PF faz operação contra fraudes envolvendo área da saúde na Prefeitura de Porto Alegre






O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quarta-feira, 20 de janeiro, a Operação Pathos.

Em 2007, o Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre fez uma representação ao MPF apontando irregularidades na terceirização de serviços de saúde da prefeitura gaúcha, governada por José Fogaça (PMDB/RS).


Segundo o MPF, embora as verbas repassadas a uma OSIP (organização da sociedade civil de interesse público) destinadas ao Programa Saúde da Família – grande parte delas oriundas do Fundo Nacional da Saúde – devessem ser empregadas exclusivamente em ações voltadas para a qualificação da atenção primária à saúde, os investigados teriam se apropriado de parcela considerável dos recursos.

O desvio, em geral, era feito por meio de prestações fictícias de serviços, a maioria deles estranhos à área da saúde e não comprovados por documentos. Entre eles, estão trabalhos de advocacia, consultoria, planejamento, auditoria, assessoria, marketing, propaganda, palestras e materiais para escritório, inclusive com emissão de notas fiscais falsas.

Há indícios de prejuízo superior a R$ 9 milhões aos cofres públicos municipal e federal.

De acordo com as investigações realizadas até o momento, a organização criminosa seria composta por empresários e agentes públicos associados para praticar crimes contra a administração pública, como peculato doloso e culposo, emprego irregular de verbas públicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Neste contexto, acolhendo representação do MPF, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região expediu 30 mandados de busca e apreensão contra 25 alvos situados em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Sorocaba (SP), Santo André (SP), Tatuí (SP), Votorantim (SP) e Recife (PE). O objetivo principal é colher provas que confirmem os indícios já apurados.

Pathos - A operação ganhou o nome de Pathos porque, em concepção moderna e simplificada, a palavra significa doença. Paralelamente, na filosofia grega, Pathos é sinônimo de espanto, passividade e sofrimento, conceitos que descrevem fielmente o sentimento da sociedade perante crimes que lesam de forma repetitiva uma de suas faces mais frágeis, a saúde pública. Leia mais aqui.

O homem da Operação Condor



PF detém coronel ativo na Operação Condor

Da Folha



Por ordem do STF, uruguaio deve ser extraditado à Argentina, onde responderá por crime cometido durante ditadura do país vizinho

Transferência de militar, no entanto, foi suspensa por razões médicas; Manuel Cordero trabalhou em centro de detenção clandestino

GRACILIANO ROCHA

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

A Polícia Federal deteve ontem no Rio Grande do Sul o coronel reformado uruguaio Manuel Cordero, 71, para cumprir ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) de extraditá-lo para a Argentina, onde ele responderá a acusações de crimes cometidos durante a ditadura do país vizinho (1976-1983).

A transferência de Cordero para a Argentina, entretanto, foi suspensa por razões médicas. Após a detenção, ele foi hospitalizado alegando problemas cardíacos em Santana do Livramento (489 km de Porto Alegre), onde vive desde 2004.

A operação montada pela PF coincide com a elevação da temperatura do debate sobre a apuração de crimes praticados durante a ditadura brasileira.

O STF acolheu o pedido de extradição de Cordero em agosto de 2009, mas o acórdão só foi publicado em dezembro.

Cordero deverá responder criminalmente pelo sequestro de um bebê com 20 dias de vida, filho de uma militante detida ilegalmente durante a ditadura. Ele também é suspeito de participação no desaparecimento de 11 esquerdistas em 1976.

Ex-integrante do Ocoa (Organismo Coordenador de Operações Antissubversivas, equivalente uruguaio do DOI-Codi brasileiro), Cordero trabalhou na Automotores Orletti, um centro de detenção clandestina em Buenos Aires nos anos 70.

O local, conhecido pela prática de tortura e assassinato de uruguaios exilados, é um símbolo da Operação Condor, parceria entre os órgãos de repressão das ditaduras do Cone Sul.

A estratégia da defesa é evitar que ele deixe o Brasil. “Quando pediram sua extradição em 2005, ele era beneficiado por um indulto concedido em 1989 pelo [ex-presidente argentino Carlos] Menem. Além disso, a Lei da Anistia brasileira também o beneficia”, disse o advogado Julio Martin Favero.

Organizações comemoraram a detenção. “Com a extradição, o Brasil diz que esses crimes são abomináveis e devem ser punidos”, disse Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Ronaldinho Gaúcho é o Muhammad Ali do futebol

Recomendo a leitura deste bom texto do Carpinejar sobre a volta do bom futebol do Ronaldinho Gaúcho e, principalmente, a urgência do Dunga chamar ele de volta para a seleção, afinal antes um Ronaldinho reencontrando o bom futebol do que um Robinho que está a quase um ano sem marcar um golzinho sequer pelo seu clube. Afinal, como bem lembra Carpinejar citando o indefectível Analista de Bagé 'Más vale ser um touro broxa que um boi tesudo'.




Fabrício Carpinejar


Não vi Garrincha jogar, o máximo que vi foi Maradona.

Não sofro de nostalgia por que existe Ronaldinho Gaúcho.

Não tenho nenhum receio de percorrer os dentes tortos do terço: rezo para que seja chamado para a Seleção.

Copa do Mundo sem ele é Copa das Confederações.

Mauricio de Sousa concordará comigo. Já tem um título mundial (2002), merece confiança, um time que o respeite e que não solte muxoxos no primeiro passe errado.

É um desperdício deixá-lo fora. Um atentado à plasticidade poética do esporte. Não é um jogador comum, é sobrenatural no lançamento. O mais perfeito driblador que surgiu nas últimas duas décadas. É desconcertante com seu elástico, com uma ambivalência esquisita e carismática. Propõe arrancadas febris, tabelas fulminantes e faltas espíritas. Torna o feio bonito, torna o desvio exultante, torna uma entrada dura em salto de balé.

Um cabeleireiro do abismo. Um Edward pés de tesoura. Corta os cabelos da bola enquanto outros cortam somente a grama. Transforma o difícil em fácil e o fácil em difícil.

Ronaldinho não é veterano, tem somente 29 anos, e parece tão antigo.

Seu ostracismo começou com a derrota brasileira na Copa de 2006. Era a estrela indiscutível, o melhor do mundo nos dois anos anteriores (2004 e 2005), o astro de uma equipe de veteranos. Sentiu o fracasso na mandíbula diante da França de Zidane. É como retornar de uma tragédia aérea, de um navio afundado.

Não foi a musculação que apagou seu futebol, não foi a boemia, só uma coisa o atingiu: trauma.

Desde então, não recuperou seus melhores momentos do Barcelona. Perdeu a desenvoltura. Ficou inseguro, com passes curtos, querendo logo se livrar da responsabilidade. Brigou com técnico. Assistiu a ascensão de Messi. Saiu do time. Partiu para o Milan. Foram quatro anos de desterro. A Copa que o matou é a única capaz de ressuscitá-lo. Qualquer filme B conhece esse roteiro. Dunga não pode desprezar os sinais. Lembra Romário na Copa de 94? Pois ele foi convocado na última hora e deu o que deu.

Analista de Bagé deveria pegar o caso. Colocaria o guri no pelego e avisaria: "Más vale ser um touro broxa que boi tesudo". E estaria resolvido.

Ronaldinho é selecionável de qualquer jeito. Não porque recuperou a forma e marcou três gols no domingo (17/1) na partida do Milan contra o Siena, não porque é o vice-artilheiro do Italiano, não porque voltou a jogar caindo pela esquerda por lucidez do treinador Leonardo. É obrigatória sua convocação simplesmente porque é Ronaldinho Gaúcho. Pode ser imitado pela bandana, mas é impossível um copista de sua arte.

O sublime é a insistência do dom. Ele tem a centelha perturbadora da vocação. O desequilíbrio da movimentação, talvez porque ele drible a si mesmo antes do oponente. Sei lá direito o que significa e como acontece. Alguns jogadores provocam admiração, ele produz o calafrio. Um suspiro emendado, interminável. O goleiro inglês Seaman da Inglaterra entende disso. Algo que supera a compreensão, que não é aplicável como regra.

Ele tem que ir para a África mesmo que fique no banco. É o Muhammad Ali do futebol. "Ronaldinho, bomaye!". Ninguém acredita que ele pode ressurgir, então ele exuberará seu talento, não terá aquela pressão asfixiante do Galvão Bueno dizendo que ele é o máximo.

O craque está de novo na periferia, do mesmo jeito discreto que começou com a camisa amarela, numa jogada espetacular contra a Venezuela aos 19 anos quando o público havia esquecido o que era toque de gênio (completou um chapéu no zagueiro e arrematou forte no canto).

Faltam menos de um mês para a convocação. Ronaldinho é o único nome certo que vejo na lista.

A ultima escrotice de Lasier Martins

Até quando essa gente medíocre, burra e reacionária vai continuar posando de porta-voz “dos interesses da população gaúcha”? A impostura é generalizada, aliando ignorância e má fé. Nos últimos anos, o sr. Lasier Martins transformou-se num dos principais ícones desta impostura. No dia 14 de janeiro, em seu comentário no Jornal do Almoço, a voz da RBS se superou: criticou a ajuda humanitária do governo brasileiro ao Haiti e inventou uma fala de Lula que nunca existiu (o presidente teria proposto vistas grossas para as obras da Copa; veja aqui o que, de fato, Lula disse). E tudo fica por isso mesmo. É o mesmo jornalista que minutos depois estará fazendo eloqüentes discursos contra a impunidade no Brasil, eloqüência esta que não se repete quando se trata dos escândalos de corrupção no Rio Grande do Sul. E a impunidade deste tipo de impostura, quem combate?





Texto: RS Urgente

Bêbada, Lucia Hippolito tenta criticar Lula ao vivo na rádio CBN

A comentarista de política da CBN, Lucia Hippolito,tentou fazer criticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), durante o programa de quarta-feira, 13, teve de ser interrompida pelo apresentador Roberto Nonato, por, segundo ela, seu telefone estava "piscando".A voz parece de uma pessoa bêbada.Veja o vídeo


EUA já têm 13 bases militares em torno da Venezuela




A Venezuela e sua Revolução Bolivariana estão rodeadas hoje por nada menos do que 13 bases estadunidenses na Colômbia, Panamá, Aruba e Curazao, assim como pelos porta-aviões e navios de guerra da IV Frota. Em outubro, o presidente conservador do Panamá, Ricardo Martinelli, admite que cedeu aos EUA o uso de quatro novas bases militares. O presidente Barack Obama parece ter deixado o Pentágono de mãos livres neste tema. E o presidente venezuelano Hugo Chávez denuncia que está sendo tramada uma agressão contra o país.
Artigo de Ignacio Ramonet que pode ser conferido na íntegra acessando aqui

A utopia de Montenegro



Ana Silvia Volpi Scott e Oswaldo Mário Serra Truzzi

A favor do trabalho livre e assalariado! Num tempo em que a maioria dos cafezais paulistas ainda utilizava mão-de-obra escrava, o comendador Montenegro fez diferente. Recrutou imigrantes e com eles fundou uma colônia que oferecia direitos inéditos a seus trabalhadores.

O português João Elisário de Carvalho Montenegro nasceu no município de Lousã, próximo a Coimbra, e chegou ao Brasil com cerca de 18 anos, radicando-se no Rio de Janeiro no início da década de 1840. Ele vinha de uma família de posses. Seu pai era um médico de prestígio em Portugal, mas envolveu-se em lutas políticas que lhe renderam perseguições e considerável perda de patrimônio. Diante disso, o jovem Montenegro decidiu tentar a sorte do outro lado do Atlântico.

Inicialmente dedicou-se ao comércio, trabalhando como caixeiro-viajante. Sua trajetória foi um sucesso: o negócio prosperou e o tornou conhecido como “rei dos viajantes”. Em 1867, resolveu investir seu capital na compra de uma propriedade em Pinhal, interior de São Paulo, e pôr em prática suas idéias sobre a melhor maneira de se administrar uma lavoura de café. Batizou a fazenda com o nome de sua cidade natal e começou a inovar já na contratação dos empregados.

O Núcleo Colonial da Nova Lousã adotou um sistema de recrutamento muito original. Aproveitando-se de sua condição de imigrante, o próprio Montenegro ia selecionar famílias de conterrâneos dispostas a vir para o Brasil trabalhar na fazenda. O procedimento teve rápida repercussão. Jornais da época não tardaram a creditar a este sistema grande parte do clima de boas relações que reinava na colônia e do sucesso alcançado pelo estabelecimento de Montenegro.

De fato, o ambiente era bem diferente daquele encontrado na maioria das fazendas que também utilizavam trabalhadores europeus. Nestas predominavam a desconfiança, os enganos, o desrespeito aos contratos e, muitas vezes, a violência. Uma fonte constante de conflitos era a coexistência de dois sistemas dentro da mesma propriedade – o trabalho escravo e o trabalho livre. Em 1872, por exemplo, no município de Mogi Mirim (ao qual pertencia Pinhal), a população escrava chegava a mais de cinco mil indivíduos, quase um quarto do total de habitantes.

O tradicional sistema escravista havia sofrido um duro golpe em 1850, quando a Lei Eusébio de Queiróz proibiu a importação de escravos da África, decretando o fim do tráfico negreiro. Ao mesmo tempo, a expansão da produção cafeeira demandava uma quantidade crescente de braços para as fazendas que se espalhavam pelo interior da província de São Paulo. A situação gerou discussões sobre alternativas à mão-de-obra escrava, e começaram a surgir experiências de emprego de trabalhadores livres. A principal opção que se abriu aos cafeicultores era a importação de mão-de-obra européia. Esta população costumava estar disposta a se deslocar para a América em função das grandes dificuldades pelas quais passava o Velho Mundo.

Na transição do regime escravista para o de empregados livres, era comum que negros cativos e colonos europeus convivessem lado a lado nas fazendas paulistas. Montenegro enxergava aí um problema que inibia a imigração em massa para o Brasil, pois a utilização dos dois sistemas sempre daria lugar a argumentos de que os colonos eram “tratados como escravos”.

Além de utilizar somente trabalhadores livres, o sistema implantado na Nova Lousã apresentava outra grande novidade em relação aos cafeicultores paulistas: pagava salários mensais. O comum naquela época era o chamado “sistema de parceria”. Idealizado pelo senador Vergueiro (1778-1859), baseava-se em um contrato que destinava à família do colono um certo número de pés de café para o cultivo e uma determinada área de exploração para subsistência. A remuneração era proporcional ao montante de gêneros produzido pela família, descontadas as despesas de transporte, adiantamentos e recursos para a instalação inicial. Vergueiro adotou este sistema na Fazenda Ibicaba, de sua propriedade, localizada no município de Limeira. De lá, a prática se espalhou por São Paulo.

O sistema de parceria tinha claras desvantagens. A principal era a incerteza dos colonos quanto ao lucro que teriam. Geadas, pragas e outros problemas podiam afetar os cafezais e comprometer a produção. Sem falar no clima de desconfiança quanto à lisura dos fazendeiros – afinal, não havia como conferir as condições de negociação e o preço de venda obtido. Montenegro passava ao largo dessas tensões garantindo aos seus colonos o pagamento de salários fixos.

Por fim, a experiência alternativa do comendador adotou mecanismos inéditos para regular e disciplinar direitos, deveres e a convivência entre os colonos. Os regulamentos eram a base do bem-estar e do ambiente harmonioso no interior da propriedade. Em agosto de 1872, uma assembléia de empregados da casa criou o Regulamento Administrativo e Policial da colônia. Enquanto a imensa maioria das fazendas paulistas regulava suas relações de trabalho pela chibata e pelo despotismo absoluto de seus proprietários, Montenegro propôs que da assembléia participassem, com direito a voto, todos os empregados da colônia, homens e mulheres. Com o curioso detalhe de que as mulheres podiam votar mais cedo: aos 16 anos; os homens, só aos 18. As reuniões podiam ser convocadas pelo proprietário ou por iniciativa de metade mais um dos empregados da fazenda. E as medidas eram decididas em votações secretas.

O regulamento previa a aplicação de multas aos empregados que desobedecessem às normas. As mais pesadas visavam coibir a prática de qualquer tipo de violência, para assegurar um relacionamento pacífico entre os colonos. Uma vez multado, o empregado ainda poderia recorrer em assembléia, caso se sentisse injustiçado. O montante arrecadado com as multas, em vez de favorecer o fazendeiro, era revertido para uma caixa de beneficência, cujos fundos seriam aplicados em favor dos colonos que por motivo de doença tivessem que voltar a Portugal.

O modelo prosperava. A fazenda tinha 80 moradores em 1872. Sete anos depois, a população chegava a 124 colonos. Todas essas iniciativas colocavam a Nova Lousã em uma situação que contrastava profundamente com a das outras fazendas de café. A colônia era uma exceção que despertava sentimentos e reações contraditórios tanto no governo como entre os fazendeiros.
Os abolicionistas em geral viam a experiência com muito bons olhos, e utilizavam a fazenda do comendador como modelo a ser seguido. Em julho de 1875, sob o título de “O melhor meio de atrair imigrantes”, a Província de São Paulo publicou:

Hoje devem descer para Santos, com destino a Portugal, alguns colonos da Nova Lousã, propriedade do sr. Comendador J. E. de Carvalho Monte-Negro, os quais, estando terminado o prazo do contrato e tendo feito economias, voltam à terra da pátria satisfeitos, senão ricos, ao menos com meios de viverem sem privações e talvez em tal ou qual abundância. Entre esses colonos há mulheres e até famílias completas. Este fato, honroso para o diretor daquela colônia, já tão conhecida entre nós, é uma excelente recomendação para ele continuar a merecer a confiança dos seus compatriotas. Relativamente à imigração de Portugal, esta volta dos colonos da Nova Lousã deve merecer muita influência em favor de nosso país e especialmente da província de S. Paulo. Se de outras colônias partissem para a Europa colonos felizes e satisfeitos como estes, depois de terminados os seus contratos, outra seria a corrente de imigração européa para cá. Registremos solenemente o fato e fique ele como um bom exemplo a ser seguido.

Mas havia também os céticos, que duvidavam que a aplicação do sistema em larga escala fosse viável. O governo, entre curioso e admirado, era reticente em relação ao que acontecia na propriedade de Montenegro. O relatório de um comissário do governo imperial, enviado para conhecer a colônia em 1870, afirmava que a iniciativa era digna de simpatia e interesse, mas argumentava que era muito cedo para concluir se os resultados alcançados deviam-se apenas às excelentes relações mantidas com os empregados ou se às regras que regulavam estas relações. “A Nova Lousã é antes uma família do que uma colônia, e separa-se dos outros estabelecimentos análogos da província por este lado, tanto como pelo sistema de trabalho que adotou. É por certo uma tentativa digna de todo o interesse e simpatia, e o seu proprietário já tem feito muito. É cedo, porém, para decidir se os resultados que tem alcançado são devidos às excelentes relações que mantém com os empregados ou se às regras que regulam essas relações”, registra o documento.

Oito anos depois, o próprio imperador D. Pedro II visitou a Nova Lousã. Apesar do evidente interesse, o governo não chegou a estimular a continuidade do projeto. Pelo contrário: em várias ocasiões, Montenegro se queixou do descumprimento, por parte do poder público, de contratos firmados para subsidiar a vinda de imigrantes. Faltava todo tipo de crédito para a fazenda, o que o obrigava a vender antecipadamente a colheita de café a preços pouco compensadores.

Duas décadas depois de implantado, o sistema salarial proposto por Montenegro ainda tinha pouca aceitação na província de São Paulo, e não inspirou seguidores. Prevaleceu o sistema de parceria, que mais tarde evoluiu para a empreitada (na qual os colonos eram contratados para realizar tarefas específicas, como preparação do terreno, plantio ou colheita). Após a abolição, em 1888, generalizou-se um sistema de remuneração misto, conhecido como contrato de colono, que combinava salários anuais pelo trato do cafezal, pagamentos pelo volume de café colhido, por tarefas, diárias e alguns benefícios não-monetários.

Diante das dificuldades financeiras, Montenegro vendeu sua propriedade três meses antes do fim oficial da escravidão.

Ana Silvia Volpi Scott é professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e autora do livro Famílias, Formas de União e Reprodução Social no Noroeste Português (séculos XVIII e XIX) (Guimarães: NEPS - Universidade do Minho, 1999).

Oswaldo Mário Serra Truzzi é professor da Universidade Federal de São Carlos e autor do livro Café e Indústria – São Carlos, 1850-1950 (Imprensa Oficial e EdUFSCar, 2007).

Fonte: Revista de História

Fogaça: os vacilos de uma candidatura vacilante




Na edição da última terça-feira (12/01) do “jornal” Zero Hora, na coluna da Rosane de Oliveira, foi noticiado com destaque (com direito a foto central) o retorno das férias do Prefeito-preguiça José Fogaça.
Ainda que tal matéria se preste a uma piada pronta, afinal, todos sabem o “entusiasmo” e a “dedicação” com a qual Fogaça trabalha (sic) no seu mandato, mas não é sobre isto que quero comentar aqui no blog.
Chama a atenção outro tema destacado pela jornalista da RBS que demonstra o ímpeto do virtual candidato da direita para o governo do estado, ao qual reproduzo um trecho abaixo (grifos deste blogueiro)

Fogaça, que em dezembro foi obrigado a antecipar o anúncio de sua candidatura ao governo do Estado, terá de lidar com a ansiedade de seus colegas de partido. Peemedebistas pedem “mais ousadia” do prefeito na articulação de sua campanha e empenho pessoal para a formação de alianças.

A mesma “sagacidade” que o Prefeito-preguiça Fogaça tem demonstrado nestes seus quase 6 anos a frente da Prefeitura de Porto Alegre deverá se repetir ao longo de sua campanha. A bem da verdade, a impressão que dá para quem assiste de longe as movimentações da direita é que Fogaça não queria ser candidato. Muito menos ainda vir a ser governador.
Trocar mais dois anos de tranquilidade e sossego a frente do Paço Municipal, onde conta com amplo apoio midiático, uma Câmara de Vereadores amiga que aprova os seus projetos com facilidade e enterra qualquer pedido de CPI para investigar as diversas denúncias de corrupção que envolveram o seu governo, pode não lhe parecer o melhor dos mundos.
O Prefeito-preguiça Fogaça deve ter feito as contas que, apesar do apoio midiático já estar garantido, a vida na Assembleia não seria tão tranquila, como tem demonstrado o (des)governo Yeda. Sem contar que terá que enfrentar a força dos movimentos sociais, algo que ele nunca vivenciou na prefeitura. Além do grau de complexidade das dificuldades que se encontra o Rio Grande do Sul, onde oito anos de maus governos (Rigotto e Yeda) estão levando o estado para um ponto crítico, bem diferente da situação em que ele encontrou a Prefeitura da capital.
Mas é evidente que o principal motivo desta postura vacilante é o risco de perder as eleições e ficar os próximos dois anos sem mandato, por conta da renúncia do cargo de prefeito para poder concorrer. Este cenário sem dúvida deve lhe dar pesadelos, afinal, desde que se elegeu Deputado Estadual pela primeira vez, em 1979, ele jamais ficou um ano sequer sem mandato.
A ideia de perder as eleições, e com isso a sua vida mansa e, o que seria pior ainda para ele, talvez ter de trabalhar, sem dúvida deve estar tirando o sono do nosso sonolento prefeito/candidato.


Arte do Cartum: Santiago

Daniel Bensaïd

Nota Democracia Socialista


Daniel Bensaïd morreu na manhã do dia 12 de janeiro. Perdemos um companheiro militante revolucionário com muitas contribuições originais para o marxismo.

Daniel nasceu em Toulouse há 64 anos. Foi dirigente destacado do maio de 68 na França. O primeiro livro de sua autoria – junto com Henri Weber – que publicamos no Brasil foi justamente Maio de 68 – Um ensaio geral. Traduzimos do francês, datilografamos em matriz e rodamos no mimeógrafo do DAIU (centro acadêmico da Filosofia da UFRGS) em 1977.

Com sua militância iniciada nos anos sessenta, Daniel deu uma contribuição decisiva para construir um elo entre o difícil acúmulo da militância revolucionária anti-estalinista e as novas gerações que lutam pelo socialismo.

Daniel Bensaïd foi fundador da Liga Comunista Revolucionária na França e depois do NPA (Novo Partido Anticapitalista). Foi um dirigente fundamental da IVª Internacional, um de seus mais argutos pensadores. Nos anos 90, já adoentado, passou a uma produção teórica impressionante, expressa em ensaios e livros, muitos traduzidos e publicados no Brasil, dentre eles Marx, o Intempestivo (Rio: Civilização Brasileira, 1999).



Na passagem do século passado, com o advento do movimento antiglobalização, engajou-se com energia renovada nas mobilizações e nos Fóruns Sociais Mundiais.



Daniel foi um colaborador assíduo nos debates para a formação da nossa corrente, sobretudo nos anos 80. Reconhecemos sua contribuição para a nossa construção. Nossa relação foi de amizade, respeito e carinho, mesmo no difícil momento de 2005, quando publicamente divergimos sobre as perspectivas do PT e quando nosso diálogo, antes tão profícuo, foi interrompido.

Partilhamos com a militância revolucionária de Daniel os mesmos valores da democracia socialista, a identidade sempre reiterada com a luta dos oprimidos e explorados de todo o mundo, o internacionalismo de raiz e a convicção de que hoje, mais do que nunca, é o tempo histórico da superação do capitalismo.

No seu livro Une lente impatience, sobre sua trajetória militante, Daniel dedica um capítulo à sua experiência brasileira. Com grande sensibilidade, com a sua admiração pela música de Chico e Milton, começa (e termina) citando a poesia de Carlos Drummond de Andrade, que bem pode resumir todo seu esforço militante: “Oh vida futura! Nós te criaremos!”


Prestamos nossa homenagem a Daniel Bensaïd, uma homenagem à rebeldia, uma homenagem à revolução!



São Paulo, 12 de janeiro de 2010.


Democracia Socialista-tendência do PT

Por uma Comissão da Mentira!



Marco Aurélio Weissheimer

Há uma saída simples, barata e eficiente para sepultar (palavra adequadíssima, no caso) a polêmica criada pela proposta de criação de uma Comissão da Verdade, destinada a investigar casos de tortura e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar. Já que a verdade causa desconforto e urticária no Brasil, que se crie a Comissão da Mentira, o instrumento definitivo para enterrar (outra palavra muito adequada ao caso) qualquer revanchismo, a palavra mais repetida na imprensa brasileira nos últimos dias. Já que a verdade ameaça a democracia, e ninguém quer ameaçar a democracia, que se crie logo a Comissão da Mentira. O país dormirá mais tranqüilo.

Como disse o editorial do jornal O Globo, de 31 de dezembro, é preciso dar um basta a essas reiteradas tentativas de revanchismo. E o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), do alto de sua sabedoria e compromisso com a democracia, advertiu a nação brasileira em um antológico artigo intitulado “Retrocesso e Anarquia”: não há como julgar os torturadores sem julgar os terroristas que pegaram em armas contra o governo dos generais. Tanto a direção de O Globo quanto o prefeito de Curitiba dormiriam mais tranqüilos com a criação da Comissão da Mentira. Ela se encarregaria, por exemplo, de enterrar as versões de que as principais empresas de comunicação do país apoiaram o golpe militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart e, depois, se beneficiaram economicamente com o gesto. E quem disse que houve tortura no Brasil? Os militares estavam defendendo a democracia contra terroristas, lembrou o prefeito tucano, já afinado com o espírito da Comissão da Mentira.

Quem quer saber disso? O que interessa para a população saber que os principais jornais e TVs do país apoiaram a ditadura militar? Puro revanchismo! Foram coniventes com a censura, com prisões ilegais, tortura e desaparecimento de prisioneiros políticos? Revanchismo inaceitável!!! Casos de tortura? Não se preocupem! A Comissão da Mentira se encarregaria de não “recriar uma zona de turbulência já superada pela sociedade brasileira”, como disse o editorial de O Globo.

Há um candidato certo para presidir tal comissão: o incansável ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele se encarregaria de trazer para o caminho da mentira aqueles que estão perdidos em busca da verdade, esta coisa desagradável e incômoda. Figuras como o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, para quem “o Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade”. O presidente da OAB acredita ainda que “anistia não é amnésia”. Pois bem, a Comissão da Mentira resolveria essas angústias, transformando anistia em amnésia, verdade em covardia e qualquer outra transmutação que seja necessária para livrar o pobre povo brasileiro de zonas de turbulência, como nos alertou O Globo.

A verdade, nos lembrou Beto Richa, pode nos trazer retrocesso e anarquia. Quem quer isso? Turbulência, revanchismo, anarquia, retrocesso...Quem inventou essa história de Comissão da Verdade deveria ser preso e acusado de crime hediondo. Lula deve rever o decreto, como ordenou O Globo. A verdade não é uma alternativa, enfatizou. É preciso arrancar a mentira da verdade, nem que seja à força. Contra todo o revanchismo, que se institua logo a Comissão da Mentira. O Brasil não pode se acovardar e querer conhecer sua história. Isso seria inaceitável, ou, como diria outro possível candidato a presidir a comissão, uma vergonha!

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior

Em março vai sair álbum "novo" do Jimi Hendrix


Por Mike Collett-White

Os fãs de Jimi Hendrix poderão ouvir cerca de uma hora de música inédita de seu herói quando a família do guitarrista e o Sony Commercial Music Group lançarem um álbum "novo" dele, em 8 de março.

"Valleys of Neptune" traz gravações de estúdio que datam de 1969, o ano anterior à morte de Hendrix, aos 27 anos de idade, em Londres.

"Meu irmão Jimi se sentia em casa no estúdio", disse Janie Hendrix, diretora da empresa familiar Experience Hendrix LCC, criada para proteger um legado avaliado em dezenas de milhões de dólares.

"'Valleys of Neptune' mostra sua maestria no processo de gravação e revela que ele foi tão ímpar como inovador em gravações quanto como guitarrista. Seu brilho é evidente em cada uma dessas faixas preciosas", acrescentou.

O álbum terá várias canções que já são conhecidas dos fãs mais inveterados do guitarrista graças a gravações pirateadas, mas também haverá mais de 60 minutos de música de Hendrix até agora inédita.

"Valleys of Neptune" vai incluir covers do clássico "Bleeding Heart", de Elmore James, e "Sunshine of Your Love", do Cream, além de versões de composições originais de Hendrix como "Ships Passing Through The Night" e "Lullaby For The Summer".

O disco faz parte de uma onda de relançamentos de música de Jimi Hendrix. Novas edições de "Are You Experienced?", "Axis: Bold As Love", "Electric Ladyland" e "First Rays of the New Rising Sun" vão todas sair no mesmo dia.

Janie Hendrix disse ao jornal LA Times que os herdeiros do guitarrista têm material suficiente para "uma década" de novos lançamentos, tanto musicais quanto em vídeo.

Fonte: Reuters

Fórum Social Mundial - Abertas incrições para o Acampamento da Juventude

Estão abertas as inscrições para quem quiser acampar, participar ou realizar atividades no Acampamento Intercontinental da Juventude – AIJ 10 anos. O acampamento é parte integrante da programação descentralizada do Fórum Social Mundial (FSM) 2010, que prevê ações em toda a Região Metropolitana de Porto Alegre.

Os participantes também podem se inscrever em atividades autogestionárias dentro da grade de programação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (055 - 51) 3036-2162.

O acampamento ocorrerá entre os dias 23 e 29 de janeiro, na Sociedade Gaúcha Lomba Grande (rua Albano Germano Konrath, 1305, bairro Lomba Grande), em Novo Hamburgo.

Com o tema central “Os Movimentos em Movimento”, o acampamento desenvolverá três eixos temáticos específicos: Educação, Saúde e Participação Social; Desenvolvimento Sustentável e Democracia Participativa; e Agricultura Familiar e Orgânica. Eles serão distribuídos em sete espaços temáticos dentro do parque e outros quatro Espaços de Livre Ocupação (ELOs), que serão montados nos bairros Santo Afonso/Liberdade, Boa Saúde, Canudos, Kephas/Roselândia.

Mais informações no site do Acampamento clicando aqui

Fórum Social Mundial, décima edição




Breno Altman

Os milhares de ativistas que se reunirão em Porto Alegre, no final desse mês, terão várias razões para comemorar seu feito. Mas também estarão diante do fracasso de um dos conceitos estratégicos que levou à convocação do Fórum Social Mundial no início desse século.

Quando a primeira edição ocorreu, em 2001, as forças progressistas viviam ainda um forte ciclo de dispersão e recuo, apesar das manifestações anti-globalização em Seattle, Washington e Praga durante reuniões de organismos financeiros multilaterais. Os focos de resistência, mesmo se multiplicando, ainda não eram capazes de forjar alternativa ao mundo unipolar surgido após o colapso da União Soviética.

Desse quadro tampouco escapava a América Latina, território onde a hegemonia do neoliberalismo revelava sinais mais evidentes de fadiga, com a ruína de diversas administrações alinhadas com o Consenso de Washington.

A vitória eleitoral do venezuelano Hugo Chávez, em 1998, significara um passo importante na construção de cenário mais positivo para a esquerda, ladeada pela bancarrota do governo conservador equatoriano e pela crise política que, na Argentina, acabaria por desembocar na rebelião contra o governo De La Rua. Mas esses fatos, por relevantes que fossem, ainda não indicavam uma reviravolta continental nos idos de 2001.

O Fórum Social Mundial foi, então, a primeira iniciativa planetária, em muitos anos, capaz de reunir os brotos de mobilização político-social contra a coalizão imperialista liderada pelos Estados Unidos. Sua primeira edição, e algumas das seguintes, deram rosto ao protesto contra o desenho de mundo forjado pelos monopólios e seus governos.

Um dos segredos para reunir correntes e experiências tão diversas talvez residisse, para além do formato de uma feira mundial de idéias, no argumento-força de que os protagonistas do evento deveriam ser os movimentos sociais e as organizações não-governamentais. Havia uma declarada marginalização de partidos e governos, que apenas perifericamente puderam participar das atividades programadas.

Não se tratava de um truque organizativo. Entre os principais articuladores do Fórum, com expressiva repercussão em fatias eventualmente majoritárias dos ativistas presentes, predominava o ponto de vista de que o centro dinâmico de uma estratégia progressista tinha se transferido do Estado para a sociedade, dos partidos para os movimentos, da política institucional para as redes sociais.

Essa opção permitiu construir um arco amplo de participação, além de abrir espaços na couraça midiática. Na prática, o Fórum se apresentava como a negação da forma-política que faz parte da herança genética da esquerda. Apostava na horizontalização contra a verticalização, nas pautas de reivindicação contra os programas de governo, na resistência social contra a alternativa de poder. Muita gente podia entrar nesse barco.

Tal formatação revelou-se, com o passar do tempo, a benção e a agonia do Fórum. Não há dúvidas de que permitiu um impulso inicial sem precedentes, mas se provou um fracasso estrondoso como caminho estratégico.

Afinal, a recuperação política da esquerda, ao menos onde acontece com relevância, como é o caso da América Latina, passou centralmente pelo papel dos partidos e da política, pela conquista de governos e sua defesa. Mesmo as forças acumuladas pelos movimentos sociais confluíram para esse leito, auxiliando a desgastar e a isolar os blocos conservadores.

O discurso autonomista, tão proeminente nas primeiras edições do Fórum, apresenta-se hoje como uma relíquia exótica, desprovido de vida e conexão com a realidade. O que explica a irrelevância à qual, pouco a pouco, vai sendo condenado o próprio Fórum, de onde antes partiam tantas vozes que anunciavam o ocaso da forma-partido.

Já sem o brilho e a capacidade convocatória de suas primeiras edições, o Fórum Social Mundial volta a Porto Alegre. Nada indica que terá a mesma pujança do nascedouro, quando poderia ter desempenhado um papel de maior destaque na composição entre partidos, governos, intelectualidade e movimentos sociais.

Acabou aprisionado a fórmulas que garantiram sucessos iniciais, de público e crítica, mas que acabaram por limitar seus horizontes a uma estrutura de congraçamento, debate e inação.

Breno Altman é jornalista, diretor do site Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

Humor



Autor: Turcios

Carta Maior: O risco de um golpe hondurenho no Paraguai


No dia 17 de dezembro deste ano, o senador liberal Alfredo Luís Jaeggli, que defende o julgamento político e o afastamento do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, concedeu uma entrevista ao programa Carbono 14, da rádio Nacional, de Buenos Aires. Na entrevista, conduzida pelos jornalistas Pedro Brieger (PB), Eduardo Anguita (EA) e Miriam Lewin (ML), o senador fala abertamente da vontade da oposição de afastar o presidente Lugo do cargo em 2010. Indagado sobre a possibilidade de um processo golpista semelhante ao que ocorreu em Honduras, o senador Jaeggli defende os golpistas hondurenhos e diz que Lugo estaria “atrapalhando as reformas modernizantes” no país. E cita como exemplos o modelo implantado no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet e também as reformas privatizantes aplicadas por Menem na Argentina.

As declarações do senador paraguaio indicam que está em curso uma articulação da direita na América Latina para recuperar o terreno perdido. O primeiro movimento ocorreu em Honduras. O Paraguai, agora, é o próximo alvo, contando ainda com a possibilidade de uma vitória eleitoral da direita chilena.
Clique aqui e acesse a íntegra da matéria

Sérgio Moraes (PTB-RS) ganha estátua de santo (com dinheiro público)




Todos conhecem o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). Sua notoriedade nacional se consolidou ano passado, na ocasião em que foi relator (afastado) do processo de cassação, no Conselho de Ética, do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), aquele dono de um castelo avaliada em R$ 25 milhões, não declarado em seu IR. 

Sérgio Moraes não só defendeu Edmar, como afirmou que estava “se lixando” para a opinião pública do país. 

Pois agora Sérgio Moraes será recompensado. Sua prestimosa mulher, Kely Moraes, Prefeita de Santa Cruz, Vale do Rio Pardo (RS), vai construir um monumento de 38 metros supostamente em homenagem a São João Batista, padroeiro da municipalidade.

Ocorre que a imagem de João Batista que a alcaide utilizará de modelo é a cara e fuça do seu marido, deputado Sérgio Moraes.


Embora a Kely Moraes negue a semelhança – perceptível a qualquer cidadão que ponha os olhos na imagem escolhida do santo e na foto de Sérgio Moraes -, outra “coincidência” revela com propriedade as efetivas intenções do casal Moraes: a estátua será erguida no distrito em que o deputado nasceu e cresceu. Lindo, não?

O pior disso tudo é que o monumento será edificado com recursos do Ministério do Turismo, que certamente desconhece o fato de a prefeita pretender gastar dinheiro da União para homenagear o seu marido.

A burgomestre de Santa Cruz, que ganha subsídio de R$ 18 mil pelo seu ofício,  garante que o monumento será construído. Pelo visto, Kely também está se lixando para a opinião pública.


Pescado no Blog do Charles Bakalarczyk

'Avatar' é acusado de ser propaganda política da esquerda



Mais ridículos que os profissionais da opinião amestrados pelo sistema, que ficam repetindo jargões criados pelos marketeiros dos estúdios, só mesmo os extremistas de direita que, obtusos, não conseguem nem enxergar que filmes como "Avatar" servem apenas para nublar consciências e provocar acomodação política - ambas ideais para a direita deitar e rolar... Só rindo mesmo!

De bem com as bilheterias e com boa parte das críticas de cinema, James Cameron só tem um pequeno "senão" a lidar depois da estreia de Avatar, seu mais novo filme. Seu pequeno problema agora é com os críticos politicamente mais conservadores dos Estados Unidos que, a partir de diversos jornais, tais como o Los Angeles Times e o The New York Times, estão condenando a produção de Cameron por sua "propaganda política de esquerda".

Na trama, o ex-fuzileiro naval Jake Sully entra para uma missão de espionagem do povo que vive no planeta Pandora, os Na'vi. A relação humanidade (dos Na'vi) versus a ambição capitalista (dos humanos) começa a se construir a partir dessa relação entre Sully e o povo que, a princípio, seria "estrangeiro".

De acordo com o Los Angeles Times, em uma reportagem publicada nessa segunda-feira (4), partidários da direita nos Estados Unidos estão unindo vozes para dizer que Avatar é uma propaganda da "América de Obama". E que existe uma quase não velada mensagem contra o "imperialismo americano" no filme.

Escrevendo para a publicação New York Press, o crítico de cinema Armond White alegou Avatar "deturpa os fatos do militarismo, do capitalismo e do imperialismo" e descreve o filme como "guiado por uma culpa do desejo de matar que surgiu depois do 11 de Setembro". No blog do jornalista americano John Nolte, o Big Hollywood, há "um desejo de morte para os esquerdistas" e que a produção de Cameron seria "uma fantasia simplista, de vinganças revisionistas".

O jornal inglês The Daily Mail, poucos dias depois da estreia do filme, em dezembro de 2009, publicou um artigo com o título "Avatar: o mais caro filme antiamericano já feito".

Na opinião do jornal The New York Times, o filme é uma "22ª versão dos colonialistas americanos versus os colonialistas ingleses, India versus os Rajás, ou a América Latina versus a United Fruit." Ou seja, algo entre brigas de ideologias políticas e luta de classes.

Pescado no blog Tudo em Cima

A Arena do Grêmio e a elitização da torcida



Inicialmente achei boa a idéia de se construir um novo e moderno estádio para o Grêmio, a chamada ''Arena Tricolor''. As imagens e maquetes apresentadas realmente impressionam (veja na foto acima).
No entanto, a medida que foram vindo a tona mais informações a cerda do detalhamento do projeto e do contrato que estaria sendo firmado entre o clube e a empreitera OAS a certeza deu lugar a dúvida.
Se fizermos um rápido retrospecto das "lambanças" que a cartolagem do Grêmio fizeram (e fazem) com o patrimônio e as finanças do clube nos últimos 15 ou 20 anos, a dúvida rapidamente dá lugar a certeza: a Arena do Grêmio será nociva ao clube.
A Arena retirará do Grêmio a propriedade de seu estádio, passando a jogar por "concessão" da OAS, que será ela proprietária do estádio. O time não poderá nem ao menos utilizar o gramado da Arena para realizar os seus treinos. Ou seja, de um time orgulhoso de possuir um estádio próprio (coisa que muitos times grandes do Brasil até hoje não conseguiram, como é o caso Corinthians) passaremos a jogar "de favor" em um estádio de propriedade de um empreiteira que se utilizará do nome do Grêmio para angariar os seus vultuosos lucros, tudo garantido por duas décadas pelo contrato assinado.
Existem ainda uma série de outros problemas que envolvem esse projeto da Arena que posteriormente pretendo comentar por aqui, mas um em particular não posso deixar batido e que pode sim ser o mais grave de todos: o afastamento do Grêmio de sua torcida.

Em sua história, o Grêmio passou de um clube acanhado e fechado em Porto Alegre em seu nascimento (a mais de 100 anos) a um gigante que conquistou a América e o Mundo, esse processo levou o time a conquistar as massas e se converter no time de maior torcida no Rio Grande do Sul e uma das maiores torcidas do país.
O projeto da Arena pode provocar uma interrupção desta caminhada vitoriosa do clube com sua torcida. Torcida esta que inúmeras vezes salvou o time das trapalhadas que a cartolagem teima em reiteradas vezes praticar.
Nisso não tenho nenhuma "teoria da conspiração", apenas fatos.
Além de reduzir a capacidade de público, das dificuldades de acesso que a torcida terá com a localização do novo estádio, a pior consequência será o processo de elitização que se promoverá na Arena. Os ingressos terão seus preços elevados a patameres que invariavelmente serão impeditivos a participação da massa. Essa mesma massa que tantas vezes empurrou o time e que a partir da construção da Arena terá que acompanhar o time apenas pela TV ou rádio.
Infelizmente, isso que está acontecendo com o Grêmio não é um processo isolado e outros clubes almejam caminhar para o mesmo destino. Abaixo reproduzo um bom artigo sobre este tema do Juca Kfouri.

A elitização do futebol

A geral do Maracanã, como em outros estádios brasileiros, fazia parte do folclore do futebol. Tudo lá era permitido, menos assistir aos jogos sentado. O mais democrático dos setores de um campo de jogo ficou na história e na memória de cronistas esportivos para dar espaço à modernização das cadeiras numerada nas "arenas", uma antítese da geral, dos geraldinos e do torcer em pé.

No inevitável processo de transformação do futebol em negócio, há um ponto que ainda nem sequer está sendo discutido no Brasil: o que será da massa torcedora no país do futebol?

Nos belos projetos de construção de modernos estádios e de reforma dos já existentes, e para atender às exigências da Fifa, só se fala em assentos para todos, estacionamentos próximos a esses assentos, o fim dos espaços para a torcida em pé, em conforto, boa comida, ar condicionado etc.

Nada contra, é claro.

Mas é óbvio que se cobrará mais caro pelo ingresso e é aí que num país pobre como o nosso a coisa se complica. Estará o torcedor menos favorecido condenado a ver futebol na TV aberta?

Pior: também parece inexorável que cada vez mais as TVs fechadas e o sistema de pagar-para-ver tomarão conta das transmissões e a um preço que o torcedor pobre também não poderá pagar. A paixão será mantida pelo rádio?

É sabido, por outro lado, que um dos meios para se diminuir a violência na Inglaterra foi justamente o de aumentar o preço dos ingressos, o que afastou os filhos do operariado dos estádios.

Estará o futebol em vias de se transformar no que a NBA fez com o basquete norte-americano?

Basta ir ao Madison Square Garden, em Nova York, para constatar que os habitantes do Harlen não passam nem na porta do ginásio onde o NY Knicks joga.

Pode ser um problema sem solução, mas é um grande problema. A tendência é mesmo a de transformar os estádios em estúdios, calorosos, coloridos, com gente bonita e famosa, mas, e o povo? A elite brasileira será suficiente para alimentar a paixão pelo futebol?

Eis aí uma questão que deveria estar preocupando os marquetólogos. Porque o Maracanã sem a geral em pé tende a elitizar a torcida de maneira perigosa.

Sem se dizer que, como já disse o professor Belluzzo, responsável pela aproximação entre o Palmeiras e a Parmalat em 1992, nosso futebol, em fase de mudança, está sendo vítima de um fenômeno semelhante ao que se dá na Rússia em sua transição para o capitalismo, dominada pela máfia.

E a máfia só se preocupa com seus lucros, seja como for.

(Publicado no blog do Juca Kfouri)

Boris Casoy: o símbolo do jornalismo reacionário

Que o jornalista Boris Casoy, atualmente na rede Bandeirantes, era um tremendo reacionário, acho que poucas pessoas detentoras de alguma capacidade de percepção da realidade não teriam percebido. Mas para aqueles desavisados ou ingênuos que, por ventura, ainda achavam que o jornalista era "isento" a edição do dia 31/12 do Jornal da Band não deixou dúvida alguma.
Já faz tempo que o os jornais da Band andavam destilando um alto grau de conservadorismo em suas edições (bem acima do seu próprio historico), algo que já me causara muita revolta, ao ponto de já fazerem alguns meses que minha TV, nos poucos momentos que perco em sua frente, não para sintonizada nesta emissora. A única coisa que ainda me leva a parar neste canal são as partidas de futebol europeu, o que ultimamente tenho optado por assistir em outros canais. De resto, o conservadorismo impera e Boris Casoy é o grande "símbolo" deste jornalismo reacionário que domina a emissora.
Espero que essa manifestação de sinceridade do Boris Casoy sirva para provocar alguma mudança no jornalismo dessa emissora, como não creio que isso vá acontecer no futuro imediato, a minha sugestão é o puro e simples boicote. Não percam mais seu tempo com esse canal de TV, além da programação ruim o seu jornalismo ainda vive no clima da guerra fria e da ditadura militar.


Quem tem medo do Lula?



Emir Sader

Todas as prevenções possíveis foram propaladas pela imprensa mercantil: “Cuidado, o filme (piegas, para eles, como tudo o que é do povo), tenta pegar você pelo sentimento, pelo sofrimento da mãe nordestina (ainda mais que feita pela cativante Gloria Pires), é um filme populista, a cara desse governo”. Um funcionário da empresa dos Frias (a Força Serra Presidente) diz que prefere Vidas Secas, do Graciliano. (Tem tanto a ver quanto dizer que, a 2 filhos de Francisco, eu prefiro Sacco e Vanzetti).
Só para tentar desqualificar algo que incomoda profundamente a elite branca, assumidamente sulista (do Sul maravilha do Henfil, que os estaria gozando mais do que nunca hoje), racista, separatista (ao estilo de 1932, quando diziam que São Paulo era “a locomotiva do país”, que puxava tantos vagões de gente que não queria trabalhar, mas viver às custas dos paulistas, daí o separatismo e o “Não sou conduzido, conduzo”, seu lema na época).

Poderiam ter feito outra coisa: um filme com a biografia do FHC. (Como reclamam que o programa do PT fez a comparação do governo Lula com o do FHC, então devem fazer o próximo programa tucano fazendo a sua comparação dos dois governos.)

O filme é lindo e emocionante, porque trata de uma trajetória de vida linda e emocionante. E vitoriosa. (Ao contrário do belíssimo Vidas Secas, mas que trata da grande maioria dos nordestinos, especialmente até bem pouco, derrotados.) As novelas invisibilizam os nordestinos, quando são retratados, em geral pela literatura, às vezes pelo cinema, são focalizados no seu sofrimento ou em alguma saída individual, mágica, que não passa pela política. Senão seria um convite à ir à luta.

E Lula, sua vida, incomodam, porque é um nordestino vitorioso. Não apenas porque passou por todos os sofrimentos e perdas que a grande maioria do povo brasileiro passa. Mas porque as superou, chegou a presidente da República, derrotando candidatos da direita e começou a mudar a vida das pessoas que, como ele, nasceram na miséria, que são a grande maioria, porque as elites reproduziram um país para poucos, para eles.

Entre tudo de extraordinário que acontece na Bolívia atualmente, seu vice-presidente, Alvaro Garica Linera, destaca especialmente um breve diálogo entre Evo Morales e um menino de origem indígena, quando Evo lhe pergunta o que ele quer ser quando crescer e ele responde: “Presidente”. Num país em que, apesar de dois terços da população se considerar indígena, até 4 anos atrás nunca um indígena tinha sido eleito presidente.

Depois de Lula, um menino pobre, da nordeste ou da periferia das nossas grandes e opulentas metrópoles, com as misérias que as cerca, podem pensar em ser presidentes do Brasil.

O filme é sobre dona Lindú, porque nas famílias pobres, sofridas, a vida da mãe é indissoluvelmente a vida dos filhos e vice-versa. É um belo filme, porque é uma bela vida, tratada com sensibilidade e com afeto. Numa família pobre, o personagem central é a mãe, que cuida dos filhos, os educa, trata de que possam tocar sua vida da melhor maneira, sobre com eles e por eles.

Lula é o filho de dona Lindú, por isso é o filho do Brasil, como homenagem a todas as donas Lindú que batalham, sofrem e riem – como ela ri, numa das cenas mais emocionantes do filme, quando Lula recebe o diploma de torneiro mecânico -, vivem e morrem com e pelos seus filhos.

Têm medo de Lula todos os que têm medo do povo, do povo brasileiro, dos seus personagens – que eles tratam de esconder na sua imprensa, na sua cultura, nos seus discursos. Têm medo de Lula, porque sentem que lhes estão roubando um país que sempre sentiram como seu. De repente um nordestino, imigrante pobre, que perdeu um dedo na máquina, como operário nordestino, promove os direitos de gente como ele, que sempre foi postergada – “inimpregáveis”, segundo FHC, “essa raça”, para Bornhausen.

Vale muito a pena ver o filme. Pelas emoções que ele transmite e para nos darmos conta um pouco mais do que significa Lula ter sido eleito presidente e governar com o apoio de mais de 80% dos brasileiros, especialmente de todos os filhos de dona Lindú.

Texto pescado na Agência Carta Maior