Proibido exigir mais de meio ano de experiência


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem uma lei que proíbe aos empregadores, na hora de contratar um novo funcionário, exigirem do candidato experiência superior a seis meses em função semelhante. A proibição foi incluída na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e busca tornar o mercado de trabalho mais acessível aos jovens, ampliando as oportunidades profissionais.

A medida, que já está em vigor, divide especialistas. Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, embora esse tipo de iniciativa não gere emprego, servirá para tornar o mercado de trabalho mais competitivo. O empregador, acrescenta, passará a avaliar um leque mais amplo de pessoas à procura de oportunidades:


- Você aumenta as possibilidades de os jovens disputarem as vagas.


Segundo Pochmann, de cada 10 trabalhadores à procura de uma vaga, apenas dois têm algum tipo de experiência. E um em cada dois desempregados tem menos de 25 anos.


Na avaliação do consultor do Orçamento na área de Trabalho e Previdência da Câmara dos Deputados, Leonardo Rolim, a nova lei não terá efeitos práticos. Para ele, as empresas não vão se guiar por exigências legais e continuarão escolhendo o profissional mais experiente.


- É um dispositivo inócuo.


A empresa não vai exigir, mas na hora de selecionar vai optar por quem tem mais experiência, principalmente quando se tratar de uma área com oferta de mão-de-obra - explica Rolim, que defende políticas públicas de apoio à aprendizagem e ao estágio para aproximar mais as pessoas sem experiência dos empregadores.


Faltam dados sobre o público jovem, afirma economistaNa avaliação de José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, o desemprego é alto entre os jovens porque os empregadores não têm informação sobre esse tipo de público. Quando decidem arriscar, explica, pagam salários modestos para evitar perdas com baixa produtividade e custos de demissão:


- Com isso, os jovens passam mais tempo procurando emprego.


Uma medida que teria efeito prático, segundo o economista, seria reduzir os custos de demissão de jovens. Outra forma seria o governo aproveitar o resultados dos testes estudantis, com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para mostrar aos empregadores quem são esses candidatos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom o empregador tem a " faca e o queijo nas mãos" principalmente com tantos desempregados disponíveis.

Mas o que não acho correto é o grau de exigência atual além é claro da experiência.

Tem empresa que exige curso superior, dois idiomas, pós graduação para cargos abaixo de supervisão, e pior, conseguem vários candidatos dispostos à encarar pensando na promoção futura!

Assim hoje temos psicólogas e advogadas bilingues atendendo balcão de banco esperando "a promoção". Isto explica a petulância que às vezes percebemos no atendimento!