Governo Lula lança programa Territórios da Cidadania para enfrentar desigualdades

As regiões do país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) receberão a partir deste ano os principais programas do governo federal de forma integrada. A iniciativa, denominada Territórios da Cidadania, reunirá 135 ações de 19 ministérios que pretendem atender em 2008 cerca de mil municípios brasileiros. O programa de integração das ações do governo, com investimento previsto de R$ 11,3 bilhões, foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o programa Territórios da Cidadania vai ampliar as possibilidades de inclusão social e econômica de milhões de brasileiros que vivem nos municípios mais pobres do país.

Por esse motivo, de acordo com o presidente, o novo programa não irá substituir o Bolsa Família, mas servir como complemento das ações do governo voltadas para a redução das desigualdades.

“Eu não tenho pressa de acabar com o Bolsa Família. O Bolsa Família vai acabar no dia em que a sociedade brasileira conseguir construir as políticas de distribuição de renda, para que não precise mais da política do governo”, disse Lula.

Ainda numa referência ao Bolsa Família, Lula disse que os novo programa será o segundo passo para acabar com a pobreza no país.

O presidente lembrou que, em muitos lugares do país, principalmente naqueles distantes de áreas urbanas, ainda existem pessoas que não são beneficiadas com o Bolsa Família. “Espero que o Territórios faça essa complementação e que essa gente tenha mais espaço neste País”, disse.

Lula disse que, como o programa envolve 19 ministérios, os ministros terão de viajar muito, e incentivou que todos eles se dirijam aos locais atingidos pelo Territórios da Cidadania.

Agenda

Candidato comunista vence eleições presidenciais em Chipre

O candidato comunista Demetris Christofias venceu no domingo (24) o segundo turno das eleições presidenciais em Chipre, derrotando seu rival conservador, Ioannis Kasulides. Com a vitória, Christofias - que defende a retomada da negociação com os turcos sobre a divisão de Chipre - converteu-se no primeiro presidente de orientação comunista a assumir a chefia de Estado de um país da União Européia.
De acordo com os resultados oficiais, Christofias, de 61 anos de idade, obteve 53,45% dos votos, enquanto que o ex-chanceler Kasulides obteve 46,5%. Seu rival aceitou a derrota.
Os partidários de Christofias saíram às ruas de Nicósia para celebrar a vitória. "Quero enviar uma mensagem de amizade aos turco-cipriotas, a mensagem de um combate comum para reunificar nossa pátria e administrar nossos assuntos sem intervenção estrangeira", afirmou Christofias.
O presidente eleito já tinha reforçado sua condição de favorito ao receber o apoio do partido social-democrata Edek i del Diko, de centro-direita, do ex-presidente Tassos Papadoulos. "Deixo atrás de mim um país democrático no coração da Europa, mais forte do que nunca", declarou ao votar o ex-presidente, de 74 anos, cujo mandato de cinco anos foi marcado pela entrada da ilha na UE e a adoção do euro em 1º de janeiro.
Cerca de 516 mil eleitores compareceram às urnas, entre eles, pela primeira vez, 400 turco-cipriotas que residem no sul da ilha. Chipre está dividida desde 1974 entre a República de Chipre, que controla a região sul do território, e a República Turca do Chipre, ocupada pela Turquia e reconhecida apenas por Ancara. Em 2004, greco-cipriotas rejeitaram um referendo sobre um plano de reunificação apresentado pela ONU, que foi aceito pelos turco-cipriotas.

Carta de Fidel

Íntegra da carta de despedida de Fidel Castro:

"Prometi, no último dia 15 de fevereiro, sexta-feira,
que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse
para muitos compatriotas. A mesma adquire, desta vez,
a forma de mensagem.

Chegou o momento de postular e eleger o Conselho de
Estado, seu Presidente, Vice-presidentes e Secretário.

Desempenhei o honroso cargo de Presidente por longo de
muitos anos. No dia 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos cidadãos com direito a votar. A primeira Assembléia Nacional se constituiu no dia 2 de dezembro desse ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência. Antes havia exercido o cargo de Primeiro Ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da
imensa maioria do povo.

Conhecendo meu estado crítico de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de Presidente do Conselho de Estado no dia 31 de julho de 2006, que deixei nas mãos do Primeiro Vice-Presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das F.A.R. por méritos pessoais, e os demais
companheiros da direção do Partido e o Estado, não concordaram em me considerar afastado dos meus cargos apesar do meu precário estado de saúde.
A minha posição era incômoda frente a um adversário que fez de tudo o que é imaginável para se desfazer de mim e em nada me agradava satisfazê-lo.

Mais adiante retomei, novamente, o domínio total da minha mente, a possibilidade de ler e meditar muito, obrigado pelo repouso. Acompanhavam- me as forças físicas suficientes para escrever por longas horas, ao mesmo tempo que me ocupava com a reabilitação e os
programas pertinentes de recuperação. Um elementar sentido comum me indicava que essa atividade estava ao meu alcance. Por outro lado, sempre me preocupou, ao falar da minha saúde, evitar ilusões que, em caso de um desenlace pior, trariam notícias traumáticas para o
nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para a minha ausência, psicológica e politicamente, era minha obrigação depois de tantas anos de luta. Nunca deixei de assinalar que se tratava de uma recuperação “não isenta de riscos”.

Meu desejo sempre foi de cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer.

Aos meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger, recentemente, como membro do Parlamento, onde se devem adotar importantes acordos para o destino da nossa Revolução, lhes comunico que não aspirarei nem aceitarei – repito - não aspirarei
nem aceitarei, o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe.

Em breves cartas cartas dirigidas a Randy Alonso, Diretor do programa Mesa Redonda da Televisão Nacional, que, a meu pedido, foram divulgadas, se incluíam discretamente elementos desta mensagem que hoje escrevo, e nem o destinatário da missiva conhecia o meu propósito. Tinha confiança em Randy porque o conheci bem quando era estudante universitário de
jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos estudantes
universitários, do que era conhecido como interior do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se hospedavam. Hoje todo o país é uma imensa Universidade" .

Fidel Castro Ruz
18 de fevereiro de 2008.

A esperança vai vencer o medo: Para ganhar e governar Porto Alegre

Há praticamente 30 dias da data das prévias, o Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre vive um período de efervescência militante: debates, jantares, manifestos, emails, telefonemas, reuniões, buscam apresentar aos filiados(as) as pré-candidaturas de Miguel Rossetto e Maria do Rosário.

Neste cenário, predomina o bom debate político, a democracia interna, facilitados pelo alto nível das duas candidaturas. Isto não impede, no entanto, algumas situações onde as paixões se sobressaiam à razão, trazendo ao processo argumentos fora do tom ou até mesmo apelativos. Não é razoável, por exemplo, imaginar que militantes do PT possam ter "medo de Maria do Rosário", ou até de Miguel Rossetto. Medo tinha a Regina Duarte do Lula. E naquela época a militância do PT fez a esperança vencer o medo.


Tampouco é verdadeiro que as duas candidaturas são iguais e que a única diferença é o fato de Maria do Rosário estar à frente nas pesquisas eleitorais. Aliás, chega a ser ingênuo agarrar-se ao desempenho em "pesquisas eleitorais promovidas pela grande mídia", quando tantas vezes nosso Partido bradou publicamente contra este instrumento usado intencionalmente para prejudicar nossas candidaturas. E fundamental mesmo não é sair na frente. É, entretanto, chegar em primeiro com a maior vantagem possível.

Para esse resultado positivo importa, sim, a política de alianças que será desenvolvida, o programa de governo que será apresentado à sociedade e a capacidade de dialogar com os diferentes setores da população da cidade. São questões como estas que levam uma expressiva parte do PT – e não algumas forças – a apoiar a candidatura de Miguel Rossetto. Porque, antes de tudo, não basta ganhar Porto Alegre. Torna-se necessário garantir a vitória não de um nome, não de uma sigla, mas de um projeto político de esquerda, comprometido com a transformação social, com a participação popular e com a superação de todas as formas de desigualdade.

Nesse contexto, a trajetória política do companheiro Rossetto é uma contínua reafirmação destes princípios e das mais caras bandeiras petistas. Sendo assim, nesse quadro, não há resistência a candidatura de Maria do Rosário e sim uma preferência racional e consciente pela candidatura de Miguel Rossetto, que além de vínculos sólidos com Porto Alegre, contabilizou expressivas votações nas vezes em que concorreu a cargos eletivos. Rossetto, em Porto Alegre, conquistou ainda uma votação maior a cada eleição que participou!

Sem dúvida, o PT não é imune a cultura machista. O processo de superação das desigualdades de gênero dentro do PT tem sido mais lento do que muitos e muitas de nós gostaríamos, mas ele não está parado: tivemos duas companheiras na presidência da Câmara Municipal, duas companheiras na presidência interina do PT Estadual, temos uma Secretária-Geral no PT/RS, o campo que apoia do Miguel Rossetto elegeu mulheres presidentas em 3 importantes zonais de Porto Alegre no último PED e uma mulher disputando as prévias no PT de Porto Alegre. Ou nossa memória é tão curta que já esquecemos que todas as demais prévias foram disputadas por dois homens?

Portanto, respondendo a pergunta que não quer calar: ser mulher não é um problema no PT, mas tampouco é uma vantagem, é uma condição de desigualdade, reflexo cultural e social, que não se resolverá num passe de mágica, com um voto na urna no dia 16 de março. Mas em uma coisa concordamos: o PT necessita de uma candidatura capaz de unificar o conjunto do partido e de vencer a poderosa aliança conservadora em torno de Fogaça. Será histórico eleger o PT novamente para a Prefeitura de Porto Alegre, com o companheiro Miguel Rossetto. Sem medo de ser feliz!

Claudia Prates (Secretária de Mulheres do PT/POA)

Erick da Silva (Secretario da Juventude do PT/POA)

Telesur em Português

A Telesul acaba de anunciar que vai dar início às transmissões em português. Num primeiro momento, o noticiário terá apenas 25 minutos e será veiculado de segunda a sexta, às 20h, pela TV Educativa do Paraná. Quem mora no estado pode captar pelo sinal aberto; já os forasteiros podem sintonizar pelo canal 25 da parabólica ou então via telesurtv.net. A equipe inicial terá apenas sete jornalistas, brasileiros em sua maioria, todos sediados em Caracas.
Uma boa notícia, enfim, em meio a uma mídia local cada vez mais corporativa, anti-democrática e, nos últimos tempos, desqualificada.

EUA: Quando se trata de Cuba, a justiça não é cega

Charles Davis - IPS

WASHINGTON (IPS) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou: "Se você protege um terrorista é tão culpado quanto o terrorista." Mas não aplica esse critério para norte-americanos de ascendência cubana que sonham com a queda de Fidel Castro.

Apesar de que o governo de Bush tem afirmado sistematicamente que não existem "bons terroristas", alguns analistas destacam a dupla moral aplicada no caso de notórios terroristas cubano-norte-americanos.

O mais famoso deles provavelmente é Luis Posada Carriles, ex-agente da Agência Central de Inteligência (CIA) e considerado o cérebro do atentado perpetrado na Venezuela contra um avião civil cubano em 1976, que deixou um saldo de 73 mortos.Posada Carriles foi preso e passou nove anos em prisões venezuelanas, mas em 1985 conseguiu fugir e hoje vive em liberdade, assim como seu suposto cúmplice, Orlando Bosch, em Miami.

Além da explosão do avião cubano —crime pelo qual a Venezuela ainda está pedindo sua extradição—, Posada Carriles foi relacionado com uma série de atentados com explosivos dentro de Cuba, em meados dos anos 1990, que tinham o objetivo de desestimular a chegada de turistas. Em uma entrevista concedida em 1998 ao jornal The New York Times, ele reconheceu ter planejado os atentados, em um dos quais morreu um turista italiano.

"É triste que alguém tenha morrido, mas não podemos nos deter", declarou Posada Carriles, que argumentou que a violência era um ato legítimo para atingir um "regime totalitário". "Esse italiano estava no lugar errado na hora errada", disse ele. Também admitiu que queria assassinar Fidel Castro. "Essa é a única maneira de provocar um levante em Cuba", disse nessa entrevista.

Em 2000, Posada Carriles junto com três cúmplices foram presos no Panamá com 13 quilos do explosivo C-4, que eles pensavam usar contra Castro quando ele falasse aos estudantes da Universidade do Panamá. Os quatro foram perdoados em 2004 pela presidenta desse país, Mireya Moscoso (1999-2004), fiel aliada dos Estados Unidos.

"Posada vai entrar na história como um dos 10 maiores terroristas do nosso tempo", afirmou Peter Kornbluh, especialista na política dos Estados Unidos para Cuba e que trabalha no órgão governamental Arquivo Nacional de Segurança, que compila e difunde documentos secretos do governo norte-americano quando eles são desclassificados.

"Essa é a razão que faz com que o fato dele morar em Miami sem qualquer problema seja uma mancha na sinceridade dos Estados Unidos quando se fala em 'guerra contra o terrorismo'", acrescentou ele.

Agentes cubanos de contrainteligência que conseguiram infiltrar grupos radicais de exilados, nos estados da Flórida e de Nova Jersey, tornaram possível a descoberta do complô do ano 2000 para assassinar Castro no Panamá, disse Kornbluh.

Os esforços de Havana para espiar esses grupos têm sido uma das fontes de tensão com Washington. Cinco agentes cubanos —Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino, Fernando González y René González— estão presos desde 1998 em Miami, acusados de espionagem

O advogado dos cinco cubanos, Leonard Weinglass, destacou o contraste entre o tratamento recebido pelos seus clientes e o que foi dado a Posada Carriles e outros exilados radicais. Enquanto Posada Carriles admitiu publicamente suas atividades terroristas, disse Weinglass, seus clientes somente estavam à procura de informações sobre os planos de grupos vinculados com atos violentos em Cuba.

Contudo, em junho de 2001, os cinco foram condenados a sentenças que vão de 15 anos a duas penas de prisão perpétua consecutivas. Essa sentença judiciária foi revertida por uma corte federal de apelações. Weinglass afirma que seus clientes jamais poderiam ter tido um julgamento justo em Miami, por causa da grande comunidade de exilados cubanos ou descendentes deles que vivem nessa cidade.

O governo de Bush, por sua vez, apelou imediatamente dessa sentença e conseguiu que também fosse revertida. Weinglass comprometeu-se a levar o caso até a Corte Suprema de Justiça.

Em 2005, o governo dos Estados Unidos decidiu julgar Posada Carriles pela acusação de ingressar ilegalmente no país e não pelos seus atos de terrorismo, uma decisão que muitos observadores atribuem à forte influência política da comunidade cubana no estado da Flórida, decisivo nas eleições nacionais.

Apesar de que a tendência atual nos Estados Unidos aponta, principalmente entre os mais jovens, para uma melhora das relações com Cuba, analistas lembram que para ter sucesso em política na Flórida é fundamental adotar uma linha dura com respeito a Havana.

O deputado do opositor Partido Democrata, Bill Delahunt, quando comparou o desigual tratamento recebido por Posada Carrilles e pelos cinco agentes cubanos, disse que o governo de Bush olha para outro lado quando um terrorista compartilha seus objetivos políticos. "Se queremos conservar a autoridade moral, não podemos ter duas regras diferentes para tratar os terroristas", afirmou.


Veja: Estilo neocon, política e negócios

Luis Nassif


O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.


Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.


O primeiro, são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.


O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década.


A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.


O estilo neoconDe um lado, há fenômenos gerais, que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, herança dos “neocons” americanos foi adotada por parte da imprensa brasileira, como se fosse a última moda.


Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte. Quando o estilo “neocon” ganhou espaço nos EUA, não foi difícil à revista radicalizar seu próprio estilo.


Um segundo fenômeno desse período foi a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão”, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com talento – como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornalísticos.





O jornalismo e os negócios





Outro fenômeno recorrente – esse ainda nos anos 90 - foi o da terceirização das denúncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas. A marketinização da notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas. Ao longo de toda a década, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um círculo férreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas redações, o papel sujo antes desempenhado pelos repórteres policiais: os chamados repórteres de dossiês.


Consistia no seguinte:O lobista procurava o repórter com um dossiê que interessava para seus negócios.


O jornalista levava a matéria à direção, e, com a repercussão da denúncia, ganhava status profissional.Com esse status ele ganhava liberdade para novas denúncias. E aí passava a entrar no mundo de interesses do lobista.O caso mais exemplar ocorreu na própria Veja, com o lobista APS (Alexandre Paes Santos).


Durante muito tempo abasteceu a revista com escândalos. Tempos depois, a Policia Federal deu uma batida em seu escritório e apreendeu uma agenda com telefones de muitos políticos. Resultou em uma capa escandalosa na própria Veja em 24 de janeiro de 2001 em que se acusavam desde assessores do Ministro da Saúde José Serra de tentar achacar o presidente da Novartis, até o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Nelson Tanure de atuarem através do lobista.


Na edição seguinte, todos os envolvidos na capa enviaram cartas negando os episódios mencionados. As cartas foram publicadas sem que fossem contestadas.O que a matéria deixou de relatar é que, na agenda do lobista, aparecia o nome de uma editora da revista - a mesma que publicara as maiores denúncias fornecidas por ele. A informação acabou vazando através do Correio Braziliense, em matéria dos repórteres Ugo Brafa e Ricardo Leopoldo.


A editora foi demitida no dia 9 de novembro, mas só após o escândalo ter se tornado público. Antes disso, em 27 de junho de 2001 Veja produziu uma capa com a transcrição de grampos envolvendo Nelson Tanure. Um dos “grampeados” era o jornalista Ricardo Boechat. O grampo chegou à revista através de lobistas e custou o emprego de Boechat, apesar do grampo não ter revelado nenhuma irregularidade de sua parte. Graças ao escândalo, o editor responsável pela matéria ganhou prestígio profissional na editora e foi nomeado diretor da revista Exame. Tempos depois foi afastado, após a Abril ter descoberto que a revista passou a ser utilizada para notas que não seguiam critérios estritamente jornalísticos.


Um dos boxes da matéria falava sobre as relações entre jornalismo e judiciário.


O box refletia, com exatidão, as relações que, anos depois, juntariam Dantas e a revista, sob nova direção: notas plantadas servindo como ferramenta para guerras empresariais, policiais e disputas jurídicas.

Vereador processado por dizer "a gente tem que abrir o olho"

Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral faz a campanha "Olho nele" na mídia para conscientizar o eleitor sobre a importância do exercício da cidadania, o vereador Nélson Gasperin, do PT de Alto Feliz, no Vale do Caí, sofre processo por difamação por ter dito numa sessão da Câmara Municipal, no ano passado, que "a gente tem que abrir o olho". A ação é movida pelo empresário caxiense e presidente do PSDB no município, Ireno Antonio dos Reis, que cobra uma indenização por danos morais.

Gasperin proferiu a frase, devidamente registrada em ata, durante um debate entre os vereadores acerca da aprovação do projeto enviado pelo prefeito Paulo Mertins de renovação por um novo período de cinco anos do contrato de utilização de um prédio da prefeitura no Distrito Industrial pela fábrica da Imobras Indústria de Motores Elétricos, da qual Ireno é diretor. O escritório comercial, com sala de exposições de motores, fica em Caxias do Sul, onde o empresário reside. Segundo o site moderno e trilingüe da empresa - http://www.imobras.ind.br/ -, a Imobras tem representantes em vários estados do país e exporta para a América Latina.

Além do petista, o caxiense também acionou o vereador Mário Winter, do PDT, que igualmente questionou os incentivos renovados e relatou uma discussão que havia travado com o empresário. O advogado Décio Franzen já entrou com uma representação em defesa dos dois acusados junto à juíza Marisa Gatelli, da Comarca de Feliz.

"Fiquei muito surpreso, pois estava cumprindo o meu papel de vereador, fiscalizando os contratos da Prefeitura, já que o poder público renovou uma concessão por mais cinco anos para uma fábrica de um empresário de outro município", destaca Gasperin. O vereador cita a experiência do empresário local Roque Lenger, proprietário da Malharia Vini, que utilizou um prédio público por igual período. "Após o término do contrato, entretanto, ele adquiriu um prédio, onde gera empregos, renda e desenvolvimento", completa.

Cotas Sociais e Raciais

Caio Britto*

Nos dias que se seguiram ao vestibular da UFRGS temos acompanhado pela mídia uma forte movimentação de vestibulando e familiares que se sentiram lesados pela implementação das cotas sociais e raciais na universidade. Em tempos de “salve-se quem puder” essas são atitudes que consideramos normais, mas se olharmos do ponto de vista do interesse social, isto não passa de uma tentativa de burlar as regras do concurso vestibular, bem como fazer os interesses individuais se sobreporem às políticas públicas.
Quando inscritos ao vestibular todos sabiam as regras que estavam sendo dispostas pela universidade e seus conselhos, sabiam todos que haveria uma reserva de vagas de 30% para estudantes oriundos de escolas públicas e que a metade destas seriam destinadas ao que se autodeclararem negros. Ou seja, nenhum candidato ao vestibular poderia alegar que sofreu prejuízo, pois as regras do ingresso na universidade estavam claras.
Alguns questionam a validade das cotas raciais, alegando que estas são um instrumento de racismo e que ferem a constituição, pois fariam diferenciação entre negros e brancos, mais isto obviamente não é verdade. A igualdade entre raças é um objetivo a ser alcançado pela nossa sociedade, que não está concretizado, hoje temos leis que proíbem a discriminação de etnias, porém não tem poder para garantir a igualdade de condições. Basta analisarmos a participação dos negros na sociedade para percebermos que eles estão alijados dos espaços de poder devido à sonegação de oportunidades e a falta de igualdade para o desenvolvimento de suas potencialidades. As cotas raciais não visam compensar diferenças sociais do passado, mas sim de enfrentar a injustiça presente, onde tem acesso à universidade pública uma esmagadora maioria branca.
As cotas sociais e raciais não são de maneira absoluta uma solução para as desigualdades raciais em nosso país, elas devem fazer parte de um conjunto de políticas de expansão e fortalecimento da universidade pública, bem como de qualificação e valorização do ensino fundamental, básico e médio da rede pública, como também integrado a políticas de estado, que visem o crescimento econômico, criação de empregos e distribuição de renda.
O processo de implementação das cotas na UFRGS foi bastante traumático, onde episódios de intolerância racial fizeram parte deste debate, quando muros próximos à universidade amanheceram pichados com mensagens racistas. Esperamos que episódios como estes não se repitam, principalmente no retorno das aulas e no trote dos calouros.


* Estudante de Ciências Sociais da UFRGS

Sensação de segurança em Porto Alegre

Marco Weissheimer

“Taxista é assassinado em Porto Alegre”, “Posto de Gasolina é assaltado em Porto Alegre”, “Homem morre ao reagir a assalto no Cristo Redentor”, “Homem é baleado no Moinhos de Vento”. Notícias dos últimos dias na capital gaúcha. Em outros tempos, já ocuparam posição nobre no noticiário local. Hoje, esses fatos trágicos desfilam por lugares midiáticos mais discretos. Cuidar da segurança pública, como se sabe, é uma atribuição do governo do Estado, que deve procurar articular políticas com a União e os Municípios, etc., etc. Mas em ano de eleições municipais, o papel dos prefeitos nesta área sempre vem à tona, com maior ou menor ênfase, dependendo de quem está no poder. Este ano não será diferente. Nas últimas eleições, o atual prefeito José Fogaça (PMDB) denunciou a “sensação de insegurança da população de Porto Alegre”, dizendo que tal situação “exige que o Poder Público Municipal colabore com os esforços para melhorar a segurança de todos os cidadãos e cidadãs de Porto Alegre”.

Afora o caráter acaciano da declaração de Fogaça, vale a pena lembrar as promessas feitas pelo mesmo para melhorar a “sensação de segurança” do povo de Porto Alegre (no documento “A Cara da Mudança – Propostas para Governar Porto Alegre”):

"O principal papel da Prefeitura Municipal será promover a articulação das forças de segurança para garantir a paz e a tranqüilidade dos porto-alegrenses e identificar ações preventivas no campo social, que enfrentem as causas da criminalidade e da violência. Nossas propostas para devolver a segurança a Porto Alegre são:

- O prefeito reivindicará sua participação no Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública, que conta com a participação de todos os órgãos de segurança da União e do Estado, com a finalidade de integrar as ações de segurança no município;
- Implantar o Programa Vizinhança Segura, que consiste em dotar cada bairro de uma patrulha da Guarda Municipal, composta por um veículo equipado com rádio, dois guardas municipais e telefone celular. Estas patrulhas terão como competência fazer o policiamento preventivo e o papel de polícia comunitária;
- Integrar o sistema de comunicação da Guarda Municipal com o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública - CIOSP, para que nos casos em que a intervenção da Polícia Civil ou da Brigada Militar sejam necessários, possam ser prontamente atendidos;
- A Guarda Municipal fará reuniões periódicas com a comunidade local para traçar um plano de ação que enfrente as causas que estão gerando a violência;
- Criar Centros Especializados para o Atendimento de Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência. Uma vez encaminhada para a rede de atendimento, a vítima será acompanhada até sua plena recuperação;
- Buscar junto ao Programa de Arrendamento Residencial da Caixa Econômica Federal – PAR, recursos para um Programa Habitacional voltado aos policiais civis e militares do Estado, com o propósito de tirá-los do alcance da ação dos criminosos, que precisam ser combatidos e que muitas vezes vivem ou atuam no mesmo local onde o policial reside".

Alguém viu? Ou sentiu?


Fonte: RS Urgente

O disse-que-disse da TV Globo

A imprensa brasileira, tal como o diabo, pode ser melhor apreciada nos detalhes. Em pequenas trucagens, direcionamento de coberturas e editorialização de textos que não disfarçam seus propósitos, a marcha batida continua. O ano de 2008 ainda não conta dois meses e já vemos o aparato informativo redobrar seus esforços para intensificar uma ofensiva que tem dois alvos claros: a sua própria credibilidade e o governo Lula. Se há paradoxo, ele é secundário para uma mídia opera na lógica dos fins que justificam os meios.
Leia a íntegra do artigo de Gilson Caroni Filho aqui

Consertando o equilíbrio de gênero na comuna Smurf

R. Jay Magill Jr.
Em Berlim


Tra-la-la-la-la-la, la-la-la-la-la. Vida livre, música e cogumelos. Para muitos, os Smurfs são a concretização perfeita da utopia de Marx e Engels.O dinheiro não significa nada na sociedade Smurf de 100 pessoas, onde a propriedade pertence a todos e não há moeda.

O trabalho comunitário é realizado junto. As divisões de trabalho são claras: Habilidoso (comerciante), Fazendeiro (planejamento agrícola), Gênio (intelligentsia), Harmonia (as artes) e assim por diante.

Todo mundo é igual, até mesmo na idade: ativos 100 anos (exceto, Papai, a suposta personificação de Karl Marx; ele tem 542).

Apenas o maligno feiticeiro Gargamel e seu gato Cruel -considerados agentes do capitalismo global- podem perturbar a bem-aventurança socialista da sociedade.

Só há um problema neste utopia marxista -onde estão todas as mulheres? Até agora, o refúgio coberto de musgo contava com apenas uma garota proeminente: a Smurfete, com seu cabelo loiro esvoaçante, salto alto e movimentos femininos. (Apesar de ninguém se lembrar delas, havia na verdade três mulheres Smurfs, segundo a enciclopédia online Wikipedia.)

Mas agora tudo vai mudar. Um novo filme dos Smurfs, o primeiro de uma trilogia, apresentará uma população estrangeira ao reduto dos baixinhos: mulheres.

"Ocorreram grandes mudanças nos valores socioculturais nos últimos 20 a 25 anos", disse Hendrik Coysman, chefe da International Merchandising Promotion & Services, a empresa que é dona dos direitos dos Smurfs, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, na segunda-feira. "Uma delas foi a valorização das mulheres." Coysman prosseguiu: "Haverá uma maior presença feminina na vila dos Smurfs, e isto, é claro, será uma base para novas histórias. Isto provavelmente virará de cabeça para baixo certas situações tradicionais dentro da vila".

Malgorzata Tarasiewicz uma especialista em política da União Européia e gênero e diretora do Fórum Feminista Europeu, com sede em Amsterdã, acha que os Smurfs podem dar o exemplo. "Mesmo no mundo dos Smurfs é aceito o que muitos políticos e outros tomadores de decisões ainda não querem entender: que as mulheres necessitam de igualdade e representação igual", ela disse à "Spiegel Online" na sexta-feira. "Se tornou um fato difícil de ignorar, o de que as mulheres estão mais visíveis na esfera pública, na mídia e nos negócios -a ponto de até contos de fadas precisarem refletir este importante desenvolvimento da civilização."

A International Merchandising está celebrando o 50º aniversário dos Smurfs em 2008 com um "Feliz Dia Smurf", que ocorrerá durante todo o ano. Coletivas de imprensa em Berlim, Bruxelas e Paris, uma exposição, um dirigível Smurf gigante, um site e uma parceria com a Unicef -que compartilhará dos lucros- tudo faz parte da comemoração.

Detalhes de um futuro filme e outras surpresas estão sendo mantidos sob sigilo na International Merchandising. Mas se sabe que o retorno dos Smurfs às telas, em um desenho animado por computador em 3D com lançamento previsto para novembro de 2008, está sendo desenvolvido pela unidade Nickelodeon Films da Paramount Pictures, produzido por Jordan Kerner ("A Menina e o Porquinho", "Inspetor Bugiganga").

E com rumores de que o filme dos Smurfs contará com as vozes de algumas das mulheres mais talentosas de Hollywood, incluindo Sally Field, Lucy Liu, Julia Sweeney, Jessica Simpson e Marisa Tomei, as coisas estão prestes a ficar muito mais modernas na casa de cogumelo.


Tradução: George El Khouri Andolfato
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Humor


Autor: Bier