Justiça concede a UNE posse definitiva do terreno no Rio


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou, por unanimidade, na terça-feira (26) a apelação proposta pelo estacionamento irregular que invadiu o terreno da sede histórica da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) na Praia do Flamengo, 132, Rio de Janeiro.



A sede funcionou até 1964, quando foi metralhada e incendiada pelos militares. Depois disso, o local foi invadido por um estacionamento clandestino, na década de 1980. A disputa judicial pelo terreno já durava 10 anos. A decisão tem caráter definitivo.


''A medida extingue a disputa pela posse do terreno. Não cabe mais nenhum recurso. A Justiça reafirmou: o terreno pertence a UNE e a UBES'', afirma o advogado das entidades, Márcio André Mendes Costa.


“Embora o Estado brasileiro nos tenha devolvido, em 1994, a propriedade do terreno, ainda precisávamos da posse do mesmo para concluir essa etapa do processo. Agora, estamos nos mobilizando para iniciar a reconstrução da sede o quanto antes”, declara Lúcia Stumpf, presidente da UNE.


Fonte: UNE

A "imparcialidade" da mídia foi para o espaço

A nossa mídia, sempre tão zelosa em "Fazer-de-conta" que é democrática e imparcial, anda cada vez mais dispudorada dessas amarras.
Provas não faltam disso, como as recorrentes manipulações de manchetes e inversões de pautas. A forma como o Governo Lula é apresentado por um lado, sempre de forma dura, crítica e distorcida, e de outro, a forma condecendente, amigavel e louvatoria com que retratam os diferentes governos de direita no país. Com especial carinho para o governo de São Paulo e seu "salvador da pátria neoliberal" José Serra.
A RBS, maior monopólio midiatico do sul do país já tem candidato a Presidente da República, isso já é notório pelas reitereadas vezes em que é "cavada" noticias envolvendo o "chefe" da trupe paulista.
A tendêndia é a coisa ficar ainda mais escancarada nos próximos meses. A denúncia da manipulação aberta que vai ocorrer torna-se ainda mais imperiosa.
Acima, foto publicada em grande destaque na ZH, onde é trocado afagos entre o dono da RBS com o seu candidato, recebendo prêmio de Personalidade da Comunicação, concedido pelo 12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa.
Não deixa de ser ironico, um premio para a mídia corporativa, pelo menos eles já se reconhecem como tal, afinal, democracia passa longe no corporativismo dessa turma.

A menina-prodígio e a caixa registradora


Washington Araújo


Maísa Silva, 7 anos, recebeu chorando os insultos e a verve maledicente de seu patrão Silvio Santos. Tudo transmitido em horário nobre pelo SBT. Deprimente ver a pequerrucha em lágrimas, pois ao correr para o colo de sua mãe esbarrou em uma câmera e segundos depois voltou ao palco dizendo que "está doendo, está doendo muito". E para completar o pastelão e o descaso do apresentador e dono da TV com a segunda maior audiência do país, Maísa se apressou a dizer: "Vou hoje, mas prometo gravar dois programas nesta semana!"

Enquanto isso, tudo era levado na mais estrita galhofa. O caso Maísa já deveria ter sido encerrado há muito tempo. Trata-se de uma menor de idade sendo explorada por seus pais que vêem nela, além de uma menina-prodígio (o que realmente é), uma mina de ouro com potencial vistoso para nublar a descoberta de petróleo no campo de Tupi e até mesmo o sempre falado pré-sal.

Silvio Santos viu que a petiz – além de talento – poderia alavancar seus índices de audiência, quase sempre emparelhando ou perdendo a segunda posição no Ibope para a concorrente Record. O Ministério Público ameaçou interditar Maísa e a forma como estava sendo "usada" pelo SBT. O Youtube vem bombando milhares de visualizações com essas cenas, como já disse, deprimentes (ver aqui e aqui).

Frase emblemática

Não é de hoje que a busca por audiência televisiva faz uso de crianças da mais tenra idade. Nos anos 1970 existia programa na finada TV Tupi comandado pelo Lúcio Mauro, Essa gente inocente. Era tudo ensaiadinho, nada saía do roteiro e se saía tinha como consertar antes de ir ao ar. Foi de lá que surgiu o menino-prodígio conhecido como Ferrugem. Detalhe: Ferrugem padecia de uma enfermidade que lhe impedia ou retardava o crescimento.

Nos anos 1980 tivemos Xuxa com programas em que era endeusada e onde ser chamada Rainha dos Baixinhos era o de menos. Muitas eram as cenas vistas ao vivo pelas lentes da Globo em que a apresentadora empurrava a cabeça da criança contra o microfone ou simplesmente chamava a criança de burra.

Maísa se veste como Shirley Temple, moda comum na primeira metade do século 20. A original Temple, além de falar e contar piadas, cantava e sapateava. Encantava a classe média e pobre e encantava mais ainda as classes dirigentes dos Estados Unidos. Eram os anos da Grande Depressão. É provável que dali tenha nascido o termo "menina-prodígio".

Já naquele tempo não era nada fácil para a artista-aprendiz-de-adulto. Temple iniciou aula de dança aos 3 anos de idade e foi contratada para participar de Baby Burlesks, uma série de curtas que parodiavam estrelas e astros adultos, mais notadamente Marlene Dietrich. Foi estrela da Fox e da Paramount. Seus cachinhos e covinhas, além do talento para o palco e a idade, renderam-lhe um Oscar aos 6 anos.

Estudiosos do tema são unânimes ao afirmar que Shirley Temple foi a salvadora da Fox e do público na época da Depressão. Filmes com sua participação eram garantia de bilheteria. Já adulta, após aposentar-se em 1949, aos 21 anos, foi embaixadora de Washington em Gana e na Tchecoslováquia.

Duas frases da pequena Shirley Temple mostram à medida o que significou ter uma infância roubada: "E se quando eu crescer não for tão bonita quanto hoje?"; e a não menos emblemática "Deixei de acreditar em Papai Noel quando tinhas 6 anos. Minha mãe me levou em uma loja e ele pediu meu autógrafo".

Lição de profissionalismo

Desde setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers nos EUA, o que não faltam são analistas para dizer que vivemos um período de caos econômico muito similar aos vivido nos anos 1930 e conhecido como a "Grande Depressão". Sintomático que o Brasil passe a conviver com sua Maísa Silva assim como o Grande Irmão suportou as agruras daquele tempo com sua Shirley Temple.

Não há como negar o forte apelo de uma criança contracenando com o dono da empresa e fazendo coisas hilárias, como tentar arrancar sua possível peruca ou chamar a atenção para as muitas rugas no rosto do chefe.

Como também não há como negar que na defesa de crianças e de adolescentes no Estatuto da Criança e do Adolescente parece ser mais obra literária do que um conjunto de normas para proteger a dignidade de nossas crianças e seu direito à infância.

O que não podemos esquecer é a promessa de Maísa de que irá gravar dois programas em uma só semana. Mais responsável, impossível.


texto publicado originalmente em Observtorio da Imprensa

Humor

Autor: Bier

O medo de índio da Regina Duarte




A atriz global e pecuarista Regina Duarte, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), disse que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.

“Confesso que em Dourados voltei a sentir medo”, afirmou a atriz, neste domingo (18), com referência à previsão de criação de novas reservas na região de Dourados. “O direito à propriedade é inalienável”, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…

(O deputado Ronaldo Caiado, principal defensor desses princípios, deveria cobrar royalties de Regina Duarte… Inalienáveis deveriam ser o direito à vida e à dignidade, mas terra vale mais que isso por aqui.)

“Podem contar comigo, da mesma forma que estive presentes nos momentos mais importantes da política brasileira.” Ela e o marido são criadores da raça Brahman em Barretos (SP).

Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados Conselho Indígenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani Kaiowá da região.

“Nós estamos amontoados em pequenos acampamentos. A falta de espaço faz com que os conflitos fiquem mais acirrados, tanto por partes dos fazendeiros que querem nos massacrar, quanto entre os próprios indígenas que não tem alternativa de trabalho, de renda, de educação”, lamenta Anastácio Peralta.

A população Guarani Kaiowá é composta por mais de 44,5 mil. Desse total, mais de 23,3 mil estão concentrados em três terras indígenas (Dourados, Amambaí e Caarapó), demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (criado em 1910 e extinto em 1967), que juntas atingem 9.498 hectares de terra. Enquanto os fazendeiros, muitos dos quais ocuparam irregularmente as terras, esparramam-se confortavelmente por centenas de milhares de hectares. O governo não tem sido competente para agilizar a demarcação de terras e vem sofrendo pressões até da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Mesmo em áreas já homologadas, os fazendeiros-invasores se negam a sair - semelhante ao que ocorreu com a Raposa Serra do Sol.

É esse massacre lento que a pecuarista apóia, como se as vítimas fossem os pobres fazendeiros. Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.



fonte:http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/

Estado para o século 21


Marcio Pochmann


A visão do Estado atuando em contraposição às forças de mercado se tornou anacrônica diante dos desafios das nações neste começo do século 21.
Pela globalização, por exemplo, diversos países voltaram a se especializar no uso intensivo dos recursos naturais e da produção de contido custo do trabalho, comprometendo o avanço de projetos nacionais capazes de incluir a totalidade de suas populações nos frutos da modernidade.

No Brasil da última década, a prevalência da premissa de que menos Estado representaria mais mercado teve convergência com o modelo de sociedade para poucos. E a contenção do Estado produziu o encolhimento do próprio setor privado nacional (bancos e empresas não financeiras), cada vez mais dominado por corporações estrangeiras.
Com a redução dos bancos públicos, acompanhada da brutal diminuição dos bancos privados nacionais, e o esvaziamento das firmas nacionais entre as maiores empresas no país, parcela crescente da riqueza deixou de ser compartilhada com a nação.

Hoje, pelo menos dois quintos dos brasileiros são analfabetos funcionais, afora um enorme déficit econômico e social. Obstáculos como esses enfraquecem o estabelecimento de um novo padrão civilizatório contemporâneo dos avanços do século 21.

As forças de mercado, embora imprescindíveis na geração de oportunidades, mostram-se insuficientes para garantir o acesso a todos. Não há dúvidas de que, neste contexto, a presença renovada do Estado se faz necessária. Mas que Estado? Um equívoco seria tratar o Estado com as mesmas premissas do século passado.
Neste século, cuja sociedade eleva sua expectativa média de vida para além dos 80 anos, a parcela dos idosos deve superar o segmento infantil e as ocupações geradas passam a depender fundamentalmente do setor terciário, que já responde por três quartos do total dos postos de trabalho.
Sem a garantia do pleno e equivalente direito de oportunidades a todos, o princípio da liberdade de iniciativa individual e coletiva permanece no plano da retórica. Em síntese: a prevalência do reino da desigualdade e da exclusão sediada no Brasil.

O Estado necessário do século 21 precisa incorporar novas premissas fundamentais.

A primeira passa pela reinvenção do mercado, capaz de fazer valer a isonomia nas condições de competição.
Em qualquer atividade econômica, predomina hoje um conjunto de práticas oligopolistas de formação de preços e domínio do mercado, o que exclui parcela significativa dos empreendimentos empresariais da livre competição.
A mudança na relação do Estado com o mercado é urgente e inadiável, com a adoção de políticas que apoiem a igualdade de oportunidades por meio de condições de competição e cooperação só oferecidas ao circuito superior da economia, como o acesso ao crédito, tecnologia e assistência técnica, entre outras.
Uma segunda premissa compreende a mudança na relação do Estado com a sociedade, especialmente quando as políticas universais de saúde, educação, trabalho e transporte não apresentam a eficácia global esperada. Isso porque a complexidade dos problemas atuais requer ação totalizante, por isso matricial e transdisciplinar no plano territorial.
Uma política de assentamento urbano, por exemplo, dificilmente terá êxito sem superar a lógica das caixinhas contida no compartilhamento do Estado brasileiro. Além da especificidade do assentamento, é necessária para a eficácia global a adoção de políticas complementares e articuladas, como educação, saúde, transporte e saneamento, entre outras.
Por fim, uma terceira premissa deve convergir para a mudança na relação do Estado para com o fundo público. De um lado, o avanço na tributação progressiva, capaz de deslocar a base tradicional de incidência (produção e consumo) para o patrimônio e novas formas de riqueza. De outro, a renovação do sistema de financiamento da agenda socioeconômica do século 21 (postergação no ingresso no mercado de trabalho, trajetória ocupacional diversificada, educação para a vida toda). O uso do fundo público comprometido com os novos desafios não precisa ser estatal, podendo ser comunitário.
Tudo isso, contudo, dificilmente poderá ser desenvolvido sem a renovação do Estado para o século 21.

Humor


Autor: Mahmood Nazari

Walter Benjamin: Revolucionário Barroco, Judeu Melancólico


Gleyton Trindade


Walter Benjamin foi certamente um dos mais enigmáticos pensadores do século XX e provavelmente o mais singular dos pensadores marxistas. Crítico literário, teólogo, filósofo e filólogo, judeu e marxista, Benjamin está, como diz Michael Lowy, “distante de todas as correntes e no cruzamento dos caminhos”. (Redenção e utopia. O judaísmo libertário na Europa Central. Companhia das Letras, São Paulo: 1993.) Não é por menos que autores de várias correntes, da teologia judaica ao marxismo revolucionário, fizeram de Benjamin um ícone cuja obra foi ardorosamente disputada.

Fascínio ainda mais alimentado pela conturbada vida que Benjamin experimentou. Vida marcada por fracassos, Benjamin é um representante dos “derrotados da história” que suas Teses sobre o conceito de história enunciam. Filho de uma família burguesa decadente de Berlim, Benjamin viu sua carreira acadêmica impossibilitada pela recusa de sua tese de livre docência pela Universidade de Frankfurt. Perseguido pelo regime nazista na Alemanha na década de 30, foi obrigado a fugir do país, passando a viver, com muitas dificuldades, do pouco dinheiro que conseguia de suas publicações, especialmente junto à Revista do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. Conhecendo-se as cartas que Benjamin escreveu durante esse período nota-se que ele via a si próprio como o escritor da era moderna “pós-aurática” que tanto analisou. Como um Baudelaire, poeta obrigado a vender sua obra como se fosse mercadoria recebendo o mínimo como pagamento. De fato, a situação de Benjamin não era muito melhor que a de Baudelaire. Tanto mais pela difícil relação de Benjamin com o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt do qual Adorno era um dos diretores.

Tanta dificuldade culminaria com seu trágico suicídio na fronteira entre a França e a Espanha enquanto fugia da invasão alemã. Para o melancólico Benjamin a visão de um mundo que destruía a si próprio era insuportável. Num mundo marcado pela destruição causada por uma noção de progresso linear Benjamin se via como o anjo do quadro de Klee que tanto admirava: impotente e frágil. Ao contrário deste anjo, no entanto, Benjamin não queria presenciar o monte de ruínas que inevitavelmente se acumularia sob seus pés.

Leia a integra do artigo acessando aqui

Novas denúncias ampliam crise no governo Yeda


Novas denúncias de utilização de caixa dois na campanha tucana abalam o governo Yeda Crusius. A edição desta semana da revista Veja revela a doação de R$ 25 mil pela revenda de automóveis Simpala à então candidata, valor intermediado pelo vice-governador Paulo Feijó e não declarado na prestação oficial de contas junto ao TRE. A revelação está amparada no texto de e-mails trocados entre Feijó e um gerente da GM e o tesoureiro da campanha, Rubens Bordini. Leia um trecho da reportagem:

“Nos e-mails reunidos por Feijó, quem fala em nome da Simpala é o gerente de relações institucionais da GM, Marco Kraemer. Procurado por VEJA, Kraemer confirmou que a correspondência é sua, mas negou seu conteúdo. “Os e-mails são meus, mas jamais intermediei doações”, diz. Não é o que se vê na sequência da correspondência. Em 8 de setembro de 2006, Kraemer escreveu: “Está confirmado… Favor procurar (…) o diretor da Simpala. (…) Farei o possível para estar presente.” No mesmo dia, Feijó enviou a Rubens Bordini, então tesoureiro da campanha de Yeda e hoje vice-presidente do Banrisul, a seguinte mensagem: “recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)“. Bordini respondeu: “Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e úteis“.

“O vice-governador esclarece que os brindes aos quais o tesoureiro se refere são agendas e garrafinhas da academia de ginástica que pertence a Feijó, a Body One. Ele diz que entregou o dinheiro a Bordini dentro de uma mochila da mesma academia. O ex-tesoureiro diz que o PSDB o proíbe de esclarecer assuntos relativos à campanha. Pelo que se vê nas ruas de Porto Alegre, é melhor que o partido reveja essa orientação”.

Fonte: PT Sul

Denúncias de corrupção atingem governo Fogaça

"Definitivamente o tempo não anda bom para os governos conservadores no RS. Reportagem da TV Record apresentou imagens do circuito interno da empresa Reação (que cuidava da segurança da Secretaria da Saúde de Porto Alegre), mostrando encontros do empresário Renato Mello com o então coordenador de Assuntos Jurídicos da Secretaria, Marco Antônio Bernardes. Bernardes seria o responsável pela arrecadação de propina para manter o contrato da empresa com a Prefeitura. Segundo o empresário, a cobrança de propina teria iniciado em março de 2008 e serviria para reforçar o caixa do PTB, partido do secretário Eliseu Santos.
Ainda segundo relatado pelo denunciante, o vereador Mauricio Dziedricki (mais votado da capital e atual Secretário Municipal de Obras e Viação - SMOV) era o “candidato nato” da Secretaria de Saúde. “Fui obrigado a fazer churrascos em determinados locais públicos, bancados com o dinheiro da minha empresa”, denuncia. Circula na Câmara Municipal requerimento para instalação de CPI para investigar os fatos, que já conta com 9 das 12 assinaturas necessárias. "
Texto retirado do blog Partisan, acessando aqui, veja o restante da matéria e o video com a reportagem da TV Record onde é exibida a denúncia.

Humor


Autor: Kayser

"Liberte os agasalhos" - Analfabetismo no Piratini

O governo de Yeda Crusius é (também) inimigo da boa concordância verbal e nominal. Açoita, espanca e dá de relho na língua mátria.
Quem sabe não ficaria melhor “libertem os agasalhos”? E prendam os corruptos.
Quando a gente pensa que os tucanos guascas já chegaram ao fundo do poço... nada, tem mais poço ainda.
Ninguém pode acusá-los de não serem surpreendentes. Religiosamente surpreendentes.

(Extraido do Diario Gauche)

Agenda


"Inferno político" de Yeda não tem fim



Esta promete ser uma semana cada vez mais "quente" para Yeda e seus comparsas.
Após uma tentativa frustrada de buscar apoio e respaldo do PSDB nacional, Yeda resolveu entregar os pontos e deixar que fique "cada um por sí".

Conforme noticía o blog RS Urgente: "A governadora Yeda Crusius recebeu o recado do PSDB nacional e alertou a sua turma: é cada um por si, salve-se quem puder. Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a gravidade das denúncias que recaem sobre o governo tucano no Rio Grande do Sul, as declarações do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, estão aí para quem quiser ouvir. Parecia dirigente de clube de futebol em crise dizendo que o treinador está prestigiado. O governo Yeda acabou politicamente e está próximo também de chegar ao fim juridicamente. A governadora não tem mais condições de aprovar um único projeto importante na Assembléia. Seu principal “programa estruturante”, agora, é impedir a criação de uma CPI. A “mamãe” está ferrada. Até a direção nacional do PSDB já sabe disso."

Para quem acha que isso é apenas papo de "blogueiros", abaixo reproduzo um trecho do Diario Oficial do Estado, ops, quiz dizer Zero Hora de hoje que determina o novo "espírito solidário" da "mamãe Yeda" com seus comparsas, fonte Diario Gauche.


O que a matéria não explica é: antes da reportagem da Veja, Yeda estava protegendo a sua turma?

Um embuste chamado Fogaça



A política gaúcha por vezes produz situações que a pura lógica tornaria difícil a sua compreensão. Que nos remetem mais a situações fantasiosas, que beiram por vezes ao absurdo. Mas não um absurdo fruto do acaso ou de "forças ocultas", mas sim de maquinações de velhos atores da política tradicional, com alto grau de comprometimento com o que de pior se produziu politicamente no Rio Grande do Sul.
Há cerca de dois anos atrás, quando começava a se desenhar o quadro eleitoral na capital, muitos viam com dificuldades a reeleição do Prefeito Fogaça (PMDB). Passado o pleito e sua vitória, já se esboça movimentos para alçá-lo a candidato ao governo do estado. E o mais impressionante disso, já é apontado por alguns como "virtual favorito".
Como isso se explica? Fazendo-se uma retrospectiva de sua gestão, observamos que foi marcada pela ausência de fatos e ações significativas na vida da cidade, além de contar com baixo índice de aprovação. Mas essa mesma inoperância acabou sendo transformada pelos olhos da mídia como uma qualidade, visto que encerraria o suposto perfil de "conflito" que teria marcado os 16 anos dos governos da Frente Popular. Mesmo os escândalos de corrupção que ocorreram em seu governo, contaram, por um lado com o beneplácito apoio midiatico para abafar, e por outro, uma falta de capacidade de denúncia e mobilização social do conjunto dos setores da oposição.
Mais do que isso, no processo eleitoral houve dois fatores que foram determinantes para garantir a vitória do Fogaça. Por um lado, a esquerda não conseguiu construir um processo de unidade que a levasse a se constituir como alternativa, tendo no primeiro turno três candidaturas e enumeras "feridas" abertas nesse processo e erros táticos e de orientação política de toda a ordem.
E por outro, Fogaça arquitetou um processo de "costuras políticas" que viabilizaram a sua candidatura "por cima", começando pela troca de partido as vésperas da eleição, saindo do PPS pelo mais estruturado PMDB, opção esta que foi abertamente posta como pragmática. A "ideologia política" não foi em momento algum questionada, pela sempre generosa, imprensa gaúcha. Feita essa "troca de camisa", passou-se ao segundo passo, que era melhorar a "cara da candidatura" junto ao sempre crítico eleitorado de classe média porto-alegrense.
E para isso, já que não contava-se mais com a sigla do PPS (apesar do "nome fantasia" socialista, possuí figuras polêmicas como Busatto em suas fileiras), teria que se buscar uma aliança que desse conta disto. A solução venho através do PDT, que apesar de já compor o governo, tinha um grau de crítica nas bases do partido que para solucionar esse descontentamento deu-se a vaga de vice. Com isso já se resolvia um outro problema, que era a vice do PTB, partido que ainda que conte com boa "máquina eleitoral", tem sua imagem fortemente ligada a escândalos de corrupção e clientelismo, o que serviria de obstáculo para penetrar nos setores médios, fragilizando a chapa.
Foi antes por estas manobras ardilosas e pelos muitos erros da esquerda (tanto na oposição quanto na campanha) que explicam a reeleição de Fogaça e não pela sua "grandiosa" capacidade administrativa, que muito antes pelo contrário, tem se demonstrado abaixo da média, beirando o pífio.
A direita no estado já tem ciente a impossibilidade de reeleger a Yeda, governo marcado por escândalos de corrupção e conflitos de toda a ordem e ostentando, por conseqüência, as piores avaliações que um governo já teve na história gaúcha desde a redemocratização.
Neste cenário, e numa tentativa de impedir a volta do PT ao Palácio Piratini, esboçam no Fogaça uma alternativa. Repetindo-se a mesma estratégia, de apoio midiatico, amplo leque de aliança (buscando deslocar algum setor vacilante da esquerda) e forte investimento em marketing (apenas em um dia neste ano, 31/03, a prefeitura gastou mais de R$800 mil em anúncios publicitários em jornais). Como forma de tentar desvincular a imagem do PMDB da Yeda, visto que este partido esta no centro de sustentação deste governo.
Tendo êxito essa tática, conseguiriam preservar por mais quatro anos o "esquema" que vem sido conduzido por determinados partidos já a alguns anos no Governo do Estado, em uma situação que lembra muito a prática de quadrilhas organizadas, prontas para assaltar os cofres públicos e preservar os seus espaços de poder. Além de manter as falidas políticas neoliberais em nosso estado, no maior embuste da política gaúcha.
Felizmente, parece que a esquerda, e o PT em particular, já anteciparam-se a esta tentativa de saída conservadora ao (des)Governo Yeda e parte para a construção de um projeto alternativo para o estado. Uma das ações corretas nesse sentido é a não realização de prévias para a escolha do candidato e a realização de um Encontro Estadual Extraordinário que apontara o representante do partido e iniciara a construção das diretrizes para a construção do programa de Governo. Frente ao vazio do projeto Fogaça e o desastre da Yeda, a construção de um sólido programa político vem a ser um excelente antídoto.
Uma candidatura marcada pelas conquistas do Governo Lula, visto que tanto Yeda quanto Fogaça sempre estiveram abertamente em campo oposto, e que estaria impulsionando a candidatura da Dilma contaria com um importante trunfo. Somada a história e trajetória que a Frente Popular tem no RS (que deve-se buscar construir uma política de unidade da esquerda já no primeiro turno), pelas ações que se desenvolvem nas Prefeituras de algumas das principais cidades do estado, por um diálogo e uma construção orgânica com os movimentos sociais, poderá assim construir uma candidatura com reais chances de vitória.
E com isso, o estelionato eleitoral de um prefeito pífio ser promovido a Governador na sucessão do pior governo da história gaúcha seria evitada. Qualquer outra alternativa teria um final desastroso para o povo gaúcho, aprofundando ainda mais a crise vivida no estado.
Foto: Agência Celeuma

Deve sair a CPI do caixa dois da Yeda

PT conversará com todas as bancadas para abrir uma CPI
Bohn Gass: “a sociedade exige ação da AL frente às denúncias da revista Veja sobre corrupção no governo Yeda”


A bancada do PT na Assembléia Legislativa reuniu-se extraordinariamente na tarde deste domingo (10) para analisar as denúncias publicadas na última edição da revista Veja sobre corrupção no governo Yeda Crusius e sobre o uso irregular de recursos de campanha para a compra da casa da governadora. A publicação revela o conteúdo das gravações de conversas entre dois ex-assessores de Yeda, Lair Ferst e Marcelo Cavalcante.

Veja teve acesso à 1h30 das gravações e os petistas querem acesso às 10h do diálogo. Na entrevista coletiva concedida após a circulação da revista, a própria governadora reconheceu a existência do diálogo dos seus ex-assessores e a viúva de Cavalcante, Magda Koenigkan, afirmou à revista que o governo pressionava o seu marido para negar que a voz fosse sua.

“Diante dessas novas denúncias, estamos atualizando o pedido de CPI e vamos conversar com todas as bancadas. A sociedade exige firme ação do Parlamento Estadual e somente as investigações de uma CPI poderão responder a este sentimento de impunidade e esclarecer o povo gaúcho”, sintetizou o líder da bancada, deputado Elvino Bohn Gass, após tratar o tema com os deputados Daniel Bordignon, Fabiano Pereira, Stela Farias e Ronaldo Zülke.

O PT também quer uma auditoria para esclarecer a origem de pagamentos de hospedagens de Cavalcante e de festas na casa de Yeda e sobre o fato de os R$ 200 mil, doados por uma empresa fumageira, não constar na prestação de contas da campanha da governadora. Há mais de 30 dias, a bancada do PT espera uma resposta do governo sobre um pedido de informações a respeito da compensação de créditos de exportação a empresas fumageiras.

Para ler mais informações, além da íntegra da matéria da Veja, acesse aqui

Dilma e o mistério da máquina elétrica


Publicado na coluna do jornalista Luis Nassif no Portal IG

Para a Ministra-Chefe da Casa Civil, ainda não terminou o factóide da Folha, sobre sua suposta participação no suposto plano de sequestro do Ministro Delfim Netto. A resposta do jornal - dizendo que não poderia assegurar nem a veracidade nem a falsidade da ficha - deixou a bola quicando na área para a Ministra.

No semi-desmentido sobre a ficha, a Folha fala em uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.

Não é verdade. A Folha sabia que a ficha era falsa. Se não sabia quando soltou a matéria, certamente foi informada quando escreveu o semidesmentido, pelo responsável pelos arquivos do DOPS, da mesma maneira que ele próprio explicou para Dilma, quando ela o procurou.

A tal ficha tinha sido preenchida por algum sistema em que as letras não têm diferenças entre si - diferente do que acontece com qualquer texto escrito em máquinas de escrever comuns. Logo, só poderia ter saído de um computador ou de uma máquina elétrica. A primeira máquina elétrica da IBM entrou no mercado brasileiro em 1966. Mas em 1970 não existia no DOPS nem um, nem outro. Logo, não poderia haver nenhuma dúvida sobre a falsificação da ficha.

Não foi o único fato comprometedor nessa sucessão de manipulações daquele que provavelmente é o mais grave episódio a comprometer a imagem do jornal nos últimos anos.

Dilma aceitou dar um depoimento para a repórter Fernanda Odilla a pedido do diretor da sucursal da Folha em Brasília, Melchiades Filho.

Na entrevista, foi taxativa em garantir que jamais participara de uma ação armada sequer.

- Sou uma pessoa bastante desinteressante para gerar matérias sobre o período, diz Dilma, porque jamais cometi ação armada, não fui julgada nem interrogada sobre isso.

Dilma era do Colina (Comando de Libertação Nacional). Houve uma aproximação com outro grupo, o VPR, resultando daí o VAR-Palmares. O namoro durou três meses apenas. Acabou por diferenças irreconciliáveis acerca das estratégias a serem adotadas. O Colina defendia a linha de massa; o VAR, a luta armada. O Colina não descartava a resistência ou mesmo a guerrilha futura, mas, naquele momento, não via as mínimas condições para isso. Houve bate-bocas memoráveis, em que o VAR acusava o Colina de ser “de direita”. Esse racha foi exposto por Dilma à repórter da Folha.

Foi um período foi muito curto, antes dos dois grupos serem desbaratados pela repressão. Em novembro de 1969, Antonio Roberto Espinosa - principal fonte da matéria -, do VAR, foi preso. Em janeiro, foi a vez de Dilma ser presa.

Para Dilma, o tal plano de sequestro de Delfim provavelmente era uma ideia pessoal de Espinosa, mas que, se existiu, nunca ganhou forma.

Sua primeira leitura da matéria, foi no Clipping do governo. Por isso não reparou na ficha propriamente dita, que saiu apenas no jornal impresso. Embaixo, a informação de que tinha sido obtida no DOPS. Para Dilma seria impossível que o DOPS tivesse forjado uma ficha com informações falsas. Em 1970, a luta armada estava completamente derrotada, os militantes já estavam presos, não havia necessidade de inventar fichas para ninguém.


Quando viu a ficha no jornal impresso, Dilma deu-se conta do absurdo. A tal ficha já circulava em sites na Internet, como o Ternuma e o Coturno Soturno. Imediatamente ligou para Melchiades, informando-o das suas suspeitas. Ele reiterou que a fonte eram os arquivos do DOPS. Dilma pediu que lhe enviasse o original. Não obteve resposta.

Dois dias depois, Dilma entrou em contato com o responsável pelos arquivos do DOPS e pediu para ver a ficha original. O responsável pelo arquivo foi taxativo. Disse que não só não tinha essa ficha por lá como desconfiava que era falsa, por uma razão óbvia: a tal ficha tinha sido preenchida por algum sistema em que as letras não tinham diferenças entre si - como acontece com qualquer texto escrito em máquinas de escrever manuais. Logo, só podia ter saído de um computador ou de uma máquina elétrica. Em 1970 não existia nem um, nem outro.

A reação de Dilma foi mandar carta para o ombudsman da Folha, relatando toda sua trajetória e relacionando 16 pontos de inconsistência na matéria. Ele não reproduziu a carta, limitando-se a publicar uma pequena nota, dizendo que a Folha deveria checar melhor as fontes.

Agora, Dilma contratou a UnB e a Universidade de São Paulo para produzir novos laudos. Com eles, pretende desmascarar completamente a tese da Folha, de que não seria possível assegurar que a ficha seja falsa.

Humor


Autor: Santiago

Augusto Boal


Em uma época na qual a arte se identifica e se organiza em tendências de temporada, será cada vez mais raro encontrar um artista cuja tendência radical na direção da justiça é obra de uma vida inteira. Augusto Boal construiu uma carreira pontuada muitas vezes por lances decisivos, não apenas pessoalmente, mas para a história do teatro brasileiro. Por meio de sua obra, o andar de baixo finalmente vem à luz e personagens como operários, cangaceiros e jogadores de times de várzea ganham o palco. Leia o artigo é de Kil Abreu, publicado na Carta Maior, que presta uma homenagem a este grande personagem da história cultural de nosso país acessando aqui.