TRE cassa o Governador Tucano Cássio Cunha Lima

Depois de um julgamento que durou mais de oito horas, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba decidiu nesta segunda-feira, 30, por 5 votos a 1, pela cassação de mandato do Governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e de seu vice-governador José Lacerda Neto (DEM). A decisão manda ainda eles permanecerem inelegíveis por três anos e os obrigam a pagar uma multa de R$ 100 mil.
O advogado Marcelo Weick, que representa o PCB (autor do pedido de cassação), disse na saída do TRE que “a corte fez justiça às graves irregularidades que definiram as eleições ao Governo do Estado em 2006”.
Já Delosmar Mendonça, advogado do Governador Cássio Cunha Lima, se disse surpreso com a decisão e garantiu que vai recorrer tão logo ela seja oficialmente publicada. Antes, ele vai apresentar alguns “embargos de declaração” com a tentativa de mudar o que foi decidido. Ele garantiu ainda que o Governador deve permanecer no cargo até que o TSE se posicione.
O julgamento começou exatamente às 14h37, e antes de discutir o mérito da questão, a corte teve ainda que votar duas preliminares impostas pelos advogados do Governador. Derrubadas as preliminares, o relator Carlos Eduardo Lisboa iniciou a ler o seu voto.

Logo após a decisão final do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, o senador José Maranhão deu uma entrevista a jornalistas que estavam em frente de sua casa, no Altiplano Cabo Branco. Ele disse que o TRE fez justiça e que está muito feliz com o “largo placar”. Ele declarou, contudo, “que vai esperar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral antes de assumir o Governo do Estado da Paraíba”.

Álcool e tabaco são mais prejudiciais que maconha e LSD, diz estudo

O álcool é quase tão prejudicial quanto a heroína, e o tabaco é mais perigoso que a maconha, o LSD e o ecstasy, segundo uma nova tabela de classificação de drogas publicada nesta sexta-feira na revista médica The Lancet. A tabela, desenvolvida por um grupo de cientistas britânicos, classificou a heroína, a cocaína, os barbitúricos e a metadona comercializada nas ruas como as drogas mais nocivas, seguidas de perto pelo álcool, que aparece em quinto lugar.
O tabaco foi avaliado como a nona droga mais perigosa, atrás da quetamina - comumente usada como anestésico de cavalos -, das benzodiazepinas, que são calmantes vendidos com prescrição médica, e anfetaminas. Segundo esta classificação, a maconha é a 11ª droga mais perigosa. O LSD aparece em 14º e o ecstasy, apelidada de "droga dos clubbers", em 18º lugar.

A nova classificação se baseou nos danos físicos causados ao usuário, na probabilidade de a droga induzir à dependência e no efeito de seu uso nas famílias, nas comunidades e na sociedade. Cada uma das três categorias foram divididas em nove grupos de risco e especialistas independentes, inclusive psiquiatras e cientistas forenses, classificaram cada categoria numa escala de 0 ("nenhum risco") a 3 ("risco extremo").

A heroína marcou 2,7 pontos na escala e o álcool, menos de 2. O tabaco marcou 1,7 ponto e o ecstasy, 1,1. Um dos cientistas, o professor Colin Blakemore, chefe-executivo do Conselho de Pesquisa Médica, financiado pelo governo, disse que suas descobertas diferem claramente da classificação existente sobre drogas na Grã-Bretanha. "

O álcool e o tabaco estão no topo da tabela, sendo que o álcool não está muito longe dos verdadeiros terrores das ruas, como a heroína", disse. "Uma visão mais científica é que estes riscos precisam ser avaliados quanto a seu efeito na população inteira", acrescentou seu colega, o professor David Nutt, da Universidade de Bristol, oeste da Inglaterra. As drogas de classe A, como a heroína, a cocaína e o crack, o ecstasy e o LSD, normalmente levam a sentenças de prisão de no máximo sete anos. A maconha é uma droga de classe C, enquanto o álcool e o tabaco não têm classificação.

Blakemore disse que os políticos iriam "tomar nota" de que sua tabela difere substancialmente da classificação oficial, e um estudo britânico separado publicado em 8 de março a considerou inadequada. A Comissão RSA sobre Drogas Ilegais, Comunidades e Política Pública informou que a legislação britânica sobre drogas deveria ser substituída por um sistema que reconheça os efeitos danosos à saúde de substâncias como álcool e tabaco no lugar da prevenção de crimes.


Fonte: France Presse

Gil defende na Itália que a música deve se tornar livre e compartilhável

Idéias que avançam e se constrõem. Durante turnê internacional, o ministro em férias e músico em exercício aproveita as platéias e a imprensa internacional para difundir a idéia de cultura livre.

Não por acaso, cada concerto da nova turnê é aberto por uma voz que diz: "Pede-se aos senhores espectadores para que filmem e fotografem o show e para que o baixem no site de Gilberto Gil".

"Estamos em uma fase de continua evolução. Não se pode pensar em defender o existente. É necessário procurar novos modelos, novas definições de direitos autorais e novos modos de remunerar os artistas", explicou Gil, que se apresentara depois de amanhã no festival latino-americano de Assago, cidade da província da Lombardia, região norte da Itália. "Não sou eu que digo isso, mas um vasto número de opiniões que aprendi a conhecer, sobretudo quando me tornei ministro e comecei a intermediar os pedidos da sociedade civil e as posições oficiais do Governo, sancionador das leis". Leia mais aqui.

Ludov - Kriptonita

Um clip bem bacana de uma banda muito legal, Ludov com Kriptonita.

Guilhotina tucana

Entrou novamente em ação a guilhotina tucana. Mesmo sem queda na arrecadação de ICMS, a governadora Yeda Crusius ampliou o atraso do pagamento do funcionalismo. Agora, só receberá em dia quem tem vencimentos abaixo de R$ 2 mil. Até o mês passado este valor era de R$ 2,5 mil. Enquanto alega não ter dinheiro para a folha de pagamento, o governo do Estado segue de vento em popa com a sua política de renúncias e isenções fiscais para grandes empresas, evidenciando bem de que lado está.

Atrasar os salários é falta de compromisso com a população gaúcha, que depende dos serviços públicos do estado. Ao aumentar paulatinamente a faixa de servidores atingidos pelo atraso dos salários, a governadora tenta evitar uma mobilização dos servidores contra o seu descaso. Inaugura assim, a política “lâmina de barbear”: na primeira faz tchan, na segunda faz tchun, e, se ninguém gritar, em mais uns meses ela alcança o “tchan, tchan, tchan, tchan”.


Comunidade escolar protesta contra junção de turmas implementada pela Yeda

A Secretaria Estadual da Educação do Rio Grande do Sul, de forma antipedagógica, tenta solucionar o problema de falta de professores e funcionários de escola juntando turmas. Essa prática, entretanto, não é novidade para os trabalhadores em educação do Estado.
A "fórmula mágica" sacada da cartola da secretária Mariza Abreu é uma repetição do QPE - Quadro de Pessoal por Escola, adotado pelo ex-governador Pedro Simon, e que foi duramente rechaçado pela comunidade escolar gaúcha, sobretudo por professores e funcionários de escola.
Assim como no governo Simon, o QPE de Yeda/Feijó já enfrenta a resistência da comunidade escolar. Na sexta-feira 20, alunos e professores do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Básico Padre Benjamin Copetti, de Sobradinho, saíram às ruas para protestar contra a enturmação proposta pela 24ª Coordenadoria Regional de Educação (Cachoeira do Sul).
O CPERS/Sindicato tem se manifestado contrário a enturmação , prática que depõe contra a qualidade da educação pública e ameaça o emprego de trabalhadores. A falta de profissionais só será superada, entre outras medidas, pela nomeação de professores concursados e pela realização de novo concurso para funcionários de escola.
Numa clara tentativa de atacar a organização dos trabalhadores em educação, o governo Yeda/Feijó tem aplicado medidas pontuais. A enturmação colocada em prática na 24ª e em outras coordenadorias se soma à tentativa de suspensão da liberação da dirigente sindical Marli Aparecida de Souza, diretora do 13º Núcleo do CPERS/Sindicato, com sede em Osório.
Na ânsia de economizar em cima dos serviços públicos, o governo Yeda/Feijó aprofunda ainda mais a precarização do ensino público no Rio Grande do Sul. Para o Sindicato, essa economia deverá se dar em outras pontas como, por exemplo, no cancelamento dos incentivos fiscais às grandes empresas e na intensificação do combate à sonegação. Informações dão conta de que o desejo da Secretaria da Educação é intensificar essa reformulação após o recesso escolar de meio de ano. O assunto, ao que tudo indica, está na pauta do encontro de formação promovido pela Secretaria entre os dias 23 e 25, em Porto Alegre, com os coordenadores regionais de educação.

Humor


Autor: Kayser

Cumplicidade

Luis Fernando Verissimo

Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a "guerra de mentira" que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo. A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.


Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se, sem fazer perguntas, ao seu ideal, que em muitos casos nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade. Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.

Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.

Necrocombustíveis

Frei Betto

O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil se dividia em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorretamente chamados de biocombustíveis.
Este novo ciclo provoca o aumento dos preços dos alimentos, já denunciado por Fidel Castro. Estudo da OCDE e da FAO, divulgado a 4 de julho, indica que "os biocombustíveis terão forte impacto na agricultura entre 2007 e 2016." Os preços agrícolas ficarão acima da média dos últimos dez anos. Os grãos deverão custar de 20 a 50% mais. No Brasil, a população pagou três vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2006.

Vamos alimentar carros e desnutrir pessoas. Há 800 milhões de veículos automotores no mundo. O mesmo número de pessoas sobrevive em desnutrição crônica. O que inquieta é que nenhum dos governos entusiasmados com os agrocombustíveis questiona o modelo de transporte individual, como se os lucros da indústria automobilística fossem intocáveis.
Os preços dos alimentos já sobem em ritmo acelerado na Europa, na China, na Índia e nos EUA. A agflação - a inflação dos produtos agrícolas - deve chegar, este ano, a 4% nos EUA, comparada ao aumento de 2,5% em 2006. Lá, como o milho está quase todo destinado à produção de etanol, o preço do frango subiu 30% nos últimos doze meses. E o leite deve subir 14% este ano. Na Europa, a manteiga já está 40% mais cara. No México, houve mobilização popular contra o aumento de 60% no preço das tortillas, feitas de milho.
O etanol made in USA, produzido a partir do milho, fez dobrar o preço deste grão em um ano. Não que os ianques gostem tanto de milho (exceto pipoca). Porém, o milho é componente essencial na ração de suínos, bovinos e aves, o que eleva o custo de criação desses animais, encarecendo derivados como carne, leite, manteiga e ovos.
Como hoje quem manda é o mercado, acontece nos EUA o que se reproduz no Brasil com a cana: os produtores de soja, algodão e outros bens agrícolas abandonam seus cultivos tradicionais pelo novo "ouro" agrícola: o milho lá, a cana aqui. Isso repercute nos preços da soja, do algodão e de toda a cadeia alimentar, considerando que os EUA são responsáveis por metade da exportação mundial de grãos.
Nos EUA, já há lobbies de produtores de bovinos, suínos, caprinos e aves pressionando o Congresso para que se reduza o subsídio aos produtores de etanol. Preferem que se importe etanol do Brasil, à base de cana, de modo a se evitar ainda mais a alta do preço da ração.
A desnutrição ameaça, hoje, 52,4 milhões de latino-americanos e caribenhos, 10% da população do Continente. Com a expansão das áreas de cultivo voltadas à produção de etanol, corre-se o risco dele se transformar, de fato, em necrocombustível - predador de vidas humanas.
No Brasil, o governo já puniu, este ano, fazendas cujos canaviais dependiam de trabalho escravo. E tudo indica que a expansão dessa lavoura no Sudeste empurrará a produção de soja Amazônia adentro, provocando o desmatamento de uma região que já perdeu, em área florestal, o equivalente ao território de 14 estados de Alagoas.
A produção de cana no Brasil é historicamente conhecida pela superexploração do trabalho, destruição do meio ambiente e apropriação indevida de recursos públicos. As usinas se caracterizam pela concentração de terras para o monocultivo voltado à exportação. Utilizam em geral mão-de-obra migrante, os bóias-frias, sem direitos trabalhistas regulamentados. Os trabalhadores são (mal) remunerados pela quantidade de cana cortada, e não pelo número de horas trabalhadas. E ainda assim não têm controle sobre a pesagem do que produzem.
Alguns chegam a cortar, obrigados, 15 toneladas por dia. Tamanho esforço causa sérios problemas de saúde, como câimbras e tendinites, afetando a coluna e os pés. A maioria das contratações se dá por intermediários (trabalho terceirizado) ou "gatos", arregimentadores de trabalho escravo ou semi-escravo. Após 1850, um escravo costumava trabalhar no corte de cana por 15 a 20 anos. Hoje, o trabalho excessivo reduziu este tempo médio para 12 anos.
O entusiasmo de Bush e Lula pelo etanol faz com que usineiros alagoanos e paulistas disputem, palmo a palmo, cada pedaço de terra do Triângulo Mineiro. Segundo o repórter Amaury Ribeiro Jr, em menos de quatro anos, 300 mil hectares de cana foram plantados em antigas áreas de pastagens e de agricultura. A instalação de uma dezena de usinas novas, próximas a Uberaba, gerou a criação de 10 mil empregos e fez a produção de álcool em Minas saltar de 630 milhões de litros em 2003 para 1,7 bilhão este ano.
A migração de mão-de-obra desqualificada rumo aos canaviais - 20 mil bóias-frias por ano - produz, além do aumento de favelas, o de assassinatos, tráfico de drogas, comércio de crianças e de adolescentes destinados à prostituição.
O governo brasileiro precisa livrar-se da sua síndrome de Colosso (a famosa tela de Goya). Antes de transformar o país num imenso canavial e sonhar com a energia atômica, deveria priorizar fontes de energia alternativa abundantes no Brasil, como hidráulica, solar e eólica. E cuidar de alimentar os sofridos famintos, antes de enriquecer os "heróicos" usineiros.

A mídia na política ou a política na mídia

A política brasileira cada vez mais enverada para a espetaculização e o diversionismo dos fatos. Não é algo que começou agora e nem ao menos é uma exclusividade “Made in Brazil”. Pelo contrário, exemplos não faltam pelo mundo de situações similares.
O quê tem em comum seja no Brasil ou na maioria dos países da América Latina é a participação ativa e determinante dos grandes meios de comunicação para a definição do que é central ou não na política (seja de Estado, seja no parlamento ou em outras esferas). O que é noticiado é que é digno de ser debatido e encaminhado pelos “políticos”, o resto perde espaço e importância. Se estes temas são realmente o que a maioria da população anseia, isso não é importante, o que interessa é o que está de encontro com o sentimento da pretensa “opinião pública”.
Não é algo novo, o problema é quando governos que foram eleitos para representar uma alternativa a isso se deixam pautar por essa lógica. Que ao fim e ao cabo, acaba por lhe tirar a autonomia e o protagonismo na proposição de suas ações e lhe deixando refém desses interesses oligárquicos. No caso do Governo Lula isso é ainda mais crítico.
Nas eleições de 2006, a grande mídia tentou de todas as formas impedir a reeleição do Lula, seja tentando impingir a marca de “governo mais corrupto da história” (quando os fatos demonstram o oposto) ou criando factóides nas vésperas da eleição. O caso das fotos do dinheiro aprendido no dossiê tucano demonstra de forma inconteste a falta de escrúpulos que a mídia oligárquica tem para atingir os seus objetivos.
O povo não aceitou essa armação e Lula foi eleito com uma votação histórica. Agora, findada o primeiro semestre do segundo mandato, a impressão que fica (pelas ações que o governo teve até o momento) é de que a lição não foi aprendida. Lula segue fazendo todo tipo de concessões possíveis para estes mesmos setores que tentaram impedir a vitória democrática nas urnas, em nome de uma suposta paz pela governabilidade.
O que na prática não tem ocorrido. Em momento algum a mídia deixou de atacar ao governo de forma sistemática e quase que orquestrada. E a reação do governo tem sido no mínimo tímida. Agora, após o recente desastre aéreo em Congonhas, o que temos visto é uma tentativa rasteira de vincular a tragédia diretamente ao governo. Sem haver investigação alguma, sem provas e sem o mínimo de cuidado ético, que um momento como este exigiria. Na semana anterior foi o episódio das vaias na abertura do Pan, e semana que vêm será outro o factóide a ser explorado pela mídia. Essa é a lógica que está em curso.
Cabe agora saber se o Governo Lula irá continuar a se deixar refém desta lógica suicida, pautado por um setor golpista que não aceitou o resultado das urnas e pretende a todo o custo retirar a capacidade protagonista do governo em por em curso uma agenda de mudanças. Para mudar esse quadro tem que ter coragem, com a atual timidez e falta de nitidez política, o resultado final não será dos melhores para o povo trabalhador do Brasil.

Humor


Autor: Santiago

Jornal do Brasil terá que indenizar Paulo Bisol, condena STF

O STF negou recurso do Jornal do Brasil contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que manteve indenização por danos morais ao ex-senador José Paulo Bisol. Ou seja: o JB foi condenado a pagar R$ 300 mil de indenização a Bisol.
O acórdão teve sua origem em ação por danos morais, ajuizada pelo então senador, que acusou o Jornal do Brasil de publicar notícias que veicularam "uma série de acusações falaciosas e inverídicas com o intuito explícito de denegrir (sic) a imagem política do candidato a vice-presidente da República". Em 1994, Bisol foi candidato a vice na chapa do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

O JB foi condenado pelo TJ-RJ a pagar R$ 300 mil a título de indenização a Bisol. O jornal interpôs recursos no tribunal estadual e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), todos sem êxito. O JB alegava que, "com a modificação do sistema normativo da denominada Lei de Imprensa, não mais se acha prevista a indenização tarifada", de acordo com o entendimento do STJ.
O recurso extraordinário (RE) teve o seguimento negado pelo STJ, mas o ministro Cezar Peluso determinou a subida dos autos ao STF para melhor exame do processo. No RE, o Jornal do Brasil afirmou que o acórdão do TJ-RJ violou o disposto no artigo 5º, incisos V e X da Constituição Federal, e pedia a redução do valor da condenação nos limites previstos nos artigos 51 e 52 da Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa), que ainda se encontrariam em vigor.

No caso em julgamento, o relator afirmou que não existe nenhuma restrição normativa constitucional, "a priori", ao valor reparatório do dano moral, arbitrado pelo TJ-RJ. Ao contrário, os incisos V e X do artigo 5º da Constituição, são de cunho irrestrito, afirmou Peluso. Também não é possível, como pretende a reclamação, encontrar na Constituição, nem de forma indireta, cláusula restritiva para que o artigo 52 da Lei de Imprensa autorizasse reduzir o valor indenizatório constante do acórdão atacado.
Em síntese, o ministro afirmou que o caso "não comporta garantia prévia e abstrata quanto aos critérios singulares da indenização a que está submetida gente que abuse do seu exercício (profissional), ou em nome da liberdade de imprensa atue fora do raio de eficácia desse direito fundamental". A indenização não pode inibir ou conter o exercício da liberdade de imprensa, mas tampouco pode, uma lei subordinada à Constituição, aliviar a responsabilidade civil do causador de um ato ilícito. "O caso (do artigo 52) é de intervenção legislativa, contrária à Constituição, na disciplina dos direitos fundamentais, porque, como lei restritiva, o disposto no artigo 52 da Lei 5250/67 põe em risco o substrato do direito fundamental do direito à honra, à boa fama e à intimidade das pessoas", completou o relator.

Congonhas é um desastre

Flávio Aguiar

As hipóteses preliminares sobre o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas são muitas. A grande maioria dos depoimentos – de controladores de vôo a testemunhas oculares na avenida que margeia o aeroporto, passando pelo de especialistas em segurança aeronáutica – aponta para a idéia de que, por alguma razão ainda desconhecida, os pilotos do avião tentaram arremeter para cima depois do aparelho ter tocado o solo.

As causas desse gesto podem ser muitas, de um defeito no avião a uma muito pouco provável aquaplanagem. Só a investigação dirá as causas, e também é pouco provável que se encontre uma única, deve haver uma conjugação, uma cadeia de acontecimentos que tenha determinado a tragédia.

Pouco importa: já se ergue o coro de bruxas e bruxos – menor desta vez, é verdade, mas não menos barulhento – de dedo em riste para o governo Lula e, é claro, para a pessoa do presidente. Não há novidade nisto. Se responsabilidade há no governo, até o momento, pode-se defini-la como não tendo ele a capacidade de expor a público que tem uma política consistente para efetuar as mudanças necessárias no setor. Repete-se o estilo do que aconteceu na política econômica: o governo dá a impressão de tergiversar, de contornar os problemas, como se na política o melhor fosse sempre o estilo da folha seca do grande Didi, que ao bater faltas fazia a bola contornar a barreira numa curva que enganava até os melhores goleiros.

Era necessário mostrar a vontade de inaugurar novas vias políticas para o setor: resolver o problema do estatuto (que deveria ser civil) dos controladores de vôo, reduzir ou pelo menos controlar os poderes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), remodelar o mercado da aviação civil no sentido de racionaliza-lo em função da segurança, segurança em todos os sentidos, inclusive o da proteção aos direitos do cidadão.

E finalmente – last but not the least, como se diz em português corrente – discutir o que fazer com o aeroporto de Congonhas. Arquitetonicamente de linhas arrojadas para a época em que foi construído, Congonhas poderia ser um lindo museu da aviação brasileira, num país que tem a sua história povoada por vôos espetaculares, dos de Bartolomeu de Gusmão aos de Santos Dumont, dos de Saint-Exupéry e seu Correio Sul ao histórico vôo que, partindo de Congonhas, levou o corpo de Tancredo Neves para Brasília.

Mas Congonhas não pode ser o aeroporto mais movimentado do país, e portanto da América Latina. Ele comporta 12 milhões de passageiros por ano, mais do que a população de S. Paulo ela mesma (não de toda a mancha urbana), que beira os 11 milhões.

Congonhas foi construído numa época que nada havia à sua volta senão campos rasos, quando os vôos eram à hélice. Depois a especulação imobiliária cercou-o de residências, de edifícios e de comércio e de uma avenida que é das principais de S. Paulo em movimentação, o complexo 23 de Maio – Rubem Berta.

Quando se construiu o aeroporto de Guarulhos, Congonhas deveria se limitar aos vôos regionais, e às pontes aéreas São Paulo – Rio – Belo Horizonte – Brasília. Com o tempo os vôos foram se distendendo, chegando às outras capitais através dos vôos com escala em cidades de médio porte, como um vôo São Paulo – Caxias do Sul – Porto Alegre e vice-versa, Porto Alegre – Viracopos – São Paulo. Daí chegou-se ao passo dos vôos diretos para os grandes aeroportos do país, mesmo ao Norte, com escala em Brasília ou através do rosário de cidades do litoral.

Criou-se o vasto “mercado aeronáutico Congonhas”, movido, sobretudo, por três fatores. Primeiro, os vôos empresariais, do tipo em que o executivo sai de São Paulo de manhã e volta à noite, ou na manhã seguinte, a tempo de seguir para o trabalho. Com seu carro, de preferência. Segundo, os vôos políticos, entre São Paulo e Brasília e também outras capitais estaduais. Terceiro, o incômodo que é o deslocamento até o aeroporto de Guarulhos. Não há trens, há um serviço de ônibus caro que serve a poucos pontos da cidade (basicamente, o aeroporto de Congonhas, a Praça da República, o terminal rodoviário do Tietê e o Shopping Eldorado) e um de ônibus comum que vai até uma estação de metrô. Uma viagem de táxi de ou para Guarulhos custa uma fortuna; deslocar-se de carro através dos engarrafamentos gigantescos nas avenidas marginais, do centro da cidade, ou da Radial Leste é um suplício.

Ou seja, o fenômeno Congonhas, hoje situado no coração da maior cidade da América do Sul e uma das maiores do mundo, é uma excrescência histórica criada e alimentada pelo desregramento de vários mercados brasileiros: o da especulação imobiliária, o da especulação financeira, o dos transportes, o da especulação aeronáutica, e também o desregramento do consumo, provocado pelo império, neste complexo do imaginário, do consumidor em detrimento do direito do cidadão.

Essa é a causa de fundo (o desregramento, o império dos mercados) que precisa ser atacada.

Haverá coragem política para isso? É uma boa pergunta.

Documentos militares secretos foram exibidos em Vista Pública na Guatemala

Ontem (16), foi realizada na Guatemala uma Vista Pública solicitada pela Associação para a Justiça e Reconciliação (AJR) para se conhecer os argumentos dos Advogados de Ríos Montt, Advogados do Ministério da Defesa, Procuradores do Ministério Público e Advogados da AJR em relação a documentos militares que contêm informações sobre o genocídio cometido na Guatemala pelo ex-ditador Efraín Ríos Montt, entre 1982 e 1983. O Ministério da Defesa não participou da Vista.
Em 12 de março de 2007, o segundo Juiz de Primeira Instância Penal, Narco-atividade e Delitos contra o Ambiente, determinou, baseado no artigo 244 do Código Penal, que o Ministério da Defesa exibisse os documentos: Plano campanha Victoria 82; Plano Operativo Sofía de data de 15 de julho de 1982; Assuntos Civis Operação Ixil; e Plano Firmeza 83, para serem analisados já que os documentos mencionados podem conter informação relevante sobre as operações militares realizadas durante o conflito armado interno, durante as quais teria sido cometido o genocídio.
O artigo define que "os documentos, coisas ou elementos de persuasão que, segundo a lei, devem ficar secretos ou que se relacionem diretamente com fatos da mesma natureza, serão examinados privadamente pelo tribunal competente ou pelo juiz que controla a investigação; se forem úteis para a averiguação da verdade, os incorporará ao procedimento, resguardando a reserva sobre eles. Durante o procedimento preparatório, o juiz autorizará expressamente sua exibição e a presença no ato das partes, na medida que essas presenças sejam imprescindíveis para garantir o direito de defesa".
A ação é parte do processo legal de Genocídio contra o General Ríos Montt no sistema de justiça guatemalteco. A atitude do Ministério foi considerada pelo advogado querelante Edgar Pérez uma tentativa de obstruir a verificação da verdade e favorecer a impunidade.
Em nota pública, o Centro para a Ação Legal em Direitos Humanos (CALDH) também condenou a ausência da Procuradoria de Direitos Humanos e a Procuradoria de Assuntos Constitucionais, Amparos e Exibição Pessoal, que deviam expor as argumentações. O Centro exigiu que o Procurador Geral Juan Luis Florido, "esclareça brevemente essa situação, pois sua atuação só alimenta a impunidade na Guatemala".
Em 19 de abril, a defesa do ex-ditador apresentou uma ação de amparo que tenta deixar sem efeito a determinação do juiz controlador da investigação. O objetivo dessa ação é evitar que os documentos que se solicita sejam mostrados pelo Ministério da Defesa, já que são documentos militares cuja categoria de "segredo de Estado" não está comprovada. Pois, o Artigo 30 da Constituição Política da República guatemalteca define que somente deixam de ser públicos os assuntos militares que afetem a segurança da nação, os outros assuntos militares são públicos.
Apesar de todas as ações por violáceos aos direitos humanos contra Ríos Montt, máximo dirigente do partido Frente Republicano Guatemalteco, ele foi inscrito como candidato para o cargo de deputado nas próximas eleições, e se for eleito terá imunidade por pelo menos quatro anos e meio.


Fonte: Adital

Oração por Marilyn Monroe

Ernesto Cardenal


Senhor

recebe esta moça conhecida em toda parte pelo nome de Marilyn Monro

emesmo não sendo seu verdadeiro nome

(mas Tu conheces seu verdadeiro nome,

o da órfãzinha violada aos 9 anos

e da empregadinha de loja que aos 16 já quisera se matar)

e que agora se apresenta diante de Ti sem nenhuma maquiagemsem

Assessor de Imprensa

sem fotógrafos e sem dar autógrafos

sozinha como um astronauta diante da noite espacial.


Ela sonhou quando menina que estava nua numa Igreja (segundo conta a revista Time)

ante uma multidão prostrada, com as cabeças ao chão

e tinha de caminhar na ponta dos pés para não pisar nas cabeças.

Tu conheces nossos sonhos melhor do que os psiquiatras

Igreja, casa, cova são a segurança do seio materno

mas também algo mais que isso...

As cabeças são os admiradores, é claro

(a massa de cabeças na escuridão debaixo do facho de luz).

Mas o templo não são os estúdios da 20th Century Fox.

O templo – de mármore e ouro – é o templo de seu corpo

em que está o Filho do Homem com um chicote na mão

expulsando os mercadores da 20th Century Fox

que fizeram de Tua casa de oração um covil de ladrões.


Senhor

neste mundo contaminado de pecados e radioatividade

Tu não culparás tão-somente a empregadinha da loja.

Que como toda empregada de loja sonhou ser estrela de cinema.

E seu sonho fez-se realidade (mas com a realidade do technicolor).

Ela não fez senão atuar conforme o script que lhe demos

- O de nossas próprias vidas – E era um script absurdo.

Perdoe-a Senhor e perdoa-nos pela nossa 20th Century Fox

por esta Colossal Superprodução em que todos nós temos trabalhado.


Ela tinha fome de amor e lhe ofertamos tranqüilizantes,

para a tristeza de não ser santa, recomendamos-lhe a Psicanálise.

Lembra-te Senhor de seu crescente pavor à câmera

e do ódio à maquiagem – insistindo em maquiar-se em cada cena - e como foi se tornando maior o horror e maior a impontualidade nos estúdios.



Como toda empregada de loja

sonhou tornar-se estrela de cinema.

E sua vida foi irreal como um sonho que um psiquiatra interpreta e arquiva.


Seus romances foram um beijo com os olhos fechados

olhos que quando se abrem

descobre-se que foi sob os refletores e apagam os refletores!

e desmontam as duas paredes do aposento (era um set cinematográfico)

enquanto o Diretor afasta-se com suas anotações porque a cena já foi filmada.

Ou uma viagem de iate, um beijo em Cingapura, um baile no Riouma recepção na mansão do Duque e da Duquesa de Windsorvistos na TV de um apartamento miserável.

O filme terminou sem o beijo final.

Foi achada morta em sua cama com a mão no telefone.

E os detetives não souberam para quem ela ia ligar.

Foi como alguém que discou o número da única voz amiga

e ouviu tão-só a voz de uma gravação que diz: WRONG NUMBER.

Ou como alguém que ferido pelos gangsters

estende a mão a um telefone desligado.


Senhor

quem quer que tenha sido a quem ela ia telefonar

e não telefonou (e talvez fosse ninguémou era Alguém cujo número não está na Lista de Los Angeles)

atende Tu ao telefone!

CMP reivindica imóveis vagos da União para habitação popular

A Central de Movimentos Populares (CMP) aproveitou a divulgação, na semana passada, de relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a existência de 571 imóveis da União, sem uso, em todo o país, para reivindicar mais uma vez que esses bens sejam transformados em habitações para famílias de baixa renda, assim consideradas aquelas que recebem até três salários mínimos por mês.
O dado não é novidade, diz a presidente da CMP de São Paulo, Maria das Graças Xavier, a Graça, em entrevista à Agência Brasil. Ela conta que a central fez levantamento, em abril, sobre todas as edificações da União, autarquias, fundações e empresas estatais, e concluiu que quase 29 mil imóveis estão vagos ou ocupados irregularmente. A estimativa também é citada pelo Ministério das Cidades.
Graça informa que a CMP entregou documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, no mês passado, reivindicando direito de uso dos imóveis pesquisados. A maioria deles, segundo a líder, pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), à Marinha e à extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). "Muita gente se aposentou, perdeu o emprego e o direito de uso, mas continua morando nos imóveis da União, porque não existe fiscalização adequada".
Segundo Graça, a CMP fez várias manifestações sobre esse “estado de desmazelo do patrimônio público", no decorrer de junho, e encaminhou o levantamento também ao ministério. Ela diz que, além de pleitear o uso dos imóveis para os mais necessitados, a CMP quer ser parceira na fiscalização das obras de restauração e adaptação dos prédios. "Isso é para evitar que só as empreiteiras continuem se beneficiando das obras, como tem acontecido até aqui", comenta.

Ibama e Anvisa pedem anulação da liberação de milho transgênico

Maurício Thuswohl


A controversa liberação comercial do milho transgênico Liberty Link pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que já havia sido suspensa pela Justiça há duas semanas, pode estar prestes a sofrer um novo revés. Dois importantes órgãos de fiscalização ligados ao governo federal - a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - apresentaram recursos ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) pedindo a anulação da decisão da CTNBio.

Desenvolvido pela empresa transnacional Bayer CropScience, o Liberty Link teve sua liberação aprovada pela CTNBio em 16 de maio, numa decisão imediatamente criticada por organizações do movimento socioambientalista e por setores do próprio governo. Os recursos apresentados por Ibama e Anvisa estão em acordo com a Lei de Biossegurança, que determina que as decisões da Comissão podem ser revogadas pelo CNBS, que é um colegiado composto por onze ministérios (Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Justiça, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Relações Exteriores, Defesa e Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca).

No documento encaminhado na sexta-feira (6) à ministra Dilma Rousseff, que preside o CNBS, o Ibama evoca “a possibilidade de que a deliberação tomada pela CTNBio traga graves impactos para a saúde pública e, em especial, para o meio ambiente” e enumera as razões para isso: “Inexistência de estudo prévio de impacto ambiental realizado nas condições edafoclimáticas do país; ausência de avaliação de risco, caso a caso, que fundamente a decisão da Comissão; ausência de Instrução Normativa específica com diretrizes para analisar a avaliação de risco; ausência de plano e procedimentos de coexistência do cultivo de milho geneticamente modificado sem contaminação de outros tipos de milho e irregularidades processuais”.

Em nota divulgada para explicar a ação do Ibama, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), ao qual o órgão é subordinado, afirma que “a tramitação do processo não cumpriu vários dispositivos legais contidos tanto na Lei de Biossegurança como também no decreto 5.591/05 e no Regimento Interno da própria CTNBio”. O MMA afirma que “pareceres levados à plenária não foram aprovados nas respectivas subcomissões”, que “o pedido de sigilo de várias partes do processo tampouco foi apreciado e votado pela plenária” e que “durante mais de oito anos o processo tramitou de forma ilegal, pois grande parte estava em língua inglesa”.

A “ausência absoluta da avaliação de risco ambiental” na decisão da CTNBio também preocupa o MMA: “Não há no processo estudos ou literatura que comprovem a ausência de danos ambientais, razão pela qual a decisão técnica não poderia ter sido emitida, pois esta ausência de dados contraria a legislação brasileira, bem como o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança”, diz a nota divulgada pelo ministério.


Perigo para os bebês

Também encaminhado à ministra Dilma Rousseff, o recurso da Anvisa contra a liberação comercial do milho transgênico da Bayer tem teor semelhante ao documento do Ibama. A Agência afirma que, após analisar o parecer técnico emitido pela CTNBio, “verificou que o processo de liberação comercial do milho Liberty Link possui estudos inadequados e insuficientes para atestar a segurança alimentar e determinar os riscos à saúde pública da cultura geneticamente modificada”.

Entre as irregularidades no processo apontadas pela Anvisa, estão “a insuficiência ou inexistência de estudos toxicológicos ou de alergenicidade para comprovar a segurança do milho Liberty Link para o consumo humano”. A Agência afirma que a Bayer deve apresentar maiores conclusões acerca dos efeitos do consumo de seu milho transgênico sobre as pessoas, em especial as conseqüências sobre a amamentação de bebês: “A empresa deve apresentar estudos que demonstrem a presença ou ausência da enzima PAT ou de seus componentes de degradação no leite materno, bem como estudos que relatem os possíveis efeitos da enzima PAT sobre a prole de mamíferos”, diz o documento.


Sugestões à CTNBio

O recurso encaminhado ao CNBS pelo Ibama traz uma lista com sugestões a serem adotadas de agora em diante pela CTNBio: a) não aceitação de processos em língua estrangeira; b) não adoção da equivalência substancial como critério único de biossegurança, como ocorreu com o milho Liberty Link; c) observância ao principio da precaução; d) inclusão de medidas de biossegurança, como regras de coexistência e plano de monitoramento, no corpo da decisão técnica; e) exigência de realização de avaliação de riscos em ecossistemas brasileiros; f) não aceitação de sigilo em produtos transgênicos a serem comercializados.


Britânicos devem adotar modelo de orçamento participativo criado pelo PT

O governo britânico pretende dar à população o direito de influir na maneira como o orçamento de seus governos locais é investido, num projeto que repete o modelo de Orçamento Participativo criado e praticado por governos petistas, desde o final dos anos 80, em várias cidades do Brasil.

A ministra de Comunidades e Governos Locais, Hazel Blears, deve fazer nesta quinta-feira o anúncio oficial do projeto-piloto, que inclui em sua primeira fase 10 regiões. Os moradores dessas áreas poderão decidir como serão gastos os orçamentos de seus conselhos locais (que equivalem a prefeituras ou subprefeituras, dependendo do tamanho da cidade).Eles terão poder de influência, em alguns casos sobre despesas de até 23 milhões de libras (cerca de R$ 88,5 milhões) em áreas como policiamento e construção de áreas de lazer.


Promessa


O projeto pretende colocar em prática a promessa do novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, de aumentar a participação popular em decisões que afetam a vida de todos. O ministério deve confiar a uma organização que reúne várias igrejas que atuam no país a responsabilidade de organizar os debates comunitários para decidir como serão alocados os gastos do orçamento.

O anúncio do projeto-piloto deve ser feito durante a conferência anual da Associação de Governos Locais (LGA na sigla em inglês), que questionou se há interesse público pela mudança. A LGA acredita que seria melhor aumentar o repasse de verbas aos conselhos e que os conselheiros fizessem as consultas sobre os gastos em seus distritos.

No discurso da ministra, ela deve defender que “a democracia deveria ser mais do que depositar um voto a cada poucos anos” e que “deveria ser uma atividade diária, não uma teoria abstrata”. Segundo ela, “os moradores locais conhecem as necessidades de sua área melhor do que qualquer um”.As dez áreas do projeto-piloto são Merseyside, Nottinghamshire, Birmingham, Lewisham, Bradford, Salford, Sunderland, Newcastle, Southampton e St. Helens.

O jornal The Guardian avalia que o projeto é uma “extensão potencialmente dramática da democracia direta” e aponta que o governo terá que convencer os conselhos locais de que a medida não significará uma redução dos seus poderes.


Com informações da BBC Brasil

Humor


Autor: Rodrigo Rosa

A verdadeira Igreja de Cristo

Marco Aurélio Weissheimer

O Papa Bento XVI está preocupado em afirmar o caráter da Igreja Católica como a verdadeira e única igreja de Cristo. Para tanto, mandou elaborar um documento intitulado “Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina da Igreja” que pretende “interpretar com clareza” algumas afirmações sobre a natureza da Igreja Católica originadas do Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado pelo Papa João XXIII. Aos olhos de Bento XVI, o papado de João XXIII “descaracterizou” o catolicismo, afastando-o do caminho da “verdadeira Igreja de Cristo”. A preocupação doutrinária do atual pontífice não é nova. A Igreja Católica tem uma extensa folha corrida em torno desta questão.

Em 1307, o frei Dulcino, líder da seita cristã dos apostólicos, foi queimado vivo em Vercelli, na Itália, acusado de heresia contra a boa doutrina cristã. O comando da Igreja Católica de então empregou métodos, digamos, heterodoxos, para defender essa doutrina. Antes de ser lançado às chamas, frei Dulcino teve a carne arrancada com alicate quente, o nariz quebrado e os órgãos genitais mutilados (esse e outros casos citados a seguir podem ser encontrados no perturbador “O Livro Negro do Cristianismo – Dois mil anos de crimes em nome de Deus”, de Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli, lançado no Brasil pela Ediouro).

O livro coordenado por Jacopo Fo, filho de Dario Fo (prêmio Nobel de Literatura em 1997), mostra como os ensinamentos de Jesus Cristo deram lugar a rígidos dogmas, impostos muitas vezes a ferro e fogo. Idéias e interpretações diversas daquilo que seria a leitura correta da palavra de Cristo foram tratadas como heresias, constituindo um longo e vergonhoso histórico para a Igreja Católica, do qual alguns exemplos são a perseguição aos judeus, o genocídio praticado nas Cruzadas, as fogueiras e torturas da Santa Inquisição, o massacre dos huguenotes, o apoio ao regime escravocrata na América católica, entre outras práticas empregadas pela Igreja de Roma para defender a boa palavra de Deus.


Espalhando a fé pela espada e pelo fogo


Durante o papado de João Paulo II, o Vaticano pediu desculpas por alguns desses crimes. Agora, aparentemente, o Papa Bento XVI está retirando esse pedido. Em setembro de 2006, o pontífice citou uma frase de um imperador bizantino do século 15, que criticou o profeta Maomé por sua “ordem para espalhar a fé que pregava pelo medo da espada”. Além de provocar a ira da comunidade muçulmana no mundo inteiro, a declaração mostrou também o lado hipócrita dessa cruzada doutrinária. “Espalhar a fé pelo medo da espada” não é um preceito estranho à história da Igreja Católica. A história de frei Dulcino não é um caso isolado.

A história das Cruzadas não é marcada propriamente por atos que ilustram as idéias de Cristo. “Os exércitos de Deus”, escreve o italiano Jacopo Fo, “talvez tenham matado mais cristãos do que infiéis”. “Os exércitos cristãos que se dirigiam à Palestina tinham um longo caminho a percorrer, sem provisões ou acampamentos organizados. Portanto, tinham como costume obter o que precisavam saqueando as cidades cristãs pelas quais passavam durante a viagem. Por exemplo, a famosa Cruzada dos Mendigos, em 1096, que causou o massacre de quatro mil pessoas apenas na cidade húngara de Zemun”. Neste mesmo ano, a cruzada conduzida pelo “nobre” alemão Gottschalck matou mais de dez mil pessoas que tentaram resistir aos saques.

Neste caso, nem se tratava de uma disputa doutrinária, mas sim de uma mistura de banditismo puro e de delírio. “Alguns homens seguiram para as Cruzadas seguindo os passos de um pato! Estes devotos acabaram se unindo a uma Cruzada guiada por um ilustre salteador chamado Emich, que nunca chegou à Terra Santa, limitando-se a um tour durante o qual massacrou milhares de judeus, espoliando-os de seus bens”, relata ainda Fo. Em várias dessas Cruzadas, os “soldados de Deus” treinaram para enfrentar os “infiéis muçulmanos” na Palestina matando milhares de “infiéis judeus” na Europa. Mas nem tudo é morte nessa história. Havia também preocupações de ordem comercial. “Em 1212, trinta mil meninos da Europa Central partiram para as Cruzadas sozinhos e sem armas. A maior parte desse ‘exército’ embarcou em Marselha acreditando partir para libertar o Santo Sepulcro. Em vez disso, os garotos (pelo menos os que sobreviveram aos contratempos da viagem) foram vendidos aos turcos como escravos.


A santa evangelização da América


Durante sua recente visita ao Brasil, Bento XVI defendeu a atuação da Igreja Católica no processo de “evangelização na América”, assegurando que “o anúncio de Jesus e do seu Evangelho não envolveu em qualquer momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição da cultura alheia”. O Papa esqueceu-se de mencionar alguns “detalhes” dessa história. O trabalho de conquista, subjugação e evangelização dos povos americanos foi inaugurado por comandantes de exércitos a serviço do reis da Espanha e da fé católica. A espada sempre andou de mãos dadas com a cruz neste trabalho que, segundo Bento XVI, não envolveu nenhuma imposição nem alienação. Quantos mortos a conquista supostamente patrocinada por Deus e conduzida pelas mãos dos conquistadores deixou? – pergunta Jacopo Fo. Ele mesmo responde:

“No México, só a título de exemplo, a população passou de 12 milhões, em 1519, a menos de 1,3 milhão na metade de 1600. Noventa por cento da população local havia sido exterminada. No início do século XVI, a população nativa do continente centro e sul-americano girava em torno de setenta milhões de pessoas. Na metade do século XVII, havia sido reduzida a sete milhões. Há vários relatos nada edificantes nesta jornada de evangelização dos “povos selvagens da América”:

“Um povo nativo, guiado pelo chefe indígena Hatuey, tentou se rebelar contra a escravidão. Tentaram uma fuga em massa, mas foram novamente capturados pelos espanhóis. Hatuey foi queimado vivo. Quando o amarraram ao patíbulo, um frade franciscano implorou insistentemente para que abrisse seu coração a Jesus, de modo que sua alma pudesse subir aos céus, em vez de se precipitar na perdição. Hatuey respondeu dizendo que se o Céu era o lugar reservado aos cristãos, ele preferia de longe ir para o Inferno”.

Tudo isso foi praticado, obviamente, com base legal e doutrinária. Jacopo Fo relembra: “A base legal da conquista era o Requerimiento, um documento que os funcionários espanhóis liam, obviamente em espanhol, aos povos que pretendiam submeter antes de dar início aos combates. O documento começava com uma breve história da humanidade, na qual surgia uma figura central, Cristo, definido como o chefe da estirpe humana. Cristo transmitiu seu poder a São Pedro, e este, aos papas, seus sucessores. Um desses papas deu o continente americano aos espanhóis que eram seus legítimos governantes. Se os índios se submetessem aos espanhóis de boa vontade, manteriam o status de homens livres, do contrário seriam capturados como escravos”.

“Com isso, garanto e juro que, com a ajuda de vocês (...) para submetê-los ao jogo e ao poder da Santa Igreja (...), causando-lhes todo prejuízo possível e de que somos capazes, como convém a vassalos obstinados e rebeldes que não reconhecem seu senhor e não querem obedecer, mas se opor a ele” (David E. Stannard, “Olocausto americano: la conquista del nuovo mondo”, Turim, Bollati Boringhieri, 2001).


“A letra mata, o espírito vivifica”


Esses são apenas alguns relatos de uma história de crimes negada pela declaração feita por Bento XVI no Brasil. O Vaticano procurou corrigir depois a afirmação dizendo que não foi bem isso que o pontífice quis dizer, etc. e tal. Mas tudo indica que há método nas declarações do atual ocupante do trono de Pedro. Não são deslizes verbais ou falas causadas por desconhecimento histórico. Joseph Ratzinger é um homem erudito, muito erudito. Conhece certamente esse fatos e duas passagens bíblicas apreciadas pelo falecido Papa João Paulo I, que defendeu que a Igreja Católica deveria doar sua riqueza para os pobres e miseráveis do mundo:

“O Apóstolo não é arrogante nem orgulhoso. Começamos de novo a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos porventura necessidade (como alguns) de cartas de recomendação para vós ou de vós? A nossa carta sois vós, escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens, sendo manifesto que sois vós a carta de Cristo, escrita pelo nosso ministério, não com tinta, mas com o espírito de Deus vivo, não em tábuas de carne que são o coração. Temos esta confiança em Deus, por Cristo; não que sejamos capazes por nós mesmos de pensar alguma coisa (sobrenaturalmente boa), como vinda de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos fez idôneos ministros do Novo Testamento, não pela letra (da lei), mas pelo Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (Coríntios, II, 3, 1-4)

“Devemos renunciar aos bens da terra. Não acumulei para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões perfuram as paredes e roubam. Entesourai para vós tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça os consomem, e onde os ladrões não perfuram as paredes nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração” (Mateus, 6, 19-21).

A Igreja Católica está preocupada com a perda crescente de fiéis para outras igrejas e com o abandono puro e simples da idéia de uma vida religiosa. A julgar pelas recentes declarações do Papa Bento XVI, com suas preocupações doutrinárias, parece mais preocupada com a perda de poder terreno do que com a erosão de sua capacidade de dialogar com as dores e angústias do espírito humano contemporâneo. Sem querer ensinar o padre a rezar missa, talvez devesse pensar com humildade sobre onde é mesmo que está o espírito e o tesouro dos ensinamentos de Cristo, ao invés de reavivar dogmas supostamente cristãos e de promover revisionismos históricos que insistem em diluir, ou mesmo negar, crimes cometidos em nome de Deus.



50º Congresso da UNE avança na construção da entidade

No congresso que celebrou os 70 anos da UNE, um encontro que reuniu 8 mil estudantes de todos os 26 estados brasileiros e também do distrito federal. Os números do 50º Congresso da UNE mostram que ele representa, atualmente, um dos principais momentos de reflexão e decisão do movimento social brasileiro.
Este congresso trouxe como diferencial a qualificação do debate político e da participação. Fruto do novo processo de eleições dos delegados, que passou a ser realizado por eleições diretas dos estudantes em cada universidade, com uma transparência maior na eleição e um processo de debates pré-congressuais muito mais qualificado. Permitiu também que as principais lideranças do movimento estudantil pudessem chegar ao Congresso com mais propriedade. Desta forma, transformaram as Plenárias e grupos de discussão em momentos muito mais ricos de debates e construção política. A UNE sai do Congresso com uma capacidade de formação das suas ações muito mais qualificada.
A plenária final do 50º Congresso foi realizada no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, com a presença de mais de 8 mil estudantes de todos os estados do país, entre observadores e delegados (estudantes com direito a voto na eleição), representando 1.880 universidades de todo o país. Onde se disputou a futura direção da entidade.
Do total de votos válidos (2.526), a chapa 11 - “1º de fevereiro”, que tinha Lúcia como candidata, teve 72% dos votos, contabilizando o apoio de 1.802 estudantes. O nome é uma referência ao mês e dia em que os estudantes retomaram, em 2007, o terreno da sede da UNE a Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro. Disputavam outras 10 chapas inscritas, mas que não apresentaram candidato para a presidência. A chapa 10 teve totalizou 279 votos. A chapa 7 conseguiu 232 votos. Já a chapa 9 saiu com 92 votos e a chapa 8 somou 73. As outras chapas juntas fizeram 14 votos. Foram registrados 33 inválidos.
O maior fórum organizado da juventude brasileira avançou também na construção política da entidade. Entre as resoluções aprovadas, os presentes foram convocados a construir a Jornada Nacional de Lutas, programada para o mês de Agosto. O objetivo é realizar atos, passeatas e protestos em conjunto com outros movimentos sociais para comemorar os 70 anos da UNE (que serão completados no dia 11/08) e exigir um Programa Nacional de Assistência Estudantil.
Na votação sobre a política nacional, a plenária aprovou a autonomia e independência da UNE frente ao governo Lula reforçando o pedido de demissão imediata do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reivindicando mudanças na política econômica, com o fim do aperto fiscal e juros altos.
Durante a plenária também ficou decidido, por maioria de votos, que a UNE assume o compromisso de realizar, a cada dois anos, o seu Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb). Com isso, fica garantido que toda a gestão vai realizar o encontro, possibilitando o diálogo mais estreito com as entidades que compõem a rede do movimento estudantil, aumentando a capacidade de mobilização, comunicação e organização desta rede dos estudantes, por meio de suas entidades de base. Outra importante resolução aprovada foi a implementação das cotas de 30% de mulheres na direção da entidade, como forma de romper com as barreiras que impedem uma maior participação das mulheres nas direções e espaços políticos em gera l.
Na política educacional, foi aprovado intensificar a pressão junto ao Congresso Nacional para que o projeto da reforma seja desengavetado e votado o mais rápido possível. A UNE quer que a proposta volte à pauta do dia dos parlamentares para garantir que ainda este ano a educação privada, por exemplo, possa contar com novas forma de regulamentação.
Com isso, ainda que com um longo caminho a ser trilhado pela próxima gestão da entidade, a UNE se reafirma como uma das principais entidades do movimento social organizado no Brasil, e se abre a perspectiva de termos uma entidade com maior capacidade de mobilização e de democratização interna.

Brasil vence nos pênaltis e vai para a final da Copa América

A seleção brasileira venceu ontem (10/07), a seleção do Uruguai nas semi-finais da Copa América nos pênaltis, em jogo que poderia ter sido fácil, mas que acabou tendo um final dramático.
O Brasil alternou bons momentos com situações de extrema dificuldade, o que tem sido uma tônica nessa seleção do Dunga. Quer dizer, acho que da cara do Dunga há evidentemente que muito nessa seleção, mas também algumas coisas meio “mal explicadas” nessa seleção. Ninguém me convence que o tal do Afonso seja um centro-avante com bagagem para estar jogando nessa Copa América. Esta é a típica convocação com ares de influência da cartolagem no meio, para valorizar o passe do atleta para alguma futura negociação com um grande clube. Opções não faltariam para o técnico convocar, com uma diversidade tão grande de atacantes brasileiros de qualidade jogando por aí, fica ainda mais descabida essa convocação. Sem falar no Vágner Love, que até agora não disse a que venho. Apenas Robinho tem dado uma boa resposta no ataque, jogando com maestria e objetividade.
Mas não é só isso, essa determinação da CBF em obrigar o Dunga a fazer uma renovação forçada da seleção está se mostrando, no mínimo questionável. É lógico que é importante começar algum processo de renovação do grupo principal de jogadores a vestirem a camisa amarelinha, principalmente após o desastre da Copa do Mundo. No entanto, não se renova o elenco sem haver um processo de transição, aliando o que vinha dando certo e tem perspectivas de evolução (como o meio-campo) com a busca de novos valores.
Acho que, se não houver uma mudança de rumos na seleção para a disputa das eliminatórias da Copa do Mundo, nós torcedores continuaremos a sofrer com a falta de um futebol a altura da seleção mais vencedora do mundo.

Crise política na saúde de Porto Alegre

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PPS), aceitou o pedido de demissão do Secretário da Saúde, Pedro Gus, e anunciou que o vice-prefeito Eliseu Santos (PTB) será o novo secretário. Ao anunciar a demissão de Pedro Gus, Fogaça disse que o médico está deixando a secretaria “por uma decisão pessoal” que não teria nenhuma relação com a sua gestão na área da Saúde. O prefeito derramou-se em elogios à gestão da Saúde e destacou os seguintes “êxitos”: reforma do Pronto-Atendimento Cruzeiro do Sul, os mutirões de saúde, as ações de combate à dengue e a ampliação do Programa de Saúde da Família. A política da Saúde em Porto Alegre vai tão bem que o Conselho Municipal de Saúde reprovou o relatório da prefeitura sobre a gestão da área do primeiro trimestre deste ano e, durante a Conferência Municipal da Saúde, Fogaça e Pedro Gus receberam vaias como reconhecimento pelo trabalho que vem sendo realizado.


Fonte: RS Urgente

Bancada do PT divulga nota em protesto contra edição do jornal

O grupo RBS, mas em particular o seu principal jornal a Zero Hora, andam com as garras a mostra. Depois de terem publicado matérias no mínimo questionáveis no último domingo, conforme comentado em matéria do Marco Aurério Weissheimer publicada aqui, não contente a ZH volta a se utilizar de expedientes pouco éticos para a sua cobertura pseudo-jornalistica. Desta vez o alvo foi a bancada de Deputados Estaduais do PT, abaixo segue a integra da nota da bancada sobre a cobertura da ZH.





Nota da bancada do PT:


Quem conhece a política gaúcha e os veículos de imprensa de Porto Alegre sabe que o jornal Zero Hora não nutre simpatias pelo PT. Essa já é uma história longa e não deveria trazer surpresas. Petistas e não petistas já estão acostumados com isso e muitos já aprenderam a ler as notícias considerando as ênfases, as nuanças, os compromissos e as omissões editoriais do jornal. Infelizmente, a conduta anti democrática desse jornal é um dado da realidade política brasileira, marcada pela presença de uma imprensa que incentiva o mito da isenção para transitar as aspirações políticas e ideológicas particularistas de seus donos e financiadores.


O compromisso com a democracia e com a pluralidade nos impõe, às vezes, o convívio com condutas anti democráticas e manipuladoras. Mas isso, por óbvio, tem um limite. Quando o posicionamento político de um jornal orienta uma conduta editorial de má fé, então chegamos a um momento em que não nos é permitido calar, sob pena de sermos coniventes com a desconstituição de princípios básicos do convívio democrático.


Por isso, queremos manifestar nosso repúdio à edição desta terça-feira (3/7) do jornal Zero Hora. Na página 6, o jornal publica uma matéria sobre uma suplementação orçamentária reivindicada pelo parlamento gaúcho para cumprir com o reajuste devido aos funcionários da Casa.


Para ilustrar a matéria, o editor de política do jornal fez uma escolha, no mínimo, estranha. Os protagonistas dos fatos não aparecem na fotografia, aparecendo, em primeiro plano, três deputados do PT, partido que, qualquer jornalista que cobre política no Estado sabe, nada tem a ver com o fato noticiado. A decisão do editor é óbvia e reflete a evidente intenção de envolver a bancada petista com a reivindicação da suplementação orçamentária.


O agravante é que a foto referida é repetição de uma fotografia já usada pelo mesmo jornal no dia 27 de junho, há menos de uma semana, para ilustrar um comentário da editora executiva de política, Rosane Oliveira, sobre a decisão dos deputados em reajustar os salários. É preciso dizer que a fotografia também não tem nada a ver com aquele evento. A prática de repetir fotografias em jornal, sabe-se, revela ou um preocupante amadorismo ou uma intenção deliberada de mostrar pessoas ou lugares ou, no caso específico, certas pessoas em certos lugares.


A decisão editorial de ZH, portanto, manifesta não apenas uma opção política do jornal, mas mostra uma conduta abertamente provocativa, inaceitável para o convívio plural e democrático que defendemos.





Porto Alegre, 3 de julho de 2007


Bancada Estadual do Partido dos Trabalhadores

Humor


Autor: Angeli

Uma imagem que vale por mil palavras

Marco Aurélio Weissheimer

Os editores dos grandes veículos de comunicação acreditam piamente – ou dizem acreditar – que praticam um jornalismo isento, objetivo e imparcial. Rebatem energicamente qualquer crítica sobre seu trabalho, procurando jogar no colo de quem faz a crítica a “ameaça à liberdade de imprensa”. Quando são surpreendidos em delito, quando a hipocrisia se revela concretamente, silenciam e apostam na pouca repercussão das vozes que apontam a nudez do rei. Um exemplo disso ocorreu neste domingo (1°), na edição do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. O jornal do grupo RBS publicou uma matéria sobre ameaça de cassação que paira sobre o governador da Paraíba, o tucano Cássio Cunha Lima, acusado de distribuir cheques na campanha eleitoral de 2006. O detalhe curioso é que a foto que ilustra a matéria traz em primeiro plano....o presidente Luiz Inácio Lula da Silva!

O texto da matéria não faz nenhuma referência ao presidente da República e fala da crise institucional gerada na Paraíba a partir da decisão do Ministério Público daquele Estado, pedindo a cassação de Cássio Cunha Lima (PSDB). Como explicar então a imagem em primeiro plano de Lula ilustrando a matéria? Difícil, para ser generoso, encontrar um critério editorial para entender a decisão. Olhando para a edição do jornal em seu conjunto talvez surja uma explicação. Duas páginas após a matéria envolvendo governador tucano, um artigo de meia página do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso adverte para “a sensação de impotência diante de tanto descalabro” no país. “A indignação com a corrupção advém de sua impunidade”, filosofa FHC, que não chega a mencionar o caso de seu correligionário ameaçado de ter o mandato cassado na Paraíba.

Ainda na mesma edição, uma matéria de duas páginas destaca “a Fantástica Fábrica de Sucessos de Aécio Neves”. O texto derrama-se em elogios à gestão tucana de Aécio em Minas Gerais, dizendo que ela “projeta o governador para 2010”. A “terra do choque de gestão” é apresentada como modelo para o Brasil. Como se fosse um jogo de armar, logo antes dessa matéria, outras duas páginas são dedicadas à crise financeira no Rio Grande do Sul, perguntando pelo melhor caminho para a sua superação. O leitor vira a página e dá de cara com a “Fantástica Fábrica de Sucessos de Aécio Neves”. Vira mais duas páginas e lê a matéria do governador da Paraíba com a foto de Lula em destaque. Mais duas e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá suas receitas para superar a crise moral do país. Tudo isso em uma mesma edição.

O diretor de Redação de ZH, Marcelo Rech, expõe, também na edição dominical, a sua visão sobre o que é o bom jornalismo e a liberdade de imprensa: “Cabe à imprensa assegurar os espaços para todos os lados e não se intimidar. À opinião pública, cabe avaliar as diferentes informações e opiniões, e delas extrair suas conclusões”. Seguindo a regra sugerida por Rech, qual a conclusão que deve ser extraída a respeito de um jornal que, entre outras coisas, publica uma matéria negativa sobre um governador do PSDB com a foto de um petista em destaque (petista que, por acaso – ou não –, é o presidente da República)? E que cerca essa matéria com várias páginas exaltando as idéias do ex-presidente e do modo tucano de governar. Onde está mesmo o “espaço para todos os lados”? Onde estão as “diferentes informações e opiniões” que constituiriam a máxima do bom jornalismo?

Considerando o princípio da liberdade de expressão, um veículo de comunicação tem o direito de publicar textos, sons e imagens que julgar apropriados para seus propósitos. O problema é quando os propósitos são “soterrados por mantos de silêncio”, para usar uma expressão do diretor de redação de ZH, ao defender a liberdade de expressão. Ele escreve: “O direito de espernear e criticar, inclusive a imprensa, é legítimo. Essa é uma das maravilhas da liberdade de expressão. É a mesma liberdade, aliás, que tanto irrita autoridades dos três poderes que gostariam de ver informações, opiniões e debates soterrados sob mantos de silêncio”. Outra “maravilha da liberdade de expressão” não é mencionada por Rech: a de manter um mínimo de coerência nas escolhas editoriais. Publicar um texto com uma denúncia envolvendo um líder político de um partido X, com uma foto onde o destaque é um líder do partido adversário de X não parece ser exatamente uma “maravilha de escolha”.

Maravilha seria o editor de ZH explicar aos leitores por que decidiu destacar a imagem de Lula em uma matéria onde o envolvido em denúncias é um governador do PSDB. Maravilha seria explicar aos leitores quais são os critérios editoriais adotados na definição de textos e fotos. Maravilha seria assumir explicitamente qual o ideário político defendido pelo jornal, ao invés de fazer uma hipócrita apologia da isenção. Alguns dos maiores jornais do mundo fazem isso há muitos anos, o que garante ao leitor um mínimo de transparência acerca do lugar a partir do qual o jornal em questão está falando.O caso em questão, onde a imagem de Lula na matéria sobre Cássio Cunha Lima vale por mil palavras, revela, na verdade, dois problemas que ultrapassam o tema da falta de transparência: falta de seriedade e sensação de impunidade. Em nome das “maravilhas da liberdade de expressão”, tudo é permitido, mesmo publicar uma denúncia contra Pedro e publicar em destaque uma foto de João.

HQ com morte do Capitão América ataca política de Bush

Sob uma fina chuva no Cemitério Nacional Arlington, em Washington, milhares de patriotas, em luto, solenemente observam o Homem de Ferro, Pantera Negra, Ben Grimm e Miss Marvel carregando um caixão coberto por uma bandeira dos Estados Unidos. Sim, o Capitão América está morto e será enterrado na última edição da revista Fallen Son (Filho Caído).


A HQ da editora Marvel Comics chegará às revistarias norte-americanas em 5 de julho, dia seguinte à Data da Independência dos Estados Unidos. Após 66 anos lutando contra vilões como Adolf Hitler e o Caveira Vermelha, o líder do grupo de super-heróis Vingadores foi assassinado com um tiro nos degraus da Suprema Corte de Nova York.

Ele estava sendo levado perante um júri após se recusar a assinar o Ato de Registro de Super-heróis - medida governamental que, entre outras ações, revelaria a identidade dos ''vigilantes encapuzados''. Um atirador de elite acusado de atirar contra o herói-patriota de cima de um telhado foi capturado pela polícia logo depois. O suspeito, porém, não teria agido sozinho nem disparado o tiro que derrubou o Capitão América.

Com uma seqüência de histórias semelhantes à conturbada política contemporânea dos Estados Unidos, é difícil não encarar a Guerra Civil Marvel (que começa em julho aqui no Brasil) como uma grande crítica ao governo Bush, disse o escritor de quadrinhos Jeph Loeb, responsável por Fallen Son.


''Parte (da história) surgiu do fato de que vivemos em um país que está em guerra, de que estamos sendo vistos de modo diferente pelo mundo'', disse o escritor americano. ''Ele (Capitão América) veste a bandeira e é assassinado. É impossível não encarar esse fato ao menos como uma metáfora das complicações dos dias atuais.''

Homenagem

Loeb, porém, afirma que está trabalhando com um material mais pessoal: a morte de seu filho de 17 anos, vítima de câncer. ''Muitas pessoas perdem seus filhos e filhas todos os anos, pelo ´bem maior´ ou por uma doença como o câncer e outras coisas horríveis'', acrescentou Loeb, que também é produtor-executivo da aclamada série televisiva Heroes. ''Queria que as pessoas se identificassem com isso (a história).''

Nos quadrinhos finais da história, o herói Falcão discursa e pede para que os super-heróis, velhos e novos, levantem-se e prestem homenagem ao Capitão América. Loeb fez algo similar no funeral de seu filho. ''Foi neste momento que percebi que todos (no funeral) éramos diferentes, mas este garoto, meu filho, fez com que todos nós nos conectássemos'', disse. ''Foi algo poderoso.''

O Capitão América, alter ego de Steve Rogers, é um dos mais antigos membros do panteão de super-heróis dos quadrinhos - o qual foi inaugurado pelo Super-Homem na década de 1930. Ele surgiu nas bancas em março de 1941, nove meses antes do ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, dando um soco na cara de Hitler na capa da primeira edição.

Tal imagem foi um amargo lembrete aos americanos de que havia uma importante guerra acontecendo e que os Estados Unidos não tinham ainda se envolvido no conflito. Desde então, a Marvel vendeu mais de 200 milhões de revistas do Capitão América em 75 países. O herói, porém, deverá voltar dos mortos, como é praxe no universo dos quadrinhos norte-americanos (vide as ''ressurreições'' do Super-Homem e de outros heróis e vilões).


Fonte: Vermelho

Gestão Alckmin: MP liga líder tucano a máfia das obras em São Paulo

O escândalo da máfia das obras da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), que envolve a gestão do tucano Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, chegou agora à Assembléia Legislativa.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na edição desta sexta-feira (29), o Ministério Público Estadual comunicou a Procuradoria-Geral de Justiça sobre a existência de indícios de envolvimento do deputado estadual Mauro Bragato, líder do PSDB na Assembléia, com a organização criminosa denunciada no mês passado.

O esquema envolve fraude em licitações e superfaturamento de obras de casas populares na região de Presidente Prudente, base eleitoral de Bragato. Em nota, o deputado negou as acusações e atribuiu as denúncias aos adversários políticos.

A Polícia Civil estima que a máfia das obras da CDHU tenha desviado R$ 135 milhões dos cofres públicos nos últimos seis anos. O esquema também pode ter ramificações em outras regiões do Estado.

Vinte e nove pessoas, entre prefeitos, funcionários públicos e empresários, foram denunciados pelo Ministério Público, em maio, quando foi desmantelada a organização criminosa.

O grupo seria liderado pelo empresário Francisco Emílio de Oliveira, o Chiquinho da CDH, dono da empreiteira FT Construções, mentora do esquema. Dezessete envolvidos tiveram a prisão temporária decretada na época. Desses, apenas três continuam presos: Oliveira, o empresário Jovem Marcos Corrêa Miras e o funcionário da CDHU Climério de Toledo Pereira.

A promotoria encaminhou à procuradoria toda a documentação colhida na investigação relativa a Bragato. De acordo com os documentos, o deputado teria recebido propina da FT. Os valores, segundo os documentos e depoimentos, variavam de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil.

Bragato foi secretário estadual da Habitação entre maio de 2004 e janeiro de 2005. De 2003 a 2004, havia sido secretário-adjunto na mesma pasta. A partir de 2005, assumiu a cadeira na Assembléia. Por ser parlamentar, Bragato tem direito a foro privilegiado e só pode ser investigado pela Procuradoria-Geral de Justiça.

O pagamento de propina foi confirmado, em depoimento, por um dos réus no processo, Edson Meneses, que prestava serviços à empreiteira. À polícia, no dia 11 deste mês, Meneses informou que entregou entre 2002 e 2006 diversos envelopes contendo dinheiro para o escritório político de Bragato, em Presidente Prudente, a pedido de dois funcionários do setor financeiro da empreiteira, que identificou apenas como Celso e Hélio.

Em nenhum momento, o depoente foi questionado para que seriam os pagamentos. Segundo Meneses, que prestava serviços à FT, os envelopes eram entregues a um homem identificado apenas como Avancini, que disse ser assessor de deputado.

“Do escritório do Chico, mandaram entregar isso aqui”, disse Meneses à polícia, relatando como era feito o suposto pagamento de propina.

Meneses disse ainda que nenhum recibo era entregue pelo escritório, quando deixava o envelope. Por fim, ele relatou que foi escolhido pela empreiteira para levar o dinheiro porque é filiado ao PSDB e conhece o local do escritório do deputado.

Código
Durante as investigações, foram apreendidos vários documentos nos escritórios das empresas investigadas, incluindo os livros-caixa da FT. Entre os registros, aparece uma relação de nomes ao lado de valores associados à sigla QLN. O código foi identificado por dois ex-funcionários da empresa, ouvidos como testemunhas no inquérito policial, como referência para pagamento de propina. Significariam “Quanto levo nisso”, segundo os depoentes.

Várias vezes, em vez de nome, aparecem novamente siglas, incluindo MBR - que um dos depoentes afirmou serem as iniciais de Mauro Bragato -, associada a valores de R$ 2 mil, R$ 3 mil e R$ 4 mil.

Diante dos indícios de possível envolvimento do deputado com a organização criminosa, a Delegacia Seccional de Presidente Prudente encaminhou os depoimentos e as cópias dos livros-caixa à Justiça, que os remeteu à promotoria local. Por se tratar de autoridade com foro privilegiado, toda a documentação foi remetida à Procuradoria-Geral de Justiça.

Com informações da Agência Estado