Belo Horizonte sedia encontro nacional de mulheres estudantes

A capital mineira será a sede do III Encontro de Mulheres Estudantes, EME, que acontecerá a partir de sexta-feira até domingo. O EME é um importante espaço de auto-organização do movimento feminista. Essa é a terceira edição do EME, a primeira edição foi em 2005. Ele é um espaço privilegiado de discussão e formação.

A edição desse ano conta com uma importante discussão. Em janeiro a UNE aprovou seu projeto de reforma universitária que é a plataforma para construir a educação que as/os estudantes querem para o Brasil. Nesse III EME as mulheres estudantes da UNE, aprofundarão essa discussão, elaborando um recorte feminista para esse projeto. Outro ponto prioritário será a discussão sobre a participação das mulheres no movimento estudantil e na política de uma forma geral.

São esperadas cerca de 300 estudantes de diferentes estados brasileiros. Essa edição do encontro contará com a presença da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire; Nalu Faria da Marcha Mundial das Mulheres; da presidenta da UNE, Lúcia Stumpf; da Deputada Federal, Jô Moraes (PCdoB/MG); da Secretária Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane da Silva e da professora do Núcleo de gênero da UFMG, Maria da Consolação. O encontro contará também com a presença de representantes de diversos movimentos feministas do país.

Para a diretora de mulheres da UNE e estudante de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF, Ana Cristina Pimentel, os encontros de mulheres da UNE são muito importantes para atualizarem a agenda das mulheres no movimento estudantil, e quais os desafios para o próximo período. "Além disso, nesses encontros, o debate de mulheres e feminismo são centrais para serem pautados e discutidos pela UNE", pondera Ana.

A dirigente ressalta que é importante também ligar as lutas gerais com as lutas específicas, "quando falamos de políticas de assistência estudantil precisamos fazer um recorte de gênero, e assim também quando discutimos a questão da construção do conhecimento.", finaliza.

O III EME será realizado na Escola Municipal Milton Campos, (Rua Jovino Rodrigus Pego -145 - Bairro Mantiqueira - Belo Horizonte).

Mais informações:
Ana Pimentel - Diretora de Mulheres da UNE - (32) 8822-0290
Camila Marcarini - Diretora de Comunicação da UNE - (54) 8125-7576
Rafaela Rodrigues - Diretora de Mulheres da UAP - União Acadêmica Paraense - (91) 8148-8111

Da "superioridade" dos liberais


Terry Eagleton
The Guardian 25/4/2009


Gostem eles ou não, os Dawkins[1], Amis[2], Hitchens[3] e companhia[4] converteram-se em armas na guerra ao terror.

Um dos efeitos colaterais da chamada guerra ao terror foi uma crise do liberalismo. Não se trata apenas de haver hoje novas leis alarmantemente antiliberais, mas de um problema mais geral, de como o Estado liberal lida com seus inimigos antiliberais. Esse, com certeza, é o teste crucial de qualquer credo liberal.

Qualquer um sabe ser tolerante com quem seja tolerante. Uma comunidade de gente de mente arejada é lugar agradável, mas não exige nenhum grande esforço moral. A questão chave é como o Estado liberal lida com quem rejeite todo o seu quadro ideológico. Está na moda, hoje, dizer-se aberto "ao outro". Mas o que acontece quando o "outro" detesta muitas aberturas, tanto quanto detesta festas rave?

Não há dificuldade alguma sobre como tratar quem despreze os valores liberais, quando esse desprezo assume a forma de espancar crianças. Basta meter na cadeia os espancadores de crianças. Mas os socialistas e os muçulmanos também rejeitam o Estado liberal. Nesse caso, o que fazer com eles? Devem ser admitidos apenas na medida em que se limitem a desafiar o Estado, momento a partir do qual, então, socialistas e islâmicos também imediatamente serão postos atrás das grades, companheiros de cela dos fanáticos da Al-Qaeda?

Não é verdade, é claro, que a esquerda rejeite as liberdades civis: o movimento operário sempre lutou para defender muitas liberdades civis. Marx sempre manifestou imorredoura admiração pelo grande legado revolucionário do liberalismo da classe média. Apesar disso, há conflito fundamental entre os liberais e a esquerda.

O liberalismo prega que o Estado deve tolerar todas as opiniões que não visem a minar a tolerância. Aí está uma política engraçada. Bem que Tony Blair avisou: "Nossa tolerância é parte do que faz a Inglaterra Inglaterra. Aceitem isso, ou não se aproximem de nós." Decidir se a coisa é cômica, porque autocontraditória, ou se é adequadamente paradoxal, depende do ponto de vista que se adote sobre o Estado liberal.

O Estado liberal não se incomoda com que você seja crente ou não-crente, desde que ninguém impeça o direito de outros às suas crenças. Alguém mais cínico dirá que o capitalismo avançado é inerentemente não-crente; desde que você pague seus impostos e não espanque policiais, você que creia no que quiser. O agnosticismo que Richard Dawkins e Christopher Hitchens vendem de porta em porta como negócio subversivo é arroz-com-feijão na rotina diária do capitaismo tardio. Para o Estado liberal, bruxaria e luta-livre tanto faz, quanto tanto fez: não há diferença alguma.

Como barmen espertos, os liberais têm a menor quantidade possível de opinião. Há muitos liberais, até, para os quais qualquer convicção um pouco mais apaixonada é sintoma de autoritarismo latente. Mas o liberalismo, ele mesmo, deve, é claro, ser convicção apaixonada. Os liberais não são necessariamente indiferentes ou frios. Só os esquerdistas mais machos ainda acham que ser liberal é não ter colhões. Há quem seja ardentemente neutro e ferozmente indiferente.

Deve-se praticar o laissez-faire tanto no plano das crenças quanto no plano do mercado, ou na feira. Mas qualquer liberal honesto reconhecerá que a neutralidade do Estado é uma forma de parcialidade.

A esquerda tem restrições à causa liberal, não porque a esquerda creia que se devam esmagar as opiniões divergentes, ou porque a esquerda não aprecie a ideia da parcialidade do Estado, mas, sim, porque a causa liberal não admite o tipo de Estado 'com lado' que o socialismo exige. A causa liberal, por exemplo, não admite um Estado que não seja neutro na hora de decidir se a cooperação ou o individualismo, um ou outro, reinará supremo sobre toda a vida social e econômica.

Se o teste crucial do liberalismo é o modo como enfrenta seus adversários não-liberais, parece que boa parte da intelligentsia liberal já cai, logo na primeira escaramuça.

Autores como Martin Amis e Hitchens não querem, apenas, meter os terroristas atrás das grades. Eles também praticam uma espécie de fundamentalismo de defesa da supremacia cultural do ocidente. Dawkins opôs-se fortemente à invasão do Iraque, mas prega um tipo de racionalismo 'de peruca', auto-satisfeito, teleológico, apologético, fora de moda, que serve como arma contra um Islam pressuposto inferior. O filósofo AC Grayling tinha o mesmo olhar mesmerizado quando discursava sobre a marcha do Progresso Ocidental. O novelista Ian McEwan é campeão recém-recrutado desse mesmo racionalismo militante. Hitchens e Salman Rushdie defenderam os disparates de Amis contra muçulmanos. Gostem ou não, Dawkins e sua turma tornaram-se armas na guerra ao terror. A 'superioridade' ocidental gravitou, da Bíblia, para o ateísmo.

A ironia é clara. Alguns dos nossos espíritos literários mais livres têm defendido valores liberais de tal modo, que os estão minando. Nisso, refletem o comportamento dos Estados ocidentais. Espera-se, dos liberais, que valorizem análises mais finas e a complexidade moral. Pois nada disso se vê, em todos quantos, hoje, estão degradando o Islam e o apresentam como culto sangrento e bárbaro. Eles ganham notoriedade por seus juízos de valor discriminatórios, e não por sua vaga rejeição de todas religiões como lixo.

Há também um legado liberal que manda temperar os julgamentos absolutos com informações de contexto: o liberal genuíno está aterrorizado pelo terror dos islâmicos, mas não é cego para a ofensa e a humilhação nacionais que subjazem nele.

Nenhum dos escritores que nomeei dá qualquer sinal de buscar esse equilíbrio. No frigir dos ovos, estão mais preocupados com a própria liberdade de expressão do que com libertar alguém do jugo imperial.

Há uma ironia ou paradoxo, no âmago do pensamento liberal: o liberal pode ser adequadamente intolerante, quando a tolerância é agredida. Mas essa ironia traz com ela o perigo eterno de, de repente, fugir do controle.

Uma das mais admiráveis conquistas da civilização é a capacidade do Estado liberal para acomodar crenças diversas, mesmo sem ter praticamente nenhuma convicção positiva sobre coisa alguma. Mas essa neutralidade, quando sofre pressões, pode muito facilmente converter-se em convicção fundamentalista da própria superioridade. É quando dar pouca importância a fé de outros converte-se em dar-se ares de desdém. Daí, só falta um passo, curto, do desdém ao fundamentalismo.

NOTAS DE TRADUÇÃO (Caia Fittipaldi)

Tradução de trabalho, para fins didáticos, sem valor comercial. Comentários e correções são bem-vindos para caia.fittipaldi@uol.com.br

[1] Richard Dawkins, autor de The God Delusion e descrito no Times como "o mais zangado ateu inglês, autodesignado "capelão do diabo". Pode-se ler sobre ele em http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article1767506.ece

[2] Martin Amis. Pode-se ler sobre ele em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/20811/Martin-Amis.

[3] Christopher Hitchens. Pode-se ler sobre ele em http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=6870

[4] São, todos, autores ingleses contemporâneos conhecidos por suas convicções liberais.

Polícia Federal pede o indiciamento de Daniel Dantas


Quanto tempo levará para que o nobre presidente do STF , Gilmar "Capangas" Mendes se pronuncie contrário ao indiciamento do "honrado" patriota Daniel Dantas? Ou ainda, de maneira "nebulosa" os investigadores e todos os demais agentes envolvidos pela Polícia Federal nas investigações sejam afastados?
Obviamente que a nossa grande imprensa "democrática e republicana" dará ampla cobertura para o caso nos telejornais de hoje e na imprensa escrita de amanhã. Certamente não veremos eles desencavarem algum Deputado obscuro e de pouco expressão envolto em mais algum problema ético-administrativo, afinal isso seria pura cortina de fumaça e tiraria o foco da opinião pública, não é mesmo?
Abaixo a reportagem publicada no Uol sobre o indiciamento de Dantas.

Daniel Dantas é indiciado pela Polícia Federal e fica em silêncio em depoimento

O banqueiro Daniel Dantas ficou calado em depoimento à Polícia Federal hoje, em São Paulo

O banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundadosr do Grupo Opportunity, foi formalmente indiciado por crimes financeiros nesta segunda-feira (27), na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde prestaria depoimento sobre a operação Satiagraha, que prendeu, entre outros, o próprio banqueiro, o ex-prefeito Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas, em julho de 2008.

O banqueiro foi indiciado por formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Segundo seu advogado Andrei Schmidt, Dantas foi informado de seu indiciamento logo após ter chegado à PF, por volta das 8h. Segundo o defensor, ele ficou em silêncio no depoimento. “Não há exercício da defesa com o indiciamento já pronto”, disse o advogado. “Nos colocamos à disposição desde que sejam juntadas provas aos autos”, completou.

O advogado refere-se a dados que, segundo ele, foram assegurados à defesa pelo STF (Supremo Tribunal Federal). “O Supremo nos assegurou acesso irrestrito às provas. Faz parte da defesa ter conhecimento integral da investigação”, finalizou.

Com o indiciamento formalizado, o advogado disse que todos os integrantes do Opportunity que serão ouvidos em depoimentos marcados para hoje deverão ficar em silêncio. Dantas já deixou a sede da PF, por volta das 8h30.

Cigarro, Democracia e Capitalismo


Luciana Ballestrin

A recente hostilidade coletiva em relação ao consumo do tabaco não vem apenas da consciência de seus danos à saúde, difundida pela comunidade científica e, agora, pelos laboratórios farmacêuticos que descobriram no seu rechaço um grande filão lucrativo. Vem também do senso comum e fundamental de que o direito de uma pessoa acaba quando começa o direito de outra. Fumar se tornou um ato simbolicamente ilícito por que polui o ambiente e prejudica passivamente aqueles que estão em volta de um fumante. Esse, por sua vez, tenta inutilmente argumentar que seu estranho “direito de fumar” está baseado na sua condição individual de liberdade republicana.
O regime de apartheid tabágico que vem sendo paulatinamente imposto aos fumantes de todo planeta procura segregar através da discriminação de determinados espaços para o consumo do cigarro as pessoas que por razões químicas e psicológicas permanecem fumando. Pressupõe-se, aqui, que o fumante exerce sua racionalidade e livre arbítrio para esta opção, e, esquece-se que razão e liberdade são antitéticas ao vício: o fumante é por definição um adicto. As empresas passaram então a perceber que os fumantes diminuem seus lucros porque saem em hora do expediente para fumar, revelando um descontrole inaceitável do ponto de vista da conduta social: a fraqueza é a antítese do sucesso, e portanto, da acumulação. O fumante por definição é também um looser na lógica da produção; ressalta-se, agora, sua irracionalidade e a anulação do seu poder de livre arbítrio.
A condição moderna dos fumantes, portanto, é excludente. A exclusão dessa minoria que outrora era incluída no paradigma do charmoso e do belo passou a ser mais perversa por que só encontra nas multinacionais produtoras de fumo sua defensoria. Fora o lucro e geração de empregos, o cigarro não tem mais raison d’être. E como comprovadamente causa males irreversíveis às pessoas e ao ambiente, não encontra argumentos defensáveis para seu consumo, nem pelos próprios viciados na nicotina e no mau hábito. O mundo pode até ser melhor sem o cigarro das quatro mil e tantas substâncias tóxicas. Mas, até lá, que os segregacionistas ponderem sua intolerância, ao saberem como Raul de Leoni que “todo prazer vicioso é triste e doente, porque o vício é a doença do prazer”. E, sobretudo, direcionem-se contra os exploradores da doença pelo lucro e da fraqueza pela discriminação.
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Um poeminha pequeno e grandioso


Tem vezes, que com poucas palavras se diz muito, é o caso desse poema do Paulo Leminski. Um dos meus favoritos desse poeta maldito curitibano, que além de genial com as palavras soube ser coerente com aquilo que acreditava até o fim.

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Estão nos mentindo sobre os piratas

Johann Hari
The Independent, UK

Quem imaginaria que em 2009, os governos do mundo declarariam uma nova Guerra aos Piratas? No instante em que você lê esse artigo, a Marinha Real Inglesa – e navios de mais 12 nações, dos EUA à China – navega rumo aos mares da Somália, para capturar homens que ainda vemos como vilãos de pantomima, com papagaio no ombro. Mais algumas horas e estarão bombardeando navios e, em seguida, perseguirão os piratas em terra, na terra de um dos países mais miseráveis do planeta. Por trás dessa estranha história de fantasia, há um escândalo muito real e jamais contado. Os miseráveis que os governos 'ocidentais' estão rotulando como "uma das maiores ameaças de nosso tempo" têm uma história extraordinária a contar – e, se não têm toda a razão, têm pelo menos muita razão.
Os piratas jamais foram exatamente o que pensamos que fossem. Na "era de ouro dos piratas" – de 1650 a 1730 – o governo britânico criou, como recurso de propaganda, a imagem do pirata selvagem, sem propósito, o Barba Azul que ainda sobrevive. Muita gente sempre soube disso e muitos sempre suspeitaram da farsa: afinal, os piratas foram muitas vezes salvos das galés, nos braços de multidões que os defendiam e apoiavam. Por quê? O que os pobres sabiam, que nunca soubemos? O que viam, que nós não vemos? Em seu livro Villains Of All Nations, o historiador Marcus Rediker começa a revelar segredos muito interessantes.
Se você fosse mercador ou marinheiro empregado nos navios mercantes naqueles dias se vivesse nas docas do East End de Londres, se fosse jovem e vivesse faminto–, você fatalmente acabaria embarcado num inferno flutuante, de grandes velas. Teria de trabalhar sem descanso, sempre faminto e sem dormir. E, se se rebelasse, lá estavam o todo-poderoso comandante e seu chicote [ing. the Cat O' Nine Tails, lit. "o Gato de nove rabos"]. Se você insistisse, era a prancha e os tubarões. E ao final de meses ou anos dessa vida, seu salário quase sempre lhe era roubado.
Os piratas foram os primeiros que se rebelaram contra esse mundo. Amotinavam-se nos navios e acabaram por criar um modo diferente de trabalhar nos mares do mundo. Com os motins, conseguiam apropriar-se dos navios; depois, os piratas elegiam seus capitães e comandantes, e todas as decisões eram tomadas coletivamente; e aboliram a tortura. Os butins eram partilhados entre todos, solução que, nas palavras de Rediker, foi "um dos planos mais igualitários para distribuição de recursos que havia em todo o mundo, no século 18 ".
Acolhiam a bordo, como iguais, muitos escravos africanos foragidos. Os piratas mostraram "muito claramente– e muito subversivamente– que os navios não precisavam ser comandados com opressão e brutalidade, como fazia a Marinha Real Inglesa." Por isso eram vistos como heróis românticos, embora sempre fossem ladrões improdutivos.
As palavras de um pirata cuja voz perde-se no tempo, um jovem inglês chamado William Scott, volta a ecoar hoje, nessa pirataria new age que está em todas as televisões e jornais do planeta. Pouco antes de ser enforcado em Charleston, Carolina do Sul, Scott disse: "O que fiz, fiz para não morrer. Não encontrei outra saída, além da pirataria, para sobreviver".
O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.
Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes.
Quem conta é Ahmedou Ould-Abdallah, enviado da ONU à Somália: "Alguém está jogando lixo atômico no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos." Parte do que se pode rastrear leva diretamente a hospitais e indústrias européias que, ao que tudo indica, entrega os resíduos tóxicos à Máfia, que se encarrega de "descarregá-los" e cobra barato. Quando perguntei a Ould-Abdallah o que os governos europeus estariam fazendo para combater esse 'negócio', ele suspirou: "Nada. Não há nem descontaminação, nem compensação, nem prevenção."
Ao mesmo tempo, outros navios europeus vivem de pilhar os mares da Somália, atacando uma de suas principais riquezas: pescado. A Europa já destruiu seus estoques naturais de pescado pela superexploração – e, agora, está superexplorando os mares da Somália. A cada ano, saem de lá mais de 300 milhões de atum, camarão e lagosta; são roubados anualmente, por pesqueiros ilegais. Os pescadores locais tradicionais passam fome.
Mohammed Hussein, pescador que vive em Marka, cidade a 100 quilômetros ao sul de Mogadishu, declarou à Agência Reuters: "Se nada for feito, acabarão com todo o pescado de todo o litoral da Somália."
Esse é o contexto do qual nasceram os "piratas" somalianos. São pescadores somalianos, que capturam barcos, como tentativa de assustar e dissuadir os grandes pesqueiros; ou, pelo menos, como meio de extrair deles alguma espécie de compensação.
Os somalianos chamam-se "Guarda Costeira Voluntária da Somália". A maioria dos somalianos os conhecem sob essa designação. [Matéria importante sobre isso, em http://wardheernews .com/Articles_ 09/April/ 13_armada_ not_solution_ muuse.html : "The Armada is not a solution".] Pesquisa divulgada pelo site somaliano independente WardheerNews informa que 70% dos somalianos "aprovam firmemente a pirataria como forma de defesa nacional".
Claro que nada justifica a prática de fazer reféns. Claro, também, que há gângsteres misturados nessa luta – por exemplo, os que assaltaram os carregamentos de comida do World Food Programme. Mas em entrevista por telefone, um dos líderes dos piratas, Sugule Ali disse: "Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam nosso peixe." William Scott entenderia perfeitamente.
Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se matar de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente os pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram- se no caminho pelo qual passa 20% do petróleo do mundo... imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.
A história da guerra contra a pirataria em 2009 está muito mais claramente narrada por outro pirata, que viveu e morreu no século 4º AC. Foi preso e levado à presença de Alexandre, o Grande, que lhe perguntou "o que pretendia, fazendo-se de senhor dos mares." O pirata riu e respondeu: "O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador." Hoje, outra vez, a grande frota europeia lança-se ao mar, rumo à Somália – mas... quem é o ladrão?

Humor


Autor: Santiago

Yeda distribui medalhas para comparsas e familiares

Essa noticia, retirada do blog RS Urgente, e evidentemente não vinculada nos principais veiculos da grande mídia golpista gaúcha chega ser patética. Um governo (se é que podemos chama-lo assim), de forma discreta e sem fazer muito alarde resolve distribuir (com dinheiro público) medalhas de honraria para um grupo seleto de "grandes" colaboradores para o desenvolvimento do estado. Entre os beneficiários dos "mimos" da Yeda esta a própria filha, Tarsila Rorato Crusius, além da misteriosa Walna, figura sinistra que segundo dizem, é a "voz no ombro da governadora" dando os contornos as ações e desventuras da atual gestão.

"O Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul publica hoje decreto da governadora Yeda Crusius (PSDB) conferindo a Medalha Governador Ernesto Dornelles da Casa Militar a 141 pessoas. Entre outras, o decreto assinado por Yeda e pelo chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, concede medalhas ao próprio Wenzel, à filha da governadora, Tarsila Rorato Crusius, ao chefe de gabinete da governadora, Ricardo Lied, à assessora Walna Villarins Menezes (considerada o braço-direito de Yeda) e à deputada estadual Zilá Breitenbach (PSDB). A Medalha Governador Ernesto Dornelles foi instituída por decreto no dia 2 de junho de 2003 para “homenagear aqueles que contribuíram na consolidação das relações com a Casa Militar”. Agora vai..."

Vitória do coronealismo: Roseana Sarney assume governo do Maranhão


A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) assume nesta sexta-feira (17), às 11h, o cargo de governadora do Maranhão. A posse ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter rejeitado na noite desta quinta-feira (16) os recursos contra a cassação de diploma do governador Jackson Lago e também do seu vice, Luiz Carlos Porto. No mérito, a cassação já tinha sido determinada pelo tribunal no início de março, por denúncias de abuso do poder econômico nas eleições de 2006.
Esta é mais uma prova inequívoca do poder que as velhas oligarquias ainda usufruem em nosso país. Poder este que já havia sido demonstrado nas eleições das presidências das casas legislativas nacionais (Câmara e Senado) e que se confirma agora com essa decisão do judiciário. E demonstra de forma cabal que ainda teremos um longo caminho a percorrer até que se sepulte de vez essa estrutura de poder arcaica que persiste no país. Infelizmente poucos passos tem se dado para de fato sepultalos. Essa decisão apenas comprova isso.

Quem entende a Páscoa?

A páscoa já passou, mas mesmo assim achei que merecia um post no blog. Recebi essa boa crônica do sempre genial Luis Fernando Veríssimo que retrata um diálogo de uma criança tentando entender o que não pode ser compreendido.
Confesso que na minha infância também já me coloquei algumas dessas dúvidas, com tempo vamos vendo que nada é tão facilmente explicavel, ou melhor, racionalizado se tratando de dogmas e festividades católicas.
O que nos resta é só acreditar ou não. Quem quer questionar algo, se for católico, deve ser excumungado, o Leonardo Boff não me deixa mentir.


Papai, o que é Páscoa?



-Ora, Páscoa é.... bem... é uma festa religiosa!

-Igual ao Natal?

-É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na
Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressureição.

-Ressurreição?

-É, ressurreição. Marta , vem cá !

-Sim?

-Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.

-Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido.

Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido
crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu ?

-Mais ou menos.... Mamãe, Jesus era um coelho?

-O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus
Cristo é o Papai do Céu !

Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode
crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até
parece que não lhe demos uma educação cristã !

Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola ? Deus me perdoe !

Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!

-Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus ?

-É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no
catecismo. É a Trindade.

Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

-O Espírito Santo também é Deus?

-É sim.

-E Minas Gerais?

-Sacrilégio!!!

-É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?

-Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é
o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe
entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora
explica tudinho!

-Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa ?

-Eu sei lá ! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de
presente ele traz ovinhos.

-Coelho bota ovo ?

-Chega ! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais !

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa ?

-Era... era melhor,sim... ou então urubu.

-Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né ? Que dia ele morreu ?

-Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.

-Que dia e que mês?

- (???)

Sabe que eu nunca pensei nisso ? Eu só aprendi que ele morreu na
Sexta-feira Santa e ressucitou três dias depois, no Sabado de Aleluia.

-Um dia depois!

-Não três dias depois.

-Então morreu na Quarta-feira.

-Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de
Cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde ! Morreu na Sexta mesmo e
ressuscitou no sábado, três dias depois!

-Como ?

- Pergunte à sua professora de catecismo!

-Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua ?

-É que hoje é Sabado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do
Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

-O Judas traiu Jesus no Sábado ?

-Claro que não ! Se Jesus morreu na Sexta !!!

-Então por que eles não malham o Judas no dia certo ?

-Ai...

-Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

-Cristo. Jesus Cristo.

-Só ?

-Que eu saiba sim, por quê?

-Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus
Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido,
não acha?

-Ai coitada!

-Coitada de quem?

-Da sua professora de catecismo!

Luiz Fernando Veríssimo

Quem está doente: Adriano ou os outros?

Emir Sader

Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa – se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?

O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem “normais”. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.

Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.

Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido – quando a imprensa não sabe onde está alguém, está “desaparecido”, chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.

Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que “vai dar um tempo”, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.

Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que “não se rasga dinheiro”, em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem ter que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?

Lula: Pacote habitacional é resposta ao déficit de moradia e ao desemprego

A partir desta segunda-feira (13), o governo federal começa a registrar pessoas que querem comprar casas e também projetos de empresas para a construção das moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. O programa destina-se ao público com faixa de renda entre três e dez salários mínimos. Estima-se que, nessa faixa de renda, exista um público-alvo de 4 milhões de pessoas, na base de clientes do Banco do Brasil, um dos financiadores do projeto.

Ao comentar em seu programa semanal Café com o Presidente o início do cadastramento de interessados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o objetivo do plano é abrir caminho para “respostas” ao déficit habitacional brasileiro e para os níveis de desemprego, sobretudo em tempos de crise financeira internacional. Ele afirmou que o pacote precisa de um “tempo de maturação” para que a população possa perceber os primeiros resultados. Para Lula, o pacote habitacional vai permitir “aperfeiçoamento” e “amadurecimento” ao país.

“É um desafio para o governo, para as prefeituras, para os estados, para os empresários”, disse o se referir à promessa de construção de 1 milhão de casas.

“As exportações têm diminuído em todos os países. Todo mundo vai comprar apenas o necessário e isso cria problema em vários setores”, afirmou o presidente. Ele lembrou que a estratégia do governo brasileiro é fortalecer o mercado interno, com destaque para investimentos no setor automobilístico e de infra-estrutura e para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Estudo do Ipea mostra que bancos brasileiros promovem exclusão social

O Brasil tem um sistema bancário incompleto, que contribui para a concentração de riqueza e aumento da exclusão social. É o que mostra o estudo do Ipea divulgado por meio do Comunicado nº 20 da presidência do instituto apresentado pelo presidente Marcio Pochmann. Denominado "Transformações na indústria bancária brasileira e o cenário de crise". O estudo mostra que o esvaziamento do Estado no mercado financeiro brasileiro em nada beneficiou a inclusão social e a popularização bancária.

Com números do BC e de outras fontes, o estudo mostra ainda o aumento da concentração bancária. Entre 1996 e 2006, a participação dos 20 maiores bancos nos ativos totais do sistema financeiro nacional saiu de 72% para 86%. Segundo o levantamento, a decisão da autoridade monetária de privatizar boa parte do sistema bancário oficial, na década de 1990, deu resultado.

O número de bancos estatais foi reduzido em 59,4%, no período de 1996 a 2007, com a arrecadação de US$ 6,5 bilhões. E a participação dos públicos no total de ativos do sistema caiu de 52% para 30%, no mesmo intervalo, representando 8,3% do total de bancos. O Ipea mostra ainda que houve um encolhimento de 32,2% na quantidade de bancos em geral, também no período de 1996 a 2007. A consequência foi o aumento na presença dos bancos estrangeiros, que passaram a representar 36,6% do total atuando no país.

Outro ponto destacado no estudo é a concentração geográfica do crédito bancário, onde as regiões Sul e Sudeste respondiam por 84% do crédito ofertado em todo o país. O juro elevado praticado no Brasil, destaca o Ipea, gera para os bancos estrangeiros um ganho "quase 10 vezes mais elevado" nos empréstimos a pessoas físicas. E "quatro vezes maior" no crédito a empresas, em relação ao lucro que os estrangeiros obtém com as mesmas operações em outros países.

Desigualdade regional


O Ipea destaca as dificuldades que ainda persistem para ampliar o acesso ao atendimento bancário. O estudo conclui afirmando que "a qualidade do sistema bancário brasileiro e seus mecanismos de regulação" são fortes elementos do país contra efeitos mais severos da crise financeira internacional. "De fato, quando são comparados os resultados obtidos no Brasil com os países da América do Norte, Europa Ocidental e Japão, no momento atual, essa constatação é de difícil refutação", diz o Ipea.

A redução da quantidade de bancos em operação nos últimos onze anos contribuiu ainda para promover mais desigualdade regional. "Nos últimos dez anos, houve uma transferência de recursos que serviam de crédito para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil para uma maior concentração na região Sudeste", apontou Pochmann. Segundo o estudo, "ao contrário dos Estados Unidos, que combinou a redução na quantidade de bancos com ampliação do número de agências bancárias, o Brasil apresentou diminuição na quantidade tanto de bancos como no número de agências."
Em 2007, por exemplo, o país possuía somente 156 instituições bancárias, enquanto a Alemanha registrou 2.130 bancos e os Estados Unidos 7.282 bancos. A principal fase de redução da presença dos bancos públicos no Brasil ocorreu entre 1995 e 2001, com uma breve interrupção entre 2001 e 2003, quando voltou novamente a perder importância relativa no total de ativos bancários. Em 2007, o Brasil tinha menos agência por brasileiro do que na década de 80, quando havia, para cada agência, cerca de 8 mil brasileiros.

Popularização de serviços

A diferença regional indicada no estudo é alarmante quando se pensa em desenvolvimento de médio e longo prazo no país. "Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, a relação da população por agência chega a ser quase três vezes maior do que nas regiões Sul e Sudeste", diz o Ipea. Entre 1996 e 2006 as três regiões acumulam uma perda de 41,4% na participação relativa no total de crédito.
O estudo observa que houve avanço da experiência brasileira de popularização de serviços bancários por intermédio das operações de correspondentes não bancários. "No ano de 2008, por exemplo, o Brasil registrou a presença de 84,3 mil correspondentes bancários operados em locais não bancários como padarias, postos lotéricos, correios, farmácias, entre outros", afirma.Esses avanços, no entanto, não são ideais. "O Brasil precisa avançar rapidamente do ponto de vista da popularização dos bancos", defendeu Pochmann. Ele considera que a constituição de novos bancos, "bancos comunitários como existem nos Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, ajudaria não apenas a difundir o crédito, mas torná-lo mais acessível à população que se encontra fora do sistema bancário".

A democracia num táxi



José Saramago

O eminente estadista italiano que dá pelo nome de Silvio Berlusconi, também conhecido pelo apodo de il Cavaliere, acaba de gerar no seu privilegiado cérebro uma idéia que o coloca definitivamente à cabeça do pelotão dos grande pensadores políticos. Quer ele que, para obviar os longos, monótonos e demorados debates e agilizar os tramites nas câmaras, senado e parlamento, sejam os chefes parlamentares a exercer o poder de representação, acabando-se ao mesmo tempo com o peso morto de umas quantas centenas de deputados e senadores que, na maior parte dos casos, não abrem a boca em toda a legislatura, a não ser para bocejar. A mim, devo reconhecê-lo, parece-me bem. Os representantes dos maiores partidos, três ou quatro, digamos, reunir-se-iam num táxi a caminho de um restaurante onde, ao redor de uma boa refeição, tomariam as decisões pertinentes. Atrás de si teriam levado, mas deslocando-se em bicicleta, os representantes dos partidos menores, que comeriam ao balcão, no caso de o haver, ou numa cafeteria das imediações. Nada mais democrático. De caminho poderia mesmo começar a pensar-se em liquidar esses imponentes, arrogantes e pretensiosos edifícios denominados parlamentos e senados, fontes de contínuas discussões e de elevadas despesas que não aproveitam ao povo. De redução em redução confio que chegaríamos ao ágora dos gregos. Claro, com ágora, mas sem gregos. Dir-me-ão que a este Cavaliere não há que tomá-lo a sério. Sim, mas o perigo é que acabemos por não tomar a sério aqueles que o elegem.

Yeda "inaugura" reforma de guindaste

Empenhada em gerar uma “agenda positiva” em meio à onda de escândalos que marca seu governo, Yeda Crusius (PSDB) esteve hoje em Rio Grande inaugurando uma série de “obras”, como anunciou com destaque o site do governo do Estado. As “obras” seriam decorrentes de “investimentos” feitos pelo Estado. Quais são as “obras” e os “investimentos”?

A primeira refere-se à reforma do Armazém D-4 do porto de Rio Grande, que mereceu uma placa. A segunda foi a “inauguração” da reforma do guindaste 13 (esta, sem placa). Além destas, Yeda “acompanhou” a dragagem de manutenção (limpeza, desassoreamento) no cais do Porto Novo.

Na ânsia de inaugurar qualquer coisa, serviços são chamados de obras, despesas correntes (custeio) são transformadas em despesas de capital (investimentos). A reforma do guindaste 13 foi chamada de "obra de revitalização". Neste ritmo, a próxima inauguração da governadora pode ser alguma "obra de revitalização" (reforma) de uma empilhadeira ou de algum trator...Vale tudo pela “agenda positiva”...

Fonte: RS Urgente

Já vai tarde!!!


Precisou perder 3 Grenais para se darem conta do equivoco deste cidadão estar treinando o Grêmio. Até que enfim vai embora, apenas espero que não seja tarde demais para salvar o time na libertadores.

Fogaça gasta cerca de R$800 mil só com propagandas


A prefeitura de Porto Alegre publicou nesta terça-feira (31/3), cerca de cinco páginas de publicidade nos principais jornais da Capital. De acordo com levantamento elaborado pela Bancada do PT, foram quase R$800 mil gastos com a propaganda sem nenhum caráter informativo.

Para a vereadora Maria Celeste (PT), está clara as ações para o futuro candidato ao governo do Estado em 2010. "É uma propaganda claramente eleitoreira, sem caráter de informação das atividades da prefeitura. Isto vai contra a legislação vigente", argumentou.

Confira abaixo a íntegra dos custos que a prefeitura teve apenas com a propaganda:


Zero Hora – R$ 55.510,00 (por página)
R$ 277.550, 00 (5 páginas compradas pela prefeitura)

Correio do Povo – R$ 68.380,00 (por página)
R$ 341.900,00 (5 páginas compradas pela prefeitura)

Diário Gaúcho – R$ 29.802,50 (por página)
R$ 149.012,50 (5 páginas compradas pela prefeitura)


TOTAL: R$ 768.462,50

São quase R$800 mil reais em apenas um dia. Com estes recursos, o Município poderia formar mais de quatro equipes de saúde da família ou construir dois postos de saúde na cidade.