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TV Globo, sonegação e negócios obscuros


Tentativa de burlar Fisco parece clara. Mas emissora pagou multa ou tentou driblá-la? E pagou suborno a Havelange e Teixeira?
Não apenas multinacionais norte-americanas e europeias sonegam impostos de seus países por meio de operações fictícias realizadas na economia clandestina. Também a Globo, nossa “vênus platinada”, usou o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas para “disfarçar” a compra dos direitos exclusivos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 sob a rubrica contábil de “investimentos e participação societária no exterior”.
Apanhada pelo Fisco, a emissora teria sido obrigada a desembolsar, em 2006, cerca de 615 milhões de reais (274 milhões de multa, 157 mi de juros de mora e 183 mi de impostos não pagos). Depois de ver a notícia sobre o auto de infração vir a público – por investigação do repórter e blogueiro Miguel do Rosário – a Globo afirmou semana passada, em nota oficial a Ricardo Feltrin, colunista do UOL, ter feito o pagamento – sem contudo admitir que sonegou.
“Todos os procedimentos de aquisição de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela TV Globo deram-se de acordo com as legislações aplicáveis, segundo nosso entendimento. Houve entendimento diferente por parte do Fisco”, informou a emissora. De fato, o entendimento da Receita Federal foi outro: “A pessoa jurídica realizou operações simuladas, ocultando as circunstâncias materiais do fato gerador de imposto de renda na fonte”, afirma página do processo 18471.001126/2006-14, obtida por Rosário.

Para FIFA, somos todos corruptos

Ricardo Teixeira e João Havelange foram denunciados por esquema de R$ 45 milhões em subornos 


Por Jamil Chade

Eu, você, minha avó e mesmo um recem formado cheio de sonhos ainda. Para a Fifa, não há diferença. Somos todos corruptos e equivalentes a “Teixeiras” e “Havelanges”.
Hoje, o Tribunal da cidade suíça de Zug publicou seu processo contra os cartolas brasileiros. R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos. Mas o que mais surpreende no documento não são os valores ou a constatação da obviedade da corrupção que envolvia Havelange em seu reinado.
Em um dos trechos, o tribunal relata como os advogados da Fifa tentavam convencer os juizes em uma audiência de que não viam problemas com a atitude de Teixeira e Havelange e alegavam que a proposta da Justiça de que os cartolas devolvessem US$ 2,5 milhões para os cofres da organização seria impossível de ser implementada. Entre os vários motivos para não pedir o dinheiro de volta, os advogados da Fifa apresentaram um argumento surpreendente: o de que a “maioria da população” de países da América do Sul e África tem nos subornos e propinas parte de sua renda “normal”
Cito o trecho completo do argumento dos advogados da Fifa para não ficar dúvida: “Os representantes legais da Fifa são da opinião ainda de que implementar a devolução do dinheiro seria quase impossivel. Eles justificam isso, inter alia, com o argumento de que uma queixa da Fifa na América do Sul ou África dificilmente seria aplicada, já que pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população”.
Ou seja, Teixeira não devolveria o dinheiro porque, em nossa suposta “cultura”, todos temos parte da renda completada por subornos.
Não vamos confundir as coisas. A corrupção existe e é endêmica em nossa região e no Brasil, assim como na África. Mas também existe na civilizada Suíça, na gigante Siemens da Alemanha ou nos EUA.
O que une a muitos hoje em nossa região não é o fato de que recebemos um pedaço de nosso salário em forma de subornos, como insinua a Fifa. O que nos une é hoje a indignação diante dessa realidade e o fato de estarmos exaustos de ver dinheiro público enriquecendo certas pessoas.

Joseph Blatter: o atual "chefe" da FIFA
Querer agora justificar a dificuldade em receber o dinheiro de volta alegando que somos todos assim não é apenas surpreendente como argumento legal, mas uma ousadia que o tribunal simplesmente não aceitou e chegou a ironizar. A entidade sempre soube da corrupção e mesmo Joseph Blatter era o braço direito de Havelange. E a única atitude que tomou foi a de abafar os casos cada vez que surgiam.
Quando Jerome Valcke sugeriu que o Brasil recebesse um “chute no traseiro” pelos atrasos na Copa, ele tinha razão no conteúdo, mas não nas palavras usadas. Um vice-presidente do COI chegou a me dizer que a Fifa havia sido “racista” ao fazer o comentário do “chute no traseiro”, adotando um ar de superioridade. Na época, achei que ele exagerava e que não havia lugar para racismo escancarado assim. Mas lendo agora o comentário dos advogados diante de um tribunal, começo a pensar que ele poderia ter razão.

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O que muda com a renúncia de Ricardo Teixeira na CBF?


Ricardo Teixeira, o "poderoso chefão" da cartolagem do futebol, finalmente renunciou à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), segundo carta do dirigente à entidade divulgada nesta segunda-feira. Ele também deixa o comando do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014.
"Deixo definitivamente a presidência da CBF com a sensação de dever cumprido", escreveu Teixeira em carta lida nesta segunda-feira por José Maria Marin, que ocupava a vice-presidência da confederação para a Região Sudeste e assume o comando da CBF.Teixeira havia pedido licença médica da CBF na quinta-feira passada, sem informar por quanto tempo. Marin estava, desde então, na presidência da CBF.
Desde fevereiro que rumores sobre o afastamento de Teixeira, que comanda a CBF desde 1989, vinham ganhando força. A maré de denúncias de corrupção, aliadas ao crescente descontentamento popular e uma postura firme da Presidenta Dilma em não conceder nenhuma regalia para Teixeira (ilustra isso o fato de Teixeira jamais ter reunido com Dilma),  deixaram o cartola em uma situação extremamente frágil e insustentável. Apenas o apoio da Globo e de seus demais comparsas não eram suficientes para segurar sua permanência na entidade.
No entanto, que mudanças podemos esperar nos rumos da CBF? Parafraseando Giuseppe di Lampedusa, em sua célebre frase no romance O Leopardo, na CBF "as coisas precisam mudar para continuar as mesmas". A curto prazo, nada irá mudar. A médio e longo prazo existe alguma chance, mas julgando pelo histórico de José Maria Marin, o novo presidente da CBF, tudo deverá seguir dentro da "normalidade" da entidade, ou seja, os velhos esquemas devem permanecer intocados.

Marin, que já foi jogador de futebol, foi governador "biônico" do estado de São Paulo durante o período da ditadura militar (na foto acima, Marin junto com seu padrinho político, Paulo Maluf, na época da ditadura) e, posteriormente presidiu a Federação Paulista de Futebol.
No inicio deste ano foi flagrado colocando no bolso uma medalha da premiação da Copa SP de futebol Júnior (imagem ao lado). Este episódio rendeu ao cartola o inglório apelido de "Zé das Medalhas".
Agora, no comando da CBF, ao que tudo indica, Marin terá maior facilidade para "guardar" premiações ainda maiores em seus bolsos.
Com este histórico, pela forma nada transparente com que é gerido os negócios relacionados ao futebol brasileiro, fica mais do que evidente que nada irá mudar com a saída de Ricardo Teixeira e o ingresso de Marin. Quem irá pagar essa conta? Mais uma vez o torcedor brasileiro.
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Campanha "Fora Ricardo Teixeira" ganha força nos estádios



As torcidas prometeram e cumpriram. Neste domingo (28), houve protestos nos estádios do Brasil contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Os torcedores dos principais times do Campeonato Brasileiro distribuíram panfletos e levaram faixas e cartazes pedindo a saída do cartola do comando da entidade máxima do futebol nacional.


Todos os clássicos realizados às 16h contaram com manifestações pacíficas contra o dirigente. As torcidas abusara da criatividade. No Gre-Nal, os colorados levaram letras que formaram o pedido de saída de Ricardo Teixeira.



No Engenhão, no duelo entre Flamengo e Vasco, muitos cartazes dos dois lados das arquibancadas apareceram, enquanto em Presidente Prudente, no confronto entre Palmeiras e Corinthians, a torcida alviverde fez lindo mosaico pedindo para que Ricardo Teixeira deixe a presidência da CBF.

Entenda melhor o protesto

A Conatorg (Confederação Nacional das Torcidas Organizadas) imprimiu 120 mil panfletos com o título “Copa do Mundo no Brasil com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira”.

No texto, distribuído nos estádios, os torcedores pedem que a transparência seja o foco da entidade que rege o futebol nacional. O panfleto começa com os seguintes dizeres.

- As Torcidas Organizadas de todo o país vêm a público manifestar o seu repúdio sobre as denúncias feitas contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Em junho, 27 Torcidas aprovaram a campanha Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira.

O presidente da Conatorg, Wildner Rocha, que também é membro da torcida corintiana Gaviões da Fiel, é um defensor da saída de Ricardo Teixeira e quer uma mudança no quadro político do futebol brasileiro.

- O preparo do manifesto está em andamento e o material, em término. Todos os Estados estão mobilizados. As motivações que nos levaram a se posicionar assim são as duas CPIs contra o Ricardo Teixeira, uma série de denúncias, o balcão de negócios que virou a CBF. Também queremos uma nova regulamentação da CBF e possivelmente uma nova administração na CBF.
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#caiforaricardoteixeira: Twitaço pede a saída de Ricardo Teixeira



Quarta-feira (27/07), a campanha pela saída do Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, atingiu seu ápice, dominando o Twitter como o assuntos mais comentado, com a hashtag #caiforaricardoteixeira liderando o Trending Topics do Brasil, figurando no TT mundial.

O protesto contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) começou na madrugada de terça para quarta-feira, promovido pelo perfil@foraoficial e pelo site www.foraricardoteixeira.com.br.

De acordo com os organizadores, o termo ascendeu nos TTs Brasil e chegou a ocupar a liderança dos trending topics no mundo no início do dia para, subitamente, sair da lista de assuntos mais discutidos.
Aos internautas que pediram explicações, por meio do serviço de ajuda do Twitter, a administração do microblog afirmou que a tag foi identificada como spam por seus serviços de monitoramento automático.
Muitos internautas teriam publicado seguidamente a tag #foraricardoteixeira num mesmo tuíte e a replicado várias vezes. Essa tática de flood é interpretada pelos filtros do microblog como uma forma de tentar manipular a lista de TTs, o que levou o serviço a banir a tag.
A reação da comunidade de usuários foi imediata e logo termos como #foraoficial, #adeusRT e #OutRicardo Teix passaram a reunir as mensagens de protesto contra Teixeira.
Com 22 anos na presidência da CBF, Ricardo Teixeira sofre diversas acusações de corrupção e, com mãos de ferro, controla e define os rumos do futebol brasileiro. Questionável  (para dizer o mínimo) também é o fato de Teixeira acumular as funções de presidente da CBF e dominar o COL, comitê responsável por organizar a Copa de 2014 no Brasil.  Recomendo a leitura da reportagem publicada na revista Piauí (acesse aqui) para conhecer mais sobre o "Dom Corleone" do futebol. 
Mas Ricardo Teixeira certamente não esta nem um pouco preocupado com a rejeição da torcida com a sua condução da CBF. Como ele diz, se "não der no Jornal Nacional" não existe e não tem problema. Como sabemos das "relações íntimas" entre a Globo e Ricardo Teixeira, é de se deduzir que nenhuma linha a respeito do protesto será noticiado.
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Ricardo Teixeira é citado em escândalo sobre mercado negro de ingressos



Segundo jornal norueguês, presidente da CBF se encontrou com representante de empresa Euroteam considerada 'inimiga da Fifa' envolvida com o mercado negro de ingressos. Evidente que, sobre mais esta denúncia de maracutáia envolvendo o "Poderoso Chefão" do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, nada foi noticiado (com o devido destaque) pelos "jornalões" do PIG.


Por LANCEPRESS!

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve seu nome envolvido em mais um escândalo - desta vez, relacionado ao mercado negro de ingressos. O jornal norueguês "Dagbladet" revelou nesta segunda-feira que o dirigente brasileiro se reuniu no fim de 2009, na África do Sul, com um representante da Euroteam, empresa que revende entradas para eventos esportivos e culturais.

A companhia atua como uma espécie de cambista: compra ingressos e os revende a preços superiores. A Euroteam, inclusive, já foi acusada de adquirir entradas através de membros da Fifa, que as conseguem sem qualquer custo.

Além de Teixeira, o presidente da Conmebol, Nicolas Leóz, também esteve com um representante da empresa norueguesa. Os dois fazem parte do Comitê Executivo da Fifa. De acordo com o "Dagbladet", o funcionário da Euroteam deixou claro para ambos o que fazia e quais eram suas intenções.

Este teria sido o primeiro encontro do representante com Teixeira. Leóz já o conhecia de outra oportunidade.

A Euroteam foi apontada pela Fifa como sua principal inimiga no mercado de ingressos. Leóz, no entanto, demonstrou ter relação cordial com a companhia, segundo diálogo revelado pelo "Dagbladet".

- Ingressos? - perguntou o mandatário da Conmebol ao receber um convite do representante da empresa para um almoço.

O "Dagbladet" entrou em contato com a Euroteam para saber o propósito dos encontros. Perguntado se os dirigentes venderam ingressos, o representante da empresa disse que não comentaria e riu.

Procurados pelo diário norueguês, Ricardo Teixeira e seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, não quiseram explicar o motivo do encontro com a Euroteam. Fifa e Leóz também não comentaram o assunto.

Escândalo em 2009
Em janeiro do ano passado, o mesmo "Dagbladet" revelou que o presidente da Concacaf, Jack Warner, fez negócios com a Euroteam em 2009. O dirigente pediu ingressos da Copa do Mundo à Fifa e os repassou para a empresa, em troca de parte dos lucros. No entanto, ele nunca foi pago.

O caso chegou a ser investigado pela Fifa. Durante reunião do Comitê de Ética da Fifa, na mesma época da denúncia, a relação entre Warner e Euroteam foi debatida, mas não houve qualquer punição.

Mais denúncias
Ricardo Teixeira foi citado em outros escândalos recentemente. O canal de televisão inglês BBC revelou no ano passado que o brasileiro recebeu suborno da extinta empresa de marketing ISL para apoiá-la na negociação de direitos de TV da Copa do Mundo.

A mesma emissora também afirmou que Teixeira chegou a admitir à Justiça suíça que recebeu, mas devolveu o dinheiro da ISL. A Fifa está sendo pressionada para divulgar os documentos que comprovam este e outros casos de suborno.

Em maio, Lorde Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), acusou Teixeira de ter pedido presentes em troca de seu voto na eleição para escolha da sede do Mundial de 2018. O brasileiro, através da CBF, negou o caso. A Fifa também inocentou o dirigente da acusação.
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BBC aponta Ricardo Teixeira envolvido em esquema de corrupção


O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, é alvo de uma nova denúncia de corrupção. Além das gravidades das denúncias, chama a atenção o silêncio midíatico sobre este grave caso, este silêncio, pela importância que tem o futebol no Brasil é injustificável e escancara as ambíguas (para dizer o mínimo) relações entre a grande mídia e o "Don Corleone" do futebol brasileiro.

AS denúncias não são novas, documentos obtidos com exclusividade pela Agência Estado de uma corte na Suíça confirmam que cartolas da Fifa admitiram que receberam subornos milionários nos anos 90. A informação foi revelada em audiências diante do juiz da cidade de Zug, em um caso fechado no ano passado. “Nos procedimentos, os acusados negam responsabilidade criminal, mas não o recebimento dos fundos”, afirmou um dos documentos do Tribunal. A corte se recusa a dizer quem seriam os envolvidos, já que um acordo extra-judicial encerrou o processo.

Mas, ontem, a BBC colocou no ar um programa que revelou que os envolvidos seriam o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange. Ambos, segundo a tevê pública britânica, teriam fechado um acordo para impedir a publicação dos nomes dos envolvidos. A revelação foi ao ar enquanto Joseph Blatter, presidente da Fifa, insistia em discurso no Japão que a entidade era “limpa”. Em uma semana, ele enfrenta eleições na entidade e no centro do debate estarão as repetidas suspeitas de corrupção que envolvem a entidade.

Qual será o desenrolar destas novas e importantes revelações que vieram a tona é a grande questão. Esperamos, ainda que sem grandes esperanças, que sirvam para moralizar as corrompidas estruturas políticas do futebol.

Abaixo segue a matéria da BBC:


Ricardo Teixeira, Issa Hayatou e Nicolas Leoz/AFP
Teixeira, Hayatou e Leoz teriam recebido pagamentos de empresa
A Fifa está impedindo a divulgação de um documento que revela a identidade de dois dirigentes da Fifa que foram forçados a devolver dinheiro de propinas em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suíça no ano passado.
Uma reportagem do programa de televisão Panorama, da BBC, apurou que um dos dois dirigentes é o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que integra também o Comitê Executivo da Fifa.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, que tentará ser reeleito para o cargo no próximo dia 1º de junho, declarou recentemente a adoção de uma política de "tolerância zero" para casos de corrupção.
No entanto, advogados que atuam em nome da Fifa estão contestando a decisão de um promotor de Zug, cidade no nordeste da Suíça, que determinou a divulgação de detalhes do caso.
O acordo encerrou uma investigação sobre propinas pagas a altos dirigentes da Fifa na década de 1990 por uma empresa de marketing esportivo, a ISL (International Sports and Leisure).
Até sua falência em 2001, a ISL comercializava os direitos de televisão e os anúncios publicitários da Copa do Mundo para anunciantes e patrocinadores.
Empresa de fachada
No ano passado, o Panorama acusou três integrantes do Comitê Executivo da Fifa, que escolhem as sedes das Copas do Mundo, de receber propinas da ISL. Além de Teixeira, foram citados o paraguaio Nicolas Leoz e o camaronês Issa Hayatou.
Pagamentos feitos aos três dirigentes - no caso do brasileiro, a uma empresa ligada a ele - estavam em uma lista secreta obtida pelo Panorama de propinas pagas a dirigentes esportivos pela ISL em um total de US$ 100 milhões.
A lista de pagamentos incluía uma empresa de fachada em Liechtenstein, chamada Sanud, que recebeu um total de US$ 9,5 milhões.
Uma investigação do Senado brasileiro em 2001 concluiu que Teixeira tinha uma relação muito próxima com a empresa. O inquérito descobriu que fundos da Sanud haviam sido secretamente desviados para Teixeira por meio de uma de suas companhias.
Eleição
O jornalista suíço Jean François Tanda, que requisitou a divulgação de detalhes do acordo na Justiça, diz que a Fifa está atrasando a liberação do documento ao "esticar os prazos, um após o outro".
"A meta agora é evitar que a decisão seja divulgada antes do fim de maio ou do começo de junho", quando a eleição para presidente da Fifa será realizada, diz Tanda.
Além de Ricardo Teixeira, a investigação do Panorama cita o ex-presidente da Fifa João Havelange e conclui que a decisão da promotoria suíça ao encerrar o caso também aponta que a Fifa falhou em coibir o pagamento de propina.
Blatter teria conhecimento de casos de propinas pagas a colegas do Comitê Executivo da Fifa pelo menos desde 1997, quando um suborno de US$ 1 milhão destinado a Havelange, então presidente da Fifa, foi enviado por engano para a entidade.
Tanto Ricardo Teixeira como João Havelange se recusaram a responder perguntas feitas pela BBC. A Fifa se recusou a comentar alegações específicas e se limitou a reafirmar que, em relação ao acordo com a promotoria suíça, o caso está encerrado.

Ricardo Teixeira é vaiado no Prêmio Craque do Brasileirão



Essa a Globo não mostrou: presidente da CBF foi recebido com protestos quando subiu ao palco

Parece que a popularidade do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não anda tão bem assim. Envolvido em denúncia revelada pelo LANCE! de que, como pessoa física, ele pode embolsar todo o lucro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa-2014, Teixeira foi recebido com uma sonora vaia no palco do Theatro Municipal, quando foi discursar na abertura do Prêmio Craque do Brasileirão-2010.
A Rede Globo, em sua cobertura "imparcial", evidentemente não mostrou nada.

Além da denúncia do LANCE!, ele também estaria envolvido no recebimento de R$ 16,3 milhões de uma empresa suíça, hoje falida, em troca do direito de explorar o marketing da Fifa (saiba mais aqui).

"A Fifa hoje se parece com a Máfia" segundo o jornalista inglês Andrew Jennings



Andrew Jennings não é um jornalista esportivo, e sim um repórter investigativo. Um dos melhores na Inglaterra, isso é testemunhado por décadas de colaboração com os principais jornais britânicos e a BBC. Mas principalmente é o pesadelo de Sepp Blatter e da Fifa, aos quais dedicou um livro, Foul! The Secret World of Fifa: Bribes. Vote-rigging and Ticket Scandals (em livre tradução, Falta! O Mundo Secreto da Fifa: Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos), publicado em 2006.
Por Paolo Manzo em Carta Capital
CartaCapital: Por que o senhor é o único jornalista do mundo com acesso proibido nas entrevistas à imprensa com Blatter?
Andrew Jennings: Porque há anos procuro em vão ter respostas do chefe da Fifa sobre corrupção e propinas, baseado em muitos documentos "confidenciais". Com muita probabilidade cansou-se de não responder e preferiu condenar-me ao ostracismo, o que de certa forma me deixa orgulhoso. Quer dizer que mister Blatter tem medo das minhas perguntas.

CC: Em quanto importa, segundo o seu parecer, a quantia das propinas pagas pela Fifa nos últimos 20 anos?
AJ: Segundo estimativa do tribunal de Zug, na Suíça, o valor, limitado apenas aos anos 90, é estimado em aproximadamente 100 milhões de dólares. Todo esse dinheiro acabou nos bolsos dos funcionários esportivos que estavam sob contrato, quase todos eles com a Fifa.

CC: Quando o senhor começou a recolher as primeiras provas da corrupção?
AJ: Trabalhei durante anos sobre o tema corrupção na Fifa, juntamente com um colega alemão. As nossas suspeitas eram fortíssimas, mas não tínhamos provas porque a ISL, a sociedade que geria antes o marketing e em seguida os direitos de tevê da Fifa, era uma companhia fechada. Impossível receber informações transparentes sobre suas operações de balanço. Todavia, quando faliu de forma fraudulenta, seus livros contábeis foram olocados à disposição dos curadores falimentares, bem como dos tribunais. E foi justamente nos tribunais que tivemos a confirmação, com provas, daquilo que suspeitávamos, mesmo se a realidade superava a nossa imaginação.

CC: A corrupção na Fifa como e quando começou?
AJ: Em 1976, o então presidente da entidade, o britânico Sir Stanley Rous, foi deposto. Ninguém podia corromper Stanley. Em seu lugar entrou o brasileiro João Havelange, que era muito corrupto. Foi ele quem inaugurou o "sistema", recebendo propinas via ISL.

CC: Sua afirmação é grave. Ela se baseia em quê?
AJ: Em testemunhos que recolhi de ex-integrantes da Fifa, altos dirigentes. E em documentos.

CC: Havelange chega e traz Ricardo Teixeira. Com qual resultado?
AJ: Um boom de corrupção. A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas. No decorrer da transmissão do programa Panorama, da BBC, perguntei em três ocasiões a Sepp Blatter o que ele sabia sobre as propinas embolsadas por Havelange e ele sempre ficou calado. Pedi também informações de uma específica propina, mas também neste caso Blatter fez cena muda.

CC: De qual propina se tratava?
AJ: De 1 milhão de francos suíços que deveriam acabar nos bolsos de Havelange. Por um erro foram depositados numa conta da Fifa, provocando o pânico entre os dirigentes honestos da organização. Posso garantir que havia três pessoas numa sala da Fifa quando chegou aquele pagamento: Sepp Blatter e outros dois altos dirigentes. Falei com estes, que me confirmaram que o destinatário da propina era Havelange. Um dos dois entregou uma declaração oficial e assinada aos advogados da BBC, na qual afirmava que, em caso de processo por parte da Fifa contra mim e a BBC, ele compareceria no tribunal para confirmar que o pagamento era para Havelange. O mesmo, porém, pediu para não ser citado na reportagem que foi divulgada pela BBC, e que qualquer um pode apreciar na internet.

CC: O pagamento teria sido feito por quem?
AJ: Pela ISL, no início de 1998.

CC: E o que há em relação a Teixeira?
AJ: Bastaria olhar os documentos da acusação criminal depositados à margem do processo de Zug. Em relação aos depósitos feitos pela ISL, há um para a Renford Investment Ltd, sociedade controlada por Havelange e Teixeira.