O misterioso assassinato de Eliseu Santos



Por Marco Aurélio Weissheimer

O ex-vice-prefeito e secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos (PTB), morto a tiros na noite desta sexta-feira (26), estava muito tenso nos últimos dias, relataram amigos e companheiros de partido. O crime aconteceu um dia depois de Eliseu Santos depor na Polícia Federal que investiga o desvio de recursos do Programa Saúde da Família em Porto Alegre (Operação Pathos). Em maio de 2009, Santos esteve envolvido em outra polêmica envolvendo sua gestão na Secretaria da Saúde de Porto Alegre. Ele teria recebido ameaças de morte neste período.




A empresa Reação, que prestava serviço de segurança para a Secretaria da Saúde, denunciou que o ex-coordenador da assessoria jurídica da Secretaria, Marco Antônio de Souza Bernardes, do PTB, teria exigido dinheiro para prorrogar o contrato com a empresa. Segundo o diretor administrativo da empresa, Renato Mello, Bernardes teria cobrado, em nome do secretário Eliseu Santos, valores entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, dinheiro que seria utilizado na campanha do secretário a deputado federal. Bernardes negou as acusações, mas foi exonerado logo após a denúncia. O secretário Eliseu Santos também negou, dizendo que iria processar criminalmente quem tivesse usado seu nome para “justificar uma falcatrua”.

Quem são eles, afinal?

 


Olhando para esta foto, você diria que os rapazes engravatados que posam ao lado da governadora Yeda Crusius são…
A) …a ala mirim da seção gaúcha do movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP)
B) …jogadores da equipe juvenil de pólo do Jóquei Clube do RS
C) …um grupo de jovens empresários europeus em visita ao Estado
D) …membros da ala jovem do PP
E) …a cara da renovação maçônica gaúcha
F) …os vencedores do concurso Jovem Empreendedor
G) …um grupo de carismáticos da Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias
H) …uma caravana de estudantes recém-chegada de Miami
I) …a primeira turma de monitores de escoteiros católicos do Cone Sul
Quem apostou na alternativa D, quase acertou, afinal, mesmo que publicamente eles neguem, os rapazes da foto tem, sim, ligações umbilicais com o Partido Progressista de José Otávio Germano e Antônio Dorneu Maciel.
Na verdade, o grupinho sorridente da foto é a direção do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (DCE UFRGS) que se elegeu recentemente com um discurso que negava a política partidária no movimento estudantil.
A foto com Yeda não é a primeira da turminha. Antes, eles posaram para outro retrato ao lado do homem mais rico do Estado, o empresário Jorge Gerdau Johanpetter. Sempre na maior independência, é claro. Todos rapazes de família apartidários…

Pescado no RS Urgente

O caso de censura na capa da MAD



Quando li a respeito disso no post do Jorge Furtado (segue abaixo) não acreditei. O caso noticiado primeiramente pela Folha de SP, é de que a revista MAD teria sofrido uma censura ao publicar uma capa satirizando o Lula e a Dilma, e que por isso teve de mudar a capa. Achei no mínimo esquisito. Até porque, quem costuma ler a revista MAD sabe que ela não costuma a fazer piadas no terreno da política. Ainda sim, fiquei com em dúvida, afinal será que não tinha nenhuma procedencia mesmo?
Fui até o site da revista MAD e o que descubro?
Que realmente a Folha derrapou mais uma vez ao publicar uma noticia, na pressa de atacar o Lula e a Dilma e pagou um tremendo mico. Não só a Folha caiu nessa, num verdadeiro "efeito manada" da imprensa anti-Lula, em busca de qualquer factóide que possa ser usado para desgastar o governo e a candidatura da Dilma, o site do jornal O Globo, da Veja, o Blog do Noblat, entre outros também repercutiram, em tom de verdade a mesma notícia errada.
O que realmente aconteceu afinal?
Absolutamente nada! Isso mesmo, nada! Os sujeitos não consideraram, por nenhum momento que, se tratando de uma revista de humor, não pudesse tudo passar de uma simples piada para gerar repercução (o que de fato conseguiram)?
No blog oficial da revista MAD foi publicado o seguinte comunicado:


Como um jornal, com um grande número de leitoras (ainda que em declínio) e com uma equipe técnica supostamente preparada publica uma matéria dessas? Pelo jeito, a nossa imprensa precisa rever a sua postura de defender o fim do diploma universitário para jornalista e voltar a contratar o seu pessoal com o mínimo preparo, para não cair em qualquer "pegadinha".
Abaixo o comentário do Jorge Furtado sobre o ocorrido e a matéria da Folha de SP.


SUJEITO OCULTO

Por Jorge Furtado

Manchete da Folha de S. (?) Paulo: “Capa da “Mad” com Dilma como personagem de “Avatar” é censurada”
Depois de perder tempo lendo os 3 parágrafos da notícia, o pobre do leitor se pergunta: quem censurou?
O mais perto que a peça publicitária da campanha eleitoral de S. chega da notícia é mencionar “burburinhos cibernéticos” sobre uma “possível” censura do governo. Não, não é piada, é o que eles hoje chamam de jornalismo.
Aprendi na faculdade de jornalismo (1) que uma notícia deveria responder cinco perguntas, de preferência já no lead (parágrafo inicial do texto): quem, o quê, quando, como e por quê. (2) Em seu atual estado de degradação, a antiga imprensa brasileira produz manchetes com sujeito oculto. Ou s. oculto.

Jorge Furtado

(1) Fabico, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, meados do século passado. Eu sou do tempo em que um entrevistado poderia, no meio de uma entrevista, dar informações “em off”, isto é, o repórter comprometia-se a não publicar, imagine só! Não, os professores não usavam polainas. Hoje jornalistas defendem como aceitável publicar conversas privadas ouvidas “acidentalmente” pela janela, na mesa ao lado do restaurante ou através de telefones celulares que os entrevistados esqueceram de desligar.
(2) Em inglês esta regra é descrita como 4WH: who, what, when, how and why. Em português seria 3QCP, muito pior, e talvez por isso, por questões estéticas, não faça sucesso entre os nativos.

Folha de S. Paulo, 26/02/09

Capa da “Mad” com Dilma como personagem de “Avatar” é censurada

Com seu típico tom de deboche, a revista “Mad” gerou polêmica na edição 23 (de fevereiro) não pelo que publicou, mas pelo conteúdo censurado. No blog da revista (mad.blogtv.uol.com.br) foram divulgadas duas capas sobre o filme “Avatar”. Uma delas, a que ninguém viu nas bancas, levava a cara da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) emendada ao corpo do “Thanator”, o temido predador criado por James Cameron no reino 3D de Pandora.
“Exclusivo: revelamos sem medo de repressão a capa censurada da Mad 23″, dizia o texto do blog, estampado entre as duas capas. No desenho, quem segurava as rédeas da criatura era “Lulavatar, o Mico do Brasil”. Os burburinhos cibernéticos sobre uma possível censura do governo levaram a editora Panini, responsável pela publicação, a divulgar a seguinte nota: “Com relação à questão da capa da edição 23 da revista “Mad”, as decisões sobre a publicação das capas fazem parte de processos internos da empresa, não se tratando de qualquer tipo de censura ou veto”.
A polêmica foi retirada do blog. Permaneceu o traço humorado do cartunista Guabiras, com Dilma como avatar e Lula operando uma máquina: “E se o Avatar invadisse o Brasil… o presidente Lula estaria finalizando o processo de criação do seu clone pra candidatura das próximas eleições”.

Marco Aurélio Mello afirma que ditadura foi um “mal necessário”




Para quem tinha ainda alguma dúvida do caráter extremamente conservador da nossa instância máxima do poder judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), eis que o ministro Marco Aurélio Mello nos brinda com a afirmação de que a ditadura foi "um mal necessário".
Foi em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar para o É Notícia, da RedeTV!, que o magistrado proferiu a declaração.
A conversa estava já no seu “pingue-pongue” de encerramento quando o jornalista manifestou: “Ditadura militar de 1964”. Sem titubear, Marco Aurélio Mello cravou o “mal necessário”. Na sequência, Kennedy perguntou se havia, de fato, o “risco de uma ditadura comunista”. A resposta foi: “Teríamos que esperar para ver. E foi melhor não esperar”.

Para quem não sabe quem é o ministro Marco Aurélio Mello, é bom recordar um pouco. Ele foi nomeado para o STF em 1990 pelo então presidente Fernando Collor de Mello, que não por acaso é seu primo!
É conhecido, de forma pejorativa, como “Voto Vencido”, pela freqüência de vezes em que fica isolado nas decisões do tribunal. Também é conhecido por seus votos controversos.

Entre eles, em Julho de 2000, concedeu habeas corpus a Salvatore Alberto Cacciola, proprietário do falido Banco Marka e supostamente responsável por um prejuízo estimado em 1,5 bilhão de reais aos cofres públicos. Cacciola viajou para a Itália logo em seguida e lá viveu foragido até setembro de 2007 quando foi preso em Mônaco (em abril de 2005, a Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou Cacciola a treze anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta). Comentando este episódio sobre a nova prisão de Cacciola, Marco Aurélio de Mello disse que repetiria a concessão de habeas corpus (segundo matéria publicada na Agência Estado de 17 de Setembro de 2007).


Em outra atitude considerada polêmica, Marco Aurélio de Mello foi o único ministro a votar a favor de conceder ordem de habeas corpus a Suzane Louise von Richthofen, jovem de classe média-alta paulista que foi julgada e considerada culpada pelas mortes dos próprios pais.


Em 2007, foi responsável por conceder dois habeas corpus a Antônio Petrus Kalil - o Turcão - acusado de explorar caça-níqueis. O mesmo havia sido preso pela Polícia Federal por duas vezes. Turcão foi preso pela terceira vez em 29 de novembro de 2007 pelo mesmo delito. E em dezembro de 2008, Marco Aurélio Mello foi o único ministro a não receber as denúncias para a investigação criminal do seus conterrâneos envolvidos nos esquema de corrupção da chamada máfia dos caça-niqueis. Segundo ele, não havia evidência alguma que justificasse a investigação. O STF aceitou a denúncia do MP para investigar os membros do judiciário envolvidos no escândalo. O desembargador Paulo Medina foi afastado de suas funções públicas.

Por essas e por outras que se faz urgente a necessidade de se democratizar o poder judiciário. É necessário que se tenha um processo de escolha democrática dos ministros do STF, acabando com o processo de nomemação pelo presidente. Além de o mandato ser por um período pré-determinado, não como ocorre hoje, a menos que o ministro renuncie, ele fica no cargo até a sua aposentadoria compulsória, quando atinge os setenta anos de idade.

Teremos que aguentar figuras como essas por décadas a frente da instância máxima do poder judiciário do Brasil. Até quando?
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DEM dissolve diretório do Distrito Federal



Numa tentativa desesperada de tentar salvar o que resta de sua já combalida imagem junto a população, o Democratas (DEM) decidiu na tarde desta quarta-feira, 24, pela autodissolução do diretório do Distrito Federal. O presidente regional do partido, Osório Adriano, declarou que decidiu se antecipar à provável solução da Executiva Nacional. O senador Marco Maciel (ex-vice-presidente de FHC) será o interventor.
Na prática, parece mais uma tentativa, como popularmente se chama, de “tapar o sol com a peneira”, tendo pouco efeito prático, visto que o DEM deverá ter um duro golpe nas eleições de outubro.
Talvez a melhor solução fosse o DEM não se restringir apenas ao diretório do DF e espraiar esta bela idéia para o resto do país, dissolvendo todos os demais diretórios.
O partido herdeiro da ARENA, sustentáculo civil da ditadura militar, deveria decretar sua “falência política” a exemplo do que acontece nas empresas privadas. A pergunta que está no ar é, quem se habilita a ficar com essa massa falida?

Acima, foto da sede do DEM no Second Life, único diretório do partido onde ainda se mantêm com alguma relativa popularidade e sem nenhuma denúncia de corrupção, pelo menos até o momento!

Humor


Cartum de autoria de Carlos Estevão.
Para quem não conhece, Carlos Estevão, pernanbucano, foi um dos grandes nomes das histórias em quadrinhos do Brasil, trabalhando na na revista O Cruzeiro,
Na Cruzeiro, fez ilustrações, caricaturas, manteve página de charges com seu nome e criou séries como O casamento antes e depois, Ser mulher, Perguntas inocentes, As aparências enganam, As duas faces do homem, Acredite querendo e Palavras que consolam. Desenhava também, interinamente, O Amigo da Onça, quando seu criador – o também pernambucano Péricles Maranhão – atrasava. Com a morte do amigo, na virada de 1961 para 1962, Estevão recebeu um convite-imposição da revista e acabou herdando o Amigo da Onça.
Seu traço era extremanente criativo e original, além de ter um humor ainda muito atual como no cartum acima.

Sobre caráter plebiscitário da eleição presidencial

Muitos questionaram a concretude da afirmação do presidente Lula, já em 2007, de que as eleições de 2010 deveriam ter um caráter plebiscitário. Agora, com a proximidade das eleições, cada vez mais se evidência que de fato teremos uma eleições com esse caráter.
O sociólogo Marcos Coimbra, do Vox Populi, traz um bom artigo em que analisa está questão. Não sou tão otimista quanto ele com relação ao fortalecimento dos partidos no Brasil, haja visto o comportamento destoante que deve ocorrer em boa parte das eleições estaduais, principalmente para a composição dos parlamentos. Infelizmente, se verifica ainda uma forte tendência dos/as eleitores em votar de forma descolada para o cargo majoritário e para o legislativo.
Ainda sim, no que tange a disputa presidencial, o artigo está muito bom em sua análise.



Ainda o plebiscito

Marcos coimbra

Goste-se ou não de Lula, é preciso reconhecer que o que ele está propondo é um novo modelo de eleição, que só é possível agora. Hoje, depois de oito anos de PT no governo, pode-se fazer a comparação entre ele e o PSDB
À medida que a eleição presidencial vai se aproximando, fica mais claro o projeto de Lula para vencê-la. A menos de 8 meses de sua realização, é mais fácil (talvez até para o próprio presidente) entender onde ele quer chegar.
A ideia de fazer da eleição de 2010 um plebiscito foi explicitada por Lula ainda em 2007, quando anunciou que queria que nela o eleitorado comparasse seu governo ao de Fernando Henrique. Quem achasse que seus oito anos foram melhores, que votasse na candidatura governista. Quem preferisse os de seu antecessor, na oposição.
A bipolaridade que é premissa desse projeto não foi inventada por Lula. De um lado, é assim que o sistema partidário brasileiro se estruturou nos últimos anos. De outro, o processo político concreto que vivemos sinalizou desde muito cedo que as de 2010 repetiriam o padrão.
A todos sempre pareceu que o cenário mais provável seria uma nova confrontação PT-PSDB, apenas havendo dúvida se logo no primeiro turno ou no segundo. A candidatura situacionista esteve em disputa, pois Ciro Gomes reunia intenções de voto suficientes para permanecer como alternativa aos nomes do PT, nenhum com boa largada nas pesquisas. Mas as perspectivas de crescimento de quem quer que fosse o candidato do PT eram maiores.
Tampouco surgiu opção ao PSDB no campo oposicionista. Dos partidos que remanesceram com ele, o DEM seria o único que poderia pensar em um nome, mas nunca se movimentou nessa direção e hoje nem poderia mais pensar no assunto. Seria, portanto, tucana a candidatura, e apenas uma. Quanto a quem, tudo apontava para Serra, mesmo enquanto Aécio permaneceu na disputa.
Para Lula, o fato de as oposições só terem um nome sugeria uma decisão em primeiro turno, que se tornou mais possível quando Marina, depois de provocar algum alvoroço no lançamento de sua candidatura, estacionou nas pesquisas. Não seria muito diferente com qualquer nome tucano, mas Serra facilitava o confronto plebiscitário. Se Aécio fosse candidato, seria mais complicado propor a comparação com FHC, pois o governador de São Paulo integrou o governo passado e foi adversário do próprio Lula em 2002.
Mas qual seria o conteúdo do plebiscito? Ninguém melhor que Lula sabia que não seria apenas uma briga de números, a respeito de indicadores de desempenho governamental. Nem no Brasil, nem em qualquer lugar do mundo se vencem eleições assim.
Outra coisa que o plebiscito não poderia ser seria uma escolha entre Lula e FHC, para que os eleitores dissessem de quem gostam mais. A resposta a essa pergunta já é conhecida e o vencedor é o atual presidente. Não bastassem as comparações da aprovação de ambos, várias pesquisas pediram às pessoas que fizessem a comparação direta: Lula sempre ficou na frente, com larga vantagem.
O relevante, contudo, é que essa escolha não conduz ao voto em Dilma, pois é perfeitamente possível que alguém prefira Lula e ache que Serra é melhor candidato. Não é esse plebiscito, portanto, que o presidente busca.
Goste-se ou não de Lula, é preciso reconhecer que o que ele está propondo é um novo modelo de eleição, que só é possível agora. Hoje, depois de oito anos de PT no governo, pode-se fazer a comparação entre ele e o PSDB, não em torno de nomes ou pessoas, mas do que cada “lado” representa. De fazer um balanço das coisas em que cada um acertou e errou quando teve a oportunidade de liderar uma coalizão para governar e pôr em prática suas propostas e sua visão para o Brasil.
Usando as palavras que ele usaria, o plebiscito que Lula quer não é entre ele e FHC, mas entre o que “nós” (o PT) somos e fazemos e “eles” (o PSDB) são e fazem. Se acontecer como ele pensa, seria a primeira eleição genuinamente partidária de nossa história política, em vez das disputas personalistas que sempre tivemos.
Não importa quem vença. O importante é que teremos, de um lado, um bom e legítimo candidato do PSDB (paulista, ex-intelectual, integrante do governo FHC) e, de outro, uma boa e legítima candidata do PT (técnica do setor público, ex-militante de esquerda, integrante do governo Lula). Sem a combinação de ilusão e medo (como a que deu a vitória a Collor), sem mágicas (como a do Real, que elegeu Fernando Henrique), sem carismas (como o de Lula).
Não era isso que queríamos, uma política em que os partidos são mais importantes que as pessoas?

Artigo originalmente no jornal Estado de Minas

O Clássico Classe Média



Lelê Teles

O Clássico Classe Média tem os olhos voltados para a Europa e para o Esteites. E fecha os olhos e os ouvidos para os parentes pobres no Brasil. Parente pobre todo mundo tem, mas o Clássico Classe Média tem horror a eles. A empregada doméstica é o único contato que tem com os pobres, embora com ela não tenha contato nenhum, a não ser quando o adolescente resolve encochá-la na cozinha, exatamente como se fazia na Casa Grande.
A empregada usa o elevador de serviço e dorme no único quarto do apartamento que não tem janela. O quarto da empregada, sonho de consumo da Classe Média, fica dentro da cozinha e foi projetado para que ela não circule pela casa entre uma tarefa e outra e morra sufocada pela fumaça.
O Clássico Classe Média prefere uma empregada analfabeta e desdentada, para ele poder rir da forma como ela fala e assim se desculpar pelas próprias escorregadas que dá por não compreender muito bem todas as regras que aprende em cursinhos para se sentir superior ao falar a língua morta e artificial das gramáticas normativas. Aliás, o Clássico Classe Média tem que aprender as normas da gramática, assim ele pode desdenhar de quem escreve um texto que ele não consegue compreender o contexto, mas consegue identificar um erro de concordância, que como se sabe é coisa de gente cafona, grosseira e analfabeta.
Embora tenha TV por assinatura, o Clássico Classe Média assiste à mesma programação que a sua empregada vê no quartinho sem janela. E quando assiste a algo engraçado que ele quer contar para o amigo, ele diz que passou pelo quarto da empregada e viu tal coisa na TV. O Programa do Ratinho, por exemplo, passava em horário nobre, horário caro como se sabe, e os comerciais, caros, vendiam para a Classe Média, mas todo Classe Média, quando ia contar uma piada que viu no Ratinho (“aquele programa ridículo do SBT”), dizia ter visto na TV da empregada ou quando zapeava sem pretensões. No fundo, tem complexo de si mesmo.
O Classe Média precisa de uma TV de Plasma ou de LCD para mostrar pros amigos, e quanto maior a polegada maior o falo e a fala dele. A TV de 14″ (o pequeno 14) ficou para o porteiro. Mas embora ache que a TV de 72″ seja a grande conquista do homem moderno e que TVzinha é coisa de porteiro, o Classe Média paradoxalmente compra um celular porque este vem com uma tela de 3″, onde ele se esforça para mostrar para os outros que está conseguindo assistir alguma coisa.
Mas, paradoxo do paradoxo dessa vida essencialmente paradoxal, embora tenha o empregado doméstico como um vassalo sem valor, o Clássico Classe Média paga escolas caras para o filho e depois o manda para a Europa para cuidar de casa alheia, lavar copos ou lavar cachorro, e sente orgulho do filhão.

Pescado em Amalgama

Mostra de cinema Mulheres no Front celebra luta e força das mulheres


Felizmente, não somente de salas de cinema sendo fechadas vive Porto Alegre, uma boa pedida é a mostra de cinema Mulheres no Front, realizada entre os dias 2 e 11 de março no CineBancário. 
Para marcar a passagem do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o CineBancário (Rua General Câmara, 424- Centro - POA) traz sete títulos cuidadosamente selecionados, que focam a força feminina e sua capacidade de luta, alguns deles recuperando histórias e personagens reais. Em três sessões diárias: às 15h, 17h e 19h.

Os filmes retratam deste os movimentos das operárias e sindicalistas norte-americanas por melhores condições de trabalho nos já clássicos Norma Rae (1979) e Silkwood – O Retrato de uma Coragem (1983), que trazem desempenhos premiados de Sally Field e Meryl Streep.

A pouco conhecida atuação feminina nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial e nas trincheiras da Guerra Civil Espanhola são o objeto de Mulheres no Front (1964), obra-prima do cineasta italiano Valerio Zurlini, e de Libertárias (1996), de Vicente Aranda.

Os conflitos entre palestinos e israelenses são desestabilizados pela força de uma mulher no comovente Lemon Tree. O drama e a resistência das mulheres brasileiras no período da ditadura militar é descrito pela diretora Lúcia Murat no misto de documentário e ficção Que Bom Te Ver Viva, um dos grandes filmes políticos do cinema nacional, com Irene Ravache..

Toda a programação é com entrada franca, ou seja, ímperdível.

Descaso com a cultura: fechada a Sala de Cinema Noberto Lubisco


Porto Alegre, durante os meses de janeiro e fevereiro (até o carnaval) costuma a ter um grande êxodo para o litoral, já faz alguns anos que esse “fenômeno” ocorre, seja para fugir do calor escaldante que acomete a capital ou para buscar alternativas de lazer. Visto que a capital dos gaúchos tem visto minguar muitos de seus espaços culturais.
Ao voltar do carnaval, fiquei sabendo de uma notícia que só venho a agravar ainda mais essa situação de descaso do poder público (seja estadual ou municipal) com espaços públicos de cultura: fecharam a sala de cinema Noberto Lubisco da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ).
Isso mesmo que vocês leram, foi fechada de forma definitiva, durante o mês de janeiro, uma das mais charmosas e importantes salas de cinema da capital pela Secretaria de Cultura do RS, comandada pela Mônica Leal.
O mais revoltante disto tudo que, além da capital perder um importante espaço de difusão de cinema cultural (fora do senso comum hollywoodiano) tudo foi feito de forma oculta, aproveitando o “esvaziamento” da cidade.
Nenhum jornal, programa de TV ou rádio noticiou (a exceção do programa do Marcelo Noah na Rádio Ipanema FM). Mesmo nos sites da CCMQ ou da própria Secretaria de Cultura, nada consta. Nenhuma informação sobre o motivo do fechamento da sala de cinema é esclarecido ao público.
Além do fechamento da sala, três dos dez funcionários dos cinemas da CCMQ já foram demitidos.
Cabe ressaltar também que a Sala Noberto Lubisco estava em perfeitas condições de uso, com seus 53 lugares, equipada com ar-condicionado central, som térreo e dois projetores Bauer-8 35mm, de fabricação alemã. Além de possuir acesso pela Rua dos Andradas, uma das poucas salas de cinema com acesso pela calçada, e não pelas escadas rolantes de algum shopping center.
Extremamente lamentável em mais um exemplo de como a cultura está sendo conduzida pelo atual (des)governo do estado.

O inferno dos DEMOS


A direita brasileira vive o seu pior momento desde a redemocratização. Este início de 2010 está sendo particularmente duro. Um dos principais partidos da direita brasileira, o Democratas, viu quase que ao mesmo tempo, duas das suas principais figuras públicas caírem em desgraça. Primeiro foi o Governador Arruda, preso e levando o Distrito Federal a uma crise institucional sem precedentes no país. Agora é a vez do Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ter seu mandato cassado por captação ilícita de recursos para a sua campanha.
Ao todo, a coligação de Kassab gastou R$ 29,76 milhões na campanha, dos quais R$ 10 milhões são considerados irregulares pela Justiça.
Como a decisão de cassá-lo cabia recurso, Kassab obteve efeito suspensivo sobre a decisão e deverá se manter por mais algum tempo no cargo. Mas o estrago político já foi feito.
E não para por aí o “inferno astral” dos DEMOS, Paulo Octavio, vice de Arruda no DF que assumiu após a prisão do governador, deve em breve renunciar, fontes apontam, conforme matéria publicada na Carta Capital desta semana, que ele já estaria negociando o expediente da delação premiada para tentar salvar o seu pescoço.
Caso Paulo Octavio fale tudo que sabe, possivelmente será o fim do DEM, é público e notório a participação ativa dele na captação e financiamento de recursos para as campanhas dos DEMOS pelo Brasil afora.
Possivelmente, como já fizeram outras vezes, eles venham a mudar o nome da sua sigla mais uma vez. Como se a simples mudança da “fachada” pudesse resolver milagrosamente a sua crise política, apostando sempre no mito da “memória curta” dos brasileiros. No entanto, para azar ainda maior deles, as eleições estão se aproximando e não há tempo hábil para legalmente fazer essa “recauchutagem”. Terão que ir as urnas como DEMOS e, provavelmente, as urnas não irão lhes reabilitar, aprofundando ainda mais a crise do outra poderoso partido da direita brasileira.


Revista Veja sempre se superando

Na semana em que pela primeira vez na história desse país um governador em exercício de seu mandato é preso, onde uma crise institucional inédita se abre no Governo do Distrito Federal, onde até mesmo uma intervenção federal é especulada como uma possibilidade, eis que a Veja nos brinda com essa capa:
 

Fica o serviço de utilidade pública lançado no ar. Se você conhece alguém que, por algum motivo oculto e de difícil explicação, ainda assina ou lê regularmente a revista Veja, ajude essa "alma a se libertar" lhe sugerindo qualquer uma das outras publicações disponíveis que certamente, seja ela qual for, é melhor que a Veja.


Dica de Filme

Beyoncé, a pista Vip e o racismo institucional

 

Por Jocélio Teles dos Santos*
Na madrugada do dia 10 de fevereiro um dos canais de televisão pagos projetou o filme O Homem Errado de Alfred Hitchcok (1956). Trata-se de um músico de uma casa noturna (interpretado por Henry Fonda),  religioso, casado, de vida pacata e que é confundido, acusado e preso pela polícia americana por um crime que não cometeu. Ao ver o filme eu me perguntei: e se o personagem fosse de cor na sociedade americana de antanho ou na atual sociedade brasileira? Qual seria o roteiro e o desfecho? A resposta veio em menos de vinte e quatro horas.
Provocado pela mídia me desloquei com um amigo para o show de Beyoncé no Parque de Exposições em Salvador. Havíamos comprado ingressos para a pista Vip no intuito de uma visão ideal do show da mega estrela. E esta área estava restrita a quem pagasse R$370,00 por cabeça. Enquanto assistíamos ao show de Ivete Sangalo deparei-me com um fato que exemplifica o racismo institucional.

Uma guarnição da Polícia Militar abruptamente abordou o meu amigo, circundando-o e já levando-o de modo truculento, sem nada perguntar, segurando-o pelo braço por trás, pela camisa, na costumeira fila, dita indiana, da corporação do Estado. Ao me aproximar para saber o que estava acontecendo, os soldados me afastaram e não tive outra alternativa que acompanhá-los no meio da fileira, mesmo falando que estávamos juntos e procurando saber do que se tratava. A resposta do corpo policial traduziu força e ameaça, mesmo que implícita, sem nenhum texto, a não ser o gestual, demonstrando que não há verbo capaz de estabelecer um possível diálogo entre sujeitos que detém e os que devem ser alijados de alguma relação com quem personifica o poder.
O meu amigo estupefato não reagiu. Foi levado para um canto da pista VIP, próximo aos holofotes e humilhado pela revista policial, como se estivesse cometido um delito. Sendo obrigado a mostrar a carteira de identidade, teve que dizer onde residia e, por fim, após a crueldade de todo o rito da PM, ouviu a seguinte frase do responsável pela guarnição: “houve um roubo aqui na área VIP e soube que a pessoa era do seu estilo”. Qual estilo, cara pálida? Respondo: o da cor/raça. Meu amigo é negro retinto.
A área VIP era formada majoritariamente por indivíduos de classe média e branca. Se comparada com a área de pista mais barata – preços no valor de 80,00 e R$160,00 – ali havia uma proteção policial considerável, mesmo sendo uma área cara, reservada e sem grande fluxo de pessoas. Durante o evento havia sempre duas guarnições. A lógica da distribuição policial em espaços de eventos elitizados parece obedecer a critérios. Quais? Procuremos os sentidos implícitos, já manifestos a distribuição desigual da PM na capital soteropolitana.
Diante desse fato de racismo explícito, o que dizer dos olhares das pessoas diante de tal brutalidade? Mesmo que elas estivessem freneticamente dançando ao som de Sangalo, não houve reações, o que demonstra a subjetividade e a introjeção do racismo na sociedade brasileira. Ao ver um negro sendo levando por policiais, mesmo ele estando na área VIP, algo que indica um diferencial em termos de classe, um sentimento de proteção emana das cabeças ali situadas. A naturalização do racismo – uma pessoa negra sempre é suspeita – associa-se aos que imaginam estarem sempre protegidos pela corporação militar.
Exemplos como esse abundam no país. O diferencial é que foi na ala VIP de um show. Lembro-me que no debate sobre as cotas raciais nas universidades os que eram contrários insistiam em dizer que no Brasil é difícil definir quem é negro. A resposta dos ativistas atualizou-se na área VIP para ver Beyoncé: “pergunte a polícia e ela saberá”.

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*Departamento de Antropologia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia.

Breve história do DEM, da ditadura a Arruda passando por FHC


Por Bernardo Joffily

Observe o mapa e a tabela ao lado. Eles comparam o desempenho do PFL (Partido da Frente Liberal) em sua primeira eleição, para a Constituinte, em 1986, e na última, em 2006, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem antes do governador José Roberto Arruda conhecer os rigores do cárcere.

As informações para o mapa foram tomados do excelente Banco de dados eleitorais do Brasil, organizado pelo professor Jairo Nicolau, do Iuperj, coe cobre de 1945 a 2006. Vale a pena visitá-lo (clique aqui) e guardá-lo como referência.

O reduto nordestino se acabou


O contraste impressiona. O partido de Jorge Bornhausen e Antonio Carlos Magalhães caiu de 118 deputados federais para 65 (hoje está reduzido a 56). E todos os prognósticos apontam para nova sangria em outubro.

Quando se aproxima a lupa do mapa, os motivos da corrosão começam a aparecer. Em 1986, o então PFL elegeu nos nove estados do Nordeste a exata metade dos seus 118 federais: 59, dos quais 14 na Bahia de ACM e 11 em Pernambuco de Marco Maciel. Em percentagem da votação, alcançou 36% dos votos válidos no Nordeste, mais que o dobro dos 17,7% da média nacional.

Duas décadas depois, não só a média nacional caíu para 10,9%. A votação do PFL nordestino despencou para menos da metade, 17,0%. E o número de deputados reduziu-se em 31, com apenas 27 federais pefelistas eleitos na região.

Foram os efeitos daquela que um dia será conhecida como a Revolução Eleitoral Nordestina de 2006. O PFL foi o principal derrotado na votação que derrotou as principais oligarquias políticas da região – algumas neooligárquicas, outras com raízes na colônia e na casa grande.

Cabe aqui um parêntese para o caso baiano. A possante seção pefelista de ACM também saiu ferida de morte das urnas de 2006, com a eleição do governador petista Jacques Wagner ainda no primeiro turno. Mas essa derrota não se expressou com a mesma nitidez no critério de avaliação que escolhemos: a bancada do PFL-BA baixou apenas um deputado face a 1986, de 14 para 13, e até aumentou em percentagem de votação. O que torna ainda mais dramático o recuo da legenda nos outros oito estados nordestinos, de 45 para 14 deputados, menos de um terço.

Com FHC, a maior bancada


O recuo do PFL-DEM nas cinco eleições federais destes 20 anos não foi em linha reta. Em 1990 o partido baixou para 83 deputados federais. Em 1994, coligou-se com o tucano Fernando Henrique Cardoso, indicando Marco Maciel para vice, e recuperou-se para 89. Em 1998, de novo com FHC e Maciel, subiu para 105 deputados (47 deles nordestinos), a maior bancada daquela legislatura. Na primeira eleição de Lula, em 2002, já caiu para 84.

Data daí a fase de inferno astral do PFL. Já se disse que a sigla está no poder desde Pedro Álvares Cabral, o que não deixa de conter seu grão de verdade. A própria criação do partido, ainda como Frente Liberal, em 1984, tem a ver com a pressão imensa das multidões que foram às ruas na Campanha das Diretas Já, decidida a acabar com a ditadura, mas também com a constatação pragmática de que estava na hora de abandonar o barco do regime militar agonizante.

Com Lula, o PFL viu-se na contingência de romper com seus cinco séculos de governismo, passar à oposição, e até rivalizar com o PSDB para ver quem era mais acerbamente oposicionista. Pior, teve de fazer oposição a um presidente pau-de-arara e dono de imensa popularidade no Nordeste. Perdeu a maior parte de seus longamente cultivados redutos nordestinos. Em 2006, elegeu apenas um governador, Arruda, um ex-tucano, e no Distrito Federal. Em 2008, sua maior proeza foi fazer o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, bafejado pelas circunstâncias de uma luta interna no PSDB local, entre José Serra e Geraldo Alckmin.

Renovação à moda do DEM


O PFL compreendeu que os tempos eram outros, bicudos, ingratos e, como diria o anti-herói de Lampedusa, é preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está. Data daí, de 2005, o processo de 'refundação' do PFL, que culminou em 28 de março de 2007 com a mudança do nome para 'Democratas', da sigla para DEM e do símbolo, de uma esfera azul para uma árvore azul e verde.

Se o internauta digitar na rede o endereço www.democratas.org.br, vai se deparar primeiro com o dístico "O partido das novas ideias" e, quando a página se abre, "A força das novas ideias". Os marqueteiros do DEM não parecem não ter chegado a um acordo sobre o slogan, mas há um denominador comum: "novas ideias".

Foi feito também um esforço de renovação dos quadros. O senador Jorge Bornhausen (SC), veterano egresso da UDN, aposentou-se da presidência do partido para dar lugar ao deputado Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito Cesar Maia, enquanto a seção catarinense era assumida por seu próprio filho, o deputado Paulo Bornhausen. Os despojos do outrora ponentíssimo PFL baiano passaram ao deputado ACM Neto, descendente e herdeiro do legendário Toninho Malvadeza, desaparecido em 2007.

Mensalão foi apenas a gota d'água


Hoje já é possível fazer um balanço do esforço renovador. Sem raízes, sem discurso, sem ideias velhas ou novas, sem rumo, o DEM marcha provavelmente para o pior resultado nas urnas desde a fundação do PFL. Seus aliados estratégicos do PSDB fazem o que podem para não lhe darem a vice na chapa presidencial de José Serra, mesmo que o também tucano Aécio Neves continue se recusando a compô-la. No plano estadual, suas melhores chances parecem concentradas no Rio Grande do Norte, ainda assim com ameaças reais para o mandato de senador do líder do partido, José Agripino Maia.

O escândalo brasiliense funcionou aqui como a gota d'água que fez o copo transbordar. Mas não seria justo atribuir a José Roberto Arruda, Paulo Octávio e companhia toda a culpa por um processo que vem de bem antes e vai muito além. Mais razoável será culpar o povo brasileiro, que parece ter decidido mudar a turma dos poderosos desde Cabral.

O discurso da pacificação

A campanha eleitoral não começou "oficialmente" ainda, mas já temos muitas peças do "tabuleiro" postas e muitos pré-candidatos já começam a esboçar o seu discurso e delinear a suas linhas gerais de campanha.
Para a disputa do Palácio Piratini, já é possível escutar algumas pérolas da demagogia, talvez a maior delas seja a da pacificação. Invariavelmente tem se repetido esta cantilena de forma reiterada e oportunista.
A tal da paz, apregoada pela direita e por uma parte da esquerda oportunista, e inflada pela RBS e cia,  lembra muito mais outro tipo de paz, que talvez também possua o seu componente político: a paz de cemitério.
Abaixo reproduzo um ótimo artigo que trata deste tema do Marco Weissheimer publicado no RS Urgente.


A paz que reina sobre nós

A palavra “pacificação” tornou-se, infelizmente, uma categoria da política gaúcha. Infelizmente porque o seu uso aponta na direção oposta do que parece sugerir. Chega a ser constrangedor ver como essa tese, histórica e intelectualmente indigente, deitou raízes com relativa facilidade no debate político do Estado, ganhando adeptos mais ou menos inocentes, inclusive à esquerda. Juntamente com o discurso do “novo”, a pacificação adquiriu ares de agenda política, econômica e cultural. Uma máscara, como se sabe, que esconde a verdadeira face daqueles que a ostentam. Uma máscara que é retirada do armário apenas em alguns momentos estratégicos, quando é preciso esvaziar o debate político de sentido, memória e história.

Esta fraude começou na campanha eleitoral de 2002, com Germano Rigotto (PMDB). O então deputado federal foi eleito pregando o fim da “guerra” entre o PT e Antonio Britto. Assim mesmo, entre o PT, representado por Tarso Genro naquela eleição, e Britto. O PMDB, partido que governou o Estado com Britto de 1995 a 1998 e implementou uma agressiva política de privatizações, apresentou-se na campanha de 2002 como algo novo que não tinha nada a ver com esta “guerra”. Ninguém pregou a “pacificação”, é claro, quando o PMDB declarou guerra às empresas públicas no Estado. E a paz veio. A vitória de Rigotto, o candidato da pacificação e da terceira via, prometeu uma nova era, de paz e prosperidade, para gaúchos e gaúchas.

Quatro anos após um governo insosso, a população avaliou o legado do pacificador. Reprovado! Sequer foi ao segundo turno da eleição de 2006. Ocupou seu lugar a mensageira do novo. Depois da paz, o novo jeito de governar. Mas Yeda Crusius também valeu-se do discurso da pacificação em sua campanha, pregando o fim da polarização entre PT e PMDB no Estado, a necessidade de seguir um “novo caminho”. E o Rio Grande do Sul seguiu um novo caminho. Três anos depois, instituições como Ministério Público Federal, Justiça Federal e Polícia Federal apontavam a existência de uma quadrilha instalada no aparelho de Estado para roubar dinheiro público. A ação desta quadrilha viria desde o governo anterior, o da pacificação.

Chega 2010, uma nova eleição, e, mais uma vez, os arautos da pacificação saem do armário para fazer seu trabalho. Cabe registrar a seletividade da aplicação da tese. Quando a esquerda governou o Estado, a guerra era um dever para os cruzados da direita gaúcha. E ela foi travada do primeiro ao último dia de governo. Nos Pampas, nunca se ouve o clamor pela paz quando a Brigada Militar está reprimindo manifestações de sem terra ou de algum sindicato. Neste caso, a palavra “paz” cede espaço a outros termos: baderna, perturbação. A pacificação não se aplica também às quadrilhas organizadas para roubar dinheiro público. Para estas, as quadrilhas, vale (mil vezes) o benefício da dúvida e a exigência de infinitos fatos novos e provas irrefutáveis.

Em resumo, para dizer em bom português, o discurso da pacificação é uma estratégia chinelona (para usar um termo técnico) da direita gaúcha (para usar outro termo técnico) com um duplo objetivo: colar na esquerda o adesivo da guerra e fazer da direita (que, em sua eterna invisibilidade, nunca se apresenta como tal) a mensageira da paz. Uma estratégia que obteve sucesso nos últimos sete anos, o que só depõe contra a qualidade da capacidade de elaboração política da esquerda gaúcha neste período. E este sucesso tem uma tradução bem concreta: precarização dos serviços públicos, fim de políticas sociais, desmonte da legislação ambiental, saque ao patrimônio público, apropriação de bens públicos pelo grande capital. Essa é a paz que reina sobre nós.

Homenagem ao Boris Casoy

 

Dilma sambou com o gari Gilson Lopes, na pista do sambódromo do Rio, do "alto de sua vassoura".

Arruda passa o carnaval na cadeia



Terminou o carnaval no Brasil. Depois de muita festa e folia pelo país afora, as coisas voltam a “normalidade”. Mas talvez a coisa mais anormal que ocorreu nesse carnaval foi o Arruda permanecer atras das grades, sem ter sua soltura decretada pelo Gilmar Mendes ou pelo Marco Aurélio Mello, ou qualquer outro destes Ministros conservadores comprometidos com a “turma do andar de cima”.
Até quando o Arruda seguirá preso é um exercício de futurologia de resultado difícil de prever, afinal, são inúmeros os subterfúgios jurídicos que podem levar Arruda a sair das grades e responder o processo em liberdade. Ainda mais contando com bons advogados que somente (muito) dinheiro pode comprar.
Justiça seja feita com o Arruda, quando de sua prisão, divulgou uma carta contendo uma declaração onde reclama que nem Yeda e nem Collor foram tratados com a dureza que ele está sendo. De fato, as acusações que cercam o (des)governo Yeda mereceriam uma punição ainda maior que a que recaí sobre o Arruda, ainda mais se compararmos as cifras furtadas dos cofres públicos do DF e do RS.
No entanto, vivemos em uma sociedade do espetáculo, onde uma imagem vale mais do que mil palavras (mesmo que essas palavras tenham sido captadas por escutas e com conteúdo escabroso). O ocaso de Arruda foi o vídeo em que ele próprio aparece envolvido na fraude, ainda que ele não esteja preso por ter recebido dinheiro de origem suspeita, mas por ter tentado corromper uma testemunha Sem o vídeo, possivelmente estaria ainda no governo, a exemplo do que ocorre com a Yeda, e mais irônico ainda, não seria de espantar que ele fosse ainda ungido a vice do Serra e classificado como uma “vítima” da oposição raivosa da “turma do PT”e reabilitado pela mídia, que o apontava como um “grande gestor”, a exemplo do que ocorre com a Yeda.

Os desafios para Dilma e para o PT


Emir Sader

Nas eleições deste ano será definida a fisionomia do Brasil em toda a primeira metade do século. Será um elemento fundamental para consolidar os avanços na América Latina. Conta-se com um governo de sucesso e amplo apoio na população, com a liderança do Lula, com um partido coeso e com uma grande candidata.

Dilma representa mais do que uma mulher competente, enérgica, comprometida, mais do que a coordenadora de um governo que mostra que se pode mudar o Brasil para melhor, retomar o desenvolvimento econômico estreitamente articulado com políticas sociais.

Dilma representa também o espírito militante, forjado nos anos 60, no calor dos momentos mais duros de luta contra a ditadura, que soube manter acesa a chama dos ideais de transformação profunda da realidade, passando pelo crivo das novas condições de luta. Nós nos conhecemos naquela década extraordinária para o mundo, na militância clandestina de resistência à ditadura, na mesma organização, na mesma luta.

Segui sua trajetória de longe, até reencontrá-la em um Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, secretária do governo do Tarso, com a mesma alegria, luminosidade no olhar, combatividade, companheirismo. Quando saiu, pela primeira vez, a notícia da possibilidade de que ela fosse a candidata, imediatamente busquei uma forma de manifestar meu entusiasmo sobre essa possibilidade. Voltar a trabalha com ela, no livro que lançamos agora no Congresso do PT – “Brasil, entre o passado e o futuro”, Editoras Boitempo e Perseu Abramo, Organizadores: Emir Sader e Marco Aurélio Garcia -, serviu para me dar conta que a Dilma é a mesma, desde aqueles anos 60 até hoje e projetada para o futuro, que inspira confiança, compromisso, sensibilidade política, capacidade e energia. É a melhor alternativa para se dar continuidade, aprofundando, no processo de construção de um Brasil para todos.

Um balanço do estado do país que se recebeu, das transformações que foram feitas e das que restam por fazer para a construção de um Brasil para todos, solidário, humanista, soberano e democrático, aponta essencialmente para três temas – entre tantos outros.

O neoliberalismo, ao desregulamentar a economia, promoveu uma gigantesca transferência de recursos do setor produtivo para o financeiro – sob sua forma especulativa. O endividamento dos países periféricos favoreceu a promoção desse capital a lugar privilegiado, capaz de produzir crises e desestabilização de governos, com seus ataques especulativos.

As independências – legais ou de fato – dos Bancos Centrais são expressões dessa hegemonia, assim como as altas taxas de juros, que remuneram esse capital, que por sua vez é parasitário, não produz bens, nem empregos, além de frear a capacidade de expansão da economia. As mudanças na política econômica do governo Lula, com a retomada do papel do Estado como indutor do crescimento econômico, fortaleceram contrapesos à hegemonia do capital financeiro, mas as tensões sobre taxas de juros – entre outras – revelam como o tema está pendente.

A passagem a um outro modelo, que promova expressamente a hegemonia do setor produtivo – sob suas distintas modalidades e em distintos setores da economia – ao lugar hegemônico, é um tema pendente, do qual depende não apenas a sustentabilidade econômica do Brasil, como a geração de empregos, a disponibilidade de recursos para políticas sociais, entre outros temas chaves no destino do país. A reincorporação do Banco Central como elemento orgânico articulado com o conjunto da política econômica do governo é outra questão pendente.

Por outro lado, o campo brasileiro – e, em grande medida, latinoamericano –passou por um processo de modernização conservadora, com a proliferação das grandes propriedades vinculadas ao agronegócio, que mudaram o panorama agrário no país. Intrinsecamente vinculado a esse processo esteve a proliferação dos transgênicos, nas grandes, medias e pequenas empresas. Se fortaleceu a pauta exportadora, deteriorando a terras, em detrimento da autosuficiencia alimentar, da economia familiar, da produção para o mercado interno.

A construção de um modelo agrário que contemple a exportação, mas que, antes de tudo, fixe os trabalhadores no campo, mediante a reforma agrária pendente, que incentive ainda mais a produção das pequenas e medias empresas, que coloque limites aos transgênicos e cuide da qualidade da terra, resta sem dúvida como uma questão central para o segundo mandato.

Uma terceira questão a enfrentar é a da quebra do monopólio empresarial da mídia privada. Não haverá um Brasil democrático sem formação democrática da opinião pública, para o que é necessário atuar em distintas direções. Primeiro, deixar de seguir privilegiando recursos governamentais em publicidades nos órgãos que representam cada vez menos – basta dizer que atacam todos, todos os dias, ao governo, e só conseguem ter 5% de rejeição do governo. Democratizar o acesso às publicidades do governo, seguir na linha de descentralização, de fomento às distintas formas de imprensa alternativa, incluindo rádios comunitárias, blogs e outras formas novas.

O que não impede que se tenha que fortalecer e melhorar muito os espaços da imprensa pública. É preciso melhorar a sua qualidade, seus recursos, democratizá-la ainda mais, articulá-la regional e internacionalmente, fazendo com que tenha papel central nas novas pautas do país e do mundo, participando dos grandes debates que o Brasil tem que enfrentar, junto às forças populares e culturais.

Em suma, democratizar econômica, social, política e culturalmente o Brasil é centralmente promover a esfera pública, a universalização dos direitos, revertendo o imenso processo de mercantilização da sociedade promovido pelo neoliberalismo, no corpo social, no Estado e nas mentes das pessoas.

Dois grandes desafios se colocam para o PT – além desses, a ser atacados a partir do governo. O primeiro é o desafio de centrar o trabalho de massas no apoio à organização desses imensos contingentes “lulistas” – para designar de alguma forma os amplos setores beneficiários das políticas sociais do governo, que o apóiam firmemente – e à sua consciência social, política e cultural, que ajude a transformá-lo em um sujeito político ativo no novo bloco social no poder que se necessita construir.

Essa é uma tarefa do PT como partido, mas também com os movimentos sociais e culturais, que deve traduzir as grandes transformações econômicas e sociais que o país está vivendo, em transformações políticas e culturais. Representaria mudar a base social em que se assenta o partido, reinserindo-o no novo panorama que a formação social brasileira apresenta, neste caminho de saída do modelo neoliberal para um pós-neoliberal.

A outra grande tarefa é a de geração, por múltiplos condutos, de novas formas de sociabilidade, alternativas ao “modo de vida norteamericano”, centrado este no consumismo, no individualismo, na violência, nas drogas, em religiões alienantes. Traduzir a generosidade das nossas políticas sociais em valores de solidariedade, de cooperação, de desalienação das consciências, de humanismo. (Mutirões como um para lutar contra o analfabetismo ainda fortemente reinantes entre nós, contribuiriam para isso).

Encarar e resolver positivamente esses desafios é encarar os maiores desafios na construção de um Brasil justo, soberano e solidário.

Obama insiste na escalada armamentista e dobra a Romênia




As autoridades romenas aceitaram a instalação dos mísseis "interceptadores" estadunidenses no seu território, anunciou, dia 4 de fevereiro, o presidente do país Traian Basescu.

Depois de a administração Obama ter desistido em setembro último do polêmico plano de escudo antimíssil, que a equipe do seu antecessor George W. Bush queria instalar na República Tcheca e na Polônia, eis que a Casa Branca recupera o projeto, tendo já obtido a aceitação da Romênia.

Segundo revelou Traian Basescu, "a Romênia foi convidada oficialmente pelo presidente Barack Obama a participar no sistema de defesa antimíssil. (…) Iremos acolher no nosso solo interceptadores terrestres de mísseis balísticos de médio alcance, que deverão estar operacionais em 2015".

A nova administração recuperou também a justificativa do projeto. Tal como Bush, afirma que se trata de proteger as tropas americanas na região e os países da Otan contra "as ameaças atuais e emergentes de mísseis balísticos com origem no Irã", declarou o porta-voz do departamento de Estado em Washington, Philip Crowley.

O presidente romeno fez ainda questão de salientar que "este sistema não está dirigido contra a Rússia", aludindo aos vivos protestos do Kremlin contra o anterior projeto, que considerava mais como uma nova arma apontada ao seu território do que contra uma "ameaça" iraniana.

Contudo, nem as declarações romenas e americanas nem o fato de o dispositivo ficar mais afastado das fronteiras da Rússia evitaram que o governo russo manifestasse a sua desaprovação. "Trata-se de uma questão muito séria que levantaremos junto dos nossos parceiros americanos e europeus", declarou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.

Fonte: Jornal Avante!

Imprensa manipula de forma grosseira a fala do Lula

Arruda foi preso. E a novidade é que ele ainda não foi solto da cadeia. Talvez venha passar o carnaval na cadeia. Se ficará mais tempo, é algo que teremos de aguardar, mas não deixa de ser uma "novidade" em um país que em geral o judiciário costuma a proteger a todos os criminosos do "colarinho-branco".
E sem dúvida alguma foi um duro golpe para a oposição, que vê um de seus principais governadores, o único do DEM ir parar atrás das grades. A imprensa ficou em polvorosa, não bastasse o crescimento constante que a Dilma tem tido nas pesquisas, os alagões em São Paulo, agora mais essa.
Evidente que eles não poderiam deixar isso ficar assim e se utilizando de muita má fé partiram para a ofensiva no mesmo dia da prisão. E trataram de tentar vincular, de uma forma malandra e com muita peripécia, o Presidente Lula com esse episódio.
Segundo fonte da Agência Brasil, o presidente Lula disse que ninguém está feliz com o que está acontecendo e que não convém tripudiar em cima da desgraça alheia.
Qualquer jornalista, por mais imbecil que fosse, entende que não convém a um presidente explorar politicamente uma operação da polícia federal que envolva a prisão de um dos maiores quadros da oposição, que era altamente cotado para ser vice-presidente na chapa de José Serra.
Também não convém ao presidente tripudiar, porque muito provavelmente ele terá que nomear um interventor para governar o Distrito Federal.
Mesmo assim, muitos jornalistas embarcaram nessa e partiram para a mais pura e grosseira manipulação, sem pudor algum e muitos estamparam com destaque uma suposta "solidariedade" do Lula com o Arruda.
Nesta sexta-feira, para tentar trazer a tona a verdade dos fatos, Lula afirmou que ão é verdade a notícia que a imprensa divulgou na noite de ontem em que ele teria ficado chocado com a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex DEM).
"Não fiquei chocado, fico chocado quando vejo as denúncias de corrupção, quando aparece o filme de Arruda recebendo dinheiro", disse Lula durante entrevistas a rádios de Goiás. 
Evidente que as declarações dadas pelo Lula hoje não terão nem um terço da repercução que teve a sua pseudo-declaração de ontem. 
Mas enfim, ainda tem gente que acha que temos uma imprensa "livre e isenta"...

Decretada prisão de Arruda

Decretada a prisão do Governador Arruda, conforme noticia o portal Último Segundo:
"A prisão de Arruda foi pedida pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, motivada pela tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, testemunha do caso.
O ministro também decretou a prisão de Wellington Morais, ex-secretario de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), de Haroaldo Brasil, amigo íntimo de Arruda e ex-diretor da Companhia Energética de Brasília e de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. Eles são acusados de, junto com Antonio Bento, preso em flagrante pela Polícia Federal ao entregar uma sacola com R$ 200 mil a Edson Sombra no dia 4 de fevereiro, de coagir testemunha e produzir falsas provas."

Haja visto que, na base da chantagem e da truculência o Arruda conseguiu barrar um processo de Impeachment no Legislativo, o governador do DF poderá sair do governo diretamente para cadeia. No entanto....

Não custa lembrar que, infelizmente contamos no Brasil com a sinistra figura do excelentíssimo Gilmar Mendes. O anteriormente conhecido como "engavetador geral da união" nos tempos de FHC, tem adiquirido notoriedade pela liberação das grades de todo golpista do "colarinho branco". Principalmente se o golpista for envolvido em desvios de somas vultuosas de recursos. A velocidade  com que é expedida a liberação é proporcional ao volume de dinheiro envolvido na fraude.

Fica as apostas lançadas, após a prisão (caso se efetive) em quanto tempo o Gilmar Mendes vai mandar soltar o Arruda?

Os 30 anos do PT

Raul Pont

No dia 10 de fevereiro de 1980, no auditório do Colégio Sion, em São Paulo, foi fundado o Partido dos Trabalhadores.

A ata de fundação mesclava nomes de dirigentes sindicais com intelectuais e históricos dirigentes de várias gerações, que surgiram nas lutas de resistência ao regime militar em crise e nas conquistas por liberdade sindical, direito de greve e de livre organização partidária.

Os nomes de Lula, Jacó Bittar, Olívio Dutra, Djalma Bom, Paulo Skromov, José Ibrahim, Wagner Benevides e Manoel da Conceição misturam-se com Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido, Hermínio Sacchetta, Francisco Weffort, Francisco de Oliveira, Vinícius Caldeira Brandt e Apolônio de Carvalho.


Essa identidade não era casual, mas fruto da luta histórica de militantes políticos e intelectuais que havia décadas perseguiam o sonho de organizar no Brasil um partido de trabalhadores que não estivesse atrelado ao pensamento dominante.

Em seu Manifesto de Fundação, o PT surgia “pela necessidade de representação política dos trabalhadores”. Nascia das lutas sociais, por um partido de massas e pela real participação na vida do país, pela democracia plena e por um sindicalismo independente do Estado como obra dos próprios trabalhadores, por uma sociedade igualitária, sem explorados nem exploradores.

Passaram-se 30 anos. O PT afirmou-se como um dos grandes partidos do país. Profundamente democrático, com seus organismos de base, com o direito de tendências internas e proporcionalidade de suas representações – mínimo de 30% de mulheres em todas as direções – e a incorporação à política partidária das questões ambientais, do combate ao racismo e na defesa da livre orientação sexual.

As políticas de democracia direta e participativa foram inspiradoras de movimentos internacionais, como o Fórum Social Mundial.

Governamos municípios, Estados e chegamos à Presidência da República com o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva. Inauguramos um novo período histórico no país, de inclusão social, desenvolvimento econômico e soberania nacional como nunca tivemos em nossa história.

Confiamos, nestes 30 anos, que o principal antídoto que desenvolvemos foi nossa democracia interna e, através dela, a capacidade de reagir a equívocos e erros e continuar avançando.

*Deputado e presidente do PT-RS

As diferenças dos Governos Lula X FHC na área econômica



Vez por outra escutamos algum "especialista em economia" ou algum outro "gaiato" tentando creditar o sucesso econômico que o Brasil vêm registrando a uma suposta continuidade do Governo Lula da política que era implementada pelo Governo FHC. Estas comparações, em geral, são feitas com o objetivo explicito ou implícito de reduzir ou mesmo retirar do governo petista os méritos que está tendo na condução econômica do país.
Em geral, tais comparações são carregadas de uma boa dose de omissão de fatos que explicitam justamente o oposto: foram as mudanças políticas conduzidas pelo Governo Lula que permitiram ao Brasil atingir os patamares positivos que esta alcançando. Foram os elementos de descontinuidade da ortodoxia neoliberal que impediram que o país mergulha-se em um abismo profundo na crise do capital, iniciada em setembro de 2008.
Existem elementos de continuidade? Evidente que sim, mas eles acabam ocupando um papel periférico, face ao conjunto de mudanças que foram implementadas, principalmente de 2005 para cá. A maior delas e que denota a maior diferenciação entre o governo petista e o tucano reside na concepção do papel do estado.
Enquanto nos anos FHC o papel do estado era compreendido como mínimo, onde as liquidações do patrimônio público, através das privatizações e uma excessiva e frágil dependência do país ao mercado financeiro, nos anos Lula as privatizações foram estancadas e o papel do estado passou a ter um peso maior na condução da economia.
Para tornar ainda mais evidente esta diferenciação entre os governos, abaixo segue alguns dados econômicos que explicitam esta diferenciação:

Situação do Brasil antes e depois. 
 
 
Nos tempos de FHC
 
Nos tempos de LULA
Risco Brasil
2.700 pontos
200 pontos
Salário Mínimo
78 dólares
210 dólares
Dólar
Rs$ 3,00
Rs$ 1,78
Dívida FMI
Não mexeu
Pagou
Indústria naval
Não mexeu
Reconstruiu
 Valores e Reservas do Tesouro Nacional
185 Bilhões de Dólares Negativos

160 Bilhões de Dólares Positivos


Créditos para o povo/PIB
14%
34%
Estradas de Ferro
Nenhuma
3 em andamento
Estradas Rodoviárias
90% danificadas
70% recuperadas
Industria Automobilística
Em baixa, 20%
Em alta, 30%
Crises internacionais
4, arrasando o país
Nenhuma, pelas reservas acumuladas
Cambio
Fixo, estourando o Tesouro Nacional
Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central
Taxas de Juros SELIC
27%
11%
Mobilidade Social
2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
Empregos
780 mil
11 milhões
Investimentos em infraestrutura
Nenhum
504 Bilhões de reais previstos até 2010
Mercado internacional
Brasil sem crédito
Brasil reconhecido como investment grade