Feliz 2010


Não sou muito afeito a mensagens festivas, mas enfim, abrindo uma exceção e como reveillon é a única das "festas oficiais" que eu aprecio, desejo a todas e todos um feliz 2010.
Boas festas para todas e todos!

Yelow Cake - Como o mundo funciona



Dominação de nações mais fracas, corrupção, fome, terrorismo estes são os temas desta animação que, usando animais fofinhos (gatos e ratos), mostra como o mundo funciona. Qualquer semelhança com o que esta sendo feito pelo mundo afora não é mera coincidência!
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O natal da Yeda


Passado as festas de natal e voltando ao blog, teve um tema que quase que deixo passar batido: o natal da governadora Yeda.
A governadora campeã de rejeição em todo o país resolveu juntar a família e comemorar mais um ano de muitas conquistas para ela, a principal delas, sem dúvida, foi terminar o ano com o mandato preservado e livre da cadeia. Motivo de sobra para agradecer ao "Papai Noel".
Que por sinal Yeda faz um desafio aos leitores de seus blog: identificar quem é o Papai Noel que marcou presença na festaem sua mansão.
São muitas as especulações sobre quem estaria trajando as roupas do "bom velinho". Desde o Carlos Crusius, passando pelo Coffy, podendo até mesmo ser o Feijó, que teria resolvido estragar a festa da governadora.
Quanto a quem seria o Papai Noel, fica a dúvida, agora, quanto aos panetones que estavam sendo servidos não resta nenhuma dúvida sobre a sua procedencia.


Especula-se que possa ser o próprio Arruda fantasiado na foto, que teria vindo a Porto Alegre presentear a sua amiga Yeda com alguns dos seus famosos panetones.

Afinal, após o "presente" que a Yeda tentou dar ao funcionalismo e que mais uma vez foi rejeitado na Assembléia Legislativa, seguindo uma sina de derrotas que tem marcado os finais-de-ano em seu governo, só lhe restava os panetones!

Humor


Autor: Charles Addams (Samuel), 1912-1988, cartunista americano.
Célebre pelo seu humor mórbido, foi colaborador da revista The New Yorker, onde criou uma antológica série de cartuns góticos, que deram origem à Família Addams, da série na TV e em filmes.

Ciro e o PT


André Singer: por que o PT deve conversar com Ciro Gomes


O discurso pronunciado por Ciro Gomes no plenário da Câmara dos Deputados na terça passada (15) abre uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada pelo Partido dos Trabalhadores. Vocalizando o crescente mal-estar com respeito ao comportamento do partido comandado por Michel Temer, Ciro acaba por tocar em ponto nevrálgico da situação atual, com possíveis reflexos de longo prazo, ao dizer à Folha que “a coalizão PT e PMDB tem feito mal ao Brasil”.

Por André Singer*, na Folha de S.Paulo, via
Vermelho
Ciro Gomes não é um político tradicional. Em que pesem aspectos tipicamente personalistas, como a simpatia por Aécio Neves, que contrasta com a simétrica antipatia que devota por José Serra, o pré-candidato socialista detém uma característica que o distingue na geleia geral da política: tem ideias para o Brasil. Certas ou erradas, elas introduzem no debate elemento que o distingue da mera barganha entre interesses particulares.

Nos últimos 15 anos, Ciro buscou ocupar o espaço deixado vago com o deslocamento peessedebista em direção à direita do espectro ideológico. Originário do campo tucano, decidiu se opor ao viés neoliberal que o governo Fernando Henrique imprimiu ao país e ao PSDB, criado em oposição ao fisiologismo do PMDB.

Vale recordar que numa conversão, à época chocante e inesperada, FHC optou por uma aliança com o então PFL (hoje Democratas) na disputa presidencial de 1994. Tal junção descaracterizou o PSDB, como a de hoje com o PMDB ameaça o PT. Menos pelas concessões programáticas que acarreta do que pela falta de conteúdo que implica.

Desde há muito o PMDB deixou de ter apego a um programa. Talvez uma análise minuciosa mostre que o ciclo programático do partido se esgotou quando promulgada a Constituição de 1988. Desde então, a sigla se transformou em um condomínio de lideranças regionais, com as mais diversas inclinações.

A ausência de um ideário comum possibilita maior flexibilidade na ocupação de espaços de poder. Tanto apoia a opção neoliberal do segundo mandato de Fernando Henrique quanto o caminho desenvolvimentista do segundo mandato de Lula. Nunca se ouviu falar de um debate interno ao partido sobre os diferentes projetos que tais governos representam.

Diferentemente, mesmo em meio às transformações que o lulismo tem causado, o PT mantém um vínculo com a tradição que o orientou por mais de 20 anos. O terceiro congresso do partido, realizado em 2007, reafirmou o caráter socialista da sigla e as manifestações da direção partidária ao longo dos últimos dois anos foram sempre no sentido de orientar o Brasil para um modelo pós-neoliberal.

Não deverá ser diferente o programa proposto para a candidatura Dilma no quarto congresso, a ser realizado em fevereiro próximo. Muitos poderão dizer que são apenas palavras. Mas elas têm consequências práticas. Basta ver a ação dos ministros e parlamentares do PT durante o governo Lula.

Diante das alianças que darão suporte à postulação de Dilma, o PT deveria ser coerente com essas orientações. Consciente de que não tem a maioria dos votos no país, é correto buscar uma aproximação com outras correntes, sabendo que aliança se faz com aquele que pensa diferente.

Mas, para um partido de esquerda que deseja compor uma frente eleitoral, o diálogo esperado é com os vizinhos, sejam de centro-esquerda, como o PSB e o PDT, sejam de esquerda, como o PSOL, o PCdoB e o PV de Marina Silva. Pular sobre essas forças para unir-se ao PMDB sem discussão programática alguma é negar o sentido ideológico da escolha.

As razões para priorizar o PMDB não são desprezíveis. Elas atendem ao frio cálculo eleitoral. Deixar os cinco minutos de TV e várias seções estaduais peemedebistas nas mãos de Serra pode ameaçar a vitória nas urnas em outubro de 2010. Assim, é preciso estar consciente de que abrir uma temporada de conversas com a esquerda e a centro-esquerda, que poderia resultar na candidatura de Ciro a vice de Dilma, representa uma trilha ousada. Seria, contudo, uma lufada de ar fresco em um ambiente de sufocante ausência de propostas.

A sugestão presidencial de uma lista tríplice a ser enviada pelo PMDB para escolha do vice e a fala de Ciro na Câmara apontam para o mesmo perigo. O de que a candidatura Dilma seja envolvida por tal realismo que termine por negar os princípios que deseja representar. Mesmo com as incoerências passadas e presentes de Ciro Gomes e do PSB, eles ainda são uma chance que resta ao PT para impedir que o sistema partidário evolua em uma direção pasteurizada que não interessa à sociedade brasileira.

* André Singer é professor do Departamento de Ciência Política da USP. Foi secretário de Imprensa e porta-voz da Presidência da República no governo Lula

Cerveja (ruim) patrocina o circo teen da RBS


 
Por Cristóvão Feil, do Diário Gauche

Os adolescentes de Porto Alegre são campeões nacionais em consumo precoce de álcool, especialmente a cerveja. É o que diz uma pesquisa do IBGE, divulgada ontem (sexta, dia 18).
O jornal Zero Hora, o principal veículo da RBS, edição de hoje (sábado), faz uma chamada de capa para a pesquisa, e dedica toda a página 32 a comentar o fato, sempre em tom de preocupado moralismo e discreta censura… ao álcool. Deduz-se, depois da leitura, que a responsabilidade é toda dos pais da meninada, uma vez que um especialista consultado afirmou empiricamente que “a explicação para a posição incômoda é cultural, muitos pais de Porto Alegre querem ter uma postura liberal com os filhos, mas acabam se tornando condescendentes”.
A matéria de ZH jamais cogita examinar a influência da propaganda do álcool na televisão, a qualquer hora do dia, e muito menos de mega-eventos teen patrocinados por fabricantes de bebidas alcoólicas.
Portanto, nada mais cínico, nada mais cara-de-pau. Logo a RBS, que detém o controle de uma empresa de eventos e explora o negócio responsável por montar anualmente dois circos, um em Florianópolis, outro em Atlântida, no litoral norte do RS. No circo, numa maratona de 72 duas horas seguidas, apresentam-se atrações musicais e bebe-se muita cerveja - mas apenas de uma marca, já que o principal cotista-patrocinador é um fabricante de cerveja de qualidade discutível. Público alvo do circo etílico rebessiano: crianças, pré-adolescentes e adolescentes.
Coisas da vida.

Em Tempo: E o Ministério Público/RS e SC onde estão? Têm algo a dizer? Agirão ou permanecerão impassíveis?

Aécio desiste e joga a "batata quente" no colo do Serra


Aécio anunciou o que muitos já davam como algo evidente que aconteceria: a sua desistência de concorrer a Presidencia da República;
Aécio joga a "batata quente" no colo do Serra.
Sentindo que o "peso" da "máquina serrista" estava difícil de resistir e sob a ameaça de novos ataques desferidos via Folha de SP contra sua candidatura, Aecio retira o time de campo, antes do prazo que o próprio Serra esperava que o fize-se.

Deverá ser candidato ao senado por MG, onde acredita que se elegerá com folga. Quanto a uma eventual candidatura tucana a presidencia, o risco de derrota era eminente, com o constante crescimento que Dilma tem demonstrado nas pesquisas. E com isso, veria sua "carreira política" sofrer um forte abalo.
Agora, quanto a Serra, não lhe restará outra alternativa que não a de formalizar, o mais brevemente, a sua candidatura.
Com isso, se reforçará o caráter plebiscitário que as eleições de 2010 deverão ter. Serra representa, do ponto de vista do simbolismo, contornos mais nítidos do receiturario neoliberal de FHC e cia. Aecio abria a possibilidade de uma maior diluição deste perfil.
Este movimento pode abrir um processo de aceleramento nas demais definições para a disputa eleitoral. Outros pré-candidatos, forçados pela definição das duas principais candidaturas (Dilma e Serra) deverão refletir sobre as definições a serem tomadas.
Acredito que se desenha uma eleição mais acirrada e menos pasteurizada, com um maior confronto de projetos, assumindo um caráter plebiscitário, como já vinha apontando o presidente Lula. O que será muito positivo para o Brasil.

Perón, Getúlio, Lula


Por Emir Sader

Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.
Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.
Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.
A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.
Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.
Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.
Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.
O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.
O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.
No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.
Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos "cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.
É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.
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Os trastes de Brasília e o suicídio altruísta de Durkheim


Luciano Oliveira


Depois das esdrúxulas imagens dos corruptos de Brasília escondendo dinheiro nas meias e cuecas, e da surrealista oração conjunta de três desses cafajestes agradecendo a Deus a existência de um deles, a minha impressão é a de que não adianta esperar que cheguemos ao fundo do poço; que esse poço não tem fundo; que, portanto, qualquer indignação não tem mais sentido; e que, finalmente, para que os políticos brasileiros tomem jeito, é preciso romper a lengalenga das conclamações por “rigorosas punições” para esses trastes - porque todos no país, eles em primeiro lugar, sabem que elas não virão. Que fazer então? Como dizia uma marchinha de carnaval dos anos 50 - “pensar / professor / pensar...”

Pois bem, comecei a fazê-lo. Sabiam os senhores que em outras plagas - nos Estados Unidos, na França e mais recentemente até na Coréia do Sul - acontece vez por outra de um corrupto suicidar-se? Foi por aí que o meu pensamento começou a desenvolver uma reflexão que não sei se classifico no departamento da chanchada ou do drama. O leitor que decida! Os fatos, em primeiro lugar.

Fato nº 1: em 1988, na Pensilvânia, Budd Dwyer, ex-secretário da fazenda daquele estado americano, na véspera de ouvir a sentença judicial num processo de corrupção em que estava enrolado, convocou a imprensa e, na frente das câmeras de televisão, jurou inocência, sacou rapidamente um revolver, enfiou na boca e estourou os miolos.

Fato nº 2: em 1993, na França, num feriado de primeiro de maio, o ex-primeiro-ministro do segundo governo Mitterrand, um desconhecido entre nós chamado Pierre Bérégovoy (pronuncia-se “bêrrêgôvuá”), meteu também uma bala na cabeça por análogas razões: metido em acusações de corrupção, tinha sido duramente atacado pelos oposicionistas e sentia-se pessoalmente responsável pela fragorosa derrota do Partido Socialista nas eleições legislativas daquele ano.

Fato nº 3: em junho deste ano, na Coréia do Sul, um certo Roh Moo-hyun (não sei como se pronuncia), ex-primeiro-ministro daquele país, depois de admitir publicamente ter recebido seis milhões de dólares de uma fabricante de tênis, não conseguiu conviver com a vergonha: pulou de uma ribanceira de 30 metros e morreu. Como fatos, basta. Vamos agora à teoria.

Não sei se o leitor já ouviu falar em Durkheim. Um dos pais da sociologia, ele é autor de um livro instigante, O Suicídio, onde tenta demonstrar a tese de que esse gesto extremo, o mais pessoal que possa haver, também está submetido a determinações sociológicas. Pois bem. Para Durkheim, a auto-imolação de pessoas como Dwyer, Bérégovoy e Moo-hyun entraria na categoria do “suicídio altruísta”, porque eles estariam de tal forma identificados com os valores socialmente aceitos, que não suportariam conviver com a acusação de tê-los infringido. Nesse caso, a inexistência de suicídios desse tipo na sociedade brasileira indicaria a ausência de valores cívicos suficientemente fortes para serem levados a sério.

É nesse sentido que precisamos de uma ruptura, um gesto heróico que seja, e que se torne um marco. Como sou contra a pena de morte, comecei a delirar com a possibilidade de um desses corruptos se matar! Seria um choque, sem dúvida. E indicador de uma mudança cultural da maior importância. O sujeito poderia entrar para a história como um dos vultos importantes do Brasil! Infelizmente não acredito que nenhum deles tope a proposta. Para isso, seria necessário que dessem alguma importância a valores que justamente não têm... Como romper esse nó? Socorra-me, Robespierre!

Depois de ter escrito isso, fiquei pensando na hipótese, altamente improvável, é verdade, de um suicídio altruísta ocorrer na “mundiça” do governo do Distrito Federal. E agora? Será que eu poderia ser criminalmente processado? Remoto bacharel em direito que sou, lembrei-me de que no Código Penal tem um delito de “induzimento ou instigação” ao suicídio. Consultei meus advogados e eles me confirmaram. A pena não é tão horrível assim: de 2 a 6 anos de reclusão. Mas mesmo assim... É verdade que tem um dispositivo que vem em meu socorro: segundo o artigo 65 do mesmo Código, se o crime é cometido em razão de “relevante valor social ou moral”, a pena é reduzida. Nesse caso, com sorte, posso pegar uns 4 anos no máximo, e aí eu poderia me beneficiar das chamadas penas alternativas, que evitam que o sujeito vá parar na cadeia. Um juiz compreensivo poderia me condenar a prestar serviços comunitários. Como sou professor, poderia ser condenado a fazer conferências pelo Brasil relatando minha história... O que acha, leitor? Topo?



Luciano Oliveira é professor da Universidade Federal de Pernambuco.


Pescado na Carta Maior

Exterminador foi a Copenhague fazer marketing



por Luiz Carlos Azenha


O que há em comum entre esses dois homens? Ambos foram a Copenhague para aparecer na mídia. Ambos foram a Copenhague para se mostrar antenados com os temas do século 21. Ambos governam estados relativamente decadentes dentro de seus países.


Arnold Schwarzenegger é republicano. Mas ficaria melhor num partido independente. Se tivesse a fortuna do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, poderia ter bancado sua carreira sem se preocupar com filiação partidária.


Schwarzenegger já foi considerado um possível candidato a presidente dos Estados Unidos. Mas seria muito complicado, já que ele não nasceu nos Estados Unidos e seria necessário mudar as leis federais, o que é politicamente impossivel.


Porém, o problema dele nem é esse. O governador da Califórnia está com a popularidade em queda. O estado enfrenta uma gravíssima crise fiscal. Os republicanos usaram a oportunidade para cortar profundamente os gastos sociais. O estado vive uma profunda polarização política que reflete a profunda polarização econômica, entre os muito ricos e os muito pobres (pelos padrões estadunidenses). Entre os muito pobres estão os hispânicos moradores do entorno de Los Angeles. Qualquer semelhança com a nossa grande São Paulo é mera coincidência.


Na Califórnia, Schwarzenegger sobrevive politicamente atraindo os independentes, os republicanos moderados e os verdes. Mas sua popularidade depende mesmo é do cinema e da fama de dizer o que pensa. O governador é criticado por fugir das grandes questões estaduais falando em projetos mirabolantes e prometendo um futuro de cidades limpas e grandes avanços tecnológicos enquanto a Califórnia, como se sabe, corta programas sociais por falta de dinheiro. Existe, portanto, um grande fosso entre o marketing pessoal do ator e a vida real dos californianos.


Adversários políticos dele também dizem que Arnold Schwarzenegger prefere Washington e a Europa a Sacramento, a capital política da Califórnia. Longe de casa, ele não precisa dar satisfação a seus eleitores sobre problemas prosaicos, como as enchentes... digo, o estado falimentar das finanças públicas.


Não vamos culpar o cara por todos os problemas da Califórnia. O fato é que o estado perdeu nos últimos anos centenas de milhares de moradores de classe média, que fugiram dos problemas locais, especialmente do trânsito infernal, para estados vizinhos, especialmente Arizona, Nevada, Oregon e Colorado. E, com a fuga dessa gente, houve uma redução relativa da base sobre a qual o governo estadual recolhe impostos. Como os ricos tem suas bancas de advogados trabalhando diuturnamente para evitar os impostos, não é de estranhar a crise fiscal. Aliás, o próprio governador foi acusado recentemente de tentar exterminar alguns impostos pessoais, depois de promover grandes cortes no Orçamento. Em resumo, a Califórnia deixou de ser a locomotiva dos Estados Unidos.


Inapetência para a negociação política, marketing pessoal colocado acima de projetos concretos (ou projetos apresentados com o objetivo de fazer marketing pessoal), fuga dos problemas reais do dia-a-dia para brilhar em palcos internacionais. Estou falando do Arnold Schwarzenegger, tá?




Pescado em Vi o Mundo

Aquecimento Global



Autor: Angeli

RBS promove "palanque eletrônico" para a Yeda




Em mais um final de ano trágico para a cleptogovernadora Yeda, onde vê sua rejeição ultrapassar a casa dos 60%, com os professores em greve, com novas denúncias de corrupção vindo a tona, com a insatisfação crescente das demais categorias de servidores do estado e as vésperas de presenciar uma “debandada” em sua base de apoio com vistas as eleições do ano que vêm, a RBS resolveu entrar em campo para dar uma “forcinha” para ela.
No mesmo dia em que ia ser votado na Assembléia Legislativa o projeto da Yeda para os servidores da Brigada Militar, que sofreu uma ampla e forte rejeição na base da categoria, a ponto de nem mesmo as bancadas governistas sustentarem o projeto, impondo mais uma derrota ao governo, a RBS estende a sua “mão amiga” para a governadora.
Em um verdadeiro "palanque eletrônico" comandado pelo fiel escudeiro Lasier Martins, Yeda terá uma hora e meia de “vôo solo” no programa Conversas Cruzadas da TVCOM. Onde a nossa cleptogovernadora nos brindará com mais um “show” de escapismo e delírios que certamente fariam qualquer jornalista com o mínimo de seriedade se revoltar. Não é o caso do Lasier e de nenhum do “jornalistas independentes” da RBS. Não teremos questionamentos com relação a nenhum dos inúmeros temas espinhos que envolvem o atual desgoverno em exercício no Piratini.
Quem quiser assistir a um verdadeiro programa “chapa branca”, sintonize hoje a noite na TVCOM.
Agora, se tiver qualquer outra coisa melhor para assistir ou fazer, recomendo que o faça, evita irritações e stress.

2009: o ano do Lula


O ano de 2009 está dando os seus últimos suspiros antes da virada para 2010 e uma constatação evidente deste ano que se encerra é sobre quem foi o seu grande personagem: Luiz Inácio Lula da Silva.
Muito tem sido dito e redito sobre a atuação do presidente Lula e da forma como ele tem se consolidado como a grande figura política do país, atingindo o ineditismo de alcançar índices de aprovação na casa dos 80%, mesmo com toda a hostilidade dos principais veículos de comunicação. Soma-se a isso o destaque internacional como uma das principais lideranças globais, projetando o país de uma forma nunca antes vista.
Explicar, do ponto de vista interno, o processo que levou Lula a este patamar de aceitação popular não é uma tarefa fácil e certamente será objeto de muitos estudos e análises nos próximos anos, ainda mais havendo a continuidade do projeto com uma eventual vitória da Dilma nas eleições presidenciais de 2010.
É certo que Governo Lula não é infalível, pelo contrário, foram feitos muitas opções erradas que poderiam ter afetado o desempenho do governo como um todo. Apenas para exemplificar, a opção de entregar o Ministério das Comunicações para o Hélio Costa, fiel escudeiro dos interesses das organizações Globo, foi um destes erros notáveis. Visto que não modificou o quadro de concentração midiática e manteve inalterada uma estrutura arcaica e antidemocrática de concessão e regulação destes veículos.
Por outro lado, seus acertos não foram poucos e talvez aí esteja um dos elementos centrais desta aprovação singular que do Lula. O fim dos processos de privatizações, o fortalecimento do papel do estado, o conjunto de políticas sociais, a mudança na política externa etc. são fatores que apontam para o inequívoco caráter progressista do governo.
Quando enfrentou crises internas, com destaque maior para a de 2005, as mudanças que foram efetivadas acabaram por representar um salto de qualidade significativo entre o primeiro e o segundo mandato do Lula. No inicio do governo tínhamos o Zé Dirceu na Casa Civil (com um perfil político muito afeito a negociações e arranjos com setores atrasados e eticamente questionáveis) e o Palocci na Fazenda (com uma política voltada para o mercado financeiro e uma gestão neoliberal da economia interna). O segundo mandato simbolizou uma virada virtuosa no governo, com a entrada da Dilma na Casa Civil e do Guido Mantega na Fazenda. Não foram apenas mudanças de nomes, mas de política, com a Casa Civil assumindo um perfil voltado para a gestão do próprio governo, estancando as relações e o papel questionável de seu antecessor no Ministério, e a Fazenda tendo uma mudança ainda maior, com a adoção de uma série de políticas votadas para o fortalecimento interno da economia.
Foi esta virada que assegurou que o Brasil enfrenta-se a crise financeira, iniciada em 2008, como uma “marolinha”, nas sábias palavras do Lula e não como um “tsunami”. Economia arrumada e uma relação política qualitativamente melhor, foram pilares importantes na sustentação e desenvolvimento do governo.
Tudo isso se soma a figura do Lula, que sabe com maestria dialogar diretamente com as massas, conseguindo assim furar (ainda que parcialmente) o bloqueio midiático.
Se em 2010 será um ano de afirmação deste projeto em curso no país e de avanço nas alternativas para um modelo pós-neoliberal será objeto de disputa. Mas certamente Lula terá um papel chave e talvez decisivo neste processo.

Obama: o Nobel da guerra





O presidente Obama, em discurso em Oslo, na oportunidade em que foi laureado com o Nobel da paz, defendeu o uso da guerra como instrumento de paz. Ele declara isso, logo após ter enviado mais 30 mil soldados americanos para o Afeganistão em um intrincado conflito herdado do Bush, e que aparentemente Obama aceitou o presente de bom agrado.
O que vemos, na verdade é a reiteração do ideário belicista estadunidense onde eles se reservam ao direito de matar ao redor do mundo sem respeitar a nenhum tratado ou mecanismo multilateral de decisões.
Sempre com a desculpa de preservar a "paz" e a "democracia" ou qualquer outro subterfúgio da ocasião.
Me parece que a questão de fundo desta aparente “mudança” de discurso do Obama com relação a guerra é uma tentativa de recuperar apoio interno junto a setores conservadores, mesmo que para isso ele venha a perder boa parte dos setores que o apoiaram na expectativa de mudanças desta política belicista.
Para o Nobel da paz, não importa quantos morrerão nessa empreitada, afinal "estamos em guerra, e sou responsável pelo envio de milhares de jovens americanos para lutarem em um país distante" colocou ele em seu discurso. “Alguns vão matar, outros vão morrer" completa Obama em uma obviedade sínica, lembrando a genialidade do seu antecessor Bush.

A candidatura do prefeito preguiça Fogaça



Como esperado,o nosso ilustre prefeito preguiça José Fogaça, em sua tradicional velocidade para tomar decisões, anunciou no começo da semana o que todos já sabiam há meses: será candidato ao governo do RS.
O PMDB vivi já há meses uma forte crise interna por conta da Operação Solidária da Polícia Federal, que está investigando o envolvimento de diversos caciques da legenda em um esquema de milhões de reais, desviados dos cofres públicos. Além disto, Simon e Padilha se digladiam em uma guerra interna que tem causado diversas seqüelas, entre elas a desistência de Rigotto.
O ex-governador nunca foi um candidato de fato, Simon, desde que saiu o resultado do 2° turno das eleições para a Prefeitura de Porto Alegre, onde Fogaça saiu vencedor, já o apontava como candidato ao Piratini. Alternativa essa que foi, desde o primeiro momento abraçada pela RBS. Com esses dois “padrinhos” ao seu lado, Fogaça pode desconversar fazer-se de desentendido quanto a sua candidatura. A Rigotto só restou anunciar que estava desistindo.
O prefeito/candidato agora deverá, com toda a sua sagacidade peculiar, buscar imprimir sua marca de “bom prefeito que irá pacificar o rio grande” em um discurso de grande fragilidade política e factual, mas de fácil assimilação junto a alguns setores da sociedade. Para isso, irá contar com sua principal arma: a publicidade. Somente a Secretaria da Saúde, por exemplo, gastou mais de 2 milhões de reais em propaganda.
Como sabemos já de outras eleições, isso deverá ter seu peso na definição
da “imparcialidade” que a RBS terá nesse pleito.
Como atesta o slogan da campanha institucional de final de ano da emissora “"Pra fazer a TV que você vê... a gente faz muita coisa que você não vê”, entre elas estará ações para alavancar o Fogaça e tentar impedir a volta do PT ao Piratini.
Qual sucesso eles terão em tornar um prefeito apático uma alternativa conservadora viável a cleptogovernadora Yeda é algo que só o tempo dirá.


Cartum: Bier

Uma ideia pornográfica da Globo


Dica do Rodrigo Vianna, no Escrevinhador:
A revista Época, das Organizações Globo, escolheu um dos chefes da própria Globo como "guia" ou "pensador" de 2009.
Guia exatamente para onde?
Pelo menos a foto serviu para provar que Ali Kamel não é Ali Kamel, o ator pornô.

ali__o_porno.jpg

É apenas Ali Kamel.

Apesar de haver controvérsias. Um homônimo reivindica o galardão.




Leia mais aqui.

Pescado em Vi o Mundo e Cloaca News

Tarso lidera pesquisa para o Governo do RS


Saiu a primeira pesquisa depois de confirmada a candidatura de José Fogaça ao governo do Estado. É do Instituto Methodus. Tarso Genro (PT) lidera na estimulada, com 32,9% da preferência dos eleitores, seguido por Fogaça, com 25,7%.
Nas simulações de segundo turno, Tarso Genro vence todos os outros candidatos. Yeda é a campeã de rejeição com 54,5%.
Confira os números da sondagem estimulada para o Palácio Piratini:
 
Tarso Genro (PT): 32,9%
José Fogaça (PMDB): 25,7%
Yeda Crusius (PSDB): 11,2%
Beto Albuquerque (PSB): 9,8%
Luis Augusto Lara (PTB): 4%
Vieira da Cunha (PDT): 2,9%
Pedro Ruas (PSOL): 1,7%

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 6 de dezembro. O campo estava sendo feito quando Fogaça confirmou a candidatura.

Texto: Rosane de Oliveira



Bolívia rumo ao século XXI



A vitória de Evo Morales na eleição passada, com maioria no Parlamento Nacional, pode significar a definitiva arrancada do país para fora do aprisco de sua pesada herança colonial de 500 anos, rumo ao século XXI. Agora terá o presidente boliviano, com o movimento que o apóia, a oportunidade de construir, no país andino, a arrojada experiência cultural, social, política e, não menos importante, de um estado plurinacional.

O conceito de “estado plurinacional” não é novo; e com uma certa largueza de vistas, ele pode ser aplicado a realidades tão distintas como as do Reino Unido e Índia, passando pelo Canadá, Bélgica, Espanha, Suíça, muitos países do antigo Leste europeu e da África, Timor Leste, além de outros casos. O Paraguai está na fronteira dessa realidade; é, em todo caso, assim como o Peru, um estado plurilingüístico (bilíngüe na versão oficial).

É claro que agora, como se trata da Bolívia, a agenda conservadora do nosso país vai levantar a clava forte da “ameaça de regressão histórica” a poucos metros da nossa fronteira. Muitos dos agentes desse mesmo pensamento não hesitaram em apoiar as sublevações reacionárias das elites de Santa Cruz de la Sierra e de outras províncias contra o governo de Morales, mesmo que isso representasse o risco de uma guerra civil a esses poucos metros da nossa fronteira. Assim como não hesitaram em apoiar, veladamente ou não, o golpe de estado em Honduras, porque isso, enfim, era “contra Hugo Chavez” e logo depois “contra o Lula”.

A construção de um estado plurinacional é a única maneira de manter a unidade administrativa da Bolívia, e aberta a participação dos movimentos populares que se impuseram nos últimos anos e abriram caminho para o governo de Morales. Sem esse reconhecimento, que restaura no plano do Direito e da Cultura Política, comunidades inteiras que foram simplesmente tornadas “invisíveis” ao longo da dominação secular a que foram submetidas, é impossível pensar em reconciliação nacional, integração, e desenvolvimento de fato para os bolivianos.

É claro que esse estado não é nenhuma fórmula mágica aplicável a toda e qualquer situação. A nossa Constituição de 1988 reconheceu a realidade multicultural e multilinguística do país, ao mesmo tempo em que reconhecia/impunha a “unidade nacional”. Talvez, pelas condições presentes, essa seja a nossa conquista e o nosso limite. Mas isso também não é nenhuma fórmula a ser carimbada pelo continente a fora.

Se a Bolívia conseguir consolidar uma política de integração e convívio culturais, no plano das instituições sociais e políticas do país, terá dado um passo enorme no sentido de deixar de ser simplesmente o país estatisticamente mais pobre da América do Sul, para se transformar na sede de uma arrojada experiência histórica.

E lembremos que esse país, agora passível de acusação por estar, supostamente, em “regressão histórica”, tem o certificado da Unesco de eliminação do analfabetismo, coisa que o nosso não tem.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.

Jornal Nacional tem pior audiência da história



O Jornal Nacional completa 40 anos em 2009 com o pior índice de audiência de sua história. A informação foi dada hoje pelo colunista Ricardo Feltrin .

O programa fecha o ano com média de 31 pontos no Ibope. Cada ponto representa cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

A curva é descendente desde o começo da década. Em 2000, o programa tinha audiência cerca de 20% superior à que tem hoje. Em 2002, mesmo com a Copa do Mundo, o jornal caiu em relação ao ano anterior, ficando com 36,6 pontos.

O número se repetiu no ano seguinte. Em 2004 teve um ganho de três pontos, mas nem a Copa de 2006 segurou o índice, que voltou aos 36 pontos – terminou o ano com 36,4.

Desde então, a queda se repete, e foi para 34 pontos em 2007, 32,5 em 2008 e neste 2009 fecha com 31.Mesmo assim, o jornal ainda lidera a audiência no horário em que é transmitido.

O segundo telejornal mais assistido no horário nobre da TV brasileira, Jornal da Record, percorreu o caminho inverso neste mesmo período. Em 2000, o Ibope da atração registrava média de 4,5 pontos na grande São Paulo. Atualmente, o programa da Record tem 9 pontos de média. Isso significa um crescimento de 100 % em sua audiência nesta década.

O ibope do "JN" na década (Grande SP):

2000 - 39,2 pontos

2001 - 37,8 pontos

2002 - 36,6 pontos

2003 - 36,6 pontos

2004 - 39,8 pontos

2005 - 35,8 pontos

2006 - 36,4 pontos

2007 - 34,0 pontos

2008 - 32,5 pontos

2009 - 31,0 pontos



Pescado no Amigos do Presidente Lula

Maconha: ¼ dos turistas que visitam a Holanda consomem a erva em coffee-shop

Wálter Fanganiello Maierovitch

A carta-aberta do prefeito de Amsterdã, Job Cohen, surpreendeu os conservadores. Estes em luta por uma mudança na política holandesa sobre a maconha.

Enquanto os conservadores, - por membros do partido democrático cristão e de pequenas agremiações não governativas que atuam junto à sociedade civil -, pedem a proibição da venda de maconha para turistas nos cafés autorizados à comercialização, o prefeito Cohen aponta para outro e diverso caminho.

Parêntese: os conservadores só pretendem a proibição de venda para estrangeiros e, com isso, falam em acabar com o que chamam de “turismo da maconha”.

Cohen quer a liberação do plantio de maconha em toda a Holanda. Fala em produtores nacionais, sob fiscalização do Estado. Eles, forneceriam as suas ervas canábicas para os coffee-shops.

O prefeito Cohen destaca que 4 milhões de turistas visitam a sua cidade anualmente. Desses, pelo menos ¼ freqüentam os cafés a fim de fumarem maconha, ressalta Cohen: pela legislação, os cafés licenciados podem vender a erva para consumo no próprio local e para maiores de 18 anos.

Em tempos bicudos, Cohen sabe que a proibição de venda de maconha aos turistas afetaria drasticamente o PIB holandês. E com os donos de cafés a comprar dos próprios agricultores holandeses, Cohen objetiva buscar novas fontes de arrecadação.

Na Holanda, atualmente, pode-se cultivar até 4 pés de maconha nas residências e para uso terapêutico. Nos cafés, por noite, pode ser vendido até meio-quilo de maconha.

O prefeito Cohen já recebeu apoio dos partidos trabalhista, liberal e verdes.

Mais ainda. Cohen sustenta não haver lógica no fato de os cafés poderem vender maconha, mas os seus proprietários não possuírem liberdade para comprar. Ou melhor, para reabastecer os seus estabelecimentos comerciais por meio de compra da erva canábica de produtores agrícolas holandeses. A criminalidade organizada, diz Cohen, se reabastece com compras, sem fiscalização do Estado. Compram de agricultores que, se surpreendidos, serão criminalizados.

Pano Rápido. Não se sabe a opinião de Fernando Henrique Cardoso a respeito. Depois de passar oito anos como presidente e sancionar uma lei de criminalização e imposição de pena de prisão a usuários de drogas, FHC levanta, só agora, a bandeira do “liberar geral”. Como não tem proposta e só quer aproveitar palanques, propõe debates e não diz como imagina liberar.

Se saísse de cima do muro do oportunismo, poderia propor uma política igual a holandesa. Na Holanda, desde 1968, admite-se a venda de maconha em cafés e para consumo no próprio local. Essa foi a maneira de afastar usuários de maconha dos traficantes, estes a serviço do crime organizado.

Pescado no blog Sem Fronteiras

Ditador a menos de R$ 1,99

Golpista, modesto, lança selo em sua própria homenagem



do blog Tijolaço

Quem disse que as repúblicas bananeras acabaram?

O líder golpista de Honduras, com a certeza da impunidade que o apoio dos Estados Unidos lhe dá, já tinha tudo pronto antes mesmo da decisão sobre a restituição do presidente constitucional Manuel Zelaya fosse votada  - e negada, claro - pelo Congresso, ontem. Hoje, a Reuters mostra, já impresso, um selo que  lançado no mesmo dia  pelos correios hondurenhos. Reparem a data do final do “mandato” - 27 de janeiro - mostrando que não havia sequer a vergonha de esperar a decisão do Congresso.
Esta maravilha de modéstia que você vê aí do lado é Roberto Micheletti.  Deveria tirar uma cópia, autografar e mandar com de dedicatória a Barack Obama. se quiser, sugiro o texto: Sim, sou eu que posso. Posso tudo.
A propósito. Os L .20,00  querem dizer 20 lempiras, moeda de Honduras.Uma pena, porque o nome é uma homenagem aos lencas, povo centroamericano que resistiu aos colonizadores espanhóis.

Mas o valor, o convertido em reais, dá R$ 1,81.

Não chega a ser um ditador de R$ 1,99.
 

O debate da política externa: os conservadores



José Luís Fiori


“É desconfortável recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado recente de luta contra a ditadura, e firmamos na Constituição de 1988 os ideais de democracia e direitos humanos. Uma coisa são relações diplomáticas com ditaduras, outra é hospedar em casa os seus chefes”.

José Serra, “Visita indesejável”, FSP, 23/11/2009

Já faz tempo que a política internacional deixou de ser um campo exclusivo dos especialistas e dos diplomatas. Mas só recentemente, a política externa passou a ocupar um lugar central na vida pública e no debate intelectual brasileiro. E tudo indica que ela deverá se transformar num dos pontos fundamentais de clivagem, na disputa presidencial de 2010. É uma conseqüência natural da mudança da posição do Brasil, dentro do sistema internacional, que cria novas oportunidades e desafios cada vez maiores, exigindo uma grande capacidade de inovação política e diplomática dos seus governantes.

Neste novo contexto, o que chama a atenção do observador, é a pobreza das idéias e a mediocridade dos argumentos conservadores quando discutem o presente e o futuro da inserção internacional do Brasil. A cada dia aumenta o numero de diplomatas aposentados, iniciantes políticos e analistas que batem cabeça nos jornais e rádios, sem conseguir acertar o passo, nem definir uma posição comum sobre qualquer dos temas que compõem a atual agenda externa do país. Pode ser o caso do golpe militar em Honduras, ou da entrada da Venezuela no Mercosul; da posição do Brasil na reunião de Copehague ou na Rodada de Doha; da recente visita do presidente do Irã, ou do acordo militar com a França; das relações com os Estados Unidos ou da criação e do futuro da UNASUL.

Em quase todos os casos, a posição dos analistas conservadores é passadista, formalista, e sem consistência interna. Além disto, seus posicionamentos são pontuais e desconexos, e em geral defendem princípios éticos de forma desigual e pouco equânime. Por exemplo, criticam o programa nuclear do Irã, e o seu desrespeito às decisões da comissão de energia atômica da ONU, mas não se posicionam frente ao mesmo comportamento de Israel e do Paquistão, que além do mais, são Estados que já possuem arsenais atômicos, que não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas, e que tem governos sob forte influência de grupos religiosos igualmente fanáticos e expansivos.

Ainda na mesma linha, criticam o autoritarismo e o continuísmo “golpista” da Venezuela, Equador e Bolívia, mas não dizem o mesmo da Colômbia, ou de Honduras; criticam o desrespeito aos direitos humanos na China ou no Irã, e não costumam falar da Palestina, do Egito ou da Arábia Saudita, e assim por diante. Mas o que é mais grave, quando se trata de políticos e diplomatas, é o casuísmo das suas análises e dos seus julgamentos, e a ausência de uma visão estratégica e de longo prazo, para a política externa de um Estado que é hoje uma “potência emergente”.

Como explicar esta súbita indolência mental das forças conservadoras, no Brasil? Talvez, recorrendo à própria história das idéias e das posições dos governos brasileiros que mantiveram, desde a independência, uma posição político-ideológica e um alinhamento internacional muito claro e fácil de definir. Primeiro, com relação à liderança econômica e geopolítica da Inglaterra, no século XIX, e depois, no século XX - e em particular após à Segunda Guerra Mundial - com relação à tutela norte-americana, durante o período da Guerra Fria. O inimigo comum era claro, a complementaridade econômica era grande, e os Estados Unidos mantiveram com mão de ferro, a liderança ética e ideológica do “mundo livre”.

Depois do fim Guerra Fria, os governos que se seguiram adotaram as políticas neoliberais preconizadas pelos Estados Unidos e se mantiveram alinhados com a utopia “cosmopolita” do governo Clinton. A visão era idílica e parecia convincente: a globalização econômica e as forças de merca­do produziriam a homogeneização da riqueza e do desenvolvi­men­to, e estas mudanças econômicas contribuíram para o desaparecimento dos “egoísmos nacionais”, e para a construção de um governo democrático e global, responsável pela paz dos mercados e dos povos. Mas como é sabido, este sonho durou pouco, e a velha utopia liberal - ressuscitada nos anos 90 - perdeu força e voltou para a gaveta, junto com a política externa subserviente dos governos brasileiros, daquela década.

Depois de 2001, entretanto, o “idealismo cosmopolita” da era Clinton foi substituído pelo “messianismo quase religioso” da era Bush, que seguiu defendendo ainda por um tempo o projeto ALCA, que vinha da Administração Clinton. Mas depois da rejeição sul-americana do projeto, e depois da falência do Consenso de Washington e do fracasso da intervenção dos Estados Unidos a favor do golpe militar na Venezuela, de 2002, a política externa americana para a América do Sul ficou à deriva, e os Estados Unidos perderam a liderança ideológica do continente, apesar de manterem sua supremacia militar e sua centralidade econômica. Neste mesmo período, as forças conservadoras foram sendo desalojadas do poder, no Brasil e em quase toda a América do Sul. Mas apesar disto, durante algum tempo, ainda seguiram repetindo a sua ladainha ideológica neoliberal.

O golpe de morte veio depois, com e eleição de Barak Obama. O novo governo democrata deixou para trás o idealismo cosmopolita e o messianismo religioso dos dois governos anteriores, e assumiu uma posição realista e pragmática, em todo mundo. Seu objetivo tem sido em todos os casos, manter a presença global dos Estados Unidos, com políticas diferentes para cada região do mundo. Para a América do Sul sobrou muito pouco, quase nada, como estratégia e como referência doutrinária, apenas uma vaga empatia racial e um anti-populismo requentado. Como conseqüência, agora sim, nossos conservadores perderam a bússola. Ainda tentam seguir a pauta norte-americana, mas não está fácil, porque ela não é clara, não é moralista, nem é binária. Por isto, agora só lhes resta pensar com a própria cabeça para sobrevier politicamente. Mas isto não é fácil, toma tempo, e demanda um longo aprendizado.

Pescado na Carta Maior

Estórias nada edificantes do governo Fogaça (Segunda parte)



Paulo Muzell

Um outro episódio protagonizado pelo Secretário Municipal da Fazenda, Cristiano Tasch (foto) – aquele mesmo que vendeu a CRT no governo Britto – foi a frustrada tentativa de privatizar o cadastro do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) da Prefeitura através da realização de licitação pública. Uma série de atropelos - o processo não foi devidamente examinado pela Procuradoria Municipal, a elaboração do edital mostrou indícios de direcionamento, além da incontornável questão da quebra do sigilo fiscal - resultaram na suspensão da desastrada tentativa, via mandado de segurança.

Tivemos, depois a denúncia, com vídeos e depoimentos realizados na Câmara Municipal, do pagamento de propina ao assessor jurídico Marco Antonio Bernardes, do gabinete do Secretário Municipal da Saúde, que, segundo o denunciante, recebia mensalmente valores combinados, entre 10 mil e 30 mil reais, pagos em dinheiro. As imagens do circuito interno da empresa Reação veiculados pela rede Record mostraram o referido assessor recebendo quantia em dinheiro do diretor da empresa, Renato Mello. Segundo afirmações do empresário, cuja empresa tinha como encargo prestar serviços de segurança na rede municipal dos postos de saúde, o suborno durou oito meses e incluiu pagamento de churrascos, fornecimento de cotas de gasolina e veículos da empresa para a campanha a vereador de Maurício Dziedricki, atual secretário de Obras e Viação do governo Fogaça.

Na linha das “ligações perigosas”, que no recente episódio das denúncias do programa Sócio-Ambiental terá um novo exemplo, Fogaça nomeia para seu assessor engenheiro Taufik Baduí Germano, (conhecido como Pipa Germano), ex-prefeito de Cachoeira do Sul, indiciado por uso irregular de recursos públicos e depois condenado por conduta ímproba, devendo pagar multa, ressarcir integralmente os cofres públicos pelos danos causados. Ele teve seus direitos políticos suspensos por 8 anos, além da proibição de contratar com o poder público por cinco anos. A pergunta é: porque Fogaça nomeou uma pessoa com esta biografia para representá-lo no Conselho do Plano Diretor da Cidade e na Presidência da Comissão Municipal de Parcelamento do Solo Urbano?

Tivemos, ainda, a anulação de uma outra grande licitação na área da iluminação pública, com recursos do Reluz, por problemas de preços superfaturados. Repete-se o velho problema de ingerências estranhas e de vícios na área pré-licitatória, que acabam resultando na anulação do processo. Há, também, a questão pendente da rescisão do contrato da Solus (empresa contratada pelo governo Fogaça para executar o Programa de Saúde da Família –PSF -) que teria resultado num prejuízo de milhões aos cofres públicos, por pagamento de valores a mais. Sindicância aberta há meses até o momento não divulgou relatório final.

Mas é no maior programa realizado pela Prefeitura que pairam as mais graves suspeitas. Estamos nos referindo ao programa Sócio-Ambiental, orçado inicialmente no valor total de 345 milhões de reais. Depois de longo tempo parado, foi retomado e totalmente reformulado no governo Fogaça, com novo valor 586 milhões de reais de custo total. Mesmo considerando algumas alterações introduzidas que consistiram em acréscimos e redução de obras, é evidente que há indícios de superfaturamento: descontando-se a inflação do período, o custo total aumentou 30% acima da inflação, o que significa num dispêndio adicional de 130 milhões de reais. A gestão do programa registra um primeiro equívoco capital. Gilberto Portanova Leal, engenheiro da Corsan, indiciado por peculato junto com Flavio Vaz Neto nos inquéritos da Operação Rodin foi nomeado pelo Prefeito Fogaça, a partir de julho do corrente ano para o cargo de coordenador-geral do programa PISA. O que explica que uma grande Prefeitura de capital nomeie uma pessoa indiciada e, portanto, suspeita, justamente para gerir um programa cujo porte atinge centenas de milhões de reais?

Depois temos os indícios oriundos da CPI da Corrupção, em andamento na Assembléia Legislativa, que relatam que durante a escuta de gravações da Operação Solidária foram captados diálogos entre empresários e agentes públicos da Prefeitura. Diálogos suspeitos, comprometedores. Dentre as inúmeras escutas apareceu um velho e conhecido personagem - Cristiano Tasch, que confirmou ter realizado contatos com empresários do SócioAmbiental. Embora as investigações estejam apenas começando, segundo o que a imprensa tem noticiado, há indícios de arranjos na montagem dos editais do programa, hipótese reforçada pelo significativo aumento da despesa total do programa.

O retorno da direita latino-americana

Immanuel Wallerstein 

Algo estranho está acontecendo na América Latina. As forças de direita na região estão dispostas de tal forma que podem se desempenhar melhor durante a presidência de Barack Obama do que durante os oito anos de George W. Bush. Este liderava um regime de extrema direita que não tinha nenhuma simpatia pelas forças populares na América Latina. Pelo contrário, Obama lidera um regime centrista que tenta replicar a "política da boa vizinhança" que Franklin Roosevelt proclamou como forma de anunciar o fim da intervenção militar direta dos Estados Unidos na América Latina.
Durante a presidência de Bush, a única tentativa séria de golpe de Estado com o respaldo dos Estados Unidos ocorreu em 2002 contra Hugo Chávez na Venezuela, e essa tentativa falhou. Foi seguida por uma série de eleições em toda a América Latina e no Caribe, onde os candidatos de centro-esquerda ganharam em quase todos os casos. A culminação foi uma reunião no Brasil em 2008 - na qual os Estados Unidos não foram convidados e na qual o presidente de Cuba, Raúl Castro, recebeu tratamento de herói virtual.
Desde que Obama assumiu a presidência, conseguiu-se perpetrar um golpe de Estado: em Honduras. Apesar da condenação que o presidente expressou, a política norte-americana foi ambígua, e os líderes do golpe ganharam sua aposta de se manter no poder até as próximas eleições para presidente. Há apenas pouco tempo, no Paraguai, o presidente católico de esquerda Fernando Lugo pôde evitar um golpe militar. Mas seu vice-presidente, Federico Franco, de direita, está manobrando para obter de um Parlamento nacional hostil a Lugo um golpe de Estado que assuma a forma de um enjuizamento. E os dentes militares se afirmam em uma série de outros países.
Para entender essa aparente anomalia devemos olhar a política interna dos Estados Unidos e como ela afeta sua política exterior. O Partido Democrata é a mesma coalizão ampla que sempre foi, mas o Partido Republicano se moveu mais para a direita. Isso significa que os republicanos têm uma base menor. O lógico seria que isso significaria muitos problemas eleitorais. Mas, como estamos vendo, isso não funciona exatamente desse modo.
As forças da extrema direita que dominam o Partido Republicano estão muito motivadas e são muito agressivas. Buscam purgar todos e cada um dos políticos republicanos que considerem muito "moderados" e tentam forçar os republicanos no Congresso a uma atitude negativa uniforme para com todas e cada uma das coisas que o Partido Democrata, e particularmente o presidente Obama, propuser. Os acertos políticos de compromisso já não são visto como politicamente desejáveis. Pelo contrário. Os republicanos são pressionados para marchar no ritmo de um único tamboreiro.
Entretanto, o Partido Democrata age como sempre agiu. Sua ampla coalizão vai da esquerda para uma certa direita do centro. Os democratas no Congresso investem quase toda a sua energia política na negociação entre uns e outros. Isso implica no fato de que é muito difícil aprovar legislações significativas, como vemos atualmente com a tentativa de reformar as estruturas de saúde norte-americanas.
Então, o que isso significa para a América Latina (e de fato para outras parte do mundo)? Obama tem uma base diversa e uma agenda ambígua. Sua postura pública balança entre uma firme posição centrista e gestos moderados de centro-esquerda. Isso torna sua posição política essencialmente frágil. Obama desilude os eleitores de esquerda, e a realidade de uma depressão mundial faz com que alguns de seus eleitores centristas se afastem dele por medo a uma dívida nacional crescente.
Para Obama, da mesma forma que para Bush, a América Latina não está no topo das prioridades. Ele está muito preocupado com as eleições de 2010 e 2012. E isso não é algo insensato. O que a direita latino-americana faz é tirar vantagem das dificuldades políticas internas de Obama para pressioná-lo. Dão-se conta de que ele não conta com a energia política disponível para freá-los. Além disso, a situação econômica mundial tende a redundar contra os regimes no poder. E na América Latina de hoje são os partidos de centro-esquerda os que estão no poder. Se Obama conseguir triunfos políticos importantes nos próximos dois anos, isso frearia, de fato, o retorno da direita latino-americana. Mas ele irá conseguir esses triunfos?
[Publicado no jornal Página/12 de 02/12/2009]

Estórias nada edificantes do governo Fogaça (Primeira parte)



Paulo Muzell

Começamos essas estórias, recordando um pouco a história do seu personagem central. Hoje sessentão – completará sessenta e três anos em janeiro próximo -, iniciou sua vida pública nos anos setenta. Estudante de direito, professor de cursinho e compositor de algum talento foram seus primeiros passos. Mas nem o Direito, nem o magistério ou a atividade artística prevaleceriam. Ele optou pela a carreira política, iniciada em 1979, ano em que se elege pela primeira vez deputado estadual pelo MDB. Tímido nas críticas e na oposição à ditadura militar – característica que tem em comum com Pedro Simon, seu padrinho político -, concluiu seu mandato estadual e se elegeu deputado federal e depois, por duas vezes consecutivas, senador da República. Prova de que suas críticas à ditadura militar não deixaram marcas ou raízes é que as três grandes homenagens e honrarias que lhe foram prestadas - Grande Comenda Oficial da Aeronáutica, Grande Mestre da Ordem do Mérito Naval e Grande Oficial da Ordem do Rio Branco – tiveram origem no reconhecimento pelos serviços prestados às forças armadas do país.

Exerceu vinte e quatro anos de atividade legislativa, longo período durante o qual não teve nenhuma experiência em cargos diretivos no poder Executivo. A prova cabal de sua opção pelo trabalho legislativo é que sequer integrou a equipe de trabalho do seu “padrinho”, governador do Estado no quadriênio 1991/1994. Surpreendentemente, considerando-se sua biografia e escolhas passadas, concorre ao cargo de Prefeito de Porto Alegre, elegendo-se no final de 2004. Fato curioso é que desde o início de seu governo aparentou um ar cansado, apático, de quem está pouco satisfeito e adaptado às novas lides. Por isso, circularam insistentemente, e por longo tempo, boatos de uma suposta enfermidade que o estaria acometendo, fato que era reforçado por uma agenda invariavelmente rasa, com raros compromissos matinais.

A reforma administrativa realizada no início de seu governo criou duas super-secretarias a de Controle Estratégico e a de Governança e Orçamento Participativo, comandadas pelos “homens fortes” da sua equipe, respectivamente Clóvis Magalhães (nos círculos próximos conhecido por “Maninho”) e César Busatto, ex-secretário estadual da Fazenda no governo Britto, aquele mesmo dos 257 milhões de dólares doados à GM.

O desempenho do seu primeiro ano de governo - 2005 -, foi decepcionante: as obras “minguaram”. Se as obras foram poucas, em compensação, a “choradeira” foi enorme. Com forte apoio midiático, seu governo “vendeu” uma falsa imagem de “herança maldita”, um suposto quadro desolador de endividamento e caos orçamentário-financeiro encontrado. Cenário absolutamente falso, irreal: o comprometimento da receita com a folha de pessoal e a dívida fundada e seus encargos eram e são reconhecidamente baixos na Prefeitura de Porto Alegre. A partir de 2006 em decorrência da aceleração da economia, da consolidação da alteração do imposto sobre serviços (ISSQN) e da mudança no FPM, inicia-se um novo ciclo virtuoso de rápido crescimento das receitas. Ainda assim, os sucessivos anúncios de superávits orçamentários foram invariavelmente acompanhados, em todos anos seguintes, de baixos volumes de investimento e absoluta lentidão e paralisia das principais obras. Mas se as realizações foram escassas, já as escolhas equivocadas, as teias de “ligações perigosas”, os indícios e denúncias de irregularidades e fraudes foram muitas, abundaram.

Primeiro tivemos o episódio da grande licitação do DMLU, investigada pelo Ministério Público Especial do Tribunal de Contas do Estado TCE. Segundo o TCE, a tentativa de fraude, que resultou na anulação da licitação, ocorreu na elaboração do edital. Tivemos aqui, ao que parece, o primeiro “ensaio”, uma espécie de treino para o episódio recente das licitações do Sócio-Ambiental, como veremos logo adiante. O profissional contratado para assessorar o DMLU na montagem da licitação direcionou o edital para favorecer as grandes empresas, dentre elas a Vega - Engenharia Ambiental, por coincidência, junto com a Camargo Correia, doadoras, cada uma delas, de 100 mil reais para a campanha de Fogaça, em 2004.

Indiciado, o diretor da autarquia, Garipô Selistre, em depoimento na Polícia Civil acusou o secretário César Busatto de exercer “pressão” para que ocorresse o favorecimento de certas empresas. Busatto deixou a Prefeitura para ser o Chefe da Casa Civil do governo Yeda. Foi em seguida afastado em decorrência do insólito episódio da gravação de sua conversa com o vice-governador. Demitido do DMLU, Garipô Selistre foi “exilado” na Procempa, empresa conhecida por pagar os mais altos salários para CCs em toda Prefeitura, passando a integrar uma lista na qual constam os nome de Pipa Germano (ex-prefeito de Cachoeira do Sul, indiciado e condenado por improbidade administrativa), Jayme Luiz Pinent (Secretário Geral do PMDB metropolitano), Leão de Medeiros e José Carlos Brack, este último também dirigente partidário).

(continua)

Evo Morales se reelege e garante maioria na Câmara e no Senado


As pesquisas de boca de urna após as eleições desse domingo (7) na Bolívia indicam que o atual presidente, Evo Morales, obteve a maioria dos votos – entre 61% e 63%. Segundo as sondagens, ele ainda teria aumentado o percentual de votos em regiões que foram fortes opositoras durante o seu primeiro mandato, como os departamentos da chamada “meia-lua” [região que reúne os estados de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando], no leste do país. As informações são da BBC Brasil.

Ainda ontem, Morales já afirmou que foi reeleito com respaldo popular recorde nas urnas e que o resultado mostra que o projeto de mudanças não é mais só de um partido, mas da maioria dos bolivianos. O líder disse ainda que o “triunfo dos bolivianos” é “um justo reconhecimento aos governos e povos anti-imperialistas”.

Se as projeções de boca de urna forem confirmadas, os votos para Morales terão aumentado em cerca de 10%. Em 2005, ele foi eleito com 53,7% dos votos. O novo mapa político indicaria que Morales teria recebido votos de diferentes classes sociais e não só das comunidades indígenas – que representam cerca de 50% do país.

Morales foi o primeiro indígena a chegar ao poder e agora pode ter sido reeleito com maioria no Congresso Nacional. Pela primeira vez na Bolívia, os eleitores foram recadastrados, subindo de cerca de 3 milhões para mais de 5 milhões. Houve ainda a estreia da votação no exterior e do sistema biométrico, com cada cédula de papel - mostrando foto, digital e assinatura do votante - ratificada na hora da votação. As mudanças não permitiram, porém, que a apuração oficial fosse acelerada.

Maioria no Legislativo

As projeções do resultado da votação deste domingo (6) na Bolívia indicam que o governo popular de Evo Morales conseguiu aquilo que mesmo seus aliados duvidavam, dentro e fora do país: além de reeleger o presidente no primeiro turno, conquistou maioria de mais de dois terços nas duas casas do Legislativo. A proeza foi facilitada pelo comparecimento excepcionalmente alto, de 94% dos 5,1 milhões de eleitores. veja o mapa.

Pela primeira vez Evo Morales terá maioria no Senado. Na composição atual ele conta com apenas 12 votos, contra 14 da oposição, sendo 13 da coalizão oposicionista Podemos.

Além disso, conforme a nova Constituição de refundação do Estado boliviano, a maioria de dois terços deixa o governo livre para aprovar os projetos legislativos de seu programa de mudanças.

Para o Senado o voto foi "em chapa", ou seja, vinculado ao do presidente e do vice. O MAS (Movimento Ao Socialismo) de Evo conquistou 25 das 36 cadeiras, segundo as projeções (veja o gráfico). O PPB (Plano Progresso), do direitista Manfred Reyes Villa, deve ficar com dez senadores e a UN (Unidade Nacional) do centrista Samuel Doria Medina, com um.

Na Câmara o MAS projeta eleger 88 deputados, quatro a mais que a maioria de dois terços das 130 daceiras. O PPB ficou com com 40 assentos e a UN com quatro.

Reduto da oposição encolheu

O impressionante apoio do eleitorado se refletiu na votação para presidente. A opisição só ganhou no seu reduto de Santa Cruz e no departamento amazônico de Bení (veja o mapa).

Mesmo assim, Evo aumentou sua votação nos dois departamentos em relação ao plebiscito de agosto do ano passado. Alcançou 40% dos votos em Santa Cruz e 35% em Bení (Reyes Villas teve respectivamente 54% e 49%), sempre segundo as projeções.

Dois departamentos que em 2008 votaram com a oposição desta vez ajudaram a vitória de Evo: Tarija, onde o presidente teve 45% dos votos (contra 36% do seu oponente principal), e Chuquisaca, onde alcançou 54% (contra 28%).

Os departamentos andinos e indígenas que são a base do governo popular confirmaram a sua preferência. Em La Paz o escore foi de esmagadores 73% a 10%. Em Cochabamba, 66% a 23%. Em Oruro, 65% a 10%. Em Potosí, 68% a 6%.

No departamento amazônico de Pando, já na fronteira com o Acre, as projeções não permitem indicar um venedor: Evo e Reyes Villas aparecem empatados, com 47 dos votos cada um.

O resultado geral do 6 de dezembro aponta duas tendêncas: Primeiro, uma consolidação da popularidade do governo popular, antiimperialista e socializante. E segundo uma gradual porém sensível erosão da força oposicionista nos departamentos oposicionistas da chamada 'Meia Lua' (Santa cruz, Bení, Tarija e Pando).

ABr / Vermelho

Campanha pelo boicote a Folha de SP

Baixe para seu computador e suba para seu blog ou rede social.




O Grupo Folha não vê problema em expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula a sua sucessão, Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas. Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais (à espera de um Wilhelm Reich) e acusar o presidente Lula de estuprador. Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou inúmeros brasileiros. Mas a Folha e o UOL não gostam de virar vidraça.

O blogueiro Arles publicou uns banners em seu blog convidando os navegantes para que cancelassem suas assinaturas do ex-jornalão e do portal. Recebeu uma notificação para que os retirasse do ar. Eu já os havia reproduzido aqui no blog, com link para as imagens do Arles. Mas sou macaco velho e, embora não acreditasse que o Grupo Folha descesse a tanto, havia providenciado backup das imagens. As publico aqui, convocando-os para que façam o download delas para seus computadores e depois subam-nas para seus blogs ou redes sociais. Eles vão ter que notificar a blogosfera toda. Assim vão aprender que os tempos mudaram e não existe mais informação de mão única. Agora eles mandam de lá e nós respondemos de cá.


Pescado no Blog do Mello

Boicote a Folha de SP


Os atos de intimidação da Folha de São Paulo contra blogs, como o Arlesophia, é motivo para reforçar nosso boicote à Folha e ao UOL.

É arrogância do grupo Folha diante de críticas.

É abuso de poder econômico em processos judiciais, onde cidadãos comuns não tem assessoria jurídica, nem recursos para custear advogados.

É vício e saudosismo do tempo da ditadura, onde a Folha praticava a auto-censura para cortejar o regime ditatorial, empregando policiais infiltrados em sua redação com função de "jornalistas", nos tempos da OBAN.

Hoje, para quem vive defendendo a "liberdade de imprensa", o jornal Folha de São Paulo reagiu mal à cidadãos que decidiram boicotar o jornal e o UOL, na blogosfera.

O New York Times sempre teve esse tipo de contestação e não tem o ranço ditatorial de querer censurar.

No site http://boycottnyt.com/ , uma organização de ativistas críticos promovem o boicote ao jornal.




Observem que utilizam a própria logomarca tradicional do jornal (imagem abaixo):



O NY Times, também poderia recorrer à lei de marcas nos EUA para obrigar a tirar do "site" a marca acima, mas não entra na justiça contra os ativistas.

Mesmo sendo um jornal conservador, respeita a liberdade de manifestação dos oponentes.

A diferença é que o New York Times sempre precisou de leitores críticos para sobreviver num país democrático. Sabe que um jornal não é só estilingue, é vidraça também.

A Folha de São Paulo foi incubada na ditadura, na base do fala quem pode, quem não pode resmunga calado, senão vai preso.

A Folha sempre dependeu fortemente de boas relações políticas e econômicas com governos para sobreviver, por isso ameaça seus (ex)-leitores críticos, em vez de ouví-los e contrapor.

Por isso, todo mundo que não concorda com a qualidade do jornalismo, com a linha editorial, e com a truculênca judicializada contra seus críticos, a melhor resposta de repúdio é cancelar as assinaturas da Folha e do UOL.