Le Monde Diplomatique Brasil será lançado em Porto Alegre

Um novo olhar sobre o mundo. Um novo olhar sobre o Brasil. É o que propõe a edição do Le Monde Diplomatique Brasil, que terá lançamento nacional no dia 13 de novembro, às 18 h, em Porto Alegre. O evento, com a conferência do diretor da publicação, Silvio Caccia Bava, acontecerá na Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424). A promoção é do SindBancários, Sindicato dos Jornalistas, Federação dos Bancários do RS, Sinpro/RS, Atempa, Adufrgs e Cpers-Sindicato.

Humor


Autor: Santiago

Cristina Kirchner vence na Argentina

A maioria dos analistas políticos, dentro e fora da Argentina, escolheu a palavra “apatia” para descrever o ambiente que marcou a disputa presidencial vencida, no primeiro turno, pela senadora Cristina Kirchner. A esposa do atual presidente, Néstor Kirchner, foi eleita com cerca de 44% dos votos, confirmando o favoritismo que a acompanhou durante toda a campanha. A apatia mencionada pelos analistas pode ser lida de duas maneiras: um desinteresse da maioria da população pelo destino do país, ou a expressão da superação de um trauma ainda muito vivo na memória do povo.

Em 2001, o país mergulhou em uma grave crise que arrastou a economia, a política e o orgulho nacional para o fundo do poço. Seis anos depois, o Produto Interno Bruto argentino cresce a uma taxa anual de 9%. Um “detalhe” que talvez ajude a entender porque a maioria optou pela continuidade, recusando maiores debates.

O povo argentino visitou o inferno social, político e econômico, deu um tapa na cara do diabo e voltou à vida. Não está no paraíso, mas chegou a um lugar muito melhor do que estava até bem pouco tempo. Considerando os traumas recentes, parece razoável que tenha recusado debater mudanças de rumo neste momento.

Para maiores detalhes, leia aqui

O impacto do Mega Tarifaço da Yeda

A Governadora Yeda encaminhou à Assembléia Legislativa proposta de aumento deimpostos que, segundo o Governo, deve gerar um acréscimo de receita direto da ordem de R$ 979 milhões.
A proposta do Governo atinge os seguintes produtos e percentuais:


- Supérfluos: de 25% para 28%.

- Óleo Diesel: de 12% para 13%.

- GNV: de 12% para 25% (posteriormente retificado para 18%).

- Energia elétrica residencial acima de 50 KWh e comercial: de 25% para 30%

- Telecomunicações, exceto celular pré-pago: de 25% para 30%.

- Gasolina e Álcool: de 25% para 30%.

- Refrigerante: de 18% para 21%.

- Alíquota básica: de 17% para 18%.

A comparação com o Tarifaço do Governo Rigotto, que atingiu as chamadas Blue Chips (energia elétrica residencial acima de 50 KWh e comercial, telefonia, gasolina e álcool combustível) com um aumento em 2006, de 25% para 29%, no caso da telefonia e energia elétrica e de 25% para 28% para gasolina e álcool e que resultou num aumento da arrecadação da ordem de R$ 700 milhões é inevitável.
O estranhamento é maior pois, mesmo que consideremos que as Blue Chips correspondema 43% da arrecadação de ICMS, tanto o percentual maior relativo às Blue Chips atualmente proposto quanto a inclusão de outros setores e, mais importante, o fato de a alíquota básica também ser majorada, reflita em tão pouco acréscimo na arrecadação.

Ademais, não se pode ignorar que, ao contrário de uma economia em queda – tanto pelo desempenho da produção agrícola, quanto pela queda na indústria – situação vivida pelo Estado principalmente em 2005, hoje a economia gaúcha está em franca recuperação e crescimento. Portanto, se havia um ambiente de “freio” da arrecadação no momento do Tarifaço do Governo Rigotto, hoje há um ambiente completamente favorável ao crescimento da arrecadação sem aumento de impostos, o que poderia refletir em uma estimativa de arrecadação ainda maior. É bom lembrar que, pelo bom desempenho da economia gaúcha – que nos leva à expectativa de, pelo menos acompanhar o desempenho nacional, de crescimento de 4,5% a 5% – e apesar da volta das alíquotas a seus percentuais de 25%, a arrecadação gaúcha em 2007 se estabilizou praticamente nos valores arrecadados em 2006.

Por estes motivos nos desafiamos a buscar, mesmo com os parcos números relativos ao desempenho setorial do ICMS gaúcho e sem acesso à base de dados capaz de dirimir apossibilidade de erro a quase zero, dados capazes de nos responder: qual a estimativa mais aproximada de arrecadação com a implantação deste Mega Tarifaço?

Utilizando essencialmente documentos publicados no site da Secretaria da Fazenda e com base no desempenho da arrecadação do ICMS deste ano de 2007, fizemos o cálculo considerando, essencialmente: o aumento das alíquotas das Blue Chips, do setor de bebidas e, num cálculo aproximado, o reflexo na arrecadação do aumento da alíquota básica de 17% para 18%, como também utilizando o peso de cada um destes itens na arrecadação total. Desta forma, concluímos que a aplicação do Mega Tarifaço do Governo Yeda deve refletir em um aumento da arrecadação de aproximadamente R$ 1,7 bilhões.



Documento elaborado pela Coordenadoria Bancada PT/RS

O centro de Porto Alegre em crise

Nas últimas eleições para a Prefeitura de Porto Alegre, uma das principais propostas do então candidato a Prefeito José Fogaça (na época no PPS, agora no PMDB, amanhã, quem saberá?) defendida na campanha era a revitalização do centro da capital.
Nisso, os seus corriligionários fizeram uma forte investida em busca dos votos dos camelôs, prometendo um tratamento "diferente" do que vinham tendo da administração municipal. Hoje, o que vemos é algo muito distante disso. Já há alguns dias temos vistos cenas de conflitos na capital que eu pelo menos jamais imaginaria ocorrer em Porto Alegre. Cenas que costumavamos apenas a ver pela TV nos conflitos envolvendo os ambulantes e perueiros em São Paulo (que não por acaso é administrada pela mesma turma que está na administração por aqui.)

Abaixo segue uma boa análise destes acontecimentos publicado blog RS Urgente:


O Centro de Porto Alegre virou uma praça de guerra. A um ano da eleição municipal, o prefeito José Fogaça decidiu iniciar a construção do camelódromo e declarar guerra aos camelôs. Nas últimas semanas, para pavor da população que circula pelo centro da cidade, praticamente todos os dias há brigas entre camelôs, fiscais da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio e brigadianos. O clima de diálogo e negociação, uma das condições para que o projeto do camelódromo funcione, foi para o espaço. Nesta sexta, inicia a Feira do Livro, que está localizada justamente no território em conflito. Passados três anos da atual administração, a anunciada revitalização do centro segue no papel. O programa de governo de Fogaça prometia: “os atuais camelôs serão transformados em microempresários com a formalização de suas atividades, que lhes darão acesso ao micro-crédito e a cursos de qualificação profissional”.

A batalha campal, no início da noite de ontem, teve direito a tiros de espingarda para o alto e feridos. O problema dos camelôs, como se sabe, é antigo e comum à maioria das grandes cidades brasileiras. A repressão pura e simples tem se mostrado totalmente ineficaz para resolver o problema, por mais que setores da sociedade clamem por ela. Na outra ponta desse comércio, há uma poderosa e ramificada indústria que produz sem cessar as mercadorias comercializadas pelos camelôs. E no meio dele há o tema do trabalho informal e da falta de alternativas para oferecer aqueles que adotam o comércio de rua como meio de sobrevivência. Há quem ache que se trate, fundamentalmente, de um caso de polícia. No entanto, cassetetes, balas e safanões vêm se revelando uma política fracassada. As cenas dos últimos dias, no centro da capital gaúcha, mostram isso mais uma vez.

Humor


Autor: Moa

O Nobel da Paz e o "Nobel da Guerra"

Luiz Pilla Vares

O político norte-americano Al Gore foi justamente agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Sua luta em defesa do meio ambiente tem sido constante e incansável, assim como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que dividiu com Al Gore o grande prêmio. É muito bom que a Academia valorize a luta pela salvação do nosso planeta, quando os sintomas de aquecimento global e de degradação ambiental se tornam a cada dia mais graves, uma “verdade inconveniente”, segundo Al Gore. Só mesmo a conscientização em escala massiva, juntamente com atitudes governamentais, será capaz de preservar a Terra para as futuras gerações. E nisto tanto Al Gore como o Painel Intergovernamental têm cumprido um papel extremamente importante, catalizador de consciências e um sinal de alerta para milhões e milhões de pessoas.

Lembremo-nos que, em 2000, Al Gore foi derrotado em uma eleição fraudulenta para a Presidência dos Estados Unidos pelo “Nobel da Guerra”, George Bush, fato que para muitos analistas constituiu um golpe de estado branco. Mas, distanciados pelo tempo, hoje é possível afirmarmos que a derrota de Gore acabou sendo positiva. Livre das amarras impostas pela política oficial, ele pode se dedicar integralmente a um sonho que é o da luta pela salvação da Terra. Se eleito fosse – a não há dúvida alguma que ele é um milhão de vezes melhor do que Bush – Gore ficaria preso às engrenagens da política norte-americana e, particularmente do seu Partido Democrata, mais laico do que os fundamentalistas conservadores de Bush, mas ainda assim um partido do sistema, incapaz de romper a política imperialista que os Estados Unidos vem impondo ao mundo há décadas. O objetivo maior dos democratas é retomar o curso dos anos pré-Bush, a época de Bill Clinton, o que, obviamente, é uma impossibilidade histórica. O Partido Democrata tem exercido através dos anos o papel de fiel executor da política imperial norte-americana e nada garante que na Presidência dos Estados Unidos exerça uma administração voltada para a paz mundial. É bom não esquecer que a guerra do Vietnã foi levada a cabo por uma gestão do Partido Democrata. Assim, se fosse eleito, Al Gore dificilmente teria se livrado da política oficial estadunidense.

Após sua premiação com o Nobel da Paz, centenas de bem intencionados norte-americanos apelaram para que ele concorra às prévias do Partido Democrata para as eleições presidenciais norte-americanas. Felizmente, Al Gore reafirmou que esta perspectiva não está em seus planos e que ele pretende continuar a luta ambiental. Bom para ele e muito melhor para o nosso sofrido planeta.

Monocultura causa desequilíbrios ambientais

A monocultura de eucalipto está contribuindo para alguns fenômenos de desequilíbrio ambientais verificados no Estado. Na avaliação do membro do Centro de Estudos Ambientais (CEA) de Pelotas, Luis Rampazzo, a grande quantidade de agrotóxico utilizado pelas monoculturas intensifica fenômenos como a infestação de besouros em Bagé e o sumiço de abelhas em várias cidades gaúchas.
Para ele, a monocultura do eucalipto aumenta os efeitos já causados pelo plantio em larga escala de outras culturas, como a soja, e alguns reflexos das mudanças climáticas, como a estiagem. Rampazzo cita o caso do eucalipto, que é cortado sete anos depois do seu plantio. Durante o período de crescimento, as mudas recebem pelo menos cinco aplicações de herbicidas e formicidas de grande impacto.

“Toda e qualquer prática da monocultura, ainda mais pela grande utilização de agrotóxicos, os chamados venenos agrícolas, tem causado, de uma forma ou outra, grandes desequilíbrios ambientais. Não só pela infestação de besouros que nós temos visto aí nas monoculturas de eucalipto, de pinus, e de acácia negra. Mas sinal desse desequilíbrio também é a mortandade de abelhas, que isso é uma coisa que tem nos preocupado”, diz.

A infestação de besouros, conhecidos como cascudos, se iniciou em Bagé no ano passado, quando a população desses insetos chegou a dobrar. Já o sumiço das abelhas tem sido registrado em várias cidades da região sul, como Nonoai, Erechim e São Borja, onde existe plantação de eucalipto. No entanto, o sumiço dos enxames também foi constatado em locais da região norte, onde há plantação de acácia negra, outra espécie usada nas monoculturas para produção de celulose.

Além disso, o uso de agrotóxicos prejudica especialmente o agricultor, que não costuma usar equipamentos de proteção pessoal.

O ambientalista lembra, ainda, que as monoculturas devem acelerar as mudanças climáticas, como o regime dos ventos. Ele explica que as mudas vão funcionar como barreiras, impedindo a circulação do vento, o que poderia modificar a distribuição das chuvas. Para ele, isso mostra que os prejuízos das monoculturas vão além do aspecto ambiental.

“O ambiental nunca vem sozinho. Quando há um desastre ambiental, com certeza, nós vamos ter problemas sociais e econômicos muito grandes também, porque essa monocultura do eucalipto da forma como está avançando ela começa, cada vez mais, a diminuir a quantidade de possibilidade de terras para reforma agrária, para assentamento de famílias, para plantios”, diz.

De acordo com Rampazzo, o uso de terras para a produção comercial de eucalipto vai encarecer o preço de vários produtos agrícolas, pois diminui o espaço destinado à produção de alimentos.

No Rio Grande do Sul, um milhão de hectares devem ser usados para a produção de mudas para celulose.


Fonte: Agência Chasque

Franklin Martins discute TV Pública em Porto Alegre, nesta sexta (26)

Os modelos e desafios da TV pública brasileira serão tema da audiência pública da Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, nesta sexta (26), às 9h30.
O painelista do evento será o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins.


Os debatedores serão o vice-presidente das Relações Governamentais/Mercado –AGERT, Afonso Motta, e o 1° Vice-presidente da FENAJ, Celso Schröder. A coordenação da mesa será de Stela Farias (PT), deputada estadual e presidente da Comissão de Serviços Públicos.

A audiência será no Auditório Dante Barone (ALRS).

Guerra é guerra, dizia o torturador

Marco Aurélio Weissheimer




“Tropa de Elite” pretende ser um filme realista. Essa pretensão aparece no cartaz promocional do filme que afirma que, entre as muitas versões de uma guerra, a que é a apresentada ali é a verdadeira. Não é. A menos que se considere que testemunhos em primeira pessoa sejam um meio de acesso privilegiado à realidade. Na verdade, costumam ser um meio de acesso privilegiado à percepção de quem testemunha. Se tomarmos a narrativa baseada nas experiências do capitão Nascimento como retrato fiel do que acontece nos morros do Rio de Janeiro porque é a narrativa de alguém que participou diretamente da guerra, deveríamos fazer o mesmo com uma narrativa de um traficante que relate como vê a mesma guerra. Teríamos, então, duas narrativas, dois testemunhos, duas realidades. Valeria a mesma lógica também para o testemunho de um morador de favela que vivencia a mesma guerra.


A pretensão em transformar o testemunho do capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) em representação fiel da realidade conspira logicamente contra si mesma. Mas, do ponto de vista da recepção do filme na sociedade acaba funcionando. O padrão médio dos comentários de quem vê o filme reconhece nele uma narrativa realista. Há elementos para tanto: a violência da guerra do tráfico, a tortura como prática de policiais e traficantes, a corrupção policial, a hipocrisia de setores de classe média, entre eles. O resultado final evidencia que mostrar elementos de realidade é uma condição necessária porém não suficiente para representar “a realidade”. Alguém poderá questionar: quer dizer que você (o autor destas linhas) está mais habilitado para falar da realidade da guerra do tráfico do que alguém que está na linha de frente dessa guerra?





Uma teoria cheia de buracos





Certamente que não, é a resposta. No entanto, esse texto não tem a pretensão de falar da “realidade” da guerra do tráfico, mas sim de questionar o suposto privilégio realista do testemunho de uma das partes do conflito. A fragilidade dessa pretensão fica exposta no filme. O capitão Nascimento, personagem central e condutor da narrativa, tem uma teoria própria sobre as causas da guerra e o melhor meio de enfrentá-la. Trata-se de uma teoria cheia de buracos: buracos de bala e buracos lógicos. Desde o início, a narrativa nos alerta para o fato de que “o policial também é um ser humano”, com problemas e angústias pessoais. Do outro lado da trincheira, estão os traficantes que, por oposição, são apresentados como animais ferozes que devem ser abatidos à bala, versão esta que, provavelmente, conta com a simpatia de considerável parte da sociedade.


Em um nível intermediário aparecem os policiais corruptos e os ongueiros hipócritas que consomem drogas e fazem passeatas contra a violência. E, de um modo muito lateral, aparecem algumas referências sobre o envolvimento de políticos. No meio desse pântano, a tropa do BOPE é apresentada como o que há de melhor na polícia. São os policiais melhor treinados, melhor equipados e incorruptíveis. O processo de seleção para candidatos a integrar o batalhão mostra que seus comandantes sabem quem é corrupto e quem não é, na polícia. As ações da tropa de elite, no entanto, convivem diariamente com o problema do estreito vínculo existente entre o tráfico e a corrupção policial. Mas, no filme, não incidem sobre ela. Ou seja, a tropa de elite, o que há de melhor na polícia militar, é absolutamente ineficaz para enfrentar um dos principais elos da violência. Em que sentido, pois, ela pode ser chamada “de elite”?





O argumento dos defensores da tortura





A resposta aparece no filme. Aparece já no símbolo do BOPE: a caveira, o símbolo da morte. Os policiais do batalhão são profissionais altamente treinados – melhor treinados do que o exército de Israel, assegura o capitão Nascimento – e, quando sobem o morro, o fazem de maneira profissional, só atiram para matar. As operações especiais, tal como nos é mostrado na tela, incluem tortura e execuções sumárias. A reação média de quem assiste ao filme parece aprovar tais métodos. Ela pode ser sintetizada na máxima repetida exaustivamente pelo líder da tropa: estamos numa guerra e, numa guerra, vale tudo. Ou como afirma o título de um livro sobre a ditadura militar (de autoria de Índio Vargas), “Guerra é guerra, dizia o torturador”. Sempre foi esse, em primeira e última instância, o argumento dos defensores da pena de morte, da tortura e das execuções sumárias. Essa é “a realidade”, dizem.


A “realidade” apresentada no filme atribui forte responsabilidade aos ongueiros de classe média, e aos jovens da classe média carioca em geral, pela violência do tráfico. “Nós temos que limpar a sujeira que vocês fazem”, diz um dos aspirantes a ser futuro comandante do batalhão. Esse mesmo personagem irrompe em uma manifestação de uma ong contra a violência, enchendo de porrada um destes jovens. Em relação aos policiais corruptos, no entanto, o que vemos é que eles são impedidos de entrar no BOPE, mas liberados de qualquer outra condenação. Tudo se passa como se a existência de policiais mal pagos, mal treinados, mal equipados e corruptos fosse uma condição para a própria existência da tropa de elite que, sem esconder seu desprezo pela “ralé” do resto da polícia, acaba se constituindo em uma espécie de grupo paramilitar. Um grupo que tem vida própria e que está fora do Estado, como fica evidenciado na cena do enterro de um dos membros do grupo, quando a bandeira nacional é encoberta pela caveira do BOPE. A mensagem aí é forte é explícita: o Estado faliu, vocês precisam de nós.





De leitor de Foucault a matador





Há um outro elemento que conspira contra o suposto caráter “de elite” da tropa. Desde o início do filme, o capitão Nascimento nos conta que quer largar aquela vida e está em busca de um sucessor. O escolhido, no final, é o mais equivocado dos personagens. André Matias estuda Direito na “melhor faculdade do Rio de Janeiro”, é leitor de Foucault e convive com os “ongueiros” detratados no filme. Desde o início, o capitão Nascimento afirma que essa combinação era algo incompatível para um policial, principalmente para um integrante do BOPE. Matias se apaixona por uma ongueira, sobe o morro, convive com traficantes e oculta sua identidade de policial de seus colegas de faculdade. Resultado: acaba contribuindo para a morte de três pessoas. Sua foto durante uma ação policial é publicada nos jornais e sua identidade é revelada. Ele parece não dar bola para o fato, não avisa a ninguém, e acaba enviando um colega e amigo para a morte.


Esse verdadeiro “gênio” acaba sendo o sucessor do capitão Nascimento na tropa de elite. Na cena final, ele é batizado no comando com uma doze na mão, pronto a explodir a cara do traficante que matou o seu amigo (morte pela qual ele também foi responsável), em mais uma execução sumária. Deixou de ser um ingênuo, tornou-se um filho da caveira, pronto para matar. Alguns críticos disseram que o filme é uma peça publicitária do BOPE. Uma publicidade esquisita, pois o que aparece é um grupo paramilitar que age à margem da lei, usa a tortura como método e pratica execuções sumárias impunemente. É isso? É preocupante, para todos aqueles que não desistiram de idéias como democracia, lei e direito que essa representação da “realidade” seja aplaudida em algumas salas de cinema. Os aplausos têm endereço certo: seu objeto de desejo é a caveira do BOPE.





Entre as ongs e os paraísos fiscais





O privilégio dado ao testemunho do capitão Nascimento e a pretensão de apresentá-lo como uma fiel expressão da realidade mal consegue esconder outras facetas dessa realidade que, ou aparecem muito lateralmente no filme ou simplesmente não aparecem. O tráfico de drogas é hoje uma das indústrias mais poderosas do mundo, com braços no sistema financeiro, político, jurídico e empresarial. Enfatizar a responsabilidade de ongs na cadeia da violência e silenciar, por exemplo, sobre o papel dos paraísos fiscais na lavagem de dinheiro advindo do tráfico denuncia essa pretensão de realismo. Um filme não tem a obrigação de falar de tudo ao mesmo tempo, poderá dizer alguém. É verdade. E é justamente por isso que, aquilo que ele retrata, é apenas o testemunho de alguém envolvido em uma guerra. Querer alçar esse testemunho à condição de “o mais fiel retrato da realidade” é um passo gigantesco que, dado o conteúdo do testemunho, flerta perigosamente com a máxima: “guerra é guerra, dizia o torturador”.

Fonte: Carta Maior

Humor


Autor: Kayser

Greve contra mudanças no sistema previdenciário paralisa a França

Os transportes públicos foram fortemente prejudicados nesta quinta-feira (18) na França por causa de uma greve contra o fim dos regimes especiais de aposentadoria, primeira proposta de mudança no sistema previdenciário apresentada pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Esta é a greve mais importante dos transportes desde 1995.
Apesar da greve, o governo mantém a sua vontade de modificar o regime especial de algumas profissões, que para obter a aposentadoria deverão trabalhar 40 anos, e não mais 37,5 como hoje. A medida afeta 1,1 milhão de aposentados e 500 mil trabalhadores na ativa na companhia de ferrovias SNCF, na rede de transporte urbano de Paris RATP, nas empresas de energia Electricité de France e Gaz de France e nos cartórios.


Os oito sindicatos de transportes convocaram a greve em conjunto, assim como os seis sindicatos do metrô parisiense e cinco das federações do setor de Energia.Os sistemas ferroviário e metroviário foram prejudicados já no início da manhã.
Além da capital, outras grandes cidades francesas, entre elas Marselha (sul) e Lyon (leste), foram afetadas pela praralisação.Os únicos locais com funcionamento normal eram os aeroportos de Paris.


Para tentar driblar a falta de transportes públicos, os franceses recorreram a planos alternativos, como compartilhar carros, andar de bicicletas, caminhar ou simplesmente permanecer em casa.


Os sindicatos do setor de Energia também aderiram à greve, especialmente na Electricité de France (EDF) e Gaz de France (GDF), duas empresas muito afetadas pela reforma dos regimes especiais de aposentadoria.

Jorge Ben - Bebete Vãobora

Gravado em um especial da TV Cultura em 1969 com o Trio Mocotó.

Risco: Abril vai monopolizar distribuição de revistas

Grupo Abril finalizou na quinta-feira (11) a aquisição da Fernando Chinaglia Distribuidora. A compra resultará na criação da Treelog S.A Logística e Distribuição, uma nova empresa da companhia - que já possui a Distribuidora Nacional de Publicações (Dinap). Assim, de forma perigosa, a Abril passa a deter praticamente o monopólio do setor de distribuição de revistas no Brasil.
De acordo com comunicado da empresa, a Fernando Chinaglia Distribuidora e a Dinap unificam logística e distribuição, mas seguem com administração e operações comerciais separadas. "A operação tem o objetivo de alcançar eficiência ainda maior na distribuição de publicações. Também leva em consideração o surgimento e consolidação de novas plataformas de distribuição, notadamente a internet e demais mídias digitais", diz o documento.

O comunicado tenta minimizar a formação do monopólio. "Dinap e Fernando Chinaglia continuarão atendendo normalmente aos seus respectivos clientes, assegurando os mesmos níveis de qualidade e credibilidade das duas distribuidoras. A união das empresas vem ao encontro da missão da Abril de levar informação, cultura, educação e entretenimento ao maior número possível de brasileiros", finaliza o texto divulgado no site do Grupo Abril.

A compra - cujo valor não foi revelado - depende ainda de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ainda assim, a notícia da transação pegou o mercado editorial de surpresa. A fusão das duas maiores distribuidoras do Brasil foi muito criticada. Apesar do discurso positivo, várias editoras vêem com ressalvas e até apreensão o surgimento da Treelog.


Leia a matéria integral aqui

Uergs recebe apenas 28% dos recursos previstos para investimentos

Até o momento, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul recebeu apenas 28% dos R$ 42 milhões previstos para investimentos neste ano. No orçamento de 2008, estão previstos somente R$ 28 milhões. Estudantes, professores e parlamentares estão preocupados com os baixos recursos que a universidade vem recebendo e denunciam que faz parte de uma estratégia do governo estadual em sucatear o ensino público. A Uergs está entre os órgãos que poderá ter a gestão transferida para a iniciativa privada no projeto de OSCIPS.

Fonte: Agência Chasque

Cansa ser, sentir dói, pensar destruir

Fernando Pessoa

Cansa ser, sentir dói, pensar destruir.
Alheia a nós, em nós e fora, Rui a hora, e tudo nela rui.
Inutilmente a alma o chora.

De que serve? O que é que tem que servir ?
Pálido esboço leve Do sol de inverno sobre meu leito a sorrir...
Vago sussuro breve.

Das pequenas vozes com que a manhã acorda,
Da fútil promessa do dia, Morta ao nascer, na 'sperança longínqua e absurda Em que a alma se fia.

Uma "democracia puta"?

Emir Sader

O diário ABC Color, do Paraguai, publicou um editorial de primeira página, no dia 7 de outubro, com esse grosseiro título: “Uma democracia puta”.

Não se referia à ditadura do Partido Colorado, que há sete décadas controla o poder e perpetua o Paraguai como um dos países mais pobres do continente. Nem à reconversão dessa ditadura para uma forma “democrática” dessa ditadura, que fez com que a viúva do ex-ditador Alfredo Stroessner comentasse, singelamente: “Só falta o Alfredo”.

Não. Referia-se à Venezuela, um regime que teve seu presidente eleito e reeleito várias vezes, submetido à confirmação do voto popular no meio do seu mandato, com um mecanismo de controle dos eleitores sobre os eleitos, que nenhum outro país do continente possui.

O ABC Color é o principal jornal do Paraguai. Não é necessário um exercício de memória muito grande para imaginar sua convivência com a ditadura do partido-Estado Colorado. Agora dizem que apóia a Lino Oviedo, recém libertado para tentar bloquear a possibilidade de vitória de Fernando Lugo, derrotando pela primeira vez ao Partido Colorado. O candidato de preferência do jornal foi condenado em três processos, um deles por participação na morte do ex-vice presidente Luis Argaña, outro deles por tentativa de golpe militar.

Esse jornal se atreve a julgar o caráter democrático do regime venezuelano, para tentar bloquear o ingresso da Venezuela no Mercosul. “Se nossos presidentes do Mercosul, mesmo sabendo qual é sua obrigação histórica com a defesa dos princípios e dos valores políticos que iluminam nossos povos, são capazes de se vender ou de ligar-se mediante uma relação adúltera com um ditador megalômano surgido das catacumbas de um passado sinistro, teremos que convir que nossas democracias se vendem como autênticas putas” – diz o editorial do jornal paraguaio.

Antes desse final, o jornal fez um apelo aos parlamentares do Paraguai e do Brasil, para que impeçam o ingresso da Venezuela ao Mercosul – porque disso se trata, essa é a operação política que a direita do continente trata de armar. São os aliados paraguaios dos parlamentares da direita brasileira que igualmente se opõem à entrada da Venezuela no Mercosul.

Até julho de 2006, o Mercosul se limitava aos conflitos comerciais entre as grandes corporações privadas da Argentina e do Brasil, na disputa de mercados, relegando o Uruguai e o Paraguai a coadjuvantes sem importância. A participação da Venezuela e da Bolívia, posteriormente do Equador e a aproximação de Cuba, permitem romper esse crculo vicioso.

Acontece que todos aqueles que continuam identificados com os interesses dos EUA, do chamado “livre comércio”, que se opõem à consolidação e à extensão da integração latino-americana, buscam deter a entrada da Venezuela, com todo o dinamismo e a ampliação de temas que a incorporação do governo de Hugo Chavez representa. Se opoem ao gasoduto continental, se opõem ao Banco do Sul. Se opõem à autonomia do continente diante da hegemonia imperial dos EUA.

São esses os que tentam atrasar a integração continental, representando os interesses do império na região. No Paraguai, como no Brasil, são esses os que resistem ao Mercosul, à integração regional, como agentes do “livre comércio”, do FMI, da OMC e do Banco Mundial. Para isso não poupam nem esforços, nem vocabulário grosseiro. São resquícios de um passado que, embora resistindo – como o Partido Colorado – tem seus dias contados.


SOS TVE-RS - Petição contra a privatização da TV pública

A TVE (canal 7) e a Rádio FM Cultura (107.7), emissoras da Fundação Piratini, vêm sofrendo um período de desgastes que pode culminar na sua extinção. O orçamento vem sendo reduzido a cada ano e os equipamentos não têm manutenção. Por causa disso, a programação foi afetada e o sinal da TV já não chega a boa parte do interior do Estado do RS.
O tão temido projeto que entrega a TVE para ser gerenciada por uma ong (ou OSCIP - Organização Social de Interesse Público) esta sendo enviado para a Assembléia Legislativa.

É, na prática, privatizar a TVE.Vamos ajudar a manter a TVE, o único canal com programas educativos e que tem aberto algum espaço para o público se manifestar. É simples, basta entrar na página e assinar.


Tem também uma versão em papel do abaixo-assinado, nesse caso, entre em contato com mailto:angelcoronel@

Mais de três milhões e 700 mil são contra a privatização da Vale

A Vale deve continuar nas mãos do capital privado? Dos três milhões 729 mil 538 brasileiros, que participaram do plebiscito sobre a anulação do leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), 94,5% disseram Não a essa pergunta. E também repudiaram o fato Governo continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna; o preço abusivo da energia elétrica e a reforma da previdência.
O resultado do plebiscito foi divulgado no último dia 08 às 15 horas, na Câmara dos Deputados, em Brasília, pelas 64 organizações do movimento social brasileiro, que participaram das mobilizações para esse terceiro plebiscito popular da história do Brasil
As perguntas que questionavam sobre o pagamento da dívida, o alto preço da energia e a reforma da previdência não foram feitas em todos os estados, pois a decisão sobre a quantidade de perguntas era tomada pelos Comitês Estaduais do Plebiscito. Com 2 milhões 492 mil 320 votos, o pagamento das dívidas externa e interna pelo governo brasileiro foi rechaçado por 92,1% dos votantes.
A pergunta: Você concorda que a energia elétrica continue sendo explorada pelo capital privado, com o povo pagando até 8 vezes mais que as grandes empresas? Foi respondida Não por 93,7% dos 2 milhões 536 mil 136 eleitores. Já quando o povo foi questionado sobre se concordava que a Reforma da Previdência retirasse os direitos dos trabalhadores, o Não foi a opção de 93,4% dos 2 milhões 895 mil 965 votantes.
A consulta popular foi realizada em escolas, igrejas, sindicatos, praças em 24 mil 775 urnas espalhadas por todo o país entre os dias 1º e 9 de setembro deste ano. O objetivo dos organizadores era que o povo pudesse se manifestar sobre a venda de seu patrimônio; já que na época do leilão, os donos da vale, todos os brasileiros, não foram consultados. A base jurídica para a anulação do leilão existe, pois as irregularidades no leilão vão desde a sub-avaliação do preço da Companhia até o envolvimento de empresas que fizeram essa avaliação com o consórcio comprador.

O retorno de um modelo perverso e fracassado

Em um bom artigo publicado na Carta Maior, Miguel Rossetto analisa a crise financeira do estado do Rio Grande do Sul, fazendo um importante resgate sobre como ela realmente se aprofundou. Quais as polítcas que as geraram, e que agora vemos se repetir no desastroso governo de Yeda Crusius. Abaixo trecho do artigo:

Os graves problemas financeiros que o Estado do Rio Grande do Sul vive
hoje não são resultado de uma crise de 30, 40 anos, como alguns
afirmam, mas sim conseqüência de decisões recentes. Eles têm data de
nascimento, nome e sobrenome, que identificam responsáveis por opções
que foram feitas e que produziram resultados danosos para o povo
gaúcho e para o Estado. A dificuldade de financiamento público que
vemos hoje no RS foi produzida por escolhas feitas no governo Antonio
Britto, pelo PMDB e pelo PSDB, partido da atual governadora. Esses
partidos, durante aquele governo, sustentaram três grandes medidas nos
anos de 1995, 1996 e 1997, que são fortemente responsáveis pela crise
atual.

Essas três medidas retiraram receitas do Estado, desorganizaram nossa
economia e comprometeram por um longo período a capacidade de
financiamento público. Que medidas foram essas? Em primeiro lugar, a
aceleração de uma política permanente e ampla de renúncia fiscal, sem
critérios e sem uma avaliação séria sobre os seus efeitos para a
economia gaúcha e para as finanças públicas. Isso reduziu enormemente
a receita pública e deu origem a desigualdades internas na atividade
econômica do RS. Em segundo lugar, a aprovação da Lei Kandir,
(elaborada pelo deputado do PSDB, Antonio Kandir, ministro do
Planejamento do governo FHC) que eliminou a tributação de exportação
de produtos primários e semi-elaborados. Essa lei adotou um sistema de
compensações absolutamente insuficiente e criou um conjunto de outras
renúncias de tributos, contribuindo para aprofundar desigualdades
entre os estados.

E, em terceiro lugar, a chamada renegociação da dívida do Estado. O
RS, que vinha pagando historicamente uma média de 5% de suas receitas,
passou a pagar de 13% a 15% por um prazo de 30 anos. A partir dessa
medida, o Estado é diminuído para 87% da sua capacidade de
financiamento. Essas três medidas, aprovadas pelos governos do PMDB e
do PSDB, prejudicaram estruturalmente a capacidade de financiamento do
Estado. Adicione-se a elas a venda de patrimônio público, através das
privatizações que renderam cerca de R$ 5,5 bilhões mas não ajudaram a
diminuir a dívida do Estado, conforme havia sido prometido. Aliás,
onde foi parar este dinheiro?
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Humor


Autor: Furnier

A sombra do Che

Flávio Aguiar


Causou reações a reacionária matéria de capa de Veja sobre Ernesto Guevara, por ocasião destes 40 anos de sua morte, assassinado por membros do Exército boliviano a serviço dos Estados Unidos. Mas é coisa de não causar surpresa.

Tentaram, na revista, levantar o que os psicanalistas jungueanos chamariam de “a sombra” de Ernesto Guevara. Sob a égide de “destruir” um mito, pretenderam levantar tudo o que de negativo se poderia sobre a vida de um homem humano, certamente mais humano do que estes arautos do que de mais servil existe no jornalismo brasileiro.

Não conseguem. É verdade que Ernesto Guevara se transformou no mito Che. Num mito, quanto mais se bate, mais ele cresce. Porque ao contrário do que essas vulgaridades pensam, um mito não é sinônimo de uma mentira. Um mito é uma história que explica porque estamos aqui e somos assim ou assado. Um mito remonta a enigmas que não conseguimos explicar. Então temos que narrar.

Abaixo, dou cinco razões pelas quais os arautos da direita brasileira não podem suportar o mito Che. Muito mais do que a direita propriamente, porque duvido que os poderosos de fato na direita estejam hoje muito preocupados com o mito Che Guevara. Até porque nenhum – repito, nenhum – governo de hoje na América Latina está à altura do mito.

1) Che em línguas pampeanas quer dizer “homem”. Em guarani quer também dizer “meu”. El Che significa “o homem”, “o ser humano”, em linguagens que, como rios subterrâneos, nos lembram das catástrofes históricas que nos trouxeram até hoje. O nome, El Che, é uma cicatriz da história, assim como o de Zumbi, ou o de Anita Garibaldi. Com a diferença de que ele cobre o continente e hoje o mundo com sua imagem. A mera presença desse nome como dos preferidos no mundo inteiro prova que as tragédias dos povos são inesquecíveis, por mais que as queiram mergulhar no esquecimento.O nome do Che é um ícone do anjo de Walter Benjamin, aquele que segue para diante na história, mas de costas, vendo-a como uma construção de ruínas.

2) O Che foi um guerrilheiro romântico. Nada mais estranho ao mundo desses arautos do que qualquer sombra de romantismo rebelde. Eles (os arautos) tiveram que eleger o servilismo como estilo, têm que beijar a mão que os afaga ou os chicoteia conforme o gosto (o deles e o da mão). Palavras como rebeldia, entono, ousadia, energia, paixão, e outras do mesmo estilo, são verbetes em branco nos seus dicionários. O Che – que como todo o ser humano tinha qualidades, defeitos e problemas, e que como todo o mito, é mais uma lâmina de contradições do que de certezas absolutas – era alegre, era um ser voltado para a vida, não para a morte. Como podem os mortos vivos passar incólumes diante desse ser em contínua operação na história, eles que venderam a alma mas esperam poder deixar de entregá-la?

3) O Che era latino-americano. Nada mais detestável para esses arautos (e aí também para os poderosos da direita) do que a lembrança de que eles são latino-americanos. O ideal da sombra deles (a sombra é aquilo que a gente também é mas não gosta de lembrar de que é) é que o Brasil fosse uma imensa pista de aeroporto rumo ao norte, aos idolatrados shoppings centers onde se fala inglês como “língua natural” (como se isso existisse), porque é assim que eles vêm o mundo e a cultura do hemisfério norte. O fato do ícone cuja imagem é uma das mais procuradas no mundo ser a de alguém que morreu pelos povos desse continente amaldiçoado pelos poderes de todo o mundo traz pesadelos inconfessáveis para esses arautos. Pesadelos tão pesados que de manhã eles fingem nem se lembrar deles. Fingem tão fingidamente que até acreditam ser o sonhozinho de consumo em que fingidamente vivem, esses sinhozinhos das próprias palavras, a quem tratam como escravas.

4) O Che lutou pela libertação da África. E com os demais companheiros e companheiras do Exército cubano. Sem a participação de Cuba, é possível até que o regime do apartheid sulafricano pelo menos demorasse muito mais para cair. A vitória do Exército angolano, com Cuba, contra as forças sulafricanas, na batalha de Cuita Canevale foi fundamental para a queda do regime sulafricano. É verdade que as iniciativas do Che nas lutas no Congo não tiveram êxito. Não importa: como o Che é que se tornou o mito, ele carrega nas costas essa pesada carga de ser um dos ícones da solidariedade latino-americana com os povos do continente cujas costas lanhadas de sangue ajudaram a construir a nossa riqueza.

5) O Che era bonito. Aí é demais. Dispensa palavras.Tudo isso vem aliado à terrível sensação, para esses arautos, de que o mito do Che, a lembrança do personagem vivo, sobreviverá a todos eles. E que se esse mito-anjo vê a história como a construção de ruínas, eles, os arautos, são as mais expressivas da ruína humana a que se reduz o servilismo eleito como estilo.

O legado de Che Guevara

João Pedro Stédile

Decididamente, a contribuição de Che, por suas idéias e exemplo, não se resume a teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemos vê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá-lo, reduzindo-o a um mito.
Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.
A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo, escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. O espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.
Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.
Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.
Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.
Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.
A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!


Fonte: Caros Amigos

Humor


Autor: Fernandes

Convite













jornada de atividades

che vive 1967-2007

CONFERÊNCIA com Atilio Boron

No dia 8 de outubro, às 18h30, Auditório Dante Barone, Assembléia Legislativa.

Ato-Show - Che Vive

Dia 08 de outubro, 19h30 - Auditório Dante Barone, Assembléia Legislativa

Presenças de: Carlos Cachoeira, Eraci Rocha, Eduardo Solari, Leonardo Ribeiro, Liane Schüller, Nanci Araújo, Nei Lisboa, Raul Elwanger e Una América.

ESQUETE TEATRAL - FRAGMENTOS – UMA HOMENAGEM A CHE GUEVARA

Grupo de Teatro Caixa de Pandora

Direção: Artur Pinto

10 de outubro - 20.00h

Auditório Luiz Eurico Tejera Lisboa, Escola Estadual Júlio de Castilhos.

DEBATE 45 ANOS DE BLOQUEIO

E A PRISÃO DOS CINCO CUBANOS NOS EUA

Debatedor: Sergio Martinez – Conselheiro da Embaixada de Cuba no Brasil

11 de outubro – 19.00 h.

Local: Plenarinho da Assembléia Legislativa, 3º andar.

Promovem: PT, PDT, PC do B, PSB, PCB, Bancada do PT na Ass. Legislativa do RS, CUT, MST, CMP, MNLM, UNE, UGES, Federação dos Bancários/RS, Federação dos Metalúrgicos/ RS, CPERS, Sindicato dos Bancários de PoA, Sindicato dos Metalúrgicos de PoA, SINTRAJUFE, SIMPE, SINDIPOLO, SINDIPORTUARIOS DE RIO GRANDE, APCEF-RS, Juventude do PT, CEFAL Associação Funcionários. da CORSAN, JR 8,ASSOCIAÇÃO JosE Martí,


Candidatas polonesas do "Partido das Mulheres" tiram a roupa em campanha política

Tem coisas que se tivessem me contando eu não iria acreditar, no estilo "só acredito vendo", mas quando vi essa materia no blog Na Periferia do Império eu quase não acreditei, muita maluquice, é a idéia da política como espetáculo levada as últimas conseqüências. Reproduso a integra do post:

A campanha para as eleições parlamentares na Polônia, que ocorrem em outubro deste ano, esquentou depois que o recém-lançado Partie Kobiet (Partido das Mulheres) divulgou um cartaz de campanha que mostra sete mulheres nuas, inclusive sua presidenta.

O Partido Feminino, fundado pela escritora Manuela Gretkowska em 2007, propõe mais transparência, maior participação feminina na política polonesa e medidas que melhorem as condições de vida das mulheres. Seu slogan de campanha é “A Polônia é uma mulher”.

A organização diz contar com 5 mil membros e esperar obter 5% das cadeiras no parlamento. A estratégia de campanha causou críticas dos partidos conservadores e do clero polonês.

Segundo a BBC, "A última pesquisa de opinião realizada no país deu ao partido 3% das intenções de voto, abaixo dos 5% dos votos necessários para chegar ao Parlamento".