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Demétrio Magnoli é chamado de “racista” por estudantes em debate na Bahia


Na manhã deste sábado (26), enquanto o geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli (colunista da GloboNews, Folha de SP, etc) debatia na Flica, um grupo de estudantes deu início a um protesto sob brados de ‘racista’ e ‘fora, Magnoli!’. O ato foi pautado pelas opiniões desfavoráveis de Magnoli com relação às cotas raciais.
Dois estudantes, seminus, se pintaram na frente do professor, causando tumulto e interrompendo o debate. Uma faixa a favor das cotas também foi estendida.
“Estamos aqui fazendo este ato por contra esse cara que é racista, é contra as cotas. E Cachoeira é terra de preto, remanescente de quilombo”, diz Amanda, estudante de jornalismo da UFRB.
A professora da UFBA, Maria Hilda Baqueiro Paraíso, que também compunha a mesa, tentou negociar com os estudantes, mas não obteve sucesso. Os seguranças presentes no evento não conseguiram conter o tumulto, que só se dispersou quando a produção do evento propôs uma reunião com representantes do movimento. A pauta será uma possível mudança do tema da mesa, de preferência para um que contemple a questão racial no Brasil.
Magnoli comparou os manifestantes aos fascistas de Mussolini e arrematou: “No poder, esse grupo fuzilaria os seus opositores”. Encerrada, a mesa deve retornar às 13h30, a portas fechadas.
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Passe Livre: "um passinho a frente, por favor"


Por Miguel Idiart


O dia 25 de setembro de 2013 entrará para a história, com a sanção do governador Tarso Genro ao projeto de lei 197/2013 que instituiu o Fundo Estadual e o Programa do Passe Livre Estudantil, aprovado por unanimidade pelos deputados na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no último dia 17 de setembro.

O passe livre estudantil vai além do debate do transporte público: é uma política estratégica para educação, pois ajuda e estimula os estudantes de baixa renda a permanecerem na instituição de ensino, diminuindo a evasão escolar e aumentando a qualidade no aprendizado. Quem passou pela universidade sabe o custo que tem para manter em dia as fotocópias dos textos trabalhados em sala de aula, o preço da alimentação no campus, a moradia e o caro transporte público e privado.

Agenda de protestos contra aumento da passagem no Brasil e no exterior


Por Erick da Silva

Como um rastilho de pólvora aceso, os movimentos contra o aumento das passagens de ônibus se ampliam e se espalham pelo Brasil e no exterior.
Semana passada, inúmeras cidades já vinham realizando passeatas e mobilizações contra o aumento das passagens, como no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Santos, etc. É visível e inquestionável a força que o movimento tem tido. Prova de como tem ampliado a sua força é a sua nacionalização.
Após a a violenta repressão da PM de SP na última quinta-feira (13/06) não só o movimento na capital paulista tende a aumentar, como tem provocado um rápido e forte movimento de solidariedade e apoio por todo o país e no exterior.
Brasileiros residindo fora do país, contando com apoio de estrangeiros solidários a luta dos estudantes brasileiros, estão realizando atos por todo o mundo. Neste final de semana,  mais de 2 mil pessoas foram às ruas da Alemanha, Irlanda e EUA.
O perfil das manifestações que estão sendo chamadas pelo Facebook e outras redes sociais é bastante diverso. Desde grupos com um maior grau de organização e mobilização, até pequenos coletivos e indivíduos que buscam, de alguma forma manifestar sua indignação e apoio a luta dos estudantes, mesmo que de uma maneira bastante difusa e, até mesmo contraditória.
Abaixo segue um calendário dos protestos que estão sendo chamadas no Brasil e no exterior.

Não é a toa que os jovens vão as ruas



Por Erick da Silva


Quando grandes mobilizações e revoltas ganham as ruas, há sempre aqueles que são surpreendidos, se espantam, não entendendo a razão que levaram o povo a protestar. Governantes respondem tardiamente e a repressão, invariavelmente, é a primeira resposta. Tratando-se de governos autoritários, a repressão e a "criminalização" do movimento é a única resposta.

Quando estudantes e a juventude tomam as ruas protestando contra o aumento das passagens de ônibus, o espanto pode ser ainda maior. Afinal, com uma perturbadora frequência, alguns céticos afirmam, em tom categórico, que “a juventude de hoje é alienada”, “o jovem não está mais interessado em transformações na sociedade” a ideia de “revolução” está morta e etc

Felizmente, as ruas provam o contrário. Contando com o auxílio das redes sociais, a juventude está conseguindo mostrar mais uma vez sua força e sua voz nas ruas.

Juventude toma as ruas de POA contra o aumento do transporte público



Este 1º de abril de 2013 foi muito mais feliz que o de 1964.

Porto Alegre presenciou a maior manifestação estudantil de sua história recente. Organizado pelas redes sociais, o ato de hoje reuniu aproximadamente 5 mil pessoas. Alguns especulam números maiores ou  talvez um pouco menores, mas o fato é que, pelo menos desde o "Fora Collor", não víamos tantos jovens tomando as ruas em um protesto.
Elevada de R$ 2,85 para R$ 3,05 no último dia 25, a tarifa do transporte coletivo de Porto Alegre é a causa principal deste e de uma série de protestos de estudantes na capital (veja mais aqui). 
Com uma grande heterogeneidade, haviam jovens de diferentes partidos de esquerda, anarquistas, autonomistas e jovens de movimento político algum, apenas indignados com a situação do transporte público na capital e, principalmente, revoltados com o discurso beligerante do prefeito Fortunati. Este que chegou até mesmo a classificar a todos os estudantes participantes dos protestos como "baderneiros".
Quinta-feira, 03/04, já está sendo chamado um novo grande ato contra o aumento. Todos falavam, durante o protesto, em aumentar ainda mais a próxima manifestação. 
Até quando o Fortunati manterá este discurso intransigente e aceitará discutir  a redução no valor da tarifa?

Fotos: Carlos Hilgert Ferrari (via Facebook)
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Qual a razão dos presidentes da UNE, UBES e UEE/SP estarem com Serra?


Por Erick da Silva

Recentemente a UNE e a UBES sofreram duros ataques da mídia, que buscou levantar suspeitas sobre convênios firmados entre a entidade e o governo federal. Prontamente a blogosfera e as mídias alternativas se solidarizaram com as entidades estudantis e prestaram seu apoio frente a mais uma tentativa da mídia de criminalizar os movimentos sociais.
Nesta semana, o PSDB iniciou uma cruzada para tentar silenciar esta mesma blogosfera independente (saiba mais aqui) que sempre atuou ao lado dos movimentos sociais. Até este momento, UNE, UBES e UEEs, nenhuma destas entidades prestou alguma forma de apoio a blogosfera contra esta tentativa de censura que está sendo gestada.
No entanto, além de silenciar sobre o tema (o que já seria grave), os representantes das entidades, Daniel Iliescu (Presidente da UNE), Manuela Braga (Presidente da UBES) e Alexandre ‘Cherno’ (Presidente da UEE/SP), resolveram reunir-se com o candidato a prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB).
O momento para tal proselitismo político não poderia ser pior. O que justifica este ato político da UNE? Qual a razão para, justamente no momento que Serra e cia querem calar a blogosfera, que recentemente prestaram seu apoio a UNE, ver os presidentes destas entidades posarem, sorridentes, ao lado de Serra, exibindo as bandeiras das entidades? Esta reunião com o Serra foi uma posição deliberada pelas respectivas entidades?
São ações deste tipo que fragilizam a credibilidade do movimento estudantil junto aos demais movimentos sociais e lutadores. Quando houverem novos ataques da Globo e cia contra a  UNE, será que a entidade espera contar com o apoio  de José Serra? Será este o tipo de aliado que a UNE deseja para o próximo período?
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A maior rebelião estudantil que você nunca ouviu




Em um dia excepcionalmente quente no final de março, mais de 250 mil estudantes universitários se reuniram nas ruas de Montreal para protestar contra o plano do governo liberal de aumentar as taxas de ensino em 75% nos próximos cinco anos. Enquanto a multidão marchou em uma aparente onda interminável de estudantes, da Place du Canada, pontilhada com os Rouges Carrés , ou quadrados vermelhos, em referência ao símbolo do movimento estudantil no Quebec, era claramente óbvio que essa manifestação foi a maior no Quebec e talvez da história do Canadá.
A manifestação do dia 22 de março não foi o ponto culminante, mas o ponto médio de um levante estudantil de 10 semanas de duração que viu, no seu auge, mais de 300.000 estudantes universitários se juntaram a uma ilimitada e soberbamente coordenada greve geral. Quase 180 mil estudantes permanecem em piquetes nos departamentos e faculdades que foram fechados desde fevereiro, não só na universidade de Montreal, mas também em pequenas comunidades em todo Quebec. 




Neste vídeo, vista aérea do grande protesto do dia 22 de março.



A greve estudantil foi apoiada por ações quase diárias de protesto, que vão desde ações voltados para as famílias dos estudantes, mini-comícios, ocupações de prédios, bloqueios de ponte, e, mais recentemente, por uma campanha de perturbação dirigida contra os ministérios do governo, empresas da coroa e empresas privadas. Embora geralmente pacífica, essas ações têm encontrado cada vez mais brutais atos de violência policial: estudantes são espancados, uso indiscriminado de spray de pimenta pela polícia de choque, e um estudante, Francis Grenier, perdeu um olho após ser atingido por uma granada de atordoamento a uma curta distância. Enquanto isso, os administradores das universidades tem implantado uma série de liminares e outras medidas legais em uma tentativa frustrada de quebrar a greve. O primeiro-ministro de Quebec, Jean Charest, continua intransigente, apesar dos apelos crescentes para o seu governo negociar com os líderes estudantis.
Então, por que você não ouviu falar nada sobre isso ainda?
Enquanto a greve estudantil de Quebec é comparável em escala a movimentos estudantis na Europa e na América Latina, ele é totalmente singular no contexto do Canadá e dos Estados Unidos, o que torna a ausência de cobertura midiática fora da província intrigante na melhor das hipóteses e perturbadora na pior. Como o veterano ativista canadense Judy Rebick observou em uma coluna recente no rabble.ca:  "é incrível que não houve quase nenhuma cobertura da revolta extraordinária de jovens em Quebec no Canadá Inglês", e, exceto por uma breve menção no Democracy Now!, o movimento tem sido ignorado até mesmo pela imprensa independente americana. Um fator-chave, certamente, é a língua: o Quebec é uma província predominantemente francófona, com uma infra-estrutura de mídia totalmente separada do resto do Canadá. Para dificultar ainda mais, os militantes que são responsáveis ​​pela organização da greve, operam em grande parte de forma independente das redes e organizações estudantis e ativista do resto do continente.
Mesmo assim, diferenças de linguagem não são desculpa para a falta de visibilidade para as importante ações do movimento estudantil. Montreal, capital cultural da província, uma cidade bilíngue, os líderes estudantis têm feito esforços para assegurar que as informações esteja disponível em sites em inglês e nas redes sociais (Facebook, Twitter, etc.), além de contar com um apoio de pequenas redes estudantis independentes fora do Canadá. A imprensa nacional canadense, tardiamente, finalmente pegou a história, embora sem abordar o contexto político da greve ou a sua conexão com as medidas de austeridade que estão sendo impostas aos estudantes e trabalhadores em todo o Canadá e ao redor do mundo. A greve estudantil deve servir como inspiração para os movimentos sociais muito além das fronteiras do Quebec, assim como uma chamada urgente de solidariedade que rompa com o silêncio midiático dominante.
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Vídeo mostra vereador Idenir Cecchin (PMDB) agredindo estudante durante protesto





O vídeo do circuito de segurança da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, ao qual o jornal Correio do Povo teve acesso, mostra a agressão do vereador Idenir Cecchin (PMDB) com um estudante no último dia 12 de dezembro. O caso ocorreu no dia 12 de dezembro, durante os protestos realizados durante as eleições que escolheram Mauro Zacher (PDT) como presidente da Casa.

Incrivelmente, mesmo com as imagens, Cechin nega ter agredido o jovem. Na oportunidade, o plenário foi invadido por um grupo de estudantes contrários à indicação de Zacher ao comando do legislativo municipal. Cechin disse que, durante o tumulto, o estudante que entrou em confronto com a segurança da casa acabou lhe agredindo, agressão esta não aparece em nenhuma das imagens.
No vídeo acima, o momento da agressão é reproduzida diversas vezes, cada vez com a imagem mais aproximada.
Esperamos que esta agressão do vereador Cecchin não fique impune. Um vereador, enquanto "representante eleito do povo" tem o dever de praticar atitudes exemplares no exercício de sua função. Em um espaço que se pressupõe democrático a toda a manifestação política como a Câmara de Vereadores, qualquer ato de violência não pode ficar impunemente.



Fonte: Correio do Povo
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"Racista, assassino, torturador!". Ao deputado Bolsonaro, com carinho...




Após conturbada palestra do deputado Jair Bolsonaro, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, com inúmeros protestos do grupo ali presente, a saída do deputado foi atrasada pelos manifestantes.
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USP: a PM que ‘prende e arrebenta’



Por Clara Roman (via Carta Capital)

Diogo Vargas tinha acabado de tomar um café na copa da reitoria da Universidade de São Paulo quando foi avisado de que a Tropa de Choque da Polícia Militar havia chegado. O estudante de Comunicação Social mal teve tempo de entender o que ocorria: viu pela janela centenas de policiais à espreita. Enquanto corria, tentava avisar os colegas da ocupação, sem sucesso. Em pouco tempo, todos estavam encurralados pela PM em uma escada de incêndio do prédio.


Acabava de amanhecer na terça-feira 8. As imagens dos 73 estudantes presos corriam o País. A operação com 400 policiais foi aplaudida pela sociedade, que parou para ver a trajetória dos estudantes “baderneiros, filhinhos de papai”, que depredaram o patrimônio público e desobedeceram à lei.
Conforme a poeira assenta, outros aspectos começam a surgir. Abusos policiais foram denunciados, como o amordaçamento de uma estudante que entrou em pânico na perseguição. O conjunto residencial da USP foi cercado e estudantes afirmam ter sido impedidos de sair de -suas casas durante a operação. Além disso, os episódios que ocorreram na reitoria, entre a entrada dos PMs e a saída dos detentos, estão mal esclarecidos. Estudantes dizem que a própria PM depredou o patrimônio, quebrando vidros e equipamentos.
A ocupação da reitoria, contestada até mesmo por setores do movimento estudantil, foi um erro político, segundo Vladimir Safatle, professor da Faculdade de Filosofia da instituição. Radical, foi um passo estrategicamente equivocado, que só serviu para estigmatizar a manifestação. Mas os eventos de terça 8 criaram um rebuliço político entre alunos que até então viam o episódio com desconfiança. Na terça à noite, 3 mil pessoas, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), compareceram a uma assembleia dos alunos da universidade e decretaram greve das atividades acadêmicas. “Tudo isso fez a conscientização dos estudantes crescer em relação à repressão”, comenta o juiz Jorge Luiz Souto Maior, professor da Faculdade de Direito.


A situação é uma reação à falta de democracia na instituição. “A reitoria não ouve os alunos e vai criando ressentimentos. Qualquer coisa pode servir como faísca. Isso nunca teria ocorrido se na USP houvesse um debate mais democrático.” O filósofo desmistifica o argumento de que alunos são compostos de pessoas de alta renda. “Aluno de classe rica não tenho quase nenhum”, diz.
Para Souto Maior, o problema é a falta de compreensão da administração da USP sobre os movimentos sociais que existem internamente. Com o argumento do respeito à lei, a reitoria reprimiu os estudantes politicamente e evitou o debate democrático. “O tamanho desproporcional da operação foi para mostrar poder. A razão impulsional foi reprimir uma ação política.” Segundo Luiz, ainda falta espaço na democracia brasileira para a livre discussão e ação política espontânea. O episódio na USP seria um reflexo.
Assim, a discussão central de todo o episódio – a presença da Polícia Militar no campus como solução para o aumento dos índices de criminalidade no local – passa pela crítica ao modelo de decisões da universidade. Souto Maior afirma que a universidade tem de ser um ambiente de debate e de efervescência política, que não pode ser reprimido dessa maneira. Além disso, todo o evento deve ser encarado como uma ação política, e não vista simplesmente pela ótica da legalidade.
O reitor João Grandino Rodas aprovou em maio passado a entrada da Polícia Militar no campus em um convênio para a implantação da polícia comunitária. O convênio foi assinado poucos dias depois do assassinato do estudante de Ciências Atuariais Felipe Ramos Paiva, em uma tentativa de assalto no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). O tema, tratado em debates há anos na USP, tornou-se alvo de críticas de estudantes, professores e funcionários. Questões como repressão política e a própria forma de abordagem da polícia são argumentos usados contra o convênio.
O plano foi efetivado no início de setembro. As blitze, que tinham aumentado substancialmente desde o assassinato, se intensificaram e rondas da PM passaram a ser comuns. O projeto faz parte de uma tentativa da própria corporação de integração de direitos humanos às suas práticas. “A Polícia Comunitária passa a ser ponto de referência na comunidade. Você começa a criar uma relação de confiança e as pessoas começam a passar informação”, explica Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da Polícia Militar. A estratégia foi utilizada em comunidades e bairros da capital, como o emblemático caso do Morumbi, onde diversas bases foram instaladas entre o bairro de classe média alta e a favela Paraisópolis, e é responsável por um sistema para identificar traficantes e ladrões, segundo o comandante.
Desde o início das atividades do convênio, estudantes relatam as constantes abordagens. “Os policiais estão lá para garantir segurança aos estudantes, mas estes acabam sendo alvo da ação policial”, afirma Safatle. Wesllen Souza, do 1º ano do curso de Ciências Sociais e morador do Crusp, diz ter sido abordado cinco vezes desde que o convênio começou a funcionar há dois meses. Souza, que é negro, rapper e de baixa renda, afirma sofrer muito mais que colegas brancos, de alta renda e com outro estilo. “Como aqui na USP não tem muitos negros, você acaba sendo um alvo fácil.” Além de racismo, os policiais teriam demonstrado preconceitos sociais. Em duas das vezes em que foi enquadrado, Souza estava sem a carteira de identificação de estudante. A abordagem foi muito pior. “Enfiaram a mão na minha cueca e tive que tirar a camisa.” Safatle reflete: “Não sei quem está seguro com uma polícia dessas, inadaptada para lidar com problemas sociais e com heranças profundas da ditadura”.
Seja como for, a ação de terça 8 não contribuiu para melhorar a imagem que a PM tem dentro do campus. Vargas e Rodrigo Marzano, estudante de Artes Plásticas, também detido, reclamam da tortura psicológica constante durante a prisão e da humilhação. Marzano destaca a convicção com que os PMs os chamavam de bandidos.
A atuação da mídia foi outro ponto que marcou os estudantes. Ariscos a qualquer aparição e temerosos, os participantes da ocupação rechaçaram a presença da mídia e mantiveram rostos cobertos durante todo o tempo. Na assembleia do dia 1º, provocações mútuas criaram um conflito entre as duas partes. Marzano relata ter recebido provocações frequentes por parte de jornalistas. Segundo ele, quando saía do prédio, já detido e com as mãos na cabeça, ouviu um dos repórteres dizer: “Ah, agora vocês estão aí”.
Vargas conta que percebeu nos policiais uma preocupação em mostrar tudo à mídia, cinematograficamente. Ao chegarem ao DP, por exemplo, sentados com a cabeça entre as pernas e sem poder ver nada, afirma ter ouvido a frase: “A Globo chegou. Agora pode soltar eles”.
O consumo de maconha foi outro tema que permeou todo o debate. O movimento de ocupação teve início em 27 de outubro, após três estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que consumiam a droga, serem autuados por policiais. Em decorrência, cerca de 500 alunos da faculdade iniciaram um protesto para impedir a prisão dos colegas. O incidente acabou em confronto com policiais, que utilizaram bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha. Na mesma noite, um grupo envolvido no episódio decidiu ocupar a administração da faculdade, ocupação transferida para a reitoria em 1ºde novembro.
Apesar de classificar a ocupação como radical, Safatle condena o comportamento da PM. A reação policial, segundo ele, foi completamente desproporcional. “A Universidade é lugar para pesquisar e estudar, não para beber e fumar maconha, mas há maneiras muito mais inteligentes de se lidar com isso do que da forma como ocorreu.”
“A questão agora é o que fazer daqui para frente”, comenta Souto Maior. A reitoria está desocupada, mas o debate continua. Os estudantes parecem dispostos a manter o assunto em voga.
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Em plebiscito, 90% dos chilenos apoiam estudantes, mas governo ignora resultado


Por João Paulo Charleaux (Opera Mundi)


Depois do fracasso da mesa de negociações com o governo, na semana passada, e do aumento da repressão policial contra os protestos de rua, os estudantes chilenos recorreram neste fim de semana a um plebiscito nacional, como forma de resolver a crise que já dura cinco meses e mantém o país sob uma de suas mais graves crises políticas desde a redemocratização, em 1990. 


Mais de 1,5 milhão de chilenos votaram na sexta e no sábado. Destes, 90% está a favor do movimento estudantil, segundo a primeira contagem, com 60% das urnas apuradas. Apesar do número expressivo, o governo sequer cogitou utilizar a consulta popular como meio de saída para a crise, nem mesmo de forma consultiva.

O plebiscito foi convocado pelo Movimento pela Consulta e pelos Direitos Cidadãos e pelo Colegio de Profesores do Chile (Sindicato dos Professores), que apoia a mobilização dos estudantes desde o início. Segundo o presidente do Colegio dos Profesores, Jaime Gajardo, foram habilitados mais de 4 mil pontos físicos de votação, em 25 países, além do site www.votociudadano.cl, por meio do qual todos os maiores de 14 anos portando cédula de identidade chilena puderam votar.



A cédula continha quatro perguntas: sobre a garantia de educação pública gratuita para todos, sobre a transferência das escolas municipais ainda existentes para a administração direta do Ministério da Educação, sobre a proibição do lucro nas instituições de ensino que recebem fundos públicos e, por fim, sobre a incorporação de plebiscitos como este como uma ferramenta para resolver problemas de caráter nacional. 


Iniciativa ilegal

A Constituição do Chile – herdada em 1980 da ditadura Pinochet (1973-1990) – não reconhece plebiscitos, referendos ou outras consultas populares como instrumentos deliberativos.

“A opção do plebiscito só existe na Constituição atual em casos de conflito entre o Executivo e o Legislativo”, explicou Claudio  
Fuentes Saavedra, cientista político pela Universidade da Carolina do Norte e diretor do Instituto de Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Diego Portales, de Santiago do Chile, ao Opera Mundi, no mês passado, quando começaram a surgir os primeiros rumores sobre o plebiscito da Educação. 

Choque de posições

No primeiro dia de plebiscito, o Opera Mundi visitou um dos locais de votação na cidade de Temuco, 700 km ao sul de Santiago, um dia depois de a tropa de choque da polícia ter retirado à força dezenas de estudantes que ocupavam o campus da Universidad de la Frontera (Ufro), num violento confronto que terminou com 13 estudantes detidos.

Apesar do clima de tensão na universidade, na noite anterior, dezenas de chilenos compareceram às urnas desde a manhã de sábado.

Pablo Rojas, de 30 anos, foi um dos primeiro a depositar seu voto na urna do Colegio de Profesores de Temuco. “Participar em consultas públicas como esta é uma forma importante de encorajar os chilenos a dar sua opinião e participar das decisões importantes que o país precisa tomar. Num lugar com tantos recursos, é fundamental investir no nosso futuro e nosso futuro é a educação, especialmente a educação pública, gratuita e de acesso para todos”.

Eleitores que se opõem às mudanças também participaram do plebiscito. O professor aposentado Al Nabor Sepúlveda, de 68 anos, disse que “os estudantes estão há cinco meses apostando na via do confronto, sem se dar conta de que, com isso, minam as instituições democráticas, impondo uma visão de mundo que talvez não corresponda à vontade da maioria”. Sepúlveda diz que foi preso político durante a ditadura Pinochet e lamenta que “os mais jovens, hoje, não percebam como foi difícil construir a democracia no Chile”.

O resultado final do plebiscito será entregue pelo Colegio de Profesores ao presidente Sebastián Piñera, ao Ministério da Educação, à Câmara dos Deputados, ao Senado e à Corte Suprema de Justiça. O principal objetivo é fazer com que consultas populares como esta sejam reconhecias pela Constituição.

Entrevista com Camila Vallejo: "A militância é um compromisso para a vida"


Em entrevista publicada no site da União Nacional de Estudantes, a líder estudantil chilena, Camila Vallejo, fala sobre as manifestações em seu país em defesa de uma educação pública de qualidade e o sentido político mais profundo das maior mobilização social no país desde a ditadura do general Augusto Pinochet. "A militância é algo que vai muito além do meu tempo na universidade, é um compromisso para a vida, que sempre significará sacrifícios de toda espécie", afirma. Segue abaixo a entrevista:

Como foi sua aproximação com a política? Como passou a militar no movimento estudantil?

Desde muito jovem, minha família me formou com valores políticos de esquerda, como democracia e justiça social. Com esta sensibilidade à esquerda é difícil manter-se fora da política e dos espaços que permitem fazer a mudança, especialmente em uma sociedade tão desigual e injusta como a do Chile. Foi assim que me interessei em fazer parte da política, desde muito jovem. Tal vontade se acentuou com a entrada na faculdade, de onde, finalmente, veio a adesão à juventude comunista. A partir deste momento, comecei a ser uma parte ativa de um movimento que tem sido gestado com trabalho, empenho e companheirismo.

O movimento que se fortaleceu este ano é herdeiro da Revolução dos Pingüins em 2006? Quais são os elementos de continuidade e diferença?

Eu não o chamaria de um herdeiro, mas, certamente, possuem uma relação. Em 2006, quando eu era caloura na Universidade do Chile, estudantes do ensino médio foram capazes de instalar na agenda política de Bachelet a questão da educação, com demandas que acabaram sendo tão profundas como mudar o modelo educacional que nos foi dado desde a ditadura militar. A principal diferença entre este movimento, é que, agora, podemos ver todos os setores sociais mobilizados. No começo, o movimento surge essencialmente nos setores universitários, depois vai tomando conta e se espalhando por todo país se transformando em uma das maiores mobilizações desde o retorno à democracia no Chile.

Qual é o balanço que você pode fazer como presidente da Fech, a Federação dos Estudantes da Universidade do Chile, especialmente, nos últimos meses? Qual foi o estopim dessa nova onda?

Faria um balanço muito positivo. Por um lado, esta intensa mobilização nos impediu de avançarmos em alguns aspectos do nosso programa interno. Mas, os avanços que tivemos com a Fech são qualitativamente muito superiores ao ano anterior. Retomamos um papel importante para que os estudantes – e nossa Federação – voltassem a ser novamente atores políticos de importância nacional, cujas opiniões têm um impacto real nos debates históricos sobre a sociedade. Desta forma, temos reavaliado o valor da organização dentro de nossa própria universidade, transcendendo as barreiras estudantis e nos permitindo avançar e nos envolver ativamente nos debates. É preciso deixar para trás a ideia de que a política pertence a poucos, e se aproximar rapidamente de um cenário mais democrático a partir do qual poderemos construir e defender propostas pelas transformações que o Chile precisa.

A principal bandeira de luta é a educação de qualidade e gratuita para os jovens, certo? Como você enxerga o cenário ideal, levando em consideração a realidade de hoje no Chile?

É claro que a educação gratuita é uma ideia política que queremos instalar, mas sabemos que não será uma realidade em curto prazo. Antes de tal transformação, é necessário promover uma reforma tributária que impeça que a diferença socioeconômica entre ricos e pobres, hoje no Chile, se aguce. No entanto, lutamos contra um modelo essencialmente neoliberal, que vê a educação como um bem de mercado – como diz o próprio presidente do Chile – e não como um direito, visão intransigentemente defendida pela direita que chegou ao governo através de [Sebastian] Piñera. Esperamos mudar as raízes de um modelo educacional que nos mantém no subdesenvolvimento.

Neste momento, como estão as negociações com o governo, e quais são as principais conquistas do movimento?

Este governo tem se mostrado intransigente na hora de negociar sobre o modelo educacional que instalaram desde a ditadura militar. Não é só isso, tem se demonstrado disposto a levantar a face mais repressiva, não ouvindo as demandas legitimas e respaldadas por um movimento que as próprias pesquisas mostram ter uma aprovação superior a 80%. Até agora uma das grandes conquistas do movimento tem sido consolidar uma aprovação transversal e unificada na sociedade. Agora, depois de muitas pressões da nossa parte, estamos próximos de sentar à mesa e enfrentar cara a cara um diálogo com o presidente. Esperamos que neste espaço possamos avançar em questões concretas sobre nossas reivindicações. E que não voltem a faltar com respeito ao movimento, com uma soma de dinheiro cheia de ambigüidades, que não nos garante nenhum dos princípios que já defendemos nas ruas há três meses. 

Há quanto tempo a Universidade não é mais gratuita no Chile? Explique melhor a questão do endividamento dos alunos.

Desde a ditadura militar, que foi quando mudou o modelo educacional no Chile. O Estado deixou de ser responsável pela educação em todos os níveis e tem um papel meramente subsidiário, deixando o trabalho para o ensino privado, a quem também é concedido o direito de lucrar o dinheiro de todos os chilenos, sob o pretexto de garantir a "liberdade de ensino". Como hoje a educação não é concebida como direito, mas sim como um bem de consumo, para obtê-la é preciso pagar. E como as universidades públicas não recebem aportes do Estado para a altura dos seus orçamentos, elas têm sido forçadas a se envolver em auto-financiamento, o que significa em palavras simples, que o seu faturamento vem principalmente das taxas pagas pelas famílias. Neste contexto, as quantias necessárias para que as universidades possam realizar seu trabalho é muito mais alta em comparação aos rendimentos recebidos por famílias chilenas. Por isso hoje, basicamente, quem quer estudar tem que se endividar, porque somente uma pequena porcentagem da sociedade tem condições de pagar altos preços pelos estudos.

Quais são as outras questões do debate? Dentro do movimento estudantil estas questões já ultrapassaram a questão educacional?

Um movimento social desta magnitude exige ao governo e ao parlamento governar de acordo com as demandas que estão se defendendo nas ruas. Pode-se notar que a democracia no Chile não dá a possibilidade de se fazer uma sociedade verdadeiramente participativa. Desta maneira, surgem automaticamente demandas por mais democracia e reformas constitucionais relevantes para atingir esse objetivo, por exemplo, que nos permitam deliberar como nação por meio de um plebiscito vinculativo. Lembramos que a Constituição chilena foi feita durante a ditadura e sem o apoio da nação. Uma situação terrível para um país que se diz passar vinte anos vivendo em uma democracia.

Ocorreu no começo de agosto, no Uruguai, o 16 º CLAE, com a participação de milhares de estudantes de todo o Continente. Qual a sua opinião sobre um intercâmbio político mais eficaz entre os estudantes da América Latina?

Entendo que é absolutamente necessário. Os estudantes são atores políticos presentes na América Latina. Por isso, é claro que a nossa política deve convergir no mesmo sentido de que os diferentes países deveriam se alinhar em torno de demandas que, evidentemente, nos convocam por igual, dada as semelhanças de uma região em subdesenvolvimento, produto do capitalismo e da opressão que os EUA geram sobre nós até hoje. Instâncias como OCLAE devem ser muito mais presentes, tanto para estudantes como para todos os tipos de organizações latino-americanas. 

A UNE convidou você para a “Marcha dos Estudantes” brasileiros, que irá encerrar o "Agosto Verde e Amarelo", série de manifestações que defendem que 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal do Brasil sejam destinados para a educação. Vocês estão defendendo no Chile algo parecido com isso em relação ao cobre, não é?

Na quarta-feira chego a Brasília. De fato, há semelhanças nas reivindicações. O Chile é um país muito rico em recursos naturais, o que não condiz com os baixos níveis de habitação, saúde e educação, entre outros. Isso se deve, principalmente, à privatização dos recursos naturais, e a enorme condescendência que se tem este setor. Trata-se de compensação tributária. Quando exigimos um aumento substancial dos recursos públicos na educação, nos perguntam frequentemente “e onde obteremos esses recursos?” - do cobre, respondemos. Da nacionalização de nossos recursos naturais.

Sabemos que estuda Geografia. Em que período da formação você está? Você consegue conciliar os estudos e a militância?

Já sou graduada em Geografia e sem dúvida ser presidente da FECH significou um custo acadêmico que, desde a minha nomeação para o cargo, estive disposta a assumir. O trabalho político exige bastante tempo e dedicação, mas não inviabiliza o trabalho acadêmico na medida em que você se organiza. No entanto, a militância é algo que vai muito além do meu tempo na universidade, é um compromisso para a vida, que sempre significará sacrifícios de toda espécie. Obviamente, nem todo mundo está disposto a assumir isso, mas de minha perspectiva comunista, creio que não só vale a pena, como é imprescindível na luta por um país mais justo.

Após os primeiros protestos, a mídia manifestou com mais freqüência ou com maior ênfase, a questão da sua beleza física, em detrimento de suas qualidades e habilidades intelectuais. Isso te incomoda?

Esses tipos de ataques vieram principalmente dos setores de direita, que têm o domínio da grande maioria dos meios de comunicação e, em minha opinião, representam uma estratégia bastante covarde, baixa e, sobretudo, fracassada, para desacreditar um movimento que hoje está mais forte do que nunca. Me parece que ainda há meios essencialmente machistas e misóginos que tentam fazer disto um tema. O movimento, a sociedade e o Chile têm sido capaz de avançar, valorizando muito mais clareza de conteúdo e a transversalidade do apoio, do que aquilo que eles chamam de "um rostinho bonito". Como eu disse por meio de outros meios, parece-me um despropósito argumentar que, com os níveis de organização, solidez e transversalidade do debate sobre educação e democratização no Chile, a aparência física ainda seja assunto.

Entrevista realizada por Rafael Minoro e Patricia Blumberg para o site da UNE.

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A rebelião estudantil no Chile



Rebelião no Chile: Movimento dos estudantes ganha apoio e marca novas manifestações

Por Bárbara Mengardo

Santiago está em ebulição. Em todos os cantos da capital chilena, a qualquer hora é possível encontrar pixações, eventos culturais e atividades de apoio às manifestações que se estendem há três meses por todo o país, e não se limitam mais às demandas dos estudantes.

O movimento cresceu tanto, e tem tanto apoio popular (o jornal La Tercera, que há meses tenta esconder e desqualificar as movimentações, publicou matéria no último sábado afirmando que 76% da população chilena apóia os protestos), que é impossível saber com exatidão quais atividades vão ocorrer pela cidade.

A praça Ñuñoa, localizada a mais ou menos meia hora do centro de Santiago, em um bairro de classe média, é palco todas as noites de manifestações e confrontos com os carabineiros. Cerca de 3.000 pessoas se deslocam diariamente ao local para participar de panelaços e, geralmente, são recebidos pela polícia que se utiliza de gás lacrimogênio e jatos fortes de água para tentar interromper as atividades.

Esses carros que descarregam água na multidão foram apelidados pela população de Guanacos, que são animais parecidos com Lhamas que vivem nos Andes, e costumam a cuspir nas pessoas. Catalina Gamboa, estudante secundarista que acompanhava uma das manifestações na praça Ñuñoa, explica que o líquido expelido pelos Guanacos da polícia não é apenas água “Quando isso cai no rosto arde. Fizeram algumas análises e viram que tinham fezes nessa água”.

Nos sites das Federações de estudantes brotam relatos de casos de extrema violência policial aplicada pelos Carabineiros. O portal da Federação de Estudantes da Universidade de Valparaiso postou a história de um estudante de História que foi pego por policiais enquanto observava um confronto e levado para um ônibus, onde foi violentamente golpeado.

As agressões resultaram em uma grave fratura nasal, e o estudante necessitou de uma cirurgia. Quando viu a gravidade do machucado, um dos policiais, conta o site, perguntou: “O que se passou filho, porque está sangrando?” o garoto respondeu que eles o haviam agredido, e ouviu a resposta “Nós não batemos em ninguém, você sozinho bateu em uma porta”.

As manifestações, entretanto, não estão presentes apenas nos bairros mais ricos da cidade. Ocupações em universidades e colégios de ensino médio e fundamental se estendem também pela periferia. Estudantes estimam que cerca de 700 colégios estejam ocupados, 200 deles só na capital.

Já no ensino superior ninguém soube dizer quantas ocupações estão em andamento no Chile. Sabe-se que todas as universidade chamadas tradicionais, que foram criadas até a década de 1960 e eram gratuitas até o regime ditatorial de Augusto Pinochet (1973-1990), estão ocupadas ou paralizadas. Andando pelas ruas de Santiago, entretanto, é possível se deparar com dezenas de universidades públicas ou privadas cujos portões estão bloqueados por cadeiras ou os muros estão cobertos com cartazes com dizeres como “fim ao lucro”.

Isso porque, na educação superior chilena, o lucro foi proibido durante a ditadura, com uma lei que instituía que todas as universidades, públicas ou privadas, seriam pagas, mas não poderiam obter lucro.

Atualmente, todas as universidades chilenas são pagas, e a maioria recebe ajuda financeira do governo. Neste cenário, muitos donos de universidades acharam brechas na lei, e obtém muito lucro com as instituições de ensino. É comum que os integrantes dos diretórios acadêmicos, que estão acima dos reitores, possuam também imobiliárias, e repassem dinheiro a partir de obras superfaturadas.

O fim do lucro se tornou uma das principais reivindicações dos estudantes que começaram a realizar marchas e manifestações desde junho. A esse ponto somaram-se muitos outros, sendo um dos principais a educação gratuita e de qualidade que, para todos os atores do movimento que já é conhecido como “inverno chileno”, deve acompanhar uma reforma integral da educação no país.

Sobre o assunto, a Federação dos Estudantes da Universidade do Chile, que tem sido muito ativa durante as manifestações, afirmou em um documento onde reúne todas as pautas do movimeno estudantil: “Nos une a firme convicção de que a educação é um componente essencial para alcançar um novo projeto histórico de desenvolvimento democrático que tanto anseia o país para superar as escandalosas brechas de desigualdade que presenciamos hoje. Desta forma, foi exposta a necessidade urgente de recuperar a educação como um direito social e humano universal que deve ser garantido pela Constituição Chilena.”

Outras demandas importantes são a criação de um novo sistema de financiamento, pois o atual faz com que cerca de 40% dos estudantes deixem as universidades endividados e a desmunicipalização da educação, já que Pinochet desmantelou o Ministério da Educacao, passando a responsabilidade administrativa e financeira para as comunas, que, grosso modo, podem ser comparadas a subprefeituras. Esse sistema faz com que a distribuição de verbas seja desigual entre as comunas.

Atualmente, entretanto, não são só os estudantes que pautam suas reivindicações. No dia 8 deste mês, os trabalhadores do Banco de Santiago começaram uma greve por reajustes salariais, e nos últimos meses ocorreram também paralisações de mineiros e taxistas.

Um hospital público de Santiago, Posta Central, interrompe suas atividades toda vez que ocorrem marchas, e são convocadas também panelaços nos quais muitos adultos e idosos batem panelas para manifestar seu apoio aos estudantes.

Até agora, o governo ainda não apresentou nenhuma proposta satisfatória para os manifestantes. A última tentativa, de estabelcer uma mesa de diálogo com o Congresso, foi rechaçada pelos estudantes universitários, mas bem vista pelos secundaristas. Muitos setores que compõem a ala universitária do movimento acreditam que a melhor solução para o impasse colocado é a realização de um plebiscito, e não veem essa mesa de diálogo como capaz de realizar a mudanca estrutural que desejam.

Desta forma, seguem as mobilizações no Chile, e já está fechado um calendário nacional de mobilizações para as próximas semanas. No dia 16 está marcada uma “velaton”, e todos que apóiam o movimento devem colocar velas em suas janelas. Na quinta, dia 18, acontecerá uma jornada de protesto nacional, e estão marcadas marchas e panelaços. Nos dias 24 e 25 haverá uma greve geral, puxada pela CUT (Central Unitária dos Trabalhadores do Chile).

Em Santiago, está marcado um bem humorado protesto na Praça das Armas, no qual todos deverão se reunir para fazer um grande “iiiiiiiii” pela educação, fazendo referência ao prefeito da comuna de Santiago, Pablo Zalaquett, que, devido a um tique, utiliza essas vogais no meio de suas frases.

O governo também se diz preocupado com a possibilidade dos estudantes perderem o ano. Quanto a isso, Patricio Perez, 16 anos, estudante de um colégio ocupado, responde com uma frase que muito está se ouvindo: “Perder o ano, mas ganhar o futuro”.
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MalEducados! Mobilizações estudantis no Chile em documentário


MalEducados! from Katari on Vimeo.

Em MalEducados! as grandes mobilizações estudantis no Chile que estão abalando o Governo Piñera, suas políticas neoliberais e os problema da educação chilena são retratadas em um ótimo documentário realizado pela Telesur.


Áudio em espanhol.

Dirigido por Diego Marin Verdugo
youtube.com/​my_videos?feature=mhee
vimeo.com/​diegomarinverdugo/​videos

Editado por Tomás Anguita
montondearte.com
tomasanguita.com
katariaudiovisual.com


Lula participará do 52º Congresso da UNE em Goiânia



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja na quarta-feira, dia 13 de julho, para Goiânia onde participará, na manhã de quinta-feira (14), do 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Também estará presente o ministro da Educação, Fernando Haddad. Nessa data também acontecerá o IIº Encontro Nacional do ProUni (Programa Universidade para Todos).

Além da participação no congresso, o ex-presidente irá se reunir com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), e visitará, na tarde de quinta-feira, a cidade de Aparecida de Goiás, onde irá se encontrar com o prefeito Maguito Vilela (PMDB).

Para mais informações acesse o site da UNE: http://une.org.br/

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Eleições para o DCE da PUCRS deverão ocorrer em novembro



Depois de muitos anos sem eleições democráticas, agora é oficial: em reunião da direção da PUCRS foi acertado que deverão ocorrer eleições democráticas ainda este ano para o DCE, com o apontamento para o mês de novembro de 2011. Uma inquestionável vitória do movimento de oposição unificada da PUCRS, denominado 89 de junho, e a todas e todos aqueles que, como este humilde blogueiro, se solidarizaram e tentaram, de alguma forma ajudar para que este momento fosse possível.
Ainda não é momento para dispersão do movimento, até o momento da eleição do DCE  a postura vigilante deve permanecer. Mas é um inegável, até para aqueles mais céticos, que o caminho para a redemocratização do movimento estudantil na PUCRS é incontornável. Isolado politicamente, perdendo o respaldo junto a reitoria, só resta ao grupo que tem se perpetuado a frente do DCE aceitar a derrota de suas práticas antidemocráticas e convocar as eleições.
Abaixo segue a notícia publicada no blog do movimento 89 de junho:


Em reunião que ocorreu na manhã desta sexta-feira (24) no prédio 40 da PUCRS, o grupo de trabalho que vem discutindo os rumos de representação estudantil na PUCRS decidiu: as eleições para o DCE da PUCRS ocorrem no mês de novembro de 2011, caso não ocorra, a atual gestão do DCE da PUCRS será automaticamente destituída. Além da data em que ocorrerão as eleições para o DCE da PUCRS, outros três eixos foram debatidos. O primeiro aponta o repúdio aos atos violentos envolvendo questões relacionadas a PUCRS. O segundo ponto visa o melhoramento na logística do processo eleitoral “transparência, publicidade, debates…” no terceiro ponto indica a possibilidade da participação de órgãos externos na condução das eleições para qualquer unidade de representação estudantil na PUCRS. Por fim, o quarto e mais importante eixo de discussão da reunião de hoje dá fim aos impasses e confirma para o mês de novembro de 2011, as eleições para o Diretório Central dos Estudantes da PUCRS.
Leia na íntegra o 4º item debatido na reunião que ocorreu na manhã desta sexta-feira (24):
A universidade deixará de reconhecer a legitimidade de representação da atual direção do DCE da PUCRS a partir de 1º de dezembro de 2011, caso não sejam realizadas as eleições para o DCE da PUCRS em novembro de 2011, com a posse dos eleitos em 1º de janeiro de 2012.
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