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Juízes com auxílio moradia vão condenar pobres sem-teto e sem-terra?
Por Jacques Távora Alfonsin
No dia 15 de setembro passado, o Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, concedeu “tutela antecipada” a uma ação originária proposta por juízes federais do Distrito Federal, à qual aderiu posteriormente a Associação dos juízes Federais, reconhecendo o direito de as/os magistradas/os federais receberem o auxílio moradia, em todos aqueles casos nos quais elas/es exercem suas funções, sem que residência oficial lhes seja franqueada. Posteriormente, o benefício foi estendido a juízas/es estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar.
Entre as razões para essa complementação pecuniária, foi lembrada a redação do art. 65, inciso II da Loman (Lei Orgânica da Magistratura), o qual dá sustentação legal ao que foi decidido.
Passado quase um mês desde que isso aconteceu, alguns jornais, sites e redes sociais abriram seus espaços para explicações, críticas, justificativas, onde foi possível ver-se quanta polêmica, e até indignação o tal pagamento está criando. Não se trata de um auxílio pequeno. Ele sobe acima de quatro mil reais mensais, sem dúvida um valor a que muita/o brasileira/o sonha não como “auxílio” mas sim como salário bruto mesmo.
Médico se recusa a atender paciente por ter votado em Lula
O preconceito de classe e o elitismo de boa parte dos médicos brasileiros a todo o instante nos impressiona. Em Minas Gerais, um médico negou atendimento a um paciente por este ter votado em Lula (notícia abaixo). O compromisso com a vida, que deveria nortear a ação dos médicos brasileiros, infelizmente, tem cedido espaço para os piores e mais mesquinhos comportamentos.
Além de se recusarem atender ao povo pobre, ao tentarem de toda a forma impedir que os médicos estrangeiros do Mais Médicos atendesse estas pessoas, agora passam a se utilizar de critérios políticos para não atender a um paciente.
Será que veremos alguma manifestação de repúdio a conduta desde profissional por parte do sindicato médico?
"Abaixo este Brasil atrasado" da Ellus
Por Erick da Silva
A grife Ellus lançou recentemente a campanha: "Abaixo Este Brasil Atrasado", além de camisetas com a frase estampada vendidas em suas lojas, foi divulgado um manifesto, de mesmo nome, onde criticam o "atraso do Brasil". O atraso denunciado é pouco apoiado em dados da realidade. A ação da Ellus se soma a outras, de menor ou maior alcance, de setores da elite econômica brasileira que buscam, desesperadamente, impedir a reeleição da presidenta Dilma e o avanço da esquerda no Brasil.
Uma atitude corriqueira de uma classe dominante que jamais abdicou de seus objetivos mesquinhos de ganhos econômico as custas da maioria da sociedade.
Postado por
ERick
em
5/25/2014
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Protesto dos médicos ‘Somos ricos, somos cultos. Fora os imbecis corruptos’
‘Somos ricos, somos cultos. Fora os imbecis corruptos’. Este foi o grito de guerra de um grupo de médicos que protestou nesta terça (30/07) em frente ao Ministério da Saúde, em Brasília, conforme noticiou o jornal 'O Globo'.
Sem dúvida esta não é uma palavra de ordem que segue alguma orientação geral dos sindicatos médicos que estão organizando uma série de protestos e greves contra o governo Dilma. Eles não são burros a este ponto, sabem que, em alguma medida, é importante contar com algum apoio junto a sociedade para suas reivindicações.
No entanto, esta talvez seja a palavra de ordem mais sincera já dita pelos médicos nestes atos. Boa parte da resistência da categoria as medidas anunciadas pelo governo, como o programa "Mais Médicos", ocorre por esta visão elitista que os médicos tem sobre si.
Para estes, não importa a situação da população carente que precisa de médico, não interessa que se amplie e democratize o acesso a saúde. Para estes importa, acima de tudo, é manter o "status" de classe privilegiada em um país que ostenta profundas desigualdades.
O Brasil precisa de médicos que gostem de gente, de povo. Mudar esta postura elitista, modificar este padrão excludente que se perpetua no país é uma tarefa árdua e que não se dará sem resistências.
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Pensamento mediano
Singularmente perversa e infantilizada, nossa classe média é o suporte de uma visão de mundo que transforma exploração em generosidade
Por Jessé de Souza
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A regra básica da cegueira na qual todos vivemos é que percebemos o "capital econômico", mas nunca percebemos o "capital cultural". É que o capital cultural não são apenas os títulos escolares de prestígio que garantem à classe média seus empregos bem pagos e reconhecidos. Capital cultural é também e principalmente toda a herança imaterial e invisível, tanto emocional quanto cognitiva e moral, que recebemos desde tenra idade, sem esforço, no convívio familiar, como a habilidade para o pensamento abstrato, o estímulo à concentração - que falta às classes populares e a condenam ao fracasso escolar -, a capacidade de perceber o futuro como mais importante que o presente, etc. Isso tudo somado constrói o indivíduo das classes alta e média como "vencedor" na escola e depois no mercado de trabalho, não por seu "mérito individual", como os indivíduos dessas classes gostam de pensar, mas por uma "vantagem de sangue", familiar e de classe, como em qualquer outra sociedade tradicional do passado.
A antielitização latino-americana
As elites latino-americanas sempre tiveram uma dificuldade profunda em estabelecer projetos políticos próprios e originais. De um modo geral sempre recorreram a "importação" de ideários políticos que lhe melhor servissem para o seu objetivo central: a manutenção do status quo e, consequentemente, de seus privilégios. O bom artigo do professor Almicar Oroño, publicado originalmente no jornal Página 12 e traduzido na Carta Maior, traz um rico apanhado desta condição de esgotamento político das elites na América Latina.
Por Amílcar Salas Oroño
1. Boa parte das forças políticas opositoras latino-americanas evidenciam hoje uma crise de identidade. Encontram-se em um pântano de ideias, uma frustração frente a certas propostas políticas impulsionadas por alguns governos da região. Trata-se de uma situação que não é simplesmente de superfície: no fundo, ocorre que as elites latino-americanas estão vendo encurralada sua capacidade ideológica para transfigurar seus interesses privados em projetos políticos majoritários próprios ou afins. Neste sentido, um processo de antielitização latino-americana parece também estar constituindo a cena contemporânea.
2. O dilema para estas forças opositoras é que elas incorporaram quase como único e relevante princípio de ação aquilo que é indispensável para as elites: reeditar uma possível “harmonia” dos interesses sociais, tornarem-se os garantidores de uma sociedade sem conflitos na qual primem os mecanismos “naturais” de resolução de demandas, junto com as posições de privilégio. Frente às “desmedidas” dos governos, a importância prática do “equilíbrio”. Pode-se dizer que elites e forças opositoras se mimetizam, ou melhor, se complementam: os setores opositores funcionam como descarga discursiva das elites, com o apoio dos meios massivos de comunicação. Mas essa mesma pretensão do “fim dos conflitos” apresenta hoje em dia sérios problemas para relançar-se teoricamente em alguns países.
3. Não é no nível concreto da geração de riqueza ou em fatores de poder que as elites perderam terreno, mas sim em uma dimensão que também resulta fundamental para a dialética social: os imaginários coletivos. As elites não estão conseguindo atravessar e organizar discursivamente há algum tempo os diferentes níveis de linguagem das sociedades. Como dado eloquente, cabe destacar que as manchetes do Clarín e do La Nación, na Argentina, do ABC, no Paraguai, ou do Estadão e da Folha de São Paulo, no Brasil, já não geram a mesma comoção na opinião pública. Neste sentido, a capacidade das elites para promover uma extensão de seus (auto) princípios de legitimação – com seus valores, modelos de relações sociais e metas coletivas – está fortemente afetada; é como se uma brecha tivesse sido aberta entre suas interpretações e os imaginários coletivos.
Esta circunstância se deve, fundamentalmente, ao fato de que as elites periféricas perderam seus pontos de referência. Elas sempre se refugiaram e se legitimaram em seus vínculos com os países centrais e na promessa de trazer o exterior para o continente como modelo para a modernização do arcaico e do periférico. Mas olhar “para fora” hoje em dia não é motivo de muito entusiasmo: crises especulativas com prejuízos na casa dos bilhões, deslocamento forçado de contingentes de imigrantes, perseguições religiosas, modelos de sociedade baseados na redução salarial e no ataque a direitos adquiridos, ou então o avanço de valores como os que impulsionam o Tea Party, nos EUA, ou os partidos de direita na Suécia e na Hungria.
4. Esta desorientação habilita, por sua vez, o giro “antielitista”: arraigam-se outros princípios ordenadores nos imaginários latino-americanos. Há novos sentidos comuns e outras dinâmicas – e outras maneiras de descrevê-las – vinculados com as agendas públicas de certos países: se no Brasil, talvez pela primeira vez em sua história, percebe-se coletivamente a possibilidade de uma mobilidade social para os setores subalternos, isso se deve ao impacto de determinadas políticas, como a reversão da primazia do trabalho informal sobre o formal ou os milhões de novos estudantes que tiveram acesso à universidade; na Venezuela, o declarado “anti-imperialismo” cultural e institucional construiu, como mostram alguns estudos, outros tipos de interação e modelos de relações sociais, inclusive domésticas, a respeito do que implica uma sociedade do consumo; o mesmo poderia se dizer sobre o “bem viver” no Equador ou Bolívia, capítulos constitucionais que, burocraticamente, colocam reparos práticos às tentações neoextrativistas e, ao mesmo tempo, reasseguram sua particularidade política histórica: a inclusão de identidade indígena em seus projetos; ou na Argentina, onde a “democratização” de certos aspectos cotidianos, como o matrimônio igualitário ou a pluralidade da informação, reconfigura o caráter do significado do progresso pessoal.
5. Estas fórmulas, que lutam espiritualmente com outras não tão auspiciosas e também creditáveis aos governos em questão, atravessam os imaginários sociais e se incorporam aos universos simbólicos da cidadania, orientam e organizam a absorção das interpretações circulantes: de alguma maneira, constituem-se nas barreiras ideológicas que encontram as elites para impor suas ideias. Não se trata, como diz Beatriz Sarlo, de uma simples “batalha cultural”; deve reconhecer-se como um avanço político o fato de que os modelos societários das elites estejam sem possibilidades de movimento e capilaridade.
Isso não anula a debilidade e a falta de organicidade com as quais se dão as mudanças, ou que apareçam fricções no interior das coalizões governamentais: ocorre no Equador com a Aliança País e os movimentos sociais, com Dilma Rousseff e a bancada parlamentar do PMDB, ou entre o governo e a CGT na Argentina. Mas essas fricções não são em torno de outros mapas conceituais, como gostariam os meios de comunicação conservadores e as elites, mas sim no interior de um mesmo quadro de ideias – assumidos com maior ou menor honestidade pelos atores – precisamente aquele que, posto em movimento, gera uma antielitização das linguagens de baixo para cima.
6. Os imaginários sociais não são realidades secundárias: ali também se colocam questões chave para o futuro. Está claro que não há condições objetivas para uma radical “mudança de época” na América Latina. No entanto, há certas condições subjetivas, no plano dos imaginários, que parecem ter dado um salto otimista, e que são consequência da interação com certas políticas públicas; daí a crise de identidade e de perspectiva de certas elites e forças opositoras. A região apresenta uma diferença em relação a outras latitudes: ao invés de levantar muros entre comunidades, talvez seja o momento para assumir em sua verdadeira dimensão conceitual aquilo que está comprometido socialmente com a originalidade latino-americana; como insistia José Carlos Mariátegui: nem imitação, nem cópia...criação heroica.
(*) Professor do Instituto de Estudos da América Latina e Caribe, da Universidade de Buenos Aires.
Tradução: Katarina Peixoto
Postado por
ERick
em
6/04/2011
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Churrascão da “Gente Diferenciada” em Higienópolis
O anúncio de que o Metrô de São Paulo mudou o local que abrigaria uma das suas estações, no bairro de Higienópolis, tradicional bairro de elite da capital paulista, levou a região ao ranking dos assuntos mais comentados do dia no Twitter - com todas as piadas que essa posição significa. Além disso, no Facebook, milhares de paulistanos aderiram ao “Churrascão da Gente Diferenciada”, marcado para acontecer no sábado, em frente ao shopping que leva o mesmo nome do bairro.
Isso acontece porque, em agosto de 2010, uma associação de moradores de Higienópolis anunciou que se opunha à construção da estação na região. A justificativa oficial, que acabou abraçada pelo governo do Estado, é que a estação da linha 6-laranja, que vai ligar a zona norte ao centro da capital paulista, ficava próxima demais, a 610 metros, da futura estação Higienópolis-Mackenzie, e longe demais, a 1.500 metros, da estação PUC-Cardoso de Almeida. A linha tem previsão de ficar pronta em 2017. Segundo o Metrô, o projeto da localização da futura estação Angélica está sendo reavaliado visando ao melhor equilíbrio da linha e para atender usuários moradores das áreas da região do Pacaembu, bairro vizinho a Higienópolis.
O problema, para Higienópolis, é que alguns moradores da região se colocaram contra a obra porque ela atrairia, segundo uma moradora entrevistada pelo jornal Folha de S.Paulo, “drogados, mendigos, uma gente diferenciada..." Foi o bastante para que a expressão “gente diferenciada”, que já tinha sido destaque no Twitter em 2010, voltasse à baila na tarde desta quarta-feira – e desse nome ao "churrascão". Além disso, não foi a primeira vez que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) recuou diante de pressões contra o metrô: a mesma coisa aconteceu em um bairro da zona sul da cidade, que também conseguiu barrar uma estação, da linha amarela.
Com informações do IG
Fora, povo!
Por Luis Fernando Veríssimo
Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais
bem-vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!
A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos, segundo a qual o Brasil,
para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima
qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de
terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As
campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual
só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam
a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar
comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou
a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente
levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo
brasileiro só envergonha a sua elite.
Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de
desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de
empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego,
subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.
Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e
fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que
fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas
o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.
Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton...
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FHC: "No Brasil tudo fracassou!"
Direto do Blog Conversa Fiada, do jornalista Paulo Henrique Amorin:Reproduzimos a seguir alguns trechos da reportagem de João Moreira Salles sobre e com Fernando Henrique Cardoso, publicada na revista Piauí de agosto.
. O Conversa Afiada considera estarrecedoras algumas das declarações desse ex-presidente do Brasil.
. E encaminhou essas declarações ao presidente do PSDB, a dois candidatos do PSDB à Presidência da República (José Serra e Aécio Neves), a um ex-candidato do PSDB à Presidência (Geraldo Alckmin) e às lideranças do PSDB na Câmara e no Senado com a seguinte pergunta: o senhor concorda com essas afirmações do Presidente de Honra de seu partido, e que se diz “a única oposição” ?
Veja os melhores momentos de FHC, o Farol de Alexandria na Piauí:
“Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação melhorou e aos poucos a infra-estrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo de crescimento, nada que se compare à China ou à Índia. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo.”
. O Conversa Afiada considera estarrecedoras algumas das declarações desse ex-presidente do Brasil.
. E encaminhou essas declarações ao presidente do PSDB, a dois candidatos do PSDB à Presidência da República (José Serra e Aécio Neves), a um ex-candidato do PSDB à Presidência (Geraldo Alckmin) e às lideranças do PSDB na Câmara e no Senado com a seguinte pergunta: o senhor concorda com essas afirmações do Presidente de Honra de seu partido, e que se diz “a única oposição” ?
Veja os melhores momentos de FHC, o Farol de Alexandria na Piauí:
“Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação melhorou e aos poucos a infra-estrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo de crescimento, nada que se compare à China ou à Índia. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo.”
“Quais são as instituições que dão coesão à sociedade ? Família, religião, partido, escola. No Brasil, tudo isso fracassou.”
“No meu governo universalizamos o acesso à escola, mas para quê ? O que se ensina ali é um desastre.”
“A única coisa que organiza o Brasil hoje é o mercado. E isso é um desastre.”
“A parada de 7 de setembro é uma palhaçada.”
“Parada militar no Brasil é pobre pra burro. Brasileiro não sabe marchar. Eles sambam ... A cada bandeira de regimento a gente tinha que levantar, era um senta levanta infindável. Em setembro venta muito em Brasília e o cabelo fica ao contrário.”
“Os americanos têm os founding fathers ... A França tem os ideais da Revolução. Eu disse para os homens de imaginação, para o Nizan Guanaes: olha, a imaginação do povo é igual à estrutura do mito do Lévi-Strauss, ou seja, é binária: existem o bem e o mal. Eu fui eleito Presidente da República porque fiz o bem – no caso, o real. O real já está aí, eu disse. Chega uma hora em que a força dele acaba. O que vamos oferecer no lugar ? Ninguém soube me dar essa resposta. Eu também não soube encontrá-la.”
“Essa coisa de ser brasileiro é quase uma obrigação.”
“O problema do Brasil não é nem o esfacelamento do Estado. É algo anterior: é a falta de cultura cívica.”
“Como eu ia dizendo, é bom ser brasileiro: ninguém dá bola.”
(Ao sobrevoar Little Rock, no Arkansas, terra de Bill Clinton) “Parece o Mato Grosso ...” disse com um muxoxo.
(No aeroporto, ao sair da sala de espera dos viajantes de classe “econômica” e se dirigir para a sala reservada aos da classe “executiva”) “E eu sofrendo no meio do povo à toa.”
“Não acredito que o Lula tenha práticas de enriquecimento pessoal... O que há é que ele é um pouco leniente.”
“Já o Lula é o Macunaíma, o brasileiro sem caráter, que se acomoda.”
“Sou mesmo a única oposição, mas estou me lixando para o que o Lula faz. O problema é a continuidade do que foi feito.”
“ ... no Governo Sarney. Foi quando começou o loteamento dos cargos ... Com o PMDB, o que se loteou foi a máquina do Estado: ministérios, hospitais, todo tipo de órgão, até o mais insignificante, tudo. O Estado desapareceu, virou patrimônio dos políticos.”
. (Num discurso no Clube de Madri, de ex-presidentes) Passa então a rechear sua fala com a “coesão mecânica” e a “coesão orgânica de Durkheim (mais tarde no táxi: “é o bê-á-bá da sociologia. Olhei em volta, vi que não tinha nenhum sociólogo e mandei ver.”).
“Fiquei cliente do Harry Walker, o mesmo agente do Clinton. Em média me oferecem 40 mil dólares (por palestra); ele fica com 20%... Em Praga, uma vez, como éramos um grupo de palestrantes, não cheguei a falar nem vinte minutos – pagaram 60 mil dólares. O Clinton chega a ganhar 150 mil.”
Em restaurantes em Buenos Aires sou aplaudido quando entro. É que eu traí os interesses da pátria, então eles me adoram.”! A neta Julia, de 18 anos, balança a cabeça: “Como é que ele diz essas barbaridades ...”
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