eleitos e devem zelar pelo cumprimento de seus programas partidários. Se a bancada do PMDB deseja manifestar seu compromisso partidário dever pedir o afastamento de suas fileiras partidárias", declarou o vice-líder da bancada petista no parlamento.
Para Raul Pont essa atitude visa criar um bode expiatório e tentar desviar a responsabilidade do partido com José Sarney. Raul lembrou que o candidato do Partido dos Trabalhadores para a presidência do Senado foi o senador Tião Viana, e portanto não foram os senadores petistas que elegeram Sarney.

Simon: de parlapatão a Chernobyl


O duelo que descambou em um bate-boca entre Pedro Simon, Fernando Collor e Renan Calheiros, ontem no Senado, ganhou grande destaque na grande mídia nacional.

Teve cenas pitorescas, como a “fúria” do Collor contra Simon, onde este chamou o Senador gaúcho de “Parlapatão”. Muita gente teve de correr ao dicionário para entender o ataque do Collor.

Mas tirando toda a já conhecida verborragia do Simon, sempre um grande orador, eloqüente em suas defesas pela “ética pública”, mas que sempre se silencia quando se trata da Governadora Yeda ou do Dep. Eliseu Padilha, seus aliados de primeira hora.

O que realmente merece uma atenção maior são os ataques deferidos por Renan.

O blog do Noblat reproduz as notas taquigráficas do bate-boca, onde Calheiros levanta insinuações sobre a participação de Simon em um polêmico episódio de importação de carne da região de Chernobyl durante a presidência de José Sarney (quando Simon foi ministro da Agricultura e, depois, governador do RS). Além disso, Calheiros fustiga Simon repetidas vezes com uma pergunta: “V. Exª conhece a Por do Sol?”. Simon preferiu ater-se ao episódio da importação de carne, dizendo que Calheiros estava mal informado. Sobre a “Por do Sol”, limitou-se a responder: “É impressionante, é impressionante!”.

Aguardemos que esta não seja mais uma pergunta sem resposta, como tantas que já temos por esses pampas, tão envoltos em uma zona turva de suspeitas graves de corrupção deste grupo que dirige o Palácio Piratini.

A crise de um Senado em crise


Cotidianamente, e de forma seletiva, a grande mídia “elege” algum fato político para elevá-lo ao status de “escândalo” público, e consequentemente “mobilizarem” a opinião pública contra o fato alvo das denúncias.
O alvo da vez é o Senado, presidido pelo Senador José Sarney, figura altamente controvérsia que simboliza a velha política, as enumeras denúncias envolvendo contratações de funcionários com “super-salários”, funcionários fantasmas, laranjas, tratamentos médicos de familiares de senadores pagos pelo senado e etc. sem dúvida são fatos graves e que merecem ser apurados o mais rapidamente possível. A questão que fica no ar, no entanto, é: desde quando tais fatos vêm ocorrendo? E mais, a quanto tempo a grande imprensa já tem conhecimento destas situações?
Não sejamos ingênuos a ponto de acreditar que tais situações só vieram a tona a agora devido a revelação de tais fatos, visto que todos estas acusações são de irregularidades que vinham sendo cometidas já há algum tempo. Da mesma forma que o “escândalo” anterior, envolvendo a Câmara de Deputados, também não eram fatos inéditos. A situação da Câmara, inclusive deixou de ser falada, justamente quando passou a atingir Deputados “amigos da mídia” como o Fernando Gabeira. Quando as denúncias atingem “alvos indesejáveis” a grande mídia adota, de forma repetida, a estratégia de desviar o foco e lançar um novo escândalo.
Os ataques ao legislativo também não é um fenômeno novo, ele corrobora com uma clara intenção de enfraquecer o “elo mais frágil” do sistema político brasileiro. Fragilidade esta que nunca é atacada nas suas causas, apenas denunciadas as conseqüências de uma engrenagem fadada a proporcionar situações de corrupção, ineficiência e descrédito. Tais ataques, ainda que possam ter no mérito alguma justeza, gera de forma direta ou indireta uma separação entre o “povo” e a “política”, cumprindo um importante papel despolitizador. Na medida em que os “políticos” estão sempre envoltos em algum escândalo, logo todos são corruptos, e se todos o são, a tendência a uma rejeição e uma negação da política passa a ser uma conseqüência direta.
E assim, se perpetua uma situação onde, através de um afastamento e uma “despolitização” da política por parte de significativas parcelas da população favorecem uma perpetuação de tal quadro. Esse mesmo afastamento impede que se consiga efetuar mudanças que coíbam e corrijam os atuais problemas. Temas como o da reforma política, teve um tratamento completamente secundarizados pela cobertura midiática, contando com a indiferença de uma parcela significativa do legislativo, mais preocupada em se manter em suas cadeiras do que em produzir mudanças democratizantes no sistema político nacional. Isto que a proposta de reforma que estava em pauta era bastante tímida comparada com as necessidades, mas ainda sim teve o triste destino do “engavetamento”, não devendo ser aprovado em um horizonte próximo.
O presente escândalo envolvendo o Senado poderia ser uma boa oportunidade para se levantar um debate de maior profundidade, fugindo do mero “denúncismo de ocasião”, sobre, por exemplo, para que serve o Senado? Não seria o próprio Senado um grande entrave para um melhor funcionamento do legislativo brasileiro?
O sistema bicameral, onde o Senado funciona como um mero “revisor” da Camara de Deputados, acaba gerando um processo de maior lentidão, e muitas vezes obstrução do processo legislativo. A Camara de Deputados, ainda que seja um espaço de profundas imperfeições e absurdas incongruências, não se comparam as distorções abismais contidas no Senado, pois ela minimamente resguarda algum reflexo da realidade brasileira em sua composição. O Senado, com uma composição de três senadores por estado, gera uma distorção original que emperra um real debate sobre a realidade. Estados com grandes populações acabam sendo subrepresentados.
Tal situação facilita que determinados “coronéis” da política se perpetuem no Senado, onde cada mandato tem oito anos, com reeleição ilimitada, gerando situações de fortalecimento de uma política anti-democrática. Afinal, tais Senadores, ao comandar determinados estados, e estarem em situação de igualdade numérica com Senadores de estados onde as eleições são mais disputadas, garantem um fortalecimento e quase perpetuação de seu poder, bem como passam a exercer um papel de dualidade com o poder executivo, muitas vezes em uma relação de pura chantagem. Com um pequeno universo de “votos” a serem disputados no plenário do Senado, cada Senador passa a ser uma “ilha de poder” própria, autônoma e com condições de literalmente “emperrar” os projetos do executivo.
Essa situação não vem de agora, e esta se arrastando já há algum tempo em nosso país. A verdadeira e profunda solução para esse problema, seria se repensar por completo o funcionamento do poder legislativo. E uma profunda mudança se faz de forma urgente. Um aspecto dessa mudança, que julgo fundamental, seria a extinção do Senado e o fim do sistema bicameral.
Mas tal debate polêmico infelizmente hoje não encontra condições políticas de ser colocado na sociedade. Afinal, os Sarneys e Calheiros da vida iriam permitir a extinção de seu espaço de poder? A direita em geral irá querer mudanças democratizantes no país, visto que até hoje jamais o fizeram? A mídia teria interesse em pautar isso? O executivo suportaria o desgaste de comprar este debate?
Creio que a resposta para todas estas perguntas são óbvias, e por tanto, teremos que agüentar por mais algum período escândalos de tempos em tempos ocorrendo no Senado, um sistema legislativo lento e anti-democrático, completamente afastado dos interesses populares. Apenas mudanças profundas e sistêmicas podem de fato alterar o atual estado das coisas.

Votação da CPMF: A noite dos longos punhais

Foi votada, após longas semanas de polêmicas, a CPMF e a proposta do governo foi derrotada. Flávio Aguiar, da Carta Maior, nos traz uma boa análise do ocorrido, ao qual, reproduzo alguns trechos. Recomendo a leitura integral, que pode ser acessada aqui.

"Foi uma noite de punhaladas. O debate sobre a CPMF começou ao fim da tarde do dia 12 e terminou na madrugada do dia 13 – dia simbólico, foi o da assinatura do Ato-5, que criou a ditadura dentro da ditadura.

Houve punhaladas grosseiras, houve outras sutis, houve algumas muito, muito sutis. Houve também perplexidades. O senador Mão Santa, por exemplo, na tribuna, não conseguiu dizer coisa com coisa.

Ao longo de todo o debate, coadjuvado pelas cartas, os senadores oposicionistas, mais os da base aliada que se insurgiram contra o governo, coadjuvados pelo do PSOL, não conseguiram criar uma retórica convincente, e acabaram ficando com a tintura, senão a pecha, de estarem apunhalando o Sistema Único de Saúde e o povão, em favor das empresas e dos mais ricos. A CPMF é dos poucos impostos no Brasil que não é regressivo, porque de fato progressivo nenhum é. Quem movimenta mais paga mais, ainda que a alíquota seja a mesma para todos, exceto os isentos. Não é à toa que as pessoas jurídicas – sobretudo as grandes empresas – fossem responsáveis por 72% dos 40 bilhòes anuais.

Quem saiu ganhando ou perdendo, nessa noite de punhaladas abruptas ou prolongadas?O povão saiu perdendo, apunhalado pelos opositores do imposto. Junto com ele o SUS, o governo, que terá de recompor as verbas para a saúde e outros programas sociais. Saiu perdendo a Constituição brasileira e o próprio Senado federal, pois no afã de derrotar o governo os senadores anti-CPMF apunhalaram sua função institucional precípua, que é a de defender os estados que representam, mais os seus municípios. Saíram ganhando as grandes empresas que, através da FIESP, se mobilizaram contra o imposto que lhes retira do aprisco quase 30 bilhões anuais, fora os gastos adicionais para pagarem a peso de ouro caríssimos tributaristas que lhes mostrem o caminho das pedras para driblar este e outros impostos.

Saiu ganhando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujos cordéis desde os bastidores sempre dirigiram os gestos e as falas do senador Artur Virgílio. O ex-presidente voltou a colocar-se como uma espécie de fiel da balança do seu partido, em detrimento de Serra, de Aécio, do próprio Alckmin e de Sérgio Guerra, que viu seu poder interno abalado. Este tinha a seu favor a maioria dos senadores do PSDB, pressionados pelos governadores. Apesar disso, em nome da unidade do partido, teve de ceder diante da dureza de Virgílio e Dias, que preferiram apunhalar de leve o próprio partido, acaudilhando-o aos Democratas.Já estes desferiram uma série de punhaladas, a torto e a direito, ainda que algumas delas possam voltar-se contra eles próprios. A primeira punhalada, além da derrota em plenário imposta ao governo, foi dada nos programas sociais deste.

Os ex-tudo na política conservadora brasileira, agora auto-proclamados “Democratas”, sabem que essas políticas sociais roubaram-lhes seus grandes apriscos eleitorais, que estavam sobretudo no Nordeste, visto como a fonte do “atraso” nacional. Os Democratas precisam esfarelar essas políticas sociais, reduzir novamente seu eleitorado potencial, antes que se autonomize demais e de vez, ao miserê das políticas de favor dos potentados e potentadozinhos paroquiais. Mas isso é uma tarefa de longo prazo, e duvidosa, porque passa pelas eleições municipais de 2008 e ninguém sabe se essas tentativas darão certo, num país cuja economia cresce a olhos vistos, ainda que devagar, o poder aquisitivo da população mais pobre cresce junto, os empresários investem mais, a popularidade do presidente continua nos píncaros, enfim, tudo isso de que a nossa direita não gosta nem de ouvir falar.

Uma última punhalada, no momento ainda virtual. Um dos possíveis roteiros das oposições seria o de transferir a pecha de “criador da CPMF”, do governo tucano de FHC para o de Lula. Isto se concretizará, numa punhalada sutil, se o atual governo reapresentar a proposta de emenda constitucional que criou o imposto, tal qual fez FHC. Mas ainda não se sabe o que fará o governo. O ministro de Relações Institucionais disse que o governo não faria isso. Se não fizer, e se conseguir dar a volta por cima ou por baixo, ou pelo lado, na manutenção dos programas sociais, o governo estará não só devolvendo a punhalada, como também puxando o tapete com que as oposições pretendem voar em direção a 2008 e 2010, mesmo que tenham que distribuir cotoveladas e punhaladas uns nos outros, como está fazendo o DEM com o PSDB."