Mostrando postagens com marcador Inglaterra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inglaterra. Mostrar todas as postagens
25% dos britânicos acham que Superman é um herói bíblico
Uma recente pesquisa revela que no Reino Unido há uma geração de adultos que não sabem diferenciar entre personagens de filmes de Hollywood e os do Antigo Testamento, conforme relata o jornal britânico 'Mirror'. 25% dos britânicos acham que Superman é um herói bíblico.
Angry Birds e outros aplicativos são utilizados pelas agências de espionagens
Agências de espionagens utilizam aplicativos para rastreamento de suspeitos
Ao executar o aplicativo Angry Birds - baixado por mais de 1 bilhão de pessoas em todo mundo - qualquer um pode ter seus dados (localização, idade, sexo) acessados pela NSA (National Security Agency) e seu homólogo britânico, a GCHQ (Government Communications Headquarters).
É o que apontam documentos confidenciais entregues aos jornais The Guardian, The New York Times e ao site ProPublica, pelo delator e ex-funcionário da NSA, Edward Snowden. As agências têm trabalhado juntas desde 2007 na coleta de cada vez mais dados de suspeitos de terrorismo e outros alvos, e nos últimos anos os smartphones têm sido cada vez mais utilizados na tarefa.
Postado por
ERick
em
2/04/2014
0
comentários
Tags
Espionagem,
Espionagem digital,
EUA,
Game,
Inglaterra,
Snowden
As "Guerras humanitárias"
Por Emir Sader
A Otan foi a expressão militar da hegemonia norte-americana no marco da guerra fria. Foi construída para a “contenção da União Soviética” na perspectiva de que haveria um projeto de expansionismo soviético, que teve como resposta a teoria da contenção. A Otan reunia aos países europeus, sob o comando militar dos EUA.
Terminada a guerra fria, com a vitória do bloco ocidental, o que fazer com a Otan? Terminado seu objetivo inicial, deveria desaparecer. Mas as potências ocidentais passaram a descobrir ou inventar novos inimigos globais, sem os quais suas aventuras militares não se sustentariam.
Postado por
ERick
em
8/31/2013
0
comentários
Tags
Artigo,
Emir Sader,
EUA,
Guerra,
Imperialismo,
Inglaterra,
Otan
PJ Harvey: Shaker Aamer (um apelo à libertação de prisioneiro em Guantánamo)
A cantora PJ Harvey gravou uma canção dedicada a Shaker Aamer, o único britânico detido em Guantánamo, onde está há 11 anos, sem ter nenhuma acusação e impedido de se defender.
Os abusos sofridos por Shaker Aamer na detenção incluem, mas não estão limitados a: espancamentos, longos interrogatórios, a exposição ao frio extremo, privação sensorial, posições de stress, o ruído branco, privação de sono, o isolamento a longo prazo e de alimentação forçada.
Aamer, de origem saudita, corre ainda o risco de, ao ser libertado pelos EUA o expatriarem para a Arábia Saudita.
Enquanto isso, a esposa britânica de Shaker espera pacientemente pelo seu retorno, e seus quatro filhos britânicos - o mais novo de quem nunca sequer conheceu - estão crescendo sem ele.
.
Postado por
ERick
em
8/18/2013
0
comentários
Tags
Direitos Humanos,
EUA,
Guantánamo,
Inglaterra,
Mundo,
Música,
Vídeo
WikiLeaks: Acusação contra Assange é falsa, revela inteligência britânica
O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, revelou o conteúdo de mensagens interna de um serviço secreto britânico que qualifica como "montagem" a acusação de assédio sexual contra ele feita na Suécia, como revelou a imprensa britânica.
Margaret Thatcher se encontra com Pinochet
Margaret Thatcher, a "Dama de Ferro", governou a Inglaterra de 1979 a 1990, o maior período de governo de um primeiro-ministro britânico desde o início do século 19.
Ela, junto com presidente dos EUA Ronald Reagan (também já falecido), foram pilares para a difusão do chamado neoliberalismo e a derrocada do "estado de bem-estar social" na Europa e EUA. No entanto, a mais importante parceria de Thatcher não seria com o ex-ator de filmes B em Hollywood e dublê de presidente, mas sim, com uma outra figura de triste lembrança, o ditador chileno Augusto Pinochet.
Thatcher e Pinochet, ao seu modo, foram dois pilares para a consolidação do neoliberalismo.
Thatcher sempre apoiou e respaldou as ações da sanguinária ditadura chilena, que vitimou aproximadamente 10 mil pessoas. Esse apoio não era involuntário. Foi no Chile, que pela primeira vez, era posta em prática a doutrina neoliberal.
O Chile foi o laboratório para a grande "experiencia neoliberal" que viria a assolar, posteriormente, boa parte do mundo. Pinochet foi um dos governantes que seguiu de maneira mais radical a ortodoxia neoliberal. Poucos países do mundo souberam combinar de maneira tão "pura" a prerrogativa do "livre mercado", aliado ao uso da força, ou da "Doutrina do Choque", como aponta Naomi Klein (veja mais no documentário, acessando aqui).
Após a queda de Pinochet no Chile, quando este teve sua prisão pedida na Inglaterra, por ação do juiz espanhol Baltasar Garzón, Thatcher moveu todos os esforços possíveis para impedir que seu amigo fosse para traz das grades.
Agora, Thatcher e Pinochet se encontram novamente, no lugar que lhes é devido: o lixo da história.
Em tempo: por uma questão de coerência, circula na rede uma petição pela privatização do funeral de Margareth Thatcher. Afinal, que melhor maneira do governo britânico prestar uma homenagem a "Dama de Ferro", que entregar para a iniciativa privada os gastos pela realização das cerimônias fúnebres da ex-primeira ministra? Confira a petição aqui
.
Inglaterra aprova novo marco regulatório da imprensa
Por Marcelo Justus
A polícia está investigando centenas de novos casos de escutas telefônicas da extinta publicação dominical do grupo Murdoch, “News of the World”. As revelações de um informante do periódico colocam outra vez contra as cordas o império midiático que, mediante indenizações e acordos extrajudiciais, estava tentando sepultar a investigação. Enquanto isso, os três principais partidos políticos fecharam um acordo, domingo à noite, sobre a regulação da imprensa escrita. “Minha mensagem à imprensa é claro. Debatemos o tema. É hora de olhar para a frente e fazer funcionar este novo sistema”, disse o primeiro ministro David Cameron em uma sessão emergencial do parlamento.
O novo marco regulatório, que estabelece multas de até um milhão de libras e obriga os periódicos a pedir desculpas publicamente em caso de prática de abusos, contará com a sanção da rainha Elizabeth II por meio de um Ato Real e só poderá ser modificado com uma maioria parlamentar de dois terços. O acordo interpartidário esconde uma surda batalha em torno do tema. Em novembro passado, a Comissão Leveson propôs a continuidade do sistema de auto-regulação da imprensa com um código de conduta mais rígido e a criação por lei de um novo organismo supervisor que vigiasse o cumprimento das normas. A proposta era moderada, mas a maioria dos grandes meios de comunicação colocou a boca no trombone e o primeiro ministro conservador David Cameron convocou uma negociação com os outros partidos deixando claro que se opunha a que o parlamento sancionasse uma lei porque era “uma ameaça à liberdade de imprensa”.
Nos meses de negociação interpartidária que se seguiram os conservadores propuseram um Ato Real para resolver a falta de base legal que o novo marco apresentaria. A proposta foi rechaçada por seus aliados no governo, os liberal-democratas, e pela oposição trabalhista e as vítimas de abusos da imprensa, reunidos em torno do grupo Hacked off. Na quinta-feira passada, o primeiro ministro David Cameron deu por finalizadas as negociações e convocou uma votação parlamentar para esta segunda-feira. Na última hora da noite de domingo, chegou-se a um acordo mediante um subterfúgio. As três partes apoiavam a promulgação de uma lei que estipula que um Ato Real só poderá ser revogado por dois terços da Câmara dos Lordes e dos Comuns. Assim, ambas as partes puderam reivindicar uma vitória política. A interrogação que fica é se este novo marco evitará novos abusos.
A auto-regulação da imprensa foi consagrada em 1953 como uma espécie de princípio democrático sagrado, mas foi questionada e examinada por sete comissões nas últimas décadas. A última delas, formada durante os escândalos familiares que sacudiram a família real (Princesa Diana, divórcios, etc.) no início dos anos 90, concluiu que era a última oportunidade para a auto-regulação da imprensa. O experimento falhou como ficou claro no escândalo das escutas telefônicas. O próprio David Cameron se viu obrigado a criar, em julho de 2011, uma nova comissão investigadora da imprensa depois que se revelou que o “News of the World” havia invadido o celular de uma adolescente desaparecida e surgiram em série denúncias similares de vítimas de violações familiares de soldados mortos no Afeganistão e Iraque ou qualquer outro tema que tenha despertado a atenção do olho midiático.
Desde o surgimento do primeiro caso, em 2005, - a escuta telefônica do príncipe William – 16 pessoas foram levadas a julgamento, entre elas a outrora número dois de Ruppert Murdoch, Rebekah Brooks, e o ex-chefe de imprensa do primeiro-ministro Cameron e ex-editor do dominical, David Coulson. O grupo Murdoch aceitou pagar indenizações em 254 casos e há mais de 250 processos iniciados, que incluem a esposa de Tony Blair, Cherie, e Ted Beckham, pai do jogador de futebol. Em fevereiro deste ano, seis diretores do “News of the World” foram presos e na quinta passada o escândalo se estendeu a outro grupo, o Trinity Mirror, com a prisão de Tina Weaver, ex-editora do “Sunday Mirror”, e outros três colegas seus. Nesta segunda-feira, um advogado das vítimas, Hugh Tomilson, disse ao Alto Tribunal de Londres que a polícia havia descoberto centenas de novos casos de escutas telefônicas.
Até aqui, o golpe mais duro atingiu Rupert Murdoch e a News Corporation, segundo grupo midiático do mundo. Murdoch teve que abandonar sua tentativa de obter o controle absoluto da cadeia BSkyB e prestou dois depoimentos no parlamento. Em maior do ano passado, a Comissão de Cultura, Meios de Comunicação e Esportes declarou que ele não era “uma pessoa com as condições requisitos” para estar a frente de uma companhia internacional. Embora o controle acionário da News Corporation (cerca de 39%) permita-lhe manter as rédeas do grupo, sua influência diminuiu. Nos últimos meses, abriu mão de um milhão de ações da empresa e seu filho James, até antes do escândalo considerado o herdeiro do grupo, renunciou no ano passado como diretor executivo da News International, o braço britânico da empresa, e como presidente da BSkyB.
James Murdoch declarou repetidamente que todo o escândalo das escutas se devia a “uma maçã podre”. O golpe letal para sua carreira e a de seu pai será se a investigação policial em curso determinar que um dos dois ou ambos conheciam e concordavam com uma prática de espionagem jornalística que era “vox populi” em ambientes da imprensa e que havia chegado à cultura popular das séries televisivas sobre o jornalismo.
.
Postado por
ERick
em
3/19/2013
0
comentários
Tags
Inglaterra,
Mídia e Comunicação,
Regulação da Mídia
O colonialismo acabou?
O príncipe William e a princesa Kate participam de cerimônia nas Ilhas Salomão em comemoração ao jubileu de ouro da rainha Elizabeth, em setembro de 2012.
A foto acima fala por si e dispensa maiores comentários.
Fonte: Revista Samuel
.
Seis crianças entre 10 e 11 anos são presas por dia na Inglaterra
Essa notícia da Inglaterra deve servir de "inspiração" para todos os defensores da redução da maioridade penal. Um bom exemplo de como este tipo de política pode gerar situações absurdas que em nada resolvem o tema da segurança, pelo contrário, tendem a agravar no médio prazo.
Abaixo segue a notícia publicada no Globo:
Mais de 2 mil crianças com idades para estar no ensino primário foram presas no ano passado na Inglaterra e no País de Gales, uma média de seis por dia.
Do total de 209.450 menores de 18 anos detidos em 2011 - contra 315.923 em 2008 -, 2.117 tinham 10 e 11 anos de idade, de acordo com a Liga Howard para a Reforma Penal. Cerca de 20% eram meninas.
A liga fez campanha para reduzir o número de prisões de crianças que poderiam receber um registo criminal por serem apenas “malvadas”, segundo seu seu diretor-executivo, Frances Crook.
- As crianças que arrumam problemas são mais frequentes do que os “adolescentes desafiadores” e como nós respondemos a esse comportamento incômodo poderia fazer a diferença para o resto de suas vidas. Uma prisão e um registo criminal por serem apenas travessos podem levá-las à vida criminosa. E a diminuição do policiamento para crianças pode liberar recursos para lidar com crimes reais.
De acordo com Crook, apenas um pequeno número de crianças estão envolvidas em incidentes mais graves e geralmente sofrem de abuso, negligência ou problemas mentais.
- Um compromisso com a segurança pública significa tratá-los como crianças vulneráveis e garantir que eles consigam a ajuda que precisam para amadurecer como cidadãos cumpridores da lei - afirmou Crook.
.
Postado por
ERick
em
12/04/2012
0
comentários
Tags
Direitos Humanos,
Inglaterra,
Juventude,
Segurança Pública
Assange: EUA precisam parar de perseguir aqueles que revelam os seus crimes secretos
por Roberto Almeida, de Londres, Ópera Mundi
O fundador do Wikileaks, Julian Assange, pediu neste domingo (19/08) aos Estados Unidos que parem de perseguir jornalistas por “lançar luz sobre os crimes secretos dos poderosos”. “A guerra do governo dos Estados Unidos contra denunciantes precisa chegar a um fim”, afirmou o jornalista em discurso na sacada da embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado há dois meses.
Assange pediu a libertação de Bradley Manning, militar norte-americano preso desde 2010 por repassar informações confidenciais ao Wikileaks. Manning foi o responsável por vazar mais de 250 mil documentos de 271 embaixadas em 180 países. “Na quarta-feira, Bradley passou seu 815º dia preso sem julgamento. O máximo é 120 dias”, disse. “Se ele fez isso é um herói e precisa ser libertado”.
Essa foi a primeira aparição pública de Assange desde março, quando ainda batalhava na Justiça para não ser extraditado para a Suécia sob acusação informal de estupro. O fundador do Wikileaks buscou abrigo na embaixada equatoriana dia 19 de junho. Hoje detém status de asilado político, concedido pelo presidente do Equador, Rafael Correa, na última quinta-feira (16).
“Estou aqui hoje porque não posso estar aí com vocês”, disse Assange, saudado por um público de ativistas e curiosos de pelo menos 200 pessoas. Outros 200 policiais faziam o cerco à embaixada enquanto o jornalista discursava. “As ameaças ao Wikileaks são ameaças à liberdade de expressão”, afirmou.
Assange lembrou da enorme tensão da madrugada de quarta para quinta-feira, acompanhada pelo Opera Mundi. Assim que o chanceler equatoriano informou sobre a ameaça britânica de invadir a embaixada para capturá-lo, com base em uma lei britânica de 1987, dezenas de policiais entraram no edifício onde está a representação diplomática. Ativistas correram para o local com câmeras ligadas à internet para testemunhar o caso.
“Na quarta-feira à noite”, lembrou Assange, “depois que uma ameaça foi enviada a esta embaixada e a polícia apareceu neste prédio, vocês vieram no meio da noite para testemunhar e vocês trouxeram os olhos do mundo. Dentro da embaixada, depois que a noite caiu, eu ouvi tropas policiais entrando pela escada de incêndio. Mas eu sabia que haveria testemunhas, e isso só foi possível por causa de vocês.”
O fundador do Wikileaks fez diversos agradecimentos. Ele sublinhou a “corajosa” atitude do governo equatoriano, que lhe concedeu asilo político, e à família e filhos, com quem espera estar junto “em breve”. Enumerou, ainda, os países latinoamericanos que rechaçaram a interpretação britânica da lei internacional – entre eles está o Brasil.
Defesa em andamento
O defensor de Julian Assange e do Wikileaks, Baltasar Garzón, disse hoje, em frente à embaixada, que irá à Corte Internacional de Justiça caso o Reino Unido não conceda salvo-conduto para que o jornalista deixe a representação equatoriana rumo à América do Sul. “Claro que não vou contar minha estratégia, mas primeiramente é preciso pensar no salvo conduto e lutar pelos direitos fundamentais de Julian”, disse.
O espanhol Garzón, com ampla experiência em casos de direitos humanos, foi o responsável por emitir ordem de prisão contra o general Augusto Pinochet em 2001, entre outras atuações impactantes que o deram o título de “super juiz”. Ele assumiu o caso Assange em junho, assim que o jornalista se abrigou na embaixada equatoriana em Londres.
De acordo com Garzón, as autoridades britânicas ainda não responderam oficialmente sobre o pedido de salvo-conduto, mas o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, já deixou claro que não aceita o asilo político e que não ofertará passagem ao jornalista para que deixe Londres.
O magistrado disse que Assange está sempre em contato com as autoridades suecas para responder sobre o suposto caso de estupro, mas que não ouviu garantias sobre seus direitos fundamentais de defesa e sobre uma eventual extradição para os Estados Unidos.
Apoios
Assange ganhou no início da tarde deste domingo o apoio público do ex-embaixador do Reino Unido, Craig Murray, e do escritor paquistanês Tariq Ali, que discursaram em frente à embaixada do Equador em Londres. Ambos acusaram o governo britânico de subverter a agenda internacional de direitos humanos para prender o jornalista.
Murray disse que “nenhum país concorda com a interpretação britânica da lei” que não reconhece o asilo político dado ao fundador do Wikileaks. Ali teceu elogios à diplomacia de países da América do Sul, como Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Brasil, que reconheceram o direito de Assange de receber o status de asilado. “Hoje esses países consideram mais o social do que Reino Unido e Estados Unidos”, afirmou.
.
O destino de Assange: o que acontece agora?
Por Marcelo Justos (Carta Maior)
O Equador terminou com o suspense. A decisão do governo de Rafael Correa de garantir o asilo político a Julian Assange teve como corolário a resposta da chancelaria britânica que a qualificou como “lamentável” e indicou que cumprirá com sua “obrigação legal” de extraditar para a Suécia o fundador do Wikileaks.
Após quase dois meses do ingresso de Assange na sede diplomática equatoriana em Londres solicitando asilo político, a tensão subiu vários graus. Em uma coletiva de imprensa em Quito, o ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, assinalou que a decisão se baseava na Constituição equatoriana e no direito internacional. “O Equador acredita que é justificado o temor de Julian Assange de ser uma vítima política por sua defesa da liberdade de informação”, indicou. Segundo Assange, a acusação de delito sexual feita pela justiça sueca é parte de uma estratégia político-diplomática estadunidense para conseguir sua extradição e julgamento pela revelação de cerca de 90 mil documentos secretos via Wikileaks, acusação que, nos EUA, é passível de pena de morte.
O chanceler equatoriano indicou que solicitou uma reunião urgente à União das Nações Sulamericanas (Unasul) e à Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA). Patiño expressou seu desejo de que o Reino Unido conceda um salvo-conduto para que Assange possa viajar ao Equador, assinalando que o direito de asilo tem precedência sobre qualquer outra legislação nacional ou internacional. “O asilo é um direito fundamental que pertence ao sistema de normas imperativas do direito”, disse Patiño. O chanceler destacou que empreendeu longas negociações com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos e que nenhum desses países ofereceu garantias sobre o futuro de Assange.
A chancelaria britânica, por sua vez, disse que o Reino Unido não outorgará o salvo-conduto a Assange para que possa sair da embaixada. Na quarta-feira, em uma nota enviada pela embaixada britânica em Quito para o governo equatoriano, o governo advertiu que a lei britânica contemplaria a suspensão temporária da imunidade diplomática. A lei de Recintos Diplomáticos e Consulares de 1987 autorizaria o governo a “revogar o status diplomático” de um edifício se a lei está sendo violada. O parlamento britânico aprovou a lei depois que, em 1984, disparos foram feitos desde a embaixada líbia contra opositores que protestavam contra o governo de Muamar Kadafi, causando a morte da agente britânica Yvonne Fletcher.
A chancelaria britânica assinalou que está disposta a negociar um acordo satisfatório para ambas as partes, mas descartou de saída a possibilidade de conceder um salvo conduto. Segundo a imprensa britânica só há outras
duas opções.
A aplicação da lei de 1987 abriria uma virtual caixa de pandora diplomática. No “The Times”, Roger Boyes opinou que, com essa medida, não só seria praticamente inevitável uma ruptura de relações com Equador, como a tensão diplomática se estenderia com certeza “a Venezuela, a Bolívia e até ao Brasil”.
Não é o mais aconselhável para um país que fez este ano um giro pela América Latina para retomar sua relação com a região e definiu o Brasil como um dos mercados dos BRICs a conquistar para sair da recessão econômica. Segundo a BBC, a este problema se agregaria outro de maior repercussão internacional. Uma ocupação da embaixada para prender Assange poderia ser utilizada como precedente para ataques contra embaixadas britânicas ou de outros países: um virtual mini-caos. Mas se esta estratégia não for adotada, o fundador do Wikileaks terá que permanecer na embaixada: a polícia poderia detê-lo assim que pusesse um pé fora do prédio.
Neste cenário, tudo se abre para um desenlace tipo filme de Hollywood. O Equador poderia tentar levar Assange ap aeroporto em carro da embaixada que também gozaria de imunidade ou, mesmo, fazê-lo viajar escondido na mala diplomática. “Há regras estritas para o equipamento diplomático que permitem aos países transportar a documentação que necessitem. Estas valises diplomáticas podem ser de qualquer tamanho, mas são para documentos oficiais. É difícil ver como se poderia esconder uma pessoa nelas para subi-la ao avião”, especula a BBC. É de supor que o próprio avião deveria ter uma certa imunidade diplomática. É fácil ver como, na escada da aeronave, o filme de espionagem poderia se transformar em uma farsa digna de Mister Bean.
Um empate técnico parece mais factível. Em outras palavras, Julian Assange permaneceria na embaixada. Há muitos antecedentes neste sentido. É provável que o cardeal Jozesf Mindszenty detenha o recorde de tempo: ele passou 15 anos na embaixada dos Estados Unidos em Budapest, a partir da invasão soviética da Hungria, em 1956. Assange poderá superá-lo?
Tradução: Katarina Peixoto
.
Postado por
ERick
em
8/16/2012
0
comentários
Tags
Direitos Humanos,
Equador,
Inglaterra,
Mundo,
Relações Internacionais,
WikiLeaks
Olimpíadas de Londres proíbe o uso de camisetas de "Che" Guevara
Os espectadores das Olimpíadas de Londres não poderão entrar nos estádios com diversos tipos de itens e até mesmo roupas, informou nesta quarta-feira (11/07) o Locog (o Comitê Organizador das Olímpiadas na sigla em inglês) por meio de uma lista de restrições de duas páginas.
A aplicação das regras será assegurada por um sistema de segurança que conta com câmeras, aparelhos de raio-X e mais de 23 mil seguranças, incluindo soldados do exército britânico e funcionários da empresa privada G4S.
Objetos e roupas que ostentam declarações políticas ou remetem a outras identificações comerciais que não a dos patrocinadores do evento estão proibidas. Dessa forma, o comitê evita que camisetas estampadas com Che Guevara ou críticas politizadas a empresas financiadoras das Olimpíadas estejam presentes na plateia.
As bandeiras, tão utilizadas nas comemorações de disputas, também foram alvo das restrições do comitê. Flâmulas de países que não estão participando dos jogos também não são permitidas, mas a regra não se aplica às bandeiras individuais da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Mesmo assim, apenas bandeiras com até 1 metro por 2 metros entrarão nos estádios.
Outros itens utilizados para torcer pelas equipes, como vuvuzelas, tambores, apitos e cornetas também foram vetados dos Jogos Olímpicos deste ano.
Assim como nos aeroportos internacionais, líquidos com mais de 100 ml e mochilas com mais de 25 litros de capacidade não poderão entrar. O porte de alimentos também sofreu restrições de modo que os espectadores não poderão trazer ao evento uma “quantidade excessiva de comida”, segundo o documento oficial.
Se os visitantes desejarem se alimentar, terão que arcar com os elevados custos das cantinas e restaurantes oficiais do evento, onde o almoço sairá por 40 libras, o hot-dog por 6 libras, uma garrafa de água por 1,60 libras e um refrigerante 2,80 libras.
O McDonalds, um dos maiores financiadores do evento, deve lucrar com as decisões. A empresa estabeleceu sua maior filial do mundo no Parque Olímpico com 1,5 mil lugares disponíveis.
Na segunda-feira (09/07), a Assembleia de Londres, instituição legislativa que analisa as atividades do prefeito da capital britânica, recomendou a exclusão da Coca-Cola e do McDonald's do patrocínio dos Jogos Olímpicos de Londres, que começam em 27 de julho próximo. Para o órgão, as Olimpíadas, evento que recebe os melhores atletas do mundo, não deveriam ser usadas por empresas que fabricam produtos com altos índices calóricos, como refrigerantes e hambúrgueres.
Fonte: Opera Mundi
.
Reino Unido, laboratório de catástrofes
Por Vladimir Safatle
Nos últimos 30 anos, o Reino Unido transformou-se em uma espécie de laboratório de catástrofes. Espaço das ideias “inovadoras” que pareciam quebrar consensos estabelecidos, chega hoje a uma situação social e econômica bem exemplificada na frase enunciada desesperadamente por seu ministro das Finanças, George Osborne, há mais de uma semana, à ocasião da aprovação do novo Orçamento: “Nós vamos assistir aos Brasis, às Chinas e às Índias como potências mundiais à nossa frente na economia global ou teremos a determinação nacional de dizer: ‘Não, não ficaremos para trás. Nós queremos liderar?”
Se Osborne tivesse um pouco de curiosidade especulativa, ele perceberia que a crise na qual seu país entrou, de maneira muito mais forte se comparada a vizinhos como a França e a Alemanha, é apenas o último capítulo de uma destruição há muito gestada. Sem parque industrial relevante, sem base agrícola, com a economia reduzida ao setor de serviços e finanças, o Reino Unido é o melhor exemplo de um país completamente vulnerável aos humores da economia mundial nesta época de desregulamentação.
As respostas a tal vulnerabilidade parecem mecanismos autistas de defesa que só conseguem piorar o quadro. Para começar, o primeiro-ministro David Cameron, bastião da moralidade britânica e amigo de cidadãos irrepreensíveis como o magnata da mídia Rupert Murdoch, apresentou um pacto recessivo baseado em cortes de gastos estatais, demissão de 400 mil funcionários públicos e privatização de fato do sistema universitário, com direito a fechamento de departamentos não alinhados ao novo padrão técnico de ensino.
Não é preciso ser um keynesiano radical para perceber que tal política apenas piora a capacidade da economia de contar com seu mercado interno, isto em uma época em que o Reino Unido nada tem a exportar. Sem lembrar que, ao desmantelar ainda mais os aparelhos de seguridade social, Cameron deu sua contribuição para colocar fogo na crise social que a Inglaterra assistiu não faz muito tempo: no ano passado, quando hordas de jovens da periferia quebraram e saquearam lojas.
Seu governo apresenta agora um inacreditável “plano de recuperação” baseado em corte de tributos para os mais ricos (cujo Imposto de Renda cairá de 50% para 45%) e aumento da idade para a aposentadoria. A justificativa para a redução do imposto dos ricos seria “incentivar o aumento do empreendedorismo”. Não, não se trata de uma piada. Cameron quer levar os britânicos a acreditar que os milionários não pegarão tal sobra de dinheiro e a aplicarão no sistema financeiro internacional, principalmente em países como o Brasil, onde eles terão muito mais retorno com juros do que empreendendo em uma economia combalida.
O Reino Unido ganharia mais se tivesse um governo com os pés no chão, em vez de indivíduos que deliram mundos possíveis onde ricos investem na produção e bancos trabalham em favor da economia real.
A passividade britânica diante dos desatinos de seu governo vem, entre outras coisas, da sedação pela qual o país passou nestes últimos 30 anos. Primeiro, foi a era Thatcher com a tríade desregulamentação do sistema financeiro, privatização e flexibilização do mercado de trabalho, e a consequente jihad contra os sindicatos. Estávamos na década de 1980 e Thatcher formava com Ronald Reagan o Casal 20 dos novos tempos.
Impulsionada por fatos externos, entre eles a Guerra das Malvinas e o lento colapso do bloco soviético, Thatcher parecia seguir a direção do vento. Ninguém percebia como suas pregações por democracia escondiam amizades pessoais com Augusto Pinochet e afirmações medonhas como “a sociedade civil não existe”. Ninguém queria perceber a transformação da economia britânica em uma tênue vidraça a ser quebrada na primeira crise real.
Depois veio Tony Blair, que passou anos a tentar convencer o mundo sobre o mito da Terceira Via, que transformaria seu reino em uma Cool Britannia moderna e glamourosa. Enquanto Blair se preparava para seguir George W. Bush em suas mais delirantes intervenções internacionais, tínhamos de ouvir seu amigo Anthony Giddens nos dizer que o Estado de Bem-Estar Social havia acabado e que a sociedade de risco viria para ficar. Só faltou explicar que nesta sociedade os riscos são divididos de acordo com a boa e velha lógica de conflito de classe, como vemos claramente agora. Ou seja, riscos são muito diferentes quando estou autorizado a pegar dinheiro que o governo investe em bancos falidos e pagar minhas bonificações e stock options.
Choque neoliberal, Terceira Via: depois de décadas de predomínio de tais absurdos, fica realmente difícil para a sociedade britânica voltar a pensar em alternativas concretas. Resta ver seu governo tentar vender, como remédio, as próprias causas da doença. De nossa parte, diremos ao ministro Osborne: creio que essa história de liderança ficará apenas na vontade.
.
Postado por
ERick
em
4/09/2012
0
comentários
Tags
Artigo,
Crise do Capitalismo,
Inglaterra,
Vladimir Safatle
Ameaça a liberdade na rede: Cispa, a reencarnação do Sopa
Projeto de lei que vem ganhando apoio entre congressistas estadunidenses reforça a caça aos supostos infratores de direitos autorais.
Por Miguel Jorge
Se há alguns dias falávamos de uma mais que provável lei no Reino Unido que estabeleceria o monitoramento de toda a atividade de seus cidadãos na internet, os Estados Unidos buscam consenso entre seus legisladores para retomar a falida tentativa de emplacar o Sopa: um projeto de lei que permitiria uma invasão à privacidade sem precedentes.
É ainda pior que o Sopa, já que o HR 3523, ou Cispa (Cyber Intelligence Sharing and Protection Act) não apenas põe ênfase na “pirataria” como também reforça na qualificação da infração da propriedade intelectual como uma ameaça à segurança, dando plenos poderes ao governo, policiais federais e “terceiros” de acessar os dados dos usuários. Como no caso da proposta do Reino Unido, é difícil compreender como é possível espiar toda a rede sob premissas escritas de maneira tão vaga.
Com a proposta em mãos, os provedores de internet e as empresas que operam na internet deverão acessar os dados de cada usuário para depois informar aos organismos governamentais ou companhias associadas que o solicitem. Por ser vago, o projeto levanta muitas dúvidas sobre o paradeiro final dos dados privados dos usuários.
Segundo conta a Electronic Frontier Foundation (EFF), fundação que defende os interesses dos usuários de internet: “A proposta permitiria que as empresas espionassem os usuários e compartilhassem a informação privada com o governo federal e outras companhias não tipificadas com quase total imunidade de responsabilidade civil e penal. Cria-se uma espécie de 'cibersegurança' única a todas as leis vigentes”.
A EFF oferece um exemplo claro do que pode ocorrer: “Por causa da linguagem vaga utilizada, empresas como Google, Facebook, Twitter ou AT&T, caso se ajustem ao plano tipificado para deter as ameaças sobre 'cibersegurança', poderiam interceptar seus correios eletrônicos e mensagens na internet e enviar cópias ao governo ou terceiros e, inclusive, modificar as comunicações dos usuários ou impedir que cheguem a seu destino”.
É uma nova proposta que está ganhando cada vez mais apoio entre os legisladores e que, em breve, deve ser debatida no Congresso estadunidense. Um projeto de lei desanimador que, sob o pretexto da segurança, derrubaria a privacidade dos usuários. Não apenas isso: seria aberto um perigoso precedente, possibilitando o intercâmbio de dados entre outras empresas relacionadas com o governo sem especificar de que maneira seriam utilizados, muito menos como seriam supervisionados.
Se o Cispa vier à luz, o governo estadunidense poderá ter os dados dos usuários sob a ameaça da “segurança na rede”, o que faz que a proposta dê o sinal verde para que possam fazer o que quiserem com essas informações.
.
Postado por
ERick
em
4/07/2012
0
comentários
Tags
Censura,
Direitos Autorais,
Direitos Civis,
EUA,
Inglaterra,
Internet,
Liberdade na rede
A guerra suja contra o Wikileaks
Por John Pilger
A guerra nos meios de comunicação, diz a atual doutrina militar, é tão importante quanto a do campo de batalha. Isto é assim porque o inimigo real é o público doméstico, cuja manipulação e engano é essencial para começar uma guerra colonial impopular. Como as invasões do Afeganistão e do Iraque, os ataques ao Irã e à Síria exigem um persistente conta-gotas na consciência dos leitores e dos espetadores. Isto é a essência de uma propaganda que raramente se assume como tal.
Para a tristeza de muitos representantes das autoridades e da mídia, o Wikileaks derrubou a fachada atrás da qual se escondia o conluio entre os rapinantes poderes ocidentais e o jornalismo. Com isto, expôs um tabu que persistia há muito; a BBC podia alegar imparcialidade e esperar que as pessoas acreditassem nela. Hoje, há uma crescente compreensão do público sobre o papel da mídia na guerra, compreensão que abrange também o julgamento da mídia promovido pelo fundador e editor da Wikileaks, Julian Assange.
Assange vai em breve saber se o Supremo Tribunal de Londres permitirá o seu recurso contra a extradição para a Suécia, onde enfrenta alegações de má conduta sexual, muita da qual foi desconsiderada por um procurador sénior de Estocolmo. Sob fiança há 16 meses, efetivamente sob prisão domiciliar, não foi acusado de nada. O seu “crime” foi uma forma épica de jornalismo investigativo: revelar a milhões de pessoas as mentiras e maquinações dos políticos e representantes, e o barbarismo da criminosa guerra promovida em seu nome.
Por isso, como aponta o historiador americano William Blunt, “dezenas de membros dos meios de comunicação americanos e funcionários do governo apelaram à [sua] execução e assassinato”. Se for transferido da Suécia para os EUA, esperam-no uma roupa de presidiário, umas algemas e uma acusação fabricada. E lá se vão todos os que se atrevem a desafiar os Estados Unidos.
Na Grã-Bretanha, o julgamento de Assange pela mídia foi uma campanha de assassinato de caráter, por vezes cobarde e desumana, cheirando a inveja do outsider corajoso, enquanto eram publicados livros de fofocas, fechados negócios de filmes, e carreiras nos média descolavam ou ressuscitavam na presunção de que Assange é demasiado pobre para poder processá-los. Na Suécia, este tribunal da mídia tornou-se, de acordo com um observador, “uma campanha de assédio moral em que a vítima viu negado o direito de se defender”. Por mais de 18 meses, o perverso Expressen, o equivalente sueco ao The Sun, foi alimentado pela polícia sueca dos ingredientes da calúnia.
O Expressen é o megafone da direita sueca, incluindo o partido Conservador, que domina o governo de coligação. A sua última “denúncia” é uma história sem fundamento sobre a “grande guerra da Wikileaks contra a Suécia”. Em 6 de março, o Expressen afirmou, sem provas, que a Wikileaks estava envolvida numa conspiração contra a Suécia e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros Carl Bildt. O ressentimento político é compreensível. Num telegrama de 2009 obtido pela Wikileaks, a alardeada reputação de neutralidade da elite sueca é exposta como uma impostura. (Título do telegrama: “A Suécia deita a neutralidade para o caixote do lixo da História”). Outro telegrama diplomático dos EUA revela que “a extensão da cooperação [dos militares suecos e da espionagem com a Otan] não é amplamente conhecida”, e se não fosse mantida secreta “abriria o governo à crítica doméstica”.
A política externa sueca é largamente controlada por Bildt, cuja obediência aos EUA vem dos tempos da sua defesa da guerra do Vietnam e inclui um papel preponderante no comitê George W. Bush pela "libertação" do Iraque. Ele mantém ligações íntimas com figuras da extrema-direita do partido Republicano, como o assessor caído em desgraça de Bush, Karl Rove. Sabe-se que o seu governo discutiu “informalmente” o futuro de Assange com Washington, o que tornou clara a sua posição. Um documento secreto do Pentágono descreve os planos da espionagem dos EUA para destruir o “centro de gravidade” da Wikileaks com “ameaças de escândalo e de processo criminal”.
Em muitos meios de comunicação suecos, o correto ceticismo jornalístico em relação às alegações contra Assange é sufocado por slogans defensivos, como se a honra nacional fosse posta em causa pelas revelações sobre escândalos de corrupção e políticos, uma espécie universal. Na TV pública sueca, “especialistas” debatem não o aprofundamento do militarismo do Estado e o seu serviço à Otan e a Washington, mas o estado da mente de Assange e a sua “paranoia”. Um título do Aftonbladet de terça-feira declarava: “O colapso moral de Assange”. O artigo sugeria que Bradley Manning, a alegada fonte da Wikileaks, pode não estar no seu perfeito juízo, e ataca Assange por não proteger Manning dele mesmo. O que não é dito é que a fonte é anonima, e que não foi demonstrada qualquer ligação entre Assange e Manning, e que o Aftonbladet, o parceiro sueco da Wikileaks, publicara as mesmas fugas de informação.
Ironicamente, este circo atuou sob a cobertura de algumas das mais iluminadas leis mundiais de proteção aos jornalistas, que atraíram Assange à Suécia em 2010 para estabelecer lá uma base da Wikileaks. Se a sua extradição for permitida, e com a espada de Dámocles da maldade e da vingança de Washington pendurada sobre a sua cabeça, quem o vai proteger e promover a justiça à qual todos temos direito?
John Pilger é um famoso jornalista e premiado documentarista australiano
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net
Ofensiva colonialista ameaça a América Latina
Por Gilson Caroni Filho
A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premier britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.
Uma atualização política do "currency board", sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.
Do convés do destróier Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".
Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.
A autodeterminação dos Kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de "independência". Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.
Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.
Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.
Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes."
Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente.
Uma atualização política do "currency board", sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.
Do convés do destróier Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".
Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.
A autodeterminação dos Kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de "independência". Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.
Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.
Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.
Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes."
Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente.
.
Postado por
ERick
em
1/23/2012
0
comentários
Tags
América Latina,
Argentina,
Colonialismo,
Inglaterra,
União Européia
Argentina reafirma sua soberania sobre as Malvinas
Por Francisco Luque
A reivindicação surge dias após o Reino Unido ter expressado sua preocupação com a decisão dos países do Mercosul com costas marítimas (Argentina, Brasil e Uruguai) de impedir que os barcos com bandeiras das Malvinas ingressem em seus portos.
O documento oficial assinala que a ilegítima ocupação colonial britânica é agravada por um provocador e continuado desprezo ao direito internacional expresso pela persistente recusa do Reino Unido em retomar as negociações sobre a soberania das ilhas, conforme o mandato vigente das Nações Unidas, estabelecido mediante a Resolução 2065 da Assembleia Geral e referendado por nove resoluções subsequentes. Esta ilegitimidade, sustenta a declaração, é agudizada pela presença da base militar estabelecida no Atlântico Sul, invocando falsas necessidades de defesa, assim como pelo constante desenvolvimento de atividades ilegítimas unilaterais na zona disputada.
Para o governo argentino, as atividades realizadas pela Inglaterra na região são contrárias às resoluções da ONU e incluem a exploração, contrário ao direito internacional, dos recursos naturais renováveis e não renováveis da área, e realização de exercícios militares, incluindo o lançamento de mísseis desde as Ilhas Malvinas. Não obstante, o governo argentino reitera sua “permanente e sincera disposição para retomar o processo de negociações bilaterais com o Reino Unido, tal como reclama a comunidade internacional, para achar uma solução pacífica e definitiva para a disputa de soberania e pôr fim, deste modo, a uma situação anacrônica, incompatível com a evolução do atual mundo pós-colonial”, assinala o documento.
A presença militar britânica no Atlântico Sul, foi criticada unanimemente pelos governos da região. Em outubro passado, a Unasul (União de Nações Sulamericanas) expressou seu rechaço contra o deslocamento da fragata inglesa “Montrose” para o Atlântico Sul por um período de seis meses e advertiu que essa medida “é contrária à política da região de defesa da busca de uma solução pacífica do conflito” entre o Reino Unido e a Argentina. A preocupação pelas mencionadas atividades unilaterais também foi expressa por meio de diversos pronunciamentos das cúpulas de presidentes dos estados membros do Mercosul, da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e pela Cúpula Íbero-americana.
Também se manifestaram a favor da retomada das negociações entre ambos os países a Cúpula de Países Sul-americanos e Países Árabes (ASPA), a Cúpula de Países Sul-americanos e Africanos (ASA) e o Grupo dos 77, mais China.
Mas Londres não cede. O primeiro ministro inglês David Cameron assinalou que o Reino Unido não entregará a Argentina a soberania das Malvinas e criticou a decisão dos governos do Mercosul de bloquear o acesso a seus portos de embarcações com essa bandeira. Cameron assegurou que a questão da soberania depende dos habitantes das ilhas. “Que fique muito claro. Sempre vamos manter nosso compromisso sobre qualquer questão de soberania. A base de nossa política é o direito à autodeterminação”.
Por outro lado, a ratificação do governo do Chile – país associado ao Mercosul e com a principal comunidade estrangeira nas ilhas – da decisão de não reconhecer navios com bandeiras das Malvinas também gerou controvérsia diplomática. Jon Benjamín, embaixador da Inglaterra em Santiago, reconheceu a inquietação de seu governo com a decisão dos governos sul-americanos que se somaram “a uma espécie de bloqueio econômico contra as ilhas”. “Parece ser uma espécie de bloqueio econômico para as ilhas e sua pequena população civil em inocente”, assinalou Benjamín.
Cabe destacar que este ano se completa o trigésimo aniversário da Guerra das Malvinas (2 de abril – 14 de junho de 1982), conflito armado que deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos e que terminou com a rendição argentina. Naquele momento o país era governado pela ditadura militar do general Leopoldo Galtieri. Para muitos analistas políticos, a derrota da Argentina neste conflito possibilitou a queda da junta militar que governou o país desde 1976.
(*) Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires
Fonte: Carta Maior. Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
.
Postado por
ERick
em
1/04/2012
0
comentários
Tags
América Latina,
Argentina,
Celac,
Inglaterra,
Mercosul,
Relações Internacionais
A guerra do ópio e o eurocentrismo
Por Emir Sader
Dois livros saem simultaneamente na Inglaterra. Um de Neil Ferguson, tradicional defensor da “superioridade branca”, com o sintomático título de“Civilização: o Ocidente e o resto”, o outro uma boa reconstrução histórica e politica: “A guerra do ópio: drogas, sonhos e a construção da China”, de Julia Lovell. Juntos, compõem um quadro perfeito do mundo colonizador e a mentalidade eurocentrista que o sustenta.
Neil Ferguson retoma sua visão explicitamente eurocentrista, expressa já no significativo titulo do livro. O tom melancólico, sob o cenário da crise atual, que rebaixa o perfil da Europa a níveis inimagináveis até um tempo atrás, serve para uma visão retrospectiva da ascensão e consolidação da Europa como centro do mundo e herdeira de todas as civilizações, como se representasse um ponto de chegada de todas elas.
Paralelamente se publica um reconstrução sistemática da guerra do ópio, com todos os sentidos que o episódio crucial teve. A Europa tinha interesse em comprar grande quantidade de bens da China: seda, chá, especiarias, entre outros. Mas a China não tinha interesse em comprar nada da Europa, o que levava a um comércio totalmente desequilibrado.
A Inglaterra buscou resolver a questão bem ao seu estilo: pela invasão militar, valendo-se da despreocupação da China de ser uma potência militar. “Uma guerra contra uma nação tão infantil nessa arte, seria melhor ser chamada de assassinato”- disse um oficial britânico. Dezenas de milhões de chineses morreram, mas os britânicos sofreram apens alguns ferimentos.
A guerra nem serviu para que o Imperio britânico se expandisse geograficamente, houve apenas a incorporação de Hong-Kong, O fundamental foi impor o livre comércio e, além disso, induzir o consumo de ópio na China, abastecendo esse vasto mercado com a produção realizada na outra grande colônia inglesa – a India. Essa a contribuição da “civilização” ocidental para a China – o consumo do ópio e o livre comércio. Assim se reequilibrava o comércio entre a Europa e a China. O Ocidente ainda propagou uma imagem da China no mundo vinculada ao ópio, que o próprio Ocidente introduziu naquele país.
A guerra do ópio só terminou recentemente, quando o governo chinês demandou a reintegração de Hong-Kong a seu país. Diante das hesitações de Margareth Thatcher, tentando dilatar a decisão, Deng-Xiao Ping lhe disse que recuperariam pela força o território, o que foi suficiente para que a suposta Dama de Ferro devolvesse docilmente Hong-Kong à China.
O Times já temia, um século atrás, que o gigante despertasse e revertesse aquela situação. A China, por sua vez, tirava a lição da necessidade de armar-se para se proteger da cobiça do Ocidente. Cada um pode constatar hoje como mudaram as relações entre a China e o Ocidente, desde então.
.
Postado por
ERick
em
12/29/2011
1 comentários
Tags
China,
Emir Sader,
Eurocentrismo,
Europa,
Imperialismo,
Inglaterra
A crise europeia também chega ao futebol
Por Fernando Vives
O próximo sábado 10 deve marcar o início do Campeonato Italiano de futebol após semanas de greve dos jogadores, que não se entendiam com os clubes sobre as condições trabalhistas. Com isso, todos as grandes competições do continente terão começado na temporada 2011/2012. O problema é que a crise financeira cada vez mais escancara que os modelos do futebol europeu precisam ser revistos.
Tomemos os três grandes campeonatos da Europa, o inglês, o espanhol e o italiano, como exemplos.
Inglaterra: o falso sucesso com pitada neoliberal
A Premier League inglesa era até bem pouco tempo o exemplo a ser seguido em qualquer país que tenha uma liga de futebol que foque em ser rentável. Refundada em 1992 após anos de mortes em estádios por conta das más condições dos palcos de futebol e brigas de torcidas, naquele ano passou a ser gerida pelos próprios clubes e não mais pela federação de futebol nacional. Até o fim dos anos 1990, os clubes ingleses aumentaram consideravelmente os lucros e voltaram a disputar os títulos da Liga dos Campeões, a principal competição europeia. Na década seguinte, alçaram a Liga Inglesa à condição de melhor do planeta, com os maiores salários e boa parte dos melhores jogadores. Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool passaram a ter a maior fatia de seus elencos de jogadores convocados por suas seleções nacionais.
A Premier League inglesa era até bem pouco tempo o exemplo a ser seguido em qualquer país que tenha uma liga de futebol que foque em ser rentável. Refundada em 1992 após anos de mortes em estádios por conta das más condições dos palcos de futebol e brigas de torcidas, naquele ano passou a ser gerida pelos próprios clubes e não mais pela federação de futebol nacional. Até o fim dos anos 1990, os clubes ingleses aumentaram consideravelmente os lucros e voltaram a disputar os títulos da Liga dos Campeões, a principal competição europeia. Na década seguinte, alçaram a Liga Inglesa à condição de melhor do planeta, com os maiores salários e boa parte dos melhores jogadores. Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool passaram a ter a maior fatia de seus elencos de jogadores convocados por suas seleções nacionais.
A Liga Inglesa colocava em campo uma espécie de modelo neoliberal, na qual os próprios clubes controlavam o espetáculo, vendiam suas marcas e negociam a cota para a transmissão de tevê. O mundo passou a copiá-los. Só que as coisas não iam tão bem assim como pareciam.
Primeiro, para afastar as brigas entre torcedores e aumentar os lucros, os gerentes da Premier League aumentaram muito o valor dos ingressos. Ver o futebol no estádio tornou-se um programa de classe média alta até para os padrões britânicos. E os problemas não param por aí.
Como a lei britânica é conivente e os organizadores da Premier League pouco se importam, magnatas passaram a comprar clubes de futebol para fazer deles seu bibelô pessoal e angariar prestígio. Daí para a lavagem de dinheiro é um pulo. O russo Roman Abramovich foi um dos pioneiros ao comprar o Chelsea no início da última década. Alçou o clube londrino da condição de médio para um dos mais fortes. Abramovich, que construiu fortuna sobre o petróleo na Rússia em condições suspeitas, é visto como um “vencedor” por muita gente no País. Em sua esteira vieram outros: o bilionário egípcio Mohamed Al Fayed comprou o Fulham. O ex-premiê tailandês Thaksin Shinawatra, que depois caiu por denúncias de corrupção, comprou o Manchester City, posteriormente vendido ao Abu Dhabi United Group, conglomerado dos ricaços dos Emirados Árabes com foco no petróleo.
Entre os principais anunciantes da Liga Inglesa estão casas de apostas. O futebol inglês segue rico, mas na mão de quem está este dinheiro? Paralelamente, os pobres veem o campeonato pela tevê.
Espanha: aos gigantes, tudo. Aos outros, a crise
A situação espanhola é até pior que a inglesa. Quem acompanhava a liga do país nos anos 1990 se recorda sempre dos duelos entre Real Madrid e Barcelona, mas tem também boas lembranças do Atlético de Madri, La Coruña e Valencia, ao menos, equipes que eventualmente surpreendiam os dois gigantes.
A situação espanhola é até pior que a inglesa. Quem acompanhava a liga do país nos anos 1990 se recorda sempre dos duelos entre Real Madrid e Barcelona, mas tem também boas lembranças do Atlético de Madri, La Coruña e Valencia, ao menos, equipes que eventualmente surpreendiam os dois gigantes.
No entanto, de 2004 para cá, só dá Real e Barça. A diferença de tamanho de ambos para os demais passou da categoria “grande” para “abissal”: a dupla tem direito a metade da cota de transmissão de tevê e ganha tudo de lá para cá. A outra metade é dividida entre os demais clubes que, nestes tempos de crise, têm extrema dificuldade para conseguir um patrocinador, regional que seja. Na primeira rodada da Liga 2011/12, o Real Madrid enfiou 6 a 0 no Zaragoza fora de casa. O Barça goleou o Villarreal, quarto colocado do último campeonato, por 5 a 0. Revoltado com a discrepência, José Maria del Nido, presidente do Sevilla (outro importante clube médio da Espanha), declarou que o futebol do país “é a maior porcaria da Europa, talvez a do mundo”. A médio prazo, a ausência de competição no campeonato espanhol tem tudo para causar um estrago profundo.
Itália: O coma técnico continua
O futebol italiano viveu uma forte crise no início dos anos 1980. Escândalos de manipulação de resultados estouraram no país, clubes importantes foram rebaixados à segunda divisão e dirigentes e jogadores foram presos. Mas esta crise deu impulso para a modernização do futebol italiano, que em poucos anos passou a ter os principais jogadores do planeta, os clubes mais fortes e uma liga muito competitiva.
O futebol italiano viveu uma forte crise no início dos anos 1980. Escândalos de manipulação de resultados estouraram no país, clubes importantes foram rebaixados à segunda divisão e dirigentes e jogadores foram presos. Mas esta crise deu impulso para a modernização do futebol italiano, que em poucos anos passou a ter os principais jogadores do planeta, os clubes mais fortes e uma liga muito competitiva.
O problema é que, com a ascensão dos campeonatos inglês e espanhol nos anos 1990, o Calcio não se modernizou e teve sua importância reduzida. Os clubes italianos foram aos poucos perdendo espaço na Liga dos Campeões. O único que se destacava era o Milan, do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que vivia do mecenato de seu dono. O caso de Berlusconi virou tendência: vários milionários compraram os clubes, e alguns deles faliram, como foi o caso da família Cragnotti, na Lazio, e de Franco Sensi, na Roma, na virada dos anos 1990 para os 2000.
A partir daí virou uma bagunça: até Muammar Kaddafi andou investindo na Juventus e no Peruggia (o filho do ditador líbio chegou a jogar por este último). Novos escândalos de compra de resultados e manipulação de arbitragem relacionadas a casas de apostas estouraram em 2006. Hoje o Campeonato Italiano é pouco mais que um produto para divertimento dos próprios italianos. Este ano, o campeonato começa atrasado por conta de uma greve dos jogadores.
Em meio a tanta orgia de dinheiro, a única luz no futebol europeu de primeiro nível parece ser a Bundesliga, liga alemã. A lei germânica dificulta que investidores usem clubes de futebol para lavar dinheiro, o que evita a entrada de magnatas em um ramo que não é o deles. Os preços de ingressos para as partidas é bastante honesto para a classe média baixa e, nos estádios, é ainda possível beber cerveja e levar bandeiras e faixas, o que não ocorre, por exemplo, na Inglaterra. Claro que ter uma economia forte, que sofreu menos com o impacto da crise financeira atual, ajuda a Bundesliga a estar equilibrada. Mas a estratégia de não deixar o futebol nas mãos erradas e manter o povo nos estádios parece ser um toque social democrata que a Alemanha dá ao futebol. Que vire tendência pelo mundo.
.
Postado por
ERick
em
9/06/2011
0
comentários
Tags
Espanha,
Esporte,
Europa,
Futebol,
Inglaterra,
Itália
Assinar:
Postagens (Atom)
















