FSM 2009 abre inscrição para participantes individuais

Estão abertas as inscrições de participantes individuais para o Fórum Social Mundial 2009. Participantes que se inscrevem pelo site, a partir do Brasil, devem automaticamente gerar e imprimir o boleto bancário disponível no site e efetuar o pagamento.
Já para as inscrições, via on-line, dos participantes que estão fora do Brasil, recomendamos que o pagamento seja feito posteriormente. Neste caso, será necessário guardar o número e a senha da inscrição enviados por e-mail, para retornar a sua ficha no site http://inscricoes.fsm2009amazonia.org.br/ e realizar o pagamento.

Em breve estará disponível o pagamento para organizações e indivíduos de fora do Brasil.
A data será divulgada em nosso site.

Valores

O valor da inscrição individual é de R$ 30,00, para o Brasil. Indivíduos dos países do Norte Geopolítico pagam 60€ (euros) e demais países 15€ (euros)

Procedimento


Para fazer a sua inscrição como participante individual- Acesse a página de inscrições do FSM 2009: http://inscricoes.fsm2009amazonia.org.br- Clique no link Participantes Individuais- Preencha ficha de inscrição e clique em salvarAtenção: no campo e-mail – digite apenas um (01) endereço de e-mail- Após salvar a ficha, é possível gerar e imprimir o boleto bancário (para pagamentos a partir do Brasil).IMPORTANTE: Não esqueça de guardar o comprovante do pagamento e levá-lo, juntamente com seu número de inscrição e identidade, para o credenciamento do evento.

Saramago: 'Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo'

De passagem no Brasil para inaugurar a exposição A Consistência dos Sonhos e lançar seu mais recente romance, A Viagem do Elefante (Cia das Letras), o escritor português José Saramago mostrou na terça-feira que o pessimismo tomou conta de seus sonhos. Ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1998, Saramago falou com jornalistas por mais de uma hora no Consulado de Portugal. A certa altura da conversa, declarou: “Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo”.
Para o autor de Ensaio Sobre a Cegueira, não há alternativas políticas, e a esquerda não está organizada. Hábil com as palavras, em vez de responder perguntas, foi Saramago quem elaborava questões. “Nessa longa história da humanidade, em que ponto tomamos uma direção errada que nos levou ao desastre que estamos hoje, do qual somos responsáveis? A literatura pode salvar o mundo? Mas salvar o mundo como? Principalmente depois de tudo o que já se escreveu. Como não conseguimos mudar o rumo de nossas vidas?”

Depois de instaurar a perplexidade, o escritor continuou as provocações, sinalizando que a saída é a transformação individual — para mudarmos a vida, é preciso mudarmos de vida. “Quantos delinqüentes existem no mundo? A violência já atingiu o nível da barbárie. A corrupção chegou a tal ponto que é um problema de linguagem”, afirmou.

“A palavra bondade hoje significa qualquer coisa de ridículo. É preciso conquistar, triunfar. Ninguém se arrisca a dizer que seu objetivo é ser bom. Querer se bom em uma época como esta é se apresentar como voluntário para a eliminação. Como chegamos a isso?”, acrescentou Saramago.

A Viagem do Elefante é, entre tudo o que escreveu, a obra em que há mais humor, disse o escritor. “A história pedia isto. Mesmo eu tendo parado de escrever o livro quando fiquei doente, não deixei em nenhum momento que transparecesse na obra que se tratava de um livro de um escritor à beira da morte.”

O lançamento do livro, com a presença de Saramago, acontece nesta quarta-feira, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, e as na quinta-feira (27), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, com uma leitura da atriz Sandra Corveloni.

Saramago se lembrou de um tempo em que a literatura brasileira era tão conhecida em Portugal quando à literatura portuguesa. “Agora desapareceu. Não sei por quê. O governo ou as editoras deveriam fazer algo. Mas creio que Portugal está muito bem representado em termos de literatura no Brasil e seria certo reequilibrar isso.”

Já A Consistência dos Sonhos — exposição que reúne mais de 1.200 documentos de Saramago, entre manuscritos, primeiras edições, agendas, fotos e material audiovisual — foi organizada por Fernando Gómez Aguilera. Após dois anos de pesquisa entre o acervo e acesso a todo o material do escritor, Aguilera selecionou as preciosidades que retratam a vida e o trabalho do escritor.

A mostra será aberta para convidados na noite de 28 de novembro, com a presença de Saramago, e fica em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 15 de fevereiro com entrada franca.


Fonte: Vermelho

Brasil tem 455 cidades sem médicos


Fábio Mesquita


A Global Health Workforce Alliance lançou a estarrecedora informação que 8,2% das cidades brasileiras não contam com um único médico.
A Global Health Workforce Alliance (GHWA) é uma coalisão de diversas entidades do setor saúde e de educação na àrea de saúde, prestadores, de serviços, ongs, governos, entidades de cooperação internacional, e agências da ONU, que luta por um número razoável de profissionais de saúde para atender à população mundial. A OMS é mebro da Alliance e hospeda sua homepage, mas dentre outros, o Secretário Nacional de Recursos Humanos do Ministério da Saúde do Brasil, Francisco de Campos, é membro. Mais detalhes ver na webpage: http://www.who.int/workforcealliance/en/
Sabemos que a atenção à saúde não se faz só com médicos, mas certamente este profissional é chave na equipe de saúde. Além da falta de médicos em TODOS os estados brasileiros, o relatório revela ainda a falta de especialistas em Hospitais importantes de Capitais Brasileiras e aponta falta de médicos nas periferias da Cidade de São Paulo e outros grandes centros urbanos.
A Alliance, preconiza vàrios outros aspéctos da força de trabalho médico, incluindo a qualidade da prática médica, a necessidade de reciclagem permanente dos profissionais existentes, dentre outros assuntos. O Ministério trabalha para reverter este quadro com a ampliação da estratégia do PSF, Este é um bom sinal, mas talvez não suficiente. Os fatores que se associam a este problema são entre outros: o acesso às escolas médicas não é democratico e não representa todos os setores que precisam de médicos; o curriculum das escolas médicas do Brasil não é voltado para a prática de medicina comunitária; não há incentivo no Brasil para médicos que queiram se fixar em cidades pequenas (os contratos, mesmo os novos mais vantajosos, são temporários e sem garantia trabalhista); as entidades médicas praticamente proibiram a abertura de novas escolas médicas no Brasil com o argumento de que somos muitos; e medicos que prestam excelentes serviços em àreas remotas de países em desenvolvimento como os médicos Cubanos, são impedidos pelas mesmas entidades de exercerem sua profissão no Brasil. Sobre o argumento de direto individual de livre escolha de mercado, não há nenhum programa que faça com que pessoas que estudaram medicina e outras àreas de saúde em Universidades Públicas revertam para a sociedade seu trabalho em prol da comunidade por um tempo depois de formados, como ocorre em vários países do mundo.
A carência do Brasil está longe da carência de países da Africa ou de alguns países da Àsia, mas é preciso e possível fazer algo mais para equacionar este problema histórico. Será necessária uma conjunção de Ministério da Saúde, Educação, Escolas Médicas, Entidades Médicas, Conselho Nacional de Saude, e outros movimentos sociais mais independentes para melhor equacionar este problema.

Humor


Autor: Tacho

A crise da extrema esquerda

Emir Sader



Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o cenário político nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extrema esquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação em torno de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito em São Paulo e no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores do que as que tiveram como candidatos a deputados, sem falar na diferença colossal em relação à candidata à presidência, apenas dois anos antes – são a expressão eleitoral, quantitativa, que se estendeu por praticamente todo o país, do esgotamento prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógica clara, mas esbarrou cedo em limitações que o levam a um beco difícil, se não houver mudança de rota.
A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria romper nenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear o ataque especulativo, medido pelo "risco Lula" -, a nomeação de Meirelles para o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo – desenharam o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída do PT de setores de esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente, em que a presença hegemônica de Palocci fazia primar os elementos de continuidade com o governo FHC sobre os de mudança – estes recluídos basicamente na política externa diferenciada e em setores localizados – e a reiteração de um governo estritamente neoliberal davam uma imagem de um governo que era considerado pelos que abandonavam o PT, como irreversivelmente perdido para a esquerda.
O dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberal dentro do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar a formação de uma nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição de um núcleo socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, para discutir amplamente os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerda do PT, como se poderia prever que ela seria engrossada por setores amplos, caso a orientação inicial do governo se mantivesse.
Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O primeiro, a precipitação na fundação de um novo partido – o Psol -, com o primeiro grupo que saiu do PT – em particular a tendência morenista – passando a controlar as estruturas da nova agremiação. Isto não apenas estreitou organizativamente o novo partido, como o levou a posições de ultra-esquerda, responsáveis pelo seu isolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas eleições de 2006 agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma posição de eqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante foi o de que o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além de mantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda, neutralizando a amplos setores do movimento de massas. Portanto deveria ser derrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. O governo Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da nova agrupação.
Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no Parlamento, mas consolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o bloco tucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e à reeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidata do Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mas comprometia a imagem do partido com uma campanha despolitizada e oportunista, em que a caracterização do governo Lula não se diferenciava daquela feita na campanha do "mensalão". Como se poderia esperar, apesar de algumas resistências, a posição no segundo turno foi a do voto nulo, isto é, daria igual para o novo partido a vitória do neoliberal duro e puro Alckmin ou de Lula. (Se tornava linha nacional oficial o que já se havia dado nas primeiras eleições em que o Psol participou, as municipais, em que, por exemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e Fogaça, no segundo turno, se afirmou que se tratava da nova direita contra a velha direita e se decidiu pelo voto nulo.)
Uma combinação entre sectarismo e oportunismo foi responsável pelo comprometimento da orientação política do novo partido, que o levou a perder a possibilidade de formação de um partido à esquerda do PT, que se aliasse a este nos pontos comuns e lutasse contra nos temas de divergência. O sectarismo levou a que sindicatos saíssem da CUT, sem conseguir se agrupar com outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se dispersando no isolamento. Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra o governo em tudo – até mesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do governo – como a política internacional, entre outras. Esta se dá porque o governo brasileiro tem estreita política de alianças com as principais lideranças de esquerda no continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia -, que apóiam o governo Lula, o que desloca completamente posições de ultra-esquerda – que se reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil nesses países -, deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a integração continental.
Por outro, o governo Lula passou a outra etapa, com a saída de vários de seus ministros, principalmente Palocci, conseguindo retomar um ciclo expansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de distribuição de renda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento como central – deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -, avançando na recomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o nível do emprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos. A caracterização do governo Lula como expressão consolidada do neoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo – reedição de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchez de Losada – se chocava com a realidade. Economistas da extrema esquerda continuaram brigando com a realidade, anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda ordem, tentando resgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis do governo, tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo FHC, reduzindo as políticas sociais a "assistencialismo", mas foram sistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento total dos que pregam essas posições desencontradas com a realidade.
O isolamento dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em que todas as correntes de ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendência política, revelando como estão afastadas da realidade, do sentimento geral do povo, dos problemas que enfrenta o Brasil e a América Latina. As políticas sociais respondem em grande parte pelos 80% de apoio do governo,rejeitado por apenas 8%. Para a direita basta a afirmação do "asisistencialismo" do governo e da desqualificação do povo, que se deixaria corromper por "alguns centavos", mas a esquerda não pode comprá-la, por reacionária e discriminatória contra os pobres.
Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e contato com a realidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico, sequer constatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que se fizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassem de pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de que representam uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo. (Marx dizia que a pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não se autocrítica, não coloca em questão sua orientação, acredita apenas que o povo ainda não está maduro para sua posições, definidas essencialmente como corretas, porque corresponderiam a textos sagrados da teoria.)
Não fazer um balanço das derrotas, não se dar conta do isolamento em que se encontram, da aliança tácita com a direita e das transformações do governo Lula – junto com as da própria realidade econômica e social do país –, da constatação do caráter contraditório do governo Lula, que não deveria ser se inimigo fundamental revelariam a perda de sensibilidade política, o que poderia significar um caminho sem volta para a extrema esquerda. Seria uma pena, porque a esquerda brasileira precisa de uma força mais radical, que se alie ao PT nas coincidências e lute nas divergências, compondo um quadro mais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia, que faria bem à esquerda e ao Brasil.

Biocombustíveis, não por acaso

Marina Silva

Gandhi disse ser muito difícil medirmos todas as conseqüências de nossa ação, mas que, se não agirmos, nunca poderemos medi-las. O Brasil está sendo medido, na questão dos biocombustíveis, porque agiu. Há mais de 30 anos iniciamos a trajetória que resultou no etanol de cana-de-açúcar e numa experiência e conhecimentos acumulados únicos no mundo. Apostamos na tecnologia, tivemos competência para viabilizá-la em escala comercial e a transformamos em janela de sustentabilidade na produção de energia, até que os biocombustíveis de segunda geração se imponham.

Não por acaso estamos sempre em foco quando se fala de biocombustíveis. Não por acaso a conferência internacional, encerrada na semana passada em São Paulo, atraiu representantes de governos, cientistas, técnicos e organizações da sociedade de mais de cem países. O Brasil foi repetidamente citado pelos participantes como referência no tema.

Partindo desse patamar positivo, deveríamos estar à vontade para enfrentar críticas, até porque elas ajudam a identificar problemas e desafios para aperfeiçoar a cadeia produtiva dos biocombustíveis no país. Mas, como se viu na conferência, ainda há quem se incomode com esse debate, por trás do argumento de que críticas externas são manifestações da agenda oculta de interesses comerciais competidores.

Em respeito a nossas próprias conquistas, é preciso valorizar a discussão dos problemas, quando eles são reais. Do esforço para superá-los é que se alimentará a posição brasileira de vanguarda no setor. Afinal, o que nos interessa não é propaganda, e sim uma nova narrativa para nossa produção, em momento de crise ambiental global.Antes, a maioria das pessoas adotava apenas critérios técnicos e estéticos para escolher produtos.

Havia pouca ou quase nula preocupação pelas condições ambientais e sociais neles embutidas. Agora, cresce o número dos que exigem mais do que tecnologia e design; querem valores humanos e ambientais. Deveria ser de nosso interesse estimular essa postura de consumo, para quaisquer produtos e especialmente para os biocombustíveis, que tem um DNA brasileiro tão forte.

As críticas externas e internas terão sempre uma certa margem de contaminação pelos diferentes interesses em jogo, mas não podem ser tomadas, por isso, como ruído indesejável. Em mais de 30 anos, seria quase impossível não se ter formado um passivo. Enfrentá-lo significa estabelecer um ponto de inflexão atualizado e estratégico para manter, em novos termos, a enorme vantagem comparativa alcançada.

Artigo originalmente publicado na Folha de SP de 24/11/08

Em Porto Alegre, professores fazem vigília no Piratini


Professores da rede pública estadual iniciaram, nesta quarta-feira (19), uma vigília em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS). Eles exigiam uma reunião com o governo do estado, a fim de negociar o corte do ponto.
No final do dia, representantes do governo e da Secretaria Estadual de Educação receberam lideranças do Cpers Sindicato no Centro Administrativo. No entanto, depois de quase duas horas de reunião não houve acordo. O governo quer descontar o ponto dos grevistas.
A presidente do Cpers Sindicato, Rejane de Oliveira, reclama que a secretária Mariza Abreu quer penalizar os professores por causa da greve. Ela não vê outro motivo para descontar os dias parados, pois as aulas serão recuperadas. Também defende a retirada do projeto da Assembléia.
"Já fizemos todos os movimentos necessários, a Assembléia Legislativa já fez todos os movimentos necessários para nos dar a garantia de que não votarão o projeto. Portanto, esse projeto já foi derrotado. Cabe agora ao governo retirá-lo e negociar com a categoria", diz.
Com a decisão, a secretária Abreu cumpre o decreto recentemente assinado pela governadora Yeda Crusius, de que iria cortar o ponto de grevistas.
A vigília iniciou às 8h30. Além do protesto, os professores também foram à Assembléia Legislativa arrecadar mais adesões de deputados a fim de não votar o projeto do piso enviado pela governadora. Até o momento, 34 deputados e todas as bancadas dos partidos se comprometeram a não aprovar. Os trabalhadores devem seguir mobilizados.
Cartum: Bier
Texto: Agência Chasque

Brasil está assumindo mais sua negritude

Em pesquisa divulgada peloInstituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta para o "escurecimento da população brasileira" nos últimos dez anos. Segundo o instituto, o que ocorre não é que o Brasil esteja se tornando uma nação de negros, mas está se assumindo como tal. As pessoas, revela a pesquisa, passaram a ter menos vergonha de se identificar como negras e deixam de se “branquear” para se legitimar socialmente.
Leia a integra dessa interessante matéria clicando aqui

Salvar quem tem fome de comida ou quem tem fome de poder?


Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá
sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problemada fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que
sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da
cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para
salvar da fome de quem já estava de barriga cheia.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs enão na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar. Sequiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo
Charge: Eugênio
Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.

Primavera na Bolívia

Emir Sader

Tendo tido o privilegio de estar aqui durante a campanha eleitoral que culminou com a eleição de Evo Morales, em dezembro de 2005, tendo voltado para a sua posse, em Tiahuanaco, junto aos povos originários, no dia seguinte para a cerimônia oficial em La Paz, pude retornar regularmente para acompanhar o extraordinário processo revolucionário boliviano. Volto agora, na primavera de 2008, 8 anos depois que os movimentos indígenas deram inicio a este processo, com a "Guerra da água", que impediu a sua privatização e expulsou a empresa francesa que pretendia privatizá-la. Um processo tão formidável que, depois de cinco anos de lutas, de sublevações populares, desembocou na eleição de Evo Morales à presidência da Bolívia. E agora dá inicio à refundação do seu Estado.
O primeiro sintoma de como avançou o processo revolucionário boliviano pode ser visto no que seria o maior reduto opositor – em Santa Cruz de la Sierra – por onde todos os vôos passam. O principal jornal local, El Deber, reflete o desconcerto opositor com a vitória de Evo e do governo nas eleições de agosto, com 67% dos votos e a aprovação do acordo para a convocação da consulta, em 25 de janeiro, sobre o novo projeto de Constituição. O melhor sintoma da derrota de um campo é a divisão de suas forças, exatamente o que acontece agora, com os conflitos entre os prefeitos dos estados opositores e os partidos da oposição no Parlamento, com estes chegando a um acordo com o governo e deixando aos governadores isolados. Vários artigos deploram a "traição" de Podemos e do MNR, enquanto afirmam que a frente do governo está unida. Seguirão divididos entre votar a favor da nova Constituição, votar contra ou abster-se, facilitando o caminho da vitória do governo.
Outro sintoma do restabelecimento da normalidade está no desenrolar tranqüilo do recadastramento dos eleitores para a consulta constitucional de janeiro – na Bolívia os que não votaram, que desta vez foram o menor índice até aqui, porque 86% compareceram a votar, tem que se inscrever de novo -, salvo em Pando, onde ainda reina o estado de sitio, depois do massacre de setembro dirigido pelo governador, que está preso e submetido a processo. A oposição batalha para a suspensão do estado de sitio e pela soltura do governador – bandeiras claramente defensivas, depois de uma batalha perdida.
No televisor do aeroporto de Santa Cruz – chamado Viru-Viru, principal ponto de saída de imigrantes – se anuncia reiteradamente que "Ninguém é ilegal", que alguém pode estar na situação de ser indocumentado, mas não é, por essa razão, ilegal. Em seguida se divulgam os critérios para obter documentos, ressaltando-se no final que a Bolívia é um território livre para receber a todas as pessoas que queiram vir ao país ou para bolivianos que queiram retornar.
Da ampla janela do hotel se vê grande parte de El Alto, a cidade plebéia que cerca La Paz, a 4 mil metros de altura, povoada por grandes contingentes indígenas que mantêm seus valores, suas formas de vida, constituindo-se no mais forte bastião de apoio a Evo Morales, onde este obteve seus índices mais altos de apoio, próximos a 90%. Foi a população de El Alto a principal protagonista das mobilizações que levaram á renuncia de Sanchez de Losada, cujo governo exerceu forte repressão antes de ir embora, tendo como resultado a 80 mortos altenhos, pelo que Sanchez de Losada é solicitada sua extradição dos EUA, onde está refugiado, pela Justiça boliviana.
La Paz parece uma cidade tranqüila, depois de momentos de intensas mobilizações e tensões nos últimos meses. A Bolívia de Evo Morales vive uma linda primavera. Pode ser a paz entre suas tempestades, mas já não será como o que a Bolívia viveu nos últimos meses. O governo se consolidou, contando com a aprovação da nova Constituição em 25 de agosto, podendo subir seu índice de apoio dos 67% atuais para mais de 70%, confirmando a possibilidade de releeição de Evo em dezembro e avançando na construção do novo Estado boliviano. Um belo sol ilumina La Paz.
O processo boliviano abre caminho para uma nova estratégia revolucionária no continente, produzindo um verdadeiro deslocamento do poder a novos e amplamente majoritários setores sociais e étnicos. O novo Estado boliviano refletirá esse novo bloco de forças no poder.

Empreendedores x escória: escolha seu lado

Como já era esperado, a bancada do cimento venceu a votação do projeto do Pontal do Estaleiro por 20 votos a 14. Quem assistiu à sessão da Câmara de Vereadores viu que os empreendedores da capital gaúcha já têm seus campeões no parlamento municipal: edis da estirpe de Haroldo de Souza, Brasinha e Nereu D’Ávila que chamou os opositores ao projeto do Pontal de “escória” da cidade. Ficou tudo muito claro. Ou se está do lado da “escória”, ou se está com Haroldo de Souza (sic), Brasinha (sic), Nereu D’Ávila (sic) e grande elenco.

Todos eles repetiram juras de amor por Porto Alegre. Mais ainda pelos empresários da construção civil, sempre dispostos a sacrificar seus lucros pelo interesse público. Um capítulo comovente da sessão desta quarta-feira foi a mobilização da RBS em torno do caso. Certamente, não tem nada a ver com o braço de negócios imobiliários da empresa. Puro interesse jornalístico.


texto: Marco

A Orla é nossa! Não ao projeto Pontal do Estaleiro

No dia 12/11 (quarta-feira), às 14h, na Câmara de Vereadores, estará na pauta de discussão e votação o projeto Pontal do Estaleiro. Projeto que vem sido tocado de forma atropelada e contrariando os interesses gerais da população para favorecer apenas a grandes empresários.
Por isso, estamos chamando a todos e todas comparecerem no dia 12/11 (quarta-feira), a partir das 13h30, no plenário da Câmara de Vereadores, para dar apoio a Bancada de Vereadores do PT contra este projeto nocivo aos interesses da maioria da população de Porto Alegre. Abaixo reproduzo nota pública em que a bancada e o partido expõe as suas posições.


A Orla é nossa!

Não ao projeto Pontal do Estaleiro



Definir os rumos para a Orla do Guaíba é papel de toda a sociedade. Respeitar suas características e limitações urbanísticas, sociais e ambientais é dever de todo o cidadão. O projeto Pontal do Estaleiro, que prevê a construção de um complexo arquitetônico na região do antigo Estaleiro Só - Área de Interesse Cultural -, está na contramão destas prerrogativas. É notório o favorecimento próprio de grandes empreendedores em detrimento dos interesses da comunidade.

Paira sobre a proposta uma série de óbices como vícios de iniciativa, desconsideração de comissões temáticas, como a de Meio Ambiente e de Urbanização e Transportes, relatorias indevidas, como no caso da tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e da falta de diálogo com o Conselho Regional de Planejamento.

O projeto pretende ampliar em 50% o índice construtivo das edificações e aumentar drasticamente a altura dos empreendimentos na beira do Guaíba. É revoltante a tentativa de alterar o Plano Diretor do município apenas para favorecer um único empreendedor com interesses privados. A Orla é e sempre será de toda a cidade. Uma área com ordenamento sustentável, com prioridades para um ambiente natural e paisagístico, com acesso universal e com qualidade de vida.

Votação na Câmara

O papel de alguns vereadores da Câmara Municipal também merece total repúdio. A defesa do projeto na Casa vai na contramão da impessoalidade e da moralidade – princípios básicos dos agentes públicos. A especulação imobiliária e a avidez dos grandes empreendedores mais uma vez irrompem contra a coletividade. Trata-se de um mega empreendimento cujo retorno para a cidade será pequeno demais se comparado ao lucro dos grandes investidores. Um projeto desta amplitude muda o regime urbanístico, agride o meio ambiente e gera conseqüências imensuráveis. Além disto, Porto Alegre poderá ver, mais uma vez, a elite da cidade ocupando espaços privilegiados de moradia e bem-estar.

O que querem?

O empresário quer investir na região para construir prédios de luxo com a construção de quatro edifícios residenciais (cada um do tamanho aproximado do Hospital de Clínicas), uma torre comercial, um hotel e uma marina. Além de desfigurar a paisagem, isso vai trazer transtornos à Zona Sul da cidade, como impacto ambiental e engarrafamentos.

O que gerará?

1 – Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região. As construções formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos e da luz do sol para a vizinhança.

2 – O projeto trará problemas de trânsito na Avenida Padre Cacique, que terá aumento de fluxo de veículos pela inauguração do Barra Shopping Sul.

3 – A construção deste empreendimento inviabiliza a construção de um grande parque. As orlas de todas as cidades não podem estar acessíveis apenas aos moradores e freqüentadores dos estabelecimentos ali localizados.

4 – É negligente e antiético desrespeitar a legislação, sacrificar o bem-estar da maioria da população e favorecer a ganância de uma minoria.


Vereadores e Vereadoras da Bancada do Partido dos Trabalhadores

Executiva Municipal do PT

Governo Yeda esconde os indices da segurança pública

A segurança pública em nosso estado nunca esteve em um momento tão delicado. Se não bastasse a truculência e a tentativa de criminalização dos movimentos sociais por parte do Governo Yeda através do Cel. Mendes, a nova saída para os problemas de criminalidade no Rio Grande do Sul é a omitir os dados.
O secretário estadual de Segurança Pública, general Edson Goularte, em uma entrevista à rádio Gaúcha defendeu e justificou a omissão dos dados sobre a violência no Estado. Segundo ele, a não divulgação dos índices de criminalidade faz parte de uma estratégia para melhorar a segurança da população. "O medo é que as ações que estão programando não surtam efeito e que os bandidos comecem a atuar em outras áreas", afirmou o secretário.Naquela mesma manhã, um grupo de homens armados tentou assaltar um carro-forte em Farroupilha, fazendo dez reféns. Não por coincidência, logo após a entrevista, a emissora repetia informação sobre a morte de dois jovens em uma parada de ônibus em Canoas. O que dá mostras do quão acertada esta sendo esta estratégia de "varrer a sujeita para debaixo do tapete".
A pergunta que fica é, será que na verdade esta ópção por esconder os dados da segurança não seria uma forma de admitir a incompetência na área?

E agora, o que fazer com tantos eucaliptos plantados?


Paulo Mendes Filho.
A pressão pelas papeleras mobilizou o governo Yeda desde o início do mandato. Por conta dessa pressão foi atropelado o Zoneamento Ambiental da Silvicultura, produto bem acabado, de vários cientistas, professores, trabalhadores da Fepam e da Fundação Zoobotânica.
Estivemos presentes em todas as audiências públicas organizadas pela FEPAM, Força Sindical e papeleras. Assistimos, em minoria, a força organizada do monopólio dos eucaliptos, defensores das empresas que repudiavam o zoneamento ambiental e prometiam milhares de empregos a partir da liberação do plantio.
Com fortes argumentações pró-desenvolvimento estes setores organizados defensores manifestavam-se a favor do crescimento do estado. Em seus discursos inflamados de certeza lembravam a perda da Ford, dos empregos e, de maneira taxativa, contabilizavam ao PT e ao Governo Olívio esta derrota. Pois bem, passado quase um ano daquele fervoroso debate assistimos perplexos a desistência destas multinacionais, em especial da Aracruz que prometeu uma super ampliação da Fábrica de Guaíba.
E agora? Depois de terem mudado o zoneamento, depois de plantarem as mudas, depois de incentivar milhares de agricultores dos benefícios de plantar eucaliptos em detrimento da pecuária e da agricultura, depois de prometer milhares de novos empregos, estas poderosas empresas decidem abandonar o barco, não querem mais brincar porque perderam fortunas no cassino financeiro. Ou seja, NÃO vão investir MAIS no Rio Grande do Sul.
Quantas pessoas de bem acreditaram no projeto e se lançaram na expectativa do ouro verde? Quantos empregos sonhados? Quantos prefeitos mobilizados e motivados com a expectativa da geração de empregos? Quanta desgraça ambiental já concedida por conta do argumento destes empregos de papel? Quanta área de plantio de alimento trocada por estes paus de eucaliptos? E aí, vão embora e dizem que NÃO FICAM.
Aonde estão os defensores dos empregos, aqueles que acusavam os ambientalistas de mandar embora as papeleras? Como justificar que a Aracruz não vai investir na metade sul. E o povo de Guaíba que chorou a perda da Ford e culpou inocentemente o Governo Olívio, está culpando a Yeda e a sua base política pela perda da Aracruz?
E agora, o que fazer com tantos eucaliptos plantados? Quem sabe algum dos deuses da natureza escreveu certo por linhas tortas. Quem sabe não é a hora de rever a política de silvicultura, voltar no tempo, informar os riscos para que outros não entrem nessa fria. Socorrer os que foram passados para trás pelas multinacionais, disponibilizar uma linha de crédito para arrancar estes tocos da terra e por fim incentivar através da EMATER para que os agricultores voltem para a sua vocação original, produtores de alimentos e não de celulose.
artigo retirado do site PTSul

Boneco gigante de Lego aparece de surpresa em praia britânica


Um boneco de Lego gigante apareceu misteriosamente na praia britânica de Brighton, nesta quinta-feira (3), causando espanto à população local. O brinquedo de plástico, que mede cerca de 1,8 metro, é amarelo, tem calça vermelha e blusa verde. “É muito estranho, só deus sabe como ele veio parar aqui. Alguns dizem que veio da Holanda, pois ele tem palavras escritas em holandês. Deve ter caído de um barco”, disse Gerry Turner, 34, que mora em Brighton.

Segundo a publicação “Daily Mail”, um porta-voz da cidade afirmou que a prefeitura não faz idéia da origem do Lego e que não se opõe em manter o boneco no mesmo lugar. “Será interessante ver quanto tempo ele fica lá. Vamos ficar de olho”, disse.

Essa não é a primeira vez que um boneco gigante desse tipo aparece na praia. O modelo encontrado em Zandvoort (Holanda) no ano passado tinha 2,5 metros. Na ocasião, também não souberam explicar de onde surgiu o brinquedo.

Ato reuniu mais de dois mil estudantes na UCS

0s estudantes da UCS deram uma demonstração de força em 2008. Há 8 dias ocuparam o Galpão da UCS em uma vigília para tentar barrar o aumento das mensalidades. A ocupação é um ato extremo como também era extremo a falta de compromisso da Universidade para com as reivindicações dos acadêmicos. Durante um ano o DCE reuniu com a reitoria, tentou compor comissões e em nenhum momento essas discussões resultaram em avanços, muito antes pelo contrário, a Reitoria usou da sua gigantesca maioria nos conselhos para empurrar goela abaixo sua política.
Cansados dessa situação os estudantes protagonizaram um grande ato no dia 28 de outubro. A UCS parou no turno da noite. Uma manifestação, que chegou a mobilizar 2.000 estudantes percorreu todos os blocos da universidade dialogando com os estudantes, que muitas vezes constrangidos pelos professores continuavam em sala de aula. O resultado da mobilização foi o término das aulas no turno da noite e uma grande concentração na frente da reitoria, onde foi entregue um manifesto com as reivindicações dos estudantes.
Saiba mais acessando aqui

Nossa Carta a Obama

Retirado do site Carta Maior e que este blog apoia integralmente:


O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.
Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.
Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.
Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.
Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.
Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.
Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.
Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.
Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.
Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.
Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.
(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)

Campanha convoca homens a lutar pelo fim da violência contra a mulher

O governo brasileiro lançou nesta sexta-feira (31) a campanha Homens Unidos pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. Com isso, o país é o primeiro a aderir a campanha mundial, criada em fevereiro desse ano, pela Organização Nações Unidas (ONU), para mobilizar a população masculina em torno do problema.

No Brasil, uma mulher é espancada a cada 15 segundos. No mundo, uma a cada três mulheres já foi espancada, estuprada, escravizada ou sofre algum tipo de violência. Os dados são da Fundação Perseu Abramo e da Anistia Internacional, respectivamente.

A campanha brasileira consiste na utilização do site www.homenspelofimdaviolencia.com.br para reunir assinaturas de homens que queiram participar da iniciativa. A meta é atingir 90 mil adesões. O endereço eletrônico será distribuído a redes, sindicatos, associações, comunidades e instituições e assinaturas também são coletadas em grandes eventos públicos.

No site, já constam as assinaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do Congresso Nacional, Garibaldi Alves, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, e também do ex-jogador da seleção brasileira de futebol, Raí.

Durante a solenidade de lançamento da campanha, em Brasília, a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Alana Armitage, destacou que Lula foi o primeiro presidente a responder à chamada da ONU com campanha específica voltada aos homens. "Os homens precisam ajudar para que haja zero tolerância da violência contra as mulheres."

Para a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, as situações de violência contra a mulher não podem ser vistas como eventualidades. “A violência contra a mulher não é causada porque um homem perde a cabeça ou chega em casa embriagado, não é briga de casal. É violência sistemática, onde um detém o poder sobre o outro, numa relação desigual", afirmou Nilcéia.

Para a representante do Fundo para o Desenvolvimento das Nações Unidas (UNIFEM), Ana Falú, o combate ao problema passa por uma mudança cultural. "A violência contra as mulheres é um tema público e não privado, que deve ter como premissa a uma mudança na cultura masculina. Só assim acabaremos com este flagelo".

O coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Pedro Chequer, foi o nono homem a assinar a lista brasileira. Ele acredita que a mudança cultural não deve também do ponto de vista da mulher e não apenas na perspectiva masculina. “Em vários países há, por parte da mulher, uma perspectiva cultural de aceitar a violência masculina como justa e natural”, explica Chequer.A campanha mundial “Unite to End Violence Against Women”, convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em fevereiro deste ano, dura até 2015.

Humor


Autor: Ahmet Aykanat (Turquia)

Senadora tucana quer acabar com meia-entrada nos feriados e fins de semana

Um projeto em discussão no Senado Federal pode alterar a forma como a carteirinha de estudante é utilizada atualmente para a compra de ingressos pela metade do preço. A proposta também vale para o benefício concedido às pessoas com mais de 60 anos de idade.

Entre outras coisas, o texto estabelece que a meia-entrada não valerá nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou nacionais. Para todos os outros eventos, como peças teatrais e shows, a meia-entrada não valerá de quinta-feira a sábado, se o projeto for aprovado. A proposta, que prejudica estudantes de todo país, é da senadora tucana Marisa Serrano (PSDB-GO).

O projeto também tenta coibir a emissão de carteiras de estudante falsificadas, criando um documento único, padronizado, de validade nacional: a Carteira de Identificação Estudantil. Cria ainda um Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil.
A proposta está pronta para ser votada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), sem data definida. Se passar pelo Senado, ainda será analisada pela Câmara dos Deputados.
No Senado, antes de chegar à Comissão de Educação, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com alterações ao texto original. Na Comissão de Educação sofreu mais mudanças, após a realização de várias audiências públicas com representantes dos estudantes e dos produtores culturais.
A relatora do projeto na Comissão de Educação é a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que apresentou um substitutivo à matéria original, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e incluiu a limitação dos dias em que a meia-entrada estará em vigor.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) é favorável ao documento único de identificação, mas é contra as restrições ao uso da carteirinha, como explica Lúcia Stumpf, presidente da entidade. "Esses pontos vão enfrentar a resistência da UNE, que é a favor do direito amplo e irrestrito conquistado pelos estudantes. Os senadores resolveram encaminhar dessa forma, mas vamos lutar para mudar isso."