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Sem lenço! E o documento?

No último dia 08 de março, as companheiras da Via Campesina fizeram protesto em Candiota contra a monocultura do eucalipto e o impacto negativo que tem como consequencia para o estado. O companheiro Jonas Rodeghiero esteve acompanhando e segue abaixo o relato. Acima, foto tirada pelo Jonas mostrando a truculência da Brigada Militar, onde nem criança de colo ficou livre de uma "geral" dos PMs.

"No dia internacional das mulheres, em protesto contra a munocultura de eucalípto as integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra tinham colocado abaixo cerca de um hectare da VCP- Votorantin Celulose e Papel. Diria um homem no saguão do hotel cinco estrelas em Pelotas, atacaram uma área reflorestada pela VCP. Diriam as companheiras, "mulheres em ação, eucalípto no chão". Uma floresta sem biodiversidade é uma lavoura. Estampavam as camisetas da mulherada, "Não como eucalípto". Após o protesto as companheiras voltaram para seu acampamento em frente ao ascentamento Conquista do Paraíso. Via pública. O acampamento duraria pouco. Manhã de 09 de Março, no interior de candiota um grande aparato de polícia reprimia as mulheres da Via Campesina.
A poucos quilômetros dali, em Bagé, funcionários do ministério da justiça fechavam um acordo com os prefeitos da fronteira oeste. A pauta: O Abigeato. Há alguns anos fora repassado ao governo do estado um helicóptero para inibir o roubo de gado. Enquanto o Prefeito de São Borja perguntava aos agentes do ministério onde estava a aeronave, pouco vista na região, a mesma sobrevoava as 700 mulheres do MST e seus 200 filhos semterrinhas. Além da apreensão de foices, facões e escudos artesanais considerados armas pela BM, o mais impressionante era a apreensão dos lenços liláses. Talvez tinham razão as forças reacionárias da Brigada Militar. Era a maior arma que possuiam aquelas mulheres. Cercadas por cavalos, pelo BOE, viaturas e pelo dito helicóptero as mulheres e seus filhos eram revistadas e identificadas uma a uma.No entanto os gritos de guerra não cessaram. Levaram os lenços, mas não as arrancaram a identidade. A luta continua e as forças reacionárias hão de perecer! Por enquanto... Sete mulheres indiciadas e, após a "OPERAÇÃO", um bom almoço na churrascaria Betenps( Bagé) entre ruralistas e os comandantes da Brigada."

E agora, o que fazer com tantos eucaliptos plantados?


Paulo Mendes Filho.
A pressão pelas papeleras mobilizou o governo Yeda desde o início do mandato. Por conta dessa pressão foi atropelado o Zoneamento Ambiental da Silvicultura, produto bem acabado, de vários cientistas, professores, trabalhadores da Fepam e da Fundação Zoobotânica.
Estivemos presentes em todas as audiências públicas organizadas pela FEPAM, Força Sindical e papeleras. Assistimos, em minoria, a força organizada do monopólio dos eucaliptos, defensores das empresas que repudiavam o zoneamento ambiental e prometiam milhares de empregos a partir da liberação do plantio.
Com fortes argumentações pró-desenvolvimento estes setores organizados defensores manifestavam-se a favor do crescimento do estado. Em seus discursos inflamados de certeza lembravam a perda da Ford, dos empregos e, de maneira taxativa, contabilizavam ao PT e ao Governo Olívio esta derrota. Pois bem, passado quase um ano daquele fervoroso debate assistimos perplexos a desistência destas multinacionais, em especial da Aracruz que prometeu uma super ampliação da Fábrica de Guaíba.
E agora? Depois de terem mudado o zoneamento, depois de plantarem as mudas, depois de incentivar milhares de agricultores dos benefícios de plantar eucaliptos em detrimento da pecuária e da agricultura, depois de prometer milhares de novos empregos, estas poderosas empresas decidem abandonar o barco, não querem mais brincar porque perderam fortunas no cassino financeiro. Ou seja, NÃO vão investir MAIS no Rio Grande do Sul.
Quantas pessoas de bem acreditaram no projeto e se lançaram na expectativa do ouro verde? Quantos empregos sonhados? Quantos prefeitos mobilizados e motivados com a expectativa da geração de empregos? Quanta desgraça ambiental já concedida por conta do argumento destes empregos de papel? Quanta área de plantio de alimento trocada por estes paus de eucaliptos? E aí, vão embora e dizem que NÃO FICAM.
Aonde estão os defensores dos empregos, aqueles que acusavam os ambientalistas de mandar embora as papeleras? Como justificar que a Aracruz não vai investir na metade sul. E o povo de Guaíba que chorou a perda da Ford e culpou inocentemente o Governo Olívio, está culpando a Yeda e a sua base política pela perda da Aracruz?
E agora, o que fazer com tantos eucaliptos plantados? Quem sabe algum dos deuses da natureza escreveu certo por linhas tortas. Quem sabe não é a hora de rever a política de silvicultura, voltar no tempo, informar os riscos para que outros não entrem nessa fria. Socorrer os que foram passados para trás pelas multinacionais, disponibilizar uma linha de crédito para arrancar estes tocos da terra e por fim incentivar através da EMATER para que os agricultores voltem para a sua vocação original, produtores de alimentos e não de celulose.
artigo retirado do site PTSul