Paraguai: A nova direita da América Latina
Por Oscar Laborde
No dia 15 de agosto, Horacio Cartes assumiu a presidência do Paraguai, como culminação de um processo que começou com um golpe de Estado institucional sobre Fernando Lugo, no qual o mandatário não teve respeitados o tempo e os mecanismos para um verdadeiro direito a um julgamento pelo Parlamento e que continuou com o governo de Federico Franco, cuja gestão terminou envolta em graves denúncias de corrupção.A imprensa em geral noticiou naqueles dias que o Partido Colorado voltava ao poder, fato que acabou sendo só parcialmente verdadeiro.
Devemos considerar que Horacio Cartes é a expressão de uma nova direita que está surgindo em nosso continente, onde novas figuras e formas, surgidas de setores conservadores, buscam se adequar aos novos tempos na região. Henrique Capriles, na República Bolivariana da Venezuela, parece ser um dos exemplos mais explícitos dessa situação.
Paraguai: a caminho de uma narcodemocracia?
Por Bernardo Coronel
O Partido Colorado escolheu Horacio Cartes (foto), suspeitos de ligações com o narcotráfico, para correr a presidência em abril de 2013. Com sua vitória nas internas, cabe questionar fortemente se o Paraguai não estaria andando em direção a uma narcodemocracia. Seu passado obscuro e a ascensão meteórica dentro do Partido Colorado, que se juntou a dois anos atrás, geram suspeitas. O candidato presidencial agora conseguiu unificar o partido, depois de sua derrota em 2008. Ele ganhou três eleições sucessivas, as eleições municipais de 2010, as internas de março de 2011, e agora o último é imposta com uma maioria esmagadora.
Cartum: do Paraguai ao Brasil, o velho golpismo de cara nova
Mercosul: Paraguai é suspenso. Venezuela o substitui
Por que derrubaram Lugo?
Por Atilio Boron
Acaba de se consumar a farsa: o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foi destituído de seu cargo num julgamento sumaríssimo, no qual o Senado mais corrupto das Américas - e isso quer dizer muito! – o achou culpado de "mau desempenho" de suas funções devido às mortes ocorridas no despejo de uma fazenda em Curuguaty.
É difícil saber o que pode ocorrer daqui para frente. O certo é que a matança de Curuguaty foi uma armação montada por uma direita que, desde que Lugo assumiu o poder, estava esperando o momento propício para acabar com o regime que, apesar de não haver afetado seus interesses, abria um espaço para o protesto social e a organização popular, incompatíveis com sua dominação de classe.
Apesar das múltiplas advertências de numerosos aliados dentro e fora do Paraguai, Lugo não assumiu a tarefa de consolidar a grande, porém heterogênea, força social que, com enorme entusiasmo, o levou à presidência em agosto de 2008.
Sua influência no Congresso era absolutamente mínima, um ou dois senadores no máximo, e somente a capacidade de mobilização que demonstrasse nas ruas seria o fator que poderia dar governabilidade à sua gestão.
Mas Lugo não entendeu assim e, durante seu mandato, se sucederam múltiplas concessões à direita, ignorando que, por mais que a favorecesse, ela jamais iria aceitar sua presidência como legítima.
Gestos de concessão a favor da direita resultam unicamente em torná-la mais agressiva, e não em apaziguá-la. Apesar das concessões, Lugo sempre foi considerado um intruso incômodo, por mais que promulgasse, ao invés de vetar, as leis antiterroristas que, a pedido "da Embaixada", aprovava o Congresso – o mais corrupto das Américas.
Uma direita que, com certeza, sempre atuou irmanada com Washington para impedir, entre outras coisas, o ingresso da Venezuela no Mercosul. Lugo se deu conta tarde demais do quão "democrática" era a institucionalidade do Estado capitalista, que o destitui num tragicômico simulacro de julgamento político, violando todas as normas do devido processo.
Uma lição para o povo paraguaio e para todos os povos da América Latina e do Caribe: só a mobilização e a organização popular sustentam governos que querem impulsionar um projeto de transformação social, por mais moderado que seja, como tem sido o caso de Lugo.
A oligarquia e o imperialismo jamais cessam de conspirar e atuar e, se parece que estão resignados, esta aparência é inteiramente enganosa, como acabamos de comprovar há poucos instantes em Assunção.
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PSDB anuncia apoio ao golpe no Paraguai
PSDB divulgou nota à imprensa onde manifestou sua posição sobre o golpe que destitui o presidente do Paraguai. Para surpresa de muitos, o PSDB assume uma posição de defesa e apoio do golpe, contrariando todo e qualquer princípio democrático.
O PSDB afirma, que: " a despeito da velocidade do processo, não houve rompimento das leis do país, tampouco ataque à ordem vigente na nação vizinha." ou seja, mesmo reconhecendo que o processo se deu uma velocidade fora de qualquer normalidade, sem o mínimo tempo hábil para defesa do presidente Fernando Lugo. Para os tucanos, destituir um presidente em menos de 48h não é um ataque a democracia paraguaia.
O que é pior, no restante da nota, ao invés de tratar do que realmente está ocorrendo na América Latina, e os riscos para o processo democrático no continente, para eles, o mais importante é atacar o governo Dilma e o PT, não escondendo sua contrariedade a um processo autônomo de autodeterminação dos povos, fora dos ditames do norte global. Ao contrário dos anos de FHC, em que o Brasil discutia sua total submissão aos EUA através da ALCA, a partir do governo Lula, e agora com Dilma, busca-se a construção de uma política de integração regional, que valoriza os princípios democráticos.
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Paraguai: resistência ao golpe ganha página na internet
Por Marco Aurélio Weissheimer
O Impeachment do Collor e o golpe contra Lugo: um abismo de diferenças
Por Erick da Silva
Cartum: Kayser e a novilíngua da mídia
Novilíngua é um idioma fictício criado pelo governo hiperautoritário na obra literária 1984, de George Orwell. A novilíngua era desenvolvida não pela criação de novas palavras, mas pela "condensação" e "remoção" delas ou de alguns de seus sentidos, com o objetivo de restringir o escopo do pensamento. Uma vez que as pessoas não pudessem se referir a algo, isso passa a não existir. Assim, por meio do controle sobre a linguagem, o governo seria capaz de controlar o pensamento das pessoas, impedindo que ideias indesejáveis viessem a surgir.
Em tempos de golpe no Paraguaí, o uso de artifícios similares tem sido fartamente exposto pela nossa mídia, mal disfarçando o regozijo com o golpe.
Autor: Kayser
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Mercosul suspende Paraguai
Em comunicado conjunto, Brasil, Argentina e Uruguai anunciaram sua decisão de "suspender o Paraguai, de forma imediata e por este ato, do direito a participar da 43ª Reunião do Conselho de Mercado Comum e Cúpula de Presidentes do Mercosul".
Também vetou a participação do Paraguai das reuniões preparatórias para a cúpula do Mercosul, que serão realizadas na cidade argentina de Mendoza.
No comunicado, Argentina, Brasil e Uruguai e os países associados Chile, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador e Colômbia expressaram a mais "enérgica condenação à ruptura da ordem democrática ocorrida na República do Paraguai, por não ter sido respeitado o devido processo" no julgamento político de Lugo, destituído na sexta-feira passada.
A declaração afirma ainda que os chefes de Estado considerarão na próxima sexta-feira, em Mendoza, novas medidas a serem adotadas.
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Golpe no Paraguai e o silêncio do Brasil
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| Presidenta Dilma e o Ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota. |
Por Erick da Silva
Consumado o "impeachment" contra o presidente paraguaio Fernando Lugo. Democraticamente eleito, foi retirado do poder em uma manobra relâmpago no parlamento que mal-disfarça o caráter golpista e violador da democracia.
Foram menos de 48 horas entre a abertura o processo de afastamento e sua votação, em um processo sumário que não resguardou os menores preceitos de defesa que se esperaria em uma situação destas. Já empossado o novo presidente, Federico Franco, vice-presidente de Lugo e participe do golpe, assume com uma forte ilegitimidade. A reação da maioria dos países da América Latina foram de duras críticas.
Entre os sócios do Paraguai no Mercosul (Brasil, Argentina e Uruguai), que realiza sua cúpula na próxima quinta e sexta-feira, em Mendoza, Argentina, a declaração mais dura foi justamente a da presidente deste país, Cristina Kirchner. "Sem dúvidas houve um golpe de Estado" no Paraguai, e considera que isto "reedita situações que acreditávamos que estavam absolutamente superadas na América do Sul e na região em geral".
O presidente uruguaio, José Mujica, afirmou que estava "profundamente entristecido" pela destituição de Lugo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, advertiu que "não reconhece este irritante, ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção". O presidente da Bolívia, Evo Morales, assegurou que "não reconhecerá um governo que não surja das urnas e do mandato do povo". O México, considerou que embora o julgamento político de sexta-feira no Congresso "tenha se desenvolvido seguindo o procedimento estabelecido no texto constitucional paraguaio", "não concedeu ao ex-presidente Lugo os espaços e tempos para a devida defesa", expressou a chancelaria.
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| Presidente Federico Franco, empossado após o golpe |
O Equador, Cuba, a República Dominicana e inúmeros outros países da região também já se pronunciaram afirmando que não reconheceram a legitimidade deste governo. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirmou que é "inaceitável a rapidez do julgamento político contra o presidente constitucional e democraticamente eleito", afirmou em um comunicado a Comissão, órgão autônomo da Organização de Estados Americanos (OEA), ao destacar que o procedimento "afeta a vigência do Estado de Direito no Paraguai".
E quanto ao Brasil? Infelizmente, até o momento, foram poucas e evasivas as declarações vindas do governo brasileiro. Até o momento em que escrevo estas linhas (23/06), nenhuma posição oficial foi publicizada, nenhum pronunciamento da presidenta Dilma condenando e posicionando-se frente ao golpe instalado no Paraguai. Qual o motivo desta postura vacilante? Será que o governo brasileiro não percebe a gravidade da situação? Será que o governo desconhece os reais motivos que levaram a esta ação do parlamento paraguaio, que destituiu um presidente legitimamente eleito, para preservar seus interesses, alheios ao da maioria da população?
O Brasil ocupa uma posição chave nesta contenda, uma posição titubeante pode ser decisivo para legitimar um governo golpista (que já sabemos que contará com a anuência dos EUA) e pode colocar em curso uma nova "onda golpista" em nosso continente. A América Latina já teve um ensaio disto em Honduras, quando foi destituído, de forma similar o presidente Manuel Zelaya em 2009.
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| Presidente Lugo com a Presidenta Dilma em reunião da Unasul |
Até este momento, o governo brasileiro afirma que esperará uma posição conjunta da Unasul para posicionar-se, o que é uma forma de esquivar-se de uma situação que não pode haver vacilos.
Posicionar-se politicamente, neste momento, é um dever do Brasil, não é aceitável uma postura vacilante de um país que se projeta como liderança mundial. O silêncio já é uma forma de legitimar o golpe.
Em Tempo: O governo brasileiro, em nota emitida ao final deste sábado (23/06), através do ministério das Relações Exteriores, afirmou que condena o impeachment do presidente Fernando Lugo. A nota diz ainda que o Mercosul e a Unasul avaliam medidas a serem aplicadas devido à ruptura da ordem democrática, mas afirma que o governo brasileiro não tomará medidas que prejudiquem “o povo irmão do Paraguai”. Além disso, a nota não afirma se o Brasil reconhece ou não a legitimidade do novo presidente, Federico Franco, empossado após o golpe. Uma postura mais critica e protagonista, como a adotada pelo presidente Lula na ocasião do golpe de Honduras, parece não ser o caminho escolhido pelo governo Dilma. Qual a estratégia que a presidenta Dilma adotará, se assumirá uma posição de protagonismo nesta crise, mas de forma mais discreta ou se relegará tudo ao Itamaraty e a diplomacia é uma questão em aberto.
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Consumado o golpe: Senado do Paraguai destitui Lugo
Senado paraguaio conluiu o enredo do golpe desfechado na última 5ª feira (21/06) e aprovou o impeachment do presidente da República, Fernando Lugo.
O Senado do Paraguai aprovou por ampla maioria o impeachment do presidente Fernando Lugo. Foram 39 votos a favor e 4 contra, e 2 ausente, após um processo relâmpago que durou menos de 48 horas.
A decisão causou revolta do lado de fora do Parlamento, onde simpatizantes do presidente protestam contra a deposição e entram em confronto com a polícia. Porta-vozes de Lugo anunciaram que o presidente não apoiará nenhuma resistência armada, embora tenha classificado o julgamento político como um golpe parlamentar.
Os advogados do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, contestaram o processo de impeachment aberto contra ele no Parlamento do país. Na sessão no Senado paraguaio, que foi convertido em tribunal, a defesa de Lugo acusou os parlamentares de terem organizado um processo com uma sentença “pré-escrita”. “O que está acontecendo aqui não é um julgamento, é uma condenação. É a execução de uma sentença”, disse o advogado Emílio Camacho.Segundo o procurador-geral da República, Enrique García, o presidente paraguaio só recebeu as acusações de “má gestão do governo” às 18h10 locais (19h10 de Brasília) desta quinta-feira, o que em sua opinião "vicia constitucionalmente o julgamento político".
De olho nas eleições de abril de 2013, oligarquia, Igreja e mídia queriam a destituição do Presidente, cuja base de apoio é maior no interior, porém pouco organizada e pobre. Rito sumário do impeachment tinha como objetivo justamente impedir a chegada de caravanas de camponeses a Assunção, onde o Parlamento está cercado por pouco mais de dois mil manifestantes contrários ao golpe. Lugo recebeu a notícia no Palácio de governo.
Golpistas ignoraram a pressão internacional: dirigentes da Unasul advertiram pouco antes da votação no Senado que a organização poderá não reconhecer um governo resultante da ruptura democrática agora consumada.
Informações: TeleSur - Opera Mundi - Prensa Latina - Carta Maior
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O Paraguai e a legalização de um golpe
Confira a esclarecedora reportagem de Gilberto Maringoni para a Carta Maior sobre o golpe em curso no Paraguai.
O Paraguai vive um golpe de Estado com coreografia legal, de acordo com o líder camponês Ramón Molina. A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impedimento do presidente da República, Fernando Lugo, em rito sumário no final da manhã desta quinta-feira (21). No início da tarde o roteiro adentrava o Senado. Os prazos são curtíssimos. A acusação está sendo feita nesta noite e a defesa deve acontecer na sexta (22). A decisão final – se nenhum fato novo ocorrer – pode ser aprovada no sábado (23).
A depender dos votos parlamentares, Lugo é carta fora do baralho. A votação na Câmara foi de 73 votos contra o governo e um a favor. A maioria dos 45 senadores – mesmo os do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), da coligação governista – quer abreviar o mandato do chefe do Executivo.
O conflito entre os representantes parlamentares da elite local e o mandatário arrasta-se há pelo menos três anos. Na raiz de tudo está a resistência de Lugo em reprimir abertamente movimentos de camponeses sem terra que se enfrentam com grandes proprietários, entre eles vários brasileiros.
Até o início da noite de quinta não havia tanques nas ruas ou violência aberta. Há – segundo ativistas locais que conversaram com Carta Maior – uma crescente resistência popular. É a grande esperança dos partidários de Lugo para manter a normalidade democrática.
A seguir apresentamos os depoimentos de Najib Amado, secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio, Ramón Molina, líder camponês e dirigente do Partido Popular da Convergência Socialista e Martin Almada, ativista de direitos humanos.
Najib Amado
(Secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio)
“O processo de impeachment foi aprovado de forma acelerada. Isso deixa claro que se trata de um golpe de Estado. Há muita gente chegando do interior para resistir. O governo tem apoio nos setores populares. O golpe não representa nem mesmo a base social dos partidos de direita. Já estão em Assunção representantes do Foro de São Paulo (articulação de partidos de esquerda da América Latina) e logo mais chegam os ministros das Relações Exteriores da Unasul (Brasil, Equador, Bolívia, Colômbia e Uruguai). Os meios de comunicação fazem coro com os golpistas. Ao longo das últimas semanas difundiram notícias alarmistas e deram voz apenas aos parlamentares que tentam derrubar o presidente. Até agora, pelo menos oficialmente, as forças armadas não se pronunciaram. A polícia montou um aparato de segurança em torno do Congresso, mas não há violência nas ruas”.
Ramón Molina
(Secretário do Partido Popular Convergência Socialista e dirigente camponês)
“Estamos diante de um golpe de Estado patrocinado pelos grandes proprietários de terra do país. Mas começa a haver protestos em todo o país. No final da tarde já havia cerca de duas mil pessoas em frente ao Congresso, que está fortemente policiado. É uma mobilização pacífica. O presidente está no palácio, com seus auxiliares, avaliando a situação. Uma garantia ele já deu: não renunciará. Faltam dez meses para o final do mandato. Nossa maior esperança é conseguirmos aumentar a mobilização popular, isolar os golpistas internacionalmente e mostrarmos que se pretende interromper um processo iniciado com a eleição de Fernando Lugo, em 2008”.
Martin Almada
(Ativista de direitos humanos)
“O Paraguai vive um golpe de Estado de direita. O processo foi aprovado na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado de forma acelerada. O senador colorado Juán Carlos Galaverna, de oposição, pressiona para apressar os fatos. A intenção é clara: evitar que camponeses ou defensores do governo resistam ao golpe. As traições à Aliança Patriótica (frente que elegeu Lugo em 2008) são escandalosas. Carlos Filizzolla, ex-ministro do Interior (que caiu após os conflitos de terra da semana passada), acaba de se reintegrar ao Senado e fez uma firme defesa do governo. O tempo regulamentar até a decisão é, agora, de dois dias. Trata-se de uma grande jogada do vice-presidente Frederico Franco (do PLRA) para ficar com o poder”.
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Direita tenta dar golpe no Paraguai
Por Altamiro Borges
Paraguai - O Vizinho Desconhecido
Por Marcelo Voges Guerguen*
nossas fronteiras.
Quando muito, ouvimos mais sobre a Argentina, o Chile, e mais recentemente sobre a Venezuela ou qualquer outro governo abaixo de uma “ditadura popular” como descrevem nossa velha conhecida mídia. Talvez aqui no Rio Grande do Sul tenhamos mais conhecimento também sobre nosso vizinho Uruguai, tanto pela proximidade quanto pelos free shops, amados por nossa galera sulista. Mas com certeza, o Paraguai é nosso completo desconhecido.
Quando ouvimos falar do Paraguai, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é a relação comercial que nós brasileiros temos com o país guarani. Desde produtos eletrônicos chineses vindos da Ciudad del Este (lugar mais longínquo que os brasileiros vão além da fronteira), até produtos um tanto exóticos, como armamentos ilegais ou a erva (não a mate, que é o principal produto cultivado no país). Por mais que nossos “heróis” tenham sido forjados na Guerra do Paraguai, mesmo assim nossa ignorância em relação a esse vizinho é absurda.
A começar pela própria Guerra do Paraguai, até hoje discutida nas Faculdades de História quanto às reais motivações. Independente dos motivos, ela deixou um saldo de 85% de sua população morta, restando apenas 215 mil pessoas vivas, sendo essas quase 200 mil mulheres. Antes da Guerra, o país guarani era uma referência quanto organização social, pois eram precursores de algumas modernidades industriais como a siderurgia, ferrovias, estaleiro, telégrafos, isso em meados de 1850. As propriedades rurais eram do Estado, sendo que foram distribuídas a população a preços baixos, chamadas de Estâncias da Nação, criando assim um país de classe média agrícola. Dizem que 90% do que era produzido era para consumo interno, e o restante era exportado. Essa organicidade tem origem nas antigas Reduções Jesuíticas, conhecidas aqui no RS pelos 7 Povos das Missões.
Mas o objetivo desse artigo não é falar do passado longínquo desse vizinho, mas sim o que veio depois da Guerra, que como podemos deduzir, dizimou o país. Após a guerra, em 1887, se formou basicamente dois grupos políticos, a Aliança Nacional Republicana (Partido Colorado) e a Frente Liberal Radical Autêntica (Partido Liberal). Os Colorados assumiram o governo em 1877, antes mesmo de se formarem quanto partido, até ser deposto via golpe pelos liberais em 1903. Os Liberais então comandaram o país até 1936, sendo derrubado também via golpe pelo Partido Febrerista com apoio massivo da população. Isso se deu com o fim da Guerra do Chaco (1932-1935).
O Partido Comunista Paraguaio foi fundado em 1928, tendo grandes atuações tanto pela ação antiguerra do Chaco, quanto pelo apoio ao Movimento Febrerista, que assumiu o governo por 18 meses com forte apoio popular após a Guerra do Chaco. Desse governo surgiu o Partido Febrerista. Porém, para não fugirmos da regra,f oi deposto via golpe em 1937 pelo Partido Liberal, sob o governo do General Estigarríbia. Com a morte do General em 1940, assume a presidência o Marechal Higino Morínigo, de orientação nazifascista, permanecendo no poder no cargo até 1947, quando estoura a Guerra Civil no país guarani. Com o fim da Guerra Civil, o Partido Colorado volta ao poder.
Para ter uma idéia da instabilidade política do país vizinho, durante o período de 1947 a 1949, o governo trocou de mãos quatro vezes. Em 1954, Stroessner assume o poder através de um golpe de Estado, fazendo com que o Partido Colorado se tornasse único no país (1947-1963), e posteriormente hegemônico (1963-2008). Stroessner permaneceu no poder até 1989 por meio da força militar, e também pelas relações umbilicais junto aos EUA. Outro fator que garantiu-lhe no poder foi o apoio do Brasil junto ao país, que entre outras ações se destacam a construção da Ponte da Amizade e da Usina Hidroelétrica Binacional Itaipu, além das perseguições massivas a grupos considerados subversivos. Até 1963, como era “tradição” no país, quando alguma força política assumia, a outra era posta em ilegalidade. Em 63, Stroessner faz um novo golpe (só para não fugir da tradição) onde reconhece a oposição, que não faz muita diferença quanto ao governo. Era como se fosse o “Velho MDB de Guerra” o Partido Liberal, onde acatava as ordens do General.
Em 1989, Stroessner é deposto via golpe (falei que era tradição) e é empossado presidente General Rodriguez, um Colorado, em eleições livres. Os Colorados, foram assim sucessivamente reeleitos até 2008, quando pela primeira vez é empossado ao poder central um grupo político por via democrática, além de ser o primeiro governo de esquerda eleito pelo povo.
Antes de falar sobre o Governo de Fernando Lugo, precisamos resgatar um fato recente da história de nosso vizinho. Entre 23 a 28 de março de 1999, o assassinato do Vice-presidente Luis María Argaña, no qual o ex-general Lino Oviedo desatou uma crise cívico-militar. Como resposta espontânea, 10 mil pessoas, em sua maioria camponeses e jovens, irromperam o espaço público para defender a democracia. O Presidente Cúbas renunciou em perspectiva do início de uma Guerra Civil, e Oviedo se exilou na Argentina. Durante aquela semana, o exército foi acionado, e assim 7 jovens foram mortos nesse conflito. Esse evento ficou conhecido como Março Paraguaio.
Desde agosto de 2008, o Paraguai vive um momento ímpar de sua história, com o governo voltado para a população carente. Apesar das dificuldades do Presidente Lugo em aprovar seus projetos. Para se ter uma idéia, a Câmara dos Deputados Paraguaio é composta por 80 deputados, sendo que 30 são do Partido Colorado, 27 do Partido Liberal, 18 do Partido Unión de los Ciudadanos Éticos – UNACE – partido encabeçado por Lino Oviedo (extrema direita), e dos 08 parlamentares restante, apenas 1 é do Movimento Popular Tekojoja, do Presidente Lugo. No Senado o cenário é parecido, onde das 45 cadeiras, 15 são dos Colorados, 14 dos Liberais, 09 da UNACE, e das 07 restantes, 01 é do Partido do Presidente Lugo.
Mesmo com essa composição difícil, o nosso vizinho desconhecido está conseguindo desenvolver ações positivas para a população, especialmente a população jovem. Das Políticas Públicas voltadas para esse segmento, por exemplo, ressaltamos o movimento 5000 Proceres da Nação, que em razão do Bicentenário da Independência, convoca os jovens a darem suas opiniões sobre quais seriam as melhores políticas a serem implementadas para a galera. E 2011 já começa com novas ações, com as “Becas del Bicentenário”, que serão bolsas de estudo para os jovens carentes, porém com boas notas na escola, para os setores técnicos necessários ao país, como saúde, ciência e tecnologia, engenharia e meio ambiente. Essas bolsas serão em parceria com as hidroelétricas de Itaipu e de Yacyretá.
Esse foi um pequeno relato da história política de nosso vizinho Paraguai. Que mesmo com as adversidades históricas impostas a sua população, consegue nos últimos anos superar os obstáculos, e criar condições para sua população. Porém, as nações mais ricas do continente, em especial o Brasil, devem dar mais apoio para que eles possam se desenvolver, e se tornarem uma nação próspera, em conjunto com os países dessa nova potência mundial do Séc XXI chamada União das Nações Sulamericanas – UNASUL.
Marcelo Voges Guerguen é Cientista Social
SporTV esbanja ignorância em vídeo sobre o Paraguai
Como ganhar dinheiro vendendo a própria ignorância
Luis Carlos Azenha
Em comum, todos tem um sorriso permanente estampado no rosto. Sorriso plastificado. Nem disfarçam mais, fazendo “cara de conteúdo”. Difícil discernir entre os locutores que fazem televendas, os humoristas do CQC e os telejornalistas encarregados das coberturas esportivas. Eles estão permanentemente de bom humor e tratam o telespectador como um imbecilóide, como a criança que recém migrou do show da Xuxa para a adolescência das coberturas esportivas e que, se tudo der certo, em breve se tornará bovinamente “consumidor de notícias” do Jornal Nacional.
O mais curioso é que os mentores dessa imbecilização generalizada se alimentam de preconceitos antigos para suas “sacadas” modernosas. Nascem daí momentos imperdíveis de nosso telejornalismo, como o que o SporTV produziu sobre o Paraguai, a título de fazer uma graça. Houve, sim, um tímido pedido de desculpas (mas eles continuam pensando a mesma coisa sobre o Paraguai, só lamentam não poder dizer isso em voz alta). É produto genuinamente brasileiro, como a jabuticaba: um tele-entretenimento jornalístico que ganha dinheiro reproduzindo a própria ignorância.
Fernando Lugo vence eleições no Paraguai com 40,8% dos votos
Fernando Lugo foi oficialmente declarado vencedor das eleições paraguaias deste domingo, com 40,8% dos votos, contra 30,8% para a candidata do governo, Blanca Ovelar, informou o Tribunal Eleitoral do país.O general reformado Lino Oviedo ficou na terceira posição, com 22%, informou o vice-presidente do Tribunal Eleitoral, Juan Manuel Morales, após a apuração de 92% das urnas.
O índice de participação foi de 65% dos quase 2,9 milhões de paraguaios aptos a votar, destacou Morales.
Antes mesmo do resultado final ser anunciado, Blanca Ovelar, candidata presidencial do Partido Colorado do Paraguai, no poder há 61 anos, reconheceu sua derrota perante Lugo.
Filho de Guillermo Lugo e Maximina Mendez Fleitas, teve parte de sua família vítima da repressão durante a ditadura de Alfredo Stroessner, que durou de 1954 a 1989.
Em março de 1970, ingressou no Noviciado dos Missionários do Verbo Divino. Em setembro de 1972, professou seus votos na congregação missionária, em Assunção. Três anos depois, fez votos perpétuos.
Paralelamente, formou-se em Ciência Religiosa na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, na capital paraguaia.
Ordenou-se sacerdote em 15 de agosto de 1977 e, posteriormente, seguiu para o Equador para trabalhar como missionário na diocese da província de Bolívar, onde foi professor e pároco das localidades de Guaranda e Echeandía.
No Equador, trabalhou com o monsenhor Leonidas Proaño, um dos expoentes dessa corrente religiosa, que tem ainda como um de seus líderes o brasileiro Leonardo Boff. Proaño era conhecido na região como "o bispo dos pobres".
Em meados de 1982, retornou ao Paraguai, e no ano seguinte viajou para Roma para realizar estudos de espiritualidade e sociologia, graduando-se em Doutrina Social da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana.
Foi membro da Comissão Doutrinal da Conferência Episcopal Paraguaia e da equipe de Reflexão Teológica do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano).
Foi ordenado bispo em 1994. No final do mesmo ano, passou a ser bispo emérito, e em menos de um ano surgiu como uma figura política por suas críticas ao governo do presidente Nicanor Duarte.
Em março de 2006, Lugo liderou o movimento Resistência Cidadã, que reunia os principais partidos políticos da oposição, cinco centrais sindicais e mais de cem associações e movimentos civis.
No mesmo mês tornou-se o principal orador de uma manifestação convocada pela Resistência Cidadã que reuniu mais de 30 mil pessoas em frente à sede do Congresso, em protesto contra o Governo.
No final de 2007, Lugo oficializou sua candidatura presidencial para as eleições deste domingo, encabeçando a lista da Aliança Patriótica para a Mudança.
Paraguai: Fernando Lugo amplia vantagem sobre concorrentes
O ex-bispo Fernando Lugo tem dez pontos de vantagem sobre a candidata Blanca Ovelar, do Partido Colorado, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira (3) pelo jornal La Nación, a 17 dias das eleições presidenciais do Paraguai.
A pesquisa realizada pela empresa Ati Snead diz que, se as eleições fossem realizadas hoje, Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), venceria com 36,8% dos votos, contra 26,4% de Ovelar.
O general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) aparece em terceiro, com 24,3% das intenções de voto, seguido pelo empresário Pedro Fadul, do partido Pátria Querida (MPQ, na sigla em espanhol), com apenas 2,8%.
Lugo teve um aumento de 5,9 pontos em relação à última pesquisa, realizada na primeira semana de março.
No entanto, 6,3% dos entrevistados afirmaram que estão indecisos, ao tempo que 1,7% disseram que votariam em branco e 1,8% não opinaram. A pesquisa foi realizada entre os dias 29 de março e 1º de abril, e ouviu 1.536 eleitores.
Já a pesquisa do Gabinete de Estudo de Opinião (GEO) coloca Lugo em primeiro lugar, com 39,5% das intenções de voto, seguido por Ovelar, com 27,9%; Oviedo, com 24%, e Fadul, com 2%.
A pesquisa do Instituto de Ciência e Arte (ICA) é a única que aponta um empate técnico entre Lugo e Ovelar. Segundo a enquete, o ex-bispo teria apenas 0,8% de vantagem sobre a candidata do Partido Colorado.
O diário ABC Color aponta uma vitória do Partido Colorado, há 61 anos na Presidência, nas eleições para governos regionais e para a Câmara dos Deputados.
O Colorado leva vantagem em 11 dos 12 estados em que o diário realizou a pesquisa. Já o Partido Liberal Radical Autêntico (PRLA) leva a melhor apenas em Concepción, no nordeste do país.
Vermelho (www.vermelho.org.br)

















