Lula anuncia hoje regras que asseguram riquezas do pré-sal para o povo brasileiro
Do Blog do Planalto
O Brasil está dando mais um passo para alcançar uma nova era: Lula reúne hoje o todo o Ministério e o Conselho Político do governo para fechar a proposta das novas regras de exploração e produção de petróleo e gás natural no País. São mudanças muito importantes para que os recursos petrolíferos descobertos pela Petrobras abaixo da camada de sal do Oceano Atlântico sejam bem aproveitados e se transformem em uma riqueza para melhorar a vida de todos os brasileiros – especialmente os mais pobres. Esses recursos são importantes também para o desenvolvimento consistente e presença marcante do Brasil no mundo.
O governo precisa fazer as mudanças nas regras de exploração e produção de petróleo no País porque o cenário mudou desde a descoberta do Campo de Tupi. Em novembro de 2007, a Petrobras informou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que seus estudos geológicos indicavam a existência de grande potencial petrolífero na Plataforma Continental, em uma área de 149 mil km², que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina.
A probabilidade de se encontrar petróleo nessa província marítima, que é do tamanho dos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, juntos, passou a ser muito grande. E o modelo de concessão criado para atrair investimentos das empresas petrolíferas multinacionais deixou de ser interessante para o País.
Confira aqui o novo site da Petrobras com 10 perguntas para você entender o Pré-sal. Pelas regras atuais, as empresas que vencem uma concorrência para a exploração de um bloco passam a ter direitos sobre tudo que for descoberto, desde que paguem os tributos e as participações governamentais definidas em lei.
Pelo novo modelo que o governo está propondo, o de partilha, a União passa a ser “sócia” das empresas que investirem na exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil, mas mantém o controle dessas atividades por meio de uma empresa pública que será criada com esse propósito. Passa também a dividir os “lucros” com as empresas contratadas, recebendo sua parte em petróleo e gás natural.
Esse modelo só será aplicado para as áreas que ainda não foram licitadas pelo regime de concessão, que equivalem a cerca de 72% do Pré-sal ou 107 mil km². Para os 28% já licitados (42 mil km²), permanecem as regras atuais de contratação e distribuição da participação governamental na produção do petróleo.
A criação de uma nova empresa pública para defender os interesses do governo federal nos empreendimentos petrolíferos – principalmente os da área Pré-sal – tem como objetivo assegurar o maior volume de recursos possível para o Novo Fundo Social que será criado para investir em programas de educação, ciência e tecnologia e combate à pobreza.
A descoberta do Pré-sal é uma benção, mas é também uma recompensa gratificante para todos os que acreditaram e lutaram para provar a capacidade, a competência e a criatividade que o povo brasileiro tem para vencer desafios, mesmo aqueles considerados impossíveis. Ficaram para trás os que duvidaram da existência de petróleo no Brasil, os que duvidaram que pudéssemos retirar o petróleo da terra ou do fundo do mar com nossos próprios recursos e os que duvidaram que uma empresa estatal pudesse ser competitiva, lucrativa e respeitada mundialmente. E serão vencidos os que duvidarem da nossa capacidade de transformar o pré-sal em uma pista de vôo para um o futuro com mais prosperidade e menos desigualdades.
A divulgação das propostas do governo acontece nesta segunda-feira (31/8), em grande ato público que contará com a presença de congressistas, governadores, prefeitos, empresários, trabalhadores, intelectuais e artistas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Em seguida, a proposta será encaminhada ao Congresso Nacional para que as mudanças sejam debatidas e transformadas nas leis que vão demarcar um novo tempo de esperança e confiança no futuro.
O arsenal udenista está de volta, o que poderá detê-lo?
Saul Leblon
O método da calúnia é tão antigo no arsenal político da direita quanto o seu objetivo de alcançar o poder a qualquer custo, seja pelo voto, o impeachment, o golpe, a fraude ou uma mistura das quatro coisas simultaneamente, como fez a UDN nas eleições de 1955, na primeira chance real de chegar ao poder pelo voto, depois da tentativa de golpe abortado pelo suicídio de Vargas.
Não deu certo. Os udenistas Juarez Távora e Milton Campos tiveram 30% dos votos contra 36% dados a Juscelino. A vitória apertada, mas indiscutível da chapa que tinha como vice João Goulart, herdeiro político de Vargas, não desanimou os udenistas.
Derrotados nas urnas em outubro de 1955, desencadearam uma campanha agressiva para impedir a posse de Kubitschek, marcada para janeiro do ano seguinte. Na linha de frente do golpismo estava o jornal O Estado de São Paulo - alter-ego da UDN paulista. O mesmo que hoje lidera a pressão pela derrubada de Sarney em nome da "moralização" do Congresso e da faxina ética na política nacional.
Não é preciso ser simpatizante da oligarquia maranhense para suspeitar que existe algo mais do que mau jornalismo no bombardeio que atribui a Sarney todas as malfeitorias praticadas no Senado, desde a sua criação em 1824, na primeira Constituição do Império. O que está por trás é a volta do arsenal "democrático" udenista em pleno aquecimento para 2010, quando o PMDB terá peso decisivo na sucessão de Lula, que cultiva o apoio da legenda num acordo de reciprocidade com Sarney.
A ressalva é tão óbvia que chega a ser admitida nas entrelinhas de editorialistas espertos, funcionando mais como salvaguarda cínica do texto, do que uma crítica efetiva ao jornalismo praticado em nome da moralidade.
A moralidade de quase todos os grandes órgãos da imprensa brasileira está empenhada em corroer a candidatura Dilma Rousseff, custe o que custar. A observação de Gramasci sobre a "imprensa que adquire funções de partido político" se aplica como uma luva ao jornalismo praticado hoje no país.
Cada flanco que se abre nas fileiras do governo aciona pautas especiais; mini-editorias específicas; forças-tarefas montadas a toque de caixa. "Analistas" e acadêmicos são requisitados para teorizar sobre "a decadência irreversível do petismo", ao mesmo tempo em que petistas hesitantes, e ex-petistas recorrentes, endossam a dissolução da pureza vermelha contaminada pelos vícios do poder.
Desprovida de partidos de massa, a direita sempre teve nas campanhas midiáticas um valioso instrumento de intervenção na ordem institucional.
Se desta vez a mutação flagrada por Gramasci ganha acentuação inédita é porque os resultados acumulados pelos dois mandatos de Lula deixaram um minúsculo campo programático para a coalizão demotucana se movimentar em 2010. O braço midiático deve compensar com denúncias a fragilidade propositiva.
Malgrado as limitações da aliança que o sustenta, Lula superou a pior crise do capitalismo desde 1930, acentuando as linhas de vantagem do seu governo em relação à estratégia conservadora abraçada pelo PSDB e predominantemente apoiada pela mídia. A saber: o desastroso recuo do Estado em todas as frentes do desenvolvimento; o alinhamento carnal com os EUA na política externa e comercial; a terceirização dos grandes desafios sociais à "eficiência dos mercados auto-regulados". Hoje esse cardápio se traduz na tentativa de desconstrução caluniosa da candidatura Dilma Rousseff; nas denúncias contra a Petrobras e na torcida mal-disfarçada com o êxito do país no pré-sal.
Tivesse o Brasil persistido nessa rota, seria hoje uma terra arrasada por desemprego e quebradeira, a exemplo do que sucede no Leste europeu - última fronteira de expansão do neoliberalismo e seu obituário mais dramático.
Ocultar esse flanco substituindo o principal pelo secundário, portanto, sobrepondo à transparência da crise o que o monopólio midiático pauta como relevante, é o recurso precioso de Serra para contrabalançar sua opacidade programática em 2010.
Trata-se de uma das especialidades legadas pelo udenismo à política nacional. Carlos Lacerda, caracterizado como "o Corvo" nas charges publicadas pelo jornal getulista Última Hora, manejava com maestria o ferramental de fraudes & ofensas, que hoje encontra aprendizes excitados nas redações.
Exemplos: dia 22 de agosto o comentarista político Fernando Rodrigues, classificou o senador Mercadante de "vassalo" do Planalto, com chamada na primeira página da Folha; antes dele, Danuza Leão comparou a ministra Dilma Rousseff , na mesma Folha, a um misto de pai autoritário e diretora "carrasca". Analista das Organizações Globo, o que não significa apenas uma inserção profissional, Lucia Hippolito espetou no título de um comentário sobre o PT (Globo online) o vocábulo-síntese de sua filiação carnal ao udenismo: "a pelegada".
A fome dos petizes lacerdistas encontra fontes obsequiosas nas fileiras oposicionistas.
Olhos, ouvidos e bocas de Serra na capital federal, ao lado de Virgílio, Agripino, Sergio Guerra e Jereissati, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) definiu o PT, em recente entrevista, como uma sublegenda do "lulismo". Na boa tradição udenista equiparou o "lulismo", portanto o Presidente da República, aos "caudilhismos latinoamericanos, a exemplo do peronismo argentino". O conservadorismo do senador evoca um tema recorrente no cardápio lacerdista, que inspirou violenta campanha contra Vargas nos anos 50, fartamente difundida pela rádio Globo, dirigida pelo jovem udenista, Roberto Marinho.
Vale a pena rememorar esse "case" do modo udenista de abduzir a realidade e derivar daí vale-tudo de aniquilação dos adversários.
Em abril de 1954, o governo Vargas sangrava. Uma ciranda de ataques descomprometidos de qualquer outra lógica que não a derrubada de um projeto de desenvolvimento nacionalista fustigava o Presidente que criara a Petrobras, o BNDES e aplicava uma política de fortalecimento do mercado interno com forte incremento do salário mínimo.
O clima pesado de acusações e ofensas pessoais atingia Getúlio e sua família de forma indiscriminada. Lutero, irmão do Presidente, era tratado nas manchetes como "bastardo" e "ladrão". O ministro do Trabalho, João Goulart, era reduzido a "personagem de boate". Faltava, porém, um ponto de coagulação para transformar o tiroteio desordenado em míssil capaz de abrir um rombo na legalidade institucional.
Em meio à radicalização, em março de 54 surge a denúncia de que "os caudilhos" Vargas e Perón planejavam um suposto "Pacto ABC" (Argentina –Brasil –Chile), cuja meta era "a integração sul-americana num arquipélago de repúblicas sindicais contra os EUA".
Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e na rádio Globo, e a Banda de Música da UDN no Congresso – um pouco como o jogral que hoje modula as vozes da coalização demotucana e da mídia "ética" - martelavam a denúncia incansavelmente, testando por aproximação as condições para o impeachment de Vargas.
A notícia do pacto foi vigorosamente desmentida pela chancelaria argentina, mas um ex-ministro rompido com Getúlio, aliou-se a Lacerda para oferecer "evidências" das negociações entre o Brasil e Perón.
A inexistência de provas – exceto a menção genérica de Perón à uma aliança regional — não demoveu a mídia que deu à declaração ressentida do ex-ministro contornos de verdade inquestionável, repetida à exaustão até acuar o governo.
Vargas reagiu na única direção que lhe restava. No 1º de maio de 1954 anunciou o famoso reajuste de 100% para o salário mínimo num discurso marcado por elogios a Goulart, o ministro do Trabalho, mentor do reajuste, afastado pela pressão udenista.
Ao conclamar os trabalhadores a se organizarem para defender seus próprios interesses, o discurso de 1º de Maio soava como um ensaio de despedida. Talvez até mais radical, na convocação aos trabalhadores, do que a própria Carta Testamento deixada quatro meses depois, quando o Presidente atirou contra o próprio peito para não ceder à pressão da mídia pela renúncia.
"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo" (Getúlio Vargas, 1º de Maio de 1954).
A dramaticidade do suicídio iluminou o quadro político gerando transparência e revolta diante do golpismo em marcha. Porta-vozes da oposição a Getúlio foram escorraçados nas ruas do Rio; uma multidão consternada e enfurecida cercou e depredou a rádio Globo que saiu do ar; veículos do jornal de Roberto Marinho foram caçados e queimados nas ruas da cidade. Para Carlos Lacerda não sobrou um centímetro de segurança em terra: o "Corvo" foi obrigado refugiar-se no mar, a bordo do cruzador Barroso.
A determinação conservadora de arrebatar o poder, todavia, não esmoreceu.
Poucas semanas depois do suicídio, em 16 de setembro de 1954, uma segunda "denúncia" associada ao Pacto ABC explodiria nos microfones da rádio Globo. Era a largada, com 12 meses de antecipação, para a primeira disputa eleitoral em vinte e quatro anos que não contaria com a presença divisora de Getúlio na cena nacional.
O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto e adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955. Na voz estridente de Lacerda, comentarista de diversos programas da emissora de Marinho, foi lida em primeira mão a "Carta Brandi". Uma suposta correspondência do deputado argentino Antonio Brandi a João Goulart , apresentada como a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".
Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para aprofundar as investigações.
A conclusão oficial de que tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada por Lacerda e alimentada pela imprensa anti-getulista, não abalou seus protagonistas. Lacerda rapidamente mudou o foco da denúncia, invertendo os termos da equação: fora vítima de uma cilada, uma isca arquitetada por adversários eleitorais para desmoralizar a democracia e acelerar a implantação de uma república sindical no país - exatamente como descrevia a (falsa) "Carta Brandi".
"(...) Se a carta não é verdadeira", escreveu na Tribuna de Imprensa, um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango no pleito de outubro de 1955, "seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart..."
Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista que povoa a mídia tucana nos nossos dias não é mera coincidência. Os mesmos objetivos, os mesmos métodos, a mesma elasticidade ética e democrática estão de volta.
A vitória apertada de JK em 1955 foi tratada pelo udenismo como uma sintoma de "ilegalidade das urnas". Inconformada, a chamada "imprensa da UDN" iniciou uma nova campanha, desta vez liderada pelo jornal Estado de São Paulo, que não poupou papel e tinta na luta para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.
Se chegaram a esse ponto contra JK em 1955 e fracassaram, muito se deve ao desbloqueio do discernimento popular causado pelo suicídio do estrategista genial que foi Getúlio Vargas. O arsenal udenista, porém, está de volta e seu partido midiático não disfarça a determinação de transformar 2010 na nova inflexão conservadora na vida do país. Resta saber que força poderá detê-los agora, a ponto de despertar na sociedade o mesmo efeito esclarecedor do tiro que sacudiu o país na manhã de 24 de agosto de 1954.
Yeda “investe” R$ 34 mil na UERGS e articula ajuda milionária para GM
O déficit zero, decantada conquista do governo Yeda Crusius, é um discurso que se esboroa diante da realidade que nos apresenta escolas de lata e postos de saúde cheios de goteira. Só um número, revelado esta semana, dá conta do embuste: no orçamento para 2009, que Yeda jurava ser realista, seus técnicos previram um gasto de R$ 37 milhões com a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), mas até o mês de julho, nem um quarto (24%) deste dinheiro foi aplicado na universidade. Pior, no item “investimentos” o Estado gastou 1%. Isto mesmo, um por cento (!) o que equivale a míseros R$ 34 mil reais para a manutenção e a melhoria de dezenas de unidades espalhadas pelo Estado inteiro.
São dados da Secretaria da Fazenda que revelam muito mais do que cifras; revelam, na verdade, a opção política de um jeito de governar tucano nem um pouco novo porque já foi visto em nível federal com Fernando Henrique quando as universidades públicas foram sucateadas. Yeda tem horror à idéia de fortalecer a UERGS não só porque ela foi criada pelo governo Olívio Dutra, mas porque foi criada para dialogar com o desenvolvimento endógeno, capacitar a produção local e não para moldar futuros peões das ultrapassadas indústrias de segunda geração do tipo montadoras de automóveis.
E por falar em General Motors, já tramita na Assembleia Legislativa um benevolente projeto de lei em que Yeda concede maravilhosos incentivos fiscais à montadora. A oposição, premida pelo temor de que qualquer movimento mais brusco de reação seja ordinariamente noticiado como uma “Ford 2″, atua com todo o cuidado. A idéia é demonstrar ao povo gaúcho que o que Yeda está oferecendo à GM em isenção de impostos, se fosse aplicado, por exemplo, no setor moveleiro, calçadista ou nas cooperativas e no setor primário, geraria mais empregos, mais renda e, por conseguinte, mais desenvolvimento ao Rio Grande do Sul. A benesse de Yeda representa alguns bilhões a menos nos cofres públicos e, na ponta do lápis, significa que todo o comemorado investimento da montadora no Estado, será completamente pago… pelo povo gaúcho. (Maneco)
Foto: Yeda e Britto reunidos ontem em São Paulo. Qualquer semelhança entre seus governos não é mera coincidência. (Jefferson Bernardes/Palácio Piratini)
Pescado em RS Urgente
Galeano: Presença dos EUA ofende dignidade e inteligência da AL

Por Fernando Arellano Ortiz
Na Avenida Amazonas, em Quito, a poucos passos do hotel onde se hospedava, encontramos - como qualquer transeunte na noite do domingo, 9 de agosto - Eduardo Galeano, que havia chegado à capital equatoriana para assistir, como convidado especial, ao ato de posse do presidente Rafael Correa, cerimônia realizada em 10 de agosto. O paramos e nos identificamos para solicitar uma entrevista, à qual ele aceitou com gosto.
"Agora não pode ser, mas nos vejamos amanhã, depois da posse de Correa", nos disse o autor de "As veias abertas da América Latina" e de "Espelhos".
Como sempre, Galeano respondeu às perguntas com ironia e não pouco humor, é por isso que suas reflexões saem do comum. Como um latino-americanista, o escritor uruguaio faz uma análise peculiar da realidade sócio-política em nosso hemisfério. Confira abaixo e comente.
"Tempo aberto de esperança"
Após 200 anos de emancipação na América Latina, pode-se falar de uma reconfiguração do sujeito político na região, levando em conta os avanços políticos que se traduzem em governos progressistas e de esquerda em vários países latino-americanos?
Sim, há um tempo aberto de esperança, uma espécie de renascimento que é digno de comemoração em países que não terminaram de se tornar independentes, apenas começaram um pouquinho (a conquistar sua independência). A independência é uma tarefa pendente para quase toda a América Latina.
Com toda a erupção social que tem ocorrido no hemisfério, pode-se assinalar que há uma ênfase da identidade cultural da América Latina?
Sim, eu creio que sim e isso passa, certamente, pelas reformas constitucionais. Me ofendeu a inteligência, além de outras coisas que eu senti, o horror do golpe de Estado em Honduras, que invocou como causa o pecado cometido por um presidente que quis consultar o povo sobre a possibilidade de reformar a Constituição, porque o que queria Zelaya era consultar sobre a consulta, nem sequer era uma reforma direta.
Supondo que fosse uma reforma constitucional, que seja bem-vinda, porque as constituições não são eternas e para que os países possam ser plenamente realizados têm que reformá-las. E eu me pergunto: o que aconteceria aos Estados Unidos se seus habitantes continuassem obedecendo à sua primeira Constituição? A primeira Constituição dos Estados Unidos afirmava que um negro equivalia a três quintos de uma pessoa. Obama não poderia ser presidente porque nenhum país pode ter um governante que seja três quintos de uma pessoa.
Você reivindica a figura do presidente Barack Obama por sua condição racial, mas o fato de ele manter ou expandir a presença norte-americana mediante bases militares na América Latina - como está acontecendo agora na Colômbia, com a instalação de sete plataformas de controle e espionagem - não desmente as verdadeiras intenções deste governante do Partido Democrático, e simplesmente segue ao pé da letra os planos expansionistas e de ameaça de uma potência hegemônica como os EUA?
O que acontece é que Obama até agora não definiu muito bem o que quer fazer em relação à América Latina, às nossas relações - tradicionalmente duvidosas -, ou a outras questões. Em algumas áreas, há um desejo de mudança expresso, por exemplo, no que tem a ver com o sistema de saúde que é escandaloso nos Estados Unidos. Você quebra a perna e paga até o fim dos dias uma dívida por esse acidente. Mas, em outras áreas não. Ele continua a falar de "nossa líderança", "nosso estilo de vida", em uma linguagem muito semelhante à de seus anteriores.
A mim me parece muito positivo que um país tão racista quanto aquele - e com episódios de racismo colossais, descomunais e escandalosos, ocorridos há 15 minutos em termos histórico s- tenha um presidente seminegro. Em 1942, ou seja, a meio século, o Pentágono proibiu as transfusões de sangue negro e o diretor da Cruz Vermelha se demitiu ou foi dispensado porque se recusou a aceitar a ordem, dizendo que todo o sangue era vermelho e era absurdo falar de sangue negro. E ele era negro, foi um grande cientista, que tornou possível a aplicação do plasma em escala universal, Charles Drew.
Então um país que fez um disparate como proibir o sangue negro ter Obama presidente é um avanço. Mas, por outro lado, até agora não vejo nenhuma mudança substancial, aí está por exemplo a forma como seu governo enfrentou a crise financeira. Pobrezinho, eu não queria estar em seu lugar, porém a verdade é que terminaram recompensando os especuladores, os piratas de Wall Strett que são muito mais perigosos que os da Somália, porque estes assaltam nada mais que barquinhos na costa, ao passo que os da Bolsa de Nova York assaltam o mundo.
Eles foram recompensados; eu queria começar uma campanha, ao princípio, comovido pela crise dos banqueiros, com o slogan: "adote um banqueiro", mas abandonei essa ideia porque vi que o Estado assumiu essa tarefa. (Risos).
E o mesmo com a América Latina, como que não tem ainda muito claro o que fazer. Eles têm mais de um século, nos Estados Unidos, dedicados à fabricação de ditaduras militares na América Latina. Então, na hora de defender uma democracia como no caso de Honduras, ante um claríssimo golpe de Estado, vacilam, têm respostas ambíguas, não sabem o que fazer, porque eles não têm prática, lhes falta experiência, estão há mais de um século trabalhando na direção oposta.
Então compreendo que a tarefa não é fácil. No caso de bases militares na Colômbia não só ofende a dignidade coletiva da América Latina, mas também a inteligência de qualquer um. Porque se dizer que sua função será o de combate à droga, por favor, até quando!?
Quase toda a heroína consumida no mundo vem do Afeganistão, quase toda, dados oficiais das Nações Unidas que qualquer pessoa pode ver na internet. E o Afeganistão é um país ocupado pelos Estados Unidos e, como se sabe, os países ocupantes têm a responsabilidade pelo que acontece nos países ocupados, por conseguinte, têm algo a ver com este narcotráfico em uma escala universal e são dignos herdeiros da rainha Vitória que era traficante de drogas.
"Não se pode ser tão hipócrita"
A rainha britânica introduzido por todos os meios, no século XIX, o na China, através de comerciantes da Inglaterra e Estados Unidos...
Sim, a famosa rainha Vitória da Inglaterra impôs o ópio na China mais ao largo de duas guerras de 30 anos, matando uma quantidade imensa de chineses, porque o império chinês se recusou a aceitar essa substância dentro de suas fronteiras. E o ópio é o pai da heroína e da morfina, exatamente. Então aos chineses custou tudo, porque a China era uma grande potência que poderiam ter competido com a Inglaterra no início da revolução industrial, era a oficina do mundo, e a guerra do ópio os arrasou, os transformou em uma bagunça. Daí entraram os japoneses em quinze minutos.
Victoria era uma rainha narcotraficante e os Estados Unidos que tanto usam a droga como um álibi para justificar suas invasões militares, porque é isso, são dignos herdeiros desta feia tradição. Acho que é hora de despertarmos um pouquinho, porque não se pode ser tão hipócrita. Se vão ser hipócritas, que o sejam com mais cuidado. Na América Latina temos bons professores de hipocrisia, se querem podemos em um acordo de ajuda tecnológica mútua fornecer alguns hipócritas próprios.
Há exatamente nove anos, você disse em uma entrevista em Bogotá, concedida a este repórter, a seguinte frase: "Deus salve o a Colômbia do Plano Colômbia." Qual é agora a sua reflexão sobre este país andino que enfrenta um governo autoritário entregue aos interesses dos Estados Unidos, com uma alarmante situação de violação dos direitos humanos e um conflito interno que segue sangrando?
Além de problemas extremamente sérios que foram se intensificando ao longo do tempo. Eu não sei, te digo, não sou alguém para dar conselhos para a Colômbia ou aos colombianos, eu sempre fui contra esse mau hábito de alguns que se sentem capazes de dizer o que cada país deve fazer. Eu nunca cometi esse pecado imperdoável e eu não vou cometer agora com a Colômbia. Só pode-se dizer que espero que os colombianos encontrem o seu caminho, oxalá o encontrem. Ninguém pode impor de fora, nem pela esquerda nem pela direita, nem pelo centro, ou qualquer coisa. Serão os colombianos que vão encontrá-lo.
E eu posso dizer que dou testemunho. Se há um tribunal mundial que vá julgar a Colômbianpelo que se diz da Colômbia - que é violenta, narcotraficante, condenada à violência perpétua -, eu vou dar o testemunho de que não, de que este é um país carinhoso, alegre e que merece melhor destino.
Reivindicando a memória de Raul Sendic
Muitos anos atrás, mesmo há quatro décadas, havia um personagem eme Montevidéu, que se reuniu com um jovem artista chamado Eduardo Hughes Galeano com a finalidade de dar idéias para o desenvolvimento de suas caricaturas, chamado Raúl Sendic, o inspirados da Frente Ampla no Uruguai ...
E líder guerrilheiro dos Tupamaros, embora na época ainda não fosse. É verdade, quando eu era criança, quase quatorze anos, e comecei a desenhar caricaturas, ele ficava olhando e me dava idéias, era um homem bem mais velho que eu, com alguma experiência, e ainda não era o que mais tarde se tornou: o fundador, organizador e líder dos Tupamaros.
Eu me lembro que ele disse a Dom Emilio Frugoni que era então o chefe do Partido Socialista e editor do semanário onde eu publicava caricaturas de início: "Este vai ser ou presidente ou um grande delinquente." Foi uma boa profecia e acabei sendo um grande delinquente..." (risos).
O fato de hoje a Frente Ampla governar o Uruguai e um ex-guerrilheiro como Pepe Mujica ter uma chance de ganhar a eleição presidencial é uma reivindicação à memória de Sendic?
Sim, e de todos aqueles que participaram de uma luta de muito tempo para quebrar o monopólio de dois, o bipólio exercido pelo Partido Colorado e o Partido Nacional durante a maior parte da vida independente do país. A Frente Ampla irrompeu há muito pouco no cenário político nacional e me parece muito positivo que esteja governando agora, apesar de que eu não concordo com tudo o que faz e acho que não faz tudo o que deveria.
Mas isso não tem nada a fazer, porque afinal a vitória da Frente Ampla também foi uma vitória da diversidade política que eu acredito que é o fundamento da democracia. Na frente coexistem vários partidos e movimentos diferentes, unidos por uma causa comum, naturalmente, mas com suas diversidades e diferenças, e eu as reclamar, para mim isso é fundamental.
O que representa para você como Uruguai o fato de que um líder emblemático da esquerda, como Pepe Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, tenha amplas oportunidades para chegar à presidência do seu país?
Tem alguma chance, não vai ser fácil, vamos ver o que acontece, mas eu acho que é um processo de recuperação. As pessoas se reconhecem em Pepe Mujica porque ele é radicalmente diferente de nossos políticos tradicionais, em sua linguagem, mesmo em seu aspecto e tudo, embora ele tenha tentado se vestir como um fino cavalheiro não vão bem, e ele exprime muito bem uma necessidade e uma vontade popular de mudança. Eu acho que seria bom se ele chegasse à Presidência, vamos ver se isso acontece ou não.
Em qualquer caso, o drama do Uruguai como o do Equador, é claro - um país no qual estamos falando agora - é que está sangrando sua população jovem. Ou seja, a nossa é uma pátria peregrina; Em seu discurso de posse, o presidente Rafael Correa falou dos exílados da pobreza e a verdade é que há uma enorme quantidade de uruguaios, muito mais do que eles dizem, porque não são oficiais os números, mas não inferior a 700 mil, 800 mil uruguaios em uma população pequeníssima - porque no Uruguai somos 3 milhões e meio -, é então uma quantidade enorme de pessoas fora.
Todos ou quase todos, jovens. Então ficaram os velhos ou as pessoas que já cumpriram esta etapa da vida, na qual se quer que tudo mude, para se resignar a não mudar nada ou que se mude muito pouca coisa.
Depois de seus famosos livros "As Veias Abertas da América Latina", publicado em 1970, e "Espelhos", publicado em 2008 - que contam as histórias de infâmia, o primeiro sobre nosso continente e o outro sobre a maior parte do mundo - há espaço para continuar acreditando na utopia?
"Espelhos" o que faz é recuperar a história universal em todas as suas dimensões, seus horrores, mas também em suas festas, é muito diferente de "As Veias Abertas da América Latina", que foi o começo de um caminho. As "Veias Abertas" é um ensaio sobre economia política, escrito em uma linguagem não muito tradicional no gênero, por isso ele perdeu o concurso da Casa das Américas, porque o júri não o considerou seriamente.
Foi um momento em que a esquerda só acreditava que o sério era o chato, e como o livro não era chato, não era sério, mas é um livro muito concentrado na história econômica e política e nas barbaridades que essa história significava para nós, como nos deformou, estrangulou.
Em vez disso, "Espelhos" tentar acolher todo o mundo, as noites e os dias, as luzes e as sombras, são todas histórias incrivelmente breves, e também há uma diferença de estilo. As Veias Abertas tem uma estrutura tradicional, e a partir daí eu tentei encontrar uma linguagem minha, própria, que é a do relato curto, pecinhas coloridas para armar grandes mosaicos, um estilo como a dos muralistas, e cada história é uma pequena pedrinha que incorpora uma cor, e um dos últimos relatos de "Espelhos" evoca uma memória da minha infância e é verdadeiro.
É que quando eu era pequeno eu pensava que tudo que estava perdido na terra ia parar na lua, estava convencida disso e fiquei surpreso quando chegaram os astronautas na lua, porque não encontraram nem promessas quebradas, nem ilusões perdidas, esperanças frustradas, e então eu me perguntava: se não estão na lua, onde estão? Será que estão aqui na terra, nos esperando?
Fonte: Rebelión
Microsoft "esconde" negro em foto

A gigante monopolista Microsoft cometeu uma grande derrapada e agora pediu desculpas após ser acusada de editar uma foto na qual a cabeça de um homem negro foi trocada pela de um homem branco.
A foto, que mostrava empregados sentados ao longo de uma mesa de reunião, apareceu em sua versão original no site da empresa nos Estados Unidos.
Mas no seu site para a Polônia, a gigante do software trocou a cabeça do homem negro por um homem branco, mas deixou a mão do homem intocada.
Dizer que foi tudo um mal entendido é a costumeira saída fácil para esse tipo de situação, mas fica difícil de se acreditar, ainda mais se tratando de uma empresa poderosa como a Microsoft. É pouco provavel que tenha sido um engano, eles acreditavam que ninguém se daria ao trabalho de comparar as propagandas polonesas e americana, para azar deles, o fizeram e agora é público!
Tariq Ali e o exemplo do jornalista de Israel

Em tempos em que vemos uma imprensa cada vez mais comprometida com os interesses dos poderosos e do capital, em que no Brasil ela já mal consegue disfarçar os seus interesses e opções políticas, já esboçando uma antecipação do debate eleitoral e buscando influir diretamente no resultado. E onde uma parcela significativa dos profissionais do jornalismo se submetem de forma subserviente e acovardada aos interesses dos seus patrões, um belo exemplo que foge por completo a esta lógica nos é dado por Tariq Ali, escritor paquistanês, a respeito de um caso ocorrido em 2003 em Israel, que está no bom livro Imperialismo & Resistência e que poderia servir de exemplo para os nossos jornalistas daqui.
"Em setembro de 2003, mais de 25 pilotos israelenses assinaram um documento público anunciando que se recusavam a bombardear cidades e vilas palestinas. (...) Eles foram denunciados e severamente atacados por políticos e pela imprensa. Isto deixou furiosos alguns jornalistas liberais em Israel. Um deles, Yehuda Nuriel, publicou um artigo em um semanário de Tel Aviv, Maariv, jornal tablóide diário, atacando os pilotos e defendendo o governo de Israel; ele assinou o artigo com um nome falso, A. Schicklgruber, que era o verdadeiro nome de Hitler. Ninguém no jornal sabia disso. Sob o nome de A. Schicklgruber, ele criticou os pilotos pelo que estavam fazendo, mas o artigoo como um todo - cada uma das frases - foi tirado do Mein Kampf e dos discursos de Hitler. Esse artigo foi impresso, e os editores não se incomodaram com seu conteúdo - até que alguém com memória histórica disse: Ai, meu Deus. Schicklgruber não é um velho judeu em Jerusalém. É o verdadeiro nome de Adolf Hitler. Nuriel foi demitido, claro. Mas o fato de um jrnalista israelense ter tido coragem de fazer isso é extraordinário. Como eu costumo dizer a jornalistas da grande imprensa dos Estados Unidos e da Europa: Siga o exemplo de alguns dos seus colegas israelenses. Eles são mais corajosos do que vocês."
Ibope, Globo, Folha: a metodologia do golpismo

Gilson Caroni Filho
Desde as eleições presidenciais de 1989, os "magos" de institutos de pesquisa são tratados pela grande imprensa como grãos-senhores da opinião pública, cientistas políticos dotados do preceito positivista da infalibilidade. Era de se esperar que os especialistas adulados soubessem que cair no canto da sereia midiática pode conduzir suas naus à boca do Adamastor ou espalhar-se no invisível Cabo das Tormentas.
A entrevista concedida pelo presidente do Ibope Carlos Augusto Montenegro à revista Veja (edição 2127, de 26/8/2009) bate de frente com o rochedo da verdade, lançando uma nuvem de suspeita sobre os rigores científicos de futuras pesquisas, seus modelos matemáticos e estatísticos.
Ao afirmar que "sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia", Montenegro incorreu em erro primário. Ou o narcisismo excedeu os limites toleráveis, ou a má-fé já não se preocupa em vestir disfarces.
Um "pesquiseiro" pode ter uma expectativa a priori sobre os resultados (ou ninguém testaria hipóteses) e expô-la ao cliente – confidencialmente. Até deve, se achar que não é recomendável gastar tempo, dinheiro e esforço com pesquisa redundante. Mas não é disso que tratamos. É de coisa bem distinta. É do que diz o presidente de uma instituição com conhecidos vínculos com corporações midiáticas a uma revista que não esconde o protofascismo de sua linha editorial.
Dados, só com sondagem realizada
Ao emitir juízo de valor sobre a ministra Dilma que, apesar das evidências, ainda não confirmou sua pré-candidatura, o analista incorreu em duplo erro: ético e metodológico. Quando diz que Dilma não dispõe de carisma, simpatia ou jogo de cintura, Montenegro parece ter se esquecido que sua empresa vai ser solicitada a fazer pesquisa de opinião sobre o objeto dos comentários. Suas afirmações podem criar uma pré-percepção de predisposição. O que, convenhamos, é um desastre para a credibilidade do grupo que preside.
Em outro trecho, quando perguntado pelo jornalista Alexandre Oltramari sobre as possibilidades das candidaturas aventadas até o momento, o economista, habituado a realizar pesquisas em diversos setores, vaticina: "Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006."
Lorota. Em 1994, pesquisa sobre intenção de voto do Datafolha dava 41% para Lula contra 19% para FHC. O tucano ganhou o pleito no primeiro turno. Em 1998 e 2006 tivemos reeleições e os favoritos eram os candidatos a elas, respectivamente FHC forte (cf. "estelionato cambial") e Lula, se não diretamente enfraquecido, pelo menos alvejado pelo "mensalão". Coisa bem diferente de agora.
Montenegro deveria saber que só tem que apresentar dados em cima de um parecer quantitativo que foi extraído de sondagem efetivamente realizada. Do contrário, como faz nessa entrevista, parece querer induzir futura pesquisa ou dar uma opinião pessoal, já dizendo, mesmo antes de fazê-la, qual vai ser o resultado. Conspiracionismos à parte, algo soou estranho nas "amarelinhas" da revista dos Civita.
Uma notinha indispensável
Nossa grande imprensa progride. Já havia abandonado a verdade factual para fazer campanha. Agora, faz pouco da verdade textual também.
A Folha de S.Paulo ("Apoio de petistas a Sarney é insustentável, diz Marina", 23/08, página A4) falseia (deliberadamente?) as palavras da senadora Marina Silva.
Diz o texto de Marta Salomon: "[Marina Silva] lançou mão de personagens da Bíblia para comparar a candidatura Dilma Rousseff e uma candidadtura pelo PV à luta entre o gigante Golias e Davi." Diz a senadora: "(...) não imagino que a candidatura do PT é Golias e nem tenho a pretensão de ser o Davi (...)." Portanto, e ao contrário do afirmado no texto redacional, a senadora "lança mão de personagens da Bíblia" para expor como descabida tal comparação.
O Globo já foi obrigado, no sábado [22/8], a se retratar pela manchete falsa da véspera, denunciada pela senadora no plenário do Senado, com transmissão ao vivo pela emissora da Casa. A Folha, que tem por política não se retratar de falsidades, vai esperar também ser – merecidamente – denunciada de público?
A profissão de fé jornalística nunca esteve tão em alta.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa.
Fidel Castro também é Imortal!

O teor da matéria a agência EFE é o seguinte:
...A televisão cubana mostrou hoje o primeiro vídeo do ex-presidente Fidel Castro em 14 meses. Aos 83 anos o Companheiro está em bom estado de saúde. As imagens, o mostram com jovens venezuelanos que recebeu no sábado, com sua tradicional roupa esportiva. No vídeo deste domingo, Fidel conversa extensamente enquanto aguarda a transmissão do jogo do Imortal TriColor MultiCampeão. O Presidente Imortal vibrou muito com a goleada de 4X1 sobre o Atlético Mineiro ...
(*) Agência EFE e colaboração da publicitária Dani Ribasqui
Obama perdido com as drogas

Wálter Fanganiello Maierovitch
Quando dirigia o observatório parisiense dedicado à geopolítica das drogas proibidas, o sociólogo Alain Labrousse pronunciou uma frase a desmascarar a militarizada política norte-americana da war on drugs. “Uma questão de saúde pública transformou-se em instrumento regulador do equilíbrio mundial”, afirmou.
Tomo a liberdade de empurrar o dardo da hipocrisia mais adiante. O fenômeno das drogas serve mesmo é para encobrir interesses geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos. E só quem acredita em Papai Noel pode sustentar que as anunciadas bases militares norte-americanas na Colômbia se prestarão à repressão ao tráfico de drogas e à coo-peração internacional nessa matéria.
Sobre bases militares para combate às drogas trata-se de filme conhecido, com novos atores. Quando o governo norte-americano devolveu o controle do Canal do Panamá, na virada de 1999 para 2000, já havia ele construído, a pretexto de combater o narcotráfico internacional, duas bases militares em substituição. Isto nas ilhas de Curaçao e Aruba. Essas duas bases controlam a saída do petróleo venezuelano para o Mar das Antilhas.
Não contente e com o mesmo pretexto da war on drugs, o governo norte-americano plantou uma base militar em Iquitos, no então Peru de Alberto Fujimori e Vladimiro Montesinos. Este último um agente da Central Intelligence Agency (CIA) imposto como ministro de inteligência a Fujimori. Montesinos, com o silêncio de uma CIA encantada com a prisão de Abimael Guzmán, chefe do Sendero Luminoso, transformou o Peru numa narcoditadura e vendeu armas para as Farc. Aí a CIA teve de dispensar os seus serviços dado o conflito de interesses.
No Panamá, de 1983 a 1989, os norte-americanos fingiram não perceber que o ditador Manuel Noriega, também agente da CIA, era narcotraficante. Na visão da agência, ele possuía outros méritos, pois havia se saído bem da incumbência de derrubar o governo de Arnulfo Arias. Enquanto isso, até as eclusas do Canal do Panamá sabiam dos negócios do ditador com o colombiano Pablo Escobar, chefe do Cartel de Medellín. Quando a CIA perdeu a ascendência sobre Noriega, que aumentava a oferta de cocaína nos EUA, o presidente George Bush autorizou a operação Justa Causa, em dezembro de 1989. Preso, Noriega acabou embarcado para os EUA, onde recebeu condenação por tráfico de cocaína e marijuana.
Sobre o engodo das bases militares no combate ao tráfico de drogas, alguns dados não podem ser esquecidos. De Nixon até o final do primeiro mandato de W. Bush, segundo dados reconhecidos, a oferta e o consumo de cocaína (droga andina) nos EUA só aumentaram. A área andina de cultivo de coca, cuja folha é a matéria-prima para a elaboração do cloridrato de cocaína, continua igual faz vinte anos. E o National Intelligence Council (EUA) estimou, para fechar o século passado, o movimento anual do mercado das drogas ilícitas entre 100 bilhões e 300 bilhões de dólares. A ONU o estima em 400 bilhões.
A política do war on drugs, com o presidente Ronald Rea-gan, serviu de instrumento de intervenção e pressão, a fim de combater o comunismo na América Latina.
O insucesso da militarização também pode ser medido pela conclusão inserida na Convenção das Nações Unidas de 1988, ou seja, o sistema bancário e financeiro internacional estava sendo utilizado para lavagem do dinheiro sujo das drogas e para reciclagem de capitais em atividades formalmente lícitas. De lá para cá, a fiscalização só aumentou por causa do terrorismo.
Como são desprezados mecanismos não bélicos para vigiar e reprimir a economia movimentada pelo narcotráfico e para controlar os insumos químicos empregados no refino da folha de coca (Colômbia, Peru e Bolívia não produzem químicos), a militarização, com implementação de bases, é apresentada como solução, com incrível caradurismo.
No momento, a comunidade internacional convive com a indefinição sobre a nova política norte-americana sobre drogas e com as ambiguidades do presidente Obama. O seu czar antidrogas já falou do absoluto fracasso da war on drugs. E na recente visita ao México, o presidente Obama não quis se comprometer com a impopular “guerra às drogas” do seu colega Felipe Calderón.
A propósito, não seria Obama estulto a ponto de dar apoio a uma política militarizada que, no último ano e meio do mandato de Calderón, matou cerca de 8 mil mexicanos – 70% sem ligações com o narcotráfico. Obama prometeu ajuda a Calderón e não esqueceu de ter seu antecessor, W. Bush, jogado no ralo mexicano 720 milhões de dólares, parte no fracassado Plan Mérida.
Qualquer observador atento já percebeu que, para a Colômbia, o discurso de Obama vira outro. Ou seja, vale a guerra contra as drogas. Por isso, o presidente dos EUA quer novas bases militares, com uma desculpa sem originalidade: a da war on drugs temperada com o molho Farc.
Pescado em Carta Capital
Num governo fora da lei, a morte se faz regra

Katarina Peixoto
Quem estabelecer uma relação plausível entre a propaganda do déficit zero, as escolas de lata, o saque ao erário e a morte de um Sem Terra, além da tortura sobre outros, ganha um murro. Dá para se perguntar se é vingança, esse grande motor dos homicídios que tanto povoa as legislações penais, o que matou Elton Brum, o militante Sem Terra executado hoje, à queima-roupa, no Rio Grande do Sul, na presença do Ministério Público Estadual, pela Brigada Militar. Mas vingança, como se sabe desde Aristóteles, pelo menos, estabelece-se numa relação comutativa, entre iguais. A tendência ao infinito e à consequente destruição total que a prática da vingança implica é um dos fundamentos para que se tenha desenvolvido o conceito de justiça distributiva e também o de lei. É claro, a vingança não desapareceu, mas algumas de suas manifestações tornaram-se passíveis de punição, porque passaram a ser subsumidas pela lei como crime.
É então preciso que a lei seja observada, para não que não saiamos a matar as pessoas que nos roubam. Ou que mataram um companheiro, ou que saquearam o Estado, ou que perseguiram e espancaram opositores, ou que furtaram de ladrões eméritos, ou que mataram em nome de ladrões poderosos. Diante dessas coisas é que se faz necessário o respeito à lei. E se tem uma coisa que pelo menos a maioria do Movimento dos Sem Terra sempre defendeu foi uma disputa pela legalidade. Pode-se discordar do MST. Também se pode discordar de “proprietários” de terras que não conseguem tornar sua propriedade irredutivelmente legal.
Esse tipo de controvérsia vem sendo tratada como um conflito causado unilateralmente por um grupo de criminosos, organizados nos Movimentos Sociais. As famílias que mandam na grande mídia brasileira agem como se a propriedade fosse uma realidade, apesar do direito. E se não há direito, há crime? Quem junta tico e teco sabe bem que sem lei não há crime e propriedade fora da lei não é, por definição, propriedade. Logo, não precisa de aparato policial para aplicar a lei onde não há crime, como quem pensa também pode saber, sem muito esforço.
Só que há lei, a despeito desse lamentável capítulo governamental do Rio Grande do Sul, chamado Governo Yeda Crusius. Este desastre, tão avesso à lei que trata os críticos como inimigos a serem exterminados, denunciados e desqualificados. E não é apenas pela incapacidade total de dar o exemplo ou de ter autoridade, a menor que seja, para defender o direito, o legal, o legítimo.
Diante desse governo falar em violência e ilegalidade no uso do poder de polícia por parte das forças de segurança do aparato estatal parece trivial. Para os atuais ocupantes do executivo gaúcho, de fato, é. Só tratando a violência como trivialidade se mata um militante de um movimento social com um tiro de espingarda calibre 12 nas costas. Só um governo com graves problemas legais torna possível um acontecimento como esse.
Só que há lei. E Elton Brum foi assassinado. Fosse a lei respeitada, o assassino deveria ser demitido por justa causa e encarcerdo. Ganha um murro quem negar, diria o governo. Porque num governo fora da lei, a morte se faz regra. Até quando?
Katarina Peixoto é doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: katarinapeixoto@hotmail.com
Pescado na Carta MaiorSem terra é morto na fazenda Southall. Brigada diz que foi “mal súbito”. De chumbo, segundo hospital

A primeira explicação da Brigada Militar, publicada em ZH Online, disse que Elton morreu de “mal súbito”.
Minutos depois, o hospital de São Gabriel confirmou que o “mal súbito” foi de chumbo: um tiro no tórax.
Tucanos aquecem mercado imobiliário
A governadora Yeda Crusius não é a única tucana que comprou uma mansão avaliada em mais de R$ 1 milhão nos últimos dois anos. Conforme o Novojornal, publicado em Minas Gerais, o governador mineiro comprou, por R$ 12 milhões, o apartamento que pertenceu a seu avô Tancredo Neves.O crescimento do patromônio de Aécio Neves que, segundo consta, jamais exerceu qualquer atividade empresarial, comercial ou industrial e, desde 1983, ocupa cargos públicos, chama a atenção.
Não há notícias de que o governador tenha acertado sozinho na mega-sena, mas sua declaração ao TRE/MG em 2006 notifica um patrimônio total de R$ 831.800,53. "Somente três anos depois de eleito para o segundo mandato, o governador mineiro, apenas em uma aquisição, conseguiu ampliar 50 vezes seu patrimônio imobiliário, comprando a participação de todos os herdeiros de seu avô Tancredo no luxuoso apartamento situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro. O total pago foi de R$ 12 milhões, à vista", diz o jornal.
Tá certo que os mineiros são conhecidos por gostarem de economizar, então Aécio Neves poderia ensinar ao povo brasileiro como realizar esta façanha.
Pescado no blog Zero Corrupção
A noite dos zumbis da RBS

Um design sensacionalista, em que rostos desesperados como zumbis surgem em agonia. Desta forma o grupo RBS criou o especial sobre a gripe A, em que o jornalismo como prestação de serviço fica em segundo plano, em nome da disseminação do terror. Nem "O Globo" faria "melhor". Não é só o visual. De cara, a chamada principal revela o tom de todo o hot site. "As mortes no Brasil e nos Estados". Depois, de uma forma macabra, a ficha de cada vítima: nome, internação, contágio, morte e condição de saúde. De arrepiar. A seguir, é um derramar daquilo que já circula na Internet e que está sendo a panaceia dos alarmistas de plantão, do quanto pior, melhor. O sentimento que você tem ao sair do especial RBS é de fim de mundo. Desespero, em que nada você pode fazer senão esperar o próprio fim, sem mesmo aprender alguma coisa. Aliás, um ensinamento transborda de toda esta situação: é nessas ondas que envolvem toda a sociedade que percebemos, mais uma vez, quem sabe ou não fazer jornalismo.
(Manoel Fernandes Neto)
O império contra-ataca

Embaixador Oscar Laborde *
Nos últimos dias, temos visto com preocupação a instalação de sete bases norte-americanas na Colômbia. Esse fato, somado à presença da IV Frota dos Estados Unidos navegando nas costas latino-americanas e pretendendo navegar nos rios de nossos países, demonstra que não existem casualidades na política internacional. Nesse marco, tornam-se claras as contradições e dificuldades do Governo Obama para desenvolver outro tipo de relação com a América Latina, para levar adiante suas próprias estratégias de intervenção em nosso Continente.
Cedo ou tarde, o presidente estadunidense deverá expressar claramente como será resolvida essa aparente dualidade no manejo de situações conflitivas. Tendo em conta que o presidente Álvaro Uribe tem de explicar a instalação das bases em seu país em função de a Colômbia integrar a Unasul; a decisão foi do Departamento de Estado de Barack Obama. E na crise hondurenha foi inocultável a ação de funcionários norte-americanos antes e durante o golpe que derrubou ao presidente Zelaya.
Essa série de acontecimentos foram casuais? Formam parte da luta de setores internos em cada nação sem conexão alguma com os fatos antes mencionados ou respondem a uma decisão mais global como parte de uma restauração conservadora, mas que tem uma matriz comum, um objetivo preciso? Estamos debatendo questões conjunturais ou a questão remete aos limites e alcances do papel do Estado na economia, à integração regional e a distribuição da riqueza?
Todas essas medidas se dão, curiosamente, num cenário em que não existem hipóteses de conflito e no qual se concretizaram acordos bilaterais permanentes (Argentina-Chile, Paraguai-Bolivia, Brasil-Paraguai) para por fim a diferenças históricas e econômicas que, em outros momentos, dividiram fortemente nossos povos.
Ao observarmos a atitude do Parlamento hondurenho na derrubada do presidente constitucional; ou a de muitos legisladores paraguaios ao ameaçarem permanentemente de juízo político o presidente Lugo; ou o voto do Vice-presidente argentino Julio Cobos durante o conflito com a patronal do campo; percebemos que é igualmente nova a forma de implementação das ações “destituintes”.
Sendo assim, devemos prestar muita atenção aos fatos que podem precipitar-se em cada um de nossos países e as atitudes que as força políticas e sociais estão assumindo, pois, para além das criticas pontuais a cada processo e a cada governo, devemos priorizar a defesa dos processos de mudança na região. Nos últimos anos, a unidade e a integração dos povos da América Latina se mostraram suficientes para defender interesses comuns e desenvolver uma solidariedade de conjunto. Portanto, é nossa obrigação persistir com essa forma de nos vincularmos e não recuarmos à tentação de buscar bilateralmente o relacionamento com os países mais poderosos. Estratégia que, por outro lado, não deu nenhum resultado ao largo de nossa história.
* Representante Especial para a Integração e a Participação Social da Chancelaria Argentina. Artigo publicado em El Argentino em 14 de agosto de 2009.
A demonização de Dilma

Luiz Carlos Azenha
O plano vem se desenrolando conforme o combinado. Falta saber apenas quem combina, quem transmite as ordens, quem é responsável por desencadeá-lo dentro das organizações jornalísticas.
Quem pegou pesado primeiro, para se preservar, foi a Folha de S. Paulo, com a ficha falsa da Dilma. O jornal tinha todos os elementos para derrubar a matéria por qualquer critério jornalístico, inclusive se obedecesse ao próprio manual de redação. Mas optou por criar uma segunda versão do "testando hipóteses".
Quando digo "se preservar" é pelo fato de que a Folha controla um dos institutos de pesquisa, o Datafolha. Não pode cair na orgia midiática que O Globo faz com a verdade factual.
"Testando hipóteses" é uma das contribuições geniais do Ali Kamel -- não o ator pornô, o diretor de Jornalismo da Globo -- para nossos focas. É a teoria segundo a qual um jornalista pode chutar a versão que lhe der na telha durante uma cobertura, até acertar. Mais recentemente, Kamel inventou o "mais ou menos crente em Deus", que atribuiu ao presidente Lula. É como dizer que uma mulher está meio grávida.
É impossível confirmar ou desmentir a ficha, afirmou candidamente o jornal dos Frias. Nada me tira da cabeça que foi um "teste de hipóteses" real, usando os leitores como cobaias. Depois de publicar a informação sobre "Dilma terrorista", os marqueteiros de Serra devem ter saído às ruas para fazer pesquisas qualitativas sobre o poder que a denúncia teve de influenciar eleitores.
Isso é comum nos Estados Unidos. Aqui, não sei. Testo hipóteses. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas acho que faz sentido. Porque me parece que a estratégia de demonização persiste. Demonizar diretamente. E por associação. Demonizaram o Sarney, quando finalmente a mídia brasileira descobriu que Sarney... é Sarney. Demonizaram o Sarney mirando a Dilma.
Diogo Mainardi entregou o ouro na edição mais recente da revista Veja, ao tentar ligar Dilma a gente que, supostamente, teria recebido dinheiro de traficantes de cocaína de Medellin:
"A Igreja Universal, nos últimos dias, atrelou sua imagem à de Lula. É a mesma estratégia empregada por José Sarney. Um apoia o outro. Um defende o outro. Edir Macedo está com Lula e com Dilma Rousseff. Agora e em 2010. Se a Igreja Universal tem um Diploma de Dizimista, assinado pelo Senhor Jesus Cristo, Dilma Rousseff tem um Diploma de Mestrado da Unicamp, supostamente assinado pelo senhor Espírito Santo. O senhor Edir Macedo e o senhor Lula se entendem. Eles sabem capitalizar a fé".
A isso se chama, em marketing político, de definir a matriz de pensamento. Quem acha que isso não dá resultado está errado. Os marqueteiros não atiram mais na grande massa eleitora. Eles hoje fazem planejamento voltado para os nichos do mercado, como quem corta salame. Podem perceber, sempre usando pesquisas, que o voto da classe média urbana em José Serra não está firme. Que precisam aumentar a rejeição aos adversários do Serra. Assim sendo, desenvolvem a estratégia e as ferramentas específicas para aquele tipo de eleitorado.
É esse o exercício que está em andamento agora, no exato momento em que você lê esse texto, em minha modestissima opinião. Aumentar a rejeição à Dilma. Da mesma forma que fizeram com Marta Suplicy em São Paulo. Mulher, sim, mas destemperada. Mulher, sim, mas descontrolada. Mulher, sim, mas não dá para confiar nela. Os marqueteiros planejam. A mídia executa. Estou certo de que é um plano milimetricamente traçado e de longo prazo.
E Serra, como vocês sabem, não tem qualquer escrúpulo. É só ver o que ele fez para eliminar Roseana Sarney da competição em 2002: usou promotores, a Polícia Federal e a mídia. Instrumentos aos quais ele continua tendo acesso, se não no plano federal, em nível estadual. Isso e mais a mídia.
PS: Se eu fosse o marqueteiro da Dilma, faria que nem o marqueteiro do Reagan, Michael Deaver, fez com o ator de cinema: só colocaria a Dilma em cenários bonitos, com crianças, sorridente. Deaver dizia: esqueçam as palavras, olhem as imagens. A vantagem do marqueteiro de Dilma é que ela tem cérebro. E fazer Serra parecer simpático vai ser uma luta.
PS2: Não olhem para a Folha. Olhem para o jornal gratuito, distribuído aos milhares nas ruas de São Paulo, que roda o dia todo dentro de ônibus e táxis. Jornal simples. Textos curtos. Hoje a manchete era a espetacular vantagem de Serra sobre Dilma em São Paulo. Mais de 30 pontos!, ele gritava em uma das manchetes.
Pescado em Vi o mundo
‘Tragédia da Rua da Praia’ ganha segunda edição

Com nova capa e revisão de acordo com a reforma ortográfica, será lançada na quarta-feira, 19, a segunda edição de 'Tragédia da Rua da Praia – uma História de Sangue, Jornal e Cinema', escrita pelo jornalista Rafael Guimaraens. A obra remete a setembro de 1911, quando quatro
estrangeiros realizaram um assalto numa das ruas mais movimentadas de Porto Alegre. Na fuga, pelas ruelas do Centro, cometem outros crimes e tumultuam o cotidiano da cidade, gerando disputas entre políticos e jornalistas da Capital. O episódio gerou um filme que foi lançado apenas 10 dias depois do ocorrido.
A narrativa de Rafael reúne em 304 páginas história, reportagem e romance e apresenta ao leitor um panorama político e cultural da Porto Alegre do início do século passado. A obra está baseada em uma ampla pesquisa e traz fotos da época, tanto de Porto Alegre como dos principais personagens, obtidas junto a arquivos públicos e acervos particulares. A primeira edição, lançada em março de 2005, recebeu o Prêmio O Sul, Nacional e os Livros como Melhor Livro de Ficção do Ano. O design gráfico é de Clô Barcellos.
O lançamento, com sessão de autógrafos, ocorre às 19h, no Guion Center (Rua Lima e Silva, 776). O preço de capa é de R$ 35.
Por Coletiva.net.
As escutas e o crime contra a língua portuguesa

Ninguém completa uma frase, os erros de concordância se sucedem e a lógica gramatical é constantemente assassinada sem dó.
Fora o fato de que, muitas vezes, recorrem a códigos e linguagem cifrada para driblar o presumido grampo, o que só aumenta a confusão.
– Olha, mandei o embrulho, é, viu? As linguiças.
– As linguiças? (Risos)
– As linguiças pra vocês.
– Hein? – (Risos nervosos) Repartirem aí
– E o pacote é... Vem como? Alô.
– Vai pelo Magrão...
– O Magrão que você diz é o...
– É o Magrão.
– Ah. Sei (risos histéricos)
Não invejo os técnicos da Polícia Federal e do ministério público
São obrigados a decifrar diálogos e achar sentido em falas truncadas, hesitações, barbaridades inconscientes q constituem um diálogo normal.
Porque a verdade é que nós todos falamos assim.
Basta ouvir a gravação de uma conversa nossa ao telefone para nos darmos conta: somos todos culpados, dependendo de como nos interpretarem.
E os poucos que falam corretamente, colocam os pronomes onde devem e fazem sentido são os maiores suspeitos.
Obviamente ensaiaram sua fala para enganar os grampeadores.
Descontado tudo isso o novo gênero não deixa de ter seu encanto. Conheci uma pessoa q folheava rapidamente um livro antes de comprá-lo ou não.
Dizia que não interessava o autor ou o tema do livro, só interessava se tinha bastante diálogo.
Nossos jornais e revistas andam cheios de diálogos realistas que são fascinantes mesmo quando ininteligíveis.
Como o Al Capone, que escapou da punição por todos os seus crimes e foi enquadrado por sonegação de impostos alguns dos nossos corruptos que escaparem da punição por suas falcatruas (o que no Brasil não é difícil), poderiam ser enquadrados, com base nas suas conversas gravadas, por crimes contra o idioma.
Argentina contra a privatização do futebol

A Argentina é dos países que tem os torcedores de futebol mais fanáticos. Às segundas-feiras os jornais têm suplementos esportivos em que cada jogo do campeonato tem pelo menos uma página, qualquer que seja sua importância. Um jogo mais importante pode dispor de uma quantidade incrível de páginas para relatá-lo e comentá-lo. Há jogos que não são transmitidos diretamente, mas em que canais reproduzem a transmissão por rádio, enquanto as câmaras focalizam as torcidas dos dois times que jogam, sem nenhuma cena da partida. Os canais alegam que, qualquer que fosse o programa que colocassem no ar, a audiência iria seguir o jogo pelo rádio, então se transmite essa incrível combinação entre transmissão por rádio à que se agregam cenas das duas torcidas.
Isto se dá porque há 18 anos existia um monopólio de transmissão das partidas de futebol por uma única grande corporação privada – a do Grupo Clarin – que transmitia apenas um jogo por semana, às sextas-feiras à noite, sempre um jogo secundário, nunca algum do Boca ou do River, as equipes mais populares do país.
Para ver os outros jogos, os argentinos tinham que pagar canais a cabo e, ainda assim, para as partidas das equipes mais importantes, tinham que pagar uma taxa adicional.
Enquanto esse grupo ganhava somas milionárias com a privatização das transmissões de futebol, que vedava à grande maioria dos argentinos ver o seu esporte preferido e o lazer de grande parte deles, os times de futebol do país estão quebrados. A ponto que a Associação de Futebol Argentino (AFA) suspendeu o começo do campeonato argentino pela generalizado atraso de pagamento dos salários dos jogadores em praticamente todas as equipes.
Estas pediram ajuda econômica do governo, que se negou a simplesmente transferir recursos aos clubes, mas se desenvolveram discussões dentro da AFA com as direções das equipes, que desembocou numa proposta ao governo para que se rompesse o contrato com o Grupo Clarin e se estabelecesse um novo esquema de transmissão das partidas que, ao mesmo tempo, permita que os argentinos tenham acesso, por TV aberta, aos jogos, e que as equipes possam receber recursos que lhes eram negados pelo esquema que sobreviveu até agora.
O novo acordo, aprovado consensualmente pelos clubes em assembléia da AFA, e referendado pelo governo, prevê que cinco jogos serão transmitidos pelo Canal 7, a TV pública, e outros cinco serão transmitidos por canais privados, conforme licitação pública, todos em canais abertos. O governo colocará recursos iniciais, mas tem certeza que os recuperará com publicidades.
O Grupo Clarin, que vedava à grande maioria dos argentinos o acesso às partidas – a ponto que os gols da rodada só podiam ser transmitidos por outros canais depois da meia-noite do domingo, nunca um clássico Boca-River foi transmitido por sinal aberto – radicaliza a brutal oposição da imprensa diária – escrita, radiofônica e televisiva – ao governo, chegando a apelar à embaixada dos EUA (sic) para que mobilize os acionistas norteamericanos para que ajudem a tentar bloquear, política e juridicamente, o novo acordo entre a AFA, os clubes e o governo argentino.
Exemplo a ser considerado, mais ainda quando se desenvolvem no Brasil já os debates sobre a Conferência Nacional de Comunicação, com o tema da democratização dos meios de comunicação. Enquanto isso podemos esperar que a campanha nacional e internacional contra o governo de Cristina Kirchner, diante dessa medida democrática, eleve o seu tom, supostamente em nome da “liberdade de imprensa”.
Movimentos sociais pedem o Fora Yeda


O dia da Jornada Nacional de Luta, no Rio Grande, foi marcado por protestos exigindo o impeachment da governadora Yeda, ré em ação movida pelo Ministério Público Federal. Caravanas de vários municípios do Estado e de diversas regiões da capital dirigiram-se para a Praça da Matriz reunindo mais de 3 mil manifestantes na manhã desta sexta-feira (14). O PT gaúcho teve como protagonista a Juventude petista que se concentrou no Largo Glênio Perez e seguiu em marcha até a Praça da Matriz.
Abaixo fotos da marcha e do ato
A mídia amiga
Diferente de registros equivocados pela mídia tradicional, o ato FORA YEDA mobilizou milhares de manifestantes que mexeram com a capital dos gaúchos e a presença, de pouco menos de 40 manifestantes pró-Yeda em frente à Assembleia, foi considerada provocação por parte dos organizadores da marcha e só demonstrou o isolamento da governadora.
BM
A ação da Brigada Militar dificultou o acesso ao Palácio Piratini. Militantes foram barrados, ônibus revistados e o comando da BM restringiu a exibição de cartazes e de faixas.
Militantes dos movimentos sociais se revezaram no caminhão de som, defendendo a abertura do processo de impeachment e a CPI da Corrupção. Não faltaram também recados para os deputados da base de apoio da governadora. “A Assembleia tem que cumprir o seu papel. Vamos denunciar aqueles que tentarem abafar a corrupção”, avisou um dos representantes dos estudantes.
A deputada Stela Farias (PT), que deverá ser a presidente da CPI, disse que o parlamento gaúcho não irá se negar a assumir suas responsabilidades. “Vamos passar a limpo esta página triste da história gaúcha, responsabilizando aqueles que não souberam honrar o Rio Grande do Sul e o seu povo.”
com ptsul
Fotos ato FORA YEDA
Tina Griebeler
O contra-senso do hino nacional obrigatório nas escolas
Acho um tanto quanto anacrônica este tipo de medida. Já achei ridícula a lei paulista de obrigatoriedade da execução do hino nacional antes das partidas de futebol realizadas em São Paulo.
A justificativa para ambos os projetos é aquela velha cantilena de sempre de “desenvolver o espírito cívico” e o “sentimento nacional”.
O problema em geral deste tipo de medida é uma visão tacanha do que seria um “amor a pátria”, na medida em que se acredita que a pura repetição de um ato imposto aos estudantes, ao se postarem em pé na execução do hino nas escolas durante o hasteamento da bandeira geraria este vínculo. Acho pouco provável que isso ocorra. Pelo contrário, tal medida, pode no máximo causar algum apreço para aqueles alunos menos disciplinados, que verão nisso uma boa maneira de ficar fora da sala de aula.
A identidade de um povo com sua pátria não se produz através de mecanismos impostos e que ainda pecam por trabalhar apenas com uma dimensão simbólica apartada dos indivíduos.
O vínculo de um povo com o seu país são muito mais compreensíveis e concretos na medida em que este se vê como sujeito portador de direitos.
Quando este país lhe garante o espaço para o exercício da cidadania, onde ele deixa de ser apenas um agente passivo, para se converter como parte de um processo maior.
O nacionalismo, por si só, não é algo nefasto, ainda que muitos descaminhos já se cometeram em sua causa. A direita, principalmente em sua face mais conservadora, sempre buscou se utilizar deste subterfúgio para cometer muitos descalabros e atrocidades.
Tivemos uma Ditadura Militar que se arvorava como a detentora do patriotismo, e que em seu nome, matou e torturou muitos que a questionaram. E foi tão corrupta quanto os governos que a antecederam, demonstrando que a corrupção não se explica pura e simplesmente por “falta de amor a pátria”.
Seria muito mais útil e com maior efeito se ao invés de obrigar os estudantes a ficarem parados escutando o hino, que lhes fosse dado aulas de cidadania. Que lhes fosse proposto uma noção ética coletiva, da importância da participação cidadã e do bem comum, aí sim poderíamos ter uma melhor e superior noção de país. Algo que esta lei jamais conseguirá.
Onde é mesmo que fica o Brasil?

Depois que os portugueses chegaram ao futuro Brasil, formaram-se duas visões complementares sobre a nova terra. Algumas descrições cobriam a “nova” terra com sinais paradisíacos, a partir mesmo da própria carta redigida por Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel. O clima ameno, as populações nativas num estado semelhante ao que Adão e Eva deveriam estar ao sair do Éden bíblico, as frutas suculentas e estranhas para os europeus, entre muita outra coisa, por exemplo. Tudo isso foi estudado no notável “Visão paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda.
Por outro lado, motivos infernais também passaram a “povoar” a nova terra: seus jaguares, suas jibóias e sucuris gigantescas, o fumo por parte dos nativos, sua “indolência” na descrição dos europeus, tudo isso eram “coisas do demônio”. Também a situação social entrou nessa classificação, consagrando e criando a dicotomia. André João Antonil (pseudônimo do padre toscano João Antonio Andreoni) escreveu em seu livro “Cultura e opulência do Brasil por suas Drogas e Minas” que nossa terra era “o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos e das mulatas”. Na verdade, o que Antonil apontava era a formação de uma nova população mestiça em todas as classes sociais, mais afeita às coisas da terra do que os europeus recém-chegados (que tinham a idéia de voltar à sua terra de origem) e do que os africanos escravizados ou seus descendentes. Mas a dicotomia pegou: Brasil, paraíso e inferno simultaneamente. Até mesmo porque na cosmogonia medieval (ainda viva nos tempos coloniais e até hoje, aqui e ali) a saída do inferno ficava no sopé do monte do paraíso terreal.
Hoje, ressalvadas as proporções, tem-se a mesma impressão sobre o Brasil, lendo-se a mídia convencional estrangeira ou a nossa, nacional. Para aquela, se não estamos no melhor dos mundos, estamos fora do pior deles, pois o Brasil é um dos únicos países em que a pobreza está diminuindo ao invés de aumentar, e apesar das fragilidades e distâncias sociais continuarem de monta. Digamos que na imprensa internacional o Brasil é descrito como atravessando um ciclo virtuoso, com a melhora da situação social fortalecendo a democracia e vice-versa. Não que não haja problemas referidos, é óbvio. Mas a moldura é aquela. E isso vale para jornais e publicações que vão da centro-direita à centro-esquerda (para usar uma classificação vigente nas próprias publicações européias, pelo menos).
Já entrando pela nossa congênere nacional, quanto ao Brasil só dá m... , para referir uma palavra do calão que serve como autêntico eufemismo para o que descreve do nosso país. O presidente Lula ora aparece como um parvo, ora como um monstro, ora como apequenado, ora como onipotente. O caso Sarney – agora em vias de ser remetido a um sussurro (silêncio seria demais de vergonhoso) obsequioso por ter se enredado no caso Arthur Virgílio – começa a ceder passo ao caso da ex-secretária da Receita Federal versus a ministra chefe da Casa Civil. E isso é o de menos. Dá-se ao contrário: não é que não haja virtudes a se referir sobre o país. Mas elas são sistematicamente escamoteadas. E isso vale para toda a nossa imprensa convencional (com exceção de Carta Capital e mais alguma que agora me escape), da direita à direita, porque todas as outras estão neste canto do ringue, acuadas ou desferindo murros à esquerda e à esquerda.
Brasil, paraíso, inferno, inferno, paraíso: a dicotomia continua. Mas o interessante é que na última moldura política a nossa extrema esquerdireita também entrou em ação. Refiro-me aos internautas que, propondo-se de esquerda, ativam ou repetem toda a cantilena da direita. Recentemente, por exemplo, recebi num de meus endereços da internete interessante mensagem do sr. Pedro Porfírio, ativíssimo crítico do governo Lula, pretendendo-se pela esquerda, contra Sarney e sua “defesa pelo governo”. Vem até uma convocatória para manifestações nacionais, no dia 15/08, contra Sarney, etc. Pois na mensagem consta um libelo contra Sarney, o governo e seus programas sociais, assinado pelo General de Exército Gilberto Barbosa de Figueiredo, presidente do Clube Militar.
Pasmo, não pude deixar de ler, entre outras bobagens, que o programa Bolsa Família é “o maior programa de compra de votos do mundo”, que o governo quebra “o espírito combativo que era marca do movimento estudantil”, que “eliminou-se toda a possibilidade de agitações de rua indesejáveis” (por um momento pensei que o general e o Pedro Porfírio estavam se referindo ao golpe de 64, mas não, era ao governo Lula mesmo).
Confesso que o nojo subiu-me à cabeça. Já andava cansado de ler em comentários de leitores nas páginas na internete dos jornais tradicionais a defesa dos golpistas de Honduras. Mas agora que se queira misturar tantos alhos e bugalhos numa pretensa crítica “avançada” ou “progressista” ao governo Lula, foi demais.
Diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és. Aconselho esses notáveis escribas e políticos que enveredem pelo mesmo caminho a visitar o site do Clube Militar (www.clubemilitar.com.br) . Lá encontrarão, entre pressurosas defesas do golpe em Honduras, esta interessante manifestação do seu general presidente sobre um brasileiro ilustre, feita em 26 de janeiro de 2007 e também publicada na revista do Clube, n* 424, de abril daquele ano, durante um almoço que homenageava este personagem de nossa história:
“a [sua] luta continua sendo uma batalha em prol da democracia, na medida em que representa a verdade contra a mentira, a dignidade contra a infâmia, a honradez contra a vilania, o patriotismo contra a traição”.
O patriota em questão, também homenageado na ocasião por discurso do ex-senador Jarbas Passarinho, era o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI, em São Paulo.
Sem mais comentários.
Publicado originalmente em Carta Maior
Yeda parte para a chantagem

O mar de lama que envolve o grupo político da Yeda não para de vir a tona. Na última quarta-feira (5), a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e mais oito aliados de seu governo foram denunciados por improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF), sob a acusação de participação num esquema que teria desviado R$ 44 milhões do Detran local. Eles são acusados dos crimes de "enriquecimento ilícito, dano ao erário e malferimento aos princípios da administração pública". Na denúncia, os procuradores pedem a devolução do dinheiro desviado, a cobrança de multas, a cassação dos direitos políticos por até dez anos e o afastamento dos denunciados de seus cargos públicos. A denúncia tem como base a Operação Rodin, da Polícia Federal, que por mais de um ano investigou as relações do Detran gaúcho com fundações e empresas prestadoras de serviço. Os procuradores não revelaram as provas que fundamentam a denúncia, pois o caso é mantido em segredo de Justiça.
Nesta segunda-feira a revista Época divulgou parte dos áudios que embasaram a denúncia contra a Yeda. Acesse para ler a matéria aqui.
Percebendo-se que o isolamento político que ela vive deve apenas se acentuar, a medida que a CPI seja instalada e novos fatos vierem a tona, ela partiu para a ofensiva, e a coisa é na base da chantagem, e de forma aberta. E o alvo da chantagem da Yeda é o PMDB.
Partido que ameaçou tirar posição na próxima quinta-feira de desembarcar do governo, percebendo-se que “barco da Yeda” esta afundando, querem tentar se salvar do jeito que der.
Na Folha Online de hoje (veja aqui) Yeda avisa "Não vou cair sozinha". Promete a governadora jogar toda a sujeira que ela sabe e/ou que esta envolvida no ventilador. Inclusive avisa "Se existem irregularidades, começaram no governo do PMDB. As pessoas vão saber."
E com isso ela promete azedar a articulação de Serra de isolar a governadora e tentar uma aliança com o PMDB gaúcho. Com os ataques da Yeda contra o PMDB, deve tencionar e abalar ainda mais a já conflituosa relação interna. Visto que abertamente haviam setores minoritários, excluídos do governo, que almejavam um distanciamento do Piratini.
Tal ímpeto sempre foi contido pela “mão-de-ferro” do Eliseu Padilha e do Simon, dois políticos diretamente beneficiados pelo atual governo. Será que Yeda estaria disposta a revelar os esquemas de desvio de dinheiro envolvendo o Banrisul e o PMDB, como já havia denunciado o vice-governador Feijó?
Aguardemos o desenrolar dos próximos dias, que prometem ser muito quentes nos nossos pampas.





